24 de setembro de 2019

"...como dizem mentirosamente a mídia..."

O cavaleiro da triste figura vende uma imagem mentirosa de Brasil na ONU
Além da frase acima, que ficou no meio de uma declaração sobre as "preocupações" brasileiras para com a preservação da Amazônia, o discurso do presidente Jair Bolsonaro na abertura dos trabalhos da Organização das Nações Unidas não surpreendeu a ninguém: foi rico em ataques, ódios, preconceitos e omissões de fatos no que diz respeito a praticamente tudo o que seu governo faz.
Bolsonaro focou em Cuba e Venezuela seu discurso contra o "socialismo". Nas críticas à França, acusada por ele de fomentar o questionamento da soberania do Brasil sobre a Amazônia, não citou o nome daquele país (por quê?). Falou que, ao contrário do que o mundo inteiro vê, não há fogo e mortes naquela região. Levou à ONU uma índia quase totalmente desconhecida e leu uma carta, segundo ele de mais de 50 nações indígenas, onde era apoiado seu projeto de levar o "progresso" a todas os grupos que nos antecederam nas terras brasileiras. Isso significa aos poucos ir destruindo as raízes das culturas silvícolas para a exploração comercial das reservas. Tem ódio de territórios indigenistas e deixou isso claro. Odeia o cacique Raoni e também esclareceu esse ponto.
Falou de policiais, de crime organizado, de tráfico de drogas e se mostrou como uma espécie de novo Messias elevado à condição de presidente por um povo que por pouco não foi levado ao "socialismo" contra sua vontade, por inocência. Se um dia Bolsonaro disser o que entende por socialismo, talvez possamos compreender ao menos em parte o seu tosco pensamento político.
Os elogios aos Estados Unidos já eram esperados. Confesso que imaginava que seriam ainda maiores. Disse estar salvando o Brasil apesar dos esforços dos jornalistas de desacreditar seu governo e suas intenções. Como todos esperávamos, usou e abusou de termos como "patriotismo" e "soberania" como se vivêssemos em um terra próxima de ser invadida criminosamente por estrangeiros.
Foi pesaroso. Foi triste. Foi deprimente ouvir o discurso desse presidente da República!
Mas uma coisa todos nós podemos comemorar: ele, em momento algum, atacou as esposas de outros chefes de Estado e nem os pais assassinados de altos dirigentes da ONU. Faço minhas as palavras da ex-presidente chilena Michele Bachelet: "tenho pena do Brasil!"
Resta a convicção de que as notícias continuarão a ser feitas e as reportagens, a serem produzidas. Veremos Bolsonaro espernear enquanto estiver no Planalto, podendo repetir sempre, com ódio e despeito, que isso acontece ...como dizem mentirosamente a mídia...

20 de agosto de 2019

O eliminador de rastros

Desde cedo o presidente Jair Bolsonaro ficou preocupado. Muitos rastros ligavam seu filho mais velho, Flávio, a milicianos do Rio de Janeiro. Havia evidência de contratações destas pessoas e parentes delas nos gabinetes do primogênito e dos outros, o 02 e o 03. Isso era muito mais sério do que contratar mais de duas centenas de parentes para todos os gabinetes ou então tentar emplacar 03 como embaixador nos Estados Unidos. Depois disso ele começou a tirar de sua frente aquelas pessoas com os maus hábitos de seguir rastros. Sobretudo de maus hábitos.
A Polícia Federal começou a sentir o peso da raiva do senhor que diz para quem quiser ouvir: "Quem manda sou eu!". Ele disse que cabeças iriam rolar e rolaram. O negócio é eliminar rastros!
Mas o COAF estava se recusando a ser dócil. Azar dele porque o presidente é mais forte e acabou com ele. Dane-se o fato seu maior mandatário, Roberto Leonel, ter sido indicado pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro. Afinal, essa não seria a primeira vez que uma escolha ministerial seria desconsiderada. E também havia o fato de que Leonel - como ele foi capaz? - teve cometido o desplante e o descaramento de criticar o presidente do Supremo Tribunal Federal, que tinha determinado ao COAF para não mais ceder elementos e provas de investigações. A pedido de Flávio...
E essa tal de Receita Federal, como teve a coragem de continuar investigando fatos, analisando dados, revirando documentos, à revelia da vontade presidencial? O Porto de Itaguaí é intocável, mesmo que um delegado da PF veja lá suspeitas de contrabando de armas. Quem disse que não pode haver indicação política para a substituição de um auditor? Pode sim. E se os auditores fiscais ficarem zangados e resolverem cruzar os braços? A gente vê o que acontece.
Hoje mesmo o braço direito do presidente no Rio de Janeiro, Wilson Witzel, maldosamente chamado de AuchWitzel por essa camarilha comunista, comemorou como quem comemora um gol da Seleção Brasileira a morte de um sequestrador na Ponte Rio Niterói. Afinal, ele pode. Desde janeiro último a Polícia do Rio de Janeiro já matou quase 900 pessoas em confrontos naquele Estado. Muita eficiência. Mas ninguém foi morto em regiões dominadas pelas milícias...
Vamos entender uma coisa de uma vez por todas: ninguém pode atacar os projetos e interesses desse clã. Jamais. Afinal, o jovem Renan - que aparece na foto ao lado direito do papai - está sendo preparado para entrar em campo e jogar o jogo na posição que for escolhida para ele.
E por último, quem manda é o Messias. Mas até quando?

13 de agosto de 2019

E ele respeita alguém?

Bolsonaro não tem por hábito respeitar os outros. Mas exige que o respeitem
Uma pessoa das minhas relações e bem de direita mesmo, reagiu chamando de "desrespeitosa" a manchete de um jornal da Áustria que mostra foto do presidente Jair Bolsonaro tirada domingo último num evento evangélico de Brasília vestindo camiseta de propaganda de correntes religiosas. O título diz: "O Brasil elegeu um idiota". Também o ministro do meio ambiente Ricardo Salles, num programa da Globo News de nome Painel, acusou o e-diretor do INPE, Ricardo Galvão, de também ter sido desrespeitoso com o presidente. Bolsonaro não gostou de números de desmatamento divulgados e disse que o INPE "deve estar comprometido com alguma ONG". Como organizações não governamentais são para o presidente instituições desonestas, foi disso o que ele chamou Galvão, sem qualquer prova, antes de o cientista especialista em clima responder de maneira dura.
Pergunto: Bolsonaro respeita alguém?
Nos últimos tempos as declarações do presidente têm horrorizado todas as pessoas mais esclarecidas. E isso por uma razão muito simples: a presidência da República tem uma liturgia que os ocupantes do cargo não podem desconhecer. É preciso que os presidentes respeitem a dignidade da chefia de Estado, sem o que eles se diminuem e tornam o conceito do País água de sarjeta.
Já ouvimos de Bolsonaro que para defender o clima o cidadão deve "fazer cocô" dia sim, dia não. Em viagens ao exterior ele teve a coragem estúpida de elogiar ditadores sanguinários de Argentina, Chile e Paraguai na terra destes, para horror de cidadãos locais. Agora mesmo disse no Rio Grande do Sul que se a "esquerdalha" vencer na Argentina haverá um êxodo. Cito apenas alguns episódios constrangedores porque o texto não deve ser longo. Vou deixar o "embaixador" para outra hora.
Tudo o que um presidente diz tem repercussão ampla e imediata. Seja ele de que país for. Além disso, um chefe de Estado é cobrado todos os dias, todas as horas e mesmo que considere as perguntas pouco importantes ou pouco inteligentes, tem a obrigação de tratar os jornalistas com respeito. Afinal de contas eles representam a interface do poder com o povo.
Bolsonaro foi durante 28 anos um dos deputados federais mais apagados do Congresso. Não é absurdo dizer que ele nada fez de útil. Além disso empregou mais de 200 parentes em gabinetes. Seus filhos políticos também fizeram isso e nas listas de contratações com dinheiro público figuram até mesmo milicianos que atualmente infernizam a vida dos moradores do Rio de Janeiro.
Ninguém é desrespeitoso com o presidente. Pessoa alguma é obrigada a respeitar quem não merece respeito por seus atos grosseiros, por suas atitudes sem propósito. E esse é o caso.         

6 de agosto de 2019

Democracia de bancadas

Congresso cheio para a defesa de interesse de bancada. Qual? Não importa
Um dos aspectos mais característicos e determinantes das democracias ditas representativas são os partidos políticos. Em grande parte dos países essas organizações carregam consigo suas ideologias e são apegadas a elas. Fazem política a partir de seus pressupostos básicos. Em outros são visões diferentes de uma única ideologia. Nesse caso o maior exemplo fica nos Estados Unidos onde os partidos Republicado e Democrata representam aspectos diferentes do capitalismo. O Brasil talvez seja uma das raras democracias do mundo onde partidos políticos são espécimes em extinção.
Nossos aleijões começam pela inexpressividade das organizações partidárias. Quase totalmente despidas de ideologias ou de projetos políticos claros, acabam sucumbindo a uma figura estranha na vida dos outros países: as bancadas. Aqui temos principalmente a evangélica, a ruralista e a da bala. Distribuídos por diversas organizações partidárias ao sabor de conveniências regionais ou corporativas, seus membros se unem para a defesa dos interesses primeiros: imposição de dogmas religiosos, projetos de grandes latifundiários ou de fabricantes e defensores de armas. E os partidos? Muitos de seus membros sequer sabem qualquer coisa acerca deles. Ou para que servem.
A situação chegou a tal ponto que o nome "Partido" está desaparecendo em muitos casos. Hoje temos organizações com nomes como Democratas, Verde, Avante, Democracia Cristã, Solidariedade, PROS, Patriota, Rede e até mesmo Cidadania, apelido agora adotado pelo PPS, nascido PCB.
É uma situação esdrúxula, no todo ou em parte...
Recentemente surgiu aqui em Vitória, no Espírito Santo, a informação de que policiais militares estariam se unindo para concorrer às próximas eleições municipais. Como conheço um coronel aposentado, perguntei a ele como isso vai ser feito e a que partido os militares se filiariam. Eles querem lutar sobretudo por salários melhores - aqui são pagos alguns dos mais baixos do Brasil -, concorrendo para os cargos de prefeito e vereador, se possível em todos os municípios. Partido? Isso cada um vai escolher o seu. Em suma, vem mais uma bancada por aí!
Dos muitos de nossos problemas o maior hoje talvez seja esse: na política, salvo raras e honrosas exceções, entram aqueles que vão defender suas bandeiras pessoais e/ou corporativas. E os maiores, mais importantes e urgentes interesses para o País? Isso não está no horizonte dessas pessoas. Seria uma função exclusiva de organizações político partidárias robustas, conhecidas e respeitadas, caso elas ainda existissem no Brasil. Mas, pobres de nós, elas são espécimes em extinção como há outras nas florestas.       


















 

2 de agosto de 2019

A lei da selva nos jornais

Tenho um amigo contador, dono de empresa de contabilidade e "ex-assinante" de A Gazeta. Hoje eu me encontrei com ele e ouvi: "Álvaro, quando eu vi o balanço de AG do ano passado fiquei impressionado. A empresa estava com patrimônio líquido negativo. Quebrada. Publicou o balanço porque isso é exigência legal, mas creio que a família dona do negócio o estava sustentando".
Eu, que conheço aquela história há muito tempo, também tinha conhecimento  disso. E os jornalistas que trabalham na empresa em cargos de chefia, embora não avisados com antecedência do que iria acontecer, já sabiam que as coisas iam de mal a pior e poderiam mudar. No caso da Rede Gazeta isso era inevitável. O "desenlace" acabou chegando mais cedo do que se imaginava. Do que eu imaginava, pelo menos.
O Globo, Folha de S. Paulo, Estado de São Paulo, Zero Hora e outros jornais - ficaria difícil fazer uma listagem agora - são dirigidos por gerações de famílias de jornalistas. Eles conhecem seus negócios e sabem como tocar o barco. Outras grandes, médias e até algumas pequenas empresas são administradas não por jornalistas mas por administradores de empresas profissionais. Daqueles que recebem a incumbência com carta branca para agir e ganham, além do salário, mais um adicional pelo lucro líquido obtido. A empresa lucra. E se mantém, mesmo em mercado adverso.
No mundo capitalista as coisas funcionam dessa forma. Há um movimento de pêndulo na vida e no formato dos negócios e todos, sem exceção, tendem a passar por situações de bonança e de dificuldades. Mudanças são inevitáveis e só os competentes sobrevivem. Como na lei da selva, onde até mesmo a reprodução preserva os mais fortes e sacrifica os mais fracos.
O capitalismo é a reprodução da lei da selva no mundo dos negócios!
No jornalismo, o fechamento de um jornal diário tradicional é péssimo, sobretudo, quando somente um outro sobrevive na praça. Por mais que a gente queira dizer que o mundo agora é digital, olhar notícias pela tela de um computador, celular ou o que quer que seja é muito diferente de ter uma publicação em mãos. A nova geração talvez discorde, mas ela não tem ainda a força de ser formadora de opinião como as anteriores. Um jornal de internet está longe de ser, hoje, o que é a TV. Afinal, esta está formando opiniões só no Brasil há cerca de 70 anos. É um bom tempo.
Terminei minha conversa com meu amigo contador às gargalhadas. Ele me disse: "E agora, depois de 30 de setembro o que eu vou fazer com o cocô do Mike?". O cachorrinho da família, afinal, era o destinatário do jornal diário já lido. Recomendei a ele assinar o concorrente!
Mas insisto: existe em Vitória, Vila Velha, etc, espaço para um jornal diário de âmbito estadual no Espírito Santo. Isso é saudável até mesmo para manter a democratização da informação.               

31 de julho de 2019

A Gazeta e a incompetência

Desde o final da manhã de 31 de julho o mundo jornalístico treme em Vitória: fundado em 1928, o jornal A Gazeta vai deixar de existir no Espírito Santo, ao menos como um matutino diário. Mas a longa agonia daquele que foi durante décadas o jornal mais vendido no Estado começou mais ou menos há 25 anos. E a crise foi se aprofundando, aprofundando até terminar como terminou no dia de hoje: um comunicado cheio de eufemismos diz que a empresa está se modernizando, se adaptando aos tempos. Deixando de existir...
Na prática, a debacle começou com um racha na família Lindenberg, que comanda a empresa, quando Carlos Fernando Monteiro Lindenberg Filho, o Cariê, foi afastado da direção e substituído pelo filho Carlos Fernando Monteiro Lindenberg Neto, o Café. A história desse terremoto familiar é longa e não caberia aqui nesse simples artigo.
E a entrada de Café no comando da empresa marcou o início da decadência dela. Nos áureos tempos o jornal chegou a vender 100 mil exemplares aos domingos, cinco vezes o que vendia A Tribuna. De erro em erro a diferença foi caindo, o concorrente ultrapassou o antes líder, nunca mais deixou a liderança E, no comunicado de hoje a direção admitiu que AG estava vendendo 10 mil exemplares/dia. Dez por cento do que vendeu no passado...
Reflexo do "roubo" de leitores por parte da internet? Nada. No começo da perda de prestígio, sobretudo depois da morte do diretor de redação Paulo Torre, a empresa passou a colecionar erros. Contratou seguidamente profissionais de outros estados - São Paulo, no caso - para a direção da redação, alguns incompetentes, promoveu várias "reformas gráficas", criou o ridículo "Notícia Agora", demitiu profissionais experientes para contratar substitutos a preço vil e só acordou para os enganos quando já era a segunda colocada em vendas.
Jornalismo é feito com os pés na cultura da terra onde o jornal é vendido. "Estrangeiros" que não entendem essa cultura jogam a publicação no buraco. A menos que eles queiram adotar a terra como sua, dá tudo errado. A Gazeta nunca entendeu uma verdade clara: ela foi derrotada pela competência de seu maior adversário e pelo fato de que deixou de ser A Gazeta. Ou seja, em linguagem simples o leitor já não via no que comprava ou assinava o jornal que ele havia aprendido a gostar. Simples assim.
Não vale a pena prosseguir. Isso dá matéria para dezenas de colunas. Por agora basta lamentar profundamente o que está acontecendo, saber que em breve não haverá mais jornal nem aos sábados e voltar a afirmar: aquela que foi a maior empresa de Comunicação do Espírito Santo perde seu jornal diário única e exclusivamente por incompetência. Mais nada.
Só para concluir; há espaço agora para um jornal diário sério no Espírito Santo.     

29 de julho de 2019

O desqualificado do Planalto

"Se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, eu conto pra ele".
A declaração acima parece ter sido dada por um desqualificado qualquer, desafeto do atual presidente da OAB, Felipe Santa Cruz (na foto, à direita, abraçado ao ex-presidente Cláudio Lamachia). Mas não; foi dada pelo desqualificado que hoje ocupa a presidência da República, Jair Messias Bolsonaro, inconformado que está porque a OAB, cumprindo normais constitucionais, impediu que a Polícia Federal quebrasse o sigilo telefônico de um dos advogados do réu Adélio Bispo, autor do atentado a faca contra ele.
Parece piada de mau gosto. Hoje mesmo, depois de vomitar palavras  mais uma vez em entrevista e tentando atingir Santa Cruz, o presidente ainda referiu-se com desprezo contra os índios que, no ver dele, preferem ficar em seus zoológicos a se inserir na "civilização".
Jair Bolsonaro, o presidente autor do ataque, não respeita nada nem ninguém. O pai do presidente da OAB, Fernando Santa Cruz, desapareceu e foi assassinado aos 26 anos de idade pelo aparelho repressivo da ditadura militar brasileira. Até hoje não se sabe o destino do corpo, jamais devolvido aos familiares depois do suplício pelo qual passou. Ele fazia parte de um grupo político clandestino e que lutava contra os ditadores de plantão. Foi preso e assassinado no Rio de Janeiro.
O presidente diz conhecer o destino do morto por "vivência". Deve ser verdade. Um dos ídolos dele, Carlos Alberto Brilhante Ustra, já morto, foi oficial do Exército brasileiro e identificado como assassino e torturador já há muitos anos. Como ele, diversos outros terminaram desmascarados depois do final da ditadura. Bolsonaro os considera a todos como seus ídolos. Ele preserva essas tristes memórias que impedem que centenas de famílias tenham paz. Para ele a tortura e o assassinato de adversários e inimigos políticos deveriam ser instituições nacionais intocáveis.
O exercício de um cargo como a Presidência da República exige de seu ocupante ao menos compostura. Se possível, pudor. Nada disso o indivíduo eleito para ocupar o Palácio do Planalto em fins do ano passado tem. Nem tenta ter. Em diversas ocasiões era visível o desconforto de seu entorno nos momentos em que ele dava entrevistas desrespeitosas, agressivas, incapazes de honrar a posição ocupada. Ou então falando besteiras e dando risadas que chegam a parecer latidos de hienas.
O presidente do Brasil é uma tragédia. Pior de tudo é percebermos que os filhos, vozes atuantes quase todos os dias, talvez sejam ainda piores do que ele. Estamos no mato sem cachorro.   

22 de julho de 2019

O Batman bem pertinho..

"Notícia é fato de interesse público".
Essa definição é minha e a formulei durante os anos em que exerci funções jornalísticas em imprensa diária. Um estudante de Comunicação procurou-me certo dia na redação do jornal A Gazeta com uma incumbência de um seu professor. Eu teria de falar sobre o que é notícia. Botei a mão no queixo, pensei e defini em seis palavras. O rapaz me perguntou: "Só isso?". Eu disse: "Não, tudo isso." Em seguida perguntei a ele o que iria almoçar, houve resposta a complementei: "Isso não é notícia!"
Por esse motivo e mais uma carrada de outros, assusta-me o comportamento do cidadão que ocupa a presidência da República. Quando ele diz, questionando o presidente do INPE, que a divulgação de informes colhidos por imagens de satélite mostrando a devastação da Amazônica, que essa divulgação prejudica o País, está defendendo a ocultação dos resultados. Ou seja: fala que o brasileiro não tem o direito de ter acesso a informações de interesse público. A notícias.
O noticiário dos jornais de hoje fala também que Bolsonaro governa defendendo os interesses dos grupos que apoiaram quase incondicionalmente sua eleição. Os evangélicos estão entre eles, também a bancada da bala, policiais, militares, caminhoneiros e ruralistas. Esses últimos são os que devastam o ambiente. Portanto, a eles interessa a posição canhestra do presidente.
A notícia não é de ninguém em particular. É de todos. E quem vive no Brasil, trabalha, paga impostos escorchantes, enfrenta dificuldades em decorrência da crise sem fim pela qual passamos, tem o direito de acessar todas as informações de interesse público. O presidente pode até dar sua interpretação para essa ou aquela. Mas não tem o direito constitucional de censurar, de vetar o acesso a elas. E nem pode passar a vida fazendo acusações irresponsáveis àqueles com os quais não concorda como, por exemplo, o atual presidente do INPE.
Que provas tem Bolsonaro de que ele age a serviço de ONGs? E se tem tanto ódio de organizações não governamentais, por que não as ataca diretamente, sobretudo na Amazônia? Será que é porque uma parte delas é norte-americana? Um presidente tão "valente" não pode se recusar a ir à luta.
Figura tosca, sem um único mérito pessoal digno de nota, o atual governante "trabalha" olhando em frente, focando unicamente suas convicções pessoais, de seus familiares e dos grupelhos pouco qualificados que o apoiam. Não olha para trás, não consulta quem está fora de seu entorno.
Se fizesse isso poderia ver um Batman fantasmagórico bem pertinho, nas saídas às ruas.               

16 de julho de 2019

"Viés sem partido", a farsa

De todas as farsas que o governo de Jair Bolsonaro patrocina e tenta impor aos brasileiros, duas são inacreditáveis: o discurso de combate ao "viés ideológico" e a "escola sem partido". Nenhum deles sobrevive a uma contestação de estudante mediano de Primeiro Grau.
Bolsonaro tem várias fixações fruto de seu primarismo ideológico. Uma delas é tirar do Brasil e sobretudo dos órgãos públicos o que ele chama de "viés ideológico" com tonalidades vermelhas. Mas não diz que sua intenção não é acabar com a ideologia, posto que isso não é possível, mas substituir a, digamos atual, por outra de extrema direita. Ou seja, nazifascista.
Ele discursa, seus ministros mais intelectualmente pobres endossam essas falas, e todos agem como se a "intelligentsia" do Brasil se comportasse exatamente como a "burrutsia". Mas não é o que ocorre, lamentavelmente para eles todos. Cavaleiro de uma nova triste figura, pensamentos medievais, capacidade intelectual reduzidíssima, Bolsonaro leva seu obscurantismo político às últimas consequências e, com base nele, tenta destruir tudo o que pareça conter seus fantasmas vermelhos. O mais danoso certamente é a tentativa de destruição do meio ambiente brasileiro.
Outra falácia é a "escola sem partido". Ele discorda da autonomia existente nas universidades federais, sobretudo quando ela toca na liberdade de cátedra. Quer acabar com ela para que seus novos professores digam que jamais houve ditadura no Brasil, comunista come criancinha, a disciplina "educação moral e cívica" é fundamental, a ciência de nada vale e em cada pé de goiaba de cada universidade, sobretudo federal, olhando bem Deus aparece para você. Se você for de direita, claro.
A reforma da Previdência está sendo feita não apenas porque é necessária - e é -, mas também para privilegiar os mais ricos. Os poderosos. E ela já nos custa uma fortuna em barganhas e uso de dinheiro público para subornar políticos que se vendem a preço de ocasião. Tanto à esquerda quanto à direita.
Nós estamos num beco sem saída com esse governo, prezados!
E isso foi visto em toda a sua maior dimensão quando reacionários "bostonaristas" cercaram a FLIC  de Paraty para agredir com palavras e foguetes os que estavam lá, ao mesmo tempo em que eram cuspidas palavras de ordem pregadoras de violência e golpe de Estado.
É preciso denunciar. É necessário lutar contra isso tudo. O Brasil precisa acordar e ver que Eduardo Bolsonaro como embaixador do Brasil nos Estados Unidos está longe de ser o maior perigo a nos rondar hoje em dia. Na verdade, ele é apenas o mais grotesco dessa tragédia.                     

4 de junho de 2019

O espelho retrovisor

Talvez a única exceção entre o retrovisor de Bolsonaro e o dos demais é que ele não consegue ver essa cena tão real
Quando foi encerrada a eleição presidencial do ano passado, a mais polarizada de todos os tempos, imaginei o seguinte: o presidente eleito, anunciado por todo mundo como um "representante da direita fascista" iria subir a rampa do Palácio do Planalto no dia 1º de janeiro deste ano para um discurso de posse onde tudo entraria nas laudas preparadas, menos referência aos "esquerdistas ladrões radicais". Ele falaria coisas como:
- Militares e civis desse meu Brasil (slogan ideal), hoje sou o presidente de todos os brasileiros. Quero ouvir e ouvirei o Congresso sem exceção a um único congressista, para tentarmos um governo de coalizão. O passado ficou, já não conta e agora olharemos para a frente.
Nada disso; o capitão que teve que dar baixa do Exército para não ser expulso recusa-se a deixar de olhar pelo retrovisor. Só que no seu caso o espelho o engana. Tenta a todo instante desqualificar os adversários, tornando-os inimigos seus. Quer reescrever a história dando a ela uma conotação enganosa. Já convenceu a milhares de que a ditadura militar nunca existiu e teria sido aquela época, como um dia disse o general Geisel, "uma democracia dentro de sua relatividade".
Seus ministros têm vários pontos em comum mas o maior deles é não saber se expressar em língua portuguesa, além de verem Jesus longe dos altares. Poucos são realmente levados a sério. Por incrível que pareça esse é até mesmo o caso da ministra da Agricultura, nossa Menina Veneno!
Nos carros dos apoiadores até o retrovisor é um "patriota" 
O presidente não vê além de seu não muito curto nariz. Já foi mais "assessorado" por quatro doidos varridos que respondem pelos nomes de Flávio, Eduardo, Carlos e Olavo. Disse certa feita que a ter um filho gay, preferiria um ladrão. Ao que parece a Divina Providência pode ter-lhe dado ambos.
Nesses tempos de confronto entre opostos, tudo o que o Brasil precisava era de um conciliador. Alguém capaz de chamar para conversar e, ao não conseguir, ter o direito de dizer a plenos pulmões: "Eu tentei!". Tudo o que o Brasil não precisava era de alguém que discursa fazendo gestos de armas de fogo, dá pitaco em política externa de outros países, enaltece ditadores sanguinários daqui e dali, conta piadas sem graça e inconvenientes e só fala que o Brasil está onde está por causa de todos os que o antecederam. Todos não, minto. Os militares eram gente muito fina. Todos eles.
Nunca olha para a frete. Por isso não governa de verdade.
Bolsonaro age como se navegasse em águas calmas. Tão calmas que ele pode enfrentar e agredir a todos. Transmite essa certeza a seus assessores diretos e muitos não só acreditam nisso mas o imitam. Como foi militar, deveria saber que o Brasil que ele transtorna a cada dia em um reino das fake news - é mestre em falar e desmentir depois -, já é um risco dar um simples passo à frente.
Talvez a neblina de seus olhos o impeça de ver o abismo!   

27 de maio de 2019

Associações do prefeito

Marca da associação de Jardim Camburi. Nas mãos da Prefeitura da Capital 
"Aliado de Gandini no comando de Jardim Camburi" é a manchete da página 18 do jornal A Tribuna de hoje. O que quer dizer isso? Quer dizer que a Associação Comunitária de Jardim Camburi (ACJAC) é agora uma aliada do prefeito de Vitória, Luciano Rezende e de seu candidato já escolhido para a sucessão na PMV, Fabrício Gandini, ambos do PPS. Então, a Associação vai servir aos interesses do bairro da região norte de Vitória somente na medida do possível. Porque a prioridade, o interesse maior será o de atender ao projeto político do prefeito e seus aliados.
Moro em Jardim da Penha. Durante o mandato passado de prefeito do PT, a Associação dos Moradores de Jardim da Penha era mantida a reboque dos interesses daquele partido. Quando enfim o prefeito eleito foi Luciano, do PPS, imaginei que a chapa a vencer a primeira eleição do bairro seria formada por pessoas que trabalhariam de forma independente, defendendo os interesses da comunidade. E apenas isso. Afinal o novo administrador havia sido apresentado quando se iniciou na política como um exemplo de renovação, de nova administração sem os vícios dos políticos tradicionais.
Ledo engano. Logo a chapa eleita para Jardim da Penha foi cooptada pelo prefeito do PPS. Hoje ela não defende obrigatoriamente os interesses do bairro, mas os da administração municipal. Para chegar a tanto a PMV contratou como "cargos comissionados" praticamente todos os diretores de Jardim da Penha. Consegue apoio a seu projeto político com o meu, o seu, o nosso  dinheiro.
É uma pena. É também atitude de uma falta de ética política enorme.
As associações de moradores existem para que os interesses das comunidades sejam defendidos junto ao poder público. Para que projetos e outras reivindicações tenham amparo pela força da pressão legítima das comunidades. Mas praticamente todas elas hoje são parte do jogo político rasteiro. Na Praia do Canto, por exemplo, durante anos a associação de moradores teve à frente um vereador de Vitória e seus aliados. Depois que ele não conseguiu mais se reeleger, nem assim parou de tentar influenciar a vida da entidade representativa da comunidade. Sonha com um futuro político!
Esse é um dos problemas da política brasileira: invadir todos os espaços e prostituir os projetos das comunidades. E elas não podem ser inocentadas nesse tipo de aberração, pois aceitam o jogo que é feito, se omitem no processo eleitoral - ninguém é obrigado a votar - e dessa forma permitem que a política de conchavos de bastidores dirija os interesses comunitários.
Ao longo dos tempos inúmeros pilantras da vida pública nacional alimentaram-se dessas brechas e fizeram carreira que em grande parte dos casos duraram vidas inteiras.             

15 de abril de 2019

As milícias estão chegando

Bairro do Rio de Janeiro cominado por milícia: construções irregulares
Não se iludam: o drama vivido pelo Rio de Janeiro, onde quadrilhas de milicianos dominam as áreas mais carentes do Estado impondo o reino do terror, está chegando ao Espírito Santo. Ainda não tem a proporção do Estado vizinho mas as intenções são as mesmas. E se as autoridades espírito-santense nada fizerem em breve estaremos no mesmo buraco. Um buraco profundo!
Como agem as milícias no Rio de Janeiro? Simples; vamos começar pelo mais óbvio: elas ocupam o espaço do Estado ausente. Onde ele não atua ela está presente. E como rios de dinheiro são movimentados nesses negócios escusos por essas quadrilhas, a cada dia que passa elas são mais fortes e agem vandalismo e "coragem" acima da lei. Já o Estado não deixa de agir porque não tem meios nem modos. Deixa por omissão. Mais do que isso; por omissão criminosa.
Miliciano mostra o seu porrete: "Direitos Humanos"
Na Muzema, onde dois prédios desabaram matando muita gente, o poder das milícias é igual ao de outras comunidades. Eles invadem terrenos, áreas de proteção ambiental e outros e começam a construir prédios de apartamentos. Dominam totalmente o comércio de material de construção nas regiões onde atuam e controlam venda de gás, sinal de internet, etc., além de outros serviços básicos. Os compradores dos apartamentos - ou casas e pontos comerciais, se houver - não têm garantia alguma. Pagam pouco porque os custos são baixos e esse é o atrativo maior mas se não pagarem o que devem são expulsos sumariamente. E depois de terminarem de pagar, se não se submeterem às cobranças de proteção que virão, igualmente terminam na rua depois de terem seus imóveis invadidos. E não há a quem recorrer pois o Estado novamente se omite.
As construções irregulares não têm projeto de engenharia, acompanhamento técnico, nada. Os materiais são de péssima qualidade e as estruturas, deficientes. Os desmoronamentos no Rio de Janeiro mostram isso. Os edifícios foram corroídos por infiltrações de água e lama que desceram das encostas atrás deles durante tempestade, pois ali não era possível construir com segurança.
Isso dá muito dinheiro, é claro. Um chefe de milícia era vizinho do presidente da República no  condomínio de luxo onde ambos viviam na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Mas o chefe do Executivo, claro, não sabia de nada. Ele e os filhos dele, um vereador, um deputado estadual e um senador empregavam em seus gabinetes legislativos parentes e amigos de chefes milicianos até recentemente. Mas todos foram demitidos após denúncias porque antes eles também nada sabiam.
O prefeito nada fez. Está preocupado com sua religião evangélica. E o presidente? Nada diz. Libera caça a animais silvestres, tenta proibir radares em rodovias, a queima de máquinas e equipamentos de desmatadores e garimpeiros de regiões de proteção ambiental permanente e outras coisinhas mais. Claro, não sobra tempo para combater o crime organizado, esse pequeno detalhe. 

4 de abril de 2019

Um governo sem rumo


Sempre incomodou muito aos regimes de direita, sobretudo quando interessa a eles manter distância do nazismo e o fascismo, a associação dessas duas ideologias ao espectro político onde eles se encontram. Na Alemanha, por exemplo, é crime fazer apologia ao nazismo, uma chaga que os alemães querem ver distante deles. Em Israel, então, nem se diga. Em todo o país, sobretudo no Museu do Holocausto, esse fenômeno político é apresentado como é: de extrema direita. Não a toa, Hitler tão logo entendeu possível invadiu a União Soviética de Stalin.
Num momento da vida nacional na qual seria de suma importância resolver os principais problemas do Brasil, tais como as reformas da Previdência e Tributária, o presidente se distancia dos reais interesses do País para namorar sério com Israel, criando atritos claros com árabes e palestinos e depois abre uma discussão acerca de o nazismo e o fascismo serem de esquerda, numa situação que aflige até mesmo os israelenses. Onde ele quer chegar? Onde querem chegar também seu raso chanceler e seu ministro da Educação que é quase um fantoche?
Bolsonaro tem tão pouco preparo para dirigir um país como o Brasil que perde tempo elogiando ditadores sul-americanos e buscando argumentos fraudulentos para tentar convencer a população de que não houve ditadura no Brasil em vez de montar um governo e governar. Ao mesmo tempo em que não faz isso sua popularidade desaba apesar das frequentes incursões pelo Twiter. Tão tacanho ele é que ainda não percebeu ter sido eleito pelas pessoas que abjuravam o PT. Na prática não eram eleitores dele mas apenas o consideravam o mal menor numa época conturbada da vida  nacional. Ao lado desse presidente está um precipício que ele não consegue enxergar embora todas as mentes lúcidas o vejam com clareza.
O nazismo, o nacional socialismo, sempre foi um pensamento extremista de direita, bem distante portanto do comunismo do qual, diga-se de passagem, era e é inimigo ferrenho. O mesmo é possível dizer em relação ao fascismo. E isso é pensamento unânime entre cientistas políticos e sociais em praticamente todo o mundo. Mas não, claro, entre os imbecis que cercam a atual cúpula política do governo brasileiro e as pessoas que ela consegue influenciar em seus delírios.
Não é verdade que os opositores do atual presidente estejam torcendo para que tudo dê errado no seu governo que ninguém entende. É ele mesmo quem age nesse sentido e provoca com isso uma crise atrás da outra. Difícil é a gente entender com que interesse faz isso. 

1 de abril de 2019

A herança dos estúpidos

 Bolsonaro em Israel: brincando com fogo na arena delicada internacional
O ponto mais sensível dos governos, sobretudo quando se voltam para regiões ou países conflagrados é a política externa. É costume dizer: o que se fala, sinaliza ou até mesmo se pensa nessa área tem reações imediatas. Leituras diversas. E consequências muito grandes. O Brasil sempre teve uma política externa fortemente marcada pela neutralidade, pelo cuidado, até mesmo durante a ditadura militar.
Eu disse teve. No passado.
O atual presidente, Jair Bolsonaro, é um analfabeto funcional político e isso se reflete em tudo o que faz nesse terreno, mesmo desde antes de sua posse em 1º de janeiro. Como se não bastasse, seu chanceler Ernesto Araújo é considerado um tolo até mesmo no Itamaraty, entre os diplomatas mais experientes, o que tem provocado prejuízos ao Brasil. Vai provocar mais agora, quando o presidente está em Israel desfilando numa das regiões mais explosivas do mundo como se estivesse em casa, no Rio de Janeiro. Falando e fazendo besteiras.
A reação imediata da Palestina depois que ele anunciou a abertura de um escritório de negócios brasileiro em Jerusalém foi chamar de volta seu embaixador no Brasil. Isso por si só representa muito pouco. Mas se os governos do Oriente Médio e de países muçulmanos tomarem as dores dos palestinos e retaliarem contra nós cortando as relações comerciais conosco, estaremos no mato sem cachorro. Nossas vendas externas de proteína animal, principalmente frangos, depende deles.
O chanceler Ernesto Araújo vem sendo chamado de despreparado depois de declarar que o nazismo e o fascismo são ideologias de esquerda. Da Alemanha vieram as maiores críticas. Mas Bolsonaro também é criticado em praticamente toda a Europa. Os únicos elogios saem do Primeiro Ministro de Israel, que o está usando para tentar se reeleger em seu país em meio a fortes acusações de corrupção. Politicamente cego, o brasileiro não consegue ver isso.
"Bozo" já elogiou Stroenner no Paraguai, Pinochet antes de ir ao Chile, todos os ditadores sanguinários do Brasil desde que iniciou sua campanha presidencial e ainda não teve chance de fazer o mesmo enaltecendo os ditadores argentinos por falta de oportunidade. Mas está se coçando de vontade.
O problema é que entre seu despreparo total e a realidade da política internacional existe um abismo para onde ele está correndo e de onde não vai ser retirado por nem Donald Trump - seu outro ídolo incondicional - quando o Brasil ficar isolado no mundo com consequências econômicas trágicas.
A herança dos estúpidos costuma ser a miséria.

21 de fevereiro de 2019

Terá ele "aquilo roxo"?

Da mesma forma que eu, milhares de brasileiros ainda estão sem entender totalmente a reforma da Previdência enviada ontem ao Congresso Nacional pelo governo federal. A mim parece incontroverso que algum tipo de mudança precisa ser feita em nome da economia nacional. Mas sempre tenho um pé atrás quando ouço, vejo e leio informações sobre isso. Só dois exemplos: pagar um salário mínimo mensal a quem faz 70 anos e não tem como se sustentar é uma piada! Trabalhar 40 anos para obter aposentadoria integral é desumano!
Por que o projeto de Previdência dos militares não foi enviado juntamente com tudo o mais? Ainda são necessários mais 30 dias para essa remessa? Problema nenhum: o Congresso pode esperar mais um mês antes de começar a avaliar tudo. A medida enviada ao Congresso fala especificamente em cortes no Executivo e no Legislativo. Mas o Poder Judiciário não é citado. Ele faz parte do todo? Ótimo. Mas fica a dúvida da razão da omissão cometida.
O governo fez questão de dizer via presidente da República que as dívidas da Previdência serão todas cobradas. Elas ultrapassam os R$ 500 bilhões e muitas jamais serão recebidas porque os devedores não existem mais. Cito Varig e Mesbla como dois exemplos. E todos desapareceram sem pagar o que deviam porque o Estado Brasileiro sempre foi leniente. Eram grandes corporações, poderosas e não valia a pena mexer com elas. Além disso, sempre boas "doadoras" enquanto existiram.
E quanto às outras? Um movimento capitaneado pelo senador Paulo Paim toca nesse assunto via CPI. E conclui que não é necessário reformar a Previdência porque ela seria, na verdade, superavitária. Mas o senador deve à Previdência. Então seu argumento é letra morta.
Causa ânsia de vômito em mim falar sobre dívidas previdenciárias milionárias e, ao mesmo tempo, ver fotos do senador Fernando Collor de Mello no Senado. As Organizações Arnon de Mello são das maiores devedoras da Previdência. Até a Vale, que assassina brasileiros via suas barragens, deve uma fortuna. A justificativa é de que os fatos estão sendo discutidos na Justiça. E a gente sabe que no Brasil, tendo dinheiro, isso pode demorar gerações. A menos que o Estado compre a briga, lute abertamente, use seu poder para cobrar e pressione o Congresso no sentido de que leis sejam mudadas. Mas terá o atual presidente, Jair Bolsonaro, o mesmo "aquilo roxo" que Collor alardeia ter desde seu tempo de presidência? A conferir...
Finalmente, os penduricalhos do Executivo, Legislativo e principalmente Judiciário vão bem, obrigado! E todos nós sabemos como vai ser difícil tornar cada um deles fato passado. Afinal, até mesmo para deixar de receber "auxílio moradia" tendo onde morar o Judiciário lutou. E nós sabemos que todos continuarão a lutar para não abrir mão desses "direitos adquiridos". Repito a pergunta: o presidente atual tem "aquilo roxo"? Vai encarar mesmo? Consultará Carlinhos, Dudu e Flavinho antes? Seguirá acreditando que a imprensa - ou a Rede Globo - é sua maior inimiga e não o despreparo, o radicalismo político e o fisiologismo que marcam sua vida pública?
Tenho dúvidas.
Não bastará reformar a Previdência, mas será preciso ir além disso, além dela. Construir um País Justo vai ser bem mais difícil do que imaginamos hoje, no calor dos fatos.

19 de fevereiro de 2019

Bebiano, o laranjal e toda a pressa do mundo

Uma família muito unida, mas que cria um problema por dia. No mínimo!
O que Bebiano sabe sobre o "laranjal" que o PSL plantou durante as eleições do ano passado? Por que ele foi defenestrado do ministério do presidente Jair Bolsonaro depois de ser chamado de mentiroso pelo próprio presidente e um de seus filhos? Enfim, o que ele saberia? E o Queiroz, por onde anda ele?
Depois de ser exonerado o até agora o ínfimo Bebiano nada falou. Ouvi de uma pessoa apoiadora do atual governo que ele seria um "infiltrado". De onde? Seus interesses serviriam a que tipo de grupo ou grupos? Isso é tão inverossímil quanto dizer que ele teria medo de morrer depois que as candidaturas laranja da eleição de 2018 vieram a público na semana passada. Afinal, há uma diferença abissal entre os perfis do ex-ministro e o de Jean Wyllis, por exemplo.
O afastamento de Bebiano foi uma espécie de queima de arquivo preventiva, sem uso de violência. Claro, depois de ser vítima de uma tentativa de homicídio durante a campanha, tudo o que a clã Bolsonaro não pode fazer é usar os mesmos métodos com seus adversários, inimigos ou seja lá o termo que se pretenda usar. O atual presidente e seu entorno de "patriotas" é um aglomerado de medíocres. Isso fica claro a cada dia, a cada ação, a cada passo dado. E a cada vez que um dos três filhos do Jair se mete no governo para dar pitado ou para tentar atingir ou atingir alguém.
Qual será o próximo capítulo dessa novela estilo pastelão mexicano? O que se sabe com certeza é que a cada dia o preço da aprovação da reforma da Previdência fica mais alto. O governo eleito com a promessa de não lotear cargos, durante a campanha mesmo plantava laranjas para esconder gastos. E agora, querendo de todas as formas fazer passar pelo Congresso as duas principais promessas de campanha, já teve que negociar inúmeros cargos de segundo escalão. Além, é claro, verbas parlamentares que na maioria das vezes não são usadas em real interesse público, mas sim apenas para atender a currais eleitorais de deputados e senadores.
Michel Temer, para evitar que os processos aos quais responde prosperassem durante seu mandato, foi obrigado e ceder em quase tudo ao Congresso. Logicamente, às nossas custas. A situação do atual presidente é diferente mas ele não quer que fique igual. E se uma questão como a das laranjas de campanha amanhã ou depois for comprovada, a coisa ficaria preta. Por isso é preciso aprovar logo a reforma da Previdência e o pacote legal do ministro Moro. Fica caro mas o caro é barato.
Os dois pacotes já estão aleijados mas isso é o de menos. Afinal, você acreditava num novo Congresso ou no mesmo com outros nomes? O que Bebiano sabe sobre laranjas? Onde está Queiroz, o doente de última hora? Melhor correr com as coisas. Senão tudo pode desandar muito depressa. Michel Temer que o diga!

11 de fevereiro de 2019

Inimigos de batina

Numa situação em que os partidos da chamada esquerda vivem uma oposição fragilizada no atual espectro político brasileiro, o governo do presidente Bolsonaro, por intermédio de seu chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, encontrou mais um inimigo a ser combatido pelo "novo Brasil": a Igreja Católica e suas posições populares.
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e comandos militares acham que uma ala "da esquerda" do catolicismo vai combater o governo através de uma das suas agendas mais caras: a Amazônia. Mais particularmente através do Sínodo sobre a Amazônia que reunirá em Roma, em outubro, bispos de todo o Continente juntamente com o Papa Francisco. Assuntos como povos indígenas, mudanças climáticas provocadas por desmatamento, quilombolas e outros provocam urticária em áreas governamentais por serem "agendas da esquerda". Augusto Heleno disparou: "Estamos preocupados e queremos neutralizar isso aí". Como? Com bombardeios?
De toda a preocupação governamental um item procede: a questão da Amazônia Legal e a presença estrangeira lá, sobretudo via ONGs que visam principalmente a região da "Cabeça do Cachorro" onde há riquezas abundantes como, por exemplo, o nióbio. Isso tudo é fonte da cobiça internacional e precisa ser preservado. No caso do nióbio, temos quase toda a reserva mundial do mineral estratégico. Mas o Brasil quer mesmo sua preservação como riqueza nossa? Ou essa aproximação exagerada com os Estados Unidos de Donald Trump esconde algum interesse escuso? Uma subserviência?
O atual governo tem uma visão destruidora sobre a Amazônia. Igualmente sobre florestas. Para os atuais detentores do poder, bois e soja são mais importantes do que áreas florestais intocadas. Toda a legislação ambiental é inimiga dos atuais próceres de Bolsonaro. Desde as figuras militares como Augusto Heleno até quem vê Jesus no pé de goiaba. Mas jamais um Jesus Católico.
Alguém pode me dizer: o que, Álvaro, um livre pensador está fazendo ao escrever texto que defende determinada corrente religiosa da sanha do governo Bolsonaro. É que esse governo não sobrevive sem inimigos. Ele necessita deles. Precisa fabricar um a cada dia, semana, mês ou ano. Alimenta-se do ódio a tudo o que imagina ser oposição a seus interesses e crenças.
Na mente dos retrógrados desse governo que o Brasil elegeu num momento de ódio exacerbado ao PT e falta de outras alternativas, democracia só existe sem oposição. Sem contestação. Democracia é escola sem participação de enfrentamento crítico e partido que não pode deixar de apoiar.
Já no caso da religião, ela também é núcleo partidário. Claro, menos aquelas que visam unicamente tomar dinheiro dos incautos para enriquecer seus bispos e outros "eleitos". 
   

23 de janeiro de 2019

"Operação Brother Caipira"

Entre 31 de março e 1º de abril de 1964, quando um golpe de Estado afastava e exilava o presidente João Goulart, uma esquadra dos Estados Unidos estava a postos no litoral do Brasil para invadir nosso território caso o golpe de Estado não desse certo. Eles eram parte da "Operação Brother Sam", nome dado àquela quase intervenção estrangeira sobre território brasileiro gestada nos EUA sob inspiração do então embaixador norte-americano Lincoln Gordon e militares daqui envolvidos na trama. Eram os nossos caipiras pedindo socorro ao intervencionista do Norte.
Esse foi um episódio único na história brasileira. No mais, acabamos arrastados para a II Guerra Mundial quase à força mas, no mais das vezes, a diplomacia brasileira foi marcada pela neutralidade e a política do não intervencionismo em assuntos internos de outros países. Essa tradição garantiu ao Itamaraty a condição de negociador em questões onde sua atuação era pedida.
Agora, capacho do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Jair Bolsonaro vai para onde seu mestre mandar. Como os EUA reconheceram o senhor Juan Guaidó presidente da Venezuela - e ele não disputou eleição alguma -, imediatamente o Itamaraty fez o mesmo. Nada de surpreendente se analisarmos o que são as cabeças de Bolsonaro e de seu inexpressivo chanceler Ernesto Araújo, figura idiotizada, mística e sem o respeito de nossos diplomatas mais capazes.
O Brasil sai de seus trilhos tradicionais para enveredar em linha de ferro perigosa, de percurso desconhecido e que pode ser marcado por armadilhas. É bom ter em mente que Trump é coisa passageira nos Estados Unidos. Pode nem ao menos terminar seu mandato se continuar a enfrentar a tudo e a todos movido pela ridícula decisão de construir muros onde deveria haver pontes.
Agora mesmo, em Davos, o presidente brasileiro cancelou de última hora uma entrevista coletiva que era necessária para que a imprensa internacional pudesse conhecer melhor a ele e seus planos de governo. Mas a ausência pode ser compreendida sem muita dificuldade: nem mesmo Bolsonaro e seus mais próximos sabem para onde ele quer ir e em que ponto deseja chegar. Se é que vai chegar.
Estamos no meio de uma "Operação Brother Caipira", reconhecendo a reboque dos Estados Unidos o governo títere de um cidadão que não sabemos quem é, a que vem e nem ao menos quais são seus projetos para um possível governo na Venezuela. Só sabemos que tirar Maduro é o objetivo.
São pantanosos os terrenos para onde se vai nas noites da história sem conhecer os caminhos. O governo Jair Bolsonaro tem se mostrado confuso e despreparado em quase tudo. No campo da diplomacia pode entrar para nossos livros de República como o pior de todos os tempos. No mundo de hoje é preciso que os homens se sentem em torno de uma grande mesa onde o mundo é o centro de todos, de todas as atenções. O foco nele permite à humanidade fazer política.

21 de janeiro de 2019

Fé cega, faca amolada!

A legião de bolsonaristas, os brasileiros que não admitiram mais uma reeleição do PT e se uniram ao outro lado tem se reduzido devagar depois da eleição de seu "mito". Mas mesmo assim continua imensa. Grande e cega na maior parte dos casos. Tanto que ninguém aceita um único questionamento, mesmo com evidências claras, quase provas de crimes. É o caso dos episódios reunindo o "homem de negócios" Queiroz e o filho puro do presidente Messias, Flávio Bolsonaro.
Quando alguém - pessoa ou órgão de comunicação - fala do assunto o mínimo que se ouve é: "Mais o PT roubava muito mais e ninguém fala nada". Errado. Lula está preso, dezenas foram processados e alguns estão na cadeia. E isso aconteceu também com o "entorno" formado pelos demais partidos da antiga base. Só no Rio de Janeiro um ex-governador e um governador estão presos.
Mas que ninguém toque em Bolsonaro! Ele é um caso de fé cega, faca amolada!
Do início da campanha eleitoral até agora perdi meia dezena de pessoas próximas nas redes sociais. As mais ferrenhas defensoras de Messias são as mulheres. Elas formaram um exército brancaleone de fieis escudeiras do novo presidente. Agora dizem que mesmo se alguma coisa for provada contra Flávio Bolsonaro, o papai nada tem a ver com isso. Não sabia de nada. Como Lula.
O caso é indício de "rachid", uma velha prática brasileira. O político contrata seus cargos comissionados e o contratado deixa parte do salário para o contratador. A justificativa são os gastos de campanha. Da campanha futura. Mas esse numerário serve para tudo. Um político já falecido disse-me uma vez que hoje os cargos comissionados são sempre - ou quase sempre - cabos eleitorais que ganham o emprego por serviços prestados em campanha. Ou seja: eu pago o trabalho deles para o político eleito. Mas em muitos casos o contratado tem que fazer o "racha". Esse político me disse que 80 por cento dos pares dele tinham essa prática. E, claro, isso acontece no Brasil todo. Só que é crime e as pessoas o cometem porque acham que as leis estão erradas. Nunca eles.
Flávio Bolsonaro e Queiroz têm que ser investigados, sim. Até o final. Mesmo agora que o primeiro explicou: ele fez um negócio de compra e venda de imóvel com a Caixa e, ao final, uma diferença de R$ 98 mil foi paga em dinheiro. Muita grana para se ter em mãos. E que poderia ter sido toda ela depositada no caixa do banco em vez de com o uso de 48 envelopes de R$ 2 mil cada.
Não é verossímil!
Mas a turba contesta, não acredita, encontra argumento atrás de argumento para questionar. E o faz com raiva, com exaltação, como se vendo Jesus no pé de goiaba.
"Agora não pergunto mais pra onde vai a estrada
Agora não espero mais aquela madrugada
Vai ser, vai ser, vai ter que ser faca amolada
O brilho cego de paixão e fé, faca amolada".     

16 de janeiro de 2019

"SISTEMA $"

Não há como negar uma evidência tão clara como essa: o chamado SISTEMA S, as nove entidades privadas ligadas a setores empresariais, todas chamadas de "Serviço", embora posem de prestadoras desinteressadas de serviços, na verdade faturam muito e vivem à custa do dinheiro público. Mais do que isso: raramente prestam contas do que gastam, e quando o fazem o fazem de forma genérica.
Atualmente, entidades como SESI e SENAC - para ficarmos somente nessas duas - cobram, e cobram caro, pelos cursos que oferecem. O SESC no passado tinha restaurantes populares para atendimento a comerciários e que cobravam apenas um valor simbólico pelas refeições. Fecharam.
Os hotéis que o sistema mantém, sobretudo os ligados aos diversos SESC, cobram diárias nada modestas a seus associados. Em alguns casos chegam a competir com a hotelaria privada. Miseravelmente os preços praticados cobrem os custos de manutenção. Mas mesmo assim o SISTEMA S recebe bilhões de reais de repasse de dinheiro público para que esse montante seja revertido em favor dos trabalhadores. Portanto, eles não deveriam pagar nada. Mas pagam. Os cursos de capacitação mantidos pelo sistema, salvo exceções, são todos cobrados. E em valores elevados.
A Confederação Nacional do Comércio (CNC), que comanda o sistema "C" (SESC, SENAC), há décadas é dirigida pela mesma pessoa e grupo. No Espírito Santo, o presidente da Federação do Comércio renova seu mandado ininterruptamente. O jornalista Gutmann Uchoa de Mendonça, amigo pessoal do presidente da CNC, Antônio Oliveira Santos, dirige o SESC Espírito Santo há cerca de quatro décadas. Não é segredo para ninguém que o verdadeiro representante da Confederação no Estado é ele. O presidente da Federação, José Lino , na verdade é um seu subordinado.
Sepulcri
Isso destoa das outras confederações, onde as eleições são feitas para valer, não raro com candidaturas de oposição e campanhas políticas acirradas. No Comércio tudo é uma ação entre amigos. Sem mudança de orientação, o sistema não gera sínteses novas, projetos de impacto.
O SISTEMA S usa dinheiro do governo para seu proveito próprio e não para os trabalhadores. Desde que o novo Ministro da Fazenda anunciou redução das verbas federais houve uma reação. Nela é dito que os setores ficarão sem ter como manter muitas das suas atividades. É mentira. No máximo vai sobrar menos dinheiro para as obras faraônicas - o Espírito Santo é mestre nelas - que jamais têm prestação de contas sobre como é usado o meu, o seu, o nosso dinheiro de impostos injustos.
O que nós temos é um "SISTEMA $". E ninguém aguenta mais pagar o pato.       

11 de janeiro de 2019

As "castas superiores"

O ministro da Defesa do Brasil, Fernando Azevedo e Lima, disse recentemente em entrevista ao jornal "Valor Econômico" sobre um dos principais pontos do projeto econômico de governo da equipe de Jair Bolsonaro, exatamente o seguinte: "Se o nome é reforma da Previdência, não estamos nela". E isso já está provocando um debate entre adversários hoje fidalgais por seus pontos de vista, mas que poderão se tornar inimigos irreconciliáveis, principalmente porque o presidente acredita nesse princípio e sua equipe econômica, não.
No fundo de tudo isso está o conceito de "Carreiras de Estado" (aquelas ligadas ao Poder e que não podem ser exercidas pelas categorias civis privadas), e nas quais todos querem se inserir nos dias de hoje. Até legislação prevista para que engenheiros e médicos atuantes no Estado sejam assim considerados poderá existir. Se essa amplitude conceitual for levada adiante não haverá reforma alguma. Isso porque os membros das "Carreiras de Estado" já são a casta que recebe vencimentos astronômicos no Brasil. Sua ampliação torna inviável qualquer projeto de reforma que busque equilibrar o sistema e recuperar sua condição superavitária.
No Judiciário é imenso o número de membros que recebem acima do teto constitucional graças a uma série de privilégios e penduricalhos que nenhuma outra categoria tem. No Legislativo ocorre coisa parecida. No Executivo, o mesmo. No caso das empresas estatais, pagamentos complementares subterrâneos fazem com que certos vencimentos cheguem aos seis dígitos. E isso acontece também em outros setores, inclusive por recebimento de múltiplas aposentadorias.
Desde 1993, quando era o inexpressivo deputado federal que sempre foi, Jair Bolsonaro defendia privilégios para as Forças Armadas. Agora, seu ministério militarizado quer tornar isso uma realidade, com a retirada dos membros das três forças da reforma previdenciária. Ou seja, os dois brasis que chamamos de "Belídia" (parte rica na Bélgica e parte pobre na Índia) tendem a se ampliar. Como não vai haver cobertor para tantos corpos, não serão os pés dos ricos que vão ficar de fora.
O mais irônico é que o atual governo foi eleito por uma grande massa de eleitores que basicamente não queria mais o PT no poder. Eles então elegeram o PSL, uma legenda que ninguém conhece e nem sabe para que serve. E serão os contribuintes do INSS dessa turba, bem como suas classe média e baixa os primeiros a sofrer os danos de uma reforma que tende a não passar de farsa.
Que os apaniguados do País não querem perder as tetas, todos sabemos. Mas falta pouco para sabermos também que o discurso de "combate aos privilégios", começando pela reforma da Previdência, não vai passar do que é agora: um discurso falso, pobre e vazio. Mais; tudo isso está sendo encoberto pelas promessas de combate à corrupção e que vão mascarar perdas de direitos, achatamento de vencimentos e ampliação da desigualdade social.  

7 de janeiro de 2019

Escola sem Sentido

Vamos imaginar que um professor esteja lecionando política a seus alunos. E ciência política não tem relação direta com doutrinação político-partidária. Mas ela não existe se o professor não abordar as origens do capitalismo e do comunismo que modificaram as relações sociais e determinaram a falência da monarquia tradicional, sobretudo a absolutista. É preciso, então, que os alunos entendam a política atual à luz do pensamento dos homens que desenvolveram esses dois princípios antagônicos (?).
Um outro professor leciona economia moderna. Ele tem que recuar a Adam Smith e Karl Marx, explicar "A riqueza das nações" e "O capital" para os seus alunos entenderem as diferenças entre capitalismo e comunismo no tocante ao controle econômico sobre os meios de produção. Sem ao menos isso ninguém vai aprender ou entender coisa alguma.
Mais: essa necessidade de que o ensino abarque todo o espectro do conhecimento humano, vem desde antes de Aristóteles, envolvendo filosofia, sociologia e outras ciências ditas como tal.
Um dia, vendo um indivíduo arrotando ódio contra comunistas, que para ele eram todos os adversários de Jair Bolsonaro, perguntei o que diferenciava comunismo de capitalismo nos planos político e econômico. "Não importa - disse -. Os comunistas são todos bandidos!". Então resolvi tornar a coisa mais simples e perguntei qual era a diferença no tocante ao controle sobre os meios de produção. Resposta: "Não importa. Já disse que são todos bandidos."
Esse é o conhecimento médio hoje nas discussões acerca das mudanças que o Brasil sofreu no plano político com as últimas eleições. Acredito piamente que o Partido dos Trabalhadores cavou sua própria sepultura por seus erros, pecados contra a ética e a honestidade ao longo dos quase 14 anos em que esteve no poder. Mas também sei que os brasileiros foram levados a votar em Jair Bolsonaro protestando contra o PT. Já ouvi de inúmeras pessoas que o presidente eleito não era o candidato delas, mas que elas não votariam de forma alguma em Fernando Haddad por suas origens políticas.
Essa crença na "Escola sem Partido", que surgiu desde 2004 como um contraponto aos pensamentos de "esquerda" prega que os professores não devem falar de socialismo ou comunismo para não "direcionarem" as crenças políticas dos alunos. Mas no Terceiro Grau e em ciências sociais isso é impossível, a menos que seja intenção do atual governo e seus assessores diretos das mais diversas áreas que o ensino superior não cumpra suas finalidades mais elementares. Sim, porque aí teremos uma "Escola sem Sentido". E uma agressão aos princípios quase sagrados da Liberdade de Cátedra.
Nesse caso, será mesmo melhor meninos irem às aulas de azul e meninas,de rosa. 

2 de janeiro de 2019

Como uma freira...

Jair Bolsonaro (E) sobe a rampa com sua esposa, o vice e a mulher deste
O Brasil reatou relações diplomáticas com Cuba, ainda durante a ditadura e depois de haver cortado essas relações logo após 1964. Não havia mais razão lógica para a ruptura e os dois países sabiam disso. Fidel Castro também tinha a exata noção de que todo o cuidado era preciso. Então chamou ao Palácio seu mais brilhante diplomata, disse a ele que seria o embaixador no Brasil e que possuía experiência e conhecimentos para tal. Completou: "Comporte-se como uma freira".
Izidoro Malmierca, o diplomata cubano, veio para o Brasil, apresentou suas credenciais e fez de sua passagem por aqui um misto de competência e discrição como raramente se vê. Quando foi removido, o caminho estava sedimentado e a ditadura militar brasileira era sepultada.
Hoje, depois de Jair Bolsonaro tomar posse e pela enésima vez dizer que é modelo de honestidade, vale recordar essa história. Sim, porque modelos de honestidade correm para explicar tudo o que pode gerar dúvidas como, por exemplo,a história do motorista de um dos filhos flagrado com movimentação bancária inexplicável para seus ganhos e que, em vez de comparecer para prestar depoimento e se explicar, sumiu. Evaporou. Está muito doente! Mas não parecia quando deu uma entrevista a emissora "amiga" falando sem explicar nada. Vende carros? Quais vendeu, quanto gastou, quanto lucrou e que documentos tem para provar que os ingressos de dinheiro em suas contas bancárias aconteceram nos dias de depósito dos vencimentos dos membros do Poder Legislativo do Rio de Janeiro por mera coincidência? Mesmo que seja por muita, mas muita coincidência mesmo.
A reação dos apoiadores do novo presidente quando esses fatos são comentados é sempre a mesma: outros tiveram movimentações financeiras bem mais suspeitas e "ninguém fala nada". O COAF só se preocupou em denunciar um fato porque respinga sobre um dos filhos de Bolsonaro. E daí se é real? O responsável pelo COAF foi prontamente afastado. Por quê? Ora, nos outros casos os fatos inexplicáveis eram de corruptos, certo? Esse não; esse é dos paladinos da moralidade pública!
Jair Bolsonaro não é bobo de não saber que sua fama de incorruptível vai ser testada de agora em diante todos os dias, de todas as formas. A dele e as dos filhos e fieis escudeiros. Afinal, honestidade nesse caso é bandeira de campanha para quem pretende até livrar o Brasil do "jugo" do socialismo, isso em uma sociedade bem diferente da ditadura que ele apoiou por 21 anos e nega hoje.
Vou colaborar com Jair Bolsonaro. Agora que ele já subiu a rampa e não quer descer por ela antes do tempo, mire-se no exemplo do diplomata cubano. A situação pode ser inversa no tocante à ideologia política, mas não no que diz respeito aos cuidados com os tempos. É preciso que o governante se comporte como uma freira castíssima. E em um convento, de preferência
.   

7 de novembro de 2018

Democracia, prensas e tratores

O presidente Michel Temer e o eleito Jair Bolsonaro ontem no Congresso
Os Estados Unidos estão renovando parte de seu Congresso e o Partido Republicano perde com isso a maioria da Câmara mas mantém e do Senado, onde a minoria fica com o Partido Democrata. Essas duas legendas comandam a política norte-americana há uma montanha de anos e são as referências para a esmagadora maioria da população do país. Há outros partidos lá concorrendo a todas as eleições, mas isso não tem a menor importância para efeito de ocupação de cargos.
A diferença entre os EUA e o Brasil é que aqui há uma babel política na qual legendas são o menos importante. Justamente por isso um dos filhos do presidente eleito Jair Bolsonaro disse que vai ser preciso "tratorar" a oposição ao seu papai e o futuro ministro da economia falou da necessidade de aprovação da reforma da Previdência com "prensa" no Congresso. Isso não é democrático. Ao contrário, demonstra  mais do que autoritarismo: mostra profunda ignorância.
Jair Bolsonaro imagina que pode tudo. Vai descobrir que não. Mas até isso acontecer conviverá com a realidade brasileira de que partidos não são muita coisa. Nós conhecemos o MDB, PT, PSDB, PSB, DEM, PP e alguns outros que surgiram recentemente. Há vários espalhados por nosso espectro político. Mas nenhum deles possui força efetiva duradoura. A tendência, inclusive, é de que muitos venham a definhar a morrer. Quem sabe até mesmo o do atual do presidente eleito caso ele fracasse. Afinal, trata-se de uma legenda de oportunismo, a oitava que Bolsonaro usa em sua carreira.
É que no Brasil existem bancadas, e elas são mais importantes do que as legendas. Há a Bancada da Bala, a Bancada Ruralista, a Bancada Evangélica, e vai por aí. Em todos os casos, os membros dessas correntes corporativas que passam na maioria das vezes ao largo dos reais interesses do País, se diluem entre os partidos menores, de aluguel. E podem usá-los à vontade, pois eles nada representam em termos de programa político, ideologia, ideais e princípios.
Por sinal, não há ideologia nos partidos brasileiros. Afora o PCdoB, condenado a morrer por ter representatividade diminuta, os demais mudam ao sabor dos ventos políticos que podem empurrá-los para diversas direções. Na maioria esmagadora das vezes eles não representam as necessidades do Brasil. São legendas politicamente falsas e seus interesses, claro, corporativos.
Por isso os discursos em pré-governo de extrema direita adota palavreados como "tratorar" e "prensa". Ninguém está lidando com princípios éticos, programas claros, ideologia, nada disso. Só interesses momentâneos, rasos, aproveitadores. E como tudo muda ao sabor do vento, pode mudar também sob pressão na cabeça dos futuros dirigentes federais.
Só que não, como se verá em breve.   
 

29 de outubro de 2018

Bolsa Demagogia

Todo ano, contanto haja eleição, os candidatos falam de uma anomalia brasileira que insiste em continuar a frequentar os noticiários e a povoar os cérebros (?) dos políticos brasileiros com o único propósito de conquistar votos: o Bolsa Família. E isso aconteceu novamente nessa campanha que elegeu Jair Bolsonaro presidente da República. Tanto ele quanto Fernando Haddad, seu opositor, não apenas falaram na manutenção do programa como prometeram aumento e 13º salário.
É um absurdo!
O número de paupérrimos no Brasil cresce na exata proporção do crescimento da irresponsabilidade política, da incompetência e da corrupção. E dessa forma sobe também o número de brasileiros que recebem esse auxílio, bem como o desembolso necessário a seu pagamento. E isso, com as outras promessas de campanha, está se tornando uma bola de neve. Há um Brasil que trabalha ou que trabalhou a vida toda até se aposentar sustentando um outro Brasil que não produz.
O Bolsa Família ou o que quer que o substitua um dia, deveria ser um rito de passagem. As pessoas que estão em estado de penúria receberiam esse auxílio do Estado enquanto esse mesmo Estado tentaria recolocá-las no mercado de trabalho ou as capacitaria para determinadas funções profissionais. Findo esse período e iniciadas ou reiniciadas as atividades produtivas, ele seria cancelado. Afinal, o que dignifica o homem é ser sustentado por seu labor.
Mas no Brasil, desde que o programa foi instituído demagogicamente, nada é exigido. Ao contrário, há um episódio inacreditável: no Nordeste, determinadas empresas necessitavam de costureiras para tocarem suas confecções. Via uma das entidades do sistema "S", foi criado um curso gratuito para a formação dessas profissionais. Mas tão logo as interessadas souberam que depois de concluírem o curso e conquistarem o emprego deixariam de receber a ajuda do Governo, todas desistiram. Desconheço o que foi feito para as empresas de confecções tocarem seu negócio.
Esse talvez seja o maior drama do Brasil de hoje. A malandragem apoiada pelo poder público já criou entre nós uma geração de parasitas que agora precisa ser sustentada com o dinheiro do contribuinte. Um dinheiro que deveria ter destinação muito mais nobre. Temos uma espécie de SUDENE da esmola institucional que se tornou câncer na nossa estrutura governativa. E serve para eleger e reeleger todos os que fazem da demagogia uma arma política de alto calibre.
Agora há um presidente eleito que prometeu aumento do Bolsa Família, bem como 13º salário. Vai chegar o dia em que um deles, para alcançar o Palácio do Planalto, prometerá a aposentadoria àqueles que não trabalham e, portanto, não vão voltar a trabalhar jamais.           

16 de outubro de 2018

E não há uma terceira via...

Bolsonaro (E) ergue o braço de seu bizarro vice-presidente  
Até o momento as melhores análises das eleições brasileiras, sobretudo do que vamos enfrentar depois de 28 deste mês, estão vindo do exterior. Falando ou escrevendo da Europa e dos Estados Unidos, principalmente, analistas políticos demonstram grande preocupação para com a situação atual do Brasil. Isso corresponde com o que penso: nós temos diante de nós um abismo à esquerda e outro à direita. Escolher um dentre os dois é difícil, já que não há uma terceira via.
Haddad percorre ruas tentando se distanciar de Lula. Não dá
O jornalista português Francisco Assis, do jornal "Público", divulgou seu pensamento em artigo intitulado "Um canalha à porta do Planalto". Nesse texto ele diz sobre o candidato à direita: "Bolsonaro não é Hitler, não é Mussolini, não é sequer Franco. Em bom rigor, se quisermos ater-nos a um debate intelectual de natureza escolástica, ele não é bem a representação do  fascismo. Há nele, contudo, na dimensão medíocre que a sua pobre personalidade proporciona, tudo aquilo de que a tradição fascista historicamente se alimentou. O anti-iluminismo, a exaltação sumária da unicidade nacional, a apologia da violência, o culto irracional do chefe. Bolsonaro é pouco mais do que um analfabeto ideológico com todos os perigos que isso encerra. Ele e sua prole de jovens tontos significam hoje o maior perigo com que se depara o mundo ocidental." (o negrito é dele)
Não sei se eu chegaria a tanto. Nem se separaria a ambos dessa forma. Diz o jornalista português: "Haddad é um intelectual sofisticado, um democrata respeitador dos princípios fundamentais das sociedades abertas e pluralistas, um homem de reconhecida integridade cívica e moral." Talvez isso seja verdade e os inquéritos a que o candidato das esquerdas responde acabem não dando em nada por vazios que venham a ser declarados. Mas ainda assim ele é o candidato do PT e aí mora o perigo.
Francisco Assis escreve em seu artigo que o Partido de Haddad sempre respeitou os limites democráticos e governou constitucionalmente. Mas não havia outra alternativa (negrito meu). No entanto seu partido deixou atrás de si um rastro de roubos inimaginável na história política do Brasil. Fernando Collor de Melo e sua "Casa da Dinda" chegam a parecer escoteiros travessos diante do que eles fizeram. E não me parece possível julgar Haddad sem Lula e seus assessores mais diretos incluídos. Ele independente da gang.
É uma situação trágica. E que leva os dois extremos a não enxergarem os males que estão a seu lado, nem a possibilidade de que haja méritos do outro. Até mesmo pessoas cultas, de boa formação anterior a essas eleições perderam a capacidade de julgar de maneira isenta. Todos se focam no que lhes parece o certo e vão em frente. Até termos intelectualmente pobres como MITO são usados para classificar o candidato que grita "Caveira" ao encerrar um discurso no BOPE.
E não há uma terceira via...         

26 de setembro de 2018

"Medalha Brilhante Ustra"


Lembro-me do fato como se fosse hoje e posso dar o nome porque a matéria jornalística foi publicada. O fotógrafo Gildo Loyola Rodrigues, do jornal A Gazeta, estava sentado à minha frente na sala que eu ocupava no Edifício Master Tower, na Enseada do Suá. Queria dele um depoimento - foi dado - sobre as torturas que sofreu durante a ditadura militar. Gildo chorou enquanto falava que as dores imensas o fizeram passar uma longa temporada em tratamento psiquiátrico fechado.
É até irônica a motivação da prisão e das torturas: ele fazia parte de uma organização "subversiva" sem jamais ter atirado em ninguém. Morava numa pensão e na parede da entrada estava sempre o menu do dia. Por exemplo: "Arroz, feijão, bife, batata frita e salada". Um dia a polícia entrou e o prendeu. Cartaz do menu nas mãos, o musculoso policial do DOPS queria saber qual era a "senha". Gildo passou o diabo na Polícia e no Exército. Sobreviveu.
Então, quando vejo pessoas que prezo dando apoio à campanha do candidato Jair Bolsonaro - prefiro chamar de Bolsonazi -, fico me perguntando se a aversão aos desmandos do PT, realmente imensos, pode justificar uma opção que abraça torturadores do regime militar brasileiro, esse estuprador da democracia no Brasil. Não, não pode justificar.
Gildo, hoje aposentado, jamais votaria nesse elemento. Talvez também não no PT, acredito. E sei que ele sentiu aversão ao nosso momento político ao ouvir discurso de Bolsonazi na Câmara dos Deputados e no qual este fazia elogios ao torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, militar membro do CODI/DOI durante o regime militar. DOI quer dizer Departamento de Operações Internas e a sigla foi mantida para deixar claro que provocava dor demais.
Bolsonaro jamais deixou de dizer que admite tortura. Gosta disso. Seus filhos, farinha do mesmo saco, seguiram caminho idêntico. Agora mesmo uma revista de circulação nacional mostra um deles, de nome Carlos, publicando foto de simulação de tortura com saco plástico sobre a cabeça (imagem menor logo abaixo) e diferente dessa que é publicada maior, acima, e mostra o "pau-de-arara".
A tortura humilha muito mais o torturador que o torturado. E a violência dessa gente só se corporifica contra mulheres e homens indefesos. Homúnculos que são, não têm coragem de lutar mano a mano, em campo aberto, contra aqueles que consideram inferiores. Eu os enfrentaria. São covardes mesmo. Sugiro que o candidato atualmente liderando as pesquisas para a presidência da República proponha ao Congresso a criação da "Medalha Brilhante Ustra" para premiar todos os torturadores e seus apoiadores. Sugiro também que tal medalha tenha em sua face a imagem de um torturado sujo de sangue com saco plástico cobrindo a cabeça.
A homenagem cairia como uma luva.
Não sei se consegui explicar às pessoas que admiro porque jamais votarei no capitão candidato. E isso apesar de sentir grande aversão pelo PT e seus desmandos.