8 de outubro de 2026

Crime de Responsabildade, a vingança

Desde o final da noite de domingo último o candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se apoderou das narrativas eleitorais como se já fosse o novo presidente da República. Mas seu receituário de projetos seria apenas estranho se partisse de um político de viés democrático. Em se tratando do filho de um golpista amante da ditadura militar 1964/85, fã do torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra e que tentou concluir um golpe de Estado no Brasil em janeiro de 2023 os discursos aparentemente inocentes têm o odor fétido dos esgotos de onde saiu a extrema direita política brasileira nos últimos tempos.

"Reformar a Constituição"? "Redemocratizar o Brasil"? De onde esse indivíduo tirou esses termos sem sentido no Brasil de hoje? Nosso país é uma democracia que provavelmente serve de modelo a muitas outras pelo mundo afora. Menos para quem quer ter o Judiciário no bolso da calça. Esse Flávio não tem noção do que fala ou seu linguajar vem diretamente do condomínio onde mora seu pai, o condenado por atos antidemocráticos? Vamos conferir!

Já se falou que a conquista de maioria absoluta no Senado serviria para que diversos próceres da República, notadamente membros do Supremo Tribunal Federal possam vir a sofrer impeachment acusados de "crime de responsabilidade". O que vem a ser isso? Trata-se de uma "infração político-administrativa que pode vir a ser cometida por por agentes políticos quando esses atentam contra a Constituição e o funcionamento regular das instituições democráticas". Na prática tem que haver um delito comprovado e praticado pelo alvo para que ele seja processado e afastado do cargo. Só que quando se trata de vingança política, de vindita, qualquer bom escritório de advocacia monta um caso e o envia ao Senado. A "Comissão de Constituição e Justiça" montada a caráter para representar não o Direito, mas o Governo, faz o resto. Com incrível facilidade, como sempre.

Os termos jurídicos que classificam o "crime de responsabilidade" são vagos, genéricos e qualquer grupo de espertalhões pode usar expedientes os mais variados para fazer pedidos de teor de impeachment. Dentro e fora do Congresso. Durante os últimos anos uma centena ou mais de solicitações do gênero dormitaram nas gavetas dos presidentes da Câmara e do Senado, que não as levaram adiante. Agora, ao que parece, a estrema direita encastelada no PL quer  tornar esse sonho realidade. Fazer da farinha de trigo um pão doce recheado. Usar o "crime de responsabilidade" como uma vingança contra os que ocuparam o poder de Estado no último mandato em lugar de Jair Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro, o filho mais velho e seguidor do pai, tenta usar máscara parecida com as dos atores de uma série vitoriosa de TV (FOTO) para se esconder ou camuflar um projeto antes de chegar ao poder, se chegar, para então estar em condições de impor as vontades do grupo que representa. Já está montando até seu ministério (SIC!). Mas não consegue passar honestidade no que faz. O enredo é conhecido demais, o elenco, muito fraco e um dark horse em Brasília não sairia inteiro do papel. Principamente nos dias de hoje, quando sabidamente o papai Jair mais uma vez não poderá contar com a ajuda das Forças Armadas, pois seu grupo de apoio fascista a cada dia mingua mais. Que pena para ele!

Hoje é quinta-feira, véspera do reinício da propaganda eleitoral gratuita e do dia em que os novos projetos vão ser mostrados pelo presidente candidato à reeleição.Talvez ele mostre nesse horário eleitoral em que falcatruas seu adversário se envolveu nos últimos tempos, pois boa parte delas não foi denunciada pela grande imprensa, chamada por ela mesma de "imprensa profissional". E são delitos - podem ser chamados assim - comprovados. Será que o brasileiro de hoje conviverá facilmente com crimes que envolvem conchavos com milicianos, uso de uma imensidão de dinheiro fácil e apoios parlamentares que passam de um lado para o outro ao sabor dos ventos de campanha. Isso está longe do ideal.

Hoje, nessas vésperas, o TSE julga se os votos dados ao candidato Garotinho no Rio de Janeiro são nulos ou não. E se Deltan Dallagnol, no Paraná, pode ser senador mesmo estando inelegível e envolvido numa imensa série de escândalos que envolvem também o governador eleito pelos paranaenses Sérgio Moro. Os julgamentos atuais do TSE e do STF, nesses tampos bicudos me remetem a um aforismo apócrifo que diz há séculos: "aos amigos os favores; aos inimigos os rigores da lei". Isso já foi atribuído a Nicolau Maquiavel e a Getúlio Vargas. Ambos são inocentes no caso citado...

Talvez não haja inocentes na política brasileira daqui para a frente. Vamos torcer ao mesmo por um desfecho sem que tribunais superiores sejam provocados. E sem que o candidato da oposição fale em jogar dentro das "quatro linhas". Isso é sinônimo de golpe, hoje e sempre!

6 de outubro de 2026

Luto? Não, luta!

 

Vamos cometer um erro se tentarmos inverter o resultado da eleição de domingo - e isso vai acontecer, creiam todos! - tentando infantilizar ou imbecilizar o eleitor brasileiro. Ele vai se sentir agredido! Uma vez, falando sobre a onda fascista na Alemanha, William Reich disse: "As massas não foram enganadas, elas desejam o fascismo". Em abril de 1945 se viram diante do grande erro praticado, mas então já era tarde. Uma imensa maioria dos brasileiros que hoje apostam na extrema direita não tem a exata noção do que está fazendo e houve o canto das sereias. Mas a melhor forma de acordá-los é com a razão, embora eu acredite que nada pode levar a isso quem reza diante de pneu, por exemplo.

Uma vez mostrei a imagem de um punho cerrado e erguido para uma pessoa cética. Esse aí da foto e de uma pessoa negra. Ela me perguntou porque eu gostava desses símbolos "do comunismo". Expliquei que o simbolismo remonta à antiga Assíria como sinal de desafio diante da violência. Atravessou os tempos significando resistência, força, solidariedade e unidade. Hoje é amplamente usado contra racismo, sexismo e opressão, tendo sido muito utilizado, claro, por movimentos de esquerda política. Só para ilustrar, a civilização Assíria existiu por cerca de 19 séculos até ser extinta por colapso por volta do século VII a.C.

Hoje os que desejam a vitória do candidato Lula nessa eleição não estão de luto. Se estivessem já teriam perdido. Eles estão em estado de luta, isso sim. E cabe ao movimento antifascista mostrar aos demais brasileiros que eles devem abandonar a bandeira do atraso que só na II Grande Guerra levou à morte 60 milhões de pessoas e então abraçar a aposta no futuro. Cerca de 33 milhões de brasileiros não votaram domingo. Eles precisam estar presentes às cabines de votação no II turno. Os demais, também. E cabe sobretudo à campanha de reeleição mostrar a esses brasileiros e aos demais tudo o que será perdido com a volta da extrema direita ao poder. A começar pelos programas sociais. Todos eles.

Sempre pergunto às pessoas se elas usam o Farmácia Popular. Eu uso! O Bolsa Família. Não uso porque seria uma desonestidade! O Minha Casa, Minha Vida. Já moro em casa própria! E mais uma infinidade de outros benefícios como o Desenrola, por exemplo. Não estou endividado! Tudo isso vai ser perdido ou reduzido a quase nada. As Universidades Federais, pobres delas. Os Institutos Federais também. As verbas da Educação serão retiradas do MEC para o ensino público ser sucateado e não haver a obrigação legal de o Estado investir no setor. Se você quiser estudar, vire-se nas escolas particulares, as privadas e caras. Durante o governo anterior foi amplamente dito que universidade é para os ricos!

Com todos os seus defeitos, Lula é um homem que nasceu na pobreza e veio para a cidade grande de pau de arara. Ele trabalhou duro como torneiro mecânico, perdeu um dedo em acidente de trabalho e vive com foco no social por destino. Era um líder sindical. Seu adversário jamais deu um dia de trabalho duro. Viveu de expedientes, golpes, rachadinhas e apoio a criminosos como assasinos de aluguel e milicianos. Na extensa ficha corrida de sua familícia constam dezenas de compras de imóveis em dinheiro vivo. Ultimamente também desonestidades envolvendo filmes, Banco Master e farras com uísque e prostitutas.

Foram as redes sociais que impulsionaram Flávio e seus seguidores. Somente um deles, Nikolas Ferreira, teve quase 3,2 milhões de votos impulsionados por carradas de mentiras "vendidas" em redes sociais. Conseguiu ser feito seguidor, ídolo, por uma imensa legião de fãs que acreditam nele. Recentemente - e isso está gravado - esse sujeito disse que as pessoas acreditam em tudo o que diz porque são burras. Por isso não são de esquerda, para não terem de estudar. Ele faz renascer em nós o pensamento monumental de nosso eterno Ziraldo: "No Brasil, homem público é o masculino de mulher pública".

Luto? Não, luta!

5 de outubro de 2026

O vulcão

 

Quem foram as pessoas que colocaram seus dedos na tecla "confirma" das urnas eletrônicas, como na foto acima, e conseguiram, como se diria no futebol, dar um "drible de corpo" em todos os institutos de pesquisa do Brasil nas eleições de ontem? Mais importante ainda: por que cerca de 33 milhões de brasileiros não foram às urnas para participar da escolha do novo presidente, senadores, deputados federais e estaduais, além de governadores deste país? Pior: a soma das abstenções com votos nulos e brancos chega a 24,63 por cento do eleitorado no 1° turno. Talvez a resposta a essas duas perguntas seja mais importante do que avaliarmos agora como se deu a vitória da extrema direita nas eleições brasileiras.

Afinal, um vulcão  entrou ontem em erupção por aqui. 

É fato afirmar uma coisa: estamos diante do risco de sermos governados por um plantel miliciano-evangélico nos próximos quatro anos graças a denominações neo pentecostais que invadem a vida pública no rastro de cometa dos princípios da "Teologia do Domínio" importada dos Estados Unidos de alguns anos para cá. E de vermos crescer no Brasil a política por familiares. Magno Malta não conseguiu eleger sua filha, a inexpressiva Maguinha, mas Jair Bolsonaro tem quase toda a família hoje em cargos públicos eletivos. Carlos agora vai para Brasília juntamente com Jair Renan, o filho mais novo. O suplente de Michele é seu irmão e o da amiga do coração, Damares Alves, o próprio filho. Todos serão diplomados durante férias que elas terão ao longo dos oito anos de mandato. Que beleza!

Outra coisa que surpreende são as votações de Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato, ambos do PL de Minas Gerais e São Paulo, respectivamente, que somaram mais de três milhões de votos. Eles são a fina flor do reacionarismo político nacional. A extrema direita raiz! A estes soma-se pelo menos Eduarda Campopiano, de Praia Grande, deputada estadual mais votada em São Paulo. A moça - ela é jovem, com 23 anos - agradeceu aos colonizadores pelo fato de o Brasil existir e associou os indígenas - que ela chama de índios - ao canibalismo. Essas pessoas foram eleitas pelos brasileiros e possuem mandatos legais, lícitos.

E quem é o eleitor brasileiro? Tenho um hábito simples e que é o de perguntar a pessoas com as quais converso qual é a diferença entre deputado federal e senador em termos de suas atribuições de mandato. Quase ninguém sabe nada, nem mesmo parlamentares eleitos. E é uma coisa simples: deputados representam o povo que os elegeu enquanto senadores são representantes dos Estados aos quais estão ligados e a seus interesses regionais no plano federal. Não, atingir o Supremo Tribunal Federal não figura como principal atividade senatorial. Ele, o senador, é membro de uma casa revisora e deve avaliar e discutir, além de modificar, se for o caso, os projetos que já passaram pela Câmara Federal. A ele cabe ver se esses textos interessam a seus estados, àqueles pelos quais foram eleitos.

Mas a Constituição também delega a eles o direito de processar, de julgar autoridades como o Presidente da República, ministros de Estado e também do STF em "crimes de responsabilidade" que podem levar até a impeachment. E aqui está o projeto da vida de vários deles. Razão pela qual fizeram campanha e foram eleitos no Brasil desses tempos polarizados.

Como vai ser, então, o segundo turno das eleições deste ano? O vencedor do primeiro turno é um gangster miliciano, praticante de rachadinhas, membro de uma família que compra às dezenas imóveis vários, condecorador de criminosos e que nada faz na política. Ao menos nada fez até hoje. Seu adversário, Lula, é conhecido como o presidente que mais se volta a projetos sociais, vindo que é de uma família nordestina muito pobre e que chegou a São Paulo de Pau de Arara. Tem mutos defeitos, mas é dono da maior, da mais vasta e bonita carreira política da história de nosso país. Todos os que falaram, desde ontem até agora sobre o resultado do primeiro turno das eleições dizem que o principal defeito da campanha de Lula reside na comunicação. Se são todos, eles não podem estar errados. Então, esse é o ponto! Mas o PT, partido do candidato, também precisa se abrir mais no plano das alianças.

Assusta ver na internet postagens como a que publicamos acima e de autoria de Paulo Motoryn. Esse mesmo texto, um pouco modificado também foi levado ao ar com o desenho de um fradinho do nosso imortal Henfil. Você viveu os idos de 1964? Passou pelo que houve depois daquilo? Se não é esse seu caso, leia um pouco sobre o assunto. Estude a história recente do Brasil e saiba porque nós não podemos aceitar retroceder 72 anos na vida nacional. Seria muito doloroso, seria trágico passar por novos 21 anos de ditadura militar. A ditadura que os Bolsonaro tanto admiram a ponto de elogiarem até os torturadores nossos mais cruéis, como é o caso do miserável Carlos Alberto Brilhante Ustra. Não, a gente não merece.  

2 de outubro de 2026

Insegurança globística

Agora pela manhã é unânime em veículos do Sistema Globo um discurso preparado: a insegurança jurídica (sic!) provocada por decisões judiciais monocráticas de ontem fizeram a Rede Globo cancelar o debate que seria o filé mignon da cobertura das eleições de domingo. O palco já estava armado (foto acima), o púlpito vazio de Lula, colocado devidamente no seu lugar e até o lugarzinho de última hora, garantido para Romeu Zema e seu um por cento de preferência popular estava lá. Mas a emisorra estrelada cancelou tudo. A festa não ficou como ela queria e não havia tempo hábil para mudar cenário tão cafona.

Falar de insegurança jurídica é fácil quando as sentenças são desfavoráveis a nós e não há tempo para recorrer. E de decisões monocráticas também. O presidente Lula recorreu contra o fato de que iriam todos os adversários, representantes da direita e extrema direita política, se voltar ao púlpito vazio para perguntas capciosas. Renan Santos também recorreu para pedir seu lugar de candidato com maior percentual de votos que ao menos um dos escolhidos para ter púlpito. Finalmente, Flávio Bolsonaro desistiu porque não queria "adversários" que levantassem o podres dele no debate. Então a Globo desistiu porque àquela altura, num podcast, Lula já arregimentava 1,5 milhão de espectadores à sua fala.

Todo mundo tem o direito de não gostar, protestar, espernear e xingar. Só que para os jornalistas da Rede Globo é ao menos insensato falar que os tribunais superiores estão fragilizando a democracia do Brasil com as decisões de ontem. Há três anos e pouco menos de oito meses estivemos dentro do turbilhão de um quase golpe de Estado provocado pelo governo que antecedeu o atual. Hoje embaixada e consulados dos Estados Unidos foram fechados "por medida de segurança" em diversos pontos do Brasil. Diversas denúncias sérias contra Flávio Bolsonaro estão sendo omitidas pelo Sistema Globo e demais veículos de nossa "grande imprensa" e que envolvem até prostitutas em festas com Daniel Vorcaro. A hora deveria ser a de dosar ao máximo o teor "revolucionário" do choro incontido.

É preciso medir as consequências: quando um veículo que tem a penetração da Rede Globo, num momento como o de agora, fala em democracia frágil, deve saber o que pode estar pavimentando. Quando esse mesmo veículo diz que os tribunais superiores, ao emitirem decisões monocráticas sobre um caso urgente - não havia como fazer diferente - estão fortalecendo a possibilidade de o Brasil eleger o Senado com discurso de atingir em cheio o Judiciario, deve saber o que vai representar para o Brasil um poder senatorial formado por nomes da extrema direita tirando poder da Justiça. Assim nascem as ditaduras.

Mesmo os não formados em Direito, como é meu caso, sabem que a Justiça age quando provocada. Tem que agir. É obrigada a fazer isso. No caso de ontem, havia lacunas nas decisões acerca desse último debate que não tinham ainda sido dadas a público. E brechas através das quais bons advogados podem com facilidade produzir textos legais pedindo mudanças de última hora. Tudo isso deveria estar previsto, caso contrário a inclusão de Romeu Zema no debate não teria sido aceita sem questionamentos no início da noite do evento. O vendaval só surgiu quando Flávio Bolsonaro, aquele contra quem as maiores denúncias não foram divulgadas, fugiu de cena ao ver Renan Santos entrando na festa.

Muitas perguntas podem ser feitas mesmo depois de a insegurança globística ter implodido o evento da noite de gala. Por exemplo: por que a Rede Globo sempre tem direito ao último e mais importante debate das eleições? Por que os candidatos aceitam as regras impostas pela emisora? Será que os Estados Unidos, via Departamento de Estado, fizeram algum tipo de pressão via Lei Magnitsky para a Globo - ela tem muitos milhões aplicados por lá - abdicar de sua "imparcialidade" nessas eleições? O que será que será que ainda não foi dito?        

Cautela, Rede Gloro, isso e caldo de galinha não vão fazer mal a você.           

28 de setembro de 2026

Respeito religioso e Estado laico

 O que é laicidade de Estado? É o princípio político e jurídico que separa oficialmente o governo e as instituições religiosas. Isso não quer dizer que o Estado, nesse caso, renegue as religiões; em absoluto. Quer dizer que esse País, no caso o Brasil, não tem uma religião oficial e permite o exercício de todas elas por seus cidadãos, não privilegiando nenhum credo específico em detrimento dos demais. É esse princípio legal que garante aos brasileiros a paz religiosa que sempre imperou entre nós. E é por isso que a foto acima, de destruição de imagens católicas em  um templo, são totalmente inaceitáveis.

Há uma diferença imensa entre Estado laico como o nosso e Estado religioso ou ateu. Cito um exemplo no caso, Israel. Ele foi criado em 1948 para dar uma pátria aos judeus, pessoas que praticam a religião judaica. Mas nunca aceitou os praticantes de outros credos como cidadãos donos de direitos iguais. Os muçulmanos israelenses são pessoas de nível inferior, e isso se baseia em leis. Qualquer não judeu em Israel tem status menor. Hoje, com o governo sionista no poder, essa situação se agudiza. O Estado Judeu Sionista é genocida e se não for detido vai destruir os palestinos. Seus atuais governantes querem desconhecer a Palestina como Estado e os palestinos como povo. Isso é genocídio e está sendo visto não apenas em Gaza, mas também na Cisjordânia ocupada e fatiada ante a indiferença mundial.

É uma situação assim que queremos no Brasil? Quando o indivíduo Flávio Bolsonaro diz a seus apoiadores que sua primeira medida como presidente seria decretar que nosso País "é do Senhor Jesus", ele agride a Constituição e rompe com os princípios do Estado Laico. Ele por ventura sabe que para os judeus, sobretudo radicais, Jesus não passa de um "falso profeta"? E que apesar disso ele era judeu? Esse sujeito já viu cristão sendo hostilizado em Israel? Um conhecido meu teve o crucifixo cuspido por um pirralho de quipá em Jerusalém.

Destruir ou hostilizar uma imagem religiosa é um sacrilégio e um crime. No Brasil da extrema direita isso já foi feito diversas vezes contra confissões afrobrasileiras. Nossos noticiários mostraram ao vivo e a cores templos afro agredidos ou vandalizados. Num país que foi escravocrata durante séculos, que tornou escravos homens e mulheres trazidos à força para cá em navios negreiros, isso é inimaginável. Nosso País, é preciso lembrar, escravizou até mesmo os povos nativos chamados pelos invasores de "preguiçosos". Nessa mesma campanha política cujo primeiro turno terá votação domingo, o candidato do PL já citado aqui chegou a dizer num palanque que não queremos "índios fazendo uuuuu" pelas ruas. Isso mostra o desprezo que essa gente tem pela cultura dos outros.

Quando rapazola tive um amigo nissei e ia à casa dele às vezes. Tinha imenso respeito pelo fato de os pais do moço serem Mahayanas, adeptos do ramo do budismo mais praticado no Japão. Um dia o senhor Watanabe me pergntou qual era minha religião e eu disse que não tinha. Ele pensou um pouco e voltou a questionar: "Ateu?". À minha resposta afirmativa, ganhei um abraço e uma liçãode vida: "Fala isso, sim. Respeito tanto seu pensar quanto você o meu, Álvaro sam!". Num Estado laico onde ateus temem a rejeição, fui abraçado por uma pessoa que amava o Brasil, a liberdade que desfrutava aqui e o seu ídolo Sidarta Gautama.

Esse é o Brasil que nós construímos. Um País de respeito religioso e Estado laico. Não podemos permitir que a insensatez, a ignorância e a ignomínia tentem destruí-lo. Continuaremos sendo praticantes de todas as religiões ou de nenhuma delas, tanto faz. Continuaremos vivendo em comunhão uns com os outros. Aqueles que tentam destruir nossa paz através da negação da laicidade vão perder. Rezar para pneus, tentar manter contato com estraterrestres por celular e acampar diante de instalações militares para buscar uma forma de destruir o Estado Democrático e de Direito por meios violentos só os leva ao fracasso. Levou no passado mais recente e iria levar agora se não fosse detido como foi.    

24 de setembro de 2026

Jornalismo e crime organizado


No dia 02 de junho de 2002 o jornalista Tim Lopes foi sequestrado e morto a mando do traficante Elias Maluco na Vila Cruzeiro, Complexo do Alemão, Rio de Janeiro. Ele apurava matéria investigativa sobre o abuso de menores pelo tráfico de drogas, assunto muito importante até hoje, e uma microcâmera o denunciou. Foi torturado antes de ser executado selvagemente. A Rede Globo, empresa que o empregava, denunciou o fato e o noticiou durante muito tempo. Toda a imprensa brasileira fez isso e a internacional também.

Mas já faz 24 anos que essa morte se deu e é possível dizer que de lá para cá não surgiu outro Tim Lopes no jornalismo brasileiro. Sou capaz de afirmar que porque talvez isso não interesse tanto às empresas de Comunicação do Brasil, sobretudo aos grandes meios. Mas de lá para cá surgiram milhares de Elias Maluco no crime organizado de nosso País para substituir o de junho de 2002, porque este morreu em 22 de setembro de 2020 aos 54 anos na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, vitimado por "asfixia mecânica". E apareceram tantos outros porque isso interessa demais ao crime organizado, claro!

O jornalismo não é responsável pelo crescimento do crime no Brasil, nem direta nem indiretamente, mas as grandes empresas podem ser acusadas de terem se omitido no crescimento do número de criminosos ligados aos grandes grupos atuais pelo fato de nunca mais depois de Tim Lopes terem investido pesado na formação de grandes repórteres para a área investigativa. Nos tempos passados era imperativo ao profissional da especialidade ir além da notícia. Acrecesntar sempre algo ao fato, investigar, revelar. E para esse ramo do jornalismo a fonte, essa "entidade" muito comentada nos dias de hoje principalmente nos casos do Banco Master e suas ramificações, era vital para as maiores coberturas.

Pode-se dizer que cometo injustiça. Por exemplo, que o jornalismo de televisão investe na investigação de fatos ligados à política. Isso é real. Mas há uma diferença abissal entre o Tim Maia no campo, buscando a notícia onde ela brotava, e os profissionais de hoje, sentados em estúdios, celulares ou notebooks nas mãos telefonando para autoridades, na maioria esmagadora dos casos também estas em ambientes refrigerados. Existe hoje o "Profissão Repórtes Procura", no qual Caco Barcellos tenta lançar, digamos, revelações na Globo. Mas isso é pouco, com resultados de destaque que desconhecemos. Aqui no Espírito Santo o "Curso de Residência em Jornalismo" da Rede Gazeta serve apenas para que a empresa possa abastecer sua redação com mão de obra barata. A maioria dos profissionais tem atuação breve num dia-a-dia quase sempre subordinado à área comercial.

Matamos o jornalismo investigativo já faz mais duas décadas e o reultado é a queda da qualidade do noticiário de modo geral, tanto de jornal quanto de rádio e televisão. No Espírito Santo isso se mostra de forma até patética. Amaro Neto, um cidadão que busca a reeleição a deputado federal aparece no horário de propaganda eleitoral gratuita fazendo trejeitos de programas de baixo nível policial para conquistar votos. Só tem isso a mostrar, pois foi nesse terreno que hoje se mostra fértil nas TVs que ele apareceu.

No dia em que o presidente Lula falou na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU pelo Brasil, como ocorre todos os anos, o Jornal Nacional mostrou a fala, que para a imensa maioria das pessoas era muito importante - e era mesmo -, como matéria de segundo nível, após coberturas outras. Ora, se é uma posição política, tudo bem, mas isso deveria ser demonstrado de forma clara: "Não apoiamos esse candidato", por exemplo. Se não é ou se falta coragem para dizer isso, então a cobertura foi péssima e em momento algum tentou ir além do fato, o que na TV é ruim, pois se tratava de uma cobertura matutina.

Nos tempos de invasão do crime organizado em praticamente todos os setores da vida nacional, já que hoje eles têm representantes até mesmo no Congresso Brasileiro e um candidato a presidente da República, Flávio Bolsonaro, vinculado claramente a milícias e a diversas outras formas de cometimento de crimes, falta-nos um jornalismo local, estadual e nacional capaz, competente, ético, investigativo e desvinculado de coisa alguma que não seja a dignidade da informação. Os brasileiros a merecem.

21 de setembro de 2026

As bets e o bom combate

O crime das bets toma conta do Brasil já faz muito tempo e ninguém faz nada para combater esse mal. Foi um candidato à presidência da República, Luís Inácio Lula da Silva, do PT, quem deu um grito e disse: "Eu vou acabar com as bets no Brasil". Todos os demais estão até agora calados, passando ao largo desse problema como se ele não existisse e por um único motivo: gente poderosa, dona de muito poder mesmo, ganha rios de dinheiro com isso e com o silêncio do entorno. E essa gente incomoda!

Chama-se ludopatia a doença do jogo. Aquela que faz uma pessoa perder tudo diante de uma tela tentando ficar rica nas apostas contra as bets. Não fica mesmo. Por que Las Vegas é uma cidade miliardária e poderosa no meio de um deserto do Estado de Nevada. nos Estados Unidos? Porque ela vive de depenar, literalmente tirar todas as penas dos iludidos que chegam lá com o sonho de ficaram milionários nas máquinas caça níqueis, no black jack, na roleta e nas outras maneiras que os donos das maiores casas de apostas do mundo têm para tirar dinheiro de incautos de manhã, à tarde, à noite e de madrugada.

Aqui no Brasil as bets viraram essa miragem desértica. E, por incrível que possa parecer somente um candidato à presidência tem no enfrentamento aos jogos que viraram uma febre maléfica, um câncer social inimaginável, projeto de campanha e de governo. Por quê? Que tipo de medos ou compromissos subterrâneos impedem os demais de abraçarem esse mesmo combate que é vivido pelo cadidato do PT? Porque nós, brasileiros, não podemos combater o bom combate para livrar o País da situação que vive hoje, com milhares de pessoas dignas endividadas, perdendo patrimônios de uma vida inteira, a saúde, a família a até mesmo recorrendo ao suicídio, o que não é raro, para jogar a cada dia mais.

As TVs ganham rios de dinheiro como as bets. E querem mais. Jogadores de futebol se jogam nessa escumalha, jornalistas comentaristas também. É grande a quantidade de pessoas que perdem o pudor para encher os bolsos de dinheiro tomado a esses doentes de ludopatia que a cada dia ficam em pior situação. E isso não é brincadeira: médicos dizem que essa doença se assemelha a um vício por droga por causa da dificuldade que as pessoas têm de deixar a tentação, sobretudo depois de afundarem no pântano de dívidas contraídas.

Já vi isso. Fui ao cassino de Vinã Del Mar, no Chile, quando passei por lá. Acompanhei um amigo a um cassino clandestino de um hotel de Guarapari e, em outro caso, do já não mais existente Hotel Porto do Sol, em Jardim Camburi, Vitória. Nos dois casos foi difícil tirar os amigos de lá. Todo mundo sabia onde os cassinos estavam, que eles operavam livremente mas a Polícia não aparecia lá. Faltavam os endereços? Talvez por coincidêcia é na jogatina que a máfia ganha mais dinheiro! Quase tanto quanto Vorcaro na corrupção.

Vamos combater as bets, essa nova forma de roubar dinheiro das pessoas até mesmo via salário mínimo e bolsa família, impunemente. As grandes redes de TV já não embolsaram o suficiente? Querem mais? Há poderosos tentando intimidar o candidato do PT? É muito estranho que diante de um quadro grave como esse somente um candidato se atire à luta. E os demais se dizem valentes... Lula dá seguidas entrevistas dizendo que combaterá as bets no Brasil depois de retornar dos Estados Unidos onde nesta terça-feira vai denunciar a intromissão do goveno de extrema direita de Donald Trump nas eleições brasileiras, no país que ele pretende ver como um "quintal" que quer conquistar a mais para seu império já decadente.

É preciso mais gente para combater o bom combate.  

17 de setembro de 2026

Supremo em Chamas

 
Em 08 de janeiro de 2023 a sala de julgamentos do Supremo Tribunal Federal foi quase totalmente destruída pela horda de vândalos que invadiram a Praça dos Três Poderes, em Brasília. A foto acima mostra como foi feita a depredação durante aqueles atos. Dia 15 último, terça-feira, a reunião realizada lá para a discussão dos impasses surgidos depois de denúncias de proximidade e diálogos espúrios entre ministros e o banqueiro Daniel Vorcaro, hoje preso, provocou mais estragos que todos os malfeitores juntos causaram ao STF.

Mas uma coisa precisa ser dita porque está sendo evitada por conveniência, omisssão ou crença equivocada na esmagadora maioria da considerações acerca desse malfadado fato: toda a crise que vivemos hoje, às vésperas das eleições mais importantes da história dessa República, foi provocada propositadamente pelo ministro André Mendonça para que o caos invadisse o pleito de 04 de outubro próximo. Ela é um movimento político da extrema direita brasileira e armada, como vingança contra o ministro Alexandre de Moraes, aquele que condenou Jair Bolsonaro à prisão. Só foi possível por este abriu seu flanco ao ataque.

Em 62a.C. um centurião romano de nome Clódio invadiu o salão de banho das mulheres na casa de Júlio César e onde a esposa deste, Pompéia, era banhada para a festa em honra à deusa Bona Dea. Ele estava disfarçado de mulher, mas foi flagrado. O imperador comunicou que iria se divorciar da esposa. Quando esta alegou que havia sido a vítima e era honesta, César respondeu: "À mulher de César não basta ser honesta, ela tem que parecer honesta".

Quando, depois de muitos anos de casado, Dilermando de Assis foi pego traindo sua então esposa Ana com outra mulher, no início do século passado, esta reagiu serenamente, anunciando sua separação dele em definitivo: "De todos os homens do mundo, você era o único que não tinha o direito de prevaricar. Por tudo o que eu passei!". Ela havia sido casada primeiro com o escritor Euclides da Cunha e teve filhos com ele. Apaixonou-se por Assis, bem mais jovem e isso provocou reação armada de Euclides, que foi morto pelo oponente, um militar campeão de tiros. Anos depois um dos filhos de Ana e Euclides foi tirar satisfações com Dilermando, sacou de uma arma e foi também morto por este em outro caso de legítima defesa.

Não importa quantas testemunhas Alexandre de Moraes consiga para provar que não teve ligação próxima com o banqueiro e criminoso Vorcaro. Ele era o prêmio, a cabeça que o bolsonarismo sonhava ter numa bandeja para se vingar da condenação do sentenciado Jair e seu desafeto a deu de presente aos oponentes. A Moraes não bastava ser honesto, ele tinha que parecer honesto e não parece mais. André Mendonça, Fux, Kássio e outros podem pedir desculpas por esse ou aquele escorregão, mas Alexandre, por tudo o que houve e por todos os episódios que protagonizou no STF, era o único que não tinha o direito de prevaricar.

Assim é a vida, fazer o quê?

Flávio Bolsonaro, filho de golpista e herdeiro do golpismo, amigo de milicianos, condecorador de assassinos, beneficiário de rachadinhas, lavador de dinheiro em loja de chocolates de grif, comprador de dezenas de imóveis em dinheiro vivo, inclusive sua mansão do Lago Sul, em Brasília e que faz política há anos sobretudo como deputado e senador com atuação absolutamente medíocre e sem um único projeto de realce que possa apontar, promete salvar o Brasil. De que? De quem?

Ele quer presidir o País e acusa o hoje presidente Lula de ser autor de corrupções que desgraçam nossa Nação. Quais? Não as cita e nem mostra ao menos evidências de autoria. Hoje, por exemplo, diz que seu alvo é quem sustentou e sustenta Alexandre de Moraes no STF. Esse ministro foi indicado por Michel Temer e o atual presidente tem relações de proximidade com ele, mas também com os demais ministros do STF e com o judiciário como um Poder da República. Em suas manifestações públicas, sempre respeitou a independência dos Três Poderes. Esse tipo de acusação não se sustenta como lema de campanha política honesta.

Hoje presisamos nos preocupar mais, isso sim, com as tentativas de interferência externa em nossas eleições partidas dos Estados Unidos com a ajuda de traidores da pátria como Alexandre Bolsonaro e com os danos que tais atos provocam até na economia brasileira manipulada por esse tal "mercado" incapaz de aceitar um presidente que tem como lema governar para aqueles que presisam e age para sabotar o governo em vez de ser capaz de criticar o que merece ser criticado e ajudar na correção de rotas com sugestões válidas.

César mandou Clódio para uma guarnição de fronteira onde ele terminou assassinado. Dilermando findou seus dias sem saber se Ana de Assis, a S'anninha, o havia perdoado pela traição. Nenhum dos dois cometeu "crimes" como os que se cometem hoje, por eexemplo, nas festas do Madame Satã, em São Paulo, ou nas "Festas dos Astronautas", em Nova Iorque. Lula não participa nem delas nem da composição desse Supremo em Chamas!.       

14 de setembro de 2026

Véspera da erupção

Hoje é véspera de erupção e o vulcão está em Brasília, no Supremo Tribunal Federal, o STF. No final da manhã de amanhã ministros da mais importante corte de Justiça do País vão se reunir teoricamente para decidir se prospera ou não a acusação contra o ministro Alexandre de Moraes, que está sendo acusado pelo também ministro André Mendonça de ter conversado com o hoje detento Daniel Vorcaro sobre assuntos nada republicanos. E embora os fatos se deem a todo minuto e se atropelem enquanto são comentados via satélite por praticamente todos os canais de TV e outros meios de Comunicação, é impossível dizer agora o que vai acontecer na reunião. Ela deve ser aberta a todos e com os ódios supremos à flor da pele.

Será talvez a primeira vez que a política, mais precisamente a eleição do próximo presidente da República, será o tema desse encontro. Em 1889, quando um golpe de Estado derrubou a monarquia para criar a República no Brasil, o instante foi eternizado na obra de Benedito Calixto, que é mostrada acima, na abertura desse texto. Foi uma violência que mandou para o exílio o imperador decidido a não reagir para poupar o sangue brasileiro. E ao longo dos hoje 137 anos dessa nossa hoje forma de Governo, nunca antes a Suprema Corte havia sido tão invadida pelos calores políticos de uma democracia que vive de se esquecer de suas origens. Em 1887 o golpe de Estado se deu no Rio de Janeiro. Hoje ele é teoriaente distante.

Independente do que venha a ocorrer nessa reunião, ela arranha a democracia. Creio eu - e essa é uma opinião pessoal - que um Ministro do Supremo jamais deveria ser cruzado de uma corrente política. André Mendonça é. E também que ministros de uma Suprema Corte e seus parentes diretos devem estar distantes de quaisquer empreendimentos empresariais advocatícios que possam se aproximar da atuação do STF. Mais de um ministro faz isso. Também não se deve aceitar patrocínio para viagens internacionais em eventos patrocinados por empresas que possam vir a ser parte de processos, etc. Distância é preciso manter.

Enfim, são muitos os motivos que levam o Brasil a hoje parar diante de aparelhos de TV ou outros meios de comunicação para saber o que acontece em Brasília. Alguns ficarão apenas curiosos. Outros, preocupados. Alguns, pasmos. Haverá quem torcerá para um determinado resultado e até mesmo, impossível mas acontece, que o som das lagartas dos tanques de guerra cruzando a Praça dos Três Poderes interrompa os debates e restaure a ditadura militar. Se possível e por mais incrível que pareça, "com Bolsonaro no poder".

A primeira pesquisa feita depois das últimas denúncias tornadas públicas e que dipararam o elenco de aberturas de sigilo que inflam a reunião de amanhã mostram que o candidato Flávio Bolsonaro não foi atingido, ao menos por agora, pelo mar de denúncias que o mostram como corrupto, parte de acordos inacreditáveis de desvio de dinheiro público e mais uma carrada de comprovações claras e irrefutáveis de que ele é parte de um grande esquema de corrupção que varre o Brasil a partir do Poder Legislativo, está entranhado em todas as instâncias da vida nacional e esse candidato de sobrenome Bolsonaro não pode ser um porta voz da luta contra os desmandos da vida nacional porque é parte deles.

Tomara o Supremo Tribunal Federal possa atravessar essa tormenta na forma de erupção vulcânica intocado, mesmo tendo que atingir alguns de seus membros. Tomara a urbanidade e o respeito se sobreponham aos argumentos de ódio nesta que pode ser a suprema obra indireta de intervenção bolsonarista sobre a vida nacional em sua luta para voltar ao poder e transformar o Brasil em quintal dos Estados Unidos e outras desgraças mais. O resultado dessa reunião e da marcada para a próxima terça-feira pelo presidente Edson Fachin vão ser vitais para nossa saúde democrática. Muita gente torce pela paz e pelo cosenso, mas a extrema direita quer ver o caos em forma de crise mais forte do que nunca.

De uma coisa todos podem ter certeza: na hipótese (improvável?) de o candidato da hoje oposição vencer no segundo turno os jornalistas de todo o Brasil não vão precisar pergntar a vencedores e vencidos sobre a hipótese de um golpe de Estado, pois isso não vai ser necessário. Como não vem sendo nos debates de agora. Por que será?

11 de setembro de 2026

Um roteiro para o golpe

Jornalistas, sobretudo dos grandes meios de comunicação passaram a noite de ontem para hoje debruçados sobre documentos liberados ontem à noite pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Édson Fachin, que quebrou o sigilo de toda a papelada dos processos referentes ao Caso Master, uma falcatrua nascida com o governo de Jair Bolsonaro e que foi desmascarada e combatida a partir do governo atual, de Lula. O que se viu até agora é estarrecedor. Até altos funcionários do Banco Central estão envolvidos no roubo de dinheiro público que abasteceu inúmeros setores da corrupção brasileira, inclusive, via também emendas parlamentares, as falcatruas imensas praticadas pela família Bolsonaro.

Mas é triste ver que nesse cipoal de atos espúrios há ao menos ligações telefônicas que colocam o ministro do STF Alexandre de Moraes no epicentro do furacão. De todos os altos funcionários da Justiça, talvez ele fosse um dos únicos que não tinham o direito de prevaricar. Está certo que ainda não se manifestou em defesa, mas precisa fazer isso logo, rapido e com argumentos seguros e irrefutáveis como a lâmina de um bisturi que corta o mal pela raiz. Trata-se de uma questão de honra para ele.

Depois de tudo o que está sendo mostrado e com a certeza de que vem coisa muito pior ainda pela frente, fico com a certeza de que há um roteiro para o golpe de Estado dentro do Estado que se pretende para o Brasil a partir da candidatura de Flávio Bolsonaro. Os fatos se encadeiam. Sem acreditar em teorias da conspiração, vamos a eles: no Supremo Tribunal Federal a presidência se alterna por acordo quase regra. O presidente de hoje, Fachin, sabe que será sucedido pelo presidente de amanhã, Alexandre de Moraes. Opa, mas isso é um problema muito serio!

A extrema direita quer o poder de volta e o caminho é vencer a próxima eleição de qualquer maneira. Qualquer uma mesmo! Então, um Bolsonaro não poderá encontrar Alexandre de Moraes no comando da Suprema Corte para dificultar todos os projetos que incluem a submissão total do Poder Judiciário ao Executivo que já teria o controle do Legislativo. Era preciso encontrar alguém terrivelmente fiel ao projeto para criar o caos no STF. Foi fácil. O terrivelmente evangélico atropelou todas as normas e protocolos para fazer uma denúncia contra o também ministro desafeto declarado para com isso paralisar até mesmo os trabalhos judiciários às vésperas da eleição. Terrível será se o desafeto tiver mesmo os pés na lama.

A extrema direita e setores do neopentecostalismo espalhado por várias denominações religiosas brasileiras com raiz nos Estados Unidos, algumas das quais empresas multinacionais de exploração da crença das pessoas, são mestres nesse mister. Nas atividades políticas onde elas têm até bancada no Congresso Nacional, fazem união perfeita de extrema direita política nos dois picadeiros. Fecham questão em torno de seus projetos, interferem nos trabalhos e pressionam em todos os setores. De uma coisa não abrem mão: partidos políticos, bem como democracia são apenas incômodos para o grupo. Se pudessem terminariam com ambos, vilipendiando um e destruindo o outro.

Sim, André Mendonça talvez seja hoje a peça mais importante do tabuleiro golpista das eleições. Deu uma contribuição imensa ao projeto e ainda pode aumentar a crise abastecendo a fogueira com mais lenha. A menos que se tenha como combatê-lo abrindo também seu cofrinho de segredos. Em Brasília virgindade, mesmo no campo profissional, é atributo em vias de extinção. Encontrar algum é tão difícil como achar minhoca no asfalto.

Os próximos dias vão ser decisivos para nós. A mim parece que a democracia resiste às prostitutas de plantão. Não é mais como em 1964 e nem como em 2016, quando o fatídico 31 de março foi comemorado como mostra a foto que abre esse artigo. Mostra-se forte. Mas vai ser necessário atacar com mais força tudo o que há de retrógrado e criminoso na política brasileira. Não é difícil desnudá-la, mas a mim parece que mostrar a grande parcela dos eleitores a diferença entre alhos e bugalhos é o mais difícil num país onde o eleitorado é hoje, como sempre foi, presa fácil para espertalhões. E eles estão por aí atuando.

Em tempo: fazem hoje 25 anos que houve o atentado às Torres Gêmeas, em Nova Iorque. Um quarto de século e os Estados Unidos continuam os mesmos...   

9 de setembro de 2026

O agente do golpe

Foi o ator José de Abreu quem fez uma verdade ser publicada como piada que está hoje na Internet: "O desejo era fechar o STF com um cabo e dois soldados. Arrumaram um pastor". Perfeito! Nada é mais correto!

O filho 03 de Jair Bolsonaro, Eduardo Bananinha, hoje nos Estados Unidos foi quem disse certa feita que era fácil dar um golpe de Estado no Brasil e bastavam para tanto um Jeep com um cabo e um soldado. Não deu para fazer assim. Mas digo com tanta convicção quanto a de que estou vivo na hora em que escrevo esse artigo do Blogdoalvaro: André Mendonça, o pastor terrivelmente evangélico e colocado lá pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para delírio da ex-primeira dama Michele Bolsonaro, é o agente do golpe levado ao STF. De início, calmo. Diria eu, calmo e calculista. Mas agora, no dia certo e no momento ideal ele provoca uma crise institucional sem precedentes e cai toda ela no colo do atual presidente Lula. Bolsonarista de carteirinha, isso era tudo o que André queria desde seus encontros regados a champagne com 01 como nessa foto acima tirada num evento, segundo foi identificado, de juristas conservadores (sic!). Um encontro bem a carater para os dois.

André Mendonça determinou o afastamento do diretor geral da Polícia Federal que não seguia sua cartilha, e de mais um assessor direto deste, no dia de ontem pela manhã. Foi esse o caos que se queria criar, armado, gestado e parido pelas entranhas da extrema direita. Agora, também pela manhã, o ministro Flávio Dino, da mesma forma em decisão liminar, reverteu o afastamento determinado ontem e foi claro ao escrever em sua decisão que o colega (sic!) Mendonça age em causa própria e se apropria de um poder decisório que, segundo a Constituição, é de competência exclusiva da presidência da República, no caso a de nomear ou afastar, dentre outras autoridades, o diretor geral da PF.

Ontem não se falou de outra coisa. Pela TV ouvi o comentarista Otávio Guedes, da Globo News, dizer que não há apenas uma Polícia Federal e os diretores que ontem colocaram seus cargos à disposição são da ala que apoia o diretor geral Andrei Rodrigues. Isso é verdade, e sem querer saber mais o que o jornalista citado, acrescento: a politização da Polícia Federal começou nos anos de chumbo da ditadura militar brasileira, quando a corporação foi colocada a serviço do regime até mesmo para ameaçar e prender ilegalmente. Isso aconteceu em muitos casos, em diversos lugares. Recordo-me como se fosse hoje: eu tomava cerveja no Bar do Yamaguchi - um jodoca que foi assassinado -, no bairro de Jardim da Penha onde morava e moro, quando em uma outra mesa onde estava um delegado da PF, este se jactava por ter esmurrado um seu professor de matemática, dentro da sala de aula, porque anos antes este havia dito ser de esquerda. Eram assim esses dias de medo e ilegalidades...

A extrema direita dos dias de hoje ainda tenta se sustentar no que sobrou desses anos de chumbo. Mas em mim fica a quase certeza de que os extremistas dos tempos da ditadura ainda existem, sim, mas já são minoria. A Polícia Federal de hoje é em maioria uma corporação honrada e que cumpre sua missão de segurança pública subordinada diretamente ao Ministério da Justiça que, por sua vez, está subordinado à presidência da República. Ela é de suma importância para o Estado Democrático e de Direito. Até passaportes são emitidos por ela.

Não creio que o agente do golpe hoje no STF possa fazer muita coisa amparado na PF. Mas se a função dele é a de interferir nas eleições de 04 de outubro para ajudar o candidato Flávio Bolsonaro e a extrema direita política brasileira, já está fazendo isso com extrema competência. Sabujos geralmente cumprem a missao para a qual foram treinados subterraneamente. É a hora da reação daqueles que defendem a democracia e o Estado de Direito. E sem que nos esqueçamos de algo também muito importante: o ministro Alexandre de Moraes deve explicações aos brasileiro que, como eu, eram fãs dele e têm tanto ódio e nojo da ditadura, como Ulisses Guimarães disse um dia, quanto de mafiosos como Daniel Vorcaro.

Todos pela democracia!

7 de setembro de 2026

Os excluídos que gritem!

Essa segunda-feira sendo marcada pelo Grito dos Excluídos. E esse é o 32º ano seguido em que milhares de pessoas vão às ruas para participar do protesto, hoje justamente no dia em que se comemora mais um ano da declaração de Independência do Brasil. Por que excluídos?

Vou fazer uma coisa que não deveria. Meu pai era o homem classe média alta típico do Brasil. Eu o amava e discordava respeitosamente dele, tanto que escondi durante muito tempo o fato de que militava no PCB, ou Partidão, desde o início de minha idade adulta. Ele viveu a época da fundaçao do PT e do começo da luta de Lula pelo poder em nome dos trabalhadores que representava. Ouvi de papai: "Absurdo um torneiro mecânico comunista querendo ser presidete. Nunca haverá de ser". Ele viveu também para ver esse operário eleito pela primeira vez e para saber que tinha um filho comunista. Só fez um comentário certa feita: "Vão prender esse comuna!". Eu então disse: "Pai, palavra de quem conhece: o torneiro mecânico não é comuna."

Nunca deixei de amar e repeitar meu pai um tanto ao quanto reacionário. E nem ele deixou de amar o filho que não o havia seguido. Um dia, pouco tempo antes de sua morte, despedi-me dele sala de televisão onde ficava quase o dia todo, dei-lhe um beijo na testa e ao sair ouvi quando disse falando alto, mas para si mesmo: "Esse cara me faz um bem..." Fui embora chorando e nunca comentei isso com ele.

O Grito dos Excluídos é o protesto daqueles que sempre foram abandonados pela direita e extrema direita política do Brasil. Geralmente estão abaixo dos torneiros mecânicos da industria automobilística e de outros setores do trabalho da base da pirâmide social brasileira. Onde ficam os sem lar, os moradores em situação de rua ou os que vivem de biscates aceitando fazer de tudo às vezes por um prato de comida. Ou então por um cachimbo de crack, pois isso os ajuda a não ver a realidade diante de seus olhos.

Hoje, no 7 de setembro, há desfiles pelo Brasil todo. Em São Paulo o governador trocou as homenagens oficiais por uma ida à Avenida Paulista onde vai usar o Dia da Pátria para apoiar a candidatura de um tal 01 com ficha corrida das mais gordas. No Rio de Janeiro também se vai deturpar o sentido desse dia, transpondo-o para as eleições que vão ser realizadas dentro de menos de um mês no país todo. O presidente da República, Lula, respeitou a data celebrando-a ao lado de autoridades militares, protocolarmente. Coisas de torneiro mecânico de passado democrata!

O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, não deixou passar a oportunidade de voltar a atacar seu igual (sic!) Alexandre de Moraes, colocando no ar vídeo no qual ele fala aos "irmãos e irmãs". Aos evangélicos, claro. Dispensou da mensagem todos os demais brasileiros que pensam diferente e aos quais deve satisfações. No seu conceito de justiça divina ela deve escolher aqueles que pensam como os das diversas nomeações neopentecostais atuais, muitas delas defendendo abertamente chegar ao poder da República.

Há espaço para mais mais injustiças e golpismos nos próximos dias. O Grito dos Excluídos e Excluídas chegou até às telas das grandes emissoras de TV no dia de hoje, mas elas, embora não confessem, têm horror a esse torneiro mecânico presidente. Ele não representa os interesses do Mercado, esse grande sindicato informal de multimilionários ávido por ter a cada dia mais dinheiro e inimigo confesso do fim da escala 6X1 e de qualquer outra reivindicação trabalhista que venha a tocar, mesmo de raspão, em seus sagrados interesses e privilégios.

Para eles e a maioria hoje é o dia da olhar para o quadro de Pedro Américo e no qual Pedro, o futuro imperador, está no alto de um belo cavalo, espada apontada para o firmamento e assim imortalizado enquanto os demais vibram com o momento. Dane-se se ele estava com diarréia, havia ido ao mato várias vezes para se aliviar e a montaria era uma mula, bicho que se dava melhor com as trilhas esburacadas e lamacentas de então. A versão é muito melhor do que a história real, mesmo para o príncipe que herdou um reino imenso como presente do pai e antes que algum aventureiro pudesse lançar mão dele.  

Os excluídos que gritem. Hoje e sempre!          

4 de setembro de 2026

Autofagia dramática


Lembro-me como se fosse hoje de quando o então presidente Jair Bolsonaro, induzido por conselhos de seu entorno falsamente religioso disse que faria um ministro do Supremo Tribunal Federal "terrivelmente evangélico". Ele agradaria dessa forma a amiga Damares Alves - aquela que viu Jesus no pé de goiaba -, a mulher com quem é casado, Michele Bolsonaro e todo o restante da troupe de puxa sacos mais próxima. E fez. Foi difícil entronizar André Mendonça no cargo porque ele sabidamente não tinha elevados saberes jurídicos, mas a luta estava colocada e, ao final, o agora ministro foi eleito para a glória de uma Michele que subriu ao seu pescoço comemorando a grande vitória obscurantista.

O resultado está aí!

Em biologia, autofagia é um processo natural de limpeza e reciclagem no qual as células do corpo se degradam e reaproveitam os seus próprios componentes danificados ou envelhecidos como nessa representação acima. Em sítese, imprestáveis. No reino das ações humanas, sobretudo no Brasil de hoje, esse conceito pode ser transferido até mesmo para o terreno da política e do último andar do Poder Judiciário onde está o "terrivelmente evangélico" Andre Mendonça. E ele tenta interferir nas eleições de daqui a um mês mais ainda do que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

As ações de Mendonça são claramente parciais. Determinou quebra de sigilos até mesmo de um colega de Tribunal, do filho do presidente da República, mas nada fez contra o filho do ex-presidente que o nomeou e que está coberto por denúncias as mais sérias possíves. E comprovadas. E ainda se deixa ver em jantares elegantes regados a champgne caros com essa figura, Flávio Bolsonaro, candidato à presidênca da República representando o pai presidiário e que age nas sombras, mesmo em prisão domiciliar. É interessante, mas essa gente fica dodói sempre que recebe voz de prisão!

O ministro Alexandre de Moraes tem explicações a dar. Muitas. Para todos os efeitos éticos não vai bastar a nulidade das acusações contra ele por terem sido levadas ao conhecimento público de forma ilegal. Será preciso a esse jurista explicar as ligações telefônicas feitas ao ex-banqueiro e hoje detento Daniel Vorcaro. Ou "irmão", como diz Flávio Bolsonaro. Ou "lindão", no falar de Nikolas Ferreira. E é difícil, senão quase impossível entender como esse personagem saído do mesmo esgoto que abrigava a extrema direita política brasileira conseguiu absorver em atos espúrios tanta gente da Capital da República. Atrevo-me a dizer que honestidade é atributo raro na Brasília dos dias de hoje.

André Mendonça teve ao menos dois encontros com Vorcaro. E secretos. Só que ele jura não ter tratado nada de ilegal. Só ouviu...tá bom! E ele tinha um instituto que recebeu CR$ 8,2 milhões em verba pública decorrente de 52 contratos celebrados com o Poder Público SEM LICITAÇÃO. Ou seja: deu o preço que bem entendeu e fez seu "trabalho". Esse é o mais novo santo do pau oco! A empresa dele e da qual se afastou ontem a toque de caixa se chama ITER e ministra cursos. 37 notas fiscais misteriosas dessa instituição precisam ser investigadas à exaustão. Afinal, trata-se de um "enviado de Deus".

É de suma importância que nesse país de passado e quase presente golpista o Poder Judiciario seja íntegro e poderoso. Ele garante a intocabilidade de nossas instituições, sobretudo civis. Se no rastro de cometa de escândalos como esse ele mergulhar numa crise de confiança por parte da população estaremos ao alcance de projetos de golpe de Estado. Isso já aconteceu muito no passado e até em janeiro de 2023. O STF precisa reagir e essa reação inicial cabe ao presidente Edson Fachin que nos passa seriedade. Ele tem que fazer uma autofagia dramátia de sua instituição, dando limites a seus pares. Uma faxina é necessária. Caso contrário o pior Congresso da história do Brasil vai querer fazer isso ele mesmo e os danos serão imensos para o restante do nosso país.

2 de setembro de 2026

Protesto contra a farsa


"a história ocorre duas vezes: a primeira como tragédia, a segunda como farsa"

Esse texto é de Karl Marx, contido na monumental obra "O Dezoito Brumário de Luís Bonaparte". Ele se referia à Revolução Francesa e a uma comparação entre entre os papéis de Napoleão Bonaparte (Napoleão I) e Luís Bonaparte, o Napoleão III. Este último tentou ser do mesmo porte do primeiro pelo fato de ser seu sobrinho e chegar ao poder pelo voto. Mas não, ele era só uma farsa que foi desmontada ao longo dos tempos. Capturado em batalha, deposto, foi morrer no exílio abandonado pelos franceses.

Nós vivemos época de farsas. Como a que pretende fazer colar nas pessoas a ideia de que, não houve tentativa de golpe de Estado no Brasil durante o governo do presidiário Jair Bolsonaro. Ele tentou golpear a democracia do Brasil desde que entrou no Palácio do Planalto eleito pelo voto popular. Buscou fazer isso via Estado de Sítio, Estado de Defesa e o que mais houvesse para ser tentado na nossa Constituição ou fora dela. Ele não aceitava, como não aceitou nunca, o fato de não ter sido reeleito. Tentou a farsa com o golpe.

Agora ela surge num outro viéz. O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, feito membro do STF por Bolsonaro e por ser "terrivelmente evangélico" quer pagar o favor. Atropela todos os ditames jurídicos, todos os limites para tentar atingir o colega (sic!) Alexandre de Moraes. Mostrou áudios deste em contato com o banqueiro desonesto Daniel Vorcaro e em diálogos ao menos suspeitos. Mas que devem e têm que ser explicados aos brasileiros. Só que ele também tem escontros secretos com o mesmo personagem e no seu caso alega não haver nada de errado. Claro que não. O errado é sempre aquele que a gente quer atingir, quer destruir. Quer retirar do nosso caminho.

Relator de processo, invadiu as contas e documentos privados de muita gente, sobretudo do filho do atual presidente da República. Sim, indiretamente isso atinge o presidente. Mas nada fez contra o candidato Flávio Bolsonaro, com quem toma espumantes nos restaurantes de luxo de  Brasília, esse sim envolvido em casos claros de corrupção capazes de fazer corar muita gente. Dois pesos, duas medidas. Terrivelmente parcial!

A ideia do golpe de Estado nunca se afastou totalmente da nossa história e do nosso dia-a-dia. Está presente em praticamente todos os atos praticados pela extrema direita política desse país. Mas, sinceramente, não esperava dar de cara com ela no salão de julgamentos do Supremo, esse mesmo que foi destruído pelo golpistas em janeiro de 2023 (foto). Mas eis que, para ao menos pasmo, ele surge prostituído no ambiente reformado.

Os organismos formados pelas pessoas são todos constituídos por homens e mulheres que levam consigo para todos os cargos que ocupam a totalidade de seus defeitos e virtudes. Mas por que essa miseravel decisão de logo no Supremo Tribunal Federal eles darem voz sobretudo e principalmente aos seus piores defeitos? Aos mais mesquinhos? E não há motivo para isso. Leva-se uma vida inteira para construir a honra e poucos instantes para jogá-la na lama. Pior de tudo é que a democracia que muitos desejam enlamear depende da honrabilidade do Poder Judiciário para se manter de pé.

 Mirem-se, senhores no exemplo de Carmen Lúcia!

E protestem contra todo tipo de farsa e farsantes.     

19 de agosto de 2026

Efeito rebote jurídico


Os jornalistas profissionais lutaram por muitos anos pela regulamentação da profissão de jornalista e finalmente, em fins da década de 1960 e início da de 1970 houve esse reconhecimento. Mas por pouco tempo. Em 2009 o Supremo Tribunal Federal, (na foto a sede deste sendo lavada) na cauda de cometa de uma campanha que tinha à frente os maiores conglomerados da área no Brasil e sob o falso argumento de defender o direito à livre manifestação do pensamento, 
foi derrubada a obrigatoriedade do diploma de curso superior e do registro ministerial para o exercício da atividade. Votação fácil, por 8 a 1, e que tornou minha profissão um pântano a ser habitado por qualquer tipo de gente, sobretudo e principalmente por aqueles que tinham projetos escusos em mente.
O que conteceu então? Milhares de pessoas obtiveram registro profissional como jornalistas. Os sindicatos de classe, que haviam se fortalecido desde a regulamentação, acabaram vítimas daquele caudal de novos "profissionais" que pretendiam usar o registro em benefício próprio ou de grupelhos, sobretudo políticos. E estes picaretas sem formação intelectual alguma, sem conhecimento da profissão ou ética para seu exercício fizeram do jornalismo um quintal. Só para resumir, durante o governo do presidiário Jair Bolsonaro qualquer coisa perto de 50 jornais ou outros tipos de informativos, a maioria online, foram criados Brasil afora. Entidades estranhas à profissão também. Já citei o caso da AJEB, Associação de Jornalistas e Escritores do Brasil, que usa o termo desta profissão para benefício próprio. Na seccional do Espírito Santo a diretoria é composta pela fina flor da extrema direita política local.
Tinha que acontecer: um belo dia o imenso número de energúmenos invasores de uma atividade profissional que preza pela dignidade atacou o mesmo STF que a deslegitimou. Foi o efeito rebote jurídico. Em vez do médico, que se caracteriza pelo retorno ou piora intensa de sintomas originais pelo não uso de remédios de um tratamento, veio o ataque solerte contra a instituição defensora da nossa Constituição por parte das quadrilhas que não a respeitam e usam a proteção ao sigilo da fonte como forma de ataque e encobrimento de crimes. De uma hora para a outra viu-se que o julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 511.961 de 2009 se constituiu em um erro monumental. Regulamentado como deve ser o jornalismo não fere o direito à informação. Muito pelo contrário, ele o protege afastando de seu meio aqueles não profissionais e os que usam ou usariam do exercício da atividade um meio para cometimento de crimes e ataques à democracia.
Agora mesmo um dos ministros do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, que vem sofrendo ataques sobre ataques por suas atividades na corte, teve que falar do assunto e, citando o caso dos antigos rábulas da advocacia, dizer que é chegada a hora de o exercício da atividade jornalística ser reinterpretado para que ele volte a contar com a proteção das leis, mesmo que isso contrarie interesses, confessos ou não, dos grandes donos das redes de Comunicação. Se tal acontecer vai ser muito mais difícil a gente desonesta ameaçar pessoas como o também ministro do STF Flávio Dino. 
E também é chegada a hora de a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e entidades regionais se manifestarem a esse respeito e reiniciarem a luta pela regulamentação da nossa profissão. É possível vencermos mais essa batalha para depois começarmos a pensar no que fazer com as inúmeras quadrilhas hoje presentes em nosso meio. O livre exercício do pensamento, da livre manifestação de opiniões, estará sempre preservado. Afinal, ser jornalista vai depender do Diploma de Comunicação Social - Jornalismo, da mesma forma que ser advogado depende da obtenção de um diploma em Direito e aprovação da prova da OAB. É bastante frequentar os bancos das escolas de terceiro grau e se formar. Nada mais além da dignidade pessoal e da vocação para uma atividade que exige esforço.

18 de agosto de 2026

Os estrupícios

 

Quando eu era pequeno as pessoas tinham o hábito de chamar os menos favorecidos intelectualmente de estrupícios. Na linguagem popular esse termo pode identificar confusão, barulho, problema ou gente chata, atrapalhada e ignorante. Como é o caso do deputado federal Nikolas Ferreira, autor de vários disparates linguísticos, dono de uma ignorância monumental e a ponto de dar declaração conceituando Brasília como uma cidade feia em comparação com o Capitólio, nos Estados Unidos ou o prédio do Congresso espanhol. É como comparar alhos com bugalhos, sem querar desmerecer os exemplos citados por ele.

O prédio dos EUA teve pedra fundamental lançada em 18 de setembro de 1793. Foi ocupado inicialmente em 1800 e passou por diversas reformas e ampliações, sendo a última em 1962. Ele foi erguido em estilo neoclássico tentando lembrar as antigas democracias de Roma e da Grécia e nas quais o país pretendia se espelhar. Mas de que maneira explicar isso a um indivíduo como aquele?

Brasília, que mostro na foto acima, do Eixo Monumental, é talvez a obra maior de Oscar Niemayer, um arquiteto que foi referência no mundo todo. Ele e Lúcio Costa, o calculista que trabalhou na obra, fizeram a cidade em estilo modernista inaugurada em 1960, concebida na primeira metade da década de 1950 e cuja obra foi iniciada em 1955. Não é possível comparar as duas coisas sem que se tome como parâmetro maior o espaço de tempo e a proposta embutida em cada uma delas. Esse indivíduo de baixíssima estatura intelectual e que conseguiu mais de 1,5 milhão de votos ao ser eleito, também não deve gostar do Palácio Tancredo Neves, a obra que parece suspensa no ar como por mágica e que faz parte da Cidade Adminstrativa de Belo Horizonte (foto abaixo).


O projeto é do mesmo Niemeyer e está localizado no Estado que elegeu esse  estrupício para nos representar no Congresso Nacional. O Brasil é terra de grandes arquitetos. O autor das duas obras citadas é considerado o maior deles, mas isso é questão de gosto. Um outro, autor do Museu dos Coches, de Lisboa, uma construção belíssima e também modernista, Paulo Mendes da Rocha, projetou o Cais das Artes em Vitória, projeto magnífico e que a pouca visão de futuro dos administradores públicos de meu Estado ainda não permitiu que fosse concluída apesar de tantos anos de trabalho.

Hoje estamos diante de uma situação crítica. Vamos eleger um presidente da República numa época em que a maior potência militar do planeta, governada por um psicopata corrupto - o mais corrupto de toda a história norte-americana -, tenta impor seu pensamento político a outras nações e ataca o Brasil por não querer ser quintal do país governado por ele, como vem acontecendo com outros estados sul-americanos. O candidato preferido por esse estrupício estrangeiro e filho do ex-presidente brasileiro condenado pela Justiça, é também intelectualmente um pobre diabo que teve o desplante e o descaramento de fazer uma foto sua mostrada logo abaixo, com recursos de IA e na qual ele aparece usando sunga branca, com faixa presidencial atravessada no peito e se mostrando como uma espécie de super-homem deficiente mental ao lado de uma piscina e com lata de algum líquido na mão esquerda. Um indivúduo assim não pode ocupar o Palácio do Planalto em hipótese alguma.

Quando digo que estamos diante de um momento crítico quero falar que o Brasil corre o risco de ser diminuído conceitual e intelectualmente no concerto das nações por conta desse tipo de gente que nos representa. E isso nem é culpa direta deles porque foram eleitos pelos mesmos brasileiros que vão entregar o Poder Executivo ao próximo presidente dentro de muito pouco tempo. É uma situação grave e que precisa ser vista com o olhar de quem planeja seu próprio futuro. Infelizmente temos uma sociedade onde ainda pontifica certa espécie de conservadorismo político que beira o reacionarismo, às vezes o ultrapassando, e na qual as pessoas entregam seu voto àqueles que lhes conseguem transmitir verdade, mesmo a partir de mensagens falsas, patriotismo entreguista e promessas vagas, abstratas e cheias de preconceito contra o adversário chamado de inimigo.

"Deus, pátria e família" era o slogan do fascismo de Benito Mussolini. Aqui no Brasil a ele foi acrescentado um "liberdade" na qual os fascistas não acreditam a não ser se ela significar o apoio total, inquestionável, a todos os seus dogmas e "verdades" que são propagados de manhã, à tarde, à noite e de madrugada. E eles ainda pregam que nosso país está sendo destruído ao mesmo tempo em que acumulam fortunas imensas que não podem ser explicadas como sendo fruto de seu trabalho. Até Michele Bolsonaro declarou 4,4 milhões em bens sabe-se lá vindos de onde, para concorrer a um mandato de senadora.

Aliás, sabemos todos de onde veio esse dinheiro! E por sabermos precisamos eleger a pessoa certa em outubro. Chega de extrema direita no Brasil!

14 de agosto de 2026

A fonte só é sagrada como verdade

Trabalhei cerca de 30 anos em imprensa diária e para nós, ontem e hoje, a fonte de informação era e é sagrada. Mas esse sagrado está ligado à verdade e ao ético porque o jornalista lida com fatos, deles não se afasta e graças a eles mantém a sociedade informada sobre o que interessa a ela. Se a fonte falha, se ela compromete a verdade dos fatos, se tenta fazer do jornalista um meio para alcançar objetivos ilícitos, tem que ser denunciada. Tem que ser exposta e, nesse caso, deve ser alvo de retaliação legal. Simples assim!

Um fato ocorrido recentemente está gerando desconforto e atrai comentários simplistas que pretendem fazer do sigilo da fonte um escudo. Não é. Nunca foi. A pessoa que tentou agredir ou ameaçar um ministro do Supremo Tribunal Federal e foi exposta mesmo sendo fonte jornalística é um criminoso comum. Apenas isso. Sua exposição não compromete o princípio da intocabilidade da fonte jornalística de forma alguma, nem no plano legal. A ninguém é dado o direito de se escudar nesse princípio para usos pouco claros.

Só tive como fonte de informação pessoas da minha estrita confiança e enquanto trabalhei em jornal. E com um compromisso: se ela fosse desonesta seria denunciada. 

Vamos recuar no tempo. Demorei muitos anos para obter meu registro de jornalista profissional porque comecei quando esse direito sem curso superior estava extinto. Só quando o curso de Comunicação Social foi criado na UFES pude fazê-lo. Cumpri a exigência legal e me tornei Jornalista Profissional. Mas essa regulamentação não agradava ao empresariado e ao extremismo político de direita. Alegando princípios de livre acesso à informação, um grande movimento foi criado para derrubar a regulamentação da minha profissão e isso foi conseguido. Eram épocas de ditadura e esse discurso distópico acabou pegando. Do dia da destruiçao da regulamentação de minha profissão em diante qualquer um passou a ter direito de obter registro como jornalista. Era o que se pretendia!

Se quero ser médico devo fazer Medicina. Se tenho o sonho de advogar, preciso cursar Direito. O mesmo se meu interesse é por Engenharia e assim por diante. Então, se quero ser jornalista preciso fazer Comunicação Social, Jornalismo. Estou habilitado e isso nada teve a ver com o direito à livre manifestação do pensamento. Mas esse princípio foi pervertido durante a ditadura militar e daí para a frente muitos picaretas ingressaram na minha profissão. Os exemplos são gritantes... Mesmo com o tempo passando nós nunca mais tivemos forças para mudar o rumo das coisas, pois as grandes corporações do setor são contrárias a uma nova regulamentação e dominam o Congresso Nacional. Um Congresso fácil de ser dominado pelo medo e outras formas de pressão ($).

Vou citar um exemplo próximo: existe no Brasil, dentre outras, uma tal Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB). Rede nacional e usa o termo "Jornalistas" mesmo sendo habitada por raríssimos profisionais do jornalismo diario de jornal, rádio, TV e outros meios. O termo "jornalismo" atrai muita gente. Na AJEB há pessoas dignas, mas também outras que querem atuar mal na comunicação. A extrema direita política usa essa profissão para penetrar nela com o intuito de usar seus recursos em benefício próprio e contra a democracia brasileira. Vou citar um único exemplo: a rede Jovem Pan conta com profissonais dignos - não poucos -, mas também uma vasta trupe que atua para tentar destruir nosso ainda frágil arcabouço democrático. Vive de fake news. E luta todos os dias, sem parar.

Antes de nós nos arvorarmos em defender quem não merece defesa é preciso analisar o que está havendo. Como as coisas se passam e se passaram para não fazermos da legislação que protege o sigilo da fonte um coito de bandidos. Ora bolas; se é tão importante a defesa do jornalismo, então é hora de tirarmos das gavetas os projetos de regulamentar novamente a minha profissão. Ela merece esse respeito perdido durante a ditadura sob o manto falso de uma "liberdade de informação" que em nada serve ao interesse público. 

12 de agosto de 2026

Os bucaneiros modernos

 

"O domínio nunca mais vai ser questionado", diz Donald Trump via seus assessores diretos sobre o projeto de os Estados Unidos dominarem toda a América. Isso segundo eles pretendem.

Uma postagem ameaçadora do embaixador norte-americano no Panamá, Kevin Marino Cabrera - ele está no Panamá, onde há o canal vita para os Estados Unidos justamente porque é um extremista belicista -, detalhou essa semana qual é o projeto dos Estados Unidos sob Trump para reviver a Doutrina Monroe, que no século XIX pregava "a América para os americanos", na época em que Washington passou a desenvolver sua política de expansionismo e controle total sobre os demais países das três américas.  Hoje o governo dos EUA se mostra agressivo com esse projeto e o objetivo claro é combater a influência da China no Ocidente. O objetivo principal sempre, e em todos os casos, foi econômico. 

Uma análise rápida disso nos mostra que se trata de um movimento claro de esperneio. Os Estados Unidos de hoje são uma potência em grande declínio, com uma dívida interna astronômica, gastando fortunas com a megalomania de seu presidente por guerras e tendo pela frente o crescimento chinês que promete tomar-lhe a dianteira em breve como maior potência mundial. Isso é inadmissível para os atuais detentores do poder norte-americano.

Aqui no Brasil, depois de uma fala infeliz de nosso Ministro da Defesa que chegou a propor "abrir os portões" para os ianques no caso de um ataque, houve uma espécie de pequena histeria nacional. Bobagem. Dificilmente os Estados Unidos, mesmo governados por um psicopata, invadiriam militarmente o Brasil. Isso seria muito arriscado para eles e encontraira forte resistência lá mesmo. Além disso muitos se esquecem de que Trump corre grande risco de perder a maioria nas duas câmaras legislativas federais de seu país em novembro próximo, o que lhe tolheria muito o poder de decidir. Sem este ele seria um "pato manco", como dizem os americanos do Norte. E ao alcance de impeachment.

Mas Trump vai pressionar, ameaçar, espernear, será sempre apoiado pelos políticos do Maga como Marco Rubio, o embaixador no Panamá, o escolhido para o Brasil, Daniel Perez, e mais alguns de sua trupe. Ele vai usar de ameaças - o que sabe fazer muito bem - nos momentos em que não estiver dormindo durante discursos ou escondido dentro de caminhões de galeys aéreas em vôos próximos de países que ele mesmo tornou hostis por suas políticas inconsequentes e irresponsáveis. Esse é o presidente dos EUA!

Ao Brasil cabe esperar. A concordância em debater as tarifas na OMC, por parte dos EUA, parece jogo de cena para ganhar tempo e não ser acusado de jamais negociar. Ao término dos prazos de negociação, ao menos no pé em que as coisas estão hoje, tudo indica que o absurdo das cifras cobradas agora tende a ser mantido. Mas negociar vale a pena. Sempre valeu porque a nós também interessa o ganho de gempo. Mesmo com o governo iniciando as providêncas para retaliar as tarifas na mesma medida, se necessário.  

Resta uma coisa incômoda: Daniel Perez, o embaixador que pretende ser entronizado no cargo em Brasília, é um mísero projeto de golpista, sem experiência diplomática alguma e escolhido para vir ao Brasil apenas e tão somente para se intrometer em política interna brasileira, sobretudo se o presidente Lula for reeleito, como mais um vetor de instabilidade institucional. Vai ser tipo um Javier Milei com imunidade parlamentar. O Brasil pode e deve negar o agrément a ele e pedir outra pessoa aos EUA. O consul norte-americano em São Paulo, que conspira a olhos vistos, não merece continuar com visto consular.

Soberania é princípio ao qual não se renuncia. Mesmo ao enfentrar bucaneiros modernos que, a exemplo dos do passado, não abrem mão da rapina,