7 de maio de 2014

Democracia à brasileira

Ao que parece, a paciência do governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, se esgotou. Ele disse que não vai buscar mais a "unidade" e é pré-candidato por seu partido, o PSB, à reeleição apoiando também a chapa nacional de Eduardo Campos. Já o ex-governador Paulo Hartung vai se candidatar ao mesmo cargo pelo PMDB e deve chamar para perto de si no Espírito Santo as forças do PT.Cartas na mesa. Façam as coligações - ou, melhor dizendo, as próximas apostas senhores.
A briga - ou seria melhor dizer "mal estar" - começou com Hartung se dizendo candidato a governador. O ex-governador Gerson Camata, veterano de PMDB, disse que como esse postulador teve dois mandatos seguidos no Palácio Anchieta, agora Casagrande "tem também o direito" a um segundo mandato.
Pirei, pois até hoje pensava que esse tipo de direito era exercido pelo eleitor e somente por ele. Os partidos e seus representantes lançavam-se às eleições, expunham seus projetos, suas ideologias, seus planos quadrienais e, ao final de tudo, o melhor - para os eleitores, claro - era proclamado vencedor.Os perdedores simplesmente deixavam a arena de disputa. O Executivo então governava, o Legislativo fazia seu papel de legislar e vigiar o Executivo e o Judiciário zelava pelo fiel cumprimento das leis.
Ora, isso só pode existir na Democracia real, essa que estou escrevendo com a primeira letra maiúscula. Na democracia de mentirinha, a "unidade" representa o conchavo de bastidores no qual todos combinam concordar com o novo governo em gênero, número e grau, sem esse negócio de analisar coisa alguma, de fiscalizar ninguém. Até porque depois da "unidade" vem a "parceria", outro termo caro a todos os envolvidos na composição. A "parceria" é a divisão do butim político com escolha de cargos (comissionados) e empregos à disposição de cabos eleitorais, parentes e amigos de longa data.
Essa é uma democracia à brasileira. A que se tenta se perpetuar hoje apesar de todos os protestos, de todas as denúncias que são feitas. Mas essa não é a democracia real, a que surge do confronto de ideias.
                           

2 de maio de 2014

O novo "Pacote de Bondades"

A presidente(a) Dilma Roussef anunciou mais um "pacote de bondades". De roupa azul, travestida de interessada no conforto da população de seu país, fez propaganda de TV como candidata à presidência da República mais uma vez mentindo e tentando iludir. Excetuada a questão envolvendo a Petrobras, um crime de lesa-pátria cometido a céu aberto, a política do Governo, que comete demagogia em larga escala com o salário mínimo e o Bolsa Família, agride o povo deste País em dois pontos: na correção dos limites do Imposto de Renda e na correção das aposentadorias e pensões do INSS.
No caso do IR, foi concedido um "aumento" (ou "reajuste", para quem optar) de 4,5 por cento num cenário no qual a inflação real se projeta em 6,5 por cento. Desde meados da década de 1990 - e aí não pode ser esquecida a responsabilidade do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso - o brasileiro que paga IR acumula um aumento real de tributação que ultrapassa os 60 por cento. Em números de economistas, quando a defasagem começou a isenção equivalia a oito mínimos. Hoje, para que represente o que representava na época em valores reais o limite de isenção deveria ser não de um ganho de R$ 1.710,78 mensais, mas de R$ 2.761,54. Jamais chegando aos oito mínimos, o que se explica pelo fato de que esse piso vem sofrendo aumentos reais anuais em relação à inflação oficial. O Governo Federal chegou a arrecadar R$ 26,4 bilhões com o Imposto de Renda descontado na fonte. Hoje arrecada R$ 80,9 bilhões.
No caso dos rendimentos de aposentados e pensionistas, o desconto em folha já chegou a ter como teto 20 salários mínimos. Caiu para dez sem que isso fosse considerado inconstitucional porque não tocava nos ganhos de suas excelências dos poderes Legislativo e Judiciário. Esses recebem como funcionários públicos e ainda têm, como eu dizia, o direito de reajustar seus próprios vencimentos.Não é o melhor dos mundos?
Aos poucos a renda do INSS foi se reduzindo de forma dramática. Nos últimos anos adotou-se a política de valorização do mínimo, mas ao custo do achatamento dos demais ganhos. Tudo o que fica acima dele. No caso específico desse ano, mais uma vez o reajuste dos ganhos de quem recebe sobre esse piso foi taxado abaixo da inflação real. Se a política for mantida assim, um dia - sabe-se lá quando - todos ganharão o mínimo. Pronto, não haverá mais menos e mais no Brasil do INSS. Só no do Serviço Público.
É preciso dizer que, na maioria dos casos, quem vive de aposentadoria ou pensão, faz isso numa época da vida em que necessita mais e mais de dinheiro, Sobretudo e principalmente para fazer frente a despesas com saúde num País que não oferece esse benefício, embora ele seja previsto na Constituição. O Bolsa Família, salva-vidas de quem naufraga por falta de horizontes, na prática é um salário ganho por quem não trabalha à custa dos que trabalham.Foi reajustado acima da inflação num ano de eleição, em ato com destino certo.
Será possível que o Brasil jamais vai acordar?   

23 de abril de 2014

Ela não encontrou o remédio...

Eram cerca de 08h30m e acompanhei minha mãe à Igreja de Santa Rita de Cássia, na Praia do Canto, Essa da foto. Na parte de trás do prédio funciona um setor de entrega gratuita de remédios mantido por voluntárias ligadas à igreja. São amostras grátis "raptadas" de médicos e entregues mediante apresentação de receita. Uma pessoa não encontrou o remédio de que necessitava. Ficou triste e outra disse: "Vota em Lula de Novo..." Eram, em sua maioria, pessoas humildes com receituários do SUS. Não tinham como pagar por sua saúde.

Soa miseravelmente cruel escrever isso: o brasileiro não pode pagar por sua saúde e a culpa não é só de Lula. É de uma enorme gama de pessoas, na maioria políticos, que vivem de favores públicos, enriquecem à custa do Estado, distribuem dinheiro também a seus apaniguados e mantêm uma estrutura corporativa que torna os direitos constitucionais dos cidadãos meras miragens no deserto.

Quantos milhões de cargos comissionados existem no Brasil? Quantos milhões de apaniguados inflaram a estrutura pública brasileira nos últimos anos? Quantos bilhões de reais são drenados a cada ano para o ralo da roubalheira nas obras públicas capitaneadas por quadrilhas de grandes empresas que superfaturam obras, dividem licitações entre si e pagam comissões a corruptos para manter seus feudos empresariais.

A Rodosol é só um exemplo. Mas ela existe porque o contrato que a mantém foi feito a caráter para permitir o assalto aos cofres públicos, e a exploração de um serviço mantido por décadas a tarifas irreais e assaltando o bolso do cidadão. Praticamente a totalidade dos contratos públicos de obras ou gestão são feitos para beneficiar empreiteiros e permitir ações judiciais capazes de eternizar lucros, gerar riquezas imorais e assaltar o dinheiro dos impostos que deveria ser usado, dentre outras coisas, para que a senhora citada por mim pudesse encontrar o remédio de que precisa. Se ela morrer por falta dele, nada vai acontecer à Rodosol, à Petrobrás ou a qualquer consócio de empresas que vivem à custa do dinheiro público. Do meu, do seu, do nosso dinheiro.

Amanhã o serviço de entrega de remédios da Igreja Santa Rita de Cássia vai abrir de novo às 08 horas. Uns levarão o que precisam, outros não. E eles não terão, coitados, a capacidade de entender porque isso acontece. Não entenderão que Lula é só uma engrenagem do sistema.

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18 de abril de 2014

"Unidade" e "governabilidade"

Nada, mas nada mesmo oxigena mais a democracia do que o confronto de ideias. Dois ou mais candidatos a um cargo público expondo seus projetos, ideológicos ou não, seus planos de ação e, com isso, buscando obter os votos dos eleitores. Sinto asco quando leio, vejo ou ouço essas conversas de "unidade" cercando candidaturas políticas como ocorre hoje quando se projeta a disputa para o Palácio Anchieta.
Essa "unidade" quer dizer acordos, muitos dos quais escusos, conchavos de bastidores, a maioria deles envolvendo divisão de cargos. É o mesmo que o discurso da "governabilidade". O Legislativo a troca por nomeações de apaniguados, grande parte cabos eleitorais ou caciques políticos de primeiro, segundo e terceiro escalões.
Eis a raiz de grande parte da corrupção politica no Brasil. Enquanto não fizermos do confronto de ideias a essência de nosso debate eleitoral, estaremos sujeitos à promiscuidade de todas as eleições, sejam elas municipais, estaduais ou federais.

23 de fevereiro de 2014

Presos de fino trato

Conta-se que pela década de 1960, época da ditadura militar, um comandante da PM pediu ao governador Christiano Dias Lopes Filho para voltar ao Rio de Janeiro pois sua família não havia se adaptado bem ao Espírito Santo. Foi exonerado a pedido. Aqui é preciso explicar alguns pontos: naquela época eram os comandos regionais do Exército que nomeavam os comandantes das polícias militares. Eram todos coronéis daquela Arma. E essas nomeações não passavam pelos governadores.
Não estou conjeturando ou coisa parecida. Em conversa informal, depois de entrevista para o livro biográfico do professor Paulo Pimenta, o ex-governador Christiano Dias Lopes Filho confirmou-me isso. Foi a última entrevista que deu antes de morrer. E aparentava ótima saúde.
Os jornais foram noticiar o fato. Como os demais, O Diário era feito a linotipo. As letras eram composta a chumbo quente, linha após linha, e agrupadas formando as páginas que, então, terminavam gerando chapas de impressão. Deu para entender? Deve ter dado. Tinha-se que tomar cuidado, ao pegar linha após linha, com aquele chumbo quente, para nenhuma letra cair e deixar palavra incompleta. Não se sabe como isso aconteceu numa manchete de "oito colunas", mas o texto "Comandante da PM é exonerado a Pedido", de O Diário, depois de perder o primeiro "d" de "pedido", foi publicado no dia seguinte em letras garrafais: "Comandante da PM é exonerado a peido". A correria foi grande. O furibundo coronel do Exército queria "enquadrar" o responsável. Afinal, tratava-se de um militar fiel seguidor de um regime que prendia ilegalmente, torturava e matava cidadãos que discordavam do regime. Tem cabimento ser tratado assim? Não tem!
Um vice-diretor de presídio atual foi transferido depois de exigir que o preso da Justiça Delúbio Soares cortasse sua barba. Ele teria de ficar igual aos demais detentos, embora sendo "diferente". Os diretores do sistema prisional de Brasília se apressaram em dizer que o vice-diretor não foi retaliado coisa nenhuma. Sua transferência se deu "a pedido" para ganhar mais. Notem bem: a transferência se deu "a pedido", por vontade do transferido. Não se tratou de uma transferência "a peido".
Na penitenciária da Papuda, em Brasília, políticos, autoridades estaduais e federais, dirigentes do PT e outros transitam livremente, violando os direitos dos demais presos. Delúbio, por exemplo, instituiu a feijoada dos sábados na ala onde vive como "vítima do sistema". Proclama inocência da mesma forma que José Dirceu, visto aqui na foto, "revoltado" por ter que conviver com presos comuns. Já houve ordens judiciais para que os privilégios deixassem de existir. Ordens desconsideradas. Visitantes ilustres entram de branco, a cor da roupa dos detentos, ou então com coletes da Polícia Civil. Afinal, vamos repetir são altas autoridades da República. Julgam-se - e devem estar - acima da Justiça, das sentenças - mesmo transitadas em julgado. São os reis da vaquinha!
Já vivemos a época da ditadura, quando oficiais de fino trato prendiam os que hoje representam nossos poderes, acusando-os de subversão. Como muitos dos ex-presos atuais ingressaram na política para corromper e serem corrompidos, não podem voltar a ser presos como antes. Agora, o são, pois as sentenças transitaram em julgado. Mas tornaram-se presos de fino trato.     

19 de fevereiro de 2014

Um preço alto

Um cidadão com quem eu conversava sobre a atual situação do Brasil me disse um dia desses: "Se aquele cinegrafista que morreu não fosse jornalista talvez nada disso tivesse acontecido depois. Nada de protestos generalizados, de mudanças de leis, de palavras de ministros, nada".
Talvez não tivesse mesmo. Não na mesma proporção.
Mas é triste constatar isso. E a que ponto vai a irresponsabilidade de grupos não se sabe ainda financiados exatamente por quem, que destroem patrimônio público e agridem pessoas indiscriminadamente. Para tanto, "assessorados" por uma Polícia incompetente e incapaz de conter multidões e separar quem protesta de quem destrói.
Geralmente as reações chegam quando os atos fogem do controle, do racional. Aqui no Espírito Santo havia um deputado que, em tom de blague, dizia que a imprensa era, não a quarta mas a primeira força no Estado brasileiro. O Primeiro Poder. Um dia ele foi à tribuna da Assembleia Legislativa e bateu no peito gritando: "Eu tenho a força". Era sua forma de dizer que ninguém seria capaz de prendê-lo. Foi preso pouco tempo depois, levado para a cadeia e não tem mais mandato até hoje. Eram públicos e notórios seus vínculos com o jogo do bicho e outras atividades ilegais.
Como no Brasil a desordem moral vem de cima para baixo, começando pela Praça dos Três Poderes, as mudanças chegarem à base da pirâmide demora. Mas chegam. Natan Donadon está na cadeia. Ex-ministros também. Um ex-governador passou por lá. E a tendência é que a cada dia, a cada mês, mais e mais a consciência crítica desse País cresça, exija, modifique. Sem matar, sem destruir, usando apenas de sua força moral. Os black blocs vão tentar atrapalhar, muitos lutarão contra, detentores de poder farão de tudo para preservar seus privilégios mas o que está errado mudará. O festival de sandices atual e que proporcionou os desmandos da Copa do Mundo tem os dias contados.
Pena que Santiago Ilídio Andrade tivesse que morrer. Foi um preço alto.

11 de fevereiro de 2014

Santiago, o símbolo!

Santiago Andrade não era um jornalista famoso, embora tenha ganho dois prêmios por reportagens cinematográficas feitas para a TV Bandeirantes. Mas ele se tornou um símbolo com seu sangue derramado estupidamente na rua, atingido que foi por um rojão disparado por um idiota.
E Santiago é símbolo por um motivo simples: violências contra profissionais de Comunicação são cometidas no Brasil, em tempos recentes, desde a ditadura Vargas, passando pela que vigorou no Brasil de 1964 a 1985. Parece que ficaram os hábitos e costumes daqueles tempos negros e eles de vez em quando desabam sobre alguns jornalistas que cobrem o dia-a-dia do Brasil.
A vítima de agora foi Santiago.
E é difícil dissociar o fato recente de outros mais antigos. Na época de Vargas, um torturador do DIP era conhecido por sua violência. Como se chamava Benedito, todo preso que era colocado no camburão para ser levado para a delegacia se perguntava: "Será o Benedito?". Queria saber por quem seria torturado ao chegar, geralmente para confessar o que não sabia.
Sérgio Paranhos Fleury foi o rei da maldade durante os tempos duros do regime militar recente. Mas ele tinha incontáveis seguidores, auxiliares, sei lá como se chama isso. Um torturador certo dia parou de torturar uma prisioneira para limpar o suor da testa e quando ela perguntou a ele se tinha coração, respondeu: "Tenho. Mas quando venho trabalhar deixo o coração em casa".
Esse tempo já passou. Já passou?
Nos últimos anos um dos passatempos dos membros do atual Governo - junte-se Lula e Dilma nesse saco - é culpar a imprensa por tudo. Pelo "mensalão", por exemplo. E esses ataques, essas acusações, servem para lançar parte da sociedade contra o trabalho dos jornalistas. Inclusive membros das corporações policiais. Violências têm acontecido. E vão acontecer outras se todos não gritarem contra a morte de Santiago com a mesma força usada nas épocas de ditaduras.
Lamento a morte de um companheiro de profissão. Lamento por uma jovem jornalista que não terá um pai para vibrar com seu trabalho, crescimento profissional e sucesso. Lamento pelo fato de aquele profissional que não chegou a fazer 50 anos ter se tornado símbolo. Mas é preciso que não haja outros mais. Se todos ficarem calados, se a gente não gritar, vamos continuar morrendo.
           

30 de janeiro de 2014

Os flanelinhas, sempre eles...

Um flanelinha "ajuda" um carro a estacionar em Vitória. Custa R$ 15,00
Por omissão, demagogia, oportunismo, covardia ou mesmo por corrupção, mas nunca por desconhecimento dos fatos, os políticos brasileiros criam monstros. Até que eles se tornem tão grandes que combater o mal vira coisa que só pode ser feita com o uso de força repressiva. Isso se vê, por exemplo, no caso dos flanelinhas que assolam grande parte das cidades brasileiras, como praticamente toda a região metropolitana da Grande Vitória, no Espírito Santo.
O político toma café da manhã, almoça, lancha à tarde, janta e vai dormir pensando em votos. Se o ganho desses votos coincidir com atos que beneficiem o interesse público, ótimo. Se não coincidir, ótimo também e o interesse público que se dane. Que se lasque!
O gestor público brasileiro se acostumou com um sofisma cultivado como se fosse verdade de grande valor: o flanelinha é um problema social. Esse termo, problema social, foi popularizado já faz algumas décadas no palavrório do PT, pois lida diretamente com seu eleitorado. Mas hoje outros partidos também o usam porque, afinal de contas, todos são "progressistas".
Ontem, dia 29, um jornal de Vitória, A Gazeta, publicou matéria denunciando que bandos de flanelinhas lotearam regiões do Centro de Vitória e bairros nobres. Nessas regiões, estacionar no espaço público custa R$ 15,00. O motorista sabe o que acontece com seu carro se ele não pagar. Acrescente-se a isso o fato de que pode ser agredido fisicamente.
Faz alguns anos um vereador tentou aprovar uma lei considerando ilegal essa atividade mas o prefeito de então, do PT, a vetou. Na prática, é legal ser flanelinha, lotear as ruas, colocar cones para guardar lugar destinado a clientes constantes e extorquir o cidadão. Se alguém se sentir ameaçado ou coisa parecida, "basta" chamar a Polícia. Torcer para que ela venha, tome providências e depois nunca mais voltar àquele lugar pois vai haver retaliação. E a Polícia pode não estar por perto.
Agora, fale-se em colocar parquímetros em 2.999 vagas para o cidadão pagar para estacionar o carro. Em dinheiro, moedas ou com cartão pré-pago. Isso já foi feito no passado, quando a pessoa comprava uma cartela numa banca de jornais/revistas e a colocava dentro do carro, à vista. Custava R$ 2,00. Mas os flanelinhas ficavam nas proximidades das regiões de estacionamentos, eles próprios forneciam as cartelas a R$ 4,00 e depois as pegavam de volta para usar de novo. Não havia fiscalização, nada. Claro, o cidadão podia chamar a Polícia. Caso ela viesse, OK. Bastava nunca mais voltar lá. É que a Polícia poderia não estar por perto.
O flanelinha não é um problema social. É policial. Se um dia a Polícia de uma cidade como Vitória recolher todos esses "profissionais" e os levar para uma triagem a metade fica na delegacia mesmo e de lá vai para um presídio. São criminosos e traficantes de drogas. O que também é crime.
Porém, quando estão fora das prisões eles podem votar. E as eleições estão para chegar.      

24 de janeiro de 2014

Uma gente diferenciada...

Na escada rolante do shopping, a "gente diferenciada" faz o seu "rolezinho"
Peca, e peca por burrice, quem consegue ver algum tipo de tonalidade ideológica no movimento dos "rolezinhos" que assunta donos e comerciantes de shopping centers. Assim como pecava quem fazia o mesmo com os movimentos contra aumentos de passagens urbanas e que acabaram com pancadarias provocadas por bandos de encapuzados black blocs.
Essas pessoas já foram chamadas de fascistas, de comunistas, de tudo. Mas não têm nem comando nem orientação. Apenas nutrem uma vaga noção de que o Estado está falido e que se elas mesmas não fizerem nada, nadinha vai acontecer em favor delas. Estão certas, e isso no caso daqueles que vão às ruas reivindicar, fazer passeatas, desde que sem violência.
Os "rolezinhos" são diferentes. E o que marca essa diferença é a "solução" que o Governo ensaia encontrar: criar "áreas de lazer" nas periferias, onde essas pessoas possam se encontrar. Ou seja, o Estado sabe o que acontece: essa garotada, em sua maioria, é formada por excluídos e que, por falta de espaço, resolveram invadir templos cercados e erigidos para o consumo das classes alta e média e onde a presença deles não é considerada adequada. Muito pelo contrário.
Lembro-me como se fosse hoje de um movimento de moradores de áreas nobres de São Paulo contra a passagem do metrô por lá. Uma burguesinha entrevistada por certa emissora de televisão disse que não queria o metrô na região porque ele iria levar para a porta de sua casa "uma gente diferenciada". Esse termo, diferenciada, marca bem o que ela pensa. Eles não são iguais a nós; são diferentes. E como são diferentes, não possuem carros de luxo, mansões e filhos nos melhores colégios, não podem descer do metrô em qualquer lugar. Nem ir a shoppings.
Nós temos um país de guetos. E eles só fazem aumentar, mesmo em tempo de "Governo Popular", como os membros do PT gostam de chamar suas administrações. Ou como o ex-presidente Lula, hoje dono de uma fortuna cujo montante só que pode quantificar, classifica os "companheiros" operários. Aqueles que, como ele, nasceram na miséria. Mas continuam na merda, ao contrário dele.
Os "rolezinhos" vão acabar. Com guetos ou sem guetos de periferia. Afinal, não se trata de um movimento que se sustente por si só. Mas vão deixar sua marca. Mais uma delas: a separação de uma sociedade desigual, onde os bem aventurados não querem ver os alijados. Preferem não ver pois, como não vão fazer nada, assim sequer sentem o cheiro.    

10 de janeiro de 2014

O Brasil inacreditável

Roseana Sarney, que hoje está sendo xingada de todos os nomes pelo Brasil que pensa, é um exemplo pronto e acabado da velha política brasileira. Essa política que sobrevive, herdada por ela do pai, José de Ribamar Sarney e sustentada pelo Brasil que não pensa.
Roseana olha para a frente com cara de quem não entende o "outro" mundo
Para ela não existe problema algum em encomendar lagosta, caviar, camarão rosa, file mignon e outros manjares mais para abastecer o Palácio dos Leões e a vivenda de descanso da família enquanto um massacre acontece na maior penitenciária de seu Estado, o Maranhão. Não há problema algum se a conta da comilança é maior do que a verba destinada aos presídios maranhenses e ao esforço para fazer com que eles sejam mais humanos. O mundo de Roseana é um. O da realidade do Maranhão, outro. Por isso ela disse candidamente que o problema da criminalidade de seu Estado acontece porque ele está enriquecendo. Não importa se enriquece poucos. O mundo de Roseana não é o mundo real e, no mundo dela, preso tem mesmo é que morrer na cadeia.
Um filmete que corre na internet mostra um dono de seita evangélica nordestina preso por ter engravidado uma menina de 14 e outra de 15 anos, ambas frequentadoras de seus cultos juntamente com os responsáveis. Na delegacia ele, o "pastor", disse que não é o pai das crianças. Elas foram geradas por ordem divina e são filhas do Espírito Santo. O pai de uma das meninas, ancorado pela filha que também crê nisso, assegura que é verdade: ele será o "sócio" do Espírito Santo.
É esse o Brasil que elege Roseana. Que mantém a velha política brasileira no poder num sistema de troca-troca onde o Executivo e o Legislativo se "ajudam" mutuamente para que seus líderes renovem mandatos até a hora da morte à custa do dinheiro e da ignorância de parte da população. É por isso que ministérios, secretarias e outros cargos são objeto de barganha. Esse sistema promíscuo mantém a velha política. Peca quem imagina que a República Velha está morta e sepultada. Alguns de seus fantasmas sobrevivem aqui e ali e se alimentam do Brasil sem informação, do Brasil refém do Bolsa Família, do Brasil que Roseana Sarney não conhece e nem quer conhecer.
Luís XVI e Maria Antonieta também não conheciam a realidade da França do final do Século XVIII. No caso deles, conhecer foi mais traumático. No Brasil de hoje, com um sistema educacional falido e um SUS que ajuda a morrer, o sistema de promiscuidade geral se sustenta graças às carências do País e não ao seu progresso. Afinal, praticamente todos os miseráveis deserdados pelo Estado acreditam que isso acontece por vontade divina. E vontade divina não se contesta.
Então um homem do sertão nordestino vai esperar que a filha dê à luz um filho ou filha do Espírito Santo e Roseana Sarney continuará na Ilha da Fantasia, vendo o BBB 14, comendo lagosta e petiscos de caviar. É o mundo deles. Dos extremos desse Brasil inacreditável.  

4 de janeiro de 2014

O caldo de cultura

Bombeamento em Guaranhuns. Situação de emergência mesmo com um projeto pronto há dez anos
Os jornais que circulam hoje (04/01) em Vitória trazem uma notícia que tem referência direta com os danos provocados no Estado pelas chuvas de final de ano: a Prefeitura de Vila Velha, teoricamente o município mais atingido por seu porte e população, está fazendo uma superestação de bombeamento de água para acabar com os alagamentos no Bairro Guaranhuns. Beneficiará outros pontos de alagamento sério como Jockey, Portal das Garças e outros vizinhos.
Vamos aos fatos: o projeto de construção de três estações de bombeamento de água em Vila Velha, que impediriam esses tormentos, foi concluído em 2004. Tem dez anos. Repito: DEZ ANOS. De lá para cá foi construído apenas o canal de Guaranhuns, que não serve para nada sem a estação de bombeamento, que funcionaria automaticamente jogando água para o mar via o Rio Jucu sempre que uma grande chuva atingisse a região. Das outras duas nem se ouviu falar até hoje.
Por que não há esse tipo de alagamento em Vitória? Porque aqui existem três estações de bombeamento que funcionam sempre que uma grande chuva nos atinge. A cidade alaga, sim, pois sistema algum suporta dilúvios. Mas em 12 horas as ruas e avenidas estão com a água escoada. Vila Velha necessita de equipamentos idênticos, sobretudo nas regiões mais atingidas. Esses bairros são muito baixos e alguns de seus setores situam-se abaixo da linha da preamar. Por isso não há escoamento por gravidade. Ocorre o contrário, também por efeito da gravidade.
Todos os engenheiros que trabalham direta ou indiretamente para a PMVV há anos sabem disso. Eu sei porque eles me contaram. E os prefeitos que passaram por lá sabem também. Cada sistema desses custa, completo, cerca de R$ 80 milhões. Muito dinheiro, não é? Mas está barato perto dos danos constantes às áreas públicas causados pelas enchentes e, sobretudo, às milhares de pessoas que residem na região, a imensa maioria delas pobres. Carentes de quase tudo.
Da mesma forma o Espírito Santo não conviveria com tragédias se fossem impedidas ocupações de encostas. Isso ocorre no Estado quase todo por omissão do poder público. Para ganhar eleições, governantes fazem que não estão vendo a ocupação dos morros - terras públicas - em regiões às vezes com inclinação excessiva, a destruição da cobertura vegetal e a exposição das terras nuas. Basta uma chuva forte, demorada e o solo encharca. Em seguida ele cede ao peso acima, desliza morro abaixo, destrói residências e mata as pessoas. Também por efeito da gravidade.
Eis o caldo de cultura das tragédias.       

1 de janeiro de 2014

O valão sem bombeamento

Vamos iniciar o ano de 2014 com uma informação que assusta: tenho um amigo engenheiro e que trabalha fiscalizando obras a cargo da Prefeitura de Vila Velha. Ele acompanhou toda a construção de um valão (ou canal de escoamento de água, como preferirem) com dois quilômetros de comprimento e R$ 10 milhões de custo total e que teria a finalidade de impedir os constantes alagamentos das regiões baixas do município.

Bairro alagado de Vila Velha. O valão não tinha estação de bombeamento
A empresa pela qual esse engenheiro fiscaliza era responsável pelo acompanhamento da obra civil. Terminada ela, caberia à PMVV comprar as bombas e demais equipamentos para que o escoamento das águas da chuva efetivamente ocorresse pois na estação de bombeamento pois, caso contrário, em dias e horários de chuvas fortes combinadas por preamar, Guaranhus, Gaivotas, Pontal das Garças, Jockey clube e outras regiões seriam alagadas como sempre ocorre.
A prefeitura não comprou os equipamentos.
Há naqueles locais um grande valão de concreto armado coberto pela água, chamado de Canal Guaranhus, e que começará a se deteriorar se não for terminado. Somente com os equipamentos de sucção será possível a ele retirar as águas das chuvas daquelas regiões, lançando-as no mar. Meu amigo que contou a história e é uma pessoa séria chama a isso de "descaso com o dinheiro público".
Seria apenas descaso ou mais alguma coisa? Afinal, se há bombas funcionando hoje, elas só foram instaladas depois das inundações e da tragédia completa.
Nós sabemos que o brasileiro precisa ser educado politicamente. Desde a  mais tenra idade, aprender que quando destrói um bem público, está destruindo o que é seu e meu. Desde a mais tenra idade, deve aprender que ao jogar lixo nos rios e riachos, nos valões e das bocas-de-lobo, estará contribuindo para alagamentos. Da mesma forma, quando constrói em encostas muito inclinadas, sobretudo se essas encostas tiverem a cobertura vegetal retirada, estará criando o caldo de cultura para tragédias futuras.
Mas como é possível conscientizar a população que convive com exemplos como esse? Como educar o cidadão se ele desde criança aprende como usar a "Lei de Gerson"? Se o meu amigo está certo, grande parte do que ainda ocorre em Vila Velha em termos de alagamento teria sido evitado se a obra pública tivesse sido realizada do princípio ao fim, com a compra e instalação dos equipamentos de bombeamento de água. Mas não aconteceu isso. Ou por descaso ou porque o prefeito estava curtindo Nova Iorque com a família enquanto o dilúvio caia. Afinal, ninguém é de ferro...     

25 de dezembro de 2013

Os culpados pelas tragédias

Basta olhar para a foto que ilustra esse texto e que tomei emprestada ao Século Diário para ver que encosta alguma como essa resiste oito, dez dias de chuvas intensas sem ceder e deslizar até o chão. É uma inclinação exagerada, sem cobertura vegetal adequada, sem obras de contenção e em dias seguidos de chuvas o chão vai ficando encharcado e se tornando instável até ceder. Então vira sepultura para os moradores do local, sobretudo crianças sem chances de defesa. Essa é uma foto de Colatina, de uma encosta onde cinco corpos, três deles de crianças, ainda não foram localizados.
Ontem a presidente da República esteve no Estado. Fez um voo de meia hora em helicóptero, passou o restante do tempo consultando o relógio, disse meia dúzia de coisas óbvias sem demonstrar um mínimo de emoção e depois foi embora não sem antes dizer que já deu muito dinheiro ao Espírito Santo (p... que p....!), que vai ceder pontes desmontáveis do Exército e que nunca antes havia visto uma tragédia como a nossa. Ao ser questionada sobre o fato de que essa é a primeira vez que visita o Espírito Santo em três anos de governo, respondeu que, antes dela, nenhum presidente veio até aqui em véspera de Natal. Durma-se com um barulho desses...
Já disse e repito: o poder público é o único responsável por isso tudo. Não se pode permitir construções em encostas como essa de Colatina. E elas existem aos milhares. Obras públicas devem ser feitas sempre com grande qualidade, tanto para durarem quanto para justificarem os investimentos. E o assoreamento dos rios deve ser combatido como uma política de Estado. Fazendo apenas isso o poder público impedirá grande parte das tragédias que acontecem.
Mas ele não age assim. Faz vista grossa  para as invasões das encostas pensando nas próximas eleições. Permite o assoreamento dos rios porque combater a prática custa, na maioria das vezes, tocar em interesses de poderosos. E exigir qualidade nas obras públicas vai contrariar grandes empreiteiras que assim ficarão sem como ganhar dinheiro em operações tapa-buraco, quando grande parte do pagamento vai para fundos de campanha ou conta bancária de políticos.
Nossas tragédias se repetem por esses motivos. Todos sabemos disso e ainda não se fez nada efetivo para construir um Brasil que fique a salvo de tragédias assim. Elas acontecerão sempre que a intensidade das chuvas ultrapassar limites aceitáveis e vemos isso hoje na Inglaterra e na França. Mas lá os danos são muito menores em comparação com os nossos. Lá há um compromisso entre aqueles que governam e aqueles que são governados, uns protegendo os outros.
Quero desejar um feliz ano novo a todos. E que em 2014 nós voltemos às ruas para exigir ética, honestidades e responsabilidade àqueles que nos governam. EXIGIR mesmo, com todas as letras maiúsculas. Que os baderneiros fiquem em casa sem nos atrapalhar, por favor. Vamos voltar às ruas sim, minha gente. E de preferência durante a Copa do Mundo.
        

19 de dezembro de 2013

Políticas públicas e o bem público

São recorrentes no Brasil os casos - sempre graves - de inundações, deslizamentos de terra, desmoronamentos e mortes nas cidades e no campo. Em todos os casos, rigorosamente todos, há um culpado e ele se chama Poder Público. É errado culpar o azar, São Pedro ou tentar encontrar outra desculpa esfarrapada. Os responsáveis ocupam os palácios de onde deveriam representar a todos.
Foto minha de uma Vitória parada sob chuva muito forte em via expressa
Especialistas em questões urbanas são unânimes em dizer que, em casos de cataclismos, temporais longos e que saiam muito do padrão das regiões, não há equipamento urbano capaz de resistir. Danos vão ocorrer. Mas quanto mais as cidades são bem construídas, mais elas defendem seus cidadãos de tragédias. Isso acontece nos países onde os cuidados dessa natureza são praticamente uma norma de administração. Uma obrigação.
No Brasil, muitas vezes demagogicamente, permite-se a construção de casas e outros imóveis em regiões de encostas, onde o risco de deslizamento é grande quando chuvas demoradas encharcam o solo e o tornam instável. O saneamento básico não é feito de forma eficiente. Os sistemas de coleta e escoamento de água, a mesma coisa. O capeamento das vias, sobretudo asfáltico, é de péssima qualidade. Os rios são assoreados e permite-se que as pessoas construam em suas margens. Muitas regiões das cidades costeiras e interioranas, e isso acontece na Região Metropolitana da Grande Vitória, estão abaixo da preamar ou então do nível mais elevado dos rios. Quando uma chuva forte se soma à maré alta ou atinge cabeceira de rios, alaga tudo. E o poder público não constrói estações de bombeamento capazes de impedir ou minorar esses danos. Aqui no Espírito Santo, Vitória e Vila Velha são os maiores exemplos de danos dessa natureza. Mas Cariacica e Serra também sofrem com isso. E só estamos falando da Região Metropolitana, sem relacionar os inúmeros casos do interior do Estado onde às vezes eles são mais graves.
O poder público é, além de demagogo, covarde. Em Vitória, a maior estação de bombeamento de água, capaz de impedir alagamentos, fica em frente ao prédio da Rede Gazeta de Comunicação. Como a região alagava e a empresa jornalística gritava contra isso, ela foi protegida. Os que não têm o mesmo poder de fogo continuam à mercê dos danos que as temporadas de chuvas provocam.
Seria preciso mudar as mentes. Mas de políticos e seus assessores já ouvi várias vezes que o mais importante para eles é sobreviver renovando mandatos. Ainda que isso custe a vida de outros. E custa. No Espírito Santo, hoje, já estamos contabilizando mortos. Desabrigados podem chegar a cinco mil. E a meteorologia indica que até domingo teremos chuvas fortes em todo um Estado já bastante castigado.
Até quando? Até quando o cidadão, indo às ruas, sem a "ajuda" de arruaceiros, conseguirem conscientizar o povo brasileiro de que é preciso mudar, mandando para casa a corja política que nos infelicita - não são todos os políticos, diga-se de passagem. É preciso quebrar blindagens, identificar patifes e fazer políticas públicas que visem o bem público. O conforto e a segurança daquele que paga impostos.
Só isso.

12 de dezembro de 2013

O Grande Chefe

Deve ser desconfortável para o delator do Mensalão, Roberto Jefferson, ficar numa prisão onde ele não poderá comer salmão defumado, geleia real e sucos com água de coco. Muito desconfortável. O advogado dele já avisou que são recomendações médicas. Então ele não poderá ir para uma prisão comum, terá de ser outra, incomum.
Conta-se uma anedota acerca de um chefe de estado que mandava que tudo em seu país fosse construído com material da pior qualidade. Era um tal programa tipo Minha Casa Minha Vida Que se Dane. Mas um dia ele chamou às pressas o ministro do setor de obras no Palácio do Entardecer e disse a ele que o projeto da nova penitenciária estava errado. Era tudo uma porcaria. A penitenciária deveria ser construída como aquela que existe em Mônaco. O ministro perguntou o motivo e o presidente respondeu: "A gente nunca sabe do dia de amanhã!"
Roberto Jefferson está acordando para o dia de amanhã. Ele é delator, dedo-duro. Na Papuda, mais 15 presos também acordam. Um deles, José Genoíno ainda está em casa com "graves problemas de saúde". Outro futuro preso, mais valente, João Paulo Cunha, já se comparou a Nelson Mandela: "Se ele ficou 27 anos na prisão posso ficar também." E é uma ótima ideia.
É possível que o Brasil esteja finalmente acordando para uma realidade com a qual ele já teria de ter ficado frente a frente faz muito tempo: não se pode ter um País onde habitem ao mesmo tempo os Roberto Jefferson e as pessoas desesperadas que aparecem nas TVS todos os dias chorando porque as chuvas fortes das últimas 48 horas destruíram suas casas, seus móveis, seus sonhos. Notem uma coisa: a esmagadora maioria delas não tem dentes. Esse é o Brasil da Papuda. Ao menos até agora.
Ainda sonho ver o Grande Chefe lá também.     

2 de dezembro de 2013

Fernandinho também quer pizza

Além da Ordem dos Advogados do Brasil, instituições e pessoas de moral ilibada têm cerrado fogo contra o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa (que aparece na foto), por causa de seu comportamento à frente do processo 470, o que julgou os "mensaleiros" e os condenou. Ele é acusado de ter atropelado princípios legais e de ter tratado mal seus pares, inclusive com o uso do termo "chicana" em mais de uma oportunidade ao longo do processo que foi transmitido ao vivo pela TV, diga-se de passagem com grande audiência..
Não sou advogado e não entro nesse mérito.
Obviamente ninguém é perfeito. Mas o processo do chamado Mensalão correu por oito anos. Os réus tiveram suas causas defendidas por alguns dos mais renomados juristas do Brasil. Fizeram uso de todos os recursos em lei permitidos e somente foram presos após não haver mais defesa a ser feita. Aliás, minto: condenados que deveriam cumprir pena em regime fechado o fazem no regime semiaberto porque ainda há "embargo infringente" a ser considerado.
Pergunto: tirando os presos do Mensalão, quanto mais dos internos da Papuda puderam recorrer até seus processos chegarem ao Supremo antes de serem presos? Quantos solicitaram julgamento de"embargo infringente" por seus advogados antes de serem finalmente mandados para a cadeia? Quantos foram recebidos na Papuda com uma rodada de pizzas? Quanto tiveram visitas liberadas, inclusive em dias em que isso não é permitido? Quantos, finalmente, são conhecidos por nós?
Que o presidente do STF é grosso, na mais pura acepção da palavra, disso não resta dúvida. Ele já chegou a ser descortês - para dizer o mínimo - até mesmo com jornalistas. Um deles foi mandado "chafurdar na lama" pelo ministro. Não se trata de pessoa de trato fácil.
Mas o mensalão existiu, todos - menos o PT - concordam. E o Brasil em raras oportunidade prendeu poderosos. Todos concordam. E era necessário dar um "basta" à impunidade dos altos escalões do País. Todos concordam. Então, vamos concordar também que possíveis deslizes do ministro, suas palavras duras e o fato de ele ter mantido alguns presos de regime semiaberto em fechado por 48 ou 72 horas antes de corrigir o fato, é um mal menor.
Fala-se até em afastamento do ministro. A OAB quer patrocinar isso? Quer ser parte disso? Se acontecer um fato dessa natureza até Fernadinho Beira Mar vai soltar foguetes de onde se encontra. Sim, porque ele também gosta de pizza e detesta regime fechado.    
        

30 de novembro de 2013

O crime ainda oculto

Vamos nos esquecer por algum tempo do fato de o helicóptero (na foto) de Gustavo Perrella -  ou da empresa dele, como preferirem - ter transportado em um voo longo, dois bandidos e 446 quilos de cocaína. Vamos nos esquecer do fato de que ele alega até agora não saber da carga do avião, embora admitindo ter emprestado o aparelho ao piloto e ao copiloto para a missão de transporte de carga que talvez, na visão dele, tenha sido de hóstias consagradas para a paróquia de Afonso Cláudio.
Vamos nos esquecer disso tudo.
Eu estava encafifado desde o dia do acontecimento e entrei no site da Robinson, empresa dos Estados Unidos que fabrica esses aparelhos. Fui no modelo R66 - os meios de Comunicação o mostram como sendo o que era usado - e pedi o peso máximo de operação aérea. Estava lá: "Passengers and Baggage with Maximum Fuel 927 lb (420 kg)". Ora, se o aparelho voava com 446 quilos de pasta base de cocaína e dois tripulantes e calculado que o ser humano adulto pesa em média 70 quilos, havia 586 quilos a bordo entre gente que não presta e droga que mata. Um excedente de 166 quilos.
O avião, um helicóptero de apenas duas pás no rotor principal, fez um trajeto de longa duração, com escalas, em condições críticas. Repito: em condições críticas. Teria sofrido fratura estrutural e caído se, por exemplo, fosse alcançado por um temporal ou submetido a turbulência acima de moderada.
Ninguém havia pensado nisso ainda? Pois é bom que fatos dessa natureza sejam muito bem avaliados. Se aquele avião pilotado por dois criminosos, com pelo menos mais dois ou três lhes dando suporte, tivesse sofrido um dano maior sobre uma região urbana, gente inocente poderia ter morrido. Até mesmo caindo sobre uma fazenda um helicóptero carregado de combustível explode e mata as pessoas. Há muito mais crimes envolvidos nesse episodio do que julga nossa vã filosofia.

    

21 de novembro de 2013

Bandido não caça bandido. Não caça nem cassa

José Dirceu se apresenta à Polícia para ver enviado à Papuda. "Que injustiça"
Bandido não caça bandido. Não caça nem cassa.
Depois que os primeiros "mensaleiros" foram presos pela Polícia em cumprimento a determinação do Supremo Tribunal Federal, já vimos de quase tudo. Só não consigo me recordar de já ter visto ladrão de galinha ser levado a avaliação médica para saber se pode continuar preso ou se vai para casa cumprir prisão domiciliar na favela. Ladrão de galinha só cospe sangue quando apanha da Polícia. E sai da cadeia, se sair vivo, quando termina a pena. Geralmente meses depois disso.
José Genoíno compara o hoje com o ontem. A Papuda com as prisões da ditadura. Há uma distância abissal entre ambas. No caso atual ele foi preso porque é corrupto e isso está provado num processo que tramitou por oito anos. No caso passado, foi preso político porque combatia uma ditadura militar. Ao longo de mais de quatro ou cinco décadas de caminhos curvos e turvos, só mesmo ele sabe onde esqueceu a dignidade. Ele, José Dirceu e tantos outros que lutaram contra um regime político de exceção e depois descobriram que isso poderia ser um grande negócio. Não era uma questão ideológica. Não para eles. Era um investimento. E todos apostaram nos empregos, dinheiros públicos e compra de parlamentares para sedimentar um governo que pretendia e pretende se perpetuar.
O mensalão só existiu porque há gente que se vende no Parlamento Brasileiro. Muita gente. Incontáveis políticos municipais, estaduais e federais. E por isso o Executivo barganha com eles. Quando não para dar dinheiro público - o caso dos "mensaleiros" -, quase sempre para trocar apoio por cargos de primeiro, segundo e terceiro escalão. Com porteira fechada. Com verba parlamentar intocada. E para nomear tantos "cargos comissionados" quantos houver. Para cônjuges, amásias, filhos, genros e noras, primos, cabos eleitorais e o que mais houver. A relação política entre Executivo e Legislativo no Brasil é um caso único de promiscuidade a céu aberto.
Por isso o Poder Legislativo não quer cassar o mandato de José Genoíno - e não vai querer cassar também os dos demais políticos antes de ouvir a si próprio. Ao seu corporativismo. E o apoio incondicional aos compradores de apoio desnuda um outro drama ético brasileiro: políticos entram e saem da Papuda todos os dias em vans alugadas com o dinheiro público. Vão ver os "correligionários". Visitas de parentes também não respeitam dias e horários. Isso só vale para familiares dos demais presos. Afinal, quem mandou roubar galinha? Ser batedor de carteira? Ladrão sem fraque e cartola? Assaltante de padaria?
O STF ou, melhor dizendo, seu presidente, vai continuar levando tiros vindos de todos os lados petistas e da "base de apoio". Se o esquema cair, como enriquecer em quatro ou oito anos? É uma questão de sobrevivência. E bandido não caça bandido. Não caça nem cassa.
   

7 de novembro de 2013

O Estado Cartorial

A fila numa das fábricas de dinheiro espalhadas pelo Brasil. Elas são grandes
A Rede Globo vem fazendo uma série de reportagens sobre a burocracia no Brasil e uma deles falou sobre o poder quase indiscriminado dos cartórios brasileiros que atuam como um poder à parte, com o "direito" de decidir sobre a vida dos cidadãos. Um tabelião deu entrevista arrogante falando da investidura que tem em função de seu cargo. A tal "fé pública".
Isso me remete a assuntos próximos. Aqui no Espírito Santo uma instituição à qual sou ligado e uma outra, de amigas minhas, vem passando o diabo com certo cartório. A primeira ficou meses para conseguir registrar uma eleição de diretoria, com as mudanças necessárias. Outra tenta sem sucesso, já faz tempo, corrigir um erro de endereço. Coisa que deveria ser banal, de decisão em poucos minutos, uma vez apresentados os dados.
Mas o procedimento funciona assim: a pessoa leva ao cartório, por exemplo, a ata de uma eleição e outros documentos exigidos por lei. Paga taxas, emolumentos e reconhecimentos de firma. Dias depois o responsável ela é chamada ao cartório, que apresenta a ela um ou dois erros encontrados. Uma vírgula fora do lugar, um número equivocado, uma bobagem qualquer. Essa pessoa pode retificar na hora? Claro que não. Leva o papelório todo embora, corrige e retorna. Paga novamente taxas, emolumentos, reconhecimentos de firma e solicita de novo o registro. Dias depois eles encontraram um terceiro ou quarto erro. Começa tudo outra vez. E aí mora a má fé, o enriquecimento ilícito da estrutura cartorial do Brasil.
Por que a instituição tem que pagar tudo várias vezes? Por quê? Para dar dinheiro ao cartório. E porque ele não encontra todos os erros de uma vez só? Porque tem que ganhar mais dinheiro. E cartórios, em qualquer lugar do Brasil, são fábricas de dinheiro. No caso que estou relatando, a lei deveria permitir a correção imediata, no local, das falhas encontradas. Dar ao cidadão comum também a tal "fé pública". Se ele fraudar, se ele mentir, se ele cometer qualquer crime, responderá na forma da lei. Muito simples. E os cartórios, também por uma questão ética e de não exploração das pessoas, físicas ou jurídicas, deveriam ser impedidos de cobrar mais de uma vez por um só serviço apenas porque algo teve de ser corrigido.
O Brasil é um Estado Cartorial. E toda a vez que se tenta mudar leis reduzindo o poder dessas instituições o mundo vira de cabeça para baixo. E o Congresso, responsável por fazer leis, acaba cedendo, postergando. O Congresso, como todos nós sabemos, é uma instituição muito "sensível".
Isso é um absurdo. Nem mesmo a questão dos concursos públicos para preenchimento de vaga de cada tabelião titular dos cartórios consegue avançar. Eles continuam sendo capitanias hereditárias intocáveis. Um bisavô meu era tabelião do Cartório de Registro Civil de Salvador, Bahia. Minha avó se lembrava do dia em que ele, o Doutor Francisco Gomes Villela, reuniu os filhos e disse que gostaria de ter um deles bacharel em Direito. A esse caberia a herança de tocar o cartório depois da morte dele. Simples assim.
Simples assim no Brasil Cartorial!
            

2 de novembro de 2013

Também não gosto de evangélicos

Assisti faz dois dias a uma nervosa conversa entre dois evangélicos num supermercado. Eles protestavam entre si contra uma coluna da jornalista Ruth de Souza, publicada em Época, e na qual ela falava, dentre outras coisas, que não gosta de evangélicos. Os dois usaram várias vezes o termo retaliar.
Também não gosto dos evangélicos. Mas não porque eles pensam diferente de mim, ateu que sou, mas porque desprezam a opinião alheia e têm como meta chegar ao poder no Brasil para, com isso, moldar o País aos seus dogmas, independente de continuarem ou não a ser minoria. E sem ouvir opiniões contrárias. Não é por outro motivo que existe uma "bancada evangélica" no Congresso Nacional e esse grupo defende as bandeiras do pensamento evangélico sem se importar minimamente com a opinião pública.
Os evangélicos combatem de todas as formas os gays e os avanços de suas conquistas de cidadania. E eles pagam impostos como todos os demais brasileiros.  Da mesma forma, desenvolvem uma luta sem quartel para que não passe pelo Congresso Nacional e não se torne lei texto algum que reconheça na mulher o direito de interromper a gravidez. Esse são só dois exemplos.
Aliás, o Brasil reconhece apenas três situações nas quais a gravidez pode ser interrompida: gestação de feto anencéfalo, concepção por estupro e risco de vida comprovado para a mulher caso ela leve a gravidez a termo. Tudo o mais é considerado crime. E na maior parte dos casos é mesmo. Pois os evangélicos não admitem nem ao menos essas três hipóteses. E fazem de tudo para torpedear qualquer iniciativa pró. Aprendi ao longo da vida a não desejar ao próximo o que não desejo a mim. Mas gostaria de ver algumas pessoas como as que dirigem as principais correntes evangélicas do Brasil recebendo de um médico a notícia de que sua mulher espera uma criança sem cérebro. Só um exemplo. Talvez essa pessoa dissesse: "Problema algum, também nasci assim!"
Aliás, existem centenas de correntes evangélicas espalhadas pelo Brasil. Seus dirigentes descobriram a mina de ouro que é governar as opiniões e os medos das pessoas, sobretudo e principalmente as de pouca cultura, e reinam sobre elas como nababos. Vendem perdão celestial, milagres e tudo o mais. Depois embarcam em seus aviões particulares para suas mansões no exterior. São diferentes uns dos outros sobretudo por questões pecuniárias. Mas estão todos unidas na decisão de crescer até ocupar o Poder Federal no Brasil. Então, adeus Estado laico!
Esse é o grande risco. E por isso também não gosto de evangélicos.   

27 de outubro de 2013

Idosos perdem seus espaços

Secretarias estaduais e municipais, autarquias e demais órgãos públicos do Executivo, Legislativo e Judiciário estão distribuindo a todo mundo cartões plastificados para seus chefes, gerentes, chefetes e apaniguados com os dizeres: "Estacionamento Vaga Especial". E os carros dessas pessoas, em número sempre crescente, são colocados nas vagas de idosos, que têm cartões específicos e retirados nas prefeituras mediante prova de idade superior a 60 anos ou de deficiência física.
No caso da Prefeitura de Vitória, no meu Espírito Santo, a pessoa pode até mesmo imprimir o formulário que deve ser preenchido e levar tudo pronto para pedir o cartão. Mas só há duas classificações claramente impressa no documento: Idoso e Deficiente. É preciso deixar claro o seguinte: no caso desses cartões das prefeituras, cujos modelos estão na foto acima, num está escrito Idoso e no outro há o símbolo do deficiente, que é um cadeirante. Nos aos quais me refiro não há nenhuma das indicações e o tamanho do documento é outro, menor.
O negócio da vaga especial cresceu tanto que não há mais idoso que encontre lugar para estacionar. Sábado último vi uma garota, 25 anos no máximo, estacionar numa vaga de idoso em frente ao Tribunal de Contas do Espírito Santo, na Enseada do Suá, retocar a maquiagem e depois sair deixando o cartão de "Estacionamento Vaga Especial" à mostra. Eram nove horas e ela não teve o menor constrangimento!
Um amigo informou que esses cartões estão sendo produzidos às centenas. O número só cresce. Não sei até onde a informação é verdadeira, mas sei que depois das oito ou nove horas, idoso algum estaciona nas vagas destinadas a eles. Elas já foram todas tomadas pelas pessoas que portam as identificações recentemente criadas. Só as vagas de deficientes físicos são poupadas. As outras, não.
E isso sem falar que o mesmo acontece em supermercados, estacionamentos rotativos de prédios comerciais, etc. Nesses últimos casos, todo mundo estaciona em todas as vagas e sem o menor pudor de colocar identificação, já que os órgãos de fiscalização não entram para fiscalizar.
É mais uma festa da mordomia brasileira. Aquela que surge de mansinho, como quem não quer nada e, quando a gente percebe, cresceu tanto que, para acabar com ela, é preciso ir à Justiça. Receita petista já com dez anos de consagrada!  

 

11 de outubro de 2013

Amarildo e a paz dos cemitérios

Durante o regime militar, incontáveis brasileiros foram mortos pelas forças repressivas a serviço da ditadura militar. Mas, ao menos dentre os que conhecemos até o momento, não havia nenhum Amarildo. E não se trata de um nome tão incomum. Agora, 28 anos depois de o poder ser passado aos civis, acrescentamos esse novo cidadão aos milhares de brasileiros que continuam desaparecendo nas mãos das polícia pagas com nossos impostos para supostamente nos protegerem.
Amarildo, ironia do destino, deve ter sido morto por policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha, no Rio de Janeiro. Em certas ocasiões não gosto de humor negro, mas devem ter dado àquele pobre favelado a paz dos cemitérios. Afinal, UPP também pode ser para isso.
Ele não é o primeiro a ser morto nas proximidades de UPPs do Rio de Janeiro. E está longe de ser o único também em cidades onde não há essas instalações policiais militares, pois as de outras denominações existem em quase todos os lugares. Como em Vitória, onde moro. Como onde moram vocês, meus leitores. A ditadura passou mas deixou um rastro fétido dos crimes que eram cometidos (e acobertados) naquela época, mesmo em se sabendo que hoje eles podem ser cometidos, mas não acobertados.
Dias depois do desaparecimento de Amarildo, dois oficiais militares também do Rio de Janeiro foram surpreendidos "plantando" um morteiro no chão para incriminar uma pessoa que participava de protestos contra o Governo. Podia até ser baderneiro, não importa. Polícia existe para fazer com que as leis sejam cumpridas e não para "plantar" provas. E quando isso é feito por oficiais, não fica a menor dúvida de que eles servem de inspiração a seus subordinados.
A chefia da PM carioca disse que vai investigar o acontecido. Investigar o que foi flagrado? Se foi flagrado a prova está no flagrante. Basta pura e simplesmente prender e processar. Oficiais que se prestam a esse tipo de coisa não merecem mais do que a expulsão.
E digo isso por um motivo muito simples: enquanto as autoridades não forem duras com a banda podre da Polícia, ela vai crescer. Crescer e se multiplicar. Amarildo foi morto porque era um favelado, desconhecedor de seus direitos e, pelo menos em tese, confundido com um criminoso que também não poderia ser assassinado. Teria de ser processado para que houvesse um julgamento. E o Brasil abriga milhares de "amarildos" aqui, ali, acolá. Eles vão continuar a morrer se nada for feito.
Afinal de contas, eles não têm direito a embargos infringentes! E nem, muito menos, a consagrados e milionários escritórios de advocacia.           

23 de setembro de 2013

De onde viria o dinheiro?

De onde viria esse dinheiro? Ou, melhor dizendo, de onde virá caso um processo judicial dê ganho de causa a quem o move? De um  passe de mágica, claro, não virá.
A revista Época dessa semana, edição especial número 800, publica na coluna do jornalista Felipe Patury uma nota na qual é dito que a marqueteira Bete Rodrigues, responsável pela campanha de Iriny Lopes à Prefeitura de Vitória, cobra na Justiça à candidata uma quantia de R$ 3,8 milhões. Em entrevista, a marqueteira diz que o valor real é de qualquer coisa em torno de R$ 6,4 milhões.Teria sido contratada e não paga depois da eleição e da derrota da candidata.
R$ 6,4 milhões é muito dinheiro para uma campanha de prefeita de Vitória. Sim, a campanha envolve aluguel de imóveis, equipamentos os mais variados, estúdios, gravações de rádio e TV, uma grande gama de pessoas para todos os serviços, gráficas, veículos para deslocamentos e muito mais. Nos dias de hoje, o arsenal de meios para se tentar eleger um candidato é vasto. E caro.
Mas o que intriga é o seguinte: ou Iriny Lopes acredita em Papai Noel ou ela sabia, desde antes da eleição, que não tinha chance alguma de vencer. De início, o favorito era o candidato do PSDB, Luiz Paulo Velloso Lucas. De erro em erro ele foi cedendo espaço para o candidato do PPS, Luciano Rezende, até ser derrotado no segundo turno. Iriny jamais figurou como uma candidata capaz de ganhar. Nem ela nem todos os nanicos que concorriam, incluindo aí até mesmo um estelionatário. Além do mais, ela nunca foi a candidata consensual do PT, seu partido. Muito pelo contrário.
Então, desenhado esse quadro, como foi possível a ela contratar um serviço caro como esse? De onde imaginava que tiraria o dinheiro para pagar? Do nosso bolso? E como a empresa da marqueteira Bete teve coragem de fazer a campanha sabendo que a candidata não venceria, sem desconfiar de que também não receberia?
Um dia ouvi isso de uma pessoa próxima: "Promessa de palanque não se escreve". Prova inequívoca de que a política brasileira é feita no mínimo por mentirosos. Melhor acreditar, por corruptos. E em promessas de pagamento de dívidas de campanha de candidatos que não vão ganhar, nessas a gente deve acreditar? Nessas os marqueteiros devem se fiar ao assinar contratos? Ou são informados eles, no curso das negociações, por que ralos ou esgotos o dinheiro chegará?
A política brasileira precisa ser saneada. Para ingressar na Justiça cobrando R$ 3,8 milhões a marqueteira da campanha do PT em Vitória acredita ter sido lesada. Para não pagar, a candidata derrotada acredita que já pagou. Ou então, o mais provável, acabou não tendo acesso ao dinheiro prometido depois do seu resultado desastroso nas urnas.
Nada disso importa. Os pés de barro ou de lama de nossa política sempre aparecem por baixo dos lençóis depois de episódios como esse. Por isso é preciso sanear as campanhas brasileiras, quer sejam elas de nível municipal, estadual ou federal. Passa um rio de lama por baixo delas. E todas, claro, estão ligadas ao Poder Legislativo. O mais vilipendiado de todos.

 

18 de setembro de 2013

Não temos ídolos!

Ao dar seu voto com o qual aceitou os tais "embargos infringentes" e com isso proporcionou sobrevida aos condenados no processo do mensalão o ministro Celso de Mello (foto) disse, dentre outras coisas, que a aceitação desse instrumento jurídico não defende o cidadão tomado isoladamente, mas a todos os cidadãos. Um dia antes, outro ministro, Gilmar Mendes, havia dito que caso os recursos fossem aceitos deveria o Supremo Tribunal Federal agir com extrema presteza no novo julgamento porque esse Tribunal não é um colegiado de pizzas nem uma instância jurídica "bolivariana".
Estaríamos todos apenas diante de filigranas jurídicas caso esse processo, que leva o número 470, não fosse tão emblemático. Ele vai nos dizer se os poderosos são mesmo intocáveis no Brasil e se Zé Ninguém tem mesmo os direitos iguais aos de Zé Dirceu, ainda que não possa gastar rios de dinheiro - as vezes nem filetes - para contratar as maiores e mais caras bancas advocatícias brasileiras.
De nada adianta discutir aqui os méritos contidos em cada um dos votos. O Supremo de hoje, com os ministros Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli, Teori Zavascki e Roberto Barroso não é o mesmo de antes deles chegarem. Apesar de serem intocáveis as posições dos demais ministros que votaram a favor dos recursos, o mesmo não se pode dizer dos citados. Eles foram feitos ministros sem méritos efetivos para tal, talvez com a exceção de Zavascki. E isso é dizer o mínimo. O escritório do ministro Barroso ganhou, sem licitação, um contrato de R$ 2 milhões com a União. Após ele ser nomeado ministro.
A Justiça não deve ouvir o clamor das ruas? Quase todo mundo assegura que deve sim. A Justiça deve se curvar ao clamor das ruas? Dizem os magistrados que nem sempre pode ou deve fazer isso. Mas o processo do mensalão, em suas milhares de páginas e centenas de tomos, contém mais provas de corrupção e desvio de dinheiro público do que tinha o Tribunal de Nuremberg em termos de provas de crimes de guerra para condenar os líderes nazistas ao final da II Guerra Mundial.
É interessante notar que antes desse voto final - até o momento - do STF na apreciação dessa matéria, os brasileiros haviam eleito o STF como seu colegiado de ídolos. A reserva moral que a nação necessitava em meio ao cipoal de sujeira que emana dos poderes Executivo e Legislativo.
Não, não temos ídolos!exigir um novo Brasil. Precisamos fazer com que os brasileiros comuns, aqueles de junho, voltem às ruas para pedir um novo Brasil. Atropelando os que querem acompanhar os protestos apenas para cometer violências, mas mostrando aos donos do poder que esse País está cansado. Quer novas leis, novo pacto social, novos líderes. Nova divisão de poder e riqueza.
Um país que não crê nos que o governam pode se tornar um país ingovernável.           

6 de setembro de 2013

O dia de amanhã

Conta uma velha anedota que um ditador de uma republiqueta qualquer chamou sua assessoria ministerial para decidir como seria distribuído o dinheiro do país no ano vindouro. Mandou que fossem feitas estradas de péssima qualidade, hospitais piores ainda, escolas de desabar um ano depois, demais bens públicos sem qualidade alguma, tudo para economizar dinheiro porque as contas dele nos paraísos fiscais andavam abaixo de um bilhão de dólares, o que era inconcebível. Mas, antes de terminar, determinou: quero penitenciárias de alto luxo, com todo o conforto do mundo moderno, como se fossem suítes de hotéis cinco estrelas. Quem sabe tipo essa aí da foto.
Os assessores não entenderam nada e perguntaram: "Mas qual a razão disso, excelência?". "É que ninguém sabe do dia de amanhã", respondeu o ditador.
Em Brasília, celas de presídios estão em reforma. Vão ter banheiros privativos e outras comodidades mais. Diz-se que é para receber presos deficientes físicos, tadinhos. Mas a gente pode acreditar nisso da mesma forma como acreditamos que não viriam médico cubanos para o Brasil.
O processo do Mensalão está na reta final (?) e, ao que parece, vai haver gente graúda tendo que cumprir pena em penitenciária caso alguns dos ministros não voltem atrás em votos já proferidos, sabe-se lá por conta de que tipos de "reflexões". Essas pessoas não podem correr o risco de ir para celas iguais à de Natan Donadon, aquele deputado federal condenado por roubo de dinheiro público e que reclama da péssima qualidade da "xepa" servida no presídio da Papuda, em Brasília. Deve ser ruim mesmo, principalmente para quem comia tão bem com o dinheiro dos outros.
É o tal negócio: ninguém sabe do dia de amanhã!      

22 de agosto de 2013

Os verdadeiros vândalos

Durante duas semanas seguidas a Revista Época vem dissecando um escândalo: o desvio de dinheiro da área internacional da Petrobras para abastecer contas bancárias de deputados do PMDB, pois a Diretoria Internacional pertence, se é que a gente pode usar esse termo, a esse partido. O denunciante nega ter falado, mas suas declarações estão gravadas e este velho jornalista deste blog jamais viu, em toda a sua vida, um meio de comunicação criar mentiras deste porte com tanto maquiavelismo. A denúncia é verdadeira e até os mármores do Congresso Nacional sabem que aquele lugar abriga mais gente corrupta, capaz de qualquer coisa, do que gente honesta. Infelizmente. Desgraçadamente.
Roubar sempre se roubou no Brasil. As relações entre o Poder Legislativo e as grandes empresas, dos setores publico e privado, jamais deixaram de ser promíscuas. Mas, ao que parece, com quase toda a certeza, isso ganhou mais força, mais expressão, com a chegada do PT ao poder em 2003. O processo do Mensalão está aí mesmo para não me deixar mentir. Há provas aos borbotões.
Os escândalos com dinheiro público cheiram pior, melhor dizendo, fedem mais do que os privilégios injustificáveis que envolvem Legislativo, Executivo e Judiciário. Nenhum dos três poderes está a salvo de acusações facilmente comprováveis. O velho argumento de que "é legal", não justifica. Pode estar na lei, mas as leis são feitas, no Brasil, por quem não tem ética. Basta ver que recentemente um parlamentar federal declarou cinicamente que esse negócio de ética é muito relativo.
Por isso as pessoas continuam morrendo como moscas nos nossos hospitais públicos que mais parecem centros de tortura. E para onde não vão vereadores, deputados, senadores, juízes, ministros e outros graúdos do Pais. Diz-se que falta verba para a saúde pública. Mas é o dinheiro público que mantém José Sarney, um milionário, em tratamento médico no Hospital Sírio Libanês.
Por isso o povo vai às ruas. Por isso protesta, usa faixas, cartazes, pede um novo Brasil. Um país mais honrado. Todos concordamos que a violência gratuita, as depredações, são atos de vandalismo que em nada ajudam. Mas os verdadeiros vândalos estão nos cargos vitais desse país, e não nas ruas com as caras escondidas por panos pretos, enfrentando uma Polícia que às vezes se excede.
         

31 de julho de 2013

É contra um mundo desigual que todos lutam!

Vandalismo e roubo em lojas.  Apenas ações de irresponsáveis ladrões
Quando a gente começa a ter de aceitar que os atos de depredações e vandalismos registrados nos últimos meses são cometidos por grupos sempre infiltrados nos protestos populares contra o Governo e que eles estão sendo orquestrados por setores ligados a grupos anarquistas, MST, ex-militantes das Farc ou Tupamaros eu pelo menos sinto um arrepio. Nós não vivemos mais um estado de exceção, não há presos políticos lotando cadeias, as instituições civis são sólidas e o País pode ser reformado sem violências de quaisquer espécies.
Os grupos que podemos chamar de extremistas ou simplesmente baderneiros, em vez de ajudar o brasileiro a reformar seu Estado, faz o inverso: coloca medo nas pessoas comuns. Não as deixa voltar às ruas.
Os brasileiros não suportam mais seu mundo desigual. Onde príncipes protegidos pelo Estado têm direito a tudo e o cidadão comum, a nada. Os brasileiros não suportam mais trabalhar quase meio ano para pagar impostos que são mal aplicados quando não são roubados. Os brasileiros querem um País de todos, com a riqueza sendo dividida de forma justa, com a aplicação do dinheiro dos impostos servindo para a promoção do bem comum. O que os leva às ruas para protestar é ver que os privilégios a cada dia aumentam mais, o nível da Educação se deteriora, os hospitais são pardieiros, não há geração de empregos, não há plano de cargos e salários nas principais instituições públicas e o Executivo continua com a prática imoral de cooptar adesões a seus planos com a nomeação de incapazes. De ladrões de gravata.
Não. Não é com violência que isso vai mudar. Muda sim e rápido, mas com o povo nas ruas protestando por ser esse um direito seu, fazendo passeatas, mostrando cartazes, promovendo greves e gritando a plenos pulmões para os políticos ouvirem, que as eleições estão chegando.
É contra um mundo desigual que todos lutam. Mas não se reforma esse mundo com a sua destruição. O brasileiro tem o direito de viver num País justo aproveitando tudo o que ele possui. Sem violências, sem coquetéis Molotov, sem danos ao patrimônio público. Repito mais uma vez o que disse Ulisses Guimarães no nascer dessa nossa Nova República: "Só o povo nas ruas mete medo nos políticos".           

25 de julho de 2013

Um Brasil muito mais digno

O ministério Dilma reunido. O fotógrafo não consegue colher todos eles 
Nós temos, no Espírito Santo, a Secretaria da Ciência, Tecnologia, Inovação, Educação Profissional e Trabalho. Se há meios de englobar tudo com eficiência, essa é a estrutura ideal. Mas se Lula ou Dilma tivessem dado de cara com algo parecido em âmbito federal, tinham feito dela cinco ministérios. Fácil, fácil!
Uma foto da presidente com sua trupe de ministros, como a que tomo emprestada para esse texto, é difícil de caber num clique só. O fotógrafo precisa de um equipamento de última geração e de se distanciar muito para abrir o ângulo. Como se usasse uma grande angular.
Os brasileiros que estão indo às ruas pedir saúde, educação, geração de empregos, transporte, combate à corrupção e prestação de serviços de qualidade que justifiquem a boçal carga de impostos que os brasileiros enfrentam, precisam saber que muitos dos nossos dramas nascem nessa reunião. Nessa foto. Pois é com 39 ministérios, alguns totalmente despropositados, que se compra votos do Poder Legislativo.
Só para ilustrar: um deputado federal custa aos contribuintes R$ 4,6 mil por dia. EU DISSE CADA UM. Eles têm, além de salários mensais de R$ 26 mil, verba de gabinete de R$ 78 mil (para cabos eleitorais e apaniguados diversos. Podem contratar 25 pessoas cada um), cota parlamentar de R$ 31 mil e auxílio moradia de R$ 3.690,00. Muitos deles, donos de residências às vezes monumentais em Brasília, nem assim abrem mão do dinheiro desse "auxílio" tão "necessário".
Pensam que acabou? Não, não acabou. Eles têm assistência médica (no ano passado, custaram-nos R$ 1.476.539,39). Não usam o SUS, claro; usam o Sírio-Libanês. Têm cota de R$ 31.626,61 mensais (passagens, telefonia, serviços postais, escritórios, etc.) e o direito de tirar 15 mil cópias por mês na gráfica da Câmara ou do Senado, além de outros tipos de impressão. Nós pagamos toda a conta.
Queridos e queridas jovens ou não que estão indo às ruas para protestar contra impostos, passagens de ônibus, pedágios diversos e outros absurdos do Brasil: é aqui que você precisam atacar. A luta tem que ser contra a raiz de todos os nosso problemas e não em combate às suas consequências, seus efeitos nefastos. Façam como os médicos: em  vez de combater os sintomas, ataquem as doenças.
Se não fizermos nada, tudo fica como está. Lembrem-se do que um dia disse Ulisses Guimarães: NADA METE MAIS MEDO EM POLÍTICO DO QUE O POVO NAS RUAS. E o povo tem que lutar nas ruas, com passeatas, gritos, protestos diversos, cartazes, megafones, em frente aos prédios dos podres poderes constituídos (normalmente eles não chamados de palácios). Todos os dias e noites, sem parar. Só não vale bomba, coquetel molotov, pedras e outros meios violentos.Não somos bandidos, não. Lutamos contra os bandidos. Não coloquemos a população contra nós.
O ex-presidente Lula deu uma entrevista e na qual perguntou, cinicamente como sempre faz: "O que seria do Brasil se não fosse o PT?". Seria, indivíduo Lula, um Brasil muito mais digno!             

23 de julho de 2013

O Brasil bota fé nos brasileiros!

Por que ninguém vaiou o Papa Francisco? Por que, desde a chegada do avião da Alitalia que o trouxe ao Brasil só foram ouvidos aplausos? Por que, até mesmo quando o carro que o transportava de vidros abertos ficou retido no trânsito ele correu risco algum  de agressão? Por quê?
O nome que se dá a isso é respeito.
E bastou o Papa Francisco deixar o Palácio das Laranjeiras para descansar de uma longa e cansativa viagem para começarem os protestos e a queima de um boneco simbolizando o governador do Rio de Janeiro: "Queima Cabral, governador do capital!", gritavam os manifestantes.
Os movimentos de protestos são justos e lógicos. Diria mais, oportunos. Mas temos que lutar de todas as formas para que eles não se confundam com vandalismo, quebra-quebra, destruição de patrimônios públicos e privados. Recordo-me de que um dia um torcedor do Flamengo jogou algo num campo de jogo e o restante da torcida o denunciou. Ele foi retirado do estádio. Façam o mesmo: chamem a Polícia e denunciem quando as depredações começarem. A isso não se dá o nome de "dedurismo", como acontecia num passado recente. A isso se dá o nome de patriotismo.
O Chefe de Polícia do Espírito Santo diz que vândalos daqui foram pagos para depredar o Palácio Anchieta, um prédio histórico. Por R$ 10,00 ou R$ 20,00? Sei lá. Mas se isso realmente aconteceu resta botar as mãos em quem pagou. Pronto, chegaremos aos verdadeiros criminosos. Então, bastará saber a serviço de quem ou de que interesse estão esses marginais.
De nossa parte, vamos fazer diferente. O Estado moderno precisa dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário como necessita de oxigênio. O que já foi constatado é muito simples: o brasileiro não suporta mais os políticos que tem. Aqueles que ele mesmo - infelizmente - colocou em câmaras, assembleias ou no Senado. Ótimo: vamos tirá-los de lá. As eleições chegarão e eles voltarão para casa, de onde jamais deveriam ter saído. Senão por nada, ao menos por um mínimo de pudor.
Jovens e não jovens do Brasil: continuem nas ruas. Protestem. Ocupem espaços. Gritem por saúde, educação, geração de empregos, segurança, fim da corrupção endêmica. Mas gritem mesmo, a plenos pulmões. Até meados de 2014 muita coisa será conquistada que não o escárnio de um plebiscito de araque. Mas não se desesperem: o que a gente não conseguir agora, consegue nas urnas. Colecionemos os nomes dos membros das quadrilhas. A gente tira todos eles de lá.
E aí, sim, teremos um legislativo digno da gente. Com partidos igualmente comprometidos com programas, com ideologia e não com a conquista de apoio
s espúrios.
O Brasil bota fé nos brasileiros!