19 de julho de 2013

Os criminosos são vocês!

Pelados onde se "legisla" de madrugada, jovens gaúchos protestam
Vereadores de Porto Alegre, a linda Capital do Rio Grande do Sul, estão decidindo que medidas tomar contra os estudantes que ocuparam o prédio da Câmara Municipal e, em mais uma rodada de protestos, a encerraram ficando sem roupas diante da parede onde estão os quadros com os retratos dos ex-presidentes daquela, digamos com um pouco de ironia, "Casa de Leis".
O que acharam os vereadores: houve um desrespeito para com o Legislativo porto-alegrense. Uma chacota, digamos assim. E as pessoas que fizeram isso têm que pagar, de preferência sendo processadas por atentado ao pudor ou algo parecido. O Código Penal deve oferecer várias alternativas para amparar essa hipocrisia.
Desrespeito e atentado ao pudor é o que o Poder Legislativo faz conosco, os brasileiros!
Praticamente todos os dias emanam dos legislativos municipais, estaduais e federal denúncias de tráfico de influência (isso quando não se trafica algo mais sério), suborno, acordos escusos, ilegalidades as mais diversas, nepotismo, aumento de verbas parlamentares, de servidores (sic!) nos gabinetes, de uso indevido de veículos e de cometimento dos mais diversos crimes por parte de nossos representantes que na verdade não nos representam como, por exemplo, homicídio. E até por encomenda...
Mas quem fica nu diante dos retratos dos presidentes da Câmara comete um crime.
Não senhores vereadores, deputados estaduais, federais e senadores; os criminosos são os senhores. Duvido que dentre aqueles estudantes sem roupas, fazendo seu protesto final antes de ir embora para casa, haja um único que cometeu durante a vida um décimo dos crimes de alguns dos retratados acima deles. Nenhum deles é capacho do Poder Executivo e nem vota a favor de tudo o que vem do Judiciário, sem análise alguma, com receio de um dia necessitar de uma benesse qualquer.
Nu eu nasci. Nus nascemos todos nós. Um jovem nu não tem como esconder dinheiro na cueca. Na bolsa. Um jovem sem roupas em público não pode se esconder das câmaras de filmagem e fotográficas de TVs, jornais, revistas, etc.e, portanto, não tem nada a esconder. Simples assim!
Nosso País precisa de gente que possa ficar nua sem exibir mais do que seu próprio corpo. Sem deixar que esse corpo exale o cheiro nauseabundo das demagogias, das votações feitas às pressas e de madrugada, das comissões por obras públicas, do conhecimento antecipado dos vencedores de licitações, do enriquecimento ilícito escondido por detrás de laranjas e empresas de fachada. Esses jovens pelados, de laranjas só entendem os frutos das laranjeiras. Talvez seja esse o crime que eles cometeram.
Ainda bem!
E que os protestos continuem. Que eles não parem. Nós temos um País a reconstruir e tudo deve ser feito sem violência e sem criminosos infiltrados entre gente honesta. Como diria Ulisses Guimarães, o que mais mete medo nos políticos é o povo nas ruas. Às ruas todos, portanto!            

14 de julho de 2013

Vamos dar uma vaia neles!

Representantes das diversas centrais sindicais em seu palco preferido
Em meados da década de 1980, quando os sindicatos de trabalhadores recuperaram sua autonomia legal, uma grande parcela dos sindicalizados, como eu, lutaram para impedir que as entidades sindicais se aliassem e se subordinassem a partidos políticos. Em vão. Logo surgiam no horizonte brasileiro nomes como "Sindijornalistas - filiado à CUT". O PT, então em ascensão e aspirando conquistar o poder, passou a dominar grande parte das instituições sindicais brasileiras. A política sindical, trabalhadora, abria caminho para a militância política, nem sempre sindical, nem sempre trabalhadora.
A parca adesão, semana passada, da população à greve geral das centrais sindicais é um dos frutos desse erro: os sindicatos brasileiros e suas centrais são hoje confundidos com partidos políticos. E como estes últimos são as instituições menos respeitadas pelos brasileiros, uma coisa contamina a outra.
Não acredito que a questão sindical vá prejudicar o movimento de protestos que nasceu com a juventude brasileira e se espalhou País afora, distante de partidos políticos e sindicatos. Mas hoje, se esse monte de siglas de centrais quiser efetivamente ajudar o movimento de reformas, pode fazer apenas uma coisa: ficar distante da garotada, do brasileiro comum que vai às ruas protestar sem ter em mente a conquista imediata de um espaço ou cargo político para chamar de seu.
Tenho dito que o brasileiro não deve se dispersar. Bem como não pode aceitar provocações e participar de atos criminosos. Deve continuar a fazer o que vem fazendo: denunciar. Sobretudo e principalmente a classe política que vive num mundo à parte, separado da realidade, acumulando privilégios e vantagens. Agora mesmo vários deputados federais e senadores disputam lugares num voo da FAB para ir ao Rio de Janeiro com o nosso dinheiro ver a missa que o Papa Francisco vai rezar.
Católicos de todo o mundo, uni-vos: vamos dar uma sonora vaia neles. Vamos vaiar até não poder mais.
E lutar. E sempre continuar lutando, principalmente num momento em que, quando a gente pega a nota fiscal depois de uma compra, vê o peso dos impostos. Mais do que isso: sabe para onde vai esse dinheiro e que ele vai para onde não deveria ir. A corrupção do Brasil é endêmica e só pode ser derrotada com luta.
Uma democracia não se faz sem sindicatos. Mas não são esses e nem essas centrais sindicais que queremos. Uma democracia não se faz sem partidos políticos e seus filiados. Mas não são os partidos que temos e os políticos que eles elegem os que queremos. Podemos mudar isso tudo com a decisão, o engajamento e a disposição mostradas desde o início dos protestos no Brasil.
Vamos construir um País novo, digno, que nos represente. Nas ruas, todos os dias, protestando, mostrando cartazes e lembrando aos maus políticos: as eleições estão por chegar. E os senhores, por partir.              

12 de julho de 2013

O Congresso não nos representa

Não se dispersem. Não aceitem provocações. Não esmoreçam. Lembrem-se de que a luta atual, com parte do povo desse País nas ruas, se desenvolve sobretudo e principalmente contra o Poder Legislativo. E ele vai fazer tudo, ético ou não, legal ou não, para refender seus privilégios. Os poderes Executivo (aquele dos 39 ministros) e Judiciário acompanham mas terão de aceitar o que mudar.
No Poder Legislativo do Brasil, incluídos aí os níveis municipal, estadual e federal, o mais bobinho dá nó em pingo d'água. Os mais sabidos chegam a dirigir seus poderes. E só não pilotam os jatos da FAB porque não sabem. E porque têm pilotos profissionais para cumprir a tarefa de motoristas. Por isso fizeram parte da cortina de fumaça da presidente Dilma Rousseff, que criou o plebiscito de araque para nos enganar. Para ganhar tempo. Para tirar o foco da questão de onde ele estava.
Percebam: até agora, na "correria" do Congresso, nada do que já foi aprovado toca num único e miserável privilégio dos senhores parlamentares. Para não ser injusto, retifico: eles agora não podem mais "eleger" maridos, esposas, filhos, sobrinhos, mamãe, papai e outros como suplentes de senadores. Mais nada. Suas vantagens estão intocadas. A sacanagem rola solta em todos os lugares.
Por isso é preciso centrar fogo em questões específicas, claras. Como o fim do fator previdenciário porque aposentado come. Se não comer, morre. O não o combate à terceirização e as demais bandeiras que são também das centrais sindicais, que entraram, diga-se em nome da verdade, de forma oportunista no movimento. Mas é preciso gritar sempre que o Brasil é um país corrupto, de corruptos e que nossa educação vale nota zero, nossa saúde mata quem não pode pagar por ela, os programas de geração de empregos são verdadeiras piadas e a segurança não protege ninguém. Nem mesmo os policiais militares que disparam contra o cidadão na foto que ilustra esse texto podem se considerar protegidos. São tão roubados quanto todos os demais em seus salários de fome.
Vejo-me jovem em uma passeata. O PM me cercou e ergueu o bastão de madeira. Eu disse rápido: "Você também é um espoliado como eu!". Ele respondeu: "E vou preso se não bater em você!". Baixou o bambu.
Não se dispersem, por favor. Parem as cidades. Parem tudo.
Sei fazer coquetel molotov e como derrubar cavalos da cavalaria que ataca. Mas isso passou. Foi na época da ditadura militar e ela morreu de inanição em 1985. Agora os tempos são outros e as armas que devemos usar não devem queimar ou fraturar patas. Temos a razão ao nosso lado.
Vamos dizer que o Congresso não nos representa. Que ele só representa a si próprio. E começar, devagar e sempre, a lutar contra os privilégios que essa gente acumula ano após ano, com dinheiro tirado dos nossos bolsos. Vamos usar a internet, as redes sociais, as passeatas, as faixas, os megafones, tudo o que puder repercutir e arranhar cada vez mais o que ainda resta de conceito nessa gente. Eles são hoje o pau do galinheiro. Estão perto de ser o cocô do cavalo do bandido. Falta pouco.
À luta. Ergam as bandeiras. E, no caso específico dos capixabas que não querem mais pagar o pedágio da Terceira Ponte, não se esqueçam de exigir, nessa auditoria que está sendo feita pelo Governo, que se diga também quem assinou os contratos atuais com a Rodosol. Essa(s) pessoa(s) precisa(m) se explicar.          

7 de julho de 2013

"Isso é que é vida"

O show de viagens particulares com jatos da FAB promovido por autoridades federais brasileiras não é novidade. Desde 1985 o País livrou-se de uma ditadura militar que durou 21 anos e ceifou inúmeras vidas. Mas nem mesmo a Constituição de 1988 conseguiu fazer com que a classe política tivesse a mínima noção da diferença entre "público" e "privado". Ao contrário, a apropriação do que é público para ser transformado em privado só faz aumentar com o passar dos anos.
O ministro fulano de tal, o presidente da Câmara sicrano, o do Senado beltrano e todas as suas famílias usam os jatos executivos da Força Aérea porque consideram ser esse um direito inalienável deles. Vão com eles a jogos, casamentos e outros eventos. O espetáculo, inclusive o cinismo da devolução do dinheiro das "passagens", faz lembrar uma foto que circulou na internet ainda durante o primeiro governo Lula mostrando um de seus filhos no antigo Sucatão, refastelado numa poltrona e dizendo: "Isso é que é vida!"
Essa cultura, se podemos chamar assim, justifica tudo o mais. Inclusive os desmandos cometidos pelos poderes Executivo e Judiciário. Graças a ela, cada gabinete municipal, estadual ou federal tem um bando de assessores. Alguns nem sabem o que assessoram. Graças a ela, veículos oficiais são usados para tudo, inclusive para levar mulheres e demais parentes de autoridades ao supermercado. Cabos eleitorais de campanhas políticas esforçam-se ao máximo para eleger seus candidatos, pois sabem que o pagamento virá depois, com nomeações para os chamados "cargos comissionados". No Brasil, existem aos milhares para pagar esses auxiliares de campanha com dinheiro público. O meu, o seu, o nosso.
Mas não fica nisso. Grande parte do serviço público é loteado. Ministérios, secretarias e outros órgãos, todos eles devem ter vagas à disposição dos senhores vereadores, deputados (estaduais e federais) e senadores. E, já que eles podem, devem poder também membros dos outros poderes. Esses preferencialmente abrigam seus apaniguados sob suas asas. Mais fácil de controlar.
Quando a gente vê hoje milhares de pessoas fazendo passeatas, mostrando cartazes pelas ruas, lutando para mudar o Brasil e expulsando bandeiras de partidos políticos das manifestações, é contra isso também que se luta. Antes, os privilégios eram mantidos à baioneta calada ou sob tortura. Hoje, pela força de leis que, não raro, são votadas de madrugada e logo saem nos diários oficiais.
Se você acha que combate apenas a corrupção, quer mais saúde, melhor educação, geração de empregos, segurança e outros itens caros a todos nós, está errado. Mudar o Brasil significa também dar ao povo brasileiro condições de retomar o que é seu, de fazer com que o público seja público e o privado, privado. E isso só será conseguido com um movimento que cresça a cada dia à caça dos milhares de privilégios imorais e aéticos que foram aos poucos sendo acrescentados à vida e aos contracheques de milhares de pessoas, enquanto descansava, desatenta, nossa Pátria Mãe Gentil.
Vamos à lutar. Ela só está começando!          

5 de julho de 2013

Os ratos e os hábitos noturnos

Ratinhos saem para se alimentar. No esgoto a comida já era pouca
Os ratos têm hábitos noturnos. Eles só saem para as ruas à luz do dia quando sua população aumenta tanto que a comida disponível se torna insuficiente para alimentar a colônia toda. Os mais comuns, sobretudo em áreas urbanas, são o camundongo, o rato de esgoto e o rato preto. Atualmente os de Brasília estão tendo noites muito ocupadas. Planejam enquanto nos tentam convencer de que pretendem abrir mão de parte de seus privilégios. Digo, refeições.
Não se iludam. Ou a população brasileira continua nas ruas pressionando as diversas instâncias de poder, ou ela luta por reformas institucionais necessárias e urgentes ou os ratos vão continuar falando macio e depois sair às ruas quando a comida diminuir. Então, num País que já tem o Ministério das Tilápias, pode-se criar o das tainhas, galinhas, porcos, etc. Tudo isso vale dinheiro.
A ordem geral nas instâncias de poder é mudar no varejo. E quanto menor for esse varejo, melhor. Alguém já falou em diminuir o número de ministérios, sobretudo aqueles criados para subornar políticos e partidos com dinheiro público? Não, claro que não. A não ser indiretamente o PMDB demonstrou "boa vontade". Abre mão de um dos seus ministérios de aluguel. Para quem ele vai é irrelevante. Contanto continuem sendo 39 no total. e por enquanto...
Em Vitória, no Espírito Santo, luta-se, dentre outras coisas, pelo fim da cobrança de um pedágio cobrado aos que trafegam na chamada Terceira Ponte e que penaliza a todos. De início, os deputados eram todos a favor desse término. Agora já há resistências, dúvidas constitucionais, etc. Alguém pediu vistas à matéria e por trás da mudança de comportamento pode-se notar ratos trafegando à noite pelos esgotos que cercam o Poder Legislativo. Talvez vindos da ponte. A obra já foi paga, pois o pedágio existe há anos. E ela o cobra nos dois sentidos embora na esmagadora maioria dos casos esses pagamentos sejam feitos em sentido único. Afinal quem vai, volta. E essa ponte liga duas cidades de uma região metropolitana. Trabalha-se em uma e vive-se na outra.
A revista Época desta semana listou os cinco maiores pleitos dos brasileiros: combate à corrupção, melhores meios de transporte, educação de qualidade, saúde de Primeiro Mundo e segurança para todos. Os cinco podem ser atendidos, pois temos recursos para tanto.
Fiquemos acordados. A Terceira Ponte de Vitória/Vila Velha é apenas um exemplo de como o que se promete não é cumprido. Como não há vontade política. Afinal, se romper o contrato é inconstitucional, cabe à Justiça dizer isso. Vamos continuar nas ruas. Vamos pressionar. Não vamos parar. Evitemos apenas atos de provocação, violência, pois eles só favorecem o outro lado. Àqueles que querem continuar a usar jatos executivos da FAB para ver os jogos da Seleção com o meu, o seu, o nosso dinheiro. Aliás, como sempre se acharam no direito de fazer.
Lembrem-se: os ratos têm hábitos noturnos.             

28 de junho de 2013

Dia e noite. Dia após dia. Noite após noite.

No Congresso das mordomias, discute-se como fazer para que aumentem
Ontem dissemos que para começar a reformar o Brasil deveríamos ir primeiro pela Copa do Mundo. Auditar com seriedade a pirâmide de gastos vai permitir determinar com exatidão como se rouba no Brasil em obras públicas. A partir daí, vai ser possível chegar às ferrovias, rodovias, escolas, hospitais, quaisquer outros gastos com dinheiro público, inclusive o PAC, essa podre fachada de ajuda aos mais sofridos.
Mas não se pode parar por aí. O Brasil é um horror em termos de injustiças sociais. Aqui uma Índia convive com uma Bélgica num sistema de aposentadorias onde os inativos do setor público chegam a ganhar fortunas contra migalhas do setor privado. Mudar isso é difícil, mas precisa ser feito. Com urgência. Afinal, os estômagos de todos têm as mesmas necessidades. Biologicamente somos iguais.
Pode-se argumentar que não há dinheiro. Que o Brasil tem um déficit estrutural impossível de ser corrigido em menos de uma década. Mentira. Todos os anos o setor público incha de forma descarada o chamado
"Custo Brasil" para aumentar mordomias e corromper por intermédio de compra de apoios.
Temos 39 ministérios. Num deles, o da pesca, o ministro entrou dizendo que não sabia colocar um anzol na linha. Mas isso é passado. Hoje ele já consegue criar tilápias em larga escala em sua propriedade particular. Foi feito ministro para que o Governo pudesse contar com o apoio de seu partido político que, como outros, é ligado a seitas evangélicas criadas para tirar dinheiro dos incrédulos. Em outro ministério, o da pequena e média empresa, o ministro é, ao mesmo tempo, vice-governador de São Paulo. De vez em quando precisa renunciar para tomar conta  do governo quando o governador viaja.
Num país sério tudo isso seria proibido. Num Estado onde a dignidade no trato com a coisa pública fosse norma, o(a) presidente da República sofreria impeachment. E os desmandos não param por aí. As mordomias dos membros do Legislativo, Executivo e Judiciário desafiam o bom senso. E só fazem aumentar. Juiz ganha auxílio refeição. Empregado de salário mínimo, não. Todos os que exercem cargos de importância superior ou média em qualquer um dos três poderes tem carro e motorista à disposição. Pagos com nosso dinheiro. E ainda várias outras verbas além de legiões de assessores e outros tipos de auxiliares.
É contra tudo isso que se deve lutar. Dia e noite. Dia após dia. Noite após noite. E denunciando para que essa orgia seja conhecida em todo mundo. Corrupção existe em qualquer lugar, mas corrupção como a brasileira, endêmica, só mesmo aqui ou em algumas repúblicas ou monarquias de um dono só.
Vamos lutar, minha gente, que a luta só está começando.
Mas sem vandalismo, sem destruir patrimônio público ou privado, pois o novo Brasil deve ser erguido a partir deste, feito por nós. E não por sobre os seus escombros.
Por fim, filtrem os discursos vindos de Brasília, sobretudo os do Palácio do Planalto ou de partidos políticos que usam horário gratuito de TV. Por trás de todos eles está apenas e tão somente a vã tentativa, que um dia vai ser desesperada, de manter as coisas pelo menos em parte como estão agora. São sofismas e nada mais.
Lutem contra eles também. Dia e noite. Dia após dia. Noite após noite.      

27 de junho de 2013

Vamos começar a limpeza pela Copa

O povo brasileiro não confia nos partidos políticos. E é compreensível. O povo brasileiro não confia nos membros desses partidos políticos. E é compreensível. Se tudo é facilmente entendido, está na hora de iniciar a reforma do Brasil. A reforma ética, moral. E ela está aí, à frente de todos nós.
Os estádios da Copa do Mundo, mesmo os que estão recebendo jogos, ainda não foram terminados. Há pelo menos obras de entorno por fazer. E não existe nada mais fácil do que realizar uma auditoria séria em todas as contas, em todas as notas fiscais, em todos os demais documentos para pegar as provas de sobrepreço, de uso de laranjas, notas fiscais frias e outras falcatruas mais.
Sim, porque no Brasil, e já faz séculos, rouba-se dinheiro em obras públicas. Uma Copa do Mundo não pode custar a fábula que está custando a nossa. Mais de três vezes o custo das anteriores. Se ficarem provados os desvios, o roubo de dinheiro público, com o montante que os corruptos colocaram nos bolsos vai ser possível fazer escolas padrão Fifa, hospitais padrão Fifa, estradas padrão Fifa e ainda colocar nas cadeias padrão Brasil todos os ladrões que puderem ser identificados.
Todos os dias, todas as horas, uma falcatrua é denunciada no Brasil. E não se faz nada ou então se faz muito pouco. Desde o início dos protestos dos brasileiros Brasília está vazia. No Congresso Nacional constam-se com os dedos os parlamentares que ainda não se esconderam em tocas de ratos. Ninguém sai às ruas. O ex-presidente Lula, um conhecido boquirroto, há muito tempo não fala. Nada fala porque não tem o que falar. Está acossado, sendo investigado, em final de carreira política.
Meus queridos: o Brasil precisa ser sustentado num Poder Executivo, num Poder Judiciário e num Poder Legislativo. E existe gente honesta para isso. Mas é preciso, antes, colocar as mãos nos bandidos. Naqueles que roubam, que mentem, que fazem mau uso do dinheiro público e que condenam o Brasil a ser sempre carente onde poderia ser rico, onde poderia oferecer serviços de Primeiro Mundo ao seu povo.
Não assaltem, não destruam, não roubem. Fazendo isso todos nós vamos ser iguais aos grandes ladrões de Brasília e aos outros que infelizmente moram nas favelas e traficam. Vamos aproveitar esse momento: se conseguirmos começar a pegar as ratazanas pelos desvios de dinheiro nas obras da Copa do Mundo, o trabalho depois ficará mais facilitado. Façamos isso. Vale a pena.  

22 de junho de 2013

A democracia sem partidos

Desde o início da crise institucional que levou milhões de pessoas às ruas do Brasil em protesto contra a deterioração das instituições maiores do País, questiona-se o fato de manifestantes estarem sendo alijados dos movimentos e passeatas, às vezes violentamente, por portarem bandeiras e outros símbolos de partidos políticos brasileiros. Uma democracia não se faz sem partidos, e isso é certo. Mas democracia alguma se faz com partidos prostituídos como os existentes hoje no Brasil.
Antes de criticar os manifestantes, antes de considerar antidemocráticas as manifestações dos que se dizem apartidários, é preciso avaliar o que têm sido nos últimos anos - digamos, décadas - os partidos políticos brasileiros que crescem em número ao mesmo tempo em que minguam em qualidade. Na maioria esmagadora dos casos, não passam de legendas de aluguel, feudos com donos municipais, estaduais e federais, instituições à venda por preço módico e com posições e votos a serem trocados por nomeações de primeiro, segundo e terceiro escalões tanto em municípios, quanto em estados, quanto na Federação.
Tenho lido artigos de pessoas pelas quais nutro grande e sincero respeito. Como, por exemplo, o jornalista Luiz Carlos Azedo, hoje em Brasília. E ele nos remete a figuras tétricas como as da ditadura hitlerista para ilustrar como são os estados sem partidos. E todos nós queremos um Brasil onde a democracia se sustente sobre instituições sólidas. E o Poder Legislativo, sobre partidos dignos.
Um partido precisa ter uma ideologia e filiados a ela ligados. Precisa de um código de conduta ética e de filiados com ele comprometidos. Precisa ter um programa municipal, estadual e nacional discutido e decidido em reuniões amplas e tornado princípio a ser seguido por todos como uma religião. Quantos partidos políticos brasileiros são assim hoje? Quantos, ao contrário, estão à disposição do Executivo para trocar votos por indicações políticas? Quantos sequer analisam os diversos pleitos vindos do Judiciário por que seus membros respondem a processos vários, na maioria dos casos por corrupção ativa e passiva?
Dou um exemplo meu: durante a vida toda fui filiado ao Partido Comunista Brasileiro, PCB ou Partidão. Na época dura da ditadura nos defendíamos ao abrigo da fiel legenda do MDB. Depois o PCB virou PPS. Agora, MD que uns dizem ser Mobilização Democrática e outros, Manipulação Democrática. Quando alguém me pergunta qual foi a mecânica que gerou essa troca de legendas, essa renúncia ideológica, esse samba do crioulo doido de programas e alianças nos mais diversos estados, o que respondo?
Se não sei eu, como o saberá o cidadão comum?
Sim, uma democracia se faz com um Poder Legislativo forte, atuante, fiscalizador do Executivo e gerador ou reformador de leis em atuação consonante com o Judiciário. E é isso o que não temos no Brasil de hoje. Por isso e somente por esse motivo os partidos foram expulsos das passeatas e hostilizados. Eles têm que ser mudados. A ampla reforma pela qual o Brasil precisa passar passa por eles também. Não apenas pela aposentadoria do lixo que os habita, mas também pela recuperação de sua forma e destino histórico.        

21 de junho de 2013

Quem são os novos "Cabo Anselmo" ?

Às vezes me pergunto e o faço com a certeza de que a pergunta tem procedência: quantos "Cabo Anselmo" às avessas haverá infiltrados nas recentes passeatas organizadas pelo povo brasileiro, mais precisamente por essa linda juventude que hoje desperta revoltada com  a situação caótica do Brasil?
Por que lutam os brasileiros? Eles se horrorizam com os custos superfaturados da Copa do Mundo e de todas as obras direta ou indiretamente ligadas a ela. Eles não suportam mais a corrupção desenfreada que nasce no Governo Federal, comerciante de cargos públicos, e desce até o nível municipal em todo o País. Eles têm nojo de ver seus compatriotas tratados como gado em abatedouro quando procuram por hospitais da rede pública. Eles choram de raiva com as escolas públicas. Eles arrancam os cabelos de desespero a cada ministério que a presidência da República cria para comprar votos de parlamentares no Congresso Nacional. Eles não suportam mais pagar impostos sobre impostos, e mais impostos e mais impostos, sabendo que grande parte dessa massa de recursos acaba nos bolsos daqueles milhares que os desviam das obras públicas. Eles não suportam mais o absurdo e a iniquidade, senhores membros do Poder Executivo. Eles não querem mais saber de seus discursos oportunistas, de seu clientelismo e do uso imoral que fazem com dinheiro público, senhores membros do Poder Legislativo. Eles dão as costas, com vergonha, à impunidade que persiste apesar de todos os pronunciamentos, senhores membros do Poder Judiciário.
Mas então, se meu País inteiro se levanta contra isso, onde cabem o vandalismo, a depredação de bens públicos, a queima de veículos nas ruas, os saques de estabelecimentos comerciais, de agências bancárias e de tudo o mais que vem sendo destruído nos últimos dias?
E onde estão os arautos da "dignidade" nacional? Para onde fugiu o ex-presidente Lula, um falastrão de primeira ordem? Por detrás de que esquina se esconde, com outros falando por ela, a presidente Dilma Roussef? Em que buraco de tatu estão metidos aqueles senhores que (des)comandam o Congresso Nacional? Se nem o ministro Guido Mantega abre mais a boca para vomitar asneiras, a coisa está feia. Para lá de feia. Aliás, os cartazes e faixas que criticam diretamente essas pessoas, o comando do Brasil, a TV não vem mostrando nos noticiários que varam tardes e noites. Por quê?
Mas nada, nada justifica o vandalismo. Ele não vem da vontade de mudar, do inconformismo dos brasileiros, da repulsa que todos nós sentimos diariamente ao ouvir rádio, ler jornais e revistas, ver TV, etc. Esse inconformismo é digno e o sentido da revolta está sendo solapado. Há infiltrados nos movimentos que nascem dos corações da juventude do Brasil e o interesse dessas pessoas é desacreditar o momento que vivemos, colocar a sociedade dividida para enfraquecer a onda que cresce.
De onde estão vindo os novos "Cabo Anselmo"? Quem sabe do mesmo subterrâneo que gerou, por exemplo, o boato sobre o fim do Bolsa Família, provocando ataques à Caixa Econômica Federal. A história registra esses episódios. São todos eles frutos da desonestidade, do apego sem limites ao poder e suas mordomias e do desapego para com o interesse público. Da vontade intestina de continuar ganhando dinheiro fácil. E a história não pode ser esquecida agora.   

19 de junho de 2013

No, I'm not going to the world cup!

Vassouras verde e amarelas numa Brasília que não vê o novo Brasil
O título dessa coluna é o de um filmete postado por uma brasileira moradora de Nova Iorque no You Tube, de nome Carla Dauden (neste link (clique aqui). Não, ela não vem ao Brasil para ver a Copa do Mundo.  Tem vergonha na cara!
E esse, meus amigos, é um dos muitos motivos dos protestos que pipocam hoje pelo País afora, de Norte a Sul, do Oiapoque ao Chuí. Além dele há o preço das passagens urbanas, a corrupção desenfreada, a criação de ministérios com o único intuito de comprar apoios políticos e a anacrônica atividade parlamentar no Brasil onde tudo, rigorosamente tudo, é trocado por cargos pagos com dinheiro público. E como financiar essa prostituição descarada: com impostos. A cada dia mais impostos, maiores impostos, mais injustos impostos, mais desavergonhados impostos, mais punitivos impostos, sobretudo para os pobres porque o percentual dos pseudo protegidos de Lula sempre representa mais na conta do fim do mês.
Todo mundo sabe que as obras da Copa do Mundo são superfaturadas. Que o PAC também o é, além de as construções populares terem qualidade tão ruim a ponto de não resistirem a um vendaval. Todo mundo sabe que na divisão de cargos dos governos federal e estadual, principalmente, grande parte do butim dos partidos fica nas mãos de gente sem o menor escrúpulo. E que rouba mesmo. Tanto que o ex-senador Severino Cavalcanti, pedindo uma diretoria da Petrobras, certa feita pleiteou "aquela que fura poço!".
Para que serve a nossa classe política? Ela deveria ser a guardiã do Norte do País. Deveria fazer e reformar leis e fiscalizar o Executivo para garantir o bom uso do dinheiro público. O que faz? O inverso. Vende-se por postos de primeiro, segundo e terceiro escalões e consegue até mesmo paralisar votações de claro interesse nacional para que seus privilégios sejam não apenas mantidos, mas ampliados.
O trabalho parlamentar tem sentido quando tanto o Executivo tem independência a quanto o inverso. Tem sentido quando o Judiciário também tem independência a ele e o inverso igualmente ocorre. Nada impede que um deputado ou senador indique profissional habilitado para função pública necessária. A política de indicações como condição para atuar é o que prostitui a atividade. O acordo político existe em todos os lugares. Em todas as democracias. Mas precisa ter limites éticos claros. 
Essa meninada que vai às ruas hoje - exceto aqueles que agridem, depredam, roubam ou cometem outros crimes - são a garotada de sempre. Assim como no passado, eles têm um Norte. Todos devemos dar o nosso apoio a eles. Ontem o inimigo era ditadura militar, que morreu de inanição. Depois foi Collor, que renunciou para não ser cassado. Agora é o Governo Dilma. Não por ser esse e pela presidente ser ela, mas por representar tudo o que de podre o brasileiro quer ver pelas costas.
     

18 de junho de 2013

Eles são o futuro!

Quem imagina comparar o surto de protestos que espoucam pelo Brasil afora com a Primavera Árabe ou alguma coisa parecida, pode esquecer. Seria bobagem. Nos casos que ocorrem hoje no Oriente Médio e parte da Ásia há componentes religiosos, separatistas e de mudança de forma de governo nos países conturbados que suplantam todos os demais. Não é o nosso caso.
No Brasil o que está acontecendo é que o brasileiro, e sobretudo a classe média, está cansando. Já está esgotada de ver tanta corrupção difícil de ser combatida, tanto ministério sendo criado para encher barriga de vagabundo, tanta pressão em troca de apoio por cargos públicos, com dinheiro idem, tanta obra superfaturada, tanta ineficiência nas áreas de saúde, educação e geração de emprego e renda principalmente e, para não parar por aqui, tanta deficiência em infraestrutura.
O Brasil tem problemas endêmicos e a esmagadora maioria deles diz respeito a falta de vergonha na cara, falta de respeito para com  o dinheiro público. Não há nada mais comum nesse País do que ver políticos de todas as esferas trocando aprovação de leis ou reformas administrativas por nomeações. Todo mês, praticamente sem exceção, uma filigrana jurídica é criada para dar mais direitos aos altos escalões dos poderes Executivo, Judiciário e Legislativo. A contrapartida, essa quase nunca aparece.
Já ouvi mais de uma vez que o brasileiro é calmo, dócil, incapaz de atos de violência a não ser quando o assunto são as drogas, a marginalidade, a miséria crônica. Ledo engano. Essa massa gigantesca de brasileiros que toma as ruas hoje não quer mais nada além de um país digno, formado por homens comprometidos com o interesse comum a todos e que efetivamente combata mordomias, privilégios outros e toda e qualquer forma de corrupção envolvendo dinheiro público.
Não tem cabimento fazer isso com depredações. A destruição de patrimônio de terceiros, sobretudo patrimônio público, não cabe, não tem espaço nas formas civilizadas de se exigir mudanças. Mas ocupar espaço público, gritar, mostrar faixas, cantar canções de ordem, slogans e outras formas de manifestação, sim. Inclusive bloquear ruas e avenidas. Porque se os brasileiros não fizerem isso nas vias públicas, quem vai fazer por eles? Alguém dentro dos palácios? Alguém nas chamadas "casas de leis"? Podem esquecer. Eles não farão nada. Ou farão por si próprios.
Talvez o Brasil esteja acordando mais uma vez. Depois do "Fora, Collor", agora temos mais motivos para ir às ruas. Fui muitas vezes na época da ditadura, gritando contra aquela canalhada que até hoje tem representantes, sobretudo no Poder Legislativo e em áreas militares. Dá vontade de voltar. Mas agora é a hora dessa garotada que surge e quer mudar o País. O País é deles porque eles são o futuro. 

30 de maio de 2013

E a formação da empregada, como fica?

Em qualquer caderno de jornal que fale de emprego, em qualquer SINE ou coisa parecida, ao lado de uma vaga estão as exigências feitas aos interessados. Hoje em dia um porteiro precisa ter o 1º grau  completo e conhecimentos de informática. Em muitos casos, onde o nível das pessoas é mais elevado, exige-se também treinamento de relações humanas e, quem sabe, conhecimento, ainda que básico, de inglês.
Isso ocorre em todas as atividades. Falei de uma das consideradas menos especializadas ou exigentes para chegar onde quero: o Brasil discute dia após dia, como num circo de ingresso gratuito, ao espetáculo da legalização da profissão de empregada(o) doméstica(o). Qual vai ser a carga horária semanal? Como dividir o total pelos dias? Os pagamentos a que os demais trabalhadores estão sujeitos também valem para ela(e)s? O intervalo para o almoço será de quanto tempo? Demissão sem justa causa dá quanto de multa sobre o FGTS? E vai por aí. Todos os deputados, senadores, ministros e outros estão às ordens para falar sobre o assunto. Até mesmo bobagens.
Mas uma coisa parece passar desapercebida: que exigências de formação profissional serão feitas a essas pessoas, agora que elas passarão a exercer uma atividade regulamentada? Onde existem centros de formação profissional (por exemplo, do Sistema S) capazes de preparar "A" para ser cozinheira, "B" para cuidar do trato da casa, "C" para ser babá, "D" para ficar ao lado de idosos ou exercer outras tarefas mais? Onde serão formados os motoristas domésticos? E os jardineiros que, na maioria dos casos, sabem de jardim apenas e tão somente que a parte subterrânea da planta geralmente é a raiz. O resto fica para fora.
Não faço essas perguntas como forma de desrespeito ou pouco caso. O foco é o inverso. O preparo, a qualificação, é o que dita o valor de um profissional. Confere dignidade a ele. Hoje mesmo uma diarista ligou, sem saber em que botão estava enfiando o dedo, um equipamento eletrônico para lavagem de roupas com capacidade para 12 quilos com apenas três toalhas de rosto dentro. Estavam "encardidas", disse ela. Gastou água, sabão em pó, energia elétrica e fez a máquina sacudir como uma coqueteleira porque, com tão pouco tecido sendo lavado, tudo se concentrou contra apenas um dos lados do interior enquanto ela girava centrifugando em alta velocidade. Não quebrou; mas poderia.
A discussão sobre a regulamentação de uma das mais antigas profissões brasileiras não tem sentido desacompanhada da definição do quantum de conhecimentos cada profissional terá de ter para disputar um mercado de trabalho que hoje é muito mais dúvidas do que certezas. Sim, porque milhares de pessoas estão trocando as empregadas por diaristas por não terem como assumir maiores gastos. Os que tiverem meios de mantê-las vão querer - e terão o direito de fazer isso - exigir formação específica rigorosa. Afinal, não se exige só honestidade desse profissional. Isso exige-se de qualquer um. Desse também se exige muitas especificidades. Como, por exemplo, saber lidar com eletrodomésticos.
           

4 de maio de 2013

De maioridade penal e cotas raciais

Sempre que um crime bárbaro envolvendo menores de idade ocorre, uma bandeira é levantada: seria correta a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos? Afinal a pessoa já vota. Que tal 14 anos, já que alguns países de Primeiro Mundo a adotam? E aos 12 anos? Também existe essa possibilidade em casos de crimes que nós chamamos de "hediondos". Vou traçar aqui um paralelo entre essa questão e a das cotas raciais universitárias. Não tem pé nem cabeça? Erro; tem sim. Vamos lá:
Quando um menino paulista foi morto com um tiro na cabeça por um menor às vésperas de completar 18 anos, isso em São Paulo, só uma coisa me deixou mais horrorizado do que o crime em si: ver e ouvir na TV um desembargador de Tribunal responsável pelo Estatuto de Menor dizer que é contra a diminuição da maioridade porque nossas prisões são medievais. São sim. E pouca gente - quem sabe o meritíssimo não seja rara exceção? - faz qualquer coisa, por menor que seja, para mudar esse quadro.
Quando, já faz um bom tempo, começou a discussão sobre a criação do sistema de cotas para ingresso nas universidades, sobretudo e principalmente públicas, dizia-se que negros, pobres, índios e demais membros de minorias sempre levavam desvantagem nos vestibulares. Pouca gente se lembrou de dizer que isso decorre do fato de que nosso ensino público, de primeiro e segundo graus, é uma porcaria. Grande parte das escolas educa tanto quanto as prisões recuperam. São educandários medievais.
Eis o quadro: milhares ou milhões são contra a diminuição da maioridade penal por saber - e com razão - que o preso deixará a prisão ainda mais perigoso. Mas nada ou muito pouco é feito para corrigir esse quadro, fazendo do cerceamento penal da liberdade um caminho para a reintrodução do cidadão à sociedade. Da mesma forma, nada ou muito pouco é feito no sentido de que as instituições educacionais públicas sejam tão eficientes quanto suas congêneres privadas, o que tornaria inócuo o sistema de cotas por raça, cor da pele, status social ou time de preferência.
Os problemas existem porque o Estado não os resolve. Não há decisão política nesse sentido. Pelo menos não há decisões tão urgentes quanto aquelas que preservam e aumentam privilégios em todas as três instâncias municipais, estaduais e federais: Executivo, Legislativo e Judiciário. São eles que detêm o poder de solucionar esses problemas. Mas o custo seria alto e talvez fosse necessário reduzir algumas benesses e cortar uns 15 ministérios. Principalmente os que só existem para comer dinheiro e formar base parlamentar.
Portanto, tudo indica que as masmorras continuarão a receber gente e as escolas públicas prosseguirão existindo, mas sem ensinar. Ou então sem ensinar adequadamente.
Os criminosos usam menores entre 16 e 18 anos no cometimento de crimes porque sabem - e os jovens também - que eles serão apreendidos por três anos, se muito. Se a maioridade penal for reduzida para 16 anos esses crimes passarão a ser cometidos por meninos e meninas entre os 14 e 16 anos. Simples assim!
O que nos falta não são as soluções para os problemas. Elas estão aí, com todo mundo vendo. O que nos falta é vergonha na cara. Só isso e mais nada!
                       

24 de abril de 2013

Igual a todos os outros

Roberto Freire, em pé ao centro, saúda a criação do partido igual aos outros
Da eleição do deputado Marcos Feliciano para presidir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, passando pelos mais variados escândalos políticos recentes, dos quais o Mensalão é o maior e terminando no absurdo de o Brasil ter 39 ministérios, tudo nasce e desemboca no mesmo lugar: nosso problema, e que já vem de muito tempo, reside nos partidos políticos.
Na maioria dos lugares do mundo os partidos existem para dar sustentação ou se opor ao Executivo. No caso dos membros participantes do Legislativo, eles têm o dever constitucional de legislar e de fiscalizar o Executivo para que as ações deste representem, sempre na medida do possível, os anseios da maioria da população. Mas para agir assim os partidos políticos devem ter projetos, uma linha de atuação pautada pelo resultado de diálogo interno e, se possível, uma ideologia clara, seja ela qual for.
No Brasil, o PCB (e depois sua dissidência, PCdoB) cumpria essa tarefa com alguma competência. Mas um belo dia um congresso decidiu por mudar o nome da sigla, abandonando a que representava o antigo Partidão e adotando o PPS de Partido Popular Socialista. Seria um nome, digamos, mais palatável que o anterior, pois eliminava o termo "Comunista" que assusta mais do que José Sarney, Renan Calheiros, o próprio Feliciano, Fernando Collor de Melo e os demais. Et caterva!
No mais, a quase totalidade dos partidos infelicitava e infelicita o País. Na ausência total de projetos e programas, posto que muitos têm donos em cada Estado, eles passaram cada dia vendendo mais caro seus apoios. São cargos o que se pleiteia. De primeiro, segundo e terceiro escalão. Preferencialmente com "porteira fechada". Ou então que seja mais "barato", digamos, mas importante. Como "aquela diretoria que cava poço" pretendida por Severino Cavalcanti, de saudosa memória, para um apaniguado que teria o direito de ocupar diretoria da Petrobrás. Afinal, era o preço cobrado por ele e seus amiguinhos de legenda para apoiar o Governo Federal. Incondicionalmente.
Essa é a raiz de todos os nossos problemas. Os atos de corrupção, a incompetência no gerenciamento de empresas públicas de importância, os super-faturamentos, o dinheiro jogado fora de todas as formas, tudo isso decorre desses vícios de origem que ninguém combate, ninguém denuncia com vigor, para acabar com eles.
E eis que o PPS resolveu aderir aos outros. De repente, não mais que de repente! Juntou-se ao PMN (na foto, um momento "solene" desse ato), passou a reunir em suas hostes todo o tipo de gente e agora já almeja prefeituras, deputados, senadores e a Presidência da República da mesma forma que os demais. O preço agora é baixo. Mas se e quando ele crescer, será o mesmo cobrado hoje por PT, PSDB, PSB, PDT, siglas satélites e o campeão, PMDB. Muitos cargos para muitos apaniguados é o que querem.
Seria possível dizer que, no tocante a termos partidos políticos que sejam realmente siglas partidárias com ideologia, projetos, programas e códigos de ética, não há mais luz no fim do túnel? Sim, seria. E aposto: um dia ainda veremos alguém do Mobilização (ou Manipulação?) Democrática, quem sabe até o presidente nacional Roberto Freire, comendo feijoada com Paulo Maluf na casa deste.
Para ganhar vale tudo...          

14 de abril de 2013

O lobista maior

Em todos os países dignos de respeito, é normal (ou norma) que governantes, após encerrados seus mandatos ou ciclos políticos, se recolham à vida privada. Voltam a exercer as atividades de antes dos principais mandatos ou simplesmente se tornam espectadores do mundo. Da vida. Assim acontece, por exemplo, nos Estados Unidos. O ex-presidente George W. Bush, após tomar o helicóptero nos jardins da Casa Branca, distanciou-se do poder de seu País. Nem ao menos aceitou participar de solenidades oficiais envolvendo o 11 de setembro. Nem sequer participou da última campanha presidencial. Ao menos de forma ativa, ostensiva.
Por isso tudo, incomoda àqueles que pedem aos ex-governantes que tenham no mínimo compostura, o comportamento do ex-presidente Lula. Já fez mais de 30 viagens internacionais depois de deixar a presidência, faz cerca de dois anos, e grande parte desses deslocamentos foram custeados por empresas privadas. Grandes empresas. Ele agiu e age no exterior como lobista, usando o prestígio adquirido nos oito anos de Palácio do Planalto para tentar contratos vultosos para seus representados. São amplamente conhecidas, por exemplo, as relações entre ele e o bilionário Eike Batista que, nos últimos tempos, tem sido mostrado muito mais como um empresário próximo da bancarrota do que de algum olimpo.
Pior de tudo: quando esses fatos passaram a ser divulgados pelos meios de comunicação, o ex-presidente os confirmou como se fizesse algo perfeitamente normal. Chegou a dizer que quem quiser divulgar o Brasil ou o que aqui é produzido, basta recorrer a ele. Só não falou de cifras, de participação nos lucros. Mas seguramente elas existem. É tristemente conhecido em nosso País o hábito da "comissão". O que sempre gera superfaturamento de obras, essa uma outra praga nacional.
Mas de que estamos reclamando? Lula, mesmo depois de tanto tempo fora do poder, parece ter intocado seu prestígio junto a grande parcela de nossa população. Conseguiu fazer sua sucessora e interfere nas eleições, sempre elegendo seus preferidos, seus postes, como foi o caso recente da Prefeitura de São Paulo.
Esse Dom Quixote de Terceiro Mundo com lema de "combate às elites" é hoje um homem rico. De seu Instituto Lula, em São Paulo, comanda um império que pode ser representado por prestígio político. E como não conhece limites, esse um "dom" reconhecido por assessores e ex-assessores, faz o que bem entende. Como, por exemplo, aparecer em uma propaganda de televisão pedindo votos para Nicolás Maduro nas eleições da Venezuela, cinicamente se intrometendo em questões internas de outro País, coisa que nenhum governante antes dele teve a coragem ou o desplante de fazer. Nem durante a ditadura militar.               

27 de março de 2013

Eles não estavam na praia

Vira e volta a gente recebe pela internet algum texto falando sobre como era fácil namorar dentro do carro à beira do mar sem ser assaltado, passear pela praça, caminhar à noite, ir ao cinema e fazer várias outras coisas sem incômodo algum nos tempos da ditadura militar. Enquanto hoje...
Em alguns textos, exemplifica-se a diferença de nível de vida entre os generais que ocuparam o poder naquele período e não morreram ricos e o que acontece hoje. Lula, por exemplo, o maior representante dos sonhos de pós-ditadura, é hoje um dos homens mais ricos do Brasil. Sem mandato, mesmo assim percorre o mundo de cima para baixo, sempre patrocinado por grandes empresas, como lobista. Durante os 21 anos do regime militar, nenhum dos ex-presidentes fez isso, embora alguns tenham exercido cargos diretivos em empresas brasileiras de grande porte, todas elas públicas.
Vamos por partes como diria Jack, o Estripador.
Ninguém poderia imaginar, no pós-85, que os ex-militantes de esquerda reunidos sob a sigla do PT tinham como objetivo chegar ao poder para tomar posse do dinheiro público. Isso era inconcebível! Eu mesmo, que votei em Lula em  2003, embora já fazendo objeções a ele, imaginava que esse ex-metalúrgico com tanto suor dispendido em comícios e campanhas políticas e tão pouco no trabalho do dia-a-dia, estivese cercado por idealistas que, agora do outro lado, lutariam por uma nova sociedade. Ledo engano. Eles lutaram por eles mesmos e seus interesses corporativos. Alguns já foram condenados à prisão pelo STF e Lula, numa de suas idas e vindas, sempre diz, esse última a saber, que não sabe de nada.
Mas o mensalão e outros crimes existe, sim.
Fica difícil defender os tempos atuais? Não, não fica. Essa quadrilha é uma pequena, ínfima parcela da imensa legião dos verdadeiros idealistas que lutaram pelo Estado de Direito entre 1964 e 1985. Os que formam a imensa maioria, envergonhados, assistem à distância à festa da corrupção. O aumento da insegurança e da criminalidade é um fenômeno dos tempos e não desse atual sistema de governo.
Durante os 21 anos de ditadura, sobretudo após o AI-5, não havia garantias individuais. Milhares de brasileiros foram presos ilegalmente, torturados e mortos. Outros foram exonerados do serviço público. Mais alguns milhares, fichados nos órgãos policiais políticos, não eram aceitos em grande parte das empresas privadas. O sofrimento foi imenso.
Para não me alongar muito, cito o exemplo de uma ex-presa política que passou dias numa cela com porta toda lacrada, sem janelas, paredes pintadas de negro, tão pequena que era impossível esticar as pernas para dormir, onde não comia e de onde somente saia para ser torturada, sempre que capuz e tendo que chamar seus torturadores de "doutor". Nas poucas vezes em que tirou o capuz, viu policiais carregando sacos de pano, grandes, de onde pingava sangue e
era possível ver, pelo contorno, pedaços de seres humanos.
Ela e os demais não estavam namorando dentro dos carros, à beira do mar!           

15 de março de 2013

O melhor negócio do mundo!



Se o caro leitor for empreendedor, não deve perder tempo com bares, restaurantes, pequenas indústrias, assessorias, consultorias, etc. Abra uma igreja evangélica. Consiga oito membros, número mínimo exigido por lei no Brasil (pode acreditar: é verdade!!!!!!!!!!) e veja que as dificuldades são menores do que as de abertura de botequim de esquina. Vamos ao passo-a-passo:
I – Conceitos e objetivos: Associação Sem Fins Lucrativos: significa dizer uma entidade de direito privado com personalidade jurídica e caracterizada pela união de pessoas para realização e consecução de objetivos e ideais comuns, sem finalidade lucrativa (de mentirinhas, é claro!).
II – Características de uma Associação Sem Fins Lucrativos: reunião de pessoas para obtenção de um fim, podendo este ser alterado pelos associados; ausência de finalidade lucrativa; patrimônio constituído pelos associados ou membros; reconhecimento de personalidade por autoridade competente.
III – Roteiro para constituição e registro de associações: 1. elaboração/discussão do projeto e Estatuto; 2. assembléia Geral de constituição; 3. obtenção de inscrição na Receita Federal – CNPJ; 4. inscrição na Secretaria da Fazenda – Inscrição Estadual (caso venda produtos); 5. registro no INSS; 6. registro na Prefeitura Municipal; 7. documentos do Presidente e membros que assinam atas e estatutos social (CPF, RG, Comprovante de Residência.); e 8. Contrato de Locação e respectivo IPTU.
Por último, uma informação: igrejas não pagam impostos. Pelo texto é possível ver que isso só ocorre quando ela vende produtos. Mas coisas como lugar no céu, garantia de salvação eterna, fogo sagrado de Israel e outros não estão relacionados. Também não se paga imposto sobre dízimo. E é possível, como aparece na televisão todo dia, programar o pagamento em débito automático, o que impede o inconveniente de o diabo, esse grande filho de uma boa senhora, fazer o "irmão" esquecer.
Portanto, quando você ouvir, ler ou ver noticiário de mais um escândalo envolvendo denominações neo-pentecostais e os "sagrados" nomes de pastores, apóstolos, missionários e outros mais, todos vão jurar inocência. Porque estão ricos, têm patrimônio espalhado pelo mundo afora enquanto você continua crédulo e pobre.
Acredite, irmão: no Brasil, igreja de última hora é o melhor negócio do mundo!      

6 de março de 2013

No hay camino!

Morto oficialmente, Hugo Chavez deixa para a Venezuela um legado de diminuição da miséria, o que efetivamente aconteceu ao longo de seus anos de poder, mas paralelo a isso está legando aos que o sucederão um país sem indústria, com agricultura e pecuária incipientes e um caos social que pode levar a todos até mesmo a uma guerra civil caso as questões nacionais mais importantes, urgentes, não possam ser solucionadas por acordo negociado.
A exemplo de Lula aqui no Brasil, Chavez fez um governo populista e demagógico. Sua "opção preferencial pelos pobres", que pode ser traduzida na foto que ilustra esse texto e o mostra beijando um crucifixo, tinha cunho sobretudo eleitoral. As ações e sua divulgação visavam sempre às próximas eleições, fossem elas provinciais ou nacionais. O Chavez que ajudava os pobres com os bolsa-família dos venezuelanos governava para si e seu grupo. Como Lula fez no Brasil. A diferença é que talvez a Venezuela tenha menos "aloprados" do que nós. Ou então os de lá são mais discretos, mais competentes na arte de desviar dinheiro público sem provocar muito alarde.
Diminuir a miséria e tentar melhor distribuir a renda dos países é sempre um mérito para governantes e seus programas de governo. Mas jamais quando o preço disso é a renúncia total à ética e a feitura de acordos políticos capazes de fazer corar até mesmo os demônios que os políticos tentam em vão exorcizar.
Morto, Hugo Chavez deixa uma Venezuela cheia de incertezas e em clima de animosidade já demonstrada nos confrontos entre militantes e jornalistas "de oposição", como foi visto na noite do anúncio de sua morte. Há um caminho legal  a ser seguido para a escolha do próximo ocupante do Palácio Miraflores, mas talvez ele não baste aos sonhos e à saciedade dos pretendes ao trono bolivariano. Afinal, até mesmo nas hostes chavistas mais ferrenhos há inimigos que não podem ser considerados como fidalgais.
O  que a Venezuela será no pós-Chaves ainda é uma incógnita. E serão os venezuelanos, depois das exéquias e do choro sempre incontido e voltado para a mídia que Lula demonstra nesses momentos os responsáveis por traçar o caminho. Não seria mau, então, se eles lembrassem o célebre poema sevilhano de Antonio Machado, no qual este diz ao caminhante que não há caminhos. A gente faz o caminho ao caminhar, pois são nossas pegadas o caminho, e nada mais.
Não creio que o Rei de Espanha, Juan Carlos, com quem Chavez teve grave entrevero, se irrite com a citação de Caminante numa hora em que ela é necessária:
Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar.
 

Portanto, os milhões de venezuelanos que pranteiam seu presidente, desfilando ao lado de um caixão coberto por flores e oferendas outras por uma Caracas paralisada, e só vão voltar ao normal, ou à vida normal, talvez bem depois do sepultamento desse caudilho de morte prematura, já sabem ou em breve saberão que terão de fazer o caminho ao andar. Nas pegadas ficaram 14 anos de chavismo, de um personalismo capaz de prostrar.
Em tempo: o texto é aberto com o termo "morto oficialmente" porque há grande desconfiança de que o presidente venezuelano tenha falecido em Cuba por volta do dia 26 de dezembro, sendo embalsamado em seguida. Isso coincidem ais ou menos com a visita dos irmãos Castro ao hospital onde ele estava internado e depois do que foi dito que "viemos até aqui nos despedir de um camarada". Após isso ninguém mais, nem mesmo chefes de Estado, conseguiram vê-lo.                  

2 de março de 2013

Um Brasil patético!

Ilustração de um conclave do início do Século XX. Os cardeais negociam
Ver o ex-presidente Lula discursando numa reunião do Partido dos Trabalhadores e se comparando ao ex-presidente norte-americano Abraham Lincoln não foi engraçado, não foi pitoresco, nada disso. Foi patético. Essa impressão de nossas chefias de governo vem de desde 2003, quando o PT alcançou o poder federal. E não se trata de um comentário preconceituoso, nem contra aquela agremiação partidária nem contra a escolaridade (ou falta dela) de Lula. Trata-se de uma constatação óbvia.
E ela pode ser ampliada para a vida política em geral, unindo os poderes Executivo e Legislativo. No Brasil, é necessário que haja uma total reformulação das leis que regem a vida dessas duas instituições que, juntamente com o Poder Judiciário, formam a base do Estado moderno. O que aconteceu essa semana, com a extinção de 14º e 15º salários do Legislativo é apenas ato cosmético. Nada mais.
No Brasil, Executivo e Legislativo são irmãos siameses. E isso tem conotação promíscua. O Poder Legislativo exige uma grande quantidade de cargos públicos para não se opor aos governos Federal, Estadual e Municipal, e esses fornecem ao primeiro grande maioria das cadeiras pleiteadas para, dessa forma, aprovar praticamente todas as suas propostas e projetos apresentados. Na prática, o Legislativo não legista e nem fiscaliza o Executivo. Este, por seu turno, não se preocupa com recusas ou vetos. E nenhum dos dois cumpre suas funções constitucionais. Tudo isso à custa do dinheiro público, recolhido para que o Estado melhore a vida do cidadão. E é o motivo de, na Câmara dos Deputados, em Brasília, mais de três mil vetos presidencias dormitarem na gavetas dos congressistas. 
Essas instituições poderiam se espelhar na história da Igreja Católica e na forma como são eleitos os papas, pois o procedimento serviu de exemplo à melhora da vida das democracias modernas. Inicialmente, os chefes da Igreja eram definidos por iniciativa popular. As pessoas se reuniam em praça pública e escolhiam uma delas. Um papa foi eleito porque um pombo pousou em sua cabeça. Até que um dia houve tumulto e muita gente morreu. Depois, veio a época dos antipapas. Ao longo da história, outros incidentes aconteceram e durante séculos houve intervenção do Império Romano.
No ocaso dele, a Igreja retomou sua independência e o papa Alexandre III, em 1179, criou a regra da maioria qualificada para a escolha do pontífice. O que ocorre é que a maioria de 64 por cento pode ser considerada como "maioria estável", o que foi constatado por estudos. Somente porque as escolhas estavam sendo muito demoradas, com os cardeais retidos no Vaticano e isolados do mundo até uma definição, mudou-se a regra para maioria simples após certo tempo, o que foi cancelado por Bento XVI. Mais uma vez a eleição só se dá com dois terço dos eleitores. O que o papa renunciante quer é o retorno da negociação política. Para vencer, um grupo tem que obter o apoio dos demais.
O que se preserva, no jogo político aberto, claro, posto que na vida das nações as coisas não se dão por conclave, ou seja, com as pessoas trancadas à chave, é a lisura do processo de escolha. E a definição das instâncias de poder, bem como de seus limites de atuação. Muito desses princípios são sagrados nas democracias. Mas não obrigatoriamente com o termo sagrado tendo significado teológico. Na maioria dos casos, a significação é apenas de cunho ético.
Vamos ter uma democracia real e digna no Brasil, no dia em que a vida dos poderes, sobretudo Executivo e Legislativo, for totalmente aberta, clara. No dia em que cada um deles cumprir suas funções constitucionais e somente elas. Na vida das democracia é lícito fazer acordos políticos, alianças, e dar espaço administrativo aos adversários. Mas existe uma grande distância entre isso e a promiscuidade das pressões e jogo de ameaças existente no Brasil para obter cargos para familiares e apaniguados, com o loteamento da máquina administrativa, seu gigantismo e a nomeação para espaços importantes, às vezes vitais, de toda a sorte de corruptos. Aqui, a vida legislativa é a cara de Lula: patética!
Ou a gente muda ou a gente afunda.                            

20 de fevereiro de 2013

O ecumenismo como caminho?

A igreja católica condena o uso de pílulas anticoncepcionais ou quaisquer outros meios contraceptivos, como o DIO. A esmagadora maioria das católicas em idade fértil os usam. Ela também combate o uso de camisinha. A maioria dos católicos que fazem sexo casual a utilizam. A igreja, da mesma forma, abjura o aborto. Muitas católicas, por motivos diversos, o fazem. Nos casos de gravidez com anencefalia comprovada, gravidez motivada por estupro e gestação que comprovadamente coloca em risco a vida da mãe, há uma campanha nacional por sua total regulamentação. Interrompe a gravidez quem quiser agir assim. Uma imensa legião dos defensores dessas três hipóteses é composta por católicos.
No mundo as coisas se dão dessa forma: ou você se adapta aos fatos novos e consagrados pelas pessoas aceitando-os ou eles o atropelam.
Estão em discussão hoje, também, situações que não ocorriam num passado nem tão distante assim como no início da década de 1960, quando do Concílio Vaticano II. Como as pesquisas com células-tronco, por exemplo. E a inseminação artificial e o descarte de óvulos fertilizados. Isso são conquistas científicas que a cada dia mais fazem parte das vidas das pessoas. Elas, essas pessoas, vão tomar posição a respeito, caso ainda não o tenham feito, independente da orientação da Igreja. Estou citando apenas alguns fatos. Como a igreja católica vive hoje sua maior crise dos tempos modernos, vai ter que pensar nisso. Rever conceitos e dogmas. Além e juntamente com a crise ética, moral e de princípios de honestidade que, ao que tudo indica, motivaram a renúncia de Bento XVI. No dia 21 último, o porta-voz da Santa Sé confirmou que em dezembro o papa recebeu de cardeais aliados um relatório de 300 páginas denunciando corrupção e homosexualismo na cúpula da igreja. É o fim da picada!
Na Europa, a sangria de fieis é tão grande que o total de católicos, que era de 38,5% em 2000, hoje é de apenas 23,7%. Uma queda gigantesca em 12 anos! No Brasil, não havia ateus e agnósticos em 1890. Hoje eles são 8%. Mas o pior para a igreja católica é que ela tinha 99,7% dos fieis brasileiros em 1870, depois 89,89% em 1980 quando os evangélicos começaram a "incomodar" com o percentual de 6,6%. Hoje, o catolicismo abarca 64,6% da população e as diversas correntes evangélicas, 22,2%. A sangria cresce...
No artigo anterior a este, falava eu da encruzilhada católica. Para muitos, e não sou expert nisso, o renascer dessa religião passa pelo ecumenismo representado pelo desenho infantil que ilustra o texto e pela aceitação da maioria das mudanças no mundo moderno. Ou ao menos de parte delas. Será? O problema é que o cardinalato, formado por pouco menos de 120 eleitores, hoje é composto basicamente por conservadores nomeados por João Paulo II ou Bento XVI. E a maioria de europeus, sobretudo italianos.  A chamada "Igreja Progressista" foi eliminada como corrente religiosa. Embora o presidente da CNBB, Dom Raymundo Damasceno tenha dito que a reforma necessária à sua fé passa por uma adaptação do catolicismo aos tempos modernos, não se sabe o que ele entende por isso. Se entender como pouca coisa, estará incorrendo em erro.
Resta aguardar. Para os "donos" das denominações evangélicas chamadas neopentecostais onde só o enriquecimento e a exploração da inocência das pessoas interessa, a expectativa é pelo sepultamento da fé católica. Para os interessados em que o cristianismo siga seu caminho com a honestidade das religiões tradicionais e milhões de fieis, a torcida é pelo inverso.