23 de abril de 2015

O PT não é a esquerda!

Defendo, desde há muito tempo, que o PT não é a esquerda. Agora sei também que aquele mosaico de grupos e grupelhos surgido de movimentos sindicalistas operários já no ocaso do regime militar foi aos poucos se deteriorando e se tornando terreno fértil para todo  tipo de desvios. Formou-se aí o caldo de cultura que nos levou aos escândalos e, desde o mensalão, tiram o sono daqueles que nasceram para amar o Brasil acima de tudo e a crer nele além de todas as coisas.
O que falta ao PT é ética, nome dado ao ramo da filosofia dedicado aos assuntos morais. A palavra ética é derivada do grego e significa aquilo que pertence ao caráter. Não a tendo, pode o homem tudo. Não há mais freio para ele e qualquer ato, em qualquer direção, pode ser praticado. Sem limites, nem ao menos legais para andar, quaisquer fins justificam quaisquer meios.
Votei no PT em 2002 como milhões o fizeram. Via naquela opção, sobretudo porque dela faziam parte centenas ou milhares de brasileiros vítimas da ditadura militar, a forma mais acertada de construirmos um Brasil novo, com inclusão social e livre de corrupção institucional. E foram justamente as pessoas das quais mais esperava as primeiras a me enganarem. Perseguidos políticos como José Dirceu, José Genoíno e outros, prostituíram-se ao chegar ao poder. Não tinham, como seu partido não tem, um projeto de governo. Tinham um projeto de poder. E para mantê-lo valia qualquer coisa. O Foro de São Paulo nos conta essa história.
Os danos à Petrobras são apenas um detalhe. Ainda não foi aberta a caixa preta do BNDES. E só num País como o Brasil é possível existir uma instituição pública, um Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, onde o Estado comandado por um partido que se julga seu dono pode "emprestar" dinheiro público no exterior sem que o contribuinte tenha sequer o direito de tomar conhecimento desse fato. Mandaram meu dinheiro para fora e eu nem posso saber quanto nem para onde foi. Nem, também, quanto ficou por aqui, em contas bancárias diversas.
Até onde isso vai? A presidente não governa mais. Nas mãos do vice-presidente e do corpo de ministros que o comanda, o governo tenta de tudo para fazer passar no Congresso textos legais que vão aumentar ainda mais a fome dos brasileiros. Os 38 ministérios continuam comendo verbas públicas sem piedade. Cargos de segundo escalão são dados em troca de votos. A verba partidária foi aumentada em 300 por cento enquanto outras, como a da Educação, são ceifadas ao menos à metade em nossa "pátria educadora" de araque.
Só não dá vergonha ser brasileiro porque isso não é o Brasil.
   

13 de abril de 2015

Mestre e o preto safado

Faz tantos anos...
Na antiga TV Record, ícone do início da televisão no Brasil, um negro foi dar entrevista. Ao final dela, aceitou o convite de Hebe Camargo, titular do Programa Hebe Camargo, para cantar. Com um vozeirão de fazer inveja, cantou "Dora". Foi aplaudido de pé.
Tratava-se de Esmeraldo Tarquinio (foto acima), ex-favelado, ex-cantor de conjunto de beira de cais que se apresentava em prostíbulos - no caso, o cais do Porto de Santos  -, advogado do Sindicato dos Estivadores, membro do Partido Comunista Brasileiro e recém eleito prefeito de Santos pelo MDB.
Não chegou a tomar posse. Para a ditadura militar recém instalada, era demais. Além de "preto", como foi chamado, era comunista e se apresentava na zona para poder ter dinheiro e estudar Direito. Uma lei foi feita às pressas tornando vários municípios brasileiros região de segurança nacional "livre" de eleições diretas. Esmeraldo teve o mandato cassado. Foi preso. "Bem feito para aquele

preto safado", ouvi muitos dizerem, ainda criança., no clube onde meus pais eram sócios. Esmeraldo, cardiopata, não sobreviveu muito tempo depois disso. Logo estaria sepultado.
Em Vitória viveu Mestre Flores (foto abaixo). Pobre, sem estudo formal, foi  preso como membro do PCB. Nunca mais conseguiria encontrar emprego. Não era negro mas militava em partido político proscrito. Portanto, era um criminoso. Mas sabia tocar. Pegou seu cavaquinho e foi com o conjunto do qual fazia parte tocar em São Sebastião. Ou Carapeba, se preferirem. Ou nos puteiros, para ser mais claro. Afinal, precisava sustentar a família. O velho jornalista Chico Flores recorda-se disso, pois era filho dele. A última entrevista que deu na vida, Mestre Flores deu a mim. Na época, com seu Regional, tocava em praças, clubes ou no bar perto da casa onde morava, em Santa Lúcia. Morreu idoso. Mas até o final da vida guardava mágoa, muita tristeza, por tudo o que havia passado.
Esmeraldo e Flores são vítimas da ditadura militar que infelicitou o Brasil de 1964 a 1985. E vejam: eles não foram torturados e nem mortos nos porões do regime. Não tiveram a "honra" de conhecer o delegado Sérgio Fleury ou seus amigos. Apenas eram lixo para os donos do poder.
Eu pensava nos dois enquanto as emissoras de TV mostravam, ontem à noite e hoje pela manhã, as imagens de pessoas pedindo intervenção militar no Brasil, travestidas de democratas e infiltradas em um movimento que quer apenas um País digno, livre da corrupção crônica na qual vive.
Das duas, uma: ou essas pessoas não sabem o que estão fazendo, ou sabem muito bem. Muito mesmo...    
          

11 de abril de 2015

O BNDES vem aí

A manchete de hoje de O Globo diz: "Lava-Jato chega à Caixa e ao Ministério da Saúde". Se Neguinho da Beija Flor fosse chamado para falar, diria: "O BNDES vem aí, gente!"
Hoje pela manhã eu conversava com um amigo com amplo conhecimento no Poder Judiciário. E ele me dizia que o juiz Sérgio Moro não atua sozinho. Há uma equipe auxiliando-o em seu trabalho, e isso com dois objetivos: para conhecerem o maior número possível de fatos e jamais errarem, o que significa estudar todas as vertentes das tortuosas leis brasileiras antes de tomar decisões cruciais. E, como acredito eu e ele também, a atuação do juiz é não isenta de risco. Tanto que muitos não aceitariam esse trabalho, até pelo stress emocional que ele carrega.
O atual momento brasileiro mostra que a vida do País está mudando. O deputado que um dia, sentado à mesa da direção da Câmara, ergueu o punho direito imitando José Dirceu e outros e afrontando a presença ao seu lado do então Ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, hoje habita todas as páginas de jornais e imagens de televisão, preso pela Polícia Federal em Curitiba.
Democracia não se faz com falta de respeito. Da mesma forma como um membro do Poder Judiciário não pode jamais afrontar representantes dos demais Poderes, um Ministro do STF jamais deveria ser desacatado em pleno plenário da Câmara dos Deputados. Nem se o autor do desacato, da afronta, fosse um parlamentar honesto, o que definitivamente não é o caso.
Aliás, o Legislativo deve muitas explicações à Nação. Sobretudo e principalmente seus membros que assinaram o pedido de abertura da CPI do BNDES para retirar a assinatura depois. O Governo não diz que é honesto? Não diz que nada tem a esconder? Então por que empresta meu dinheiro em negócios suspeitos e secretos? Como, em tempo de paz, um banco de desenvolvimento, que lida com dinheiro público, pode conceder empréstimos secretos? E, pior do que tudo, ao que tudo indica a ditaduras sanguinárias africanas que atentam contra os direitos humanos. O objetivo principal do BNDES é atender aos interesses nacionais e suprir as necessidades do Brasil.
Quando nosso banco foge a essas diretrizes, torna-se suspeito. E suspeito de fazer parte das coisas que levaram o ex-deputado André Vargas, o citado mais acima, à cadeia. Roubar dinheiro público, sobretudo exercendo cargo público, é crime sem perdão. Quando cometido por um governo de um partido político que pregava a honestidade e a ética, pior ainda.
Estamos tratando da coisa pública como se privada fosse. Tanto no sentido do privado, coisa das pessoas, quanto no sentido de vaso sanitário. Só por isso o Brasil merecia ter outros juízes como Moro, ou outras equipes jurídicas combatendo o crime, como essa.      

1 de abril de 2015

Nunca antes na história desse País

O garçon do restaurante onde eu como de vez em quando, um self-service, sentou-se para conversar. A mãe dele, que mora na periferia da cidade da Serra, região da Grande Vitória, parou a obra que faziam na casa. O dinheiro não dá mais. Agora, fica tudo no tijolo. Quando for possível, continua.
Esse mesmo rapaz tem amigos vizinhos em situação parecida. Um está desempregado, pois trabalhava numa padaria que reduziu o número de funcionários. Outro está trocando o aluguel da casinha onde morava pelo de uma bem menor. Coisa de 30 metros quadrados.
Há também, citado por ele, o caso do que está roubando. Até agora deu a "sorte" de não ser preso. E a menina amiga de infância que "se perdeu" com o namorado, anda cobrando R$ 30,00 por programa. Não dá para fazer por menos. Todos rigorosamente, diminuíram à metade a quantidade e qualidade de coisas que botam nos carrinhos de compras. Os que têm emprego com carteira assinada esperam trêmulos pelo final do mês para terem a certeza de que a demissão não vem. Já os outros, desempregados faz bons meses, mendigam emprego. Salário mínimo basta.
- Sabe aquela velha que todo dia está pedindo esmola na frente da agência do Banestes? Ela mora por lá. Não consegue sobreviver com Bolsa Família, pois há mais bocas famintas em casa - diz ele.
O que o leitor acha que há em comum entre essas pessoas? Vou dizer: elas votaram em Dilma Rousseff. Acreditaram piamente nas promessas de campanha da candidata dos pobres, da chefe do governo "de esquerda". Da sucessora de Lula o ex-operário aposentado por ter perdido um dedo e que se elegeu presidente prometendo fazer do Brasil outro país. Fez. Aqui, hoje, um grande número de pessoas são presas todos os dias por roubo. O total talvez nunca possa ser calculado.
Nunca antes na história desse País houve algo parecido.
Mas, aconteça o que acontecer, os grandes ladrões um dia vão sair da cadeia para viver muito melhor do que o garçon que usou meu tempo até ser chamado por outro freguês. Foi cumprir sua faina diária. Como o restaurante é só de almoço, ele deve agora estar no ônibus indo para casa e contando o dinheiro das passagens de todos os dias. Tem um irmão altista que não é aposentado.
Ele é um dos milhões de brasileiros vítimas do maior crime de estelionato político de nossa história. Mas Dilma Rousseff reagiu: o novo chefe da Comunicação Social da "Pátria Educadora" tem quase R$ 190 milhões para propaganda oficial a ser distribuída pela maior quantidade possível de nossas empresas de Comunicação. É ela diz que a liberdade de imprensa é um de seus lemas. Você crê?
O moço que está indo para casa, não. E eu também não acredito que essa dinheirama compre muitos silêncios. Mas certamente vai comprar alguns. Isso sempre acontece.  

22 de março de 2015

Os moinhos de vento da "guerra" brasileira

Quando garoto, era fã de Vittorio Gasman, sobretudo de sua atuação no filme "O Incrível Exército Brancaleone", que fez sucesso em todos os lugares. Era a história burlesca de um Dom Quixote moderno, só que com outros moinhos de vento pela frente. De repente, quando vejo os "embates" políticos de hoje aquela história me vem à mente. A foto desse artigo mostra o filme e jamais pensaria que ele se tornaria tão atual passadas décadas de ter sido feito como comédia.
Enquanto esse País se debate no lamaçal de corrupção a que o PT o levou, duas correntes antagônicas marcam nosso dia-a-dia com discursos que beiram o ridículo. Hilários, de um lado está o economista João Pedro Stédile, ator de esquerda e que é capaz de ver a CIA norte-americana em todos os cantos. Do outro está o deputado federal Jair Bolsonaro, militar da reserva, ator de direita e que pede uma nova intervenção armada para salvar o Brasil da invasão comunista. Cada um dos dois enxerga a situação do Brasil por sua miopia pessoal e brada todos os dias da forma mais desbaratada possível.
Stédile tem a vantagem de poder falar eventualmente ao lado da "maior" figura da República, a presidente Dilma Rousseff. Promete arregimentar seu exército famélico e esta o ouve embevecida fazendo um ou outro reparo pontual. Bolsonaro, não. Considerado inimigo em todas as frentes (agente da CIA?), ocupa a tribuna da Câmara dos Deputados e vez ou outra puxa da espada para atacar até casamento gay. Na falta de inimigos homens, enfrenta mulheres que devem ser a sua versão de moinhos de vento. A uma ele já disse "poucas e boas", ao vivo pelas emissoras de TV.
Quando Charles De Gaulle disse que o Brasil não é um País sério, esses personagens de nossa tragédia moderna estavam fora de cena. Estivessem e ele teria rido muito mais. Afinal de contas, se olhados pelo lado tosco, ambos são burlescos. Daria tudo para ver um duelo de MMA entre ambos.
Esse tipo de gente, essas figuras descoladas da realidade, ajudam a tornar mais difícil ao cidadão comum entender a gravidade da situação que estamos vivendo. O Brasil não está diante de uma luta de classes ou da proximidade de enfrentamento entre exércitos de esquerda e de direita. Estamos vivendo, isso sim, a maior crise moral de nossa história. Diante de nós está sendo colocada a necessidade de que dezenas de corruptos de primeira linha (os já denunciados, mas falta muita gente) sejam processados, punidos e devolvam aos cofres públicos uma inacreditável massa de dinheiro roubada a mim, a você, a todos nós, ao longo de mais de uma década de bacanal financeiro.
Stédile e Bolsonaro certamente continuarão a falar. Por trás do primeiro sempre estará a caricata figura de Luiz Inácio Lula da Silva o incentivando a usar seu "exército". Por trás do segundo sempre estarão os extremistas de direita que pregam uma intervenção militar no Brasil.
Deixemos que eles se matem. Muito, mas muito mais importante do que isso, será o Brasil acompanhar atento, gritando, denunciando, o desenrolar das diversas investigações e processos que estão sendo realizadas para nós salvar de quadrilhas horrorosamente bem organizadas. E precisaremos de muita força. Há esquemas de abafamento em todos os três Poderes. Até usando toga.            

8 de março de 2015

De golpes e leis

O assunto mais discutido nos dias de hoje é se a eventualidade de um impeachment contra a presidente Dilma Rousseff seria ou não um golpe. Mais do que isso: um golpe contra a democracia. Antes que a discussão se torne acadêmica, cabe uma opinião ditada pela experiência e conhecimento dos meandros da vida brasileira: tudo o que é feito de acordo com as leis, seguindo os trâmites normais e com os tanques de guerra devidamente guardados nos quarteis, é legal. Não é golpe. Foi assim com Fernando Collor de Mello. Será assim com qualquer outro.
Ontem o senador Lindberg Farias confessou que agiu de "maneira imprópria" mas não ilegal. Reconheceu que recolheu dinheiro das sujas mãos de Paulo Roberto Costa. Como não dava mais para negar, disseram a ele que o melhor seria admitir o fato com versão suave. Ao que tudo indica, com o passar dos dias muitos outros farão isso. Todos meteram as mãos em dinheiro sujo.
Quem não acredita em Papai Noel, Branca de Neve, Visconde de Sabugosa e outros personagens como o Saci Pererê, não acredita também que Lula e Dilma desconheciam que esquemas de desvios de dinheiro público existiam na Petrobras e que esse dinheiro ia não apenas para os bolsos - e cuecas - de diversos personagens de nossa República, mas também para o caixa dos partidos políticos. Apenas para financiar campanhas? Não, claro. Também para engordar cofres particulares dos "próceres" desses partidos. Não há a menor sombra de dúvida de que a montanha de dinheiro desviada da Petrobras seria suficiente para construir uma cidade de Casas da Dinda.
A frágil legislação brasileira, que não coloca limites nos gastos de campanha, permitiu que partidos políticos e empresas se locupletassem durante os últimos anos. Mais precisamente de 2003 para cá. A quebra da Petrobras, fato antes considerado impossível, talvez tenha sido o maior feito da "quadrilha" montada para assaltar os cofres públicos. E ninguém com conhecimento de mediano para cima dos fatos brasileiros tem a menor dúvida de que se essa investigação chegar ao BNDES - para citar só mais um exemplo "de peso" - cai toda a República. Não sobra pedra sobre pedra.
Ora, estamos diante do maior escândalo da história brasileira. Deixem os tanques nos quarteis e sigam investigando. O que vier com base nas leis, legal é. Elas já existem para proteger os poderosos e quando nem isso conseguem fazer mais é porque as coisas estão fora de controle.
Dilma, a madame da foto, sempre soube de tudo. Lula também. Agora é permitir que as prossigam. E que o povo vá às ruas e se manifeste. Como dizia Castro Alves, "a praça, a praça é do povo como o céu é do condor..."
investigações

25 de fevereiro de 2015

Eles não merecem perdão!

Nenhum dos ex-líderes de esquerda da época da ditadura hoje condenados por crimes envolvendo dinheiro público merece perdão. E isso justifica, ao menos em mim, a ojeriza que tomei pelo PT.
Em fins de 1968 estava em São Paulo e, como um então militante do PCB, participei de várias manifestações contra a ditadura militar brasileira. O Partidão não aderira à luta armada por não crer que ela fosse a solução de nossos problemas, mas sabotava essa ditadura via sobretudo o MDB, passeatas, greves e outras manifestações públicas à época ilegais. Lembro-me de um dia ter até esbarrado num jovem estudante que liderava as manifestações da UNE. Chama-se José Dirceu.
Hoje a gente sabe que em 1996 só pagava Imposto de Renda quem recebia mais de nove salários mínimos. Hoje basta ganha pouco mais de dois para pagar. Antes não havia fator previdenciário achatando aposentadorias do INSS e hoje existe, agudizando-se a cada ano. São heranças malditas do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso e não sei se hoje ele se arrepende delas. Mas em 2002 votei em Lula. Acreditava que a esquerda corrigiria esses erros e faria ainda mais pelo Brasil.
Ledo engano.
Nunca esperei nada de Lula, pois o sabia, como sei, intelectualmente um pobre diabo, embora carismático e capaz de arrebatar multidões. Mas esperava tudo daqueles que o cercavam, oriundos que eram da época da luta pela redemocratização do Brasil. Quando estourou o escândalo do mensalão, caí de costas. Depois vieram outros, mais outros, processos, prisões e de nada adianta sair de casa para a penitenciária com o punho levantado e fechado. O dinheiro estava na cueca. Finalmente, o último episódio conhecido, esse da Petrobras, me fez ter a convicção de ter ajudado a colocar uma quadrilha no poder. E de nada adiantou fazer propaganda contra depois disso. As demagogias desenvolvidas para ganhar e sustentar os votos dos miseráveis, como as tais bolsas, formaram um enorme contingente de eleitores. Os incultos pobres votam pensando no estômago.
O fator previdenciário permaneceu e ganhou fôlego. O Imposto de Renda a cada ano envolve mais gente. Em 2014 vivemos uma farra de dinheiro público e hoje um Brasil quebrado assiste ao réquiem desse grupo que, além de todos os pecados, ainda é incompetente. A "esquerda" de Joaquim Levy e Kátia Abreu é o que resta hoje do sonho de 13 anos passado. E só resta isso porque o mais foi rapinado para comprar parlamentares e roubar dinheiro de empresas públicas via empreiteiras.
Nenhum desses ex-líderes merece perdão. Nem hoje nem nunca.

16 de fevereiro de 2015

Olhando para o rabo


  • Se você lê as grandes revistas de circulação nacional, sabe: todos os colunistas regulares divulgam unicamente as "vantagens" do privado sobre o público. A escolha de Joaquim Levy como Ministro da Fazenda foi saudada como um marco histórico. Já no caso da ruralista Kátia Abreu o entusiasmo é mais medido. Ministra da Agricultura do "Governo de Esquerda", ela acaba sendo citada como uma curiosidade em vez de por sua pretensa capacidade. Seu vestido de "Pamonha do Campo" no dia da posse alimentou todas as piadas e também destacou seu gosto pelos jatos da FAB junto a um dos mais posa na primeira foto junto à presidente Dilma Rousseff, que a sustenta ou engole. De Levy não se faz piada, engraçado!
Época desta semana sintetiza o pensamento geral em um artigo da sessão "Nossa Opinião", com o quilométrico título "Sem ajuste fiscal não haverá emprego nem programas sociais". Talvez por pudor o texto não é assinado. Afinal, é a empresa quem banca esse tipo de opinião.
Não existe tratado sério de economia que determine a competência ou a incompetência de empresas unicamente por terem controle privado ou público. O que faz das empresas sucesso ou fracasso é a gestão. Nada mais. Se são geridas de forma profissional e capaz dão certo. Caso contrário, fracassam. E foi o PT, e mais ninguém, o responsável pela disseminação no Brasil da ideia de que tudo deva ser privatizado, sem o que fatalmente fracassará. Fez isso trocando favores por cargos, colocando gente incompetente na gerência de empresas, dilapidando e roubando dinheiro público.
O "privatismo" no Brasil começou com Fernando Henrique Cardoso. Mas tentou ser sério embora as empresas públicas brasileiras, como a Vale, tenham sido privatizadas por preços defasados. Quando Lula e depois Dilma chegaram ao poder, de certa forma as privatizações cessaram. Mas a elas deu lugar a negociata de cargos. E isso abasteceu de argumentos aqueles que defendem a prevalência do privado sobre o público apenas e tão somente pelo fato de o controle ser ou não do Estado.
Aos que têm memória curta, um lembrete: foi durante os 21 anos da ditadura militar que mais se estatizou no Brasil. Mas na época ninguém criticava. Era perigoso e os patrões não queriam deixar de mamar nas generosas tetas da Nação que só ajudava aos aliados. Até hoje, como se vê na segunda figura deste texto, saudosistas choram a ditadura por seu legado estatista.
O que faz do Brasil um fracasso no campo das empresas públicas é que elas não são organizações profissionais, mas moedas de troca. Sempre foram. Mas somente de 2003 para cá essa prática foi levada às últimas consequências pelos governos petistas. Como não houve limites para as negociatas e as trocas de favores, aí está a Petrobras, um gigante brasileiro prostituído, para alimentar colunas e matérias jornalísticas. Petistas, não culpem a "grande imprensa" por isso. Olhem para trás, vejam o tamanho de seus rabos, a imensidão de sua incompetência, a monstruosidade de sua falta de ética e reconheçam: vocês ainda não destruíram, mas estão destruindo o Brasil.
E ajudando na construção de teses econômicas que não se sustentam em nenhum trabalho acadêmico sério.
Em tempo: Talvez filosoficamente, muitos sustentam que o papel do Estado é o de prestar serviços e não de empreender. De regulamentar e não dirigir empresas. Sim, pode ser. Mas essa é uma outra história, uma outra discussão que envolve, agora, muito de ideologia política.        

28 de janeiro de 2015

O preço do butim

Impostos, ou tributos, são o meio de o Estado arrecadar para servir ao cidadão. Para agir em benefício dele. Sem arrecadação não há como construir estradas, hospitais, ferrovias, saneamento básico, etc., etc., etc. Sendo assim, em qualquer lugar do mundo os governantes fazem uso da arrecadação obtida de seus cidadãos para agir em defesa deles, em nome deles, em benefício deles.
Eu disse "em qualquer lugar do mundo"? Desculpem-me, foi engano.
O Brasil não é o único caso, pois há países onde as coisas são até piores. Mas aqui o dinheiro dos tributos que o cidadão paga - e a cada ano paga mais - mal serve para ser usado em seu benefício. Ele custeia privilégios, compra apoios políticos, infla a máquina pública, se esconde debaixo do tapete, eterniza a pobreza à custa de falsos programas sociais e mantém um sistema de propaganda que tenta vender ao cidadão, sobretudo ao que tem menor grau de informação ou educação formal, a imagem falsa de que ele vive num país onde um "governo de esquerda" trabalha para os trabalhadores.
Esse é o dano do imposto no Brasil. O fato de ele não retornar como benefícios, como melhoria de nível de vida. O fato de que ele serve para pagar suborno, manter 39 ministérios e um mundaréu de amigos, parentes e companheiros dos que chegaram ao poder sobretudo graças à ignorância popular.
"Brasil, Pátria Educadora"? Isso é brincadeira.
Os direitos dos trabalhadores jamais serão tocados? Isso é mentira.
O governo eleito em fins do ano passado é hoje o inverso de tudo o que prometeu ao longo da campanha política. E durante toda essa campanha isso foi dito incontáveis vezes e de todas as formas. Mas como convencer quem recebe dinheiro público na formas de bolsas de diversos matizes e acha que o País protege a todos dessa forma, sem as contrapartidas do trabalho e da qualificação?
Os 39 ministérios serão a cada dia mais inflados. Será preciso proteger o governo do fantasma do impeachment. Esconder o mar de corrupção que tem na Petrobras seu maior exemplo. Será preciso fazer como ontem: falar em reuniões ministeriais que o Estado brasileiro trabalha para os menos favorecidos e, ao mesmo tempo, contemplar os poderosos com favores. Afinal, um governo envolvido até a medula, direta ou indiretamente, em escândalos, depende de quem se vende. E hoje o butim custa caro.
Que saibamos disso nós, os devedores dessa conta.      

15 de janeiro de 2015

Quem são os terroristas?

Sempre me incomodou, e muito, a forma como nós tratamos a questão do terrorismo no nosso País. Aliás, como essa questão é vista do modo Ocidental. E, da forma como nós a vemos, sempre considerei que, para os meios de Comunicação do Brasil e de outros países mais ou menos com visão parecida desse fenômeno, terrorista é um termo que a gente usa para identificar o inimigo. Somente ele.
Leandro Carvalho, um doutor em história, tem uma definição de "Terrorismo de Estado" que tomo emprestada: "É praticado pelos Estados nacionais e seus atos integram duas ações. A primeira seria o terrorismo praticado contra a sua própria população. Foram exemplos dessa forma de terrorismo: os Estados totalitários Fascistas e Nazistas, a ditadura militar brasileira e a ditadura de Pinochet no Chile. A segunda forma se constituiu como a luta contra a população estrangeira (xenofobismo)."
Se nós pararmos para pensar de modo a ver a questão sem envolvimento com esse ou aquele lado, vamos ter que concluir que, nos últimos tempos, Israel praticou Terrorismo de Estado em diversas ocasiões contra populações palestinas. Mas se um israelense ou militar de Israel matar civis da população inimiga, ele será identificado no máximo como "radical". E já vi isso várias vezes. Já se uma bomba caseira for atirada da Faixa de Gaza em direção a território israelense, inclusive os tomados à força aos palestinos ao longo das diversas guerras havidas, o ato será de terrorismo. Mesmo se ninguém morrer.
O ataque às Torres Gêmeas foi terrorismo. O massacre no Charlie Hebdo, idem. E nem importa considerar aqui as razões alegadas para que os atos fossem praticados. Nos dois casos e em inúmeros outros, são ações injustificáveis sob o ponto de vista da lógica, do humanismo. Mas o "nosso lado" faz igual ou pior. Muita gente vê, mas faz que não. Israel mesmo permitiu criminosamente o massacre de Sabra e Chatila, um episódio passado dantesco de sua história. Jamais foi taxado de Estado Terrorista.
Esse é um dos motivos pelos quais não há respeito entre o Ocidente, como cultura, e as demais regiões culturalmente diferentes. Elas não são opostas, mas acabam tratadas como tal. E suas populações sabem como são vistas por nós. Vem daí a revolta que às vezes se materializa em atos sangrentos. Como disse um líder muçulmano entrevistado, Maomé pode perdoar o Charlie Hebdo. As pessoas, às vezes não.
Não tenho dúvida: nós, os ocidentais, contribuímos para a manutenção do clima de guerra não declarada com as demais culturas, sobretudo islâmicas. Ou a visão dominante muda ou ainda vai morrer muita gente nessa trilha de sangue que a cada dia se aprofunda mais e mais.

8 de janeiro de 2015

De como vencer o ódio

O massacre que atingiu o periódico Charlie Hebdo, em Paris, mostra a face mais cruel do extremismo islâmico. Uma visão muito particular dessa corrente religiosa e que é repudiado por praticamente todos os seus praticantes. Para muçulmanos é ofensivo apenas retratar o profeta Maomé, e sobretudo em situações anedóticas. Mas matar, em qualquer lugar, é mais ofensivo ainda.
Incompreensão de natureza religiosa existe em todos os lugares. Aqui mesmo no Brasil, um país laico, alguém se confesse ateu, agnóstico ou livre pensador, geralmente vê muitas outras pessoas se afastarem. Mas essas mesmas pessoas não admitem contestações à sua crença ou dogmas religiosos. No passado, esse tipo de comportamento foi mais agudo no Brasil e teve a participação da Igreja. Inclusive católica.
E nosso conceito de Estado Laico permite muitas coisas. Temos por aqui várias seitas religiosas que são, na verdade, grandes negócios feitos para enriquecer seus donos. E o Estado convive com isso sem fazer nada. Ao contrário, até a atual presidente foi pedir votos em um "templo" desses durante a campanha. Mais recentemente, o "líder" de uma corrente pregou a substituição do dízimo pelo trízimo. No ver dele, deveriam ser 10 por cento para cada membro da Santíssima Trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. E quem aceitar a nova ordem, pode ter uma certeza: os 30 por cento serão todos dos donos da seita.
O extremismo islâmico se manifesta de forma diferente: ele mata. Na foto jornalística desse artigo há um acusado de roubo tendo a mão decapitada. Foi a imagem mais "sutil" que encontrei. E esse tipo de extremismo vem se alastrando, sobretudo em quase todas as regiões africanas, Europa, Estados Unidos e parte da Ásia. Ninguém está seguro contra um atentado. Ele pode acontecer a qualquer hora. Em países conflagrados, com combates entre correntes religiosas, as mortes violentas são o dia-a-dia das populações.
Vencer esse estado de coisas exige determinação. E atacar os muçulmanos é o pior caminho possível. Eles são, em essência, pacifistas. É preciso dar-lhe condições de se fortalecerem e irem aos poucos derrotando os segmentos violentos e sectários dentro de sua religião, de preferência com o poder da palavra. Para que um dia esses grupos sejam tão insignificantes que sumam naturalmente.
Isso seria mais fácil de acontecer, claro, se os Estados Unidos ajudassem não pretendendo serem o xerife do mundo e não apoiando todas as ações de Israel, sobretudo sua vocação para o terrorismo de Estado, o que a imprensa ocidental não denuncia jamais.
Mas mesmo sem isso é possível ganhar a guerra renunciando usando armas que não atiram .          

1 de janeiro de 2015

A refém empossada

A não ser para os milhares de militantes que compareceram com suas bandeiras e slogans de sempre, a  posse da presidente Dilma Rousseff, hoje, é mais um momento de medo que de alívio. Apesar de seus discursos, tanto no Congresso quanto no Planalto, a faixa presidencial foi colocada no peito de uma chefe de Executivo sem capital político, cercada de escândalos por todos os lados. E refém política. Se não bastassem as denúncias e processos já públicos, há também a perspectiva pelos que vão surgir em breve.
Como se justifica que um País tenha 39 ministérios? Somente se admitirmos, pois não há outra coisa a fazer, que esse amontoado de feudos políticos servem muito mais como moeda de troca do que como estrutura de governabilidade para o Estado. Encarecendo-o enormemente. E por que isso acontece?
O PT jamais soube dividir poder. Democracia Representativa é algo extra terrestre para ele. Política começa e se encerra, no PT, sem admitir coalizões. E como para se eleger o partido precisou fazer composições com legendas que nada tinham de identidade programática consigo, foi preciso criar espaços para que os "aliados" tivessem representatividade. Ainda que para roubar dinheiro público.
Foi dessa forma que os ministérios chegaram a 39 e permitiu-se o mensalão, o petrolão e tudo o mais. Se o exercício do poder não pode ser feito por acordos, por identidade programática ou por compromissos políticos, que se faça por suborno. Por compra de apoio ou pela abertura de canais que permitam a pessoas sem princípios avançar sobre o dinheiro público ocupando cargos. Os "clubes" de empreiteiras já existiam antes do PT. Mas foi com ele que chegaram à "envergadura" atual.
Dilma Rousseff não vai poder vencer essa estrutura. Mesmo que queira, no que não acredito. A estrutura, e ela sabe disso, é mais forte do que seu coração valente de marketing político. Se ela tentar atropelar os esquemas que a colocaram no poder, eles a atropelam. Abrem caminho para processos de impeachment que podem surgir mesmo sem que essa situação se materialize, dependendo de denúncias a surgirem.
Havia pouca gente para prestigiar a posse da presidente. Em termos de Brasil foi uma audiência pequena. Grande mesmo era a quantidade de aproveitadores em torno do beija mãos e do rega bofes. Mas não serão eles que evitarão uma derrocada. Tradicionalmente, são os primeiros a correr.    

12 de dezembro de 2014

Por um novo tempo

"Ou restaure-se a moralidade, ou nos locupletemos todos"
Quem disse isso, já se vão muitos anos, foi o fantástico Stanislaw Ponte Preta. Ele morreu do coração sem ter visto o mensalão, o petrolão, sem conhecer os processos de escolha de grandes "próceres" modernos de estatais, etc. Talvez tivesse o querido Sérgio Porto produzido pensamento ainda mais contundente. Sim, porque ele não se locupletava mas via como as coisas se davam.
Irônico, mas Stanislaw foi perseguido pela ditadura militar 1964/1985. Não viu a queda desta, a volta da democracia, a Constituição Cidadã, a cassação do mandato de Fernando Collor de Mello nem a ascensão ao poder do PT, depois de anos clamando por moralidade e ética na política. Sem saber que seria vítima de estelionatários políticos, votei em Lula em 2002. Fazer o que? Estava errado.
Imaginava que se roubos houvesse, se danos ao patrimônio público fossem cometidos, eles envolveriam figuras menores da República. Jamais homens que haviam passado pela luta armada durante a ditadura - o que foi  um erro - para defender a volta da democracia e a instauração de um governo capaz de redistribuir riquezas, de combater vícios antigos e de livrar o Brasil de seus pecadores contumazes. Mas são justamente esses homens, os "heróis", aqueles que estão à frente de todas as bandalheiras. São eles que cobrem de lama os ideais que eram de tantos outros. E jogaram na lama o termo "esquerda" no dicionário da política brasileira. Conseguiram até ressuscitar figuras senis da ditadura militar.
Hoje (12/12) uma longa reportagem no Jornal Nacional, da Rede Globo, denuncia que uma diretora da Petrobras, funcionária de carreira e muito provavelmente honesta, denunciou várias vezes as falcatruas que ocorriam e ocorrem na empresa. De nada adiantou. Até ameaças sofreu. Colocaram uma arma na cabeça dela. A agora ex-diretora Venina Velosa da Fonseca (a moça da foto), uma geóloga, não tenho dúvidas, corre o risco de ser assassinada. Não seria impossível acontecer um crime.  
O que fizemos para merecer isso?
Os crimes são cometidos com a participação do Poder Legislativo. Sempre dele. E até pouco tempo atrás com a mais absoluta impunidade por parte de grandes empresas capazes de roubar bilhões de reais e dividir o butim com deputados, senadores, ministros, partidos políticos como o  que ocupa o
poder de Estado faz mais de uma década e, quem sabe, até gente em cargos mais elevados.
Sim, sempre houve roubo de dinheiro público no Brasil. Mas isso não era uma política de Estado. Não se fazia qualquer coisa, rigorosamente qualquer coisa, para conseguir governar com oposição pífia.
Agora o Congresso entra no recesso legal. A Justiça também. Mas o petrolão não pode entrar. A dignidade e a ética também não. Oscar Niemeyer não criou um dos maiores símbolos do poder em Brasília para que ele seja representado como um penico. Embora para essa finalidade venha servindo.
Que 2015 chegue logo. E signifique um novo tempo!   

19 de novembro de 2014

"Impeachment não é de todo ruim"

O Congresso vazio. A única forma de ele não causar danos
O Congresso Nacional só não representa risco ao contribuinte quando está vazio. Assim, como na foto. De qualquer outra forma, é uma casa de negócios. Tenho pessoas de minhas relações em Brasília e uma delas com amigo(a) que trabalha no Congresso. Não quero dar pistas, então digo apenas que na Câmara. Essa pessoa, durante sua labuta - sim, pois essa trabalha! - ouviu uma conversa de dois deputados:
- Esse negócio de impeachment não é de todo ruim. Se o movimento crescer e um pedido formal for feito, ele tem que ser aprovado pelo Parlamento. Claro que a Dilma não vai querer perder o mandato. O PT também não quer perder o governo. Então, para que a coisa não passe eles vão negociar até calcinha e cueca, principalmente com a gente que é da base (em seguida, gargalhadas gerais entre os dois e uma pequena assistência...)
A coisa funciona assim. E ao contrário do que disse Renan Calheiros, o presidente do Senado, conversa tira pedaço, sim. Sobretudo pedaço do contribuinte. Nos últimos anos a roubalheira foi de tal magnitude, o rombo se tornou tão extenso, que para salvar as contas públicas e a Petrobras, o governo fará o de sempre: aumentar impostos; penalizar o cidadão comum. Sim, pois diminuir os ministérios que já são 39, nem pensar. É com eles que se negocia favores com os partidos, alimentando os esquemas de corrupção.
Às vezes perco meu tempo para ler post e artigos de pessoas que apóiam esse governo. Como não é mais possível negar a gatunagem, diz-se que ela sempre aconteceu. E, fixação de todos eles, aconteceu também durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. FHC não sai da cabeça dessa gente de forma alguma.
Sim, desgraçadamente sempre houve roubo de dinheiro público no Brasil e isso se dava ainda quando éramos um Império. Na República, piorou muito. Sempre houve sobrepreço, pagamento de comissões e desvios outros de verbas públicas. As calcinhas e cuecas faladas pelo deputado que conversava com o outro, serviram e servem muito para transportar dinheiro. Aqueles mesmo dinheiro tirado da gente em todos os salários, lojas, supermercados, etc. Na forma de impostos.
Mas dizer que corrupção sempre houve não esconde um fato: de 2003 para cá não há mais limite para a gatunagem. O "clube" tira tudo de todo mundo. E os governos "de esquerda" fazem qualquer negócio para manter o poder e conseguir a aprovação de leis de seu interesse. Afinal, o poder é deles e, sendo assim, não existe projeto de governo; existe projeto de Estado. Isso acaba com a diferença entre público e privado. Privatizar o público é um princípio administrativo, se podemos dizer assim.
No Brasil de agora, para aqueles que dividem o poder, tudo é privado. 

2 de novembro de 2014

O direito de reagir

A Polícia Militar espanca um cidadão que protesta. Queremos isso de volta?
Ao mesmo tempo em que gente sem passado ou usando de má fé promove passeatas e outras manifestações pedindo a volta dos militares ao poder, o ex-presidente Lula dá uma declaração dizendo-se cansado de ouvir que os petistas são corruptos. Há um descompasso claro entre o Brasil real e o com o qual sonha nosso apedeuta boquirroto. E esse descompasso não vai levar a golpe de Estado, à volta dos militares ao poder, mas sim provocar uma instabilidade política capaz de causar mais danos ao Brasil do que a má fé dos números da economia, os mensalões, os petrolões e demais roubos.
Sim, porque por mais que o ex-presidente se sinta cansado, nunca antes na história desse País se roubou tanto. E, segundo a revista Forbes, Lula tem US$ 2 bilhões de fortuna. Veio de onde?
As delações premiadas mostram que a gatunagem sobre a Petrobras é bem maior do que se pensava. Milhões de dólares foram roubados. Até empreiteiras acostumadas às negociatas dos contratos públicos agora já querem fazer acordos. É inevitável que isso envolva empresários, políticos e a cúpula do Governo. E que, dentro da lei, com preceitos constitucionais à mão, alguém peça o impeachment da presidente. E se isso acontecer, caberá ao Congresso a decisão. E não se trata de golpe.
Sempre vi o discurso da presidente, no dia de sua vitória nas urnas, como mera retórica. Promessas de palanque, daquelas que o vento leva. Sua disposição ao diálogo vai se traduzir em conversas de bastidores com a oferta de cargos em troca de apoio. É só isso o que se faz desde 2003. A corrupção nasce daí: o político aliado nomeia um canalha para um cargo público de importância, esse sujeito arma o esquema de gatunagem, arrecada e depois o dinheiro é distribuído. Ou colocado em cuecas ou locais mais seguros.
Um dia alguém me perguntou como eu, com as convicções políticas que tenho e mantenho, pois me orgulho de haver sido filiado ao extinto PCB, pode ser contra o "governo da esquerda" e dar apoio à "extrema direita", corporificada por Aécio Neves, Fernando Henrique Cardoso, etc.
Gente, a luta de hoje não é ideológica. É ética, moral, de resgate da dignidade do exercício de cargos públicos. Esse governo que ocupa o Palácio do Planalto não é de esquerda e até mesmo seus projetos de cunho social foram criados e são mantidos com segundas intenções. Nem Aécio Neves nem Fernando Henrique são de extrema direita. Dessa extrema estão vindo aqueles que organizam as passeatas. E é a corrupção do Estado, e não seu lado falsamente ideológico, o caldo de cultura que as alimenta
O Brasil tem o direito de reagir, contanto seja essa reação feita dentro da lei. Ao abrigo da Constituição. 

27 de outubro de 2014

Você gosta de corrupção?

Pensei em abrir esse artigo listando os episódios de corrupção dos últimos 12 anos, todos ligados às administrações Lula e Dilma. Desisti; a lista seria grande demais. Como diria o autor dessa espécie de mantra, "numa antes na história desse País" tanto dinheiro público foi desviado. Vamos, então, resumir as coisas: fiquemos no Mensalão, que quase provocou o impeachment do ex-presidente Lula, e no Petrolão, que ainda pode render muito para a presidente(a) Dilma Rousseff. Vamos nos esquecer, por exemplo, do caso Celso Daniel, o cadáver que ainda anseia por Justiça do túmulo onde está.
Você gosta de corrupção? Se  não gosta, saiba que a presidente reeleita ontem para seu segundo mandato carrega essa marca nas costas. E o motivo de praticamente todos os casos de corrupção do Brasil é um só: o governo, desde a posse de Lula, negocia qualquer coisa, principalmente com o Congresso - mas também com empresas patrocinadoras de campanhas -, para que seus projetos, seus planos, sejam todos aprovados, incondicionalmente. Esse é o preço do dinheiro público e está barato.
Sinto um certo nojo, mas não me canso de recordar um episódio: "O presidente me prometeu aquela diretoria que fura poço e tira petróleo. É essa que eu quero!" As palavras são do ex-presidente da Câmara Federal, Severino Cavalcanti, em conversa com a então ministra Dilma, em 2005. Lula havia prometido a diretoria a um apaniguado dele. Um "indicado político". Dilma Rousseff tentou argumentar dizendo que se tratava de diretoria de área técnica e não poderia ser negociada (é esse o termo correto?) mas não adiantou. Severino levou o que queria e dinheiro da Petrobras foi roubado. Ora, ninguém sabia?
Negue quem quiser, não importa: nossa maior empresa pública, aquela pela qual os brasileiros iam às ruas faz mais de meio século para gritar "O petróleo é nosso!" está quebrada. Quebrou-a o atual governo.
Os jornais de hoje circulam com a notícia da reeleição da presidente e suas palavras de discurso de final de contagem de votos: "Sem exceção, chamo todos os brasileiros para nos unirmos em favor de nossa pátria, nosso País, nosso povo. Não entendo que essas eleições tenham dividido o País ao meio".
Ora, se ela diz com isso que vai deter os casos de corrupção e governar defendendo antes de mais nada o interesse público, então vai precisar enfrentar as próprias forças que a sustentam. Vai ter que se ver diante das denúncias que hoje tomam conta das manchetes de jornais, revistas, rádios, TVs., internet, etc. Não vai ter forças para tanto. Talvez, nem vontade. O discurso de Dilma, ontem à noite, foi mais uma fala de campanha. Promessa de palanque. Um momento de júbilo. Logo, logo, alguém vai lhe pedir de novo a diretoria que fura poço. Vai levar. E se nada for denunciado, é vida que segue...    
    

22 de outubro de 2014

O filme de terror dos aposentados

Parece um filme de terror: 60 por cento dos pensionistas e/ou aposentados do Brasil estão endividados. Muitos deles sequer conseguem mais controlar as dívidas. Organismos como os de cobrança judicial atendem à fila de desesperados que tentam fazer acordos de pagamento. Os que fizeram dívidas diretamente descontadas de seus proventos, esses não têm nem a quem recorrer. O chamado "crédito consignado" simplesmente faz o dinheiro desaparecer como num passe de mágica.
Vocês sabem por que aposentados e pensionistas de forma geral estão nessa situação? Porque não fazem greve. Não têm peso político. Nada conseguem contra o anual achatamento de seus vencimentos. Eles não representam a horda dos que votam graças a Bolsa Família e outros "benefícios".
O atual governo, que tenta a perpetuação de seu modelo de poder para uso próprio, utiliza-se da política de valorização do salário mínimo e dos chamados "programas sociais" com interesse meramente eleitoreiro. E como o dinheiro da Previdência não é suficiente para atender a todas as demandas, sobretudo as mais justas, o imenso contingente de pensionistas e aposentados que recebem pouco ou  quase nada acima do mínimo sofre. O projeto do governo, a maldade que ele esconde e jamais confessa, é ir achatando os proventos até que todos ganhem o mínimo. Isso, claro, exceto aqueles que detêm poder e estão aquartelados nos três poderes. No topo da pirâmide jurídico-social.
Os discursos que se faz hoje falam principalmente em Bolsa Família. E quem os ouve vê esse instrumento como uma profissão. Nada é pedido como contrapartida a quem recebe, muito menos capacitação profissional, educação formal de descendentes. Nada. Só de enaltece os programas e se pede voto. E voto de miseráveis, qualquer discurso vazio consegue. O PT se mantém no poder assim.
Enquanto nada muda, cresce a fila dos pobres nas agências da Previdência, nas filas de bancos e nas salas de espera de instituições de cobrança judicial. Homens e mulheres que passaram a vida inteira trabalhando agora sofrem penúria dolorosa justamente no final da vida, quando ainda têm que enfrentar os gastos decorrentes de enfermidades crônicas, próprias da idade.
Esse é o Brasil desumano que se tenta vender todos os dias aos incautos como se fosse um modelo de desenvolvimento e justiça social. O Brasil do dinheiro ainda não roubado.       

7 de outubro de 2014

A triste constatação da verdade

Um jornal de Vitória, A Gazeta, estampou hoje manchete chamando o Bolsa Família de "Bolsa Votos" Mais ou menos como a ilustração que o leitor encontra nesse texto. Em situação normal um título denúncia deveria merecer desmentido rápido por parte do Governo. Vai merecer? Não vai porque aquela afirmação, desgraçadamente, é verdadeira. Há 12 anos os governos do PT usam o Bolsa Família para conquistar voto de cabresto em todo o Brasil. Sem pudor algum.
Água Doce do Norte, constatou o jornal, tem pouco mais de 43 por cento de sua população "assistida" pelo Bolsa Família. Quase a metade de quem vive lá! Água Doce é um município pobre onde Dilma Rousseff não perde eleição alguma. Nem Lula. Nem quem eles indicarem.
Programas assistenciais são necessários num país com as carências do Brasil e onde falta dinheiro para tudo. Não falta, claro, para roubar. Mas qualquer programa assistencial tem que ser um caminho que o indivíduo trilha em direção à sua autonomia financeira. Um rito de passagem, nada mais que isso. O miserável recebe ajuda até ter um ofício, até ser inserido no mercado de trabalho e conseguir se sustentar, e à sua família, com seus próprios braços. Por seus esforços.
Não é isso o que acontece com o Bolsa Família. Ele visa principalmente eleger candidatos do PT e seus aliados e manter o atual governo no poder indefinidamente. Não há contrapartida para o rio de dinheiro dispendido mensalmente a não ser o voto em cada eleição. Ele chega a ser pedido de forma descarada: "Se nós perdermos as eleições acaba o Bolsa Família". O pobre coitado vota. O governo esgrime argumentos dizendo que esse programa, na verdade, visa a inserir as pessoas no mercado de trabalho e vem fazendo isso com grande competência. Quem acredita nesses argumentos também crê que o mensalão não existiu e que a Petrobras nunca foi tão bem de finanças quando hoje. Também crê que o próprio programa assistencial não é vítima de gatunagens várias.
O Bolsa Família tem que ser repensado. Ele não é emprego, não é profissão e não pode ter 13º salário como Marina Silva pediu num momento de alucinação eleitoreira. Só pode existir se estiver acompanhado de todo um esforço de governo no sentido de dar trabalho, dar dignidade, a quem não a tem. Só o trabalho dignifica o homem. Receber uma quase esmola, nunca.
Desgraçadamente isso não será feito caso Dilma Rousseff vença as eleições no segundo turno, presumo. Resta torcer para que Aécio Neves o faça. Esse assunto vai ser discutido até o dia da eleição sempre de forma "demoníaca" ou demagógica. Mas passada essa fase de vida marqueteira, talvez o Brasil possa viver, em breve, numa situação em que manchetes como a de hoje não existam mais.
Tomara eu não esteja vendo miragens!        

20 de setembro de 2014

"Eles não nos representam"

Um dia desses, antes de um compromisso literário, resolvi rever uma amiga em passagem rápida. Conversamos e à saída ela perguntou: "Vai votar na Dilma?". Eu disse que não, que votaria em Aécio. Ouvi dela: "Ótimo, a esquerda vai ganhar da direita!". E estufou o peito. Vou responder em carta:
"Minha querida amiga E.Z.
Esse direitista aqui militou no Partido Comunista Brasileiro, o Partidão, desde que se entendeu como gente até que sua sigla mudou de nome. Panfletei, discursei, fugi da Polícia, gritei slogans, corri perigo. Tudo por um único motivo do qual me orgulho até hoje: idealismo. Amiga; por idealismo a gente nasce, a gente cresce, a gente luta, a gente corre riscos e a gente morre.
Quando passou a ditadura militar, em 2002, imaginei que Lula, pelas pessoas que o cercavam, representaria não o ingresso do Brasil no Comunismo de Estado - jamais imaginamos isso ou sonhamos com isso -, mas numa democracia representativa que combateria a corrupção, as desigualdades sociais, as carências sobretudo nas áreas de educação, saúde e infraestrutura. Por que não? Afinal de contas, naquela "frente" estavam brasileiros que, como eu, haviam enfrentado a ditadura. Muitos foram presos, torturados. Muitos terminaram exilados.
O que houve com aquela gente, amiga? De repente, não mais que de repente, todos se prostituíram. E digo TODOS mesmo. De Lula pouco esperei. Afinal, esperar o que de um indivíduo que nunca leu um livro? Mas dos outros eu esperava muito. Mas eles roubaram, permitiram que se roubasse, enriqueceram ilicitamente, deram empregos públicos a milhares de pessoas, dilapidaram empresas caras a nós como a Petrobras, formaram quadrilha, compraram todos os corruptos do Congresso. E vai por aí. é possível que tenham cometido outros crimes. Quem matou Marcos Daniel?
O que dizem em suas defesas? Que o mensalão não existiu jamais, em tempo algum. Que nós somos loucos em pensar que eles não são grandes patriotas. E todos, sem exceção alguma, nada sabem, nada viram, nada ouviram. São como aqueles bonecos dos três macacos: um com as mãos nos ouvidos, o outro com elas na boca, o terceiro com as mesmas mãos nos olhos.
Minha cara amiga, esse velho militante comunista vai votar em Aécio. Se ele não passar ao segundo turno, em Marina Silva. Vou tentar tirar do poder essa gente que me envergonha, que envergonha a todos os que lutaram por idealismo. Sinto asco dessa gentalha. Asco e nojo.
Eles não representam a mim e aos outros que lutaram por idealismo. Eles não nos representam."      

9 de setembro de 2014

Aviões e fretamentos ilegais de campanha política

Eduardo Campos em frente ao avião no qual morreu. Fretamento ilegal
Quando o avião onde estava Eduardo Campos se espatifou contra o chão em Santos, ele não deixou apenas sete mortos. Acabou também expondo um fato mais ou menos escondido, mas conhecido em setores ligados à aviação e que acontece em todo o Brasil, não apenas com candidatos à presidência da República: o uso irregular, ilegal, de aviões durante campanhas políticas. É imensa a quantidade de pessoas que fazem isso e igualmente a dos que sabem e se calam.
O normal durante campanhas seria os candidatos, de preferência por intermédio de seus partidos ou coligações, alugarem aeronaves de empresas aéreas. Aquelas que fazem táxi aéreo. Mas esses fretamentos são caros por que se trata de instituições registradas, com CNPJ e um monte de impostos a pagar. Têm que manter tripulações, serviços de manutenção, de comissaria de bordo e tudo isso impacta muito o preço final. Pagar por quê? Há "dribles", e muitos, que podem ser dados.
Empresas de setores diversos ou empresários fazem leasings de aeronaves. Comprando ou alugando, tanto faz. Pagam pilotos e fazem contratos de manutenção e hangaragem em aeroportos ou aeroclubes diversos. Então alugam esses aviões ou helicópteros a partidos ou candidatos. Um aluguel ilegal por que aquele meio de transporte, assim adquirido, se destina a uso privado, das empresas ou empresários. Não pode ser alugado, fretado. O pagamento vai ser feito por fora, no caixa dois, da forma que for combinado. Até mesmo em dinheiro vivo vindo das arrecadações de campanha.
Esse uso irregular não envolve somente aeronaves de pequeno ou médio porte, que chegam a custar milhares de dólares. Muitas pessoas têm aviões pequenos, monomotores privados, para uso pessoal. Muitas vezes esses proprietários, que também são pilotos, alugam informalmente suas aeronaves para candidatos. Dá uma ótima renda extra. Levam as pessoas para lugares diversos em campanha. Para todos os efeitos, estão emprestando seus aviões ou helicópteros, mas engordando o caixa pessoal. Tudo isso é ilegal e perigoso por que não há controle de manutenção correta na maior parte dos casos.
Pode haver também o caso de empresas que cedem aeronaves aos candidatos como parte de acordos de campanha. Nesse caso não há pagamento do aluguel. O contribuinte vai pagar depois nos contratos superfaturados que serão feitos após as eleições. Em alguns casos chega-se ao cúmulo de fazer contratos informais prevendo pagamento de leasing com saldo de dinheiro da campanha no caso de derrota eleitoral. No prejuízo o empresário não fica de forma alguma.
E depois? Passado o período eleitoral, aviões alugados ou adquiridos por leasing são devolvidos. Acordos, com os fabricantes ou outros, os destinam a proprietários seguintes. Com os arrendadores fica o dinheiro arrecadado ilegalmente naquele período. Costuma dar um belo lucro!
Podem acreditar: isso acontece no Brasil todo. Está acontecendo agora, nesse exato momento!      

3 de setembro de 2014

Marina morena, estou com medo.

Marina, morena Marina, você vem me assustando. Mas quero bater um papo com você. Antes, uma coisa: vou votar em Aécio Neves no primeiro turno e, havendo segundo sem ele, então em você. Explico isso tudo no fechamento dessas minhas considerações.
No Brasil dos meus sonhos, a mulher que engravida depois de estuprada pode escolher interromper a gravidez se for o caso. A que pode morrer em função da gravidez e a que espera por um feto anencéfalo também. Gravidez é sinônimo de vida, não de morte. Ninguém, por convicção religiosa pode ou deve se meter nisso. Use suas convicções para você e não para impor aos outros.
Criacionismo é coisa de igreja. Nas instituições de ensino ensina-se ciência. Mas se alguém quer apresentar essa "matéria", que seja por curiosidade. Não como parte de grade curricular. Você disse que vai apoiar a Educação o tempo todo. Faça isso. Por amor a ela e à ciência.
Aliás, a ciência não pode ser vigiada nem algemada.Não pode sofrer patrulhamento de nenhuma espécie. Ela tem que avançar através de pesquisas feitas sem freios, sem preconceitos. Como no caso das células-tronco, para citarmos só um exemplo. Estamos falando de cura de doenças, de um viver melhor, de conquistas que no futuro servirão a todos. Garanto: ninguém vai para o inferno por pesquisar. Muito pelo contrário, o progresso da ciência é um céu para todos nós.
Você disse que as uniões entre pessoas do mesmo sexo vão acontecer normalmente. Casamento, Marina, também é união civil. Gays não se casam com Silas Malafaia oficiando, com Edir Macedo, com Valdemiro Santiago e nem na Igreja Católica. Restrições por dogmas religiosos não cabem nessa área. Ela é das pessoas e de seu livre arbítrio. Você gosta de homem, eu gosto de mulher. Mas mulher que gosta de mulher e homem que gosta de homem não podem casar por quê?
Se você for eleita, governe para o Brasil. Sua igreja, Assembleia de Deus, a mim parece séria. Mas existe uma infinidade de seitas espalhadas por esse País afora que têm donos. São grandes negócios. Bilionários. Visam apenas tirar dinheiro de crédulos com promessas desonestas. Os donos desses negócios, Marina, podem emprestar a você os aviões particulares deles, muito mais bonitos do que o usado por Eduardo Campos. São de marcas diferentes mas todos do modelo "Dízimoquetequeromeu".
Já ia esquecendo: vou votar no Aécio pois para mim ele é o melhor em tudo. Sobretudo na equipe que pode montar. Não voto em Dilma de forma alguma por que se o PT continuar no poder em pouco tempo não vai sobrar Brasil para a gente. Então, minha segunda hipótese é você. Evite o messianismo e não se ampare em pilantras de Bíblia nas mãos. Eles existem aos milhares e querem o Brasil só para eles. O que os difere dos políticos atuais do PT são os meios de chegar até a chave do cofre.
Desculpe-me me alongar tanto.

31 de agosto de 2014

Marina e o messianismo

Temo, e muito, o messianismo. Marina Salva mudou dois pontos de seu programa de governo alegando que houve engano em sua elaboração, no tocante à união homoafetiva e criminalização de homofobia. O segundo ponto é muito perigoso, pois pode deixar crimes impunes. Já há, pelo país afora, ataques violentos contra homossexuais partidos até mesmo de neonazistas. Isso precisa de uma criminalização específica, capaz de conter algo que por vir a representar uma onda.
 A candidata garante que vai respeitar o Estado Laico - pombas, está na Constituição! -, etc. e tal. Mas há perigo em suas últimas ações. Sou heterossexual, mas minhas preferências são minhas. Não posso impor minha forma de pensar aos outros. O mesmo se diga do inverso. Governar significa respeitar a todos e se curvar à vontade da maioria, agindo em favor desta. Mesmo não gostando, mesmo remando contra convicções pessoais. Significa respeitar as mudanças surgidas com o progresso e com o pensar a cultura, a forma como ela se expressa em sociedade.
O Brasil não é a Assembleia de Deus. Deve-se respeito a essa religião, mas ela não governa. Nem ela nem nenhuma outra. Todas são formas de expressão teológica num País de imigrantes de diversas raças e pensarem religiosos. O que forma nossa nacionalidade e a paz que ela transmite é o aceitar esse tecido social como ele é sem, conflitos étnicos ou religiosos. Não podemos permitir a formação do caldo de cultura que gere disputas nessa área. Sob hipótese alguma.
Também temos que permitir o progresso científico sem freio algum. Sem limites impostos, sobretudo partidos de valores estranhos a ele. O Brasil precisa do progresso da ciência e do investimento na formação do cidadão desde o início da vida escolar até o após o fim do Terceiro Grau.
Por fim, assusta a mim até a forma de vestir da Marina. E não é preconceito meu. Quero, para todos nós, um Brasil que nos represente, seja nosso. Na foto desse texto, a candidata parece uma missionária. Um Silas Malafaia de saias, ainda que sem o viés Tio Patinhas dele. Não pode ser dessa forma. Ela hoje é favorita à presidência pelo fato de, à grande parte do eleitorado, representar o novo. Mas o novo pode ser um farol virado para trás. Eis o risco. O perigo que ainda há tempo de evitar que se concretize. O novo tem que representar um Norte seguro e que nos leve a todos ao progresso. Um País em vias de recessão econômica precisa de tudo, menos de instabilidade social capaz de agudizar ainda mais os riscos que corremos hoje.
Aqueles que assessoram Marina têm uma tarefa urgente a cumprir. Comecem agora!   

27 de agosto de 2014

O fator Marina Silva

Marina Silva foi agressiva no seu primeiro debate de televisão como candidata à presidência da República. Tentou, quem sabe, fazer a diferença. Aécio Neves, o mais claro e calmo, mostrou seus projetos de forma mais, digamos, didática. Dilma Roussef, de branco, mostrou-se o que é: a dona da Ilha da Fantasia e de cujas fantasias as pessoas aos poucos se afastam. Pessoas de vários espectros políticos e sociais. Até o Bolsa Família vaza votos...
O fator Marina Silva é vital nessa eleição. Substituindo Eduardo Campos ela mostrou ter muito capital de voto. Sua imagem a ajuda: politicamente é uma pessoa imaculada. Será muito difícil construir acusações contra ela fora do universo da radicalização que se inicia no agronegócio e termina no messianismo. Se os que a cercam, como estão cercando na foto do intervalo do debate enquanto os assessores de Aécio Neves fazem o mesmo com ele, conseguirem que ela reconheça méritos na necessidade da produção do agronegócio sustentável e o respeito ao Estado é laico, creio eu que a montanha de votos poderá crescer.
O que diferencia Marina de Lula? Simples: ambos eram pobres, ambos vieram de regiões carentes de tudo, ambos chegarem às cidades em carrocerias de caminhões. Lula se imiscuiu em movimentos sindicais e tornou-se um profissional demagogo da área. Com o tempo, um mentiroso, um comerciante de cargos, um comprador de apoios políticos. Um falastrão, um boquirroto. Marina se alfabetizou aos 16 anos, estudou, teve malária, quase viu  Chico Mendes ser assassinado. Cresceu como pessoa, como ser ideológico, como defensora intransigente de seus pensamentos e crenças. Talvez intransigente demais. Mas suas mãos podem ser mostradas limpas. Não mandou pagar mensaleiros, não colocou dinheiro sujo nem na cueca nem na calcinha de ninguém.
O capital político de Aécio vem do PSDB, da família Neves, do nome de Tancredo e de suas passagens competentes pelos poderes Legislativo e Executivo. É um homem preparado, mas vai ser atacado até o final da campanha. Sua arma será a calma e os argumentos sólidos. Se conseguir...
O fator Marina Silva vai decidir a eleição. Hoje ela já fala no Jornal Nacional. Justo, pois o antigo candidato está morto. Hoje ou ela começa a se mostrar alternativa de peso ou alguém que ataca demais e às vezes fala de forma difícil de as pessoas comuns entenderem. Isso no Brasil é péssimo.
Hoje o fator Marina Silva se mostra de novo. No Palácio do Planalto pernas vão tremer. Um fantasma chamado segundo turno entre Marina e Aécio já deve ter sido enxotado a vassouradas. A tiros de canhão. Mas esse fantasma começa a existir. E pode se materializar, embora agora raras pessoas pensem nele. Tanto que a pesquisa do Ibope para o segundo turno das eleições desconheceu essa hipótese. Mas as próximos pesquisas podem encontrar-se com ela.           

17 de agosto de 2014

Não vamos renunciar ao Brasil

Nós, brasileiros, já sobrevivemos a muitas tragédias. A morte de Eduardo Campos destrói uma família linda, movimenta fora de hora o tabuleiro sucessório presidencial brasileiro, lança nuvens cinzas sobre o que vem pela frente e coloca no colo de Marina Silva o momento mais crítico de sua vida. Numa situação que, aposto qualquer coisa, ela teria feito de tudo para fugir, para interferir, se possível fosse. Nos dias que se seguiram à tragédia do final da manhã de quarta-feira em Santos, nos seus raros pronunciamentos, ela quase foi às lágrimas. A dignidade a conteve.
Marina sabe que tem uma opção. E que vai exercê-la. Sabe que se tornou o fiel da balança no jogo no qual ainda não se pode prever a próxima jogada e todos esperam pela reação das pesquisas. O olhar arguto de Marina está preocupado. Tomara seu lado messiânico ceda ao outro, inteligente e ético, e que habita o mundo político brasileiro em busca do aumento do espaço da dignidade.
Esse domingo mostrou ao Brasil novamente a serenidade triste de Marina ao lado da família Campos. Em momento algum ela desceu do pedestal onde estava e nem tentou galgar os de outrem. Seu silêncio se encerrará no curso dessa semana, pois a definição do quadro político se faz urgente. E de Norte a Sul do Brasil espera-se pelo novo quadro. Quem diria: será a fala da nova candidata, e a de mais ninguém, que o Brasil estará esperando. O Horário Político Gratuito baterá recordes de audiência. Os exércitos de entrevistadores montarão os próximos quadros de pesquisas eleitorais. O que vem por aí? Quem arrisca um palpite? Os olhares dos eleitores mais comprometidos com o Brasil estarão em busca de tudo, menos do choro calhorda de Lula.
Sim, Eduardo Campos disse que não podemos renunciar ao Brasil. Não nos esqueçamos disso.          

5 de agosto de 2014

A criança em Gaza

Se a gente ler bem, com certo cuidado, vai notar que crescem nas revistas, jornais e demais meios de Comunicação ditos "tradicionais" e sérios os textos e falas (não vamos deixar as grandes redes de TVs fora disso) preocupados com o crescimento da influência dos artigos das redes sociais e blogs "às vezes irresponsáveis". Partamos de algumas constatações: se as redes sociais preocupam tanto os meios de Comunicação ditos tradicionais é porque elas têm peso. E se a cada edição destes pelo menos uma reportagem tem que falar disso, "analisar" aquilo, é porque está incomodando. Estariam as redes sociais e os blogs invadindo a esfera de interferência e poder de jornais, revistas, rádios, TVs, internet, etc.? É claro que sim! Isso é o que incomoda.
Vamos partir de outra constatação simples: a esmagadora maioria dos jornalistas que ocupa hoje as redações da "imprensa tradicional" e, portanto, dita séria, tem blog. Ocupa as redes sociais. Permite que sua competência, seriedade e compromisso com a verdade irrefutável - não é assim que pensam? - invada o ambiente onde pululam aqueles não tão afetos a esse tipo de preocupação.
Vamos ao caso do Oriente Médio. A foto desse texto mostra Gaza. Não é montagem, não foi trazida de outra realidade, não visa agredir. Num cenário de destruição, um homem adulto sustenta uma criança sem reação alguma. Estará ela morta? Não estou mostrando sangue, vísceras expostas, nada. Uma criança aparentemente inerte é sustentada por um adulto. Pai? Irmão mais velho? Desconhecido? Membro de grupo de salvamento?
Esse tipo de imagem desperta um sentimento paralelo perigoso chamado antissemitismo. Isso é Gaza. A gente sabe, pois não é bobo, que o ódio aos semitas cresce. E também aos sionistas. Mas outro efeito paralelo não pode ser desprezado: a reações contra o islamismo e suas diversas facções pulula em todos os cantos. Em síntese, o corpo daquela criança carrega dentro de si o ovo da serpente. A diferença atual é que aos palestinos restam os foguetes e túneis. Aos israelenses, uma das máquinas de guerra mais poderosas do mundo. Competentemente utilizada!
Talvez o ideal para aqueles que fazem Comunicação, que se dedicam ao menos em parte a divulgar e comentar fatos não seja serem juízes dos bons e dos maus meios. A menos que alguns se vistam definitivamente de puristas e renunciem a redes sociais e blogs.
Enquanto isso não acontece, esse velho jornalista que vai agora encerrar o breve comentário da criança nos escombros de Gaza tem a lamentar apenas o mau jornalismo. Tanto aquele feito nos "meios tradicionais e profissionais" quanto nos demais: redes sociais e blogs. Lamenta o antissemitismo e o ódio aos muçulmanos porque ambos carregam dentro de si o germe do genocídio. Lamenta a imagem da criança. Sem sangue aparente, sem intestinos expostos ela denuncia que lutar contra as raízes da guerra é muito mais importante do que esgrimir sobre quem melhor as combate e em que meios. Aquela criança exprime a razão de nossas preocupações.    

2 de agosto de 2014

Telefonemas falsos. Ninguém aguenta mais!

Já denunciei isso de todas as formas. Pelo Facebook, por esse Blog, de todos os modos. Já fiz texto  intitulado "Cuidado com telefonemas falsos", etc. Não tem forma de qualquer autoridade constituída fazer o que quer que seja contra isso. Seu telefone toca e quando você atende ele fica em silêncio. Mudo ou é desligado. Depois toca de novo. E vai tocando. Um telefone usado por minha mãe para falar com a neta só hoje já tem registro de oito ligações que, claro, não foram atendidas.
Todas as mais recentes estão vindo do DDD 081: 33210400 (duas vezes), 21380252 (duas vezes), 32167500 (duas vezes), 31984500, 34133400 e 31984750. É todo dia isso. Todas as horas. Você pode ligar para quem quiser, reclamar e não adianta. 081 é do Ceará. Só peço uma coisa ao filho de uma que ronca e fuça autor dessa programação: bote as ligações no número do telefone de sua casa, da casa dos seus filhos, de seus pais, dos seus melhores amigos, se é que os tem. Mas deixe os outros em paz. A gente não quer passar a vida atendendo ligação muda ou que desliga.
Alguém deveria tomar alguma providência. Só nesse meu Blog mais de mil pessoas já mantiveram contato reclamando disso, pois discam safados os número e os encontram aqui. Tem 011, 021, 031, 061, 027, um monte de DDD. E a gente sabe que essas ligações são dadas de centrais ou não, para diversos motivos. Inclusive para golpes. A Polícia Federal já deveria estar investigando isso. A Anatel também. Qualquer órgão. Está na hora dessa zorra parar. Ninguém aguenta mais. 

27 de julho de 2014

No fundo, Israel tem medo!

Todos nós já conhecemos, em alguma parte da vida, alguém desse tipo: é um garoto mais musculoso do que a média, brigão e tem um parente mais forte ainda do que ele. Aquelas asas a proteger o belicoso. Só que ele prefere sempre brigar contra quem é mais fraco. Claro, assim não corre riscos. E em qualquer situação as asas que o cobrem mostram que, junto a elas, o complemento tem garras fortes, bicos cortantes e ainda é capaz de atacar de todas as formas. Esse garoto é Israel. Fortinho, bem armado, protegido
pelo poder que gera dinheiro e se sustenta nele. Em tudo e por tudo, covarde.
Nos dias atuais, sempre que alguém critica ou ataca Israel, é chamado de antissemita. Uma defesa, ao mesmo tempo um ataque e uma camuflagem. Na prática, ao longo dos anos Israel se tornou um Estado belicoso. E racista. Mesmo sem dizer, mesmo sem pregar isso abertamente, trata os palestinos como seres inferiores. E toma-lhes seus territórios. Na ilustração desse texto está o território que o Estado judeu ocupa. No nascedouro, quando foi delimitado pela ONU em 1947 e depois, ao longo dos tempos, com as várias anexações de territórios limítrofes. Um movimento que não cessa.
Hitler criou, para gerar o ódio que levaria à II Guerra Mundial, a teoria do espaço vital. A Alemanha necessitava disso e da extinção pura e simples dos tratados elaborados logo após a I Guerra Mundial e que a limitavam. Israel, supostamente para se defender, defende também um seu espaço vital. As Colinas de Golã, por exemplo, seriam necessárias à sua defesa. E vai por aí. No episódio de Sabra e Chatila, o massacre silencioso do povo palestino serviu aos interesses israelenses de domínio sobre esse povo. Ou o que sobrasse dele. O que existe de diferente em essência, hoje, entre a suástica e a Estrela de David? A parte mais forte da política de Israel atualmente está ligada à extrema direita. Essa mesma corrente que, travestida, criou o caldo de cultura dos campos de extermínio nazistas.
Pode-se unir um povo para lutar cegamente em uma direção com base em duas crenças: ou no amor ou no ódio por alguma coisa. Hitler uniu a Alemanha Nazista - favor não confundir com os alemães - em torno do ódio aos judeus. Israel faz isso com o ódio aos palestinos. Com a diferença de que, hoje, tem asas fortes, patrocínio ilimitado (?) e não estamos em meio a uma guerra mundial.
Talvez Israel, como Estado, conviva com um dilema: como usar seu poderio nuclear herdado dos EUA se a área territorial, muito pequena, o faria vítima também de um disparo desse gênero? Como usar artefatos atômicos contra inimigos próximos se ninguém é capaz de garantir uma não retaliação do mesmo porte? Eis um dilema não irrelevante. Eis um risco que os anões morais da cúpula israelense têm que considerar. As asas são grandes, a vontade de brigar, também. Mas no fundo, bem lá no fundo de suas razões intestinas, o covarde sente medo.           

21 de julho de 2014

Pela segurança aérea

Bagagens de passageiros marcam o local da queda do jato abatido na Ucrânia
No total, 537 pessoas deixaram de existir em março e julho nos dois acidentes com aviões da Malaysia Airlines. A companhia aérea que já foi considerada cinco estrelas deve fechar. Falida. Não conseguirá resistir às duas catástrofes. No caso do acidente mais recente, com 298 mortes, foi cometido um crime com o disparo de míssil de região conflagrada contra o jato civil. E no de março, quando havia 237 seres humanos no avião? Ele teve todos os seus aviônicos de contato desligados, mudou radicalmente de rota, voo cerca de sete horas e depois desapareceu sem deixar vestígios? Simples assim? Não, não foi. Evidências mostram que um voo como esse, nos tempos de terrorismo, teria sido monitorado militarmente pelas principais potências tão logo desviado.
Há muito mais entre o céu e a terra (ou o Oceano Índico) do que julga nossa vã filosofia. Não é tão fácil a governos poderosos ludibriar os incautos. Tão logo um avião civil sai da rota os radares e satélites militares entram em ação. O que se quer saber é se esse jato se tornou um míssil nas mãos de insurgentes. E o que ele pode atingir no seu voo agora sem destino certo. O Boeing 777 que fazia a rota MH370 também pode ter sido abatido. Por ter sido considerado perigoso, descontrolado, levado em direção a algum alvo pelos tripulantes ou quem os dominou. Se isso é verdade ou não pouco importa. Na hora da decisão a ordem é mandar apertar o botão do míssil.
Nós vivemos num mundo perigoso. Em várias regiões há conflitos e a cada dia que passa mais aumenta o número de mortos. Tornar até mesmo os meios de transporte inseguros, passíveis de serem atingidos por disparos, venham eles de terra ou do ar, é demais. Não pode acontecer. Nesses dois últimos casos, envolver os órgãos de segurança da ONU em ações que visem a recuperar a segurança aérea é tão importante quanto lutar por tratados de paz em lugares como a Palestina. Por sinal, lá morrem crianças enquanto adultos se digladiam irresponsável e irracionalmente.   

14 de julho de 2014

Chega de unanimidades

Telê Santana, o gênio ético  não questionado em 1982 na Copa da Espanha
Nelson Rodrigues disse que toda unanimidade é burra já faz tanto tempo que quase todo mundo se esqueceu disso. Ou então não considera essa verdade do esporte - e que serve a todo o restante da atividade humana - por mero oportunismo. A Copa do Mundo do Brasil nos lembra isso.
Com a saída de Mano Menezes do comando da Seleção, foi contratada uma comissão técnica com espaço quase todo o tipo possível e imaginável de especialistas, inclusive uma psicóloga que literalmente só atendia quando chamada. Por telefone, digamos. Aquele grupo de pessoas tinha duas coisas em comum: eram todos da confiança irrestrita do treinador Luiz  Felipe Scolari e donos da verdade. Seus egos não cabiam no espaço acanhado da Granja Comary.
Lembram-se da nossa Seleção de Vôlei Masculino? Evitou uma desclassificação vexatória em fase preliminar da Liga Mundial por um quase milagre. Há vários anos precisava começar um lento e seguro processo de reestruturação por renovação, mas o procedimento foi sendo adiado, adiado, adiado e adiado até surgirem derrotas tão terríveis que alguém teve a coragem de questionar Bernardinho. Sim, porque Bernardinho é outra unanimidade e também carrega ego monumental.
Com a Seleção de Scolari aconteceu o mesmo. Os dirigentes do futebol brasileiro entendem de tudo, menos de futebol. Entendem de pequenos, médios, grandes negócios e negociatas. Nesse último caso, faça-se justiça a eles, envolvendo o futebol. Eis aqui o exemplo de João Havelange, nosso capo dei cappi de 98 anos bem vividos e curtidos em vôos internacionais de primeira classe.
Pois Luiz Felipe Scolari, campeão mundial em 2002 e derrotado como técnico de Portugal, do Chelsea, do Palmeiras e em mais outros exemplos, assumiu o time do qual Mano Menezes havia sido defenestrado, para o que desse e viesse. Para a vitória ou o fracasso. Como era de se esperar, veio o fracasso. Afinal, aqueles era o time de sua total confiança. Nada mais se discutia.
Quando falo de nossas unanimidades burras, doe-me o coração. Conheci em apenas duas únicas e rápidas oportunidades o cidadão Telê Santana, patrimônio ético e moral do futebol brasileiro. Coube a ele dirigir o time de 1982, um dos maiores de todos os tempos. E como alguém iria dizer ao grande Telê, ao nosso técnico exemplar, que aquela Seleção escalada com Sócrates, Zico, Falcão e Éder, quatro atacantes, deixava perigosamente vulneráveis o meio-campo e a defesa? Não, coragem ninguém teve. Nossos adversários italianos perceberam isso e perdemos a Copa. Depois perdemos em 1986 por motivos outros como o envelhecimento do time. Telê e uma grande geração ficaram sem um título mundial na única ocasião em que o silêncio diante da unanimidade foi compreensível.
Agora, não. Agora é hora de nunca mais nos rendermos a isso. Mesmo se for para afagar egos de grandes cadeias nacionais de TV que se beneficiam de matérias exclusivas. Chega. Perdemos um Mundial de maneira humilhante. Não era preciso que fosse assim. Mas nem sequer houve tempo de treinar o time direito, tantas eram as gravações de comerciais contratadas pelo "professor".
Basta! Precisamos de planejamento, de seriedade, de questionamentos e de encontrar um caminho que nos resgate ao menos a dignidade. Ela ficou pelo caminho mas dá para localizar.