27 de agosto de 2014

O fator Marina Silva

Marina Silva foi agressiva no seu primeiro debate de televisão como candidata à presidência da República. Tentou, quem sabe, fazer a diferença. Aécio Neves, o mais claro e calmo, mostrou seus projetos de forma mais, digamos, didática. Dilma Roussef, de branco, mostrou-se o que é: a dona da Ilha da Fantasia e de cujas fantasias as pessoas aos poucos se afastam. Pessoas de vários espectros políticos e sociais. Até o Bolsa Família vaza votos...
O fator Marina Silva é vital nessa eleição. Substituindo Eduardo Campos ela mostrou ter muito capital de voto. Sua imagem a ajuda: politicamente é uma pessoa imaculada. Será muito difícil construir acusações contra ela fora do universo da radicalização que se inicia no agronegócio e termina no messianismo. Se os que a cercam, como estão cercando na foto do intervalo do debate enquanto os assessores de Aécio Neves fazem o mesmo com ele, conseguirem que ela reconheça méritos na necessidade da produção do agronegócio sustentável e o respeito ao Estado é laico, creio eu que a montanha de votos poderá crescer.
O que diferencia Marina de Lula? Simples: ambos eram pobres, ambos vieram de regiões carentes de tudo, ambos chegarem às cidades em carrocerias de caminhões. Lula se imiscuiu em movimentos sindicais e tornou-se um profissional demagogo da área. Com o tempo, um mentiroso, um comerciante de cargos, um comprador de apoios políticos. Um falastrão, um boquirroto. Marina se alfabetizou aos 16 anos, estudou, teve malária, quase viu  Chico Mendes ser assassinado. Cresceu como pessoa, como ser ideológico, como defensora intransigente de seus pensamentos e crenças. Talvez intransigente demais. Mas suas mãos podem ser mostradas limpas. Não mandou pagar mensaleiros, não colocou dinheiro sujo nem na cueca nem na calcinha de ninguém.
O capital político de Aécio vem do PSDB, da família Neves, do nome de Tancredo e de suas passagens competentes pelos poderes Legislativo e Executivo. É um homem preparado, mas vai ser atacado até o final da campanha. Sua arma será a calma e os argumentos sólidos. Se conseguir...
O fator Marina Silva vai decidir a eleição. Hoje ela já fala no Jornal Nacional. Justo, pois o antigo candidato está morto. Hoje ou ela começa a se mostrar alternativa de peso ou alguém que ataca demais e às vezes fala de forma difícil de as pessoas comuns entenderem. Isso no Brasil é péssimo.
Hoje o fator Marina Silva se mostra de novo. No Palácio do Planalto pernas vão tremer. Um fantasma chamado segundo turno entre Marina e Aécio já deve ter sido enxotado a vassouradas. A tiros de canhão. Mas esse fantasma começa a existir. E pode se materializar, embora agora raras pessoas pensem nele. Tanto que a pesquisa do Ibope para o segundo turno das eleições desconheceu essa hipótese. Mas as próximos pesquisas podem encontrar-se com ela.           

17 de agosto de 2014

Não vamos renunciar ao Brasil

Nós, brasileiros, já sobrevivemos a muitas tragédias. A morte de Eduardo Campos destrói uma família linda, movimenta fora de hora o tabuleiro sucessório presidencial brasileiro, lança nuvens cinzas sobre o que vem pela frente e coloca no colo de Marina Silva o momento mais crítico de sua vida. Numa situação que, aposto qualquer coisa, ela teria feito de tudo para fugir, para interferir, se possível fosse. Nos dias que se seguiram à tragédia do final da manhã de quarta-feira em Santos, nos seus raros pronunciamentos, ela quase foi às lágrimas. A dignidade a conteve.
Marina sabe que tem uma opção. E que vai exercê-la. Sabe que se tornou o fiel da balança no jogo no qual ainda não se pode prever a próxima jogada e todos esperam pela reação das pesquisas. O olhar arguto de Marina está preocupado. Tomara seu lado messiânico ceda ao outro, inteligente e ético, e que habita o mundo político brasileiro em busca do aumento do espaço da dignidade.
Esse domingo mostrou ao Brasil novamente a serenidade triste de Marina ao lado da família Campos. Em momento algum ela desceu do pedestal onde estava e nem tentou galgar os de outrem. Seu silêncio se encerrará no curso dessa semana, pois a definição do quadro político se faz urgente. E de Norte a Sul do Brasil espera-se pelo novo quadro. Quem diria: será a fala da nova candidata, e a de mais ninguém, que o Brasil estará esperando. O Horário Político Gratuito baterá recordes de audiência. Os exércitos de entrevistadores montarão os próximos quadros de pesquisas eleitorais. O que vem por aí? Quem arrisca um palpite? Os olhares dos eleitores mais comprometidos com o Brasil estarão em busca de tudo, menos do choro calhorda de Lula.
Sim, Eduardo Campos disse que não podemos renunciar ao Brasil. Não nos esqueçamos disso.          

5 de agosto de 2014

A criança em Gaza

Se a gente ler bem, com certo cuidado, vai notar que crescem nas revistas, jornais e demais meios de Comunicação ditos "tradicionais" e sérios os textos e falas (não vamos deixar as grandes redes de TVs fora disso) preocupados com o crescimento da influência dos artigos das redes sociais e blogs "às vezes irresponsáveis". Partamos de algumas constatações: se as redes sociais preocupam tanto os meios de Comunicação ditos tradicionais é porque elas têm peso. E se a cada edição destes pelo menos uma reportagem tem que falar disso, "analisar" aquilo, é porque está incomodando. Estariam as redes sociais e os blogs invadindo a esfera de interferência e poder de jornais, revistas, rádios, TVs, internet, etc.? É claro que sim! Isso é o que incomoda.
Vamos partir de outra constatação simples: a esmagadora maioria dos jornalistas que ocupa hoje as redações da "imprensa tradicional" e, portanto, dita séria, tem blog. Ocupa as redes sociais. Permite que sua competência, seriedade e compromisso com a verdade irrefutável - não é assim que pensam? - invada o ambiente onde pululam aqueles não tão afetos a esse tipo de preocupação.
Vamos ao caso do Oriente Médio. A foto desse texto mostra Gaza. Não é montagem, não foi trazida de outra realidade, não visa agredir. Num cenário de destruição, um homem adulto sustenta uma criança sem reação alguma. Estará ela morta? Não estou mostrando sangue, vísceras expostas, nada. Uma criança aparentemente inerte é sustentada por um adulto. Pai? Irmão mais velho? Desconhecido? Membro de grupo de salvamento?
Esse tipo de imagem desperta um sentimento paralelo perigoso chamado antissemitismo. Isso é Gaza. A gente sabe, pois não é bobo, que o ódio aos semitas cresce. E também aos sionistas. Mas outro efeito paralelo não pode ser desprezado: a reações contra o islamismo e suas diversas facções pulula em todos os cantos. Em síntese, o corpo daquela criança carrega dentro de si o ovo da serpente. A diferença atual é que aos palestinos restam os foguetes e túneis. Aos israelenses, uma das máquinas de guerra mais poderosas do mundo. Competentemente utilizada!
Talvez o ideal para aqueles que fazem Comunicação, que se dedicam ao menos em parte a divulgar e comentar fatos não seja serem juízes dos bons e dos maus meios. A menos que alguns se vistam definitivamente de puristas e renunciem a redes sociais e blogs.
Enquanto isso não acontece, esse velho jornalista que vai agora encerrar o breve comentário da criança nos escombros de Gaza tem a lamentar apenas o mau jornalismo. Tanto aquele feito nos "meios tradicionais e profissionais" quanto nos demais: redes sociais e blogs. Lamenta o antissemitismo e o ódio aos muçulmanos porque ambos carregam dentro de si o germe do genocídio. Lamenta a imagem da criança. Sem sangue aparente, sem intestinos expostos ela denuncia que lutar contra as raízes da guerra é muito mais importante do que esgrimir sobre quem melhor as combate e em que meios. Aquela criança exprime a razão de nossas preocupações.    

2 de agosto de 2014

Telefonemas falsos. Ninguém aguenta mais!

Já denunciei isso de todas as formas. Pelo Facebook, por esse Blog, de todos os modos. Já fiz texto  intitulado "Cuidado com telefonemas falsos", etc. Não tem forma de qualquer autoridade constituída fazer o que quer que seja contra isso. Seu telefone toca e quando você atende ele fica em silêncio. Mudo ou é desligado. Depois toca de novo. E vai tocando. Um telefone usado por minha mãe para falar com a neta só hoje já tem registro de oito ligações que, claro, não foram atendidas.
Todas as mais recentes estão vindo do DDD 081: 33210400 (duas vezes), 21380252 (duas vezes), 32167500 (duas vezes), 31984500, 34133400 e 31984750. É todo dia isso. Todas as horas. Você pode ligar para quem quiser, reclamar e não adianta. 081 é do Ceará. Só peço uma coisa ao filho de uma que ronca e fuça autor dessa programação: bote as ligações no número do telefone de sua casa, da casa dos seus filhos, de seus pais, dos seus melhores amigos, se é que os tem. Mas deixe os outros em paz. A gente não quer passar a vida atendendo ligação muda ou que desliga.
Alguém deveria tomar alguma providência. Só nesse meu Blog mais de mil pessoas já mantiveram contato reclamando disso, pois discam safados os número e os encontram aqui. Tem 011, 021, 031, 061, 027, um monte de DDD. E a gente sabe que essas ligações são dadas de centrais ou não, para diversos motivos. Inclusive para golpes. A Polícia Federal já deveria estar investigando isso. A Anatel também. Qualquer órgão. Está na hora dessa zorra parar. Ninguém aguenta mais. 

27 de julho de 2014

No fundo, Israel tem medo!

Todos nós já conhecemos, em alguma parte da vida, alguém desse tipo: é um garoto mais musculoso do que a média, brigão e tem um parente mais forte ainda do que ele. Aquelas asas a proteger o belicoso. Só que ele prefere sempre brigar contra quem é mais fraco. Claro, assim não corre riscos. E em qualquer situação as asas que o cobrem mostram que, junto a elas, o complemento tem garras fortes, bicos cortantes e ainda é capaz de atacar de todas as formas. Esse garoto é Israel. Fortinho, bem armado, protegido
pelo poder que gera dinheiro e se sustenta nele. Em tudo e por tudo, covarde.
Nos dias atuais, sempre que alguém critica ou ataca Israel, é chamado de antissemita. Uma defesa, ao mesmo tempo um ataque e uma camuflagem. Na prática, ao longo dos anos Israel se tornou um Estado belicoso. E racista. Mesmo sem dizer, mesmo sem pregar isso abertamente, trata os palestinos como seres inferiores. E toma-lhes seus territórios. Na ilustração desse texto está o território que o Estado judeu ocupa. No nascedouro, quando foi delimitado pela ONU em 1947 e depois, ao longo dos tempos, com as várias anexações de territórios limítrofes. Um movimento que não cessa.
Hitler criou, para gerar o ódio que levaria à II Guerra Mundial, a teoria do espaço vital. A Alemanha necessitava disso e da extinção pura e simples dos tratados elaborados logo após a I Guerra Mundial e que a limitavam. Israel, supostamente para se defender, defende também um seu espaço vital. As Colinas de Golã, por exemplo, seriam necessárias à sua defesa. E vai por aí. No episódio de Sabra e Chatila, o massacre silencioso do povo palestino serviu aos interesses israelenses de domínio sobre esse povo. Ou o que sobrasse dele. O que existe de diferente em essência, hoje, entre a suástica e a Estrela de David? A parte mais forte da política de Israel atualmente está ligada à extrema direita. Essa mesma corrente que, travestida, criou o caldo de cultura dos campos de extermínio nazistas.
Pode-se unir um povo para lutar cegamente em uma direção com base em duas crenças: ou no amor ou no ódio por alguma coisa. Hitler uniu a Alemanha Nazista - favor não confundir com os alemães - em torno do ódio aos judeus. Israel faz isso com o ódio aos palestinos. Com a diferença de que, hoje, tem asas fortes, patrocínio ilimitado (?) e não estamos em meio a uma guerra mundial.
Talvez Israel, como Estado, conviva com um dilema: como usar seu poderio nuclear herdado dos EUA se a área territorial, muito pequena, o faria vítima também de um disparo desse gênero? Como usar artefatos atômicos contra inimigos próximos se ninguém é capaz de garantir uma não retaliação do mesmo porte? Eis um dilema não irrelevante. Eis um risco que os anões morais da cúpula israelense têm que considerar. As asas são grandes, a vontade de brigar, também. Mas no fundo, bem lá no fundo de suas razões intestinas, o covarde sente medo.           

21 de julho de 2014

Pela segurança aérea

Bagagens de passageiros marcam o local da queda do jato abatido na Ucrânia
No total, 537 pessoas deixaram de existir em março e julho nos dois acidentes com aviões da Malaysia Airlines. A companhia aérea que já foi considerada cinco estrelas deve fechar. Falida. Não conseguirá resistir às duas catástrofes. No caso do acidente mais recente, com 298 mortes, foi cometido um crime com o disparo de míssil de região conflagrada contra o jato civil. E no de março, quando havia 237 seres humanos no avião? Ele teve todos os seus aviônicos de contato desligados, mudou radicalmente de rota, voo cerca de sete horas e depois desapareceu sem deixar vestígios? Simples assim? Não, não foi. Evidências mostram que um voo como esse, nos tempos de terrorismo, teria sido monitorado militarmente pelas principais potências tão logo desviado.
Há muito mais entre o céu e a terra (ou o Oceano Índico) do que julga nossa vã filosofia. Não é tão fácil a governos poderosos ludibriar os incautos. Tão logo um avião civil sai da rota os radares e satélites militares entram em ação. O que se quer saber é se esse jato se tornou um míssil nas mãos de insurgentes. E o que ele pode atingir no seu voo agora sem destino certo. O Boeing 777 que fazia a rota MH370 também pode ter sido abatido. Por ter sido considerado perigoso, descontrolado, levado em direção a algum alvo pelos tripulantes ou quem os dominou. Se isso é verdade ou não pouco importa. Na hora da decisão a ordem é mandar apertar o botão do míssil.
Nós vivemos num mundo perigoso. Em várias regiões há conflitos e a cada dia que passa mais aumenta o número de mortos. Tornar até mesmo os meios de transporte inseguros, passíveis de serem atingidos por disparos, venham eles de terra ou do ar, é demais. Não pode acontecer. Nesses dois últimos casos, envolver os órgãos de segurança da ONU em ações que visem a recuperar a segurança aérea é tão importante quanto lutar por tratados de paz em lugares como a Palestina. Por sinal, lá morrem crianças enquanto adultos se digladiam irresponsável e irracionalmente.   

14 de julho de 2014

Chega de unanimidades

Telê Santana, o gênio ético  não questionado em 1982 na Copa da Espanha
Nelson Rodrigues disse que toda unanimidade é burra já faz tanto tempo que quase todo mundo se esqueceu disso. Ou então não considera essa verdade do esporte - e que serve a todo o restante da atividade humana - por mero oportunismo. A Copa do Mundo do Brasil nos lembra isso.
Com a saída de Mano Menezes do comando da Seleção, foi contratada uma comissão técnica com espaço quase todo o tipo possível e imaginável de especialistas, inclusive uma psicóloga que literalmente só atendia quando chamada. Por telefone, digamos. Aquele grupo de pessoas tinha duas coisas em comum: eram todos da confiança irrestrita do treinador Luiz  Felipe Scolari e donos da verdade. Seus egos não cabiam no espaço acanhado da Granja Comary.
Lembram-se da nossa Seleção de Vôlei Masculino? Evitou uma desclassificação vexatória em fase preliminar da Liga Mundial por um quase milagre. Há vários anos precisava começar um lento e seguro processo de reestruturação por renovação, mas o procedimento foi sendo adiado, adiado, adiado e adiado até surgirem derrotas tão terríveis que alguém teve a coragem de questionar Bernardinho. Sim, porque Bernardinho é outra unanimidade e também carrega ego monumental.
Com a Seleção de Scolari aconteceu o mesmo. Os dirigentes do futebol brasileiro entendem de tudo, menos de futebol. Entendem de pequenos, médios, grandes negócios e negociatas. Nesse último caso, faça-se justiça a eles, envolvendo o futebol. Eis aqui o exemplo de João Havelange, nosso capo dei cappi de 98 anos bem vividos e curtidos em vôos internacionais de primeira classe.
Pois Luiz Felipe Scolari, campeão mundial em 2002 e derrotado como técnico de Portugal, do Chelsea, do Palmeiras e em mais outros exemplos, assumiu o time do qual Mano Menezes havia sido defenestrado, para o que desse e viesse. Para a vitória ou o fracasso. Como era de se esperar, veio o fracasso. Afinal, aqueles era o time de sua total confiança. Nada mais se discutia.
Quando falo de nossas unanimidades burras, doe-me o coração. Conheci em apenas duas únicas e rápidas oportunidades o cidadão Telê Santana, patrimônio ético e moral do futebol brasileiro. Coube a ele dirigir o time de 1982, um dos maiores de todos os tempos. E como alguém iria dizer ao grande Telê, ao nosso técnico exemplar, que aquela Seleção escalada com Sócrates, Zico, Falcão e Éder, quatro atacantes, deixava perigosamente vulneráveis o meio-campo e a defesa? Não, coragem ninguém teve. Nossos adversários italianos perceberam isso e perdemos a Copa. Depois perdemos em 1986 por motivos outros como o envelhecimento do time. Telê e uma grande geração ficaram sem um título mundial na única ocasião em que o silêncio diante da unanimidade foi compreensível.
Agora, não. Agora é hora de nunca mais nos rendermos a isso. Mesmo se for para afagar egos de grandes cadeias nacionais de TV que se beneficiam de matérias exclusivas. Chega. Perdemos um Mundial de maneira humilhante. Não era preciso que fosse assim. Mas nem sequer houve tempo de treinar o time direito, tantas eram as gravações de comerciais contratadas pelo "professor".
Basta! Precisamos de planejamento, de seriedade, de questionamentos e de encontrar um caminho que nos resgate ao menos a dignidade. Ela ficou pelo caminho mas dá para localizar.     

10 de julho de 2014

Cem anos esperando pela "tragédia"

A  goleada da Alemanha contra o Brasil por 7 a 1 na semifinal da "Copa das Copas" deixou um País atônito. Confesso: eu fiquei. Mas se a gente parar para pensar sem paixões, vai ver que esse fato inédito por um século era uma "tragédia" anunciada. Haveria de ocorrer um dia, numa circunstância qualquer, como resultado de nossa incúria, de nossa irresponsabilidade.
Exercício rápido 1: Luiz Felipe Scolari gastou mais tempo preparando o time ou gravando comerciais milionários para engordar sua conta bancária? E seus jogadores, nossos "heróis"?
Exercício rápido 2: se amanhã o Congresso Nacional sofresse um recesso de 100 dias como punição ou em decorrência de alguma catástrofe natural, isso iria representar o que para o Brasil? Um prejuízo irreparável às nossas instituições democráticas? Ou apenas às contas bancárias daquela turma e seus assessores?
O que José Maria Marin tem a dar ao futebol brasileiro como presidente da Confederação Brasileira de Futebol do alto de seus carcomidos anos e anos de vivência pública prostituta? O que o Congresso Nacional nos ajuda, a nós brasileiros, dirigido por Renan Calheiros e sua troupe?
Eles não disputam campeonato mundial de política mas contribuem para deixar o Brasil pessimamente colocado em todos os confiáveis índices mundiais de progresso social. Eles são parecidos com a nossa Seleção de Futebol de hoje: rica, despreparada e às vezes cínica. Só não choram pois,  no caso deles, seria ultrapassar em muito o limite da cara de pau.
Somos vítimas de nós mesmos. Permitimos que esquemas malandros nos enganem sempre e sempre parecemos não saber que estamos sendo enganados. A "Copa das Copas" está sendo - pois ainda não terminou - apenas e tão somente um circo multimilionário de dinheiro jogado fora, colocado em bolsos de ladrões e que ainda vai se desdobrar em obras por acabar e na orgia, hoje apenas no início, de mais uma festa de arromba chamada Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.
No caso atual, os 7 a 1 da Alemanha não estavam no script. Talvez algumas medalhas além do que a pobreza esportiva de sempre nos brindou possam vir a ser acrescentadas à roubalheira de 2016.     

4 de julho de 2014

Um Holocausto para todos!

Os jornais publicam hoje que uma senhora hoje com 80 anos doou ao Museu do Holocausto, em Tel Aviv, uma capa de publicação nazista na qual ela, ainda um bebê, aparece como símbolo da raça ariana. Era e é judia. Ao que tudo indica, tem muito orgulho disso. Escrevo esse texto depois de três jovens judeus que tentavam carona para casa após aula de religião terem sido sequestrados e mortos em Israel. A irracionalidade usa muitas vestes e se alimenta do sangue de inocentes.
No dia 08 de maio de 2009 escrevi, neste meu Blog, o artigo "Mortos de segunda classe". Nele questionava, como questiono até hoje, o uso do termo holocausto por autoridades judaicas, por judeus do mundo todo e por gente espalhada por esse mesmo mundo para identificar, glorificar, prantear e lembrar todos os anos os judeus mortos entre 1939 e 1945 por nazistas e fascistas. O período que cobre a II Guerra Mundial abriga esse genocídio de caráter inominável.
Ao ponto de crianças mortas enforcadas junto a uma coluna (?) de Sobibor, como se ornamento macabro fossem, inspirarem um monumento em sua homenagem. A foto está junto ao texto.
Não adianta falar: mas considero que o holocausto deve lembrar a TODOS os mortos pelos nazistas. Judeus, claro que sim, mas também comunistas, ciganos, negros, imigrantes legais, adversários políticos diversos, desempregados e, suprema crueldade, idosos, deficientes físicos e mentais. Nesses casos, não importando a religião que tivessem. Eram apenas imprestáveis.
Nego-me a utilizar o termo holocausto por causa disso. E nem o grifo com "H" maiúsculo. Acredito, no entanto, que um dia algum tipo de homenagem focalizará os que morreram no Genocídio da II Guerra Mundial. Não eram soldados, não lutavam por seus países, mas enlutaram a humanidade.
Seria oportuno se radicais palestinos se recordassem disso antes de sequestrar e matar garotos judeus mesmo que, como pensa o Hamas, eles usurpem seu território. Seria igualmente oportuno se governantes judeus pensassem nisso antes de enviar modernas armas de guerra matar inocentes entre a população palestina. A renúncia precisa ser mútua, definitiva.
Ainda há espaço para a mesa de paz. E para recordarmos
o Holocausto de Todos.     

30 de junho de 2014

Os regulamentos burros

Júlio César vira herói ao pegar pênaltis contra o Chile em Minas Gerais
Não apenas as unanimidades são burras, como disse Nelson Rodrigues. Nos esportes é comum os regulamentos serem burros e, destes, talvez os mais irracionais sejam os do futebol. A Copa do Mundo está longe de ser exceção. Ao contrário, é a regra.
Já houve uma Copa com 13 participantes: a de 1930, que consagrou o Uruguai. Com o tempo as disputas foram inchando e passaram de 16 seleções para 24 e 32. A FIFA explicou esse "inchaço" como necessário. Ela precisava incluir na maior competição esportiva do planeta representantes de todos os continentes. Era a forma de incentivar o crescimento do futebol no mundo todo. Tem lógica.
Mas não tem lógica o regula mento da disputa. A Copa dura um mês. E os 32 times são divididos em oito grupos de quatro que jogam entre si para classificar 16. Então começa uma série de partidas de oitavas, quartas de final, semifinais e finais no estilo chamado "mata-mata". E é um sistema matador, sim, pois impõe às equipes que não conseguem vencer no tempo regulamentar uma prorrogação de 30 minutos e disputa por pênaltis se isso não resolver. Irracional. Condena seleções e jogadores a esforços imensos num tempo pequeno, com intervalo curto entre partidas. É comum equipes serem desfalcadas.
Ora, se na fase classificatória há critérios para evitar prorrogações e pênaltis, por que isso não acontece depois? Na fase de classificação as seleções já entram na última rodada sabendo o que precisam fazer para seguir em frente. Empatando em pontos, desempatam por critérios como saldo de gols, por exemplo. No futebol, competições podem ser desempatadas por saldo de gols, número de vitórias, maior número de gols marcados, menor número de gols sofridos, confronto direto e até mesmo por um já esquecido critério de "gol
Taffarel se prepara para ser campeão nos pênaltis
average". É quase impossível tudo empatar. E se mesmo assim  isso acontecer, aquela moeda que os árbitros usam no cara ou coroa das saídas de jogo resolve a questão.
Estamos diante da solução do problema: as campanhas das fases de classificação são diferentes. Cada seleção tem a sua. E essas campanhas podem ser usadas para, nas etapas eliminatórias, cada equipe ir a campo sabendo o que precisa fazer. Se teve melhor campanha do que meu adversário na primeira etapa, o empate me bastará. Ao outro resta a vitória. E do final da fase de grupos até a decisão não haverá nem prorrogação nem pênaltis para decidir vagas. Da mesma forma como foi no início.
Um critério assim fará com que as equipes arrisquem mais na primeira fase. Elas vão querer vantagens futuras. E quem entrar em campo com a necessidade de vencer arriscará muito mais. Notaram como tudo muda? Mais emoção com muito menos risco.
E jogos resolvidos em 90 minutos. Como manda o figurino!     

23 de junho de 2014

Minha professora da "elite branca"

Acordei com o intuito de, dentre outras coisas, colocar no lugar correto certos livros já lidos que estavam sobre minha cama. Depois queria ficar diante do notebook para escrever um artigo falando sobre as manipulações das eleições  presidenciais próximas e a estratégia governista de agredir a tudo. Sobretudo e principalmente a realidade, uma "arte" desenvolvida pelo ex-presidente Lula desde o primeiro dia de seu primeiro mandato e, com mais intensidade, após o mensalão, em 2005.
Peguei os livros e, de repente, tinha diante de mim "A Capitoa", texto maravilhoso de minha professora - não uso 'ex' nesse caso - e amiga Bernadette Lyra. Olhei bem para ela, sempre linda na foto, e me vi diante da "elite branca". Da forma mais perniciosa dessa elite, no ver do ex-presidente Lula, pois além de branca, cabelos idem, ela ainda mostra defeitos inimagináveis como doutorado. Pode uma coisa dessas? Isso sem falar no olhar altivo e orgulhoso. Defeitos demais!
Lula vai ser figura central na campanha de Dilma Rousseff. Escolha perfeita, pois estamos diante do mestre da manipulação. Do ilusionismo político. Não há quem o supere. Vai atacar a "elite branca" o tempo todo e lembrar a todos que o "povão" estará sempre ao seu lado, contra os não patriotas e a "imprensa conservadora". Esses são e serão sempre os inimigos do Brasil. Ele ainda mandará matar um dia quem recuperar e divulgar suas imagens de presidente eleito para o primeiro mandado dando entrevista exclusiva e ao vivo na bancada do Jornal Nacional.
Lula sonha com o Brasil ganhando a Copa do Mundo. Com a não revelação de mais falcatruas governamentais. E com sua capacidade de desconstruir a realidade, moldar uma outra totalmente falsa e fazer com que essa prevaleça sobre a real. Mandaram Dilma tomar naquele lugar no estádio do Corinthians? Então esperem para ver quem vai tomar se ela ganhar a eleição. Esperem e verão!
Lula vai continuar atacando a "elite branca". Essa que o fez enriquecer e aos de sua família, o que agora não tem a menor importância. Vai dizer que os adversários ou, melhor dizendo, inimigos são aqueles que querem voltar ao passado e destruir o Bolsa Família, o esquema de assistencialismo criado por ele e seus assessores. Sem contrapartida de estudo ou habilitação ao trabalho. Aliás, sem nada que diga respeito a estudo porque isso vai destruir o eleitorado. Tomara nunca esse eleitorado seja branco de olhos azuis e tenha sequer curso médio, que dirá doutorado.
Fiquei divagando. Lembrei-me de um fato recente: numa fala em Vitória, a autora de "A Capitoa" falava de seu amor maduro de tantos anos e citava seu querido como "companheiro de uma vida". E se Lula descobrir que esse homem, esse companheiro, é negro? "Puta que pariu!", dirá ele do alto de seu autodidatismo e educação refinada! Em seguida não se sabe se sentirá vontade de matar minha professora ou entronizá-la por ter corrigido erros tão graves. Sei eu apenas, se a conheço, que ela abominará qualquer das hipóteses. No que fará muito bem. 

11 de junho de 2014

O teatro e o Nobre Deputado

Levanta o pano
Primeiro Ato: O artista medíocre Henrique Eduardo Alves aparece no palco Congresso Nacional. Está possesso, furibundo, transpira suor de patriotismo cênico por todos os poros e não nota que alguém colocou um "caco" na cena com o título de um livro sem nada a ver com a peça. Grita a plenos pulmões que o último programa Fantástico, da Rede Globo de Televisão, agrediu o Congresso Nacional, o poder mais puro da República, ao acusá-lo de forma indecente de estar envolvido em falcatruas de trocas de cargos, venda de verbas parlamentares e superfaturamento de obras públicas. trêmulo, precisa ser contido.
Segundo ato: O artista Henrique Eduardo Alves agora aparece no palco Reunião do PMDB ao lado do artista Michel Temer. Fala-se do apoio à reeleição da presidAnta Dilma Roussef por parte da legenda. Coadjuvante, Henrique houve o segundo dizer em tom ameno mas decidido que seu partido só vai apoiar a reeleição se receber mais ministérios de porteira fechada, cargos de segundo e terceiros escalões em todos os estados para saciar uma goela insaciável que fica rouca diante de dinheiro público e daquela diretoria que fura poço.
Terceiro ato: um homem vestido de Renato Russo pega o microfone e grita antes de cair morto de verdade: "Que país é esse, porra!"
Cai o pano

9 de junho de 2014

As gralhas já disputam o butim

Não faz muito tempo as autoridades olímpicas internacionais ameaçaram retirar as Olimpíadas de 2016 do Rio de Janeiro. A gritaria foi geral. Do alto de sua falta de autoridade moral e esportiva, Carlos Arthur Nuzman disse que isso era uma absurdo e que o Rio entregará todas as instalações exigidas pelo COI prontas a tempo e a hora. Não vai entregar, como podemos ver na foto. E muito dinheiro público ainda há por ser roubado nos contratos emergenciais a serem assinados daqui para a frente no afã de que obras sejam tocadas. Em muitos casos de grande porte e paradas ou não iniciadas faz anos.
Acontece com a Rio-2016 o mesmo que acontece com a Copa de 2014. Há todo um grande esquema de assalto aos cofres públicos já montado. E ele se beneficia não apenas da leniência das autoridades, mas também de sua conivência. Os esquemas são os mesmos, os participantes se repetem e os contratos, de emergência ou não, são feitos sempre para favorecer as quadrilhas.
Por que eles não mudam? Porque todo mudo rouba. Notem apenas uma coisa: as grandes empreiteiras de obras públicas se repetem nos projetos. Os custos são sempre revistos ao longo das etapas de obras porque são apresentados abaixo do valor real para permitir que "A" assuma uma licitação combinada para "B" ficar com a seguinte. Então, na etapa seguinte vai ser preciso elevar os valores não apenas para obter lucros, mas também para superfaturar. É daí que saem os valores das propinas e das campanhas políticas de praticamente todos os senhores deputados e senadores.
O programa Fantástico de ontem (08/06) falou sobre isso. Esse esquema é amplamente executado. Mas somente 10 ou 15 por cento da população sabe ou sabia de que forma ele funciona. Como uma campanha para deputado federal custa algo em torno de R$ 5 milhões, de onde tirar esse dinheiro? De "patrocinadores" de campanha ou agiotas. E como o termo "doação" não passa de figura de linguagem, será preciso pagar as contas retirando esse montante e seu lucro de alguém. Ele é retirado de todos nós que pagamos impostos para sustentar a roubalheira geral. Ou o leitor acredita que um homem honesto gastaria R$ 5 milhões de dinheiro de terceiros para ter um mandado de deputado?
Aguardem os contratos emergenciais da Rio-2016. Haverá um rio - sem trocadilho - a se ganhar nesse poço sem fundo. E as gralhas já estão dividindo o butim. Todas as licitações serão cartas marcadas. O o que for ganho desse bolo por empresas de pouca expressão terá obras abandonadas no curso dos trabalhos. Faz parte do esquema. Essas obras paradas representarão lucros ainda maiores.
Joana Teixeira Havelange, filha de Ricardo Teixeira e neta de João Havelange disse recentemente que agora não adianta mais protestar contra a Copa porque o que havia para ser roubado já o foi. Ela entende disso. Conhece todos os esquemas porque participou deles. Se o brasileiro quer praticar um ato de patriotismo, inicie uma campanha para que as Olimpíadas de 2016 sejam disputadas em Londres, para onde o COI já ameaçou levá-las. Na Rio-2016 ainda há dinheiro por ser salvo.
Só me fica uma dúvida: o COI realmente retiraria os Jogos Olímpicos daqui ou, a exemplo da multimilionária FIFA, também faz parte do esquema? Vamos esperar e conferir.           

7 de junho de 2014

"Literatura Capixaba" e o bicho da goiaba

Em pleno sábado, um monte de gente pergunta aqui no Espírito Santo o motivo da discussão em torno do tema "Literatura Capixaba". Desculpem, não sei. Como disse ao querido amigo e confrade Anaximandro Amorim, da Academia Espírito-santense de Letras, vamos imaginar que esse termo seja apenas uma forma de a gente se referir ao trabalho literário aqui produzido por e com muito amor e por gente nascida ou não no Estado. Trabalho de ótima qualidade e sempre mal divulgado pelos meios de Comunicação do Estado. Exemplo? Os do escritor e professor Francisco Grijó. E muitos outros. Poderíamos usar outro termo como, por exemplo, "literatura produzida no Espírito Santo", conforme sugerido no "esforço" de reportagem.
E como usamos "imprensa capixaba", poderíamos usar também "imprensa feita no Espírito Santo por gente que não se identifica com as coisas daqui". Ou não? Não creio que isso, esse fato menor do dia, comporte discussão pseudo acadêmica. Sugiro doravante temas mais candentes: os anjos têm sexo? O bicho da goiaba desenvolve sua maturidade sexual fora ou dentro da goiaba? Vamos tocar a discussão dessa forma. Vou sugerir os assuntos em mesa redonda também. Acho que dará mais o que falar do que o tema de página dupla jogada fora pelo jornal A Gazeta de hoje no Caderno Pensar e na sua busca desesperada pelos leitores perdidos dos anos gloriosos.
Esse tema, com o título "Mal-estar literário" e internamente "Manifesto contra a moqueca" sintetiza o seguinte: o jornal considera mal colocado o termo "Literatura Capixaba" pois ela - essa literatura - seria universal. Associa o termo à moqueca, prato somente nosso porque não leva azeite de dendê e outras especiarias baianas (daí um  dos títulos). Deve ter sido difícil gastar tantas palavras no papel jogado fora para que os leitores se imaginassem no centro de uma discussão acadêmica que não existe.
Mas vá lá. O desespero pela reconquista de leitores deve valer qualquer coisa para quem já noticiou, em manchete de primeira página, que o mundo vai acabar.  

5 de junho de 2014

O "ovo da serpente". Ele de novo

O tempo passa, as coisas mudam mas o ódio irracional permanece. Lembremo-nos doravante dessas siglas: Frente Nacional (França), Partido Nacional Democrático (Alemanha), Aurora Dourada (Grécia), Partido Melhor (Hungria), Partido da Liberdade (Áustria), Partido Popular Dinamarquês (Dinamarca), Finlandeses (Verdadeiros) (Finlândia), Partido da Liberdade (Holanda) e Liga Nórdica (Itália). Se esqueci algum, acrescentem.

Esses partidos elegeram membros para o Parlamento Europeu, a maior segunda eleição do mundo. Podem daqui para a frente intervir no futuro da Europa. Têm em comum o fato de serem neonazistas. Carregam consigo o  pior dos ódios, o ódio racial. Quem considera seu semelhante um ser inferior, seja por que argumentação for, sente-se no direito de extirpá-lo. Eliminá-lo. Matá-lo. Os nazistas e fascistas fizeram isso durante a II Grande Guerra. Em seu rastro ficaram mais de seis milhões de mortos que não foram apenas judeus como quer a teoria reducionista do "Holocausto", mas também os comunistas, demais adversários ideológicos do nazismo e do fascismo, deficientes físicos, deficientes mentais, homossexuais, ciganos, negros, outras etnias "não arianas" e imigrantes me geral. Todos eles eram seres inferiores. Matá-los não constituía crime algum.
Hoje nós estamos vendo uma tentativa de ser chocado novamente esse ovo de serpente. Um sentido figurado. Para alguns, apenas palhaçada sem maiores consequências. Não é. Estamos diante de um perigo imenso e é preciso combater o mal. Não se trata apenas de evitar que imigrantes africanos ou outras pessoas "roubem" os empregos dos europeus. Geralmente a coisa começa assim em meio a crises políticas e econômicas para depois mostrar a verdadeira cara ao assumir o poder. É preciso evitar.
Comentei isso com alguém num papo informal e ouvi da pessoa: "O que nós temos com isso?". TEMOS TUDO COM ISSO. Eles estão aqui como aqueles que pintam no muro as palavras contra os nordestinos (na foto), que atacam homossexuais nas ruas das grandes cidades, usam suásticas em tatuagens, etc, etc, etc. Repito: eles se alimentam das crises políticas, econômicas e estamos vivendo ambas num país que não tem as defesas intelectuais dos europeus. Um País governado por despreparados e oportunistas.
Cuidado! Evitemos que esse ovo de serpente consiga chocar. Ele sempre tenta. E tem novamente seu caldo de cultura ideal. Os tempos modernos o fornece a eles.               

29 de maio de 2014

Convento da Penha, Patrimônio Mundial

O Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo (IHGES), à frente de outras instituições ligadas à cultura capixaba como a Academia Espírito-santense de Letras (AEL) e Academia Feminina Espírito-santense de Letras (AFESL), está dando um passo importante para a cultura brasileira: iniciar uma campanha para tornar o Convento de Nossa Senhora da Penha(foto), em Vila Velha, berço da colonização deste Estado, um PATRIMÔNIO CULTURAL DA HUMANIDADE.
O IHGES vai a campo. Pedindo apoio a instituições internacionais ligadas à ONU como a UNESCO e outras. Aproveitando-se da internet para lançar a ideia em plano estadual, nacional e mundial. Explicando a todos o que é o Convento da Penha, como o chamamos, não apenas para a população do Espírito Santo mas para as do Brasil e do mundo. Um centenário monumento às correntes religiosas cristãs - e não apenas católica por ser ele católico - encravado sobre uma montanha, com quatro centenários de vida. O mais antigo do gênero  no País. O monumento mais representativo do Brasil nessa área.
O Convento da Penha está absolutamente preservado. Recebe por ano milhares de visitantes que sobem as encostas do morro para visitar suas paredes largas e amplas, seus aposentos cuja história oficial começou a ser contata a vários séculos, mas cujo primeiro registro em publicação, de meados do Século XIX, consta de um livro preciosidade editado pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e que tem um de seus raros exemplares conservados de minha propriedade.
Recentemente, um capixaba honorário, José Carlos Monjardim Cavalcanti, o Cacau, que como ele próprio diz tem PHD em Espírito Santo, enviou longa correspondência ao Papa Francisco, falando de nosso monumento, descrevendo-o por documentos e publicações, além de fotos, e convidando o chefe da Igreja Católica a vir conhecer nosso Estado e seu Convento.
Cacau recebeu resposta do Papa Francisco. Nele o Pontífice agradece a gentileza e, embora não dizendo que pode aceitar o convite, enviou até mesmo documento assinado de próprio punho ao nosso PHD. Isso nos abre caminho para pedir apoio às autoridades civis e eclesiásticas, como a CNBB, para apoiar o pleito que agora não é mais dos capixabas, mas de todos os brasileiros.
Vamos falar ainda muito sobre isso. Mas esse artigo abre o tema.                

28 de maio de 2014

Véspera de Copa

Agora mesmo a TV Globo está pedindo aos brasileiros para pintar ruas e prestigiar a Copa do Mundo de 2014 no programa de Ana Maria Braga e em todos os demais. Gente, ninguém deixou de ser brasileiro, ninguém deixou de amar o Brasil. Mas o que ninguém aguenta mais é o que essa ilustração mostra, da roubalheira, da mentira institucionalizada, da manipulação de dados, do descaso para com a educação e a saúde - principalmente -, dos políticos corruptos pactuando com os contratos superfaturados de empreiteiras manjadas que vivem de dinheiro público à custa de impostos absurdos. Enfim, de tudo o que todo mundo sabe e a Rede Globo com seus cofres abarrotados também. Essa Copa vai ser a da falta de confiança nesse nosso País e dos protestos justos que, torço eu, não devem descambar para a violência. Não era época de Mundial de futebol, não. Era e é a época de construirmos um novo País colocando no esgoto da história tudo o que não nos serve.
Em Vitória, ES, um grande esquema de segurança cerca as chegadas das delegações da Austrália e de Camarões. Busca-se black bloks, cangurus assassinos e camarões ebola. A vida do cidadão vai ser afetada em nome da pseudo segurança de duas equipes de futebol. Para que? Em nome de que? Se preocupação parecida houvesse sido tomada com relação aos desmandos e roubos das construções direta e indiretamente ligadas à Copa, aí, sim, isso se justificaria.
Há um novo Brasil a ser construído. Sem roubalheira, sem "acordos" políticos, sem nada do que mancha nossa vida. Não se pode agredir, quebrar, atentar. Mas o direito de protestar, esse o brasileiro tem, em nome de nossa dignidade subtraída de manhã, à tarde, à noite, todos os dias pelos collor, renan et caterva. No mais, que nessa disputa de futebol vença o melhor. De preferência, um melhor vestindo verde e amarelo, dono que já é de cinco títulos.  

7 de maio de 2014

Democracia à brasileira

Ao que parece, a paciência do governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, se esgotou. Ele disse que não vai buscar mais a "unidade" e é pré-candidato por seu partido, o PSB, à reeleição apoiando também a chapa nacional de Eduardo Campos. Já o ex-governador Paulo Hartung vai se candidatar ao mesmo cargo pelo PMDB e deve chamar para perto de si no Espírito Santo as forças do PT.Cartas na mesa. Façam as coligações - ou, melhor dizendo, as próximas apostas senhores.
A briga - ou seria melhor dizer "mal estar" - começou com Hartung se dizendo candidato a governador. O ex-governador Gerson Camata, veterano de PMDB, disse que como esse postulador teve dois mandatos seguidos no Palácio Anchieta, agora Casagrande "tem também o direito" a um segundo mandato.
Pirei, pois até hoje pensava que esse tipo de direito era exercido pelo eleitor e somente por ele. Os partidos e seus representantes lançavam-se às eleições, expunham seus projetos, suas ideologias, seus planos quadrienais e, ao final de tudo, o melhor - para os eleitores, claro - era proclamado vencedor.Os perdedores simplesmente deixavam a arena de disputa. O Executivo então governava, o Legislativo fazia seu papel de legislar e vigiar o Executivo e o Judiciário zelava pelo fiel cumprimento das leis.
Ora, isso só pode existir na Democracia real, essa que estou escrevendo com a primeira letra maiúscula. Na democracia de mentirinha, a "unidade" representa o conchavo de bastidores no qual todos combinam concordar com o novo governo em gênero, número e grau, sem esse negócio de analisar coisa alguma, de fiscalizar ninguém. Até porque depois da "unidade" vem a "parceria", outro termo caro a todos os envolvidos na composição. A "parceria" é a divisão do butim político com escolha de cargos (comissionados) e empregos à disposição de cabos eleitorais, parentes e amigos de longa data.
Essa é uma democracia à brasileira. A que se tenta se perpetuar hoje apesar de todos os protestos, de todas as denúncias que são feitas. Mas essa não é a democracia real, a que surge do confronto de ideias.
                           

2 de maio de 2014

O novo "Pacote de Bondades"

A presidente(a) Dilma Roussef anunciou mais um "pacote de bondades". De roupa azul, travestida de interessada no conforto da população de seu país, fez propaganda de TV como candidata à presidência da República mais uma vez mentindo e tentando iludir. Excetuada a questão envolvendo a Petrobras, um crime de lesa-pátria cometido a céu aberto, a política do Governo, que comete demagogia em larga escala com o salário mínimo e o Bolsa Família, agride o povo deste País em dois pontos: na correção dos limites do Imposto de Renda e na correção das aposentadorias e pensões do INSS.
No caso do IR, foi concedido um "aumento" (ou "reajuste", para quem optar) de 4,5 por cento num cenário no qual a inflação real se projeta em 6,5 por cento. Desde meados da década de 1990 - e aí não pode ser esquecida a responsabilidade do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso - o brasileiro que paga IR acumula um aumento real de tributação que ultrapassa os 60 por cento. Em números de economistas, quando a defasagem começou a isenção equivalia a oito mínimos. Hoje, para que represente o que representava na época em valores reais o limite de isenção deveria ser não de um ganho de R$ 1.710,78 mensais, mas de R$ 2.761,54. Jamais chegando aos oito mínimos, o que se explica pelo fato de que esse piso vem sofrendo aumentos reais anuais em relação à inflação oficial. O Governo Federal chegou a arrecadar R$ 26,4 bilhões com o Imposto de Renda descontado na fonte. Hoje arrecada R$ 80,9 bilhões.
No caso dos rendimentos de aposentados e pensionistas, o desconto em folha já chegou a ter como teto 20 salários mínimos. Caiu para dez sem que isso fosse considerado inconstitucional porque não tocava nos ganhos de suas excelências dos poderes Legislativo e Judiciário. Esses recebem como funcionários públicos e ainda têm, como eu dizia, o direito de reajustar seus próprios vencimentos.Não é o melhor dos mundos?
Aos poucos a renda do INSS foi se reduzindo de forma dramática. Nos últimos anos adotou-se a política de valorização do mínimo, mas ao custo do achatamento dos demais ganhos. Tudo o que fica acima dele. No caso específico desse ano, mais uma vez o reajuste dos ganhos de quem recebe sobre esse piso foi taxado abaixo da inflação real. Se a política for mantida assim, um dia - sabe-se lá quando - todos ganharão o mínimo. Pronto, não haverá mais menos e mais no Brasil do INSS. Só no do Serviço Público.
É preciso dizer que, na maioria dos casos, quem vive de aposentadoria ou pensão, faz isso numa época da vida em que necessita mais e mais de dinheiro, Sobretudo e principalmente para fazer frente a despesas com saúde num País que não oferece esse benefício, embora ele seja previsto na Constituição. O Bolsa Família, salva-vidas de quem naufraga por falta de horizontes, na prática é um salário ganho por quem não trabalha à custa dos que trabalham.Foi reajustado acima da inflação num ano de eleição, em ato com destino certo.
Será possível que o Brasil jamais vai acordar?   

23 de abril de 2014

Ela não encontrou o remédio...

Eram cerca de 08h30m e acompanhei minha mãe à Igreja de Santa Rita de Cássia, na Praia do Canto, Essa da foto. Na parte de trás do prédio funciona um setor de entrega gratuita de remédios mantido por voluntárias ligadas à igreja. São amostras grátis "raptadas" de médicos e entregues mediante apresentação de receita. Uma pessoa não encontrou o remédio de que necessitava. Ficou triste e outra disse: "Vota em Lula de Novo..." Eram, em sua maioria, pessoas humildes com receituários do SUS. Não tinham como pagar por sua saúde.

Soa miseravelmente cruel escrever isso: o brasileiro não pode pagar por sua saúde e a culpa não é só de Lula. É de uma enorme gama de pessoas, na maioria políticos, que vivem de favores públicos, enriquecem à custa do Estado, distribuem dinheiro também a seus apaniguados e mantêm uma estrutura corporativa que torna os direitos constitucionais dos cidadãos meras miragens no deserto.

Quantos milhões de cargos comissionados existem no Brasil? Quantos milhões de apaniguados inflaram a estrutura pública brasileira nos últimos anos? Quantos bilhões de reais são drenados a cada ano para o ralo da roubalheira nas obras públicas capitaneadas por quadrilhas de grandes empresas que superfaturam obras, dividem licitações entre si e pagam comissões a corruptos para manter seus feudos empresariais.

A Rodosol é só um exemplo. Mas ela existe porque o contrato que a mantém foi feito a caráter para permitir o assalto aos cofres públicos, e a exploração de um serviço mantido por décadas a tarifas irreais e assaltando o bolso do cidadão. Praticamente a totalidade dos contratos públicos de obras ou gestão são feitos para beneficiar empreiteiros e permitir ações judiciais capazes de eternizar lucros, gerar riquezas imorais e assaltar o dinheiro dos impostos que deveria ser usado, dentre outras coisas, para que a senhora citada por mim pudesse encontrar o remédio de que precisa. Se ela morrer por falta dele, nada vai acontecer à Rodosol, à Petrobrás ou a qualquer consócio de empresas que vivem à custa do dinheiro público. Do meu, do seu, do nosso dinheiro.

Amanhã o serviço de entrega de remédios da Igreja Santa Rita de Cássia vai abrir de novo às 08 horas. Uns levarão o que precisam, outros não. E eles não terão, coitados, a capacidade de entender porque isso acontece. Não entenderão que Lula é só uma engrenagem do sistema.

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18 de abril de 2014

"Unidade" e "governabilidade"

Nada, mas nada mesmo oxigena mais a democracia do que o confronto de ideias. Dois ou mais candidatos a um cargo público expondo seus projetos, ideológicos ou não, seus planos de ação e, com isso, buscando obter os votos dos eleitores. Sinto asco quando leio, vejo ou ouço essas conversas de "unidade" cercando candidaturas políticas como ocorre hoje quando se projeta a disputa para o Palácio Anchieta.
Essa "unidade" quer dizer acordos, muitos dos quais escusos, conchavos de bastidores, a maioria deles envolvendo divisão de cargos. É o mesmo que o discurso da "governabilidade". O Legislativo a troca por nomeações de apaniguados, grande parte cabos eleitorais ou caciques políticos de primeiro, segundo e terceiro escalões.
Eis a raiz de grande parte da corrupção politica no Brasil. Enquanto não fizermos do confronto de ideias a essência de nosso debate eleitoral, estaremos sujeitos à promiscuidade de todas as eleições, sejam elas municipais, estaduais ou federais.

23 de fevereiro de 2014

Presos de fino trato

Conta-se que pela década de 1960, época da ditadura militar, um comandante da PM pediu ao governador Christiano Dias Lopes Filho para voltar ao Rio de Janeiro pois sua família não havia se adaptado bem ao Espírito Santo. Foi exonerado a pedido. Aqui é preciso explicar alguns pontos: naquela época eram os comandos regionais do Exército que nomeavam os comandantes das polícias militares. Eram todos coronéis daquela Arma. E essas nomeações não passavam pelos governadores.
Não estou conjeturando ou coisa parecida. Em conversa informal, depois de entrevista para o livro biográfico do professor Paulo Pimenta, o ex-governador Christiano Dias Lopes Filho confirmou-me isso. Foi a última entrevista que deu antes de morrer. E aparentava ótima saúde.
Os jornais foram noticiar o fato. Como os demais, O Diário era feito a linotipo. As letras eram composta a chumbo quente, linha após linha, e agrupadas formando as páginas que, então, terminavam gerando chapas de impressão. Deu para entender? Deve ter dado. Tinha-se que tomar cuidado, ao pegar linha após linha, com aquele chumbo quente, para nenhuma letra cair e deixar palavra incompleta. Não se sabe como isso aconteceu numa manchete de "oito colunas", mas o texto "Comandante da PM é exonerado a Pedido", de O Diário, depois de perder o primeiro "d" de "pedido", foi publicado no dia seguinte em letras garrafais: "Comandante da PM é exonerado a peido". A correria foi grande. O furibundo coronel do Exército queria "enquadrar" o responsável. Afinal, tratava-se de um militar fiel seguidor de um regime que prendia ilegalmente, torturava e matava cidadãos que discordavam do regime. Tem cabimento ser tratado assim? Não tem!
Um vice-diretor de presídio atual foi transferido depois de exigir que o preso da Justiça Delúbio Soares cortasse sua barba. Ele teria de ficar igual aos demais detentos, embora sendo "diferente". Os diretores do sistema prisional de Brasília se apressaram em dizer que o vice-diretor não foi retaliado coisa nenhuma. Sua transferência se deu "a pedido" para ganhar mais. Notem bem: a transferência se deu "a pedido", por vontade do transferido. Não se tratou de uma transferência "a peido".
Na penitenciária da Papuda, em Brasília, políticos, autoridades estaduais e federais, dirigentes do PT e outros transitam livremente, violando os direitos dos demais presos. Delúbio, por exemplo, instituiu a feijoada dos sábados na ala onde vive como "vítima do sistema". Proclama inocência da mesma forma que José Dirceu, visto aqui na foto, "revoltado" por ter que conviver com presos comuns. Já houve ordens judiciais para que os privilégios deixassem de existir. Ordens desconsideradas. Visitantes ilustres entram de branco, a cor da roupa dos detentos, ou então com coletes da Polícia Civil. Afinal, vamos repetir são altas autoridades da República. Julgam-se - e devem estar - acima da Justiça, das sentenças - mesmo transitadas em julgado. São os reis da vaquinha!
Já vivemos a época da ditadura, quando oficiais de fino trato prendiam os que hoje representam nossos poderes, acusando-os de subversão. Como muitos dos ex-presos atuais ingressaram na política para corromper e serem corrompidos, não podem voltar a ser presos como antes. Agora, o são, pois as sentenças transitaram em julgado. Mas tornaram-se presos de fino trato.     

19 de fevereiro de 2014

Um preço alto

Um cidadão com quem eu conversava sobre a atual situação do Brasil me disse um dia desses: "Se aquele cinegrafista que morreu não fosse jornalista talvez nada disso tivesse acontecido depois. Nada de protestos generalizados, de mudanças de leis, de palavras de ministros, nada".
Talvez não tivesse mesmo. Não na mesma proporção.
Mas é triste constatar isso. E a que ponto vai a irresponsabilidade de grupos não se sabe ainda financiados exatamente por quem, que destroem patrimônio público e agridem pessoas indiscriminadamente. Para tanto, "assessorados" por uma Polícia incompetente e incapaz de conter multidões e separar quem protesta de quem destrói.
Geralmente as reações chegam quando os atos fogem do controle, do racional. Aqui no Espírito Santo havia um deputado que, em tom de blague, dizia que a imprensa era, não a quarta mas a primeira força no Estado brasileiro. O Primeiro Poder. Um dia ele foi à tribuna da Assembleia Legislativa e bateu no peito gritando: "Eu tenho a força". Era sua forma de dizer que ninguém seria capaz de prendê-lo. Foi preso pouco tempo depois, levado para a cadeia e não tem mais mandato até hoje. Eram públicos e notórios seus vínculos com o jogo do bicho e outras atividades ilegais.
Como no Brasil a desordem moral vem de cima para baixo, começando pela Praça dos Três Poderes, as mudanças chegarem à base da pirâmide demora. Mas chegam. Natan Donadon está na cadeia. Ex-ministros também. Um ex-governador passou por lá. E a tendência é que a cada dia, a cada mês, mais e mais a consciência crítica desse País cresça, exija, modifique. Sem matar, sem destruir, usando apenas de sua força moral. Os black blocs vão tentar atrapalhar, muitos lutarão contra, detentores de poder farão de tudo para preservar seus privilégios mas o que está errado mudará. O festival de sandices atual e que proporcionou os desmandos da Copa do Mundo tem os dias contados.
Pena que Santiago Ilídio Andrade tivesse que morrer. Foi um preço alto.

11 de fevereiro de 2014

Santiago, o símbolo!

Santiago Andrade não era um jornalista famoso, embora tenha ganho dois prêmios por reportagens cinematográficas feitas para a TV Bandeirantes. Mas ele se tornou um símbolo com seu sangue derramado estupidamente na rua, atingido que foi por um rojão disparado por um idiota.
E Santiago é símbolo por um motivo simples: violências contra profissionais de Comunicação são cometidas no Brasil, em tempos recentes, desde a ditadura Vargas, passando pela que vigorou no Brasil de 1964 a 1985. Parece que ficaram os hábitos e costumes daqueles tempos negros e eles de vez em quando desabam sobre alguns jornalistas que cobrem o dia-a-dia do Brasil.
A vítima de agora foi Santiago.
E é difícil dissociar o fato recente de outros mais antigos. Na época de Vargas, um torturador do DIP era conhecido por sua violência. Como se chamava Benedito, todo preso que era colocado no camburão para ser levado para a delegacia se perguntava: "Será o Benedito?". Queria saber por quem seria torturado ao chegar, geralmente para confessar o que não sabia.
Sérgio Paranhos Fleury foi o rei da maldade durante os tempos duros do regime militar recente. Mas ele tinha incontáveis seguidores, auxiliares, sei lá como se chama isso. Um torturador certo dia parou de torturar uma prisioneira para limpar o suor da testa e quando ela perguntou a ele se tinha coração, respondeu: "Tenho. Mas quando venho trabalhar deixo o coração em casa".
Esse tempo já passou. Já passou?
Nos últimos anos um dos passatempos dos membros do atual Governo - junte-se Lula e Dilma nesse saco - é culpar a imprensa por tudo. Pelo "mensalão", por exemplo. E esses ataques, essas acusações, servem para lançar parte da sociedade contra o trabalho dos jornalistas. Inclusive membros das corporações policiais. Violências têm acontecido. E vão acontecer outras se todos não gritarem contra a morte de Santiago com a mesma força usada nas épocas de ditaduras.
Lamento a morte de um companheiro de profissão. Lamento por uma jovem jornalista que não terá um pai para vibrar com seu trabalho, crescimento profissional e sucesso. Lamento pelo fato de aquele profissional que não chegou a fazer 50 anos ter se tornado símbolo. Mas é preciso que não haja outros mais. Se todos ficarem calados, se a gente não gritar, vamos continuar morrendo.
           

30 de janeiro de 2014

Os flanelinhas, sempre eles...

Um flanelinha "ajuda" um carro a estacionar em Vitória. Custa R$ 15,00
Por omissão, demagogia, oportunismo, covardia ou mesmo por corrupção, mas nunca por desconhecimento dos fatos, os políticos brasileiros criam monstros. Até que eles se tornem tão grandes que combater o mal vira coisa que só pode ser feita com o uso de força repressiva. Isso se vê, por exemplo, no caso dos flanelinhas que assolam grande parte das cidades brasileiras, como praticamente toda a região metropolitana da Grande Vitória, no Espírito Santo.
O político toma café da manhã, almoça, lancha à tarde, janta e vai dormir pensando em votos. Se o ganho desses votos coincidir com atos que beneficiem o interesse público, ótimo. Se não coincidir, ótimo também e o interesse público que se dane. Que se lasque!
O gestor público brasileiro se acostumou com um sofisma cultivado como se fosse verdade de grande valor: o flanelinha é um problema social. Esse termo, problema social, foi popularizado já faz algumas décadas no palavrório do PT, pois lida diretamente com seu eleitorado. Mas hoje outros partidos também o usam porque, afinal de contas, todos são "progressistas".
Ontem, dia 29, um jornal de Vitória, A Gazeta, publicou matéria denunciando que bandos de flanelinhas lotearam regiões do Centro de Vitória e bairros nobres. Nessas regiões, estacionar no espaço público custa R$ 15,00. O motorista sabe o que acontece com seu carro se ele não pagar. Acrescente-se a isso o fato de que pode ser agredido fisicamente.
Faz alguns anos um vereador tentou aprovar uma lei considerando ilegal essa atividade mas o prefeito de então, do PT, a vetou. Na prática, é legal ser flanelinha, lotear as ruas, colocar cones para guardar lugar destinado a clientes constantes e extorquir o cidadão. Se alguém se sentir ameaçado ou coisa parecida, "basta" chamar a Polícia. Torcer para que ela venha, tome providências e depois nunca mais voltar àquele lugar pois vai haver retaliação. E a Polícia pode não estar por perto.
Agora, fale-se em colocar parquímetros em 2.999 vagas para o cidadão pagar para estacionar o carro. Em dinheiro, moedas ou com cartão pré-pago. Isso já foi feito no passado, quando a pessoa comprava uma cartela numa banca de jornais/revistas e a colocava dentro do carro, à vista. Custava R$ 2,00. Mas os flanelinhas ficavam nas proximidades das regiões de estacionamentos, eles próprios forneciam as cartelas a R$ 4,00 e depois as pegavam de volta para usar de novo. Não havia fiscalização, nada. Claro, o cidadão podia chamar a Polícia. Caso ela viesse, OK. Bastava nunca mais voltar lá. É que a Polícia poderia não estar por perto.
O flanelinha não é um problema social. É policial. Se um dia a Polícia de uma cidade como Vitória recolher todos esses "profissionais" e os levar para uma triagem a metade fica na delegacia mesmo e de lá vai para um presídio. São criminosos e traficantes de drogas. O que também é crime.
Porém, quando estão fora das prisões eles podem votar. E as eleições estão para chegar.      

24 de janeiro de 2014

Uma gente diferenciada...

Na escada rolante do shopping, a "gente diferenciada" faz o seu "rolezinho"
Peca, e peca por burrice, quem consegue ver algum tipo de tonalidade ideológica no movimento dos "rolezinhos" que assunta donos e comerciantes de shopping centers. Assim como pecava quem fazia o mesmo com os movimentos contra aumentos de passagens urbanas e que acabaram com pancadarias provocadas por bandos de encapuzados black blocs.
Essas pessoas já foram chamadas de fascistas, de comunistas, de tudo. Mas não têm nem comando nem orientação. Apenas nutrem uma vaga noção de que o Estado está falido e que se elas mesmas não fizerem nada, nadinha vai acontecer em favor delas. Estão certas, e isso no caso daqueles que vão às ruas reivindicar, fazer passeatas, desde que sem violência.
Os "rolezinhos" são diferentes. E o que marca essa diferença é a "solução" que o Governo ensaia encontrar: criar "áreas de lazer" nas periferias, onde essas pessoas possam se encontrar. Ou seja, o Estado sabe o que acontece: essa garotada, em sua maioria, é formada por excluídos e que, por falta de espaço, resolveram invadir templos cercados e erigidos para o consumo das classes alta e média e onde a presença deles não é considerada adequada. Muito pelo contrário.
Lembro-me como se fosse hoje de um movimento de moradores de áreas nobres de São Paulo contra a passagem do metrô por lá. Uma burguesinha entrevistada por certa emissora de televisão disse que não queria o metrô na região porque ele iria levar para a porta de sua casa "uma gente diferenciada". Esse termo, diferenciada, marca bem o que ela pensa. Eles não são iguais a nós; são diferentes. E como são diferentes, não possuem carros de luxo, mansões e filhos nos melhores colégios, não podem descer do metrô em qualquer lugar. Nem ir a shoppings.
Nós temos um país de guetos. E eles só fazem aumentar, mesmo em tempo de "Governo Popular", como os membros do PT gostam de chamar suas administrações. Ou como o ex-presidente Lula, hoje dono de uma fortuna cujo montante só que pode quantificar, classifica os "companheiros" operários. Aqueles que, como ele, nasceram na miséria. Mas continuam na merda, ao contrário dele.
Os "rolezinhos" vão acabar. Com guetos ou sem guetos de periferia. Afinal, não se trata de um movimento que se sustente por si só. Mas vão deixar sua marca. Mais uma delas: a separação de uma sociedade desigual, onde os bem aventurados não querem ver os alijados. Preferem não ver pois, como não vão fazer nada, assim sequer sentem o cheiro.    

10 de janeiro de 2014

O Brasil inacreditável

Roseana Sarney, que hoje está sendo xingada de todos os nomes pelo Brasil que pensa, é um exemplo pronto e acabado da velha política brasileira. Essa política que sobrevive, herdada por ela do pai, José de Ribamar Sarney e sustentada pelo Brasil que não pensa.
Roseana olha para a frente com cara de quem não entende o "outro" mundo
Para ela não existe problema algum em encomendar lagosta, caviar, camarão rosa, file mignon e outros manjares mais para abastecer o Palácio dos Leões e a vivenda de descanso da família enquanto um massacre acontece na maior penitenciária de seu Estado, o Maranhão. Não há problema algum se a conta da comilança é maior do que a verba destinada aos presídios maranhenses e ao esforço para fazer com que eles sejam mais humanos. O mundo de Roseana é um. O da realidade do Maranhão, outro. Por isso ela disse candidamente que o problema da criminalidade de seu Estado acontece porque ele está enriquecendo. Não importa se enriquece poucos. O mundo de Roseana não é o mundo real e, no mundo dela, preso tem mesmo é que morrer na cadeia.
Um filmete que corre na internet mostra um dono de seita evangélica nordestina preso por ter engravidado uma menina de 14 e outra de 15 anos, ambas frequentadoras de seus cultos juntamente com os responsáveis. Na delegacia ele, o "pastor", disse que não é o pai das crianças. Elas foram geradas por ordem divina e são filhas do Espírito Santo. O pai de uma das meninas, ancorado pela filha que também crê nisso, assegura que é verdade: ele será o "sócio" do Espírito Santo.
É esse o Brasil que elege Roseana. Que mantém a velha política brasileira no poder num sistema de troca-troca onde o Executivo e o Legislativo se "ajudam" mutuamente para que seus líderes renovem mandatos até a hora da morte à custa do dinheiro e da ignorância de parte da população. É por isso que ministérios, secretarias e outros cargos são objeto de barganha. Esse sistema promíscuo mantém a velha política. Peca quem imagina que a República Velha está morta e sepultada. Alguns de seus fantasmas sobrevivem aqui e ali e se alimentam do Brasil sem informação, do Brasil refém do Bolsa Família, do Brasil que Roseana Sarney não conhece e nem quer conhecer.
Luís XVI e Maria Antonieta também não conheciam a realidade da França do final do Século XVIII. No caso deles, conhecer foi mais traumático. No Brasil de hoje, com um sistema educacional falido e um SUS que ajuda a morrer, o sistema de promiscuidade geral se sustenta graças às carências do País e não ao seu progresso. Afinal, praticamente todos os miseráveis deserdados pelo Estado acreditam que isso acontece por vontade divina. E vontade divina não se contesta.
Então um homem do sertão nordestino vai esperar que a filha dê à luz um filho ou filha do Espírito Santo e Roseana Sarney continuará na Ilha da Fantasia, vendo o BBB 14, comendo lagosta e petiscos de caviar. É o mundo deles. Dos extremos desse Brasil inacreditável.  

4 de janeiro de 2014

O caldo de cultura

Bombeamento em Guaranhuns. Situação de emergência mesmo com um projeto pronto há dez anos
Os jornais que circulam hoje (04/01) em Vitória trazem uma notícia que tem referência direta com os danos provocados no Estado pelas chuvas de final de ano: a Prefeitura de Vila Velha, teoricamente o município mais atingido por seu porte e população, está fazendo uma superestação de bombeamento de água para acabar com os alagamentos no Bairro Guaranhuns. Beneficiará outros pontos de alagamento sério como Jockey, Portal das Garças e outros vizinhos.
Vamos aos fatos: o projeto de construção de três estações de bombeamento de água em Vila Velha, que impediriam esses tormentos, foi concluído em 2004. Tem dez anos. Repito: DEZ ANOS. De lá para cá foi construído apenas o canal de Guaranhuns, que não serve para nada sem a estação de bombeamento, que funcionaria automaticamente jogando água para o mar via o Rio Jucu sempre que uma grande chuva atingisse a região. Das outras duas nem se ouviu falar até hoje.
Por que não há esse tipo de alagamento em Vitória? Porque aqui existem três estações de bombeamento que funcionam sempre que uma grande chuva nos atinge. A cidade alaga, sim, pois sistema algum suporta dilúvios. Mas em 12 horas as ruas e avenidas estão com a água escoada. Vila Velha necessita de equipamentos idênticos, sobretudo nas regiões mais atingidas. Esses bairros são muito baixos e alguns de seus setores situam-se abaixo da linha da preamar. Por isso não há escoamento por gravidade. Ocorre o contrário, também por efeito da gravidade.
Todos os engenheiros que trabalham direta ou indiretamente para a PMVV há anos sabem disso. Eu sei porque eles me contaram. E os prefeitos que passaram por lá sabem também. Cada sistema desses custa, completo, cerca de R$ 80 milhões. Muito dinheiro, não é? Mas está barato perto dos danos constantes às áreas públicas causados pelas enchentes e, sobretudo, às milhares de pessoas que residem na região, a imensa maioria delas pobres. Carentes de quase tudo.
Da mesma forma o Espírito Santo não conviveria com tragédias se fossem impedidas ocupações de encostas. Isso ocorre no Estado quase todo por omissão do poder público. Para ganhar eleições, governantes fazem que não estão vendo a ocupação dos morros - terras públicas - em regiões às vezes com inclinação excessiva, a destruição da cobertura vegetal e a exposição das terras nuas. Basta uma chuva forte, demorada e o solo encharca. Em seguida ele cede ao peso acima, desliza morro abaixo, destrói residências e mata as pessoas. Também por efeito da gravidade.
Eis o caldo de cultura das tragédias.       

1 de janeiro de 2014

O valão sem bombeamento

Vamos iniciar o ano de 2014 com uma informação que assusta: tenho um amigo engenheiro e que trabalha fiscalizando obras a cargo da Prefeitura de Vila Velha. Ele acompanhou toda a construção de um valão (ou canal de escoamento de água, como preferirem) com dois quilômetros de comprimento e R$ 10 milhões de custo total e que teria a finalidade de impedir os constantes alagamentos das regiões baixas do município.

Bairro alagado de Vila Velha. O valão não tinha estação de bombeamento
A empresa pela qual esse engenheiro fiscaliza era responsável pelo acompanhamento da obra civil. Terminada ela, caberia à PMVV comprar as bombas e demais equipamentos para que o escoamento das águas da chuva efetivamente ocorresse pois na estação de bombeamento pois, caso contrário, em dias e horários de chuvas fortes combinadas por preamar, Guaranhus, Gaivotas, Pontal das Garças, Jockey clube e outras regiões seriam alagadas como sempre ocorre.
A prefeitura não comprou os equipamentos.
Há naqueles locais um grande valão de concreto armado coberto pela água, chamado de Canal Guaranhus, e que começará a se deteriorar se não for terminado. Somente com os equipamentos de sucção será possível a ele retirar as águas das chuvas daquelas regiões, lançando-as no mar. Meu amigo que contou a história e é uma pessoa séria chama a isso de "descaso com o dinheiro público".
Seria apenas descaso ou mais alguma coisa? Afinal, se há bombas funcionando hoje, elas só foram instaladas depois das inundações e da tragédia completa.
Nós sabemos que o brasileiro precisa ser educado politicamente. Desde a  mais tenra idade, aprender que quando destrói um bem público, está destruindo o que é seu e meu. Desde a mais tenra idade, deve aprender que ao jogar lixo nos rios e riachos, nos valões e das bocas-de-lobo, estará contribuindo para alagamentos. Da mesma forma, quando constrói em encostas muito inclinadas, sobretudo se essas encostas tiverem a cobertura vegetal retirada, estará criando o caldo de cultura para tragédias futuras.
Mas como é possível conscientizar a população que convive com exemplos como esse? Como educar o cidadão se ele desde criança aprende como usar a "Lei de Gerson"? Se o meu amigo está certo, grande parte do que ainda ocorre em Vila Velha em termos de alagamento teria sido evitado se a obra pública tivesse sido realizada do princípio ao fim, com a compra e instalação dos equipamentos de bombeamento de água. Mas não aconteceu isso. Ou por descaso ou porque o prefeito estava curtindo Nova Iorque com a família enquanto o dilúvio caia. Afinal, ninguém é de ferro...     

25 de dezembro de 2013

Os culpados pelas tragédias

Basta olhar para a foto que ilustra esse texto e que tomei emprestada ao Século Diário para ver que encosta alguma como essa resiste oito, dez dias de chuvas intensas sem ceder e deslizar até o chão. É uma inclinação exagerada, sem cobertura vegetal adequada, sem obras de contenção e em dias seguidos de chuvas o chão vai ficando encharcado e se tornando instável até ceder. Então vira sepultura para os moradores do local, sobretudo crianças sem chances de defesa. Essa é uma foto de Colatina, de uma encosta onde cinco corpos, três deles de crianças, ainda não foram localizados.
Ontem a presidente da República esteve no Estado. Fez um voo de meia hora em helicóptero, passou o restante do tempo consultando o relógio, disse meia dúzia de coisas óbvias sem demonstrar um mínimo de emoção e depois foi embora não sem antes dizer que já deu muito dinheiro ao Espírito Santo (p... que p....!), que vai ceder pontes desmontáveis do Exército e que nunca antes havia visto uma tragédia como a nossa. Ao ser questionada sobre o fato de que essa é a primeira vez que visita o Espírito Santo em três anos de governo, respondeu que, antes dela, nenhum presidente veio até aqui em véspera de Natal. Durma-se com um barulho desses...
Já disse e repito: o poder público é o único responsável por isso tudo. Não se pode permitir construções em encostas como essa de Colatina. E elas existem aos milhares. Obras públicas devem ser feitas sempre com grande qualidade, tanto para durarem quanto para justificarem os investimentos. E o assoreamento dos rios deve ser combatido como uma política de Estado. Fazendo apenas isso o poder público impedirá grande parte das tragédias que acontecem.
Mas ele não age assim. Faz vista grossa  para as invasões das encostas pensando nas próximas eleições. Permite o assoreamento dos rios porque combater a prática custa, na maioria das vezes, tocar em interesses de poderosos. E exigir qualidade nas obras públicas vai contrariar grandes empreiteiras que assim ficarão sem como ganhar dinheiro em operações tapa-buraco, quando grande parte do pagamento vai para fundos de campanha ou conta bancária de políticos.
Nossas tragédias se repetem por esses motivos. Todos sabemos disso e ainda não se fez nada efetivo para construir um Brasil que fique a salvo de tragédias assim. Elas acontecerão sempre que a intensidade das chuvas ultrapassar limites aceitáveis e vemos isso hoje na Inglaterra e na França. Mas lá os danos são muito menores em comparação com os nossos. Lá há um compromisso entre aqueles que governam e aqueles que são governados, uns protegendo os outros.
Quero desejar um feliz ano novo a todos. E que em 2014 nós voltemos às ruas para exigir ética, honestidades e responsabilidade àqueles que nos governam. EXIGIR mesmo, com todas as letras maiúsculas. Que os baderneiros fiquem em casa sem nos atrapalhar, por favor. Vamos voltar às ruas sim, minha gente. E de preferência durante a Copa do Mundo.