26 de dezembro de 2025

A regra do "off"

 

Em jornalismo o "off" (sugerido na foto acima) é a notícia feita a partir de fontes - que liberam os fatos - não identificadas. É diferente de um tipo de "off" televisivo e no qual o repórter  não aparece no vídeo, mas apenas a filmagem do que está sendo narrado e as imagens deste assunto. No caso da matéria sem a identificação do autor da informação, ela é feita sempre quando o jornalista confia totalmente em quem tem a notícia e não pode aparecer como origem. Nesse caso a matéria é dada sem que se diga de onde vem o fato e o jornalista jamais denuncia sua fonte. Se preciso, responde a processo no lugar do informante.

Mas há uma regra de ouro para a matéria feita com autor desconhecido do público: ele não pode mentir nunca e nem ter interesse direto, geralmente não confessável, na divulgação do assunto. Se mente e a matéria é publicada ou veiculada o profissional de imprensa tem o direito de denunciar esse informante. Direito moral, sobretudo. E tornar quem o induziu ao erro como alguém ao alcance das legislações existentes. E cito tudo isso em decorrência de matéria veiculada pela jornalista Malu Gaspar, de O Globo, nesse jornal.

Só ela sabe quem a levou a acusar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de intervir nas negociações entre o Banco Master e o BRB. E também só ela sabe se era pertinente ou não dizer que a mulher desse ministro tinha contrato milionário de prestação de serviços de advocaria por intermédio de seu escritório. Em princípio advogados podem prestar serviços para quaisquer clientes contanto sejam remunerados e salvaguardados os princípios éticos do exercício de sua atividade.

O que ocorre nas informações de internet é que o contato de Malu Gaspar seria o banqueiro mutimilionário André Esteves, CEO do BTG Pactual. Se for verdade ela colheu informações com um interessado em desacreditar o STF, e isso é péssimo. Mesmo sem entrarmos no plano do "verdade ou inverdade", a informação dessa fonte não é ética. Nem minimamente.

É estranho, mas perfeitamente dentro do explicável que esse tipo de denúncia só surja nos meios de comunicação quando algum fato grave atinje a extrema direita política do Brasil, como é o caso dos quase R$ 500 mil que o deputado líder do PL, Sóstenes Cavalcanti "esqueceu" num guarda roupas de seu flat durante cinco anos sem depositar em banco. Nem uma pessoa totalmente destituída de dissernimento acredita nesse "esquecimento". É bem mais crível apostar no uso indevido e criminoso de verbas parlamentares que seriam indenizatórias mas são colocadas nos bolsos pelos políticos com notas fiscais falsas.

Além de tudo, Malu Gaspar foi uma defensora da "Operação Lava Jato" e denúncias contra o hoje senador Sérgio Moro só aparecem nos meios de comunicação em doses homeopáticas, divulgadas por poucos jornalistas sérios. E se Malu realmente defendeu a "Lava Jato" por convicção, e não estou dizendo o contrário dessa colega de profissão, deveria ter todo o cuidado do mundo ao lidar com denúncias graves como a que fez em "O Globo".

Vamos convir que o "mercado" ou a "República da Faria Lima", onde está André Esteves, não tolera o atual presidente do Brasil e seus projetos sociais. Esse grupo quer na chefia do governo de 2027 em diante o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o senador Flávio Bolsonaro ou qualquer outro dos que orbitam em torno deles. Projetos sociais custam muito caro! Bolsa Família, nem pensar, tanto que Jair Bolsonaro só a usou para comprar votos... E as universidades federais ensinam marxismo-leninismo. Ouvi isso de um médico ginecologista formado na UFES e que não soube me explicar como se faz ginecologia comunista.

Em síntese, é preciso repeitar a regra do "off". Sou jornalista e sempre fiz isso ao longo da vida, mesmo na ditadura que durou de 1964 a 1985 e quando a gente podia ser preso ilegalmente, torturado e assasinado nos porões do regime militar brasileiro. Talvez muitos hoje não saibam disso ou tenham se esquecido de guardar esses fatos em cofres.    

24 de dezembro de 2025

Emendas e o roubo dos impostos

 

Amanhã é o dia de Natal, data sagrada para todos os cristãos. E também sagrada para nós nos lembrarmos de que o Brasil instituiu, desde o desgoverno do presidiário Jair Bolsonaro, o maior sistema de desvio de dinheiro dos impostos que os brasileiros pagam, na forma das famigeradas emendas parlamentares. Antes elas eram pequenas (sic!) e garantiam aos políticos o abastecimento de seus currais eleitorais com dinheiro público para direcionar as campanhas de reeleição. Mas desde a administração passada, quando o ex-presidente abriu as porteiras para o Congresso não deixar passar uma das dezenas de ações de impeachment que lá tramitavam, isso se tornou a pior forma de corrupção já nascida no Brasil. Trata-se do sequestro do orçamento federal para a farra dos políticos.

Agora mesmo o Congresso aprovou o orçamento de 2026. E as emendas, que já eram de R$ 50 bilhões, uma cifra antes inimaginável, agora chegam a R$ 61 bilhões. É ano de eleição! E para que essa dinheirama entre na conta dos deputados e senadores foram cortados programas sociais: R$ 436 milhões do Pé de Meia; R$ 300 milhões do Vale Gás; R$ 391 milhões no Seguro Desemprego; R$ 200 milhões de Abono Salarial. Dinheiro que abastece a base da pirâmide social e não o topo onde fica a chamada "República da Faria Lima" que interfere nas decisões dos governos ou então molha as mãos dos políticos que definem os orçamentos de todos os anos pensando tão somente em seu bem estar e na renovação dos mandatos.

E não pensem que isso só atinge coisas distantes. Aqui mesmo no Espírito Santo a Academia Espírito-santense de Letras chegou a orçar em R$ 400 mil a reforma de sua sede do Centro de Vitória faz cerca de cinco anos. De repente e com a intervenção de um presidente recém eleito surgiu do nada uma emenda parlamentar de R$ 1,8 milhão que tem como patrono o misto de secretário da Saúde e deputado estadual Tyago Hoffmann. Como vai ser usada essa dinheirama? Para onde vão quase R$ dois milhões de dinheiro dos impostos do cidadão? Ninguém explica!

Tirar meio bilhão da educação é condenar as universidades públicas a passarem mais um ano de penúria. E isso também está sendo feito, além de todos os demais cortes listados acima. Mas o "mercado" não está preocupado com nada. Nem ex-professores a ex-professoras das univesidades federais que agora podem fechar os olhos a esses desmandos, comparecendo dia sim, outro também às assembleias legislativas para receber diplomas e medalhas confeccionados também com o dinheiro do contribuinte para comemorar sua "des)honra ao mérito".

Falta vergonha ao brasileiro que participa desse tipo de falcatrua, na maioria das vezes arrastando para ela instituições centenárias brasileiras que passam a ser cúmplices de crimes contra o erário. Ou então fazendo vista grossa para um roubo que tira dinheiro de programas sociais vitais num país como o Brasil. E não falta ao crime organizado no qual se transformou o Legislativo brasileiro - felizmente com muitas exceções! - a audácia de dentro, de um ano, querer ainda mais dinheiro porque a goela é imensa.

Feliz Natal a todos!  

20 de dezembro de 2025

Ovo da serpente em "Santa CataReich"


O eugenismo social, pseudociência que visa a "melhoria da raça" (sic!) se manifesta de forma cruel em Santa Catarina e se concretiza na forma de lei estadual capaz de eliminar em todo o Estado a legislação de cotas raciais, sobretudo para ingresso nas universidades. Esse ovo da serpente que vem sendo chocado há tanto tempo agora ameaça se espalhar pelo restante do Brasil e já está presente até mesmo no Espírito Santo, meu Estado, onde há uma proposta legislativa na Assembleia objetivando o mesmo em Vitória e em todo o restante do Estado. O autor da excrescência, parlamentar do PL (claro!) defende a tese.

Para conseguir tal intento, não apenas o deputado capixaba, mas sobretudo políticos de Santa Catarina pretendem eliminar cotas por raça e gênero, mantendo apenas um critério social difuso para até mesmo concursos públicos. Há um reflexo imediato nesse projeto, se o termo pode ser usado: manter minorias fora de setores importantes da sociedade e concentrar as oportunidades nas mãos dos que hoje já detém o poder de influir diretamente no acesso à elite social brasileira. E por que isso nasce em Santa Catarina?

A foto que está na abertura desse texto denuncia catarinenses fazendo saudação nazista à bandeira brasileira durante manifestação política por lá. A segunda foto mostra a sede do poder catarinense em 1934 com a cruz nazista tremulando. O ovo da serpente é tão antigo que gerou o apelido de "Santa CataReich" para aquela unidade da Federação. É correto que grande parte dos catarinenses não a merecem, mas também que cresce a cada ano passado a ascenção de um novo nazifascismo não apenas lá, mas também no Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e outros lugares como aqui no meu Espírito Santo.

No último dia 10 de novembro a Assembleia Legislativa catarinense aprovou o fim das cotas raciais por lá. Mas não apenas isso. O laboratório social do Estado ataca com fascismo, racismo e eugenismo. A sede da Unidade Popular pelo Socialismo foi invadida pela PM e vandalizada. Trata-se de um orgão de esquerda política. Três prefeituras - Florianópolis, Balneário Caburiu e Chapecó - têm produzido uma política de internação compulsória de "saúde" contra populações em situação de rua, não para corrigir uma chaga social brasileira, mas para "limpar" as vias públicas dos mais necessitados. O turismo exige! É preciso dizer, tanto para quem concorda quanto para quem discorda: isso tudo é inconstitucional e no caso presente as ações estão sendo tomadas em parceria com empresas privadas de saúde, o que torna ainda mais grave a situação. Recentemente uma deputada socialista chegou a ser detida na Capital de Santa Catarina por autoridades nazifascistas locais e teve seu material de panfletagem destruído antes de ser liberada porque a detenção era flagrantemente ilegal.

Pode-se questionar a política de cotas. Claro que sim. Mas critérios de justiça social para sua eliminação só acontecerão quando o Brasil puder dar a todos os estudantes igual acesso a educação de qualidade antes do terceiro grau e também a todos os atores sociais, maiorias ou minorias, o mesmo tratamento legal e direito de acesso a progresso social em todos os setores da vida econômica nacional. Antes será necessário que esse dispositivo legal hoje existente continue mantido, para a garantia de igualdade de tratamento e oportunidades. Todos somos brasileiros!

O ovo da serpente remonta, nesse caso, até mesmo à Ação Integralista Brasileira (AIB), braço do nazismo no Brasil e que foi muito popular na primeira metade do Século XX. E isso aconteceu até o ingresso do Brasil na II Guerra Mundial, quando ela foi considerada ilegal. Mas nunca deixou de existir! A tragédia é que hoje ameace tomar corpo em diversos setores da vida brasileira na cauda de cometa de um fenômeno crescente no universo político mundial e que se sustenta em líderes internacionais como o presidente dos Estados Unidos "et caterva" e até mesmo seus iguais daqui das nossas terras como o genocida presidiário brasileiro e seguidores, como é exemplo atual o governador de Santa CataReich, digo, Catarina.

17 de dezembro de 2025

Viva Padre Júlio!


O padre Júlio Lancellotti não é o único pastor católico perseguido por hordas que se dizem conservadoras, mas que não passam de reacionárias. E também não será o último. O conservadorismo/reacionarismo católico é forte, atuante e se espalha por todas as regiões brasileiras, sempre procurando ocupar espaço. Ele está presente, por exemplo, na "Canção Nova" que transmite 24 horas por dia e agora também tem "noticiário". Em breve teremos a "Canção Nova News", uma tendência. Talvez venha a ser seguida pela "Rede Vida", "TV Aparecida", "TV Século XXI", "Nazaré" e "TV Evangelizar". Todas na fila junto com uma carrada de denominações evangélicas ou ditas assim, que também alugam espaço de TV.

Lembro-me como se fosse hoje do dia em que andava por Olinda durante um congresso de jornalistas esportivos e me deparei com uma figura linda na porta de uma igreja. Faz muitos anos. Aproximei-me e perguntei: "Dom Elder?". Ele disse: "Se te agrada!" Então questionei de novo: "Um comunista agnóstico pode dar-lhe um abraço?" Do sorriso mais aberto e bonito que já vi veio a resposta: "Não apenas pode, como deve!". E eu o abracei na única vez em que estive com ele em vida. Sua morte eu soube e vi pela televisão.

Dom Elder Câmara nunca chegou a ser cardeal por pressão da ditadura militar brasileira. E ria disso. Dom Paulo Evaristo Arns chegou ao cardinalato e enfrentou o regime sempre que foi possível, mas com muito cuidado. Rezou missa ao lado do rabino Henry Sobel quando do assassinato de Vladimir Herzog. Dom Pedro Casaldáliga, nascido em Balsanery, Espanha e naturalizado brasileiro, foi bispo de São Féliz do Araguaia, o primeiro depois da fundação da prelazia, onde ficou até sua morte lutando por direitos humanos. Foi sepultado em um cemitério Karajá, às margens do Rio Araguaia e ao lado das vítimas de grilagem de terras.

Mesmo não crendo na bíblia, entendo que esses homens são aqueles que representam os ensinamentos dessas escrituras na terra. Da mesma forma que o padre Júlio Lancellotti, dedicado à luta pelos "povos de rua" num país rico e dominado por representantes diversos de grandes setores do capital nem um pouco preocupados com quem não tem nada. E no Brasil jamais deveria haver "povos de rua" nem alguém lutando por essa bandeira.

O cardeal que condenou o padre Júlio ao silêncio e o retirou das redes sociais, dom Odilo Scherer, filho de alemães, gaúcho e conservador, jamais investiu contra os setores reacionários da igreja e nem precisou "proteger" aqueles que usam até canais de TV para lutar contra a teologia da libertação e suas ramificações. Ele não censurou gente como frei Gilson da Silva Pupo Azevedo, adepto do presidiário Jair Bolsonaro, defensor de armas, ou o padre José Eduardo de Oliveira e Silva, que pediu aos católicos e evangélicos que rezassem pelo golpista general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa e condenado pelo STF, no que foi chamado de "oração do golpe". Há muitos outros exemplos, mas chega.

Padre Júlio continua por enquanto na Paróquia de São Miguel Arcanjo, na Mooca, em São Paulo. Calado, sem redes sociais. Ao mesmo tempo o cardeal Scherer é um campeão dessas mesmas redes, com milhares de seguidores, sem censura e sem nenhum tipo de "proteção". Vai em frente apenas com sua imensa hipocrisia, defendendo quem não precisa de defesa. A diferença entre ele e Júlio Lancelloti é apenas essa.

Viva Padre Júlio!      

16 de dezembro de 2025

Kast e a goela de Tio Sam

Tão logo foi eleito presidente do Chile domingo último e compareceu ao Palácio de La Moneda a convite do atual Gabriel Borik, José Antonio Kast, 59 anos, fez questão de dizer que a partir de março pretende ser o "representante de todos os chilenos". Discurso vazio, claro. Ele jamais tentou e não tentará agora se distanciar de suas crenças políticas que incluem uma admiração profunda pelo ditador Augusto Pinochet, o criminoso que governou seu país de forma despótica desde o golpe de Estado que derrubou Salvador Allende até deixar o poder quase deposto e ao final de um cliclo de horror e ódio.

Também não vai ser possível para o novo presidente apagar de sua memória e da memória dos chilenos que acreditam em democracia a figura do pai alemão Michael Kast (segunda foto), membro da Juventude Hitlerista e nazista confesso jamais arrependido que imigrou com a família para a América do Sul e o Chile depois do término da II Guerra Mundial. Esse tipo de coisa gruda na pele e a pessoa não se livra dela, por mais que queira. E até os dias atuais o Kast presidente jamais fez o menor esforço nesse sentido.

Defensor da democracia de seu país, Borik recebeu o sucessor com honras e reuniões oficiais em La Moneda. Dono das mesmas crenças democráticas, Lula fez igual aqui no Brasil em mensagem de parabéns e de reconhecimento da vitória do chileno ainda no domingo. Muito diferente do seu antecessor Jair Bolsonaro, que viajou para os Estados Unidos, recusou-se a passar a faixa ao vencedor da eleição e começou imediatamente seu processo de planejamento de golpe de Estado que não cessou nem depois do 08 de laneiro de 2023. E ainda com ele apodrecendo na cela da Polícia Federal, seus seguidores atuais prosseguem no projeto de destruição da nossa democracia.

Quais são os planos do novo presidente chileno? Construir um muro separando o Chile da Bolívia para deter os imigrantes que hoje lá são na maioria venezuelanos. A fronteira entre os dois países, no norte e em meio ao deserto de Atacama/Altiplano, tem 861 quilômetros e é uma rota turística popular entre Solar de Atacama e Uyuni. Já foi ponto de tensão histórica entre os dois países e hoje vive em paz. Por quanto tempo? E quanto custará, se for mesmo feita essa inutilidade, uma obra de muro como essa em região desértica?

Kast quer endurecer as leis penais chilenas, um país que tem um dos melhores índices de segurança das Américas. Quer expulsar todos os imigrantes não legais. Promover demissões em massa no serviço público e privatizar o que for possível, inclusive empresas públicas que dão lucro e prestam serviços sociais necessários aos menos favorecidos daquele país. Além disso viajou hoje para a Argentina onde foi recebido pelo presidente Javier Milei, o "narcocapitalista" maluco que divulvou ontem uma bandeira da América do Sul mostrando os seis países governados pela direita como um oasis de riqueza e cercados por uma grande favela onde pontifica o Brasil. E a Argentina é um país falido.

Que diferença há entre o dircurso e os projetos de Kast e os dos outros presidentes sul-americanos de extrema direita eleitos democraticamente sem acreditar na democracia?  Nenhuma!

Ontem mesmo o Paraguai assinou um tratado com os Eatados Unidos para defesa mútua. Contra quem? Todos sabemos como Tio Sam, de goela ou garganta profunda, sonha em ter a cada dia mais influência na região da Tríplice Fronteira e de que forma esse tratado pode ser usado. Agora o ínico país soberano desse trio é o Brasil, que vai começar a ser pressionado, pois a Argentina, de pires nas mãos e embora seja um lugar rico no mapa de Milei, precise do dinheiro dos EUA para "não morrer" como disse o próprio presidente ianque Donald Trump e de forma grosseira ao responder a pergunta de uma repórter.

Kart não vai ser o presidente de todos os chilenos e isso porque suas crenças navegam em sentido contrário. Ele agora terá mais espaço de mídia e deve ser acompanhado com atenção até tomar posse em março. O fã de Pinochet, ditador que transformou o Estádio Nacional de Santiago em um campo de concentração depois do golpe de Estado de 11 de setembro de 1973, assumirá o comando de um país com instituições civis sólidas, mas nada é indestrutível. Ontem mesmo os "pinochesistas" já iniciaram os desfiles saudosos pelas ruas de Santiago clamando pela volta dos tempo passados. Vamos viver para ver isso.    

14 de dezembro de 2025

De onde vieram eles?

Às vezes me ocorre pensar de onde vieram parsonagens como essa tal Carla Zambeli, deputada federal condenada pela Justiça e presa na Itália, sem condições de obter mais recursos para aliviar ou cancelar as penas impostas a ela pelo cometimento de crimes que vão de desde perseguir um homem em plena via pública com arma de fogo carregada às mãos (charge ao lado), até falsificar ordem de prisão como sendo do ministro Alexandre de Moraes e que estaria prendendo a si próprio. A essa figura somam-se outras tão dantescas quanto são os casos do também condenado Alexandre Ramagem, além de Eduardo Bolsonaro, o tresloucado filho 03 do ex-presidente Jair Bolsonaro preso em Brasília. E essa é só uma pequena amostra.

Na semana que passou um deputado federal foi à PF de Brasília fazer uma espécie de vistoria na cela onde o ex-presidente se encontra. E voltou de lá "estarrecido" por estar o detendo sendo "torturado" por um aparelho de ar refrigerado barulhento. Existe não uma, mas várias declarações gravadas desse preso e nas quais ele diz que apoia e aprova tortura de presos. Numa ocasião recebeu no Palácio do Planalto a viúva do torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos mais ferozes algozes do regime militar e a tratou com cordialidade extrema. Ser torturado por barulho de ar refrigerado em prisão brasileira chega a ser anedótico. Esse  equipamento simplesmente não existe em prisões comuns. Nem ventilador há.

E ao mesmo tempo em que esse tipo de coisa acontece o presidente da Câmara, Hugo Motta, vai fazer consultas no Legislativo para saber se aceita por bem a extinção do mandato de Zambeli. Talvez prefira aceitar por mal. Em lugar nenhum do mundo a não ser no Brasil um condenado da Justiça pode exercer mandato eletivo e, além disso, ainda urufruir de todas as benezes do cargo e que incluem até mesmo a possibilade de uso de emendas parlamentares, inclusive via PIX, a mais nova forma de corrupção consagrada pelo Brasil.

Motta (foto), o lado de Esperidião Amin e o presidente do Senado Davi Alcolumbre ainda luta por anistia aos criminosos de janeiro de 2023 ou então de dosimetria das penas o que, para o deputado Paulinho da Força, vai trazer a paz à política brasileira. Nosso país já foi vítima de mais de uma golpe de Estado e várias aquarteladas e nada na face da terra pode derrotar o golpismo encrustrado em nossa sociedade - o que inclui as Forças Armadas - a não ser a punição exemplar de todos aqueles que jogam contra o Estado Democrático e de Direito. Ou se faz isso agora ou esse estado de  coisas continuará a marcar nossas vidas.

Precisamos ir em frente e punir os golpistas, senão para outra finalidade ao menos para que possamos pelo menos saber de onde vieram essas pessoas horrendas. De que esgoto saíram.

10 de dezembro de 2025

As hienas


Tudo é uma questão de como a gente vê as coisas: para os europeus a hiena é um animal que simboliza a ganância, a gula e a falsidade. Em algumas culturas africanas esse bicho é reverenciado como corajoso e feroz nas batalhas. Num mundo em que tantas espécimes estão hoje correndo risco de extinção, ele sobrevive, e bem, comendo carniça pelo mundo afora. Hoje ouvi de uma pessoa que o Congresso Nacional é comandado pelas duas hienas da foto, Hugo Motta (Câmara) à esquerda e David Alcolumbre (Senado) à direita. Não se trata de opinião unânime, mas retrata, para o bem ou para o mal, a opinião de grande parte da população do Brasil. Sobretudo hoje e depois de tudo o que aconteceu ontem.

Recentemente parlamentares da extrema direita política brasileira, sobretudo do PL e do Republicanos, ocuparam a mesa da Câmara por 36 horas em "protesto" e só se retiraram de lá quando o presidente Hugo Motta, com muito tato e carinho, conseguiu convencê-los a sair. E nada, rigorosamente nada aconteceu a nenhum deles. Ontem o deputado Glauber Braga conseguiu ficar poucas horas na mesa da presidência antes de ser sacado de lá à força, terno rasgado e correndo o risco de ter seu mandato cassado. Ele é do PSOL, um adversário ferrenho e ideológico de Motta.

Glauber responde a processo que pode cassar seu mandado porque, tendo sido ofendido por um militante do MBL que atacou sua mãe, reagiu correndo atrás do desaforado e dando-lhe um chute a bunda. Eduardo Bolsonado, Carla Zambele e Alexandre Ramagem ainda não sofreram punição alguma do Legislativo embora os dois últimos sejam condenados da Justiça com sentenças transitadas em julgado e tenham ordem de prisão expedida pelo Supremo Tribunal Federal. São protegidos pelo sistema político que domina a Câmara.

No Senado, o presidente David Alcolumbre quer botar em votação logo a lei aprovada na Câmara e que institui "dosimetria" das penas dadas aos condenados de janeiro de 2023, a turba comandada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para dar um golpe de Estado - mais um... - no Brasil. Alcolumbre está zangado com o presidente Lula porque este indicou para o Supremo Tribunal Federal ministro que não era de seu agrado. E isso embora essa escolha seja atribuição exclusiva da presidência da República.

São tempos de hienas...

Como as normas legais aprovadas ontem e na madrugada de hoje - hienas têm hábitos noturnos... - agridem normas constitucionais segundo a maioria dos especialistas da área, nem deveriam ter sido colocadas em votação. Mas o foram porque o Legislativo afronta a Constituição sempre que pode e, mesmo sabendo que deve perder, vive para gerar crises e contestar a Carta Magna do Brasil que não foi feita pelas correntes políticas que o comandam hoje. Muito pelo contrário.

E pode parecer incrível, mas é verdade que por trás de tudo isso esteja o senador Flávio Bolsonaro, "candidato" a presidente da República com a platafroma de tirar o pai criminoso da prisão e ainda - tarefa inpossível! - colocar o nome deste na cédula de votação para a presidência em 2026. Ninguém merece um replay da novela das urnas eletrônicas "não auditáveis" em um novo pleito eleitoral. A não ser as hienas...

5 de dezembro de 2025

Legítima defesa

 

O crime de responsabilidade é regulado pelo art. 85 da Constituição Federal do Brasil e detalhado na Lei 1.079/1950, a chamada "Lei do Impeachment". Não se trata de um crime comum, mas sim com natureza política e sua punição principal é a perda do cargo e inelegibilidade por certo período de tempo. Portanto, algo muito grave e que precisa ser tratado de forma responsável e à luz de provas irrefutáveis. Só que em nosso caso, de alguns anos para cá, vem se tornando uma forma pouco disfarçada de vindita política usada pelos setores mais radicais da extrema direita brasileira para investir contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Daí a reação deste, por intermédio do ministro Gilmar Mendes, essa semana.

O que está acontecendo é que de uns tempos para cá os possíveis candidatos ao Senado nas eleições de 2026 têm como plataforma política atingir o Judiciário através do STF e isso foi dito em várias oportunidades por eles no Congresso Nacional (foto). Mas tal só acontece porque as últimas decisões judiciais da Suprema Corte contrariaram os parlamentares sem projetos voltados para Educação, Saúde, Transportes, Infraestrutura, etc. Nem mesmo segurança que não seja a deles. Seu foco é fazer estardalhaço e tentar dirigir as atenções da opinião pública às ações voltadas a classes menos favorecidas. E sempre que governadores do tipo Cláudio Castro promovem ataques a favelas, inocentes morrem porque esses vivem nos únicos lugares onde seus parcos ganhos financeiros permitem. E como pobre é "invisível", na maioria das vezes suas mortes ocupam as manchetes por pouco tempo.

No chamado "andar de cima" é diferente. Só nos últimos quatro últimos escândalos financeiros foram desviados R$ 133 bilhões - isso pelo que foi apurado até agora - com corrupção, na maioria dos casos via sonegação de impostos federais e estaduais. Refiro-me a Refit, Banco Master, Carbono Oculto e Lojas Americanas, todos do gênero "Faria Lima" onde a entidade "o mercado" continua tentando mostrar à população brasileira que nosso maior problema seriam os gastos públicos. Sem contarmos com as emendas parlamentares, o novo tipo de cangaço moderno criado pelo Poder Legislativo do Brasil.

Pois vejamos: ontem mesmo o Congresso Nacional aprovou a obrigatoriedade de o Poder Executivo colocar à disposição das goelas insaciáveis de deputados federais, senadores e outros nada menos do que R$ 13 bilhões em emendas parlamentares até julho de 2026 - 65 por cento do total empenhado - para que esse dinheiro seja usado antes das eleições. Em muitos casos até mesmo como doações para clubes de tiro. Todos nós sabemos que essa dinheirama toda nunca é usada integralmente para a finalidades descrita em seus projetos. Grande parte do montante termina desviada para os bolsos dos parlamentares que usam as verbas em suas campanhas políticas de reeleição. Isso quando não botam tudo no bolso e levam para suas "aplicações financeiras".

Dos projetos anunciados pelos políticos e de ataque ao Judiciário constam, além do impeachment de ministros, a criação de mandatos, a eliminação das decisões monocráticas e outras coisas mais. Tudo para frear o poder de reação do STF à corrupção legislativa como, por exemplo, nos casos do uso de emendas parlamentares por pessoas já condenadas e com sentença transitada em julgado, de demissão de funcionários públicos de cargos onde eles não podem parmanecer mais, de cassação de mandatos de condenados e outros. Sobretudo para não continuar acontecendo, como ocorre agora, de um partido político de extrema direita como o PL ter uma bancada de "exilados" no exterior exercendo mandato.

Ou seja, para o STF essa reação é um ato de legítima defesa. 

30 de novembro de 2025

Adeus, florestas!


Quando eu era garoto meu pai nos levou duas vezes a Ribeirão Pires, um paraíso de Mata Atlântica localizado a apenas 40 quilômetros de São Paulo, onde morávamos. A cidade fica no topo da Serra do Mar, início da descida da estrada velha de Santos, e vale a pena conhecer. Era um santuário de floresta intocada e que pode ser curtido nessa foto de internet. Olhando bem a gente vê a cidade ao fundo e, bem mais adiante, a Baixada Santista que fica depois da descida da serra. É um declive de cerca de 800 metros. Essa semana, quando estava pensando nesse artigo, procurei saber do lugar e recebi a informação de que RP é agora o município mais devastado em Mata Atlântica de São Paulo. Que crime!

Esse é apenas um exemplo do que está sendo feito no Brasil e que vai se tornar muito mais agudo caso o PL da devastação entre em vigor sem ser contestado judicialmente. Esse bioma ocupava uma área de 1.110.182 quilômetros quadrados e correspondia a 15 por cento do território nacional antes de começar a ser destruído. Englobava Espírito Santo, Rio de Janeiro e Santa Catarina inteiros, além de parte dos estados de Alagoas, Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Sergipe e, claro, São Paulo. No ES agora só há 11 por cento de cobertura original de florestas de Mata Atlântica e a desvatação foi provocada sobretudo por avanço da pecuária no Estado. O corte das florestas diminuiu, mas já temos muito pouco a perder.

Cito a questão da desse bioma único no Brasil como destaque dos danos a serem provocados pelo projeto de lei porque nós, capixabas, estamos dentro do problema. Em nosso Estado houve uma orgia de derrubada de florestas e as motosserras fizeram a festa da morte. Tivemos por aqui até mesmo campeões de desmatamento e que se tornaram tristemente famosos por isso. Mas agora a extrema direita política do Brasil, com a ajuda de senadores do Espírito Santo, está comemorando o fim das florestas em nosso pobre país. E é preciso notar e registrar que com o fim da vegetação, vai embora também quase toda a vida animal.

É  triste dizer isso, mas no Brasil atual o PL da devastação está ligado à direita e ao "desenvolvimentismo". O combate a ele é pauta da esquerda, ou seja, dos "comunistas". Nada mais bisonho e falso como pensamento humano. Na verdade todos os que lutam pela lei aprovada no Senado têm algum compromisso pecuniário com os setores econômicos diretamente ligados a essa questão e estão engordando suas contas bancárias via lobistas. Talvez eles até desconfiem dos danos que isso vai trazer ao País, mas dane-se. Se seus interesses estão satisfeitos é tudo o que importa. E o projeto modificado pela oposição, como está agora, tem a capacidade de destruir o que ainda temos de meio ambiente sadio no Brasil.

Esse projeto de lei flexibilizará o licenciamento ambiental através de projetos por adesão e compromisso (LAC) que vão virar regra, dispensarão análises técnicas e facilitarão o desmatamento como na Mata Atlântica que citei, sem a necessidade de autorização de órgãos ambientais, sejam estaduais ou federais. Haverá licenciamento automático, dispensa de licenciamento, desmatamento de áreas em estágio avançado de regeneração, desconsideração de áreas protegidas, restrições à atuação de órgãos ambientais e isenção de cumprimento de condicionantes ambientais por parte de empreendimentos privados com o custo e a responsabilidade pelos impactos sendo jogados à população e o poder público.

Há várias vertentes danosas nessa lei e não apenas o fato de que, com ela em vigor, intervenções em reservas indígenas poderão voltar a serem feitas mesmo sem o consentimento destes. E também mesmo com as emissoras de TV mostrando os presidentes da Câmara e do Senado se confraternizando na mesa da sessão conjunta, como se estivessem comemorando uma Copa do Mundo de Futebol. Mas não; isso é apenas mais uma "vitória" contra a natureza, contra o que o Brasil tem de mais valioso e a avant premiere da orgia das motosseras que jamais pararam de ser usadas contra os biomas brasileiros.

Adeus, florestas!

              

    

28 de novembro de 2025

Uma questão de princípios


A Polícia Federal faz hoje nova operação nacional contra o desvio de dinheiro do meu, do seu, do nosso imposto por políticos que usam o recurso das emendas parlamentares e as destinam aos mais diversos endereços, todos eles ilegais. Agora, com o auxílio da Controladoria Geral da União (CGU) ela está à caça de R$ 22 milhões desviados em esquema de contratos de pavimentação irregulares firmados pelo DNOCS (Departamento Nacional de Obras contra a Seca). Aliás, esse órgão é um dos alvos do Centrão, que sempre exige dos governos que "apoia" ter controle sobre ele. Todos sempre soubemos os motivos...

Essa é a enésima vez que a PF sai à caça das falcatruas envolvendo emendas (foto). E essa é a razão pela qual o Congresso Nacional investe mais uma vez contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e, principalmente, contra o ministro Flávio Dino. E também porque não quer o candidato Jorge Messias completando a Suprema Corte do Brasil. Sabe que ele, como Dino, vai mandar investigar o destino das emendas parlamentares que servem a tudo no Brasil, até mesmo para serem destinadas aos inúmeros clubes de tiro existentes...

Aliás, esse valor de agora é até pequeno. Na modalidade de PIX as emendas já serviram a tudo. Aqui no Espírito Santo a Academia Espírito-santense de Letras (AEL) precisava de R$ 400 mil para fazer uma reforma em sua sede que fica ao lado do Paláco Anchieta. Era um valor estimado por organização que faz reformas em prédios antigos e havia participado de obras no Palácio Anchieta. De repente, não mais que de repente, uma emenda parlamentar surgiu para salvar a entidade. Só que no valor de R$ 1,8 milhão. É o milagre da multiplicação do dinheiro... E essa Academia, que deveria ter a preocupação de explicar timtim por timtim cada centavo de dinheiro público que entra lá, se fecha em copas.

Esse exemplo também é pequeno em montante, mas enorme em impacto. O Brasil está perdendo o foco em torno da moralidade. As emendas parlamentares, antes uma forma de os políticos, sobretudo federais, enviarem receitas aos seus redutos, agora servem a tudo e sobretudo à imoralidade. Por isso são defendidas com unhas e dentes pelo Poder Legislativo. Servem à perpetuação do poder nas mãos de quem já chegou ao Parlamento Federal e não quer deixar o posto, de nada importando o preço a pagar. A nós pagarmos, claro!

O problema maior é que a instituição das emendas está no colo dos políticos que as defendem de todas as formas, inclusive os de partidos de esquerda. E planejam até mesmo conseguir maioria absoluta no Senado para investir contra o Supremo Tribunal Federal e até para caçar os ministros que  hoje investem contra os desmandos dessas falcatruas e punem seus autores, estejam onde estiverem. Que desplante! Descaramento! Onde já se viu isso?

Mas a caravana passa enquanto os cães ladram. Hoje mesmo já está em alegações finais a primeira ação penal sobre emendas. Nesse caso, envolve gente do PL do Maranhão. O processo corre em sigilo de Justiça, mas é conhecido e virou foco daqueles que ainda lutam para que a moralidade volte a imperar no Brasil senão como uma determinação judicial, mas também como um princípio de vida pública. Só que princípios só servem a quem os tem. 

26 de novembro de 2025

Arrivistas medíocres

Sempre que me volto à situação do Brasil atual, sobretudo para as prisões de figuras ligadas ao ex-governo federal, me vem à mente uma obra monumental da filósofa alemã Hannah Arendt, "Eichmann em Jerusalém", e que conta a história do julgamento do criminoso de guerra Adolf Eichmann, condenado à morte e executado em Israel em 1963 por crimes de guerra. Nesse livro ela lança o conceito de "banalidade do mal", explicando como as pessoas se transformam nessas situações. No caso específico, não porque a dimensão dos atos praticados possa ser comparada aos dos ex-governantes brasileiros da administração passada, mas sim pelo arrisvismo medíocre que foi a marca daquele indivíduo a quem foi dado um poder quase absoluto durante a II Guerra Mundial. E parecido com os de hoje.

Escalada para cobrir o julgamento pela revista "The New Yorker" e que se realizaria na Casa da Justiça onde um homem seria julgado por suas antigas vítimas, ela não se viu diante de um monstro como imaginava, mas sim perto do cidadão comum, arrivista de pouca inteligência, na verdade uma nulidade pronta a obedecer a qualquer voz superior, um simples funcionário incapaz de discriminação moral e, sintetizando, um indivíduo sem consistência própria e que havia assumido eufemismos burocráticos como seu caráter.

Quem é Jair Bolsonaro, hoje preso na Superintendência da Polícia Federal de Brasília (foto) e condenado a 27 anos e três meses de prisão senão um sujeito tão pequeno como aquele e que exerceu um cargo para o qual levou todas as suas frustrações e falta de tirocínio durante quatro anos e ao longo dos quais exerceu um poder despótico e distante das normas mais comezinhas de comportamento? Segundo a psicóloga Marta Suplicy, ele é o psicopata sem chance de recuperação, que não sente empatia, remorso, sentimento de culpa e nem sequer tem a capacidade de conviver com quem pensa diferente dele.

Hitler tinha essa síntese e só podia viver ao lado de gente medíocre, que não questionasse suas ordens, que jamais tentasse se contrapor a suas convicções geralmente baseadas em nada e que se reduzisse ao tamanho que seu dono dava a ele. Gente como Eichmann. Por isso Bolsonaro teve ministro da Saúde general especialista em estatística, da Educação que não era entendido por ninguém, ministro das Relações Exteriores nascido do quarto escalão do Itamarati, etc. O arquétipo era assim determinado como modelo único.

Bolsonaro merece ficar onde está, cercado por cuidados médicos porque é doente e o Estado tem que se responsabilizar pelas pessoas que mantém sob custódia.

Vivemos uma época da qual devemos nos orgulhar. Generais, um almirante e outros oficiais superiores das Forças Armadas do Brasil foram condenados e começaram a cumprir pena por terem participado, juntamente com seu chefe, da mais recente tentativa de golpe de Estado brasileira. A primeira que causou esse tipo de dano, com prisão e condenação de seus responsáveis diretos e indiretos. Talvez o Brasil tenha jeito. Pelo menos nossas instituiçoes passaram incólumes por uma prova de fogo. Ou estão passando.         

25 de novembro de 2025

Clima de hospício

 

A imagem mostrando o ex-presidente Jair Bolsonaro na portaria da delegacia da Polícia Federal de Brasília (foto), para onde foi levar a mulher Michele depois visita de ontem, mostra que há muita coisa errada no Brasil atual, sobretudo quando se fala de leis e de seu cumprimento. Essa foi a primeira vez que vi um preso acompanhar seu visitante até a porta da prisão. Geralmente eles ficam nas celas, a não ser nos horários de visita ou banho de sol.

Mas não é só isso. Tentar tirar a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda dentro de casa ao mesmo tempo em que o filho mais velho e mais malandro convoca vigília para a porta do condomínio onde ele estava é surreal. Aliás, passa disso. Por fim, os movimentos dos presidentes da Camara e do Senado provocando uma crise institucional grave com motivações torpes faz qualquer pessoa entender que todo esse conjunto de fatores tem um projeto escondido, mas definido. É um clima hospício, só que seu enredo está claro.

O presidente da Câmara entregou um projeto de lei antifacção governamental a deputado federal da extrema direita com o claro intuito de ver o texto descaracterizado. Modificado. Mutilado. E foi o que aconteceu. Já o do Senado ficou nervozinho porque o presidente da República exerceu uma atribuição sua sem consultá-lo e, ato contínio, pautou projeto de lei que custará uma fortuna aos cofres públicos sem que haja fonte de recursos identificada para tanto. É no mínimo uma vingança. Uma irresponsabilidade. Um enredo do hospício.

O exercício de cargos da importância dos comandos das duas casas legislativas federais exige compromisso público. Digo: com o interesse público, só com ele. E não que seus dirigentes se tornem falsos vestais e usem do poder que têm no exercício das funções para propósitos pouco claros. Ao presidente da Câmara faltou dizer logo no dia de sua posse: sou de extrema direita e pronto. Estou com o bolsonarismo e não abro. Ao do Senado: sou vingativo e se não me prestarem vassalagem o preço vai ser alto. Tudo ficaria claro.

O Brasil vive hoje tempos de insegurança e as hordas que desejam uma ruptura da ordem democrática visam o Poder Executivo e também o Judiciário. Elas nunca desistiram de dar golpe de Estado, de destruir a democracia do nosso país. Só não fizeram isso até agora porque não conseguiram, mas vão continuar tentando. A quadrilha que se forma no exterior, sobretudo nos Estados Unidos, mostra isso. Mostra também que os crimes contra o Estado Democrático e de Direito têm que ser punidos. Sem perdão. Sem anistia. 

20 de novembro de 2025

Será a Polícia Federal um perigo?


Essa pergunta e título do artigo que você vai ler agora tem resposta simples: depende!

No plano legal ela é uma instituição policial brasileira subordinada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, com a missão de atuar como polícia judiciária da União. Sendo assim, investiga os crimes federais e infrações cometidas contra bens e serviços da Federação. Dentre o que ela deve combater estão tráfico de drogas, contrabando, corrupção e crimes contra o meio ambiente, além de exercer controle sobre as fronterias, portos, aeroportos e os chamados "crimes do colarinho branco". E esses não moram nas favelas...

Vou contar uma história: logo que houve o golpe de Estado de 1964 uma das primeiras providências dos militares golpistas foi instrumentalizar a PF, fazendo dela braço armado do regime político-militar. Os federais caçavam comunistas e assemelhados pelo País todo. Eu mesmo, jornalista com atuação em esporte - o que era muito apropriado - passei uma noite inteira sentado num banco da sede da Federal em Vitória, quando esta ficava próxima ao bairro de Jucutuquara, "para aprender a não ser folgado". Havia sido acusado de comunista... Só que não havia como me enquadrarem na Lei de Segurança Nacional. Mas, com o fim da ditadura essa força voltou a exercer suas atribuições constitucionais sem desvios outros.

No governo passado o hoje ex-presidente condenado tentou fazer com que a Federal voltasse a ser órgão a serviço de seus interesses e não mais subordinada aos do Estado. Não conseguiu porque o golpe deu errado, mas deixou filhotes espúrios espalhados por todos os lugares, muitos dos quais hoje têm parlamentares no Poder Executivo, outros no Legislativo ou até mesmo estão encastelados no Judiciário. Então, como a instituição ataca os "crimes de colarinho branco" no âmbito federal, isso incomoda não aos criminosos dos complexos da Penha e do Alemão, mas aos situados no alto escalão chamado agora de Faria Lima e alvos da Operaçao Carbono 14. Eles têm muito poder e bem mais coisas a esconder...

Fácil entender, não?

A prisão dos diretores do Banco Master e a intervenção no BRB de Brasília, ambas levadas a cabo pela Federal, tirou o meu sono? Não. Tirou o seu? Não. Mas está tirando o de diversos políticos de Brasília, muito provavelmente o do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, o de Cláudio Castro, do Rio de Janeiro e o restante desse grupo pouco afeito a respeitar as leis em vigor. Então e por isso as primeiras versões da atuação desastrada do texto legal do Congresso sobre a extrema direita política brasileira tentaram atingir a autonomia da PF buscando fazer com que ela tivesse sua atuação subordinada a governadores (alguns). O então que sua verba de atuação fosse grandemente diminuída e destinada também aos Estados. Ou seja, aos governadores comprometidos.

O Projeto de Lei Antifacção que vem sendo elaborado pelo fascista Guilherme Derrite et caterva para enfraquecer o combate ao crime organizado quer que os brasileiros mais alienados continuem torcendo para que os pobres sejam massacrados nas favelas ao mesmo tempo em que, no andar de cima, os desvios de dinheiro floresçam na mesma medida do fornecimento de drogas e armas pesadas para os andares de baixo porque eles alimentam a criminalidade e justificam as ações espetaculosas, pirotécnicas das polícias civis e militares a serviço dos governantes de extrema direita que vivem desses expedientes. Entendam, leitores: armas pesadas e drogas não são fabricadas nas favelas. Elas apenas vão para os "soldados" do crime que as usam para a distribuição dessas substâncias no varejo.

A extrema direita política brasileira aposta tudo nas eleições do ano que vem. Se perder vai ficar sem rumo e começar a minguar, como aconteceu durante a última ditadura militar. Caso vença, vai lançar seus tentáculos sobre a sociedade e fazer com que órgãos como a PF voltem a ser uma polícia política a serviço do regime, ainda que ele seja civil. Entendeu porque a Polícia Federal dos tempos atuais ou modernos é um perigo? Lute contra isso e não se deixe manipular como se fosse um simples boneco de trapos. 

 

18 de novembro de 2025

As lambanças de Derrite

 

O melhor policial que pode existir no mundo é aquele capaz de fazer das leis, sobretudo do Código Penal, sua Bíblia. Esse misto de secretário de Segurança de São Paulo e deputado federal Guilherme Derrite (foto de arma nas mãos) está distante anos luz disso. A começar pelo fato de ter sido afastado da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, ROTA, por excesso de violência. E essa facção da PM paulista, velha de guerra em todos os sentidos, não é exemplo de cortesia nem legalidade no trato com os diversos tipos de ocorrências policiais.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ex-militar formado pelo Instituto Militar de Engenharia, foi ministro de Estado da Infraestrutura do Brasil de 2019 a 2022, durante a gestão do condenado Jair Messias Bolsonaro, justamente por seu passado na caserna. E quando se elegeu governador do Estado mais rico do Brasil capitaneado pelo ex-presidente, indicou Derrite para secretário pelo mesmo motivo. Não apenas o governo paulista seria uma continuação de um quartel, mas também faria da violência a sua marca. E a letalidade policial cresceu exponencialmente depois que ele chegou ao governo estadual.

Político de extrema direita, talvez sem saber exatamente o que isso signifique, o secretário se elegeu deputado federal na cauda de cometa do prestígio pessoal do condenado. Como o governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro mandou matar mais de 100 pessoas em duas comunidades faveladas do Rio de Janeiro, ele reassumiu seu mandato e foi indicado relator do Novo Marco Legal do governo Lula, obviamente para modificar o texto e adaptá-lo às crenças da extrema direita nacional. Já fez cinco versões de sua lambança que pode ir a votação hoje no Congresso por inciativa do presidente da Câmara, Hugo Motta, um fiel coleguinha de partido, interesses pessoais e crença político partidária.

O principal problema desse texto que ninguém sabe como vai ficar é a insistência dos setores ligados ao extremismo político de direita de tentar incluir no monstrengo jurídico o conceito de terrorismo para crimes comuns de facões criminosas. E isso porque esse espectro de nosso universo político analfabeto funcional segue a cartilha da extrema direita dos Estados Unidos onde o atual presidente quer usar o poder militar da maior potência do mundo para dobrar, talvez literalmente, aqueles que se opoem a seus ditames.

Essa é a encruzilhada na qual vivemos. A maioria dos juristas diz que a lambança de Derrite e seus colegas contém várias inconstitucionalidades. Então, o ideal seria que isso tudo fosse retirado do texto para que ser evitada a interferência do Supremo Tribunal Federal (STF) na questão. Claro, se ele for provocado, vai ter que se manifestar. Mas não é o que o extremismo brasileiro deseja. Ele quer isso mesmo: a interferência judicial no problema porque vai gerar mais uma crise constitucional e justificar o fato de a atual oposição dizer que somos governados por uma ditadura judicial. Não é verdade, mas de crises se alimenta a extrema direta. E apenas e tão somente de crises, porque não tem projeto algum.  

13 de novembro de 2025

Saudade da polícia que mata


Tem triste história em São Paulo uma parcela da elite violenta da Polícia Militar daquele Estado chamada de Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, mais particularmente ROTA. Foi o repórter Caco Barcelos quem mais se aprofundou nesse tema quando escreveu um livro contando a história da "Polícia que Mata". E matava muito mais do que hoje. O atual deputado federal Guilherme Derrite é oriundo desse grupamento e da ideia de que o Estado tem que se defender de uma guerra, mesmo interna, sendo o criminoso inimigo e devendo ser tratado como tal. Portanto, para essa parcela do pensamento homiziado na extrema direita não pode sobreviver por aqui a ideia do Estado como uma força mediadora de conflitos.

Durante a ditadura militar de 1964/85, aquela da qual o condenado Jair Bolsonaro sente saudades eternas, esse era o pensamento vigente e foi por isso que a ROTA ganhou projeção, prendendo, torturando e matando indiscriminadamente. Cheguei a ouvir um de seus oficiais - Derrite é oficial - uma descrição orgulhosa da eficiência do "pau de arara", o método de tortura que está mostrado na ilustração acima. Quem já passou por isso consegue se lembrar de como eram terríveis as dores sofridas pelos supliciados. E foram inúmeros...

A saudade do estado totalitário e das violências que ele praticou ao longo de 21 anos ainda povoa a cabeça de muitos extremistas de direita brasileiros. Eles todos aplaudem o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, pela chacina ocorrida no Estado. E ninguém questiona como puderam morrer 121 pessoas num ataque de forças policiais contra duas comunidades faveladas sem que o único dos procurados pela Justiça fosse preso. E é essa ação que hoje motiva a extrema direita brasileira a pedir violência cada dia maior, a perda de poder da Polícia Federal e a transferência de comando das ações para os Estados. Mas a incompetência estadual é a responsável maior pelo crescimento das facções criminosas em todo o Brasil e o aumento dos reflexos dessa criminalidade junto às populações.

Recordo-me como se fosse hoje do dia em que assisti a uma "caçada" da ROTA em São Paulo em plena década de 1970, quando saia de um cinema, Cine Gazeta, na Avenida Paulista. Dois carros cercaram três indivíduos e os PMs que saíram deles já desceram atirando. E só eles atiraram! Tenho a mais absoluta convicção de que ao menos um daqueles três atacados morreu na calçada, ao lado de um ponto de ônibus. Nós, os pedestres, terminamos enxotados do lugar pelos policiais armados até os dentes. Eram tempos de ditadura militar e bem faziam aqueles que não enfrentavam a fúria oficial...

Derrite é só um fantoche nas mãos daqueles que o manipulam, mas já dobrou seu patrimônio pessoal em muito pouco tempo. Representa os governadores de direita como Castro, Tarcísio de Freitas, Ronaldo Caiado, Jorginho Melo e outros, e faz o que estes mandam sem discutir nem questionar nada. Ontem mesmo ameaçou jornalistas que tentavam entrevistá-lo no Congresso Nacional, em Brasília. Ele sente cheiro de sangue à distância e só não se volta jamais contra os bandidos da Faria Lima. Tem poder, tem raiva mas muito juízo também.

E não sente o menor apreço pela democracia.

11 de novembro de 2025

Maus mocinhos, bons bandidos

 

Saída do forno: a agência "Ideia" divulgou agora pela manhã o resultado de uma pesquisa "Relatório de Avaliação e Dignóstico" feita no último dia 06 e reunindo 1.027 pessoas de 26 unidades da Federação relativa ao que o brasileiro pensa sobre a chacina policial nas comunidades do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro. Para a maioria, 48,7% o importante é buscar quem encabeça as organizações criminosas a partir da Faria Lima. 35,9 por cento não têm opinião formada e 15,4 por cento preferem que os soldados do crime sejam procurados e mortos como feito pelo governo Cláudio Castro. É bom notar que a pesquisa é longa e destaco apenas um dado dela. Também que esses percentuais costumam ser muito fluídos e mudam de acordo com o calor da hora e o conteúdo dos discursos oficiais.

O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes determinou a sustação dos procedimentos legais determinados pelo governador Cláudio Castro e que pretendiam penalizar parentes das vítimas daquele dia por terem resgatado os cadáveres de seus entes queridos de onde foram mortos (foto acima), bem com preservar para os procedimentos legais necessários os laudos de negropsia dos mortos e também as imagens das câmaras corporais dos policiais envolvidos naquela ação. É certo que vários mortos foram executados com tiros a queima roupa, bem como nenhum dos procurados pela Justiça foi preso naquele dia. E mesmo assim morreram 121 pessoas, todas elas pobres, favelados.

Nós precisamos definir em que país queremos viver. Aqui em Vitoria, onde moro, o arcebispo Dom Ângelo Mezzari precisou sair em defesa do padre Kelder José Brandão Figueira, que publicou trabalho "Evangelização nas periferias geográficas e existenciais", atacado pelo deputado bolsonarista Lucas Polese (PL-ES). Pelo título a gente já vê que o trabalho é extremanente "subversivo". Esse é só um exemplo. Recentemente outro parlamentar atacou uma exposição que era realizada no Palácio Anchieta. Isso é um método e a extrema direita ataca às claras tudo o que faz escondido. É imensa a quantidade de membros desse espectro político já presa por motivos diversos como pedofilia, por exemplo.

Agora mesmo, às vesperas da eleição presidencial da Academia Espírito-santense de Letras (AEL) e realizada ontem à noite, duas ou três acadêmicas desta instituição e da Academia Feminina Espírito-santense de Letras faziam campanha aberta para o acadêmico vereador de extrema direita Leonardo Monjardim, em nome das duas instituições, pois ele pretende se candidatar ao Senado pelo Espírito Santo. Isso é terminantemente proibido pelos estatutos das duas entidades, mas é sempre feito. E sem que nada aconteça contra os autores.

Precisamos definir em que país queremos viver. Se nesse atual sujos atos e consequências têm e devem continuar tendo como horizonte as leis em vigor, tanto no plano de uma simples eleição de entidade supostamente cultural quanto no do respeito pela vida e pela morte em ações policiais ou então no defendido por muitos e onde tanto as leis quanto o princípio do respeito a elas não passa de mera opção de momento, sobretudo para aqueles que podem conspirar até contra a Constituição do País porque não concordam e não aceitam o resultado de uma eleição que foi auditada e conferida à exautão antes, durante e depois.

Ou respeitamos as leis ou seremos maus mocinhos como os que atacaram duas favelas do Rio de Janeiro sem prender um único dos procurados pela Justiça, ou seremos bons bandidos porque sabemos onde atacar para atingir o Comando Vermelho e outras facções, mas ao mesmo tempo poupando os territórios das milícias. Afinal, lá é terreno de milicianos como é o caso de Fabrício Queiroz, que chegou a ser nomeado, pasmem, Subsecretário de Segurança Pública de cidade do litoral do Rio de Janeiro, há pouco tempo. Ele é amigo (?) de Flávio Bolsonaro, o filho mais velho de um rei deposto e que quitou uma casa de R$ 5,97 milhões 27 anos antes do previsto pelo financiamento.

Parece piada, mas antes de ser encerrada a pena de prisão de seu pai!!!   

6 de novembro de 2025

Em Mamdani, a esperança

 

A toda ação corresponde uma reação igual e contrária. Essa é a terceira Lei de Newton, e à qual não se foge. Transportada do campo da física para o da política ela explica a vitória de Zohran Mamdani (foto acima) para o cargo de prefeito de Nova Iorque. E não é nada fácil conseguir isso em uma cidade na qual um muçulmano mete medo, o sionismo tem grande força política e financeira, o socialismo é quase um palavrão ligado ao comunismo e a influência de Donald Trump e seu poder econômico ainda é imenso. Ou será que era?

O norte-americano não quer ser submetido a tiranos de quaisquer espécimes. E o prefeito eleito aos 34 anos e que só teve até hoje um mandao legislativo propõe fazer pelos moradores da maior cidade dos Estados Unidos o que o presidente atual jamais faria: justiça social. Dentre outras coisas ele tenciona conter escalada do preço dos aluguéis numa cidade onde mais da metade da população não mora em casa própria e também oferecer serviço gratuito de transporte público para a população mais carente da cidade. Isso é música clássica para os ouvidos da esmagadora maioria dos nova-iorquinos.

Diz-se que ser eleito numa cidade com tão grande número de judeus é um feito. Sim, mas é preciso levar em consideração que ser judeu não obriga a pessoa a crer no sionismo e nem atuar politicamente genocida de extrema direita. É grande o número de praticantes dessa religião nos Estados Unidos que se opõem à política de Benjamin Netanyahu. São adversários declarados de um autocrata que não permite a oposição, faz acordo com os nazifascistas de seu país e já tentou mais de uma vez limitar o poder do Judiciário para seguir governando sem amarras e não respondendo a processos. Como Bolsonaro tentou aqui...

A mulher dele, Rama Duwaji, de 28 anos, compareceu ao discurso da vitória do marido com um vestido de estilista palestino. Ela, da mesma forma que Zohran, é pró palestina sem ser antisemita E isso porque são duas coisas diferentes e as pessoas lúcidas só devem ser antisionistas. É no sionismo que vive o mal que o judaísmo pode fazer aos outros, como aos palestinos. Sim, porque para estes, palestinos e muçulmanos como o prefeito de Nova Iorque são seres inferiores e não podem pleitear fazer parte da Grande Israel, dada a eles por Deus. E quem acredita ter alguma coisa por direito divino mata por causa disso e dorme em paz.

O norte-americano deu um sinal bem terreno a Donald Trump e sua trupe, parte da qual mora ainda no Brasil. É possível vermos esse socialista democrático pleiteando a Casa Branca dentro de pouco tempo. E por que não? Se não o assassinarem, o novo prefeito com tantos planos sociais pode em breve chegar a um posto onde não caberão reacionários e negacionistas. Os EUA já tiveram um presidente negro sem que este fosse morto. Agora pode ter também um muçulmano. Crescerá muito como povo se isso acontecer.                

4 de novembro de 2025

Lugar de toda pobreza

Em 1983 o jornalista Amylton de Almeida lançou pela TV Gazeta (Rede Globo) um documentário exemplo para o jornalismo do Espírito Santo. Focalizava "Lugar de Toda Pobreza", o bairro de São Pedro que naquela época era um imenso lixão onde milhares de pessoas viviam em meio a restos e urubus. Depois, com o tempo aquilo foi se tornando um bairro onde hoje a população vive com dignidade embora continue pobre. Na foto acima a gente vê o lixão à esquerda e o bairro já se formando à direita. Na foto abaixo é possível vê-lo hoje transfomado em um point de culinária popular, com urbanismo e dignidade para seus moradores. No meio do caminho não estavam psicopatas da extrema direita com mandato
eletivo, mas sim prefeitos com visão de futuro como Luiz Paulo Vellozo Lucas (principalmente) e João Coser, que administraram a capital do Espírito Santo com o olhar voltado à dignidade do cidadão.

Eis a diferença entre esses dois políticos por mim citados e energúmenos como Cláudio Castro, no Rio de Janeiro; Tarcísio de Freitas, em São Paulo; Romeu Zema, em Minas Gerais; Ronaldo Caiado, em Goiás; e Ratinho Júnior, no Paraná, além de outros ainda menos votados como o de Santa Catarina, Jorginho Mello.

O documentário de Amylton pode ser visto mesmo hoje na íntegra, apresentado por Marisa Sampaio. Ele ainda viveria para fazer o primeiro longa metragem capixaba, "O amor está no ar", em 1997, morrendo logo em seguida vitimado por câncer. Esses dois registros são muito importantes para nós. Bem como lembrar a administração de Luiz Paulo que, com o mote do "waterfront city" importado da Cidade do Cabo e unido a um profundo respeito pelo cidadão dos bairros pobres, deu-lhes dignidade em urbanização de espaço público com infra-estrutura urbana, saneamento básico, áreas de lazer, identidade. Deu ao ex-morador do "Lugar de Toda Pobreza" endereço onde o carteiro podia ir entregar as cartas (naqueles tempos) e ruas por onde as crianças circulavam para a escola com seus pais que iam ao supermercado, padaria, igreja, médico, a todos os lugares.

O crime organizado só invade espaço onde o Estado não se encontra. Lembro-me de uma conversa com o prefeito Luiz Paulo e na qual ele me disse mais ou menoso seguinte: "Dê ao morador das áreas carentes as estruturas urbanas que mostram o Estado presente e o morador não vai mais querer criminoso lá. Ele vai pegar o telefone, ligar para o número de denúncia anônima e entregar o sujeito ou a organização. Vai querer seu lugar livre".

Antes de bater palmas para gente como Cláudio Castro e suas manifestações de traição da pátria com pirotecnia, é preciso pensar nisso. Os bairros carentes precisam de investimento público, exigem a presença do Estado. Se isso foi feito em São Pedro, pode em qualquer outro lugar. Basta decisão política. E para encerrar, o governador do Rio de Janeiro tem que ter o mandato cassado e responder a processo criminal. O que ele fez indo aos Estados Unidos para conspirar contra seu país é Crime de Lesa Pátria. E esse sujeitinho já responde a processo no Suprerior Trubunal Eleitoral. Isso é o bastante.            



31 de outubro de 2025

Que Brasil você quer?

Leitor, olhe com horror a foto acima, feita por um profissonal da Agência Brasil. Ela mostra o desespero e o desamparo da mãe de um dos assassinados de terça-feira nas comunidades da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, pelas forças policiais do governador Claudio Castro, ao identificar o filho na fila de corpos. Foram 121 no total e muitos deles acabaram sendo executados desarmados, alguns com tiros na nuca, depois de rendidos. Uma força tarefa de legistas e outros peritos forenses está levantando os fatos para mostrar ao Brasil o que aconteceu naquele dia na segunda maior cidade do Brasil. Um massacre maior do que o do Carandiru, em São Paulo, caso emblemático no Brasil, à época com 111 mortos.

O massacre foi o resultado da narcopolítica do indivíduo Cláudio Castro, que chegou ao governo do Rio de Janeiro depois do afastamento de Wilson Witzel por impeachment (coitado do Rio!). Ele tem menos cultura que o antecessor, um magistrado, mas é igualmente adepto da extrema direita brasileira, a que pretende encontrar narcotraficantes pelo Brasil afora para transformar em guerra interna nosso maior problema social. O problema que, como aconteceu terça-feira, só é atacado matando-se os pobres - preferenciamente negros - das comunidades carentes do Brasil, como as do Rio de Janeiro. Castro e seus sequazes fala que só marginais foram mortos, mas as investigações comprovam o contrário.

Pelo menos um morador da região viu e denunciou policiais arrastando um homem ferido para uma ruela. Depois houve tiros e em seguida ele foi trazido de volta já executado. Outro, pastor também deputado assegura que quatro evangélicos de sua congregação sem nenhum vínculo com atos criminosos foram mortos pela Polícia na terça-feira. Eram negros, estavam com chinelos de dedo e correram com medo dos policiais. Como se não bastasse isso a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro foi impedida de acompanhar trabalhos dos legistas ontem no IML daquela cidade. À noite houve um protesto de familires dos mortos.

Há indícios claros de que setores da extrema direita política brasileira estão agindo para desestabilizar o País, sobretudo depois que o atual presidente começou a se recuperar nas pesquisas de opinião pública, surgindo como favorito para as eleições presidenciais do ano que vem. A ideia de golpe de Estado jamais foi abandonada por essa turba que agora se inspira no presidente dos Estados Unidos e sua política de ataques a inimigos com o uso da figura do narcotraficante como amparo a seu discurso que visa derrubar outros governos.

E há um ponto que precisa ser considerado: os ataques todos visam comunidades comandadas por criminosos do CV e PCC. Nunca as que são dominadas por milícias. E até as pedras portuguesas das calçadas de Copacabana sabem que essas organizações milicianas são compostas basicamente por elementos oriundos de organismos policiais, muitos destes de vínculos umbilicais com o poder estadual do Rio de Janeiro e também de São Paulo, os primcipais focos de disseminação de grupos criminosos do Brasil de hoje.

As pessoas que chamam extra terrestres com celulares na cabeça, rezam para pneus, pedem intervenção militar, acampam e se ajoelham diante de quarteis e dizem que o atual presidente na verdade é um sósia do verdadeiro que morreu em novembro de 2022 não são apenas figuras caricatas. São parte de um grande esquema de instabilidade política com ramificações no exterior, sobretudo nos EUA. E protegidos por gente da Faria Lima, também de vínculos fortes com o crime organizado, sobretudo o de cunho financeiro. Só que estes usam paletó, gravata e não morrem nas ruelas de nossas comunidades paupérimas.    

O que eles almejam é um novo golpe de Estado e a queda pela força das armas, se preciso for, de um governo legitimamente eleito pelo nosso povo, elemento fundamnetal e básico da vida em regime democrático. Mas será esse o nosso futuro? Que Brasil você quer?                          

29 de outubro de 2025

Parte do problema

 
Parece Gaza, mas é o Rio de Janeiro. E a foto acima foi tirada durante o dia de ontem quando a antes Cidade Maravilhosa virou praça de guerra graças ao show de pirotecnia promovido pelo governador Claudio Castro, que depois de um imenso tempo de inanição política decidiu pegar a principal chaga de seu Estado e transformá-la num espetáculo de selvageria. Até agora pela manhã, além de quatro policiais, dois civis e dois militares, mais de 110 (132 até às 11 horas) pessoas foram mortas no ataque a dois bairros da cidade por 2,5 mil agentes convocados para isso pelo governador em campanha política. Destas, quantas delas eram pessoas sem vínculo com criminosos e que perderam as vidas?

Nas áreas carentes das cidades não vivem apenas membros de facções voltadas ao crime. Moram pessoas dignas que não têm condições financeiras para viver em Copacabana, no Leblon, Leme e outras regiões. Elas  sobrevivem onde é possível. Onde cabem seus pequenos orçamentos. Muitas delas ontem não chegaram em casa ou tiveram que andar quilômetros a pé. E o governador que na calada de noite, sem pedir a participação de forças federais, trasnsformou a Capital de seu Estado em uma praça de guerra, seguiu a receita do presidente dos Eastados Unidos, Donald Trump, para quem criminosos são narcoterroristas.

E quem é o governador Cláudio Castro? Ele foi fotografado recentemente com o indivíduo PH Jóias (segunda foto), mistura de deputado federal e traficante de jóias que obteve o apoio do governador para chegar ao posto que ocupava na política de seu Estado. Um criminoso comum com mandato parlamentar. Isso acontece não somente com ele, mas com outros. A política é um dos espaços que o crime organizado ocupa sempre que pode. E isso não acontece apenas no Rio de Janeiro, mas em todos os lugares. Ironicamente, o movimento de invasão do espaço político por criminosos não é coisa das mais recentes. Se a gente olhar para a biografia dos nossos parlamentares, sobretudo os do espectro político de extrema direita, veremos isso acontecendo. Aqui no Espírito Santo por exemplo. 

Mas não acontece de uma hora para a outra. O crescimento do poder de fogo de organizações criminosas como Comando Vermelho, PCC e outras se dá aos poucos e com a presença de elementos ligados direta ou indiretamente à estrutura do Estado. O que são milícias senão parte de órgãos policiais vários cooptadas pelo crime? E são estes às vezes os mais crueis, pois invadem os bairros proletários e achacam a população obrigando-a a pagar "proteção", aluguel de espaço, sistema de TV a cabo, gás e outros serviços públicos que deveriam chegar aos cidadãos pelo custo normal que é cobrado aos demais?

E é preciso dizer também uma coisa que a maioria das pessoas está omitindo por esquecimento ou má fé: quem inundou o Brasil de armamento pesado foi o desgoverno de Jair Bolsonaro com sua política de compras indiscriminadas de armas, criação de  grupos como CAC e outros. O que ele realmente queria com isso era criar milícias armadas, urbanas e rurais, para que essas o ajudassem a dar um golpe contra a democracia. Não deu certo, mas em compensação fez chegar armamento pesado ao CV e outros grupos ilegais.    

O Comando Vermelho é uma organização criminosa e cresceu à sombra da omissão do Estado. Não é terrorismo, pois esse elemento político visa a detruiçao da estrutura dos países para que elas sejam substituídas por outra não eleita e conquistada pela força. Terrorismo é elemento político. Como tentou Jair Bolsonaro ao não aceitar o resultados das últimas eleições presidenciais do Brasil. Crer que um problema social brasileiro, mesmo extremamete grave, pode ser resolvido por uma guerra interna com uso de meios militares para depois extender sua atuação à estrutura do poder central que passaria a ser exercido acima da vontade da população é ato criminoso. Conhecemos como funciona. Cláudio Castro e outros não são a solução, mas sim parte do problema.         

   

24 de outubro de 2025

Vladimir Herzog, presente!

Fará exatamente 50 anos amanhã que o jornalista Vladimir Herzog, o Vlado, foi assassinado pela ditadura militar do Brasil nas dependências do DOI-Codi, em São Paulo. Os assassinos difundiram a foto que está ao lado para "provar" que ele havia se suicidado. Suicídio por enforcamento com os pés no chão... Na verdade Vlado se apresentara expontaneamente para depor na sede do II Exército, em São Paulo, onde funcionava um dos sistemas de torturas oficial. O atestado de óbito liberado por determinação judicial substituiu a causa forjada de "asfixia mecânica (enforcamento)" feita inicialmente por "lesões e maus tratos, tortura", e que foi a causa real. O "enforcamento" foi encenado para encobrir o crime do Estado brasileiro. 

Como hoje e amanhã esse fato estará sendo avaliado por inúmeros textos de diversas fontes, sobretudo de meios de comunicação, prefiro me ater a dar uma explicação relativa a como a ditadura militar brasileira conseguiu parir os torturadores que, de Carlos Alberto Brilhante Ustra até aqui, torturaram e mataram por suplício tantos compatriotas nossos nos subterrâneos do regime político de extrema direita que mesmo hoje, meio século depois, teima em tentar ressurgir dos esgotos onde se esconde.

Foi a filósofa Hannah Arendt quem melhor explicou isso ao criar o conceito de "banalidade do mal" ao acompanhar o julgamento de Adolf Eichmann em Israel quando este foi condenado à morte depois de ser sequestrado na Argentina e levado para aquele país. Geralmente essas pessoas não eram e não parecem monstros. Eram e são apenas burocratas geralmente medíocres que cumprem o "seu dever", seja ele qual for. Eles aceitam normas sem reflexão, adotam comportamentos desumanizados e são capazes de crimes em larga escala que acabam se tornando comuns no âmbito de uma rotina burocrática.

Sim, pessoas como Brilhante Ustra, por exemplo, são tidas na conta da gente comum. Um torturador brasileiro, inquirido que foi por sua vítima durante uma sessão de torturas e ao ouvir desta a pergunta sobre se ele não tinha coração, respondeu; "Tenho, mas quando venho trabalhar deixo meu coração em casa". O comandante de Auschwitz, Rudolf Höss, morava com a mulher e os filhos ao lado das dependências do campo de massacre, só preocupado em aumentar a eficiência de seu trabalho. Colhia hortaliças, plantava flores e dava carinho à mulher e aos filhos à sombra das chaminés de onde saia a fumaça dos fornos crematórios. Sua história foi retratada no filme "Zona de interesse".

Os torturadores que mataram o jornalista Vladimir Herzog eram pessoas que todos os dias saiam de casa de manhã cedo para trabalhar. Deixavam lá mulheres e filhos. Torturavam, matavam e depois voltavam para ver televisão com a família. Na rua onde morei algum tempo com minha avó materna, ainda adolescente, uma vizinha dela era defensora ferrenha das torturas e assassinatos de todos os que fossem inimigos da "revolução". Falava disso dia e noite, menos na hora da Buzina do Chacrinha, que não deixava de ver de maneira nenhuma. Não creio que jamais tenha sentido dor na consciência. Para quê?

Por esses fatores e outros como por exemplo o fato de os ditadores de plantão estarem todos envolvidos direta ou indiretamente nos atos de prisão ilegal, torturas e assassinatos de adversários políticos, os estertores da ditadura foram duros, demorados. Em 1975, além de Herzog foram mortos o jovem dirigente comunista José Montenegro de Lima, o jornalista e editor do jornal clandestino Voz Operária Orlando Bonfim Júnior (ambos assassinados com injeção letal que podia ser de matar cavalo), mais dez dirigentes do antigo PCB, todos "desaparecidos" e por último, em janeiro de 1976, o operário Manoel Fiel Filho, também assassinado sob tortura no DOI-Codi. Esses fatos provocaram clamor público, a demissão do comandante do Segundo Exército, outros afastamentos e o estado terminal do regime de exceção que durou 21 longos e dolorosos anos no Brasil.

Amanhã, no dia em que a morte de Herzog completará 50 anos, a gente deve pensar em exemplos. Aquele jornalista era judeu e foi enterrado depois de um culto ecumênico do qual participaram o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns e o rabino Henry Sobel na ala dos que morrem por morte que não seja suicídio, pois desde sempre se sabia e se sabe que ele foi assassinado. E para os judeus tirar a própria vida, um dom divino, é proibido. Pecado e há um lugar segregado nos cemitérios para estes.

Se hoje nosso pensamento está voltado ao Vlado, vamos pensar também em Manoel Fiel Filho, morto logo em seguida e no mesmo lugar, em Rubens Paiva, trucidado em uma instalação do Exército e em mais todos os outros brasileiros que ao longo dos 21 anos de desespero que durou a última ditadura militar do Brasil foram tirados de nós. É que agora esse movimento pode voltar na calda de cometa de gente como o condenado Jair Messias Bolsonaro, militar fracassado e reformado à força, deputado medíocre, golpista nato e reverenciado por uma verdadeira multidão formada por falsos patriotas capazes de sacrificar a democracia de seu país para trazer um sociopata de volta ao poder, ainda que à custa de vermos ressurgir em nosso horizonte o vírus de uma nova banalidade do mal.

Vladimir Herzog, presente!