27 de janeiro de 2026

Tempos cruéis e os insensatos

"Chegou a época dos predadores", diz Giuliano Da Empoli sobre os tempos mais recentes, esses que se vive depois do retorno de Donald Trump à Casa Branca. Hoje, para os novos fascistas não existe mais multilateralismo, organizações supranacionais - como a ONU -, nada disso. Vale a lei do mais forte, a daquele que pode enviar uma determinação da Casa Branca ao mar e destinar a determinado território do mundo um dos porta-aviões nucleares que os Estados Unidos possuem. Para o professor da Universidade Autônoma de Barcelona, Steven Forti, lembrado num brilhante artigo intitulado "Novo Mapa Geopolítico", de autoria de nosso Frei Beto, foi inaugurada uma nova era. Volta à cena o mundo de ontem.

Por si só esse fato deveria ser motivo para reflexões, discussões sérias e busca de saídas que permitam ao mundo outrora chamado "livre" continuar sua trajetória num planeta terra onde as leis internacionais e as fronteiras entre países não são mais respeitadas todos os dias. Mas não. Somos obrigados a ver diariamente, ao vivo e a cores pela TV, um imbecil de nome Nikolas Ferreira, cercado por muitos outros de igual falta de nível, desfilar por rodovia à frente de uma espécie de passeata sem sentido e que termina em Brasília onde uma chuva torrencial quase provoca tragédia quando uma descarga elétrica atinge a nau dos insensatos (foto).

Criança, morando em São Paulo, recordo-me de um dia em que a garotada foi chamada para assistir a uma palestra de autoridades sobre clima. Havia ameaça de chuva forte em terras paulistas e lá esses riscos devem ser levados a sério. No Ipê Clube fomos orientados a, durante tempestade, nos afastarmos de postes, outras elevadações, cercas ou proteções de metal, enfim, qualquer objeto que pudesse atrair as desgargas elétricas conhecidas como raios. Nunca me esqueci daquilo. Mas não os idiotas que Nikolas capitaneava. E o tempo rugiu!

Nem de longe esse rugido se compara ao que estamos vivendo no plano internacional. Mas preocupa ver cerca de 18 mil pessoas - segundo estimativas - reunidas debaixo de temporal para protestar contra a prisão de um ex-presidente criminoso que tentou dar um golpe de Estado e buscando mais uma vez fazerem acampamentos de protesto, agora em frente à penitenciária de Brasília, onde está o energúmeno. Felizmente foram contidos.

Felizmente também ontem o presidente da República do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, ficou cerca de 50 minutos ao telefone com Trump. Diplomaticamente, falando de Palestina, Venezuela e talvez de outros assuntos. Diplomaticamente, debatendo um com psicopata sobre política internacional e, ao final disso, marcando um encontro entre ambos a Casa Branca. Vai dar resultado? Talvez não porque as razões subterrâneas e subalternas que movem a política internacional atual são difíceis de serem removidas. Mas essa - o diálogo e a tentativa de convencimento - é a única forma civilizada de isso ser tentado.

Ao mesmo tempo em que esse diálogo acontecia, numa região da Papuda cercada de restrições e atividade policial, o deputado movia sua nau dos insensatos. Eles nunca falam de saúde - e os feridos pelos raio foram atendidos pelo SUS -, educação, meio ambiente, infraestrutura, segurança pública - sem assassinatos -, pleno emperego, nada disso. Querem anistia para tentar o golpe outra vez. Perseguem a continuação desses tempos cruéis em todo o mundo porque aqui podem levar seus projetos (sic!) ao gado que os apoia e buscar um meio de voltar ao poder para mais uma vez usá-lo em benefício das elites que os sustentam.

É o que sabem fazer.            

23 de janeiro de 2026

O terror americano

Segundo foi noticiado esse garotinho da foto acima, cunco anos de idade, filho de equatorianos, saia da escola e tencionava ir para casa. Foi detido por agentes do ICE, a polícia nazista anti-imigração dos Estados Unidos e levado para um Centro de Detenção no Texas. E notem que ele foi preso em Minnesota, bem longe. E não foi o único. Só ontem mais três crianças foram detidas por serem parentes de imigrantes, embora seus pais, como é o caso do genitor do gatotinho, estejam nos EUA vivendo legalmente.

Ontem mesmo a ONU reagiu a isso. O Alto Comissário para Direitos Humanos, Volker Türk, chamou a atuação contra imigrantes de "desumanização" e pediu que o governo Trump "respeite a dignidade humana e o direito ao devido processo legal", denunciando a forma desomanizadora e o tratamento indigno dado pelos órgãos policiais e imigrantes e refugiados. Foi mais além: "Indivíduos estão sendo vigiados e detidos, às vezes violentamente, inckusive em hospitais, igrejas, mesquitas, tribunais, escolas e até mesmo em suas próprias casas, às vezes sob meras suspeitas de serem imigrante indocumentados. Crianças estão perdendo aulas e consultas pediátricas às vezes por medo de nunca mais voltarem a ver seus pais". É o sonho americano tornado pesadelo!

avia completado cinco anos. O que assusta é o fato de que esse movimento ganha força não apenas nos poderes Executivo e Legislativo, mas também no Judiciário, quando a esse caberia 

20 de janeiro de 2026

Uma ONU para Trump? Chega!

 


Imagino que deva estar sendo muito difícil para o atual governo brasileiro responder ao "convite" dos Estados Unidos de fazer parte do tal Conselho da Paz que, na verdade, é a destruição da ONU pelo presidente Donald Trump e sua substituição por um fantoche sob sua única e exclusiva guarda e em atendimento a projetos dele em sociedade com o sionismo de Israel. É uma ONU só de Trump! Na prática, a paz defendida por esse mandatário psicopata pode ser vista na foto acima:  pouco sobrou da Faixa de Gaza depois de iniciado o genocídio do povo palestino sob o comando de Benjamin Netanyahu.

Como esse homem vê Gaza? Da mesma forma como a Venezuela: uma oportunidade de negócios. Grande negócios! O líder dos EUA, colocado na Casa Branca pela segunda vez, jamais em toda a sua vida se importou com democracia, liberdades individuais, direitos humanos ou meio ambiente. Dane-se tudo isso. Não fosse assim e ele não estaria lado a lado com o chefe de Estado da Arábia Saudita que controla seu país com punhos de ferro e mandou matar, esquartejar e desaparecer com o corpo de um jornalista seu opositor.

A Arábia Saudita é boa para os negócios! Da Venezuela Trump quer logo de saída 50 mihões de barris de petróleo. Mas vai querer muito mais. De Gaza ele já disse mais de uma vez sonhar com um resort de luxo onde seu genro saberá usufruir das chances de mais enriquecimento. E não é preciso ser inteligente para perceber que não haverá lugar para os palestimos nesse éden do futuro. Os que sobreviverem ao massacre serão expulsos de lá, não importando para onde.

Já Cuba, Trump pretende destruir porque ela representa um símbolo de resistência. Faz seis décadas sobrevive ao bloqueio dos Estados Unidos sob os mais diversos governos deles e com muita pressão em todos os sentidos. E isso na costa americana! O topete loiro não aceita tal coisa e, por saber o que terá pela frente, o presidente cubano Dias Canel já foi obrigado a colocar seu país em estado de guerra. Uma nação que nunca representou perigo militar para os ianques!

A Groenlândia é outro caso de psicopatia clara. Ele quer porque quer anexar a ilha aos Estados Unidos. Em linguagem clara, pretende tomar à força e contra o desejo de seus habitantes um Estado associado ao Reino da Dinamarca. Para quê? Pelo petróleo que existe lá, pelos minerais estratégicos e outras riquezas. China e Rússia jamais invadiram a ilha e não parecem dispostos a isso. Ao menos nenhum movimento é feito nesse sentido. A China, por sinal, não participa de guerras desde sua consolidação como Estado.

Vejam como as coisas se agravam: sob o comando do ministro fascista de segurança Itamar Ben-Gvir, Israel demoliu ontem a sede da Agência da ONU para Refugiados Palestinos em Jerusalém Oriental, substituindo a bandeira do órgão por uma de seu país. A presidência rotativa pertence ao Brasil. Em Paris, uma juíza francesa que atuava no caso Marine Le Pen foi ameaçada por emissários dos EUA de ser incluída na Lei Magnistsky caso não reduzisse a pressão sobre a acusada. O presidente dos EUA usou mais uma vez sua ridícula rede social para atacar os europeus, fazer ameaças envolvendo a Groenlândia e usar uma foto da Venezuela e outra do Canadá como possessões dos Estados Unidos.

É hora de dizer chega! O mundo tem que enfrentar esse Hitler do Século XXI. 

19 de janeiro de 2026

Conselho de que paz?

 
Em mais uma demonstração de que vive fora da realidade, o presidente dos Estados Unidos anunciou um tal de Conselho da Paz e para este convidou várias personalidades mundiais que ocupam cargos de comando em diversas regiões, dentre as quais o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. O convite foi entregue à embaixada brasileira em Washington, encaminhada ao Itamarati e este pediu informações complementares aos EUA antes de uma resposta oficial. Mas isso é um cilada e não devemos participar dela de forma alguma. De que paz estamos falando? Será por acaso da paz dos cemitérios?

O Conselho é genérico e não diz especificamente que cuidará da causa dos palestinos, o povo que está sendo masssacrado pelo sionismo internacional como mostra a foto acima. Os membros terão mandato de três anos a menos que doem um bilhão de dólares para a "causa". E só o presidente dos Estados Unidos terá direito de veto! Essa anomalia diplomática exclui os palestinos do grupo decisório e, pior de tudo, faz de conta que a ONU não existe. O Brasil, é sempre bom lembrar, defende o multilateralismo e a Organização das Nações Unidas. Por trás dessa mais nova criação de Trump está o desejo de ele dominar o mundo.

É bom lembrar que a ONU surgiu das cinzas da II Guerra Mundial substitundo a Liga das Nações, a primeira organização intergovernamental criada para promover a cooperação e alcançar a paz internacional, isso em 1919, e que deixou de existir por não ter sido capaz de evitar a II Grande Guerra. Mas essa segunda organização vem sendo desrespeitada em todos os sentidos e sofre de males como o poder de veto que até hoje é mantido como privilégio dos vencedores do conflito provocado pelo nazifascismo e encerrado faz 80 anos. E é o renascimento desse pensamento político racista que mais uma vez nos assombra.   

Trump age sem pensar no fato de que dentro de três anos não será mais presidente. Provavelmente voltará a comparecer a audiências na Justiça de seu país como réu. Vive num mundo onde pode invadir países, sequestrar presidentes dos quais não gosta, considerar uma outra nação como um estado norte-americano e, pior do que isso, determinar que todos aqueles que discordam dele têm que pagar tarifas aos EUA. Quer porque quer ser dono da Groenlândia, a maior ilha do mundo e que vivia em paz até ele ser eleito. Trump é uma anomalia como ser humano e um psicopata perigoso ao comando da maior máquina de guerra dos tempos atuais. Mas, também, de um império em decadência.

É o fato de ele saber que os tempos áureos ianques passaram que o faz querer usar da força como argumento. E tentar dobrar todos à sua vontade. A Europa cometeu um erro ao se deixar levar pelas asas dos Estados Unidos, sob as quais aceitou ficar considerando a OTAN como uma salvaguarda sem restrições ao "expansionismo soviético". Não era e não é. A dissolução da União Soviética poderia ter servido para que esse órgão perdesse importância e um realinhamento fosse tentado. Não foi. A distância continuou mantida em relação aos russos e o resultado é esse.

Nas últimas décadas depois do final da II Guerra Mundial, em 1945, os EUA fracassaram em todos os conflitos nos quais se envolveram ou provocaram. O exemplo mais candente ainda é a guerra do Vietnã, mas há outros. Em todos os casos, além de serem militarmente derrotadas, as forças armadas norte-americanas deixaram um rastro de destruição atrás de si e nações em frangalhos. O caso do Iraque salta aos olhos. De forma indecentemente mentirosa os ianques invadiram o país alegando que este possuía armas de destruição em massa. Arrasaram tudo, uma das regiões mais antigas da cultura humana, e fizeram com que os danos de sua passagem perdurassem até os dias atuais em quase toda a região.

Trump talvez seja mais nefasto ao planeta do que Hitler. Possivelmente guarda mais ódio em seu microcérebro do que Netanyahu. E deve deixar como herança sua um imenso rastro de destruição quando sair do poder ou este o abandonar. Tem que ser detido e, ao que parece, isso vai caber aos próprios norte-americanos. De nossa parte seria oportuno não pisar no pântano. Mas essa decisão cabe a Lula e ele deve estar considerando muitos fatores.

16 de janeiro de 2026

O "imperador" e a "presidente"

 

Se algum dia alguém me pedir uma imagem perfeita, pronta e acabada da indignidade humana, eu mando a essa pessoa a foto aí acima. Foi tirada ontem na Casa Branca durante o almoço que o "imperador" Trump ofereceu à "presidente" Maria Corina. Juntos e quase colados estavam o psicopata e a capacho, num encontro para o qual ela sequer foi recebida pelo chefe de Estado na entrada principal. Ingressou na Casa Branca por um acesso lateral e nem lá foi esperada à porta, como manda o protocolo ao menos da boa educação.

Maria Corina é parte da estrutura do golpe que levou à deposição por prisão e sequestro do presidente Nicolás Maduro, e isso é de conhecimento geral. Foi um golpe de Estado magnificamente bem organizado e os Estados Unidos são professores doutores no assunto. Surpreendentemente, boa parcela do regime venezuelano fez parte da trama por participação ou omissão. Para nossa sorte o ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje ocupante de um "apartamento" na Papudinha, não fez o curso. Deixou de aprender o básico da matéria.

Quem estuda isso com interesse, vê que há "coincidências" grandes entre o atual presidente dos EUA e o antigo ditador nazista Adolf Hitler, morto em 1945. No caso deste, ele começou sua busca por "espaço vital" ou "Lebensraum" com a tomada da Renânia, que os alemães estavam probidos de ocupar por causa do Tratado de Versalhes, ao final da Primeira Guerra Mundial. Depois anexou a Áustria, recebido quase com tapete vermelho, os sudetos, que eram parte da Tchecslováquia, Boêmia e Morávia. Somente quando foi invadida a Polônia os europeus acordaram e Inglaterra e França declararam guerra à Alemanha.

Trump chama suas pretensões de "segurança nacional", o mesmo axioma que ditaduras como a do Brasil usaram no passado. Atacou a Venezuela para tirar um ditador de lá quando na verdade queria e quer o petróleo; chegou a chamar o primeiro ministro canadense de "governador" porque imagina aquele país como o 51º estado norte-americano e agora volta seus olhos para a Groenlândia, que já se disse disposto a atacar militarmente para evitar que ela seja "ocupada" por Rússia e China. Talvez os contrapesos existentes nos tempos modernos freiem esse indivíduo. Senão teremos uma terceira gerra mundial às nossas portas. Como outros presidentes americanos, esse também tem fixação por Cuba. Freud explica? 

Existem poucas diferenças entre Hitler e Trump além do bigodinho do primeiro e a cabeleira loura do segundo. Na raiz dos pensamentos de ambos está a beligerância, a mentira e a falta de qualquer tipo de decência. Tanto que o presidente norte-americano se acha digno do Prêmio Nobel da Paz e pretende continuar a lutar por ele. Pior de tudo, tem chance de conseguir isso pois, afinal de contas, é tratado como líder mundial apesar dos pesares. Isso faz parte de uma farsa, espécie de teatro do absurdo que resiste aos tempos e se retroalimenta graças à passividade com que o mundo acompanha as loucuras trumpistas atuais.

E ao que tudo indica o narcisismo maligno, transtorno de personalidade antissocial e declínio cognitivo de Trump, todos já diagnosticados por estudiosos que o têm como foco, atingiram mais pessoas de sua proximidade. A última, a porta voz Caroline Leavitt deu um show pitiático contra um jornalista credenciado na Casa Branca que a questionou sobre o assssinato de uma americana pelo ICE. Chamou o homem de esquerdista, falso profissional e, dentre outras coisas, disse que ele não poderia continuar ali.

Sempre a mesma receita.   

14 de janeiro de 2026

Aposentados da Belíndia

 

A Previdência Social reajustou os valores das aposentadorias do INSS em 3,9 por cento para quem ganha acima de um salário mínimo mensal. É percentual inferior ao da inflação oficial de 4,26 por cento, bem menor do que o reajuste do salário mínimo, que ficou na faixa dos 6,79 por cento e foi para R$ 1.621,00. Isso tem, no médio prazo, efeito perverso: faz com que os benefícios se achatem e se aproximem cada vez mais da base da pirâmide social, para uma população que, no final da vida, tem necessidades maiores com gastos inevitáveis como de saúde.

Recordo-me de quando comecei a trabalhar e o teto das aposentadorias era de 20 mínimos, o que daria hoje R$ 32.420,00 mensais. Isso seria perto do melhor dos mundos e atenderia às despesas da totalidade das necessidades não cobertas pelo Estado Brasileiro. Só que esse período histórico dos 20 mínimos foi encerrado com a lei nº 8.213/91 e hoje os reajustes não mais são calculados em múltiplos de salário mínimo, mas sim por critérios outros. Tanto que o teto do INSS para 2026 é de R$ 8.475,55. Um quarto do que era antes!

Mas estou até agora falando do INSS e não do Serviço Público, onde a realidade é outra. Neste existe o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), que é diferente do INSS e embora tenha reduzido os benefícios de algum tempo para cá, ainda permite "planos complementares", onde moram os penduricalhos que, somados aos ganhos mensais por si só bem maiores do que os da Previdência dos simples mortais, garante aos servidores salários bem maiores e a incorporação desses complementos aos rendimentos mensais. É a glória!

Costuma-se dizer que o Brasil há muito tempo se transformou na Belíndia, que seria a mistura da Bélgica com a Índia. A primeira para os membros dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e que estão no topo da pirâmide social. A segunda para os "indianos" do Brasil, sem direitos, benefícios extras e mordomias e que lutam para pagar o aluguel, comprar remédios e viver sem planos de saúde, pois um imenso contingente dessas pessoas não tem como pagá-los. Sim, o SUS é uma virtude brasileira, um sistema de justiça social, mas está longe de pode suprir com eficiência as necessidades de saúde de todos os cidadãos.

Vamos ficar em poucos exemplos: no Poder Legislativo as "excelências" têm direito a benefícios como cobertura ampla em planos de saúde e com acesso a "redes premium", incluindo dependentes. Muitos ainda lutam para que esse maná seja eterno enquanto dure a vida. Coisa como ser filha de general, que não pode se casar mas tem o direito de viver amasiada por quantos anos quiser e ganhando integralmente a aposentadoria do papai, um "ex-combatente" de gabinetes refrigerados de casernas. Se casar, aí perde o benefício!

No caso do Judiciário, um dia o governo ensaiou uma lei que restringisse realmente os ganhos do Serviço Público ao teto constitucional de R$ 46.366,19, vigorando a partir de 1º de fevereiro de 2025, e bloqueando todos os excedentes. Um desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo com vencimentos mensais sueriores a R$ 200 mil se disse revoltado porque seus ganhos eram uma "história de vida". Ele é um dos que julgam as ações daqueles que não têm história de vida e negam reajustes do INSS por inconstitucionalidade...

Não seria justo jogar nos ombros do atual presidente e seus auxiliares todas as mazelas e distorções das aposentadorias brasileiras. Afinal, ele tem se esforçado para dar ao salário mínimo reajustes superiores à inflação oficial todos os anos e já encontrou a casa desmoronada, sobretudo após quatro anos de desgoverno Bolsonaro. Mas se o preço disso será o achatamento das demais faixas também ano a ano, é muito injusto no País onde os habitantes da Índia dessa Belíndia vivem apertos diários e nem sequer direito a um tipo qualquer de emenda parlamentar, a nova forma de corrupão institucional, têm para usufruir.

12 de janeiro de 2026

O cinema de ouro!

 

Por dois anos seguidos o cinema brasileiro faz sucesso nas edições do Globo de Ouro, nos Estados Unidos. E a segunda delas  foi ontem, com duas vitórias de "O agente secreto", uma com o diretor Cléber Mendonça Filho e outra com o ator Wargner Moura (foto). Ambas muito  merecidas, e isso depois de Fernanda Torres ganhar igual prêmio com "Ainda estou aqui" no ano passado. Os prêmios fizeram nosso cinema de ouro. Naquele filme Fernanda Montenegro faz uma ponta brilhante. 

Houve um ponto em comum entre as duas vitórias, isso além do fato de serem ambos filmes excelentes: eles retratam uma fase difícil da vida brasileira, quando vivíamos numa ditadura militar cruel e que durou 21 anos. No caso de "Ainda estou aqui", o retrato é do sequestro, assasinato e desaparecimento do corpo do deputado federal Rubens Paiva. No segundo, "O agente secreto", uma obra de ficção/realidade e que mostra a vida de um professor de tecnologia que tenta fugir de seu passado violento indo de São Paulo para Recife, mas descobre que esses tempos vividos o seguiram para o seu novo endereço.

O maior mérito dos dois filmes, além da reconstrução esmerada da época em que foram vividos, reside no fato de que eles não permitem que nós nos esqueçamos de tempos que precisam ser lembrados para não serem revividos. Porque mesmo com todas as lembranças ainda vivas na maioria dos brasileiros, uma parte de nossa sociedade continua voltada para o passado, sonhando com um novo golpe de Estado que traga de volta à vida brasileira os tanques de guerra nas ruas, as prisões ilegais, as torturas e os assassinatos de presos, sejam eles políticos ou não.

Um cinema renovado só está sendo possível porque o Brasil vive novos ares nesses tempos, digamos, modernos. Mesmo com as limitações financeiras que nunca deixaram de atormentar as produções nacionais, há um crescimento do nível de nossos filmes, e isso é visível. Da mesma forma como salta aos olhos o fato de agora nós mesmos procurarmos divulgar as melhores histórias que fazemos, ainda que com atuações de forma indepedente. E no passado não era assim.

Em 1981, em pleno ocaso da ditadura militar, o diretor Leon Hirszman filmou "Eles não usam black-tie", com Gianfrancesco Guarnieri, Fernanda Montenegro (sempre ela...), Bete Mendes, Milton Gonçalves e outros. Uma bela história do militante sindical Otávio e seu filho Tião que engravida a namorada Maria, decidindo se casar apesar de todas as agruras. Não ganhou prêmio internacional algum e merecia muitos porque foi ignorado pelos meios de comunicação que hoje comemoram nossas mais recentes vitórias. Sinal dos tempos...

E esse fime tem uma cena que é um monumento: num momento crucial de silêncio e tensão, Romana (Fernanda) e o marido Guarnieri lidam com as dores da greve e da expulsão do seu filho. Ela separa os grãos de feijão a ser preparado para o almoço e o único som que se escuta é o do alimento caindo na panela. Só isso quebra o silêncio da cena icônica.

Nós começamos a olhar com carinho o cinema nacional a partir de "Central do Brasil", no qual Fernanda Montenegro (mais uma vez ela...) interpreta magnificamente uma escritora de cartas. Já era uma temática política e isso não passou desapercebido com os tempos. Tanto que ontem tive que rir na rua ao vir para casa depois de tomar um café expresso e dar de cara com duas feias senhoras que conversavam na calçada: "Dá vontade de fazer greve de fome se outro filme comunista desses ganhar o Globo de Ouro hoje à noite".

Faça isso não, madame. Vai sobrar alfafa em sua despensa.   

8 de janeiro de 2026

Faz três anos hoje!

 

Faz exatos três anos hoje que houve a última tentativa de golpe de Estado para a deposição de um presidente da República no Brasil. Mais do que isso, há três anos uma horda de marginais, dentre os quais havia alguns poucos inocentes úteis tentou tomar Basília logo em seguida à posse de um governo legitimamente eleito num processo eleitoral altamente fiscalizado. Dentre outras coisas a horda de criminosos destruiu até as instalações do Supremo Tribunal Federal como mostra essa foto do Correio Brasiliense.

Se essa gente liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro tivesse obtido sucesso nós não estaríamos hoje comemorando a vitória da democracia em nosso país. Quem viveu o regime militar 1964-1985 sabe o que é uma ditadura e os danos que ela é capaz de produzir.

As cenas e vandalismo do 08 de janeiro de 2023 foram mostradas ao vivo e a cores pelas emissoras de TV durante todo o tempo. Eu particularmente vi constrangido, quase chorando, quando um bandido que não usava camisa com as cores da bandeira de nosso país jogou do chão do pedestal onde ele se encontrava o relógio do XVII, peça histórica e dada de presente ao nosso país pelo imperador D. João VI.

Ele teve que ser restaurado posteriormente na Suíça por especialistas em mais de 1000 horas de trabalho e sem custo para o Brasil. Hoje está de volta a seu pedestal, no mesmo Palácio do Planalto invadido pelos vândalos de três anos passados. É o mesmo de antes, em toda a sua grandeza e pertence ao povo brasileiro.

Muitas coisas podem ser escolhidas para representar aquele dia de ignomínia. Pessoalmente prefiro o relógio que está aí ao lado, destruído e recuperado numa montagem fotográfica. Ele é o retrato da selvageria e da falta de patriotismo de uma gente canalha que fez e ainda faz da bandeira do Brasil um símbolo para eles de seu desconhecimento, de dignidade, ética, vergonha na cara e de decência.

É a mesma gente que colocou celulares na cabeça para pedir a intervenção de extraterrestres, rezou para pneus, marchou imitando militares e acampou diante de quartéis em praticamente todo o Brasil pedindo que as Forças Armadas rasgassem a Constituição Brasileira, destruíssem o Estado Democrático e de direito e mantivessem no poder um riminoso genocida e inelegível que havia fugido para os EUA.

O mais incrível em tudo isso é que talvez o atual presidente da República tenha que usar o dia de hoje para vetar uma tal de "dosimetria das penas" do 08 de janeiro de 2023, artifício legal horroroso arranjado por um tal de deputado Paulinho da Farça, ou da Força, que tenta com isso reduzir as penas dos criminosos e sobretudo do presidiário Jair Bolsonaro.

Ele, que passou o tempo todo agredindo, dizendo que preso tem mais é que morrer na cadeia, apoiou tortura, prisão ilegal, debochou das pessoas e disse que não é coveiro, dentre outras coisas, hoje passa os dias soluçando, chorando e caindo na cela de cabeça contra móveis. Não passa de um covarde, o que sempre foi desde a época do Exército.

Faz pouco tempo o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes disse que os crimes contra a democracia não podem ser beneficiados por anistia ou outros perdões legais como forma de cancelamento de pena. Tomara ele estenda esse seu entendimento à tal "dosimetria" também. As "velhinhas de bíblias nas mãos" eram e são extremistas de direita política e voltarão a delinquir se obtiverem qualquer tipo de perdão ou redução de pena.

Mesmo cumprindo os anos que ainda têm pela frente não abdicarão dos projetos de golpismo hoje entranhados em suas veias e vidas. Os que puderam fazer isso já estão em liberdade depois de acordos com a Justiça Federal reconhecendo suas culpas.

Hoje é um dia de solenidades em Brasília e outros lugares. Trata-se de levar o povo às ruas em atos de defesa da democracia e da soberania, como vai acontecer também em Vitória na Rua 7 de Setembro, no Centro. Talvez também de veto à "dosimetria" e outras aberrações mais. Mas sobretudo é um dia de reflexão: temos ou não temos amor ao Estado Democrático e de Direito? O brasileiro precisa pensar muito nisso. E a hora é essa! 

5 de janeiro de 2026

"As veias abertas da América Latina"

 


"As veias abertas da América Latina" é um monumental livro de Eduardo Galeano e no qual o autor relata a história latino americana marcada por uma sucessão quase interminável de episódios de dominação cultural e econômica, sobretudo por parte dos países mais poderosos do mundo como os Estados Unidos, isso ao longo de todos os tempos. Oscar Niemeyer, ao conceber o Memorial da América Latina fez a escultura "Mão" (foto) que é quase uma representação da essência do livro em questão. A escultura fez o sangue fluir das veias da mão em direção ao solo e mostrando uma imagem da América do Sul. Galeano escreveu sua obra em 1971 e Niemeyer, a escultura em 1988. O conjunto parece nos remeter a nosso continente depois de Trump assumir seu segundo mandato.

O episódio do bombardeio de Caracas e outros lugares da Venezuela e o sequestro do então presidente Nicolás Maduro deixou desde o início algumas interrogações e as respostas a elas vão surgindo em grande velocidade. A não reação venezuelana ao ataque dos EUA, que conseguiram entrar e sair do país sem uma única baixa, talvez seja a maior delas. E a possibilidade, hoje real, de que a vice-presidente Delcy Rodriguez tenha feito parte do plano é um horror, mas não surpreende de todo. Rodriguez tem muito a falar, principalmente no plano internacional. E vai ficando claro porque Trump, um psicopata perigoso, jogou o jogo da Venezuela com tanta convicção. Ele usa os meios norte-americanos de dominação da forma mais clara possível. E nem tenta esconder que a Colômbia seja seu próximo alvo.

Theodore Roosevelt, que governou os Estados Unidos no início do Século XX, tinha um slogan: "Speack softly and carry a big stick", que deve ser traduzido como "fale com suavidade e carregue um grande porrete". Com base nisso ele interviu de certa forma no Panamá (construção do Canal), Cuba, Venezuela (olhem ela aí...), Nicarágua e Haiti. Isso em continente americano. Mas foi mais além quando disse "quero ver os Estados Unidos como a potência dominante na Costa do Oceano Pacífico". E fez uma grande viagem por essa imensa região, atacando as Filipinas, passando pelo Havaí, Japão, Coréia, China e Taiwan. "Visitou" as cidades falando suave e usando o porrete. Trump não fala suave...

A história de Teddy está toda ela mostrada no livro "O cruzeiro imperial", de James Bradley (Larrouse, 2010, 352 páginas) e no qual ele, o primeiro Roosevelt, se apresenta  como um fiel seguidor da "Doutrina Monroe", elaborada pelo presidente norte-americano James Monroe em 1823 e enviada ao Congresso dos EUA em 02 de dezembro daquele ano. Então os EUA não tinham meios para grandes deslocamentos, o que já aconteceu sob Teddy - em navios - e agora se mostra toda com Trump. O slogan de Monroe era "a América para os americanos", e no caso do atual chefe da Casa Branca, é possível acrescentar "...para os americanos do Norte".

Ontem mesmo o Secretário de Estado Marco Rubio disse sem ficar rubro que seu país não precisa do petróleo venezuelano (gerou memes como esse ao lado), mas acha ruim que recursos naturais americanos sejam comercializados na Ásia, principalmente. Talvez ele tenha "se esquecido" de que ao longo dos tempos, como durante Teddy Roosevelt, seu país tenha rapinado outras nações em qualquer lugar do mundo, o que é comum aos impérios. Até ainda quando eles começam a demonstrar que estão em decadência, como é o caso atual do Império do Norte.

Resta esperar para vermos o que vai acontecer no caso da Venezuela e a que ponto chegou o nível de traição no entorno de Maduro. Nesse caso seria mais digno que ele fosse afastado por meios legais pelos venezelanos mesmo, posto que claramente houve manipulação do último processo eleitoral do país. Isso teria até mesmo contido algumas manifestações da extrema direita política brasileira, pois alguns desqualificados como o deputado mineiro Nikolas Ferreira sugeriram aos EUA sequestrar o presidente Lula, que venceu sem contestação a eleição presidencial mais fiscalizada da história de nossa República.

Cabe a pergunta: quando esse tipo de gente vai pagar por seus crimes?             


3 de janeiro de 2026

"Diplomacia" à moda antiga

As imagens que o mundo já tem e que mostram o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, fato ocorrido nesta madrugada (três fotos ao lado e abaixo), apresentam ao mundo um escárnio. O Direito Internacional violado, o respeito a Organização das Nações Unidas (ONU) jogado no lixo e, pela primeira vez na América Latina, um sequestro de chefe de Estado em sua Capital feito na surdina, na madrugada, enquanto a maioria das pessoas dormiam esperando pelo dia de sábado, o terceiro desse ano de 2026. Também causa espanto o fato de a segurança de  Nicolás Maduro não ter reagido ao ataque. Por que terá sido?  

"Tio Sam" sabe como depor governos com os quais não concorda. Isso foi feito aqui no Brasil em 1964 depois de uma longa campanha de desacreditação do presidente João Goulart e que levou ao golpe de Estado de 31 de março (ou seria 1° de abril?). Também na Argentina, no Chile, citando só os mais crueis, longevos e de maiores danos psicológicos.

No caso do Chile ainda houve como agravante o assassinato do chefe de Estado Salvador Allende no Palácio de La Moneda, de onde ele se recusou a sair para abrir caminho aos golpistas. Morreu lá com a sede do governo sob bombardeio da sua própria Força Aérea e tendo no comando do golpe um general canalha nomeado por ele para comando militar. Allende, ao contrário dos pulhas, recusou-se a fugir para Cuba ou outro país, mesmo tendo um avião à sua disposição. Não é nada sutil a diferença entre homens, chefes de Estado, e os vagabundos. Allede morreu sem soluços, sem vacilações e defendendo com a vida o seu mandato e a Constituição chilena que havia jurado defender.

No Brasil, Goulart optou por ir embora para o Uruguai. Viu que uma tentativa de resistência seria vã. Quem pode julgar seu ato hoje, depois de quase 62 anos? Os militares que chefiaram o golpe de Estado de 64, tendo por trás da trama o presidente ianque John Kennedy e o embaixador Lincoln Gordon, foram os mesmos que Juscelino Kubsticheck havia anistiado depois de aquarteladas acontecidas durante seu governo, como a de Aragarças. Não se anistia golpista. Não se perdoa golpismo. O golpe volta a ser tentado se a decisão for essa.

O presidente Donald Trump disse que transferiu o presidente Nicolas Maduro para outro país. Não, isso foi sequestro. Disse e diz que defende a liberdade dos outros povos. Não, ele quer roubar o petróleo venezuelano, da mesma forma que num futuro próximo vai querer os minérais raros de países como o Brasil. Se defendesse democracias não apoiaria a Arábia Saudita que sequestrou, matou e picou em pedaços o jornalista Jamal Khashoggi quando este procurou pela embaixada de seu país em Istambul para pegar documentos e se casar.

Por fim, a foto que mostra o presidente Maduro sequestrado e nas mãos de militares da Força Delta dos Estados Unidos, a primeira acima, ainda não está confirmada, mas possivelmente é real e mostra um chefe de Estado sangrando e sendo levado à força para fora de seu país. Não importa se a gente apoia ou não o governo de Maduro, se acha ou não que ele fraudou as eleições venezuelanas. A vida no mundo das leis jamais vai funcionar como quer Donald Trump. Ele é apenas um criminoso como Benjamin Netanuahu, comandante do genocídio palestino, e tem lugar reservado nos tribunais internacionais que devem julgar e punir os criminosos de guerra de ontem, de hoje e de sempre.

A nota oficial do presidente Lula mostra de forma clara, serena e sóbria o que sentem ou devem sentir os brasileiros diante dos fatos dessa madrugada: "Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremanete perigoso para toda a comunidade internacional. Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo. A condenaçao ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões. A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz. A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação."  

2 de janeiro de 2026

2026, o ano que vai terminar

Um fato aparentemente banal mostrou como foi o ano que passou, justamente no seu último dia. Por sobrecarga de apostas - foram 120 milhões - a Caixa Econômica Federal não conseguiu  totalizar a tempo o prêmio da Mega da Virada e transferiu o sorteio para a manhã do dia seguinte, 1° de janeiro. Isso foi o suficiente para que o deputado federal gaúcho Marcel Van Haten, do Partido Novo, desse uma declaração pelos seus meios sociais acusando o presidente da República de ser o culpado pelo fato porque deve haver "algum rolo" nessa questão. Esse é o nível a que chegou o exercício da política no Brasil...

Desde que o ídolo da Van Haten - ou Van Hitler, caso prefiram - chegou à presidência da República ele arrastou consigo uma fauna inacreditável de nazifascistas defensores de tudo o que a humanidade abomina ou deveria abominar. E o governo do hoje presidiário Jair Bolsonaro mostrou desde o início a que veio. Em 2020 mesmo o então Secretário Especial da Cultura Roberto Alvim precisou ser comparado ao ministro da propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, por ter usado trecho de um discurso deste e utilizado estética visual e trilha sonora que rematiam à propaganda nazista. Ele foi demitido por pressão do governo sionista de Israel, porque o então presidente não queria atrito com Benjamin Netanyahu.

Vejam que agora um ex-assessor desse mesmo Bolsonaro, Filipe Martins, foi preso por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O sujeitinho, que num passado não muito distante fez gestos supremacistas brancos numa reunião no Senado, isso em 2021, estava condenado, cumprindo pena em prisão domiciliar e desrespeitou as restrições legais impostas a ele, de não participar de redes sociais.

Vejam que o desrespeito a ordens ou regras legais é uma coisa comum a esse tipo de gente, a começar pelo presidiário, genocida e inelegível seu ídolo. Da mesma forma eles não conseguem disfarçar o fato de serem admiradores do nazifascismo e passam dificuldades tendo que "conciliar" essas convicções extremistas com a necessidade de não exteriorizarem seu antisemitismo latente porque o sionismo genocida de Israel é parceiro de convicções e da luta para não terem os governantes atuais julgados e condenados como criminosos de guerra pelo Tribunal Penal Internacional.

Por tudo isso a manifestação de Van Hitler - ou Haten - nem assusta nem surpreende. Todos sabemos que a extrema direita política se alimenta de crises e agressões. Tem necessidade de gerar tumultos porque não possui uma identidade fora desse campo e é nele que mantém seu eleitorado preso a discursos. Portanto, todos sabemos que as campanhas eleitorais desse ano serão marcadas por gritos, xingamentos e crises fabricadas. É o oxigênio dessa gentalha e ela não sobrevive um minuto sequer sem ele. Além disso será esse ano em que eles jogarão sua cartada definitiva tentando tomar o Senado da República para atacar o Supremo Tribunal Federal e, através dele, todo o restante do Judiciário onde hoje só têm alguns representantes.

Lembro-me agora de "1968, o ano que não terminou", de Zuenir Ventura. No texto magistral o autor conta a história dos eventos turbulentos daquele ano, da itensificação da luta contra a ditadura passando pela morte do estudante Edson Luís, a Passeata dos Cem Mil e o endurecimento do regime que desembocou o AI-5, em dezembro. Eu estava lá e vi tudo. Só que agora, em 2026, o Brasil contenporâneo moldado a partir daqueles fatos e daquele ano não se deixará derrotar (?) outra vez. 2026 é o ano que vai terminar. E bem!                     

26 de dezembro de 2025

A regra do "off"

 

Em jornalismo o "off" (sugerido na foto acima) é a notícia feita a partir de fontes - que liberam os fatos - não identificadas. É diferente de um tipo de "off" televisivo e no qual o repórter  não aparece no vídeo, mas apenas a filmagem do que está sendo narrado e as imagens deste assunto. No caso da matéria sem a identificação do autor da informação, ela é feita sempre quando o jornalista confia totalmente em quem tem a notícia e não pode aparecer como origem. Nesse caso a matéria é dada sem que se diga de onde vem o fato e o jornalista jamais denuncia sua fonte. Se preciso, responde a processo no lugar do informante.

Mas há uma regra de ouro para a matéria feita com autor desconhecido do público: ele não pode mentir nunca e nem ter interesse direto, geralmente não confessável, na divulgação do assunto. Se mente e a matéria é publicada ou veiculada o profissional de imprensa tem o direito de denunciar esse informante. Direito moral, sobretudo. E tornar quem o induziu ao erro como alguém ao alcance das legislações existentes. E cito tudo isso em decorrência de matéria veiculada pela jornalista Malu Gaspar, de O Globo, nesse jornal.

Só ela sabe quem a levou a acusar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de intervir nas negociações entre o Banco Master e o BRB. E também só ela sabe se era pertinente ou não dizer que a mulher desse ministro tinha contrato milionário de prestação de serviços de advocaria por intermédio de seu escritório. Em princípio advogados podem prestar serviços para quaisquer clientes contanto sejam remunerados e salvaguardados os princípios éticos do exercício de sua atividade.

O que ocorre nas informações de internet é que o contato de Malu Gaspar seria o banqueiro mutimilionário André Esteves, CEO do BTG Pactual. Se for verdade ela colheu informações com um interessado em desacreditar o STF, e isso é péssimo. Mesmo sem entrarmos no plano do "verdade ou inverdade", a informação dessa fonte não é ética. Nem minimamente.

É estranho, mas perfeitamente dentro do explicável que esse tipo de denúncia só surja nos meios de comunicação quando algum fato grave atinje a extrema direita política do Brasil, como é o caso dos quase R$ 500 mil que o deputado líder do PL, Sóstenes Cavalcanti "esqueceu" num guarda roupas de seu flat durante cinco anos sem depositar em banco. Nem uma pessoa totalmente destituída de dissernimento acredita nesse "esquecimento". É bem mais crível apostar no uso indevido e criminoso de verbas parlamentares que seriam indenizatórias mas são colocadas nos bolsos pelos políticos com notas fiscais falsas.

Além de tudo, Malu Gaspar foi uma defensora da "Operação Lava Jato" e denúncias contra o hoje senador Sérgio Moro só aparecem nos meios de comunicação em doses homeopáticas, divulgadas por poucos jornalistas sérios. E se Malu realmente defendeu a "Lava Jato" por convicção, e não estou dizendo o contrário dessa colega de profissão, deveria ter todo o cuidado do mundo ao lidar com denúncias graves como a que fez em "O Globo".

Vamos convir que o "mercado" ou a "República da Faria Lima", onde está André Esteves, não tolera o atual presidente do Brasil e seus projetos sociais. Esse grupo quer na chefia do governo de 2027 em diante o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o senador Flávio Bolsonaro ou qualquer outro dos que orbitam em torno deles. Projetos sociais custam muito caro! Bolsa Família, nem pensar, tanto que Jair Bolsonaro só a usou para comprar votos... E as universidades federais ensinam marxismo-leninismo. Ouvi isso de um médico ginecologista formado na UFES e que não soube me explicar como se faz ginecologia comunista.

Em síntese, é preciso repeitar a regra do "off". Sou jornalista e sempre fiz isso ao longo da vida, mesmo na ditadura que durou de 1964 a 1985 e quando a gente podia ser preso ilegalmente, torturado e assasinado nos porões do regime militar brasileiro. Talvez muitos hoje não saibam disso ou tenham se esquecido de guardar esses fatos em cofres.    

24 de dezembro de 2025

Emendas e o roubo dos impostos

 

Amanhã é o dia de Natal, data sagrada para todos os cristãos. E também sagrada para nós nos lembrarmos de que o Brasil instituiu, desde o desgoverno do presidiário Jair Bolsonaro, o maior sistema de desvio de dinheiro dos impostos que os brasileiros pagam, na forma das famigeradas emendas parlamentares. Antes elas eram pequenas (sic!) e garantiam aos políticos o abastecimento de seus currais eleitorais com dinheiro público para direcionar as campanhas de reeleição. Mas desde a administração passada, quando o ex-presidente abriu as porteiras para o Congresso não deixar passar uma das dezenas de ações de impeachment que lá tramitavam, isso se tornou a pior forma de corrupção já nascida no Brasil. Trata-se do sequestro do orçamento federal para a farra dos políticos.

Agora mesmo o Congresso aprovou o orçamento de 2026. E as emendas, que já eram de R$ 50 bilhões, uma cifra antes inimaginável, agora chegam a R$ 61 bilhões. É ano de eleição! E para que essa dinheirama entre na conta dos deputados e senadores foram cortados programas sociais: R$ 436 milhões do Pé de Meia; R$ 300 milhões do Vale Gás; R$ 391 milhões no Seguro Desemprego; R$ 200 milhões de Abono Salarial. Dinheiro que abastece a base da pirâmide social e não o topo onde fica a chamada "República da Faria Lima" que interfere nas decisões dos governos ou então molha as mãos dos políticos que definem os orçamentos de todos os anos pensando tão somente em seu bem estar e na renovação dos mandatos.

E não pensem que isso só atinge coisas distantes. Aqui mesmo no Espírito Santo a Academia Espírito-santense de Letras chegou a orçar em R$ 400 mil a reforma de sua sede do Centro de Vitória faz cerca de cinco anos. De repente e com a intervenção de um presidente recém eleito surgiu do nada uma emenda parlamentar de R$ 1,8 milhão que tem como patrono o misto de secretário da Saúde e deputado estadual Tyago Hoffmann. Como vai ser usada essa dinheirama? Para onde vão quase R$ dois milhões de dinheiro dos impostos do cidadão? Ninguém explica!

Tirar meio bilhão da educação é condenar as universidades públicas a passarem mais um ano de penúria. E isso também está sendo feito, além de todos os demais cortes listados acima. Mas o "mercado" não está preocupado com nada. Nem ex-professores a ex-professoras das univesidades federais que agora podem fechar os olhos a esses desmandos, comparecendo dia sim, outro também às assembleias legislativas para receber diplomas e medalhas confeccionados também com o dinheiro do contribuinte para comemorar sua "des)honra ao mérito".

Falta vergonha ao brasileiro que participa desse tipo de falcatrua, na maioria das vezes arrastando para ela instituições centenárias brasileiras que passam a ser cúmplices de crimes contra o erário. Ou então fazendo vista grossa para um roubo que tira dinheiro de programas sociais vitais num país como o Brasil. E não falta ao crime organizado no qual se transformou o Legislativo brasileiro - felizmente com muitas exceções! - a audácia de dentro, de um ano, querer ainda mais dinheiro porque a goela é imensa.

Feliz Natal a todos!  

20 de dezembro de 2025

Ovo da serpente em "Santa CataReich"


O eugenismo social, pseudociência que visa a "melhoria da raça" (sic!) se manifesta de forma cruel em Santa Catarina e se concretiza na forma de lei estadual capaz de eliminar em todo o Estado a legislação de cotas raciais, sobretudo para ingresso nas universidades. Esse ovo da serpente que vem sendo chocado há tanto tempo agora ameaça se espalhar pelo restante do Brasil e já está presente até mesmo no Espírito Santo, meu Estado, onde há uma proposta legislativa na Assembleia objetivando o mesmo em Vitória e em todo o restante do Estado. O autor da excrescência, parlamentar do PL (claro!) defende a tese.

Para conseguir tal intento, não apenas o deputado capixaba, mas sobretudo políticos de Santa Catarina pretendem eliminar cotas por raça e gênero, mantendo apenas um critério social difuso para até mesmo concursos públicos. Há um reflexo imediato nesse projeto, se o termo pode ser usado: manter minorias fora de setores importantes da sociedade e concentrar as oportunidades nas mãos dos que hoje já detém o poder de influir diretamente no acesso à elite social brasileira. E por que isso nasce em Santa Catarina?

A foto que está na abertura desse texto denuncia catarinenses fazendo saudação nazista à bandeira brasileira durante manifestação política por lá. A segunda foto mostra a sede do poder catarinense em 1934 com a cruz nazista tremulando. O ovo da serpente é tão antigo que gerou o apelido de "Santa CataReich" para aquela unidade da Federação. É correto que grande parte dos catarinenses não a merecem, mas também que cresce a cada ano passado a ascenção de um novo nazifascismo não apenas lá, mas também no Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e outros lugares como aqui no meu Espírito Santo.

No último dia 10 de novembro a Assembleia Legislativa catarinense aprovou o fim das cotas raciais por lá. Mas não apenas isso. O laboratório social do Estado ataca com fascismo, racismo e eugenismo. A sede da Unidade Popular pelo Socialismo foi invadida pela PM e vandalizada. Trata-se de um orgão de esquerda política. Três prefeituras - Florianópolis, Balneário Caburiu e Chapecó - têm produzido uma política de internação compulsória de "saúde" contra populações em situação de rua, não para corrigir uma chaga social brasileira, mas para "limpar" as vias públicas dos mais necessitados. O turismo exige! É preciso dizer, tanto para quem concorda quanto para quem discorda: isso tudo é inconstitucional e no caso presente as ações estão sendo tomadas em parceria com empresas privadas de saúde, o que torna ainda mais grave a situação. Recentemente uma deputada socialista chegou a ser detida na Capital de Santa Catarina por autoridades nazifascistas locais e teve seu material de panfletagem destruído antes de ser liberada porque a detenção era flagrantemente ilegal.

Pode-se questionar a política de cotas. Claro que sim. Mas critérios de justiça social para sua eliminação só acontecerão quando o Brasil puder dar a todos os estudantes igual acesso a educação de qualidade antes do terceiro grau e também a todos os atores sociais, maiorias ou minorias, o mesmo tratamento legal e direito de acesso a progresso social em todos os setores da vida econômica nacional. Antes será necessário que esse dispositivo legal hoje existente continue mantido, para a garantia de igualdade de tratamento e oportunidades. Todos somos brasileiros!

O ovo da serpente remonta, nesse caso, até mesmo à Ação Integralista Brasileira (AIB), braço do nazismo no Brasil e que foi muito popular na primeira metade do Século XX. E isso aconteceu até o ingresso do Brasil na II Guerra Mundial, quando ela foi considerada ilegal. Mas nunca deixou de existir! A tragédia é que hoje ameace tomar corpo em diversos setores da vida brasileira na cauda de cometa de um fenômeno crescente no universo político mundial e que se sustenta em líderes internacionais como o presidente dos Estados Unidos "et caterva" e até mesmo seus iguais daqui das nossas terras como o genocida presidiário brasileiro e seguidores, como é exemplo atual o governador de Santa CataReich, digo, Catarina.

17 de dezembro de 2025

Viva Padre Júlio!


O padre Júlio Lancellotti não é o único pastor católico perseguido por hordas que se dizem conservadoras, mas que não passam de reacionárias. E também não será o último. O conservadorismo/reacionarismo católico é forte, atuante e se espalha por todas as regiões brasileiras, sempre procurando ocupar espaço. Ele está presente, por exemplo, na "Canção Nova" que transmite 24 horas por dia e agora também tem "noticiário". Em breve teremos a "Canção Nova News", uma tendência. Talvez venha a ser seguida pela "Rede Vida", "TV Aparecida", "TV Século XXI", "Nazaré" e "TV Evangelizar". Todas na fila junto com uma carrada de denominações evangélicas ou ditas assim, que também alugam espaço de TV.

Lembro-me como se fosse hoje do dia em que andava por Olinda durante um congresso de jornalistas esportivos e me deparei com uma figura linda na porta de uma igreja. Faz muitos anos. Aproximei-me e perguntei: "Dom Elder?". Ele disse: "Se te agrada!" Então questionei de novo: "Um comunista agnóstico pode dar-lhe um abraço?" Do sorriso mais aberto e bonito que já vi veio a resposta: "Não apenas pode, como deve!". E eu o abracei na única vez em que estive com ele em vida. Sua morte eu soube e vi pela televisão.

Dom Elder Câmara nunca chegou a ser cardeal por pressão da ditadura militar brasileira. E ria disso. Dom Paulo Evaristo Arns chegou ao cardinalato e enfrentou o regime sempre que foi possível, mas com muito cuidado. Rezou missa ao lado do rabino Henry Sobel quando do assassinato de Vladimir Herzog. Dom Pedro Casaldáliga, nascido em Balsanery, Espanha e naturalizado brasileiro, foi bispo de São Féliz do Araguaia, o primeiro depois da fundação da prelazia, onde ficou até sua morte lutando por direitos humanos. Foi sepultado em um cemitério Karajá, às margens do Rio Araguaia e ao lado das vítimas de grilagem de terras.

Mesmo não crendo na bíblia, entendo que esses homens são aqueles que representam os ensinamentos dessas escrituras na terra. Da mesma forma que o padre Júlio Lancellotti, dedicado à luta pelos "povos de rua" num país rico e dominado por representantes diversos de grandes setores do capital nem um pouco preocupados com quem não tem nada. E no Brasil jamais deveria haver "povos de rua" nem alguém lutando por essa bandeira.

O cardeal que condenou o padre Júlio ao silêncio e o retirou das redes sociais, dom Odilo Scherer, filho de alemães, gaúcho e conservador, jamais investiu contra os setores reacionários da igreja e nem precisou "proteger" aqueles que usam até canais de TV para lutar contra a teologia da libertação e suas ramificações. Ele não censurou gente como frei Gilson da Silva Pupo Azevedo, adepto do presidiário Jair Bolsonaro, defensor de armas, ou o padre José Eduardo de Oliveira e Silva, que pediu aos católicos e evangélicos que rezassem pelo golpista general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa e condenado pelo STF, no que foi chamado de "oração do golpe". Há muitos outros exemplos, mas chega.

Padre Júlio continua por enquanto na Paróquia de São Miguel Arcanjo, na Mooca, em São Paulo. Calado, sem redes sociais. Ao mesmo tempo o cardeal Scherer é um campeão dessas mesmas redes, com milhares de seguidores, sem censura e sem nenhum tipo de "proteção". Vai em frente apenas com sua imensa hipocrisia, defendendo quem não precisa de defesa. A diferença entre ele e Júlio Lancelloti é apenas essa.

Viva Padre Júlio!      

16 de dezembro de 2025

Kast e a goela de Tio Sam

Tão logo foi eleito presidente do Chile domingo último e compareceu ao Palácio de La Moneda a convite do atual Gabriel Borik, José Antonio Kast, 59 anos, fez questão de dizer que a partir de março pretende ser o "representante de todos os chilenos". Discurso vazio, claro. Ele jamais tentou e não tentará agora se distanciar de suas crenças políticas que incluem uma admiração profunda pelo ditador Augusto Pinochet, o criminoso que governou seu país de forma despótica desde o golpe de Estado que derrubou Salvador Allende até deixar o poder quase deposto e ao final de um cliclo de horror e ódio.

Também não vai ser possível para o novo presidente apagar de sua memória e da memória dos chilenos que acreditam em democracia a figura do pai alemão Michael Kast (segunda foto), membro da Juventude Hitlerista e nazista confesso jamais arrependido que imigrou com a família para a América do Sul e o Chile depois do término da II Guerra Mundial. Esse tipo de coisa gruda na pele e a pessoa não se livra dela, por mais que queira. E até os dias atuais o Kast presidente jamais fez o menor esforço nesse sentido.

Defensor da democracia de seu país, Borik recebeu o sucessor com honras e reuniões oficiais em La Moneda. Dono das mesmas crenças democráticas, Lula fez igual aqui no Brasil em mensagem de parabéns e de reconhecimento da vitória do chileno ainda no domingo. Muito diferente do seu antecessor Jair Bolsonaro, que viajou para os Estados Unidos, recusou-se a passar a faixa ao vencedor da eleição e começou imediatamente seu processo de planejamento de golpe de Estado que não cessou nem depois do 08 de laneiro de 2023. E ainda com ele apodrecendo na cela da Polícia Federal, seus seguidores atuais prosseguem no projeto de destruição da nossa democracia.

Quais são os planos do novo presidente chileno? Construir um muro separando o Chile da Bolívia para deter os imigrantes que hoje lá são na maioria venezuelanos. A fronteira entre os dois países, no norte e em meio ao deserto de Atacama/Altiplano, tem 861 quilômetros e é uma rota turística popular entre Solar de Atacama e Uyuni. Já foi ponto de tensão histórica entre os dois países e hoje vive em paz. Por quanto tempo? E quanto custará, se for mesmo feita essa inutilidade, uma obra de muro como essa em região desértica?

Kast quer endurecer as leis penais chilenas, um país que tem um dos melhores índices de segurança das Américas. Quer expulsar todos os imigrantes não legais. Promover demissões em massa no serviço público e privatizar o que for possível, inclusive empresas públicas que dão lucro e prestam serviços sociais necessários aos menos favorecidos daquele país. Além disso viajou hoje para a Argentina onde foi recebido pelo presidente Javier Milei, o "narcocapitalista" maluco que divulvou ontem uma bandeira da América do Sul mostrando os seis países governados pela direita como um oasis de riqueza e cercados por uma grande favela onde pontifica o Brasil. E a Argentina é um país falido.

Que diferença há entre o dircurso e os projetos de Kast e os dos outros presidentes sul-americanos de extrema direita eleitos democraticamente sem acreditar na democracia?  Nenhuma!

Ontem mesmo o Paraguai assinou um tratado com os Eatados Unidos para defesa mútua. Contra quem? Todos sabemos como Tio Sam, de goela ou garganta profunda, sonha em ter a cada dia mais influência na região da Tríplice Fronteira e de que forma esse tratado pode ser usado. Agora o ínico país soberano desse trio é o Brasil, que vai começar a ser pressionado, pois a Argentina, de pires nas mãos e embora seja um lugar rico no mapa de Milei, precise do dinheiro dos EUA para "não morrer" como disse o próprio presidente ianque Donald Trump e de forma grosseira ao responder a pergunta de uma repórter.

Kart não vai ser o presidente de todos os chilenos e isso porque suas crenças navegam em sentido contrário. Ele agora terá mais espaço de mídia e deve ser acompanhado com atenção até tomar posse em março. O fã de Pinochet, ditador que transformou o Estádio Nacional de Santiago em um campo de concentração depois do golpe de Estado de 11 de setembro de 1973, assumirá o comando de um país com instituições civis sólidas, mas nada é indestrutível. Ontem mesmo os "pinochesistas" já iniciaram os desfiles saudosos pelas ruas de Santiago clamando pela volta dos tempo passados. Vamos viver para ver isso.    

14 de dezembro de 2025

De onde vieram eles?

Às vezes me ocorre pensar de onde vieram parsonagens como essa tal Carla Zambeli, deputada federal condenada pela Justiça e presa na Itália, sem condições de obter mais recursos para aliviar ou cancelar as penas impostas a ela pelo cometimento de crimes que vão de desde perseguir um homem em plena via pública com arma de fogo carregada às mãos (charge ao lado), até falsificar ordem de prisão como sendo do ministro Alexandre de Moraes e que estaria prendendo a si próprio. A essa figura somam-se outras tão dantescas quanto são os casos do também condenado Alexandre Ramagem, além de Eduardo Bolsonaro, o tresloucado filho 03 do ex-presidente Jair Bolsonaro preso em Brasília. E essa é só uma pequena amostra.

Na semana que passou um deputado federal foi à PF de Brasília fazer uma espécie de vistoria na cela onde o ex-presidente se encontra. E voltou de lá "estarrecido" por estar o detendo sendo "torturado" por um aparelho de ar refrigerado barulhento. Existe não uma, mas várias declarações gravadas desse preso e nas quais ele diz que apoia e aprova tortura de presos. Numa ocasião recebeu no Palácio do Planalto a viúva do torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos mais ferozes algozes do regime militar e a tratou com cordialidade extrema. Ser torturado por barulho de ar refrigerado em prisão brasileira chega a ser anedótico. Esse  equipamento simplesmente não existe em prisões comuns. Nem ventilador há.

E ao mesmo tempo em que esse tipo de coisa acontece o presidente da Câmara, Hugo Motta, vai fazer consultas no Legislativo para saber se aceita por bem a extinção do mandato de Zambeli. Talvez prefira aceitar por mal. Em lugar nenhum do mundo a não ser no Brasil um condenado da Justiça pode exercer mandato eletivo e, além disso, ainda urufruir de todas as benezes do cargo e que incluem até mesmo a possibilade de uso de emendas parlamentares, inclusive via PIX, a mais nova forma de corrupção consagrada pelo Brasil.

Motta (foto), o lado de Esperidião Amin e o presidente do Senado Davi Alcolumbre ainda luta por anistia aos criminosos de janeiro de 2023 ou então de dosimetria das penas o que, para o deputado Paulinho da Força, vai trazer a paz à política brasileira. Nosso país já foi vítima de mais de uma golpe de Estado e várias aquarteladas e nada na face da terra pode derrotar o golpismo encrustrado em nossa sociedade - o que inclui as Forças Armadas - a não ser a punição exemplar de todos aqueles que jogam contra o Estado Democrático e de Direito. Ou se faz isso agora ou esse estado de  coisas continuará a marcar nossas vidas.

Precisamos ir em frente e punir os golpistas, senão para outra finalidade ao menos para que possamos pelo menos saber de onde vieram essas pessoas horrendas. De que esgoto saíram.

10 de dezembro de 2025

As hienas


Tudo é uma questão de como a gente vê as coisas: para os europeus a hiena é um animal que simboliza a ganância, a gula e a falsidade. Em algumas culturas africanas esse bicho é reverenciado como corajoso e feroz nas batalhas. Num mundo em que tantas espécimes estão hoje correndo risco de extinção, ele sobrevive, e bem, comendo carniça pelo mundo afora. Hoje ouvi de uma pessoa que o Congresso Nacional é comandado pelas duas hienas da foto, Hugo Motta (Câmara) à esquerda e David Alcolumbre (Senado) à direita. Não se trata de opinião unânime, mas retrata, para o bem ou para o mal, a opinião de grande parte da população do Brasil. Sobretudo hoje e depois de tudo o que aconteceu ontem.

Recentemente parlamentares da extrema direita política brasileira, sobretudo do PL e do Republicanos, ocuparam a mesa da Câmara por 36 horas em "protesto" e só se retiraram de lá quando o presidente Hugo Motta, com muito tato e carinho, conseguiu convencê-los a sair. E nada, rigorosamente nada aconteceu a nenhum deles. Ontem o deputado Glauber Braga conseguiu ficar poucas horas na mesa da presidência antes de ser sacado de lá à força, terno rasgado e correndo o risco de ter seu mandato cassado. Ele é do PSOL, um adversário ferrenho e ideológico de Motta.

Glauber responde a processo que pode cassar seu mandado porque, tendo sido ofendido por um militante do MBL que atacou sua mãe, reagiu correndo atrás do desaforado e dando-lhe um chute a bunda. Eduardo Bolsonado, Carla Zambele e Alexandre Ramagem ainda não sofreram punição alguma do Legislativo embora os dois últimos sejam condenados da Justiça com sentenças transitadas em julgado e tenham ordem de prisão expedida pelo Supremo Tribunal Federal. São protegidos pelo sistema político que domina a Câmara.

No Senado, o presidente David Alcolumbre quer botar em votação logo a lei aprovada na Câmara e que institui "dosimetria" das penas dadas aos condenados de janeiro de 2023, a turba comandada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para dar um golpe de Estado - mais um... - no Brasil. Alcolumbre está zangado com o presidente Lula porque este indicou para o Supremo Tribunal Federal ministro que não era de seu agrado. E isso embora essa escolha seja atribuição exclusiva da presidência da República.

São tempos de hienas...

Como as normas legais aprovadas ontem e na madrugada de hoje - hienas têm hábitos noturnos... - agridem normas constitucionais segundo a maioria dos especialistas da área, nem deveriam ter sido colocadas em votação. Mas o foram porque o Legislativo afronta a Constituição sempre que pode e, mesmo sabendo que deve perder, vive para gerar crises e contestar a Carta Magna do Brasil que não foi feita pelas correntes políticas que o comandam hoje. Muito pelo contrário.

E pode parecer incrível, mas é verdade que por trás de tudo isso esteja o senador Flávio Bolsonaro, "candidato" a presidente da República com a platafroma de tirar o pai criminoso da prisão e ainda - tarefa inpossível! - colocar o nome deste na cédula de votação para a presidência em 2026. Ninguém merece um replay da novela das urnas eletrônicas "não auditáveis" em um novo pleito eleitoral. A não ser as hienas...

5 de dezembro de 2025

Legítima defesa

 

O crime de responsabilidade é regulado pelo art. 85 da Constituição Federal do Brasil e detalhado na Lei 1.079/1950, a chamada "Lei do Impeachment". Não se trata de um crime comum, mas sim com natureza política e sua punição principal é a perda do cargo e inelegibilidade por certo período de tempo. Portanto, algo muito grave e que precisa ser tratado de forma responsável e à luz de provas irrefutáveis. Só que em nosso caso, de alguns anos para cá, vem se tornando uma forma pouco disfarçada de vindita política usada pelos setores mais radicais da extrema direita brasileira para investir contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Daí a reação deste, por intermédio do ministro Gilmar Mendes, essa semana.

O que está acontecendo é que de uns tempos para cá os possíveis candidatos ao Senado nas eleições de 2026 têm como plataforma política atingir o Judiciário através do STF e isso foi dito em várias oportunidades por eles no Congresso Nacional (foto). Mas tal só acontece porque as últimas decisões judiciais da Suprema Corte contrariaram os parlamentares sem projetos voltados para Educação, Saúde, Transportes, Infraestrutura, etc. Nem mesmo segurança que não seja a deles. Seu foco é fazer estardalhaço e tentar dirigir as atenções da opinião pública às ações voltadas a classes menos favorecidas. E sempre que governadores do tipo Cláudio Castro promovem ataques a favelas, inocentes morrem porque esses vivem nos únicos lugares onde seus parcos ganhos financeiros permitem. E como pobre é "invisível", na maioria das vezes suas mortes ocupam as manchetes por pouco tempo.

No chamado "andar de cima" é diferente. Só nos últimos quatro últimos escândalos financeiros foram desviados R$ 133 bilhões - isso pelo que foi apurado até agora - com corrupção, na maioria dos casos via sonegação de impostos federais e estaduais. Refiro-me a Refit, Banco Master, Carbono Oculto e Lojas Americanas, todos do gênero "Faria Lima" onde a entidade "o mercado" continua tentando mostrar à população brasileira que nosso maior problema seriam os gastos públicos. Sem contarmos com as emendas parlamentares, o novo tipo de cangaço moderno criado pelo Poder Legislativo do Brasil.

Pois vejamos: ontem mesmo o Congresso Nacional aprovou a obrigatoriedade de o Poder Executivo colocar à disposição das goelas insaciáveis de deputados federais, senadores e outros nada menos do que R$ 13 bilhões em emendas parlamentares até julho de 2026 - 65 por cento do total empenhado - para que esse dinheiro seja usado antes das eleições. Em muitos casos até mesmo como doações para clubes de tiro. Todos nós sabemos que essa dinheirama toda nunca é usada integralmente para a finalidades descrita em seus projetos. Grande parte do montante termina desviada para os bolsos dos parlamentares que usam as verbas em suas campanhas políticas de reeleição. Isso quando não botam tudo no bolso e levam para suas "aplicações financeiras".

Dos projetos anunciados pelos políticos e de ataque ao Judiciário constam, além do impeachment de ministros, a criação de mandatos, a eliminação das decisões monocráticas e outras coisas mais. Tudo para frear o poder de reação do STF à corrupção legislativa como, por exemplo, nos casos do uso de emendas parlamentares por pessoas já condenadas e com sentença transitada em julgado, de demissão de funcionários públicos de cargos onde eles não podem parmanecer mais, de cassação de mandatos de condenados e outros. Sobretudo para não continuar acontecendo, como ocorre agora, de um partido político de extrema direita como o PL ter uma bancada de "exilados" no exterior exercendo mandato.

Ou seja, para o STF essa reação é um ato de legítima defesa. 

30 de novembro de 2025

Adeus, florestas!


Quando eu era garoto meu pai nos levou duas vezes a Ribeirão Pires, um paraíso de Mata Atlântica localizado a apenas 40 quilômetros de São Paulo, onde morávamos. A cidade fica no topo da Serra do Mar, início da descida da estrada velha de Santos, e vale a pena conhecer. Era um santuário de floresta intocada e que pode ser curtido nessa foto de internet. Olhando bem a gente vê a cidade ao fundo e, bem mais adiante, a Baixada Santista que fica depois da descida da serra. É um declive de cerca de 800 metros. Essa semana, quando estava pensando nesse artigo, procurei saber do lugar e recebi a informação de que RP é agora o município mais devastado em Mata Atlântica de São Paulo. Que crime!

Esse é apenas um exemplo do que está sendo feito no Brasil e que vai se tornar muito mais agudo caso o PL da devastação entre em vigor sem ser contestado judicialmente. Esse bioma ocupava uma área de 1.110.182 quilômetros quadrados e correspondia a 15 por cento do território nacional antes de começar a ser destruído. Englobava Espírito Santo, Rio de Janeiro e Santa Catarina inteiros, além de parte dos estados de Alagoas, Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Sergipe e, claro, São Paulo. No ES agora só há 11 por cento de cobertura original de florestas de Mata Atlântica e a desvatação foi provocada sobretudo por avanço da pecuária no Estado. O corte das florestas diminuiu, mas já temos muito pouco a perder.

Cito a questão da desse bioma único no Brasil como destaque dos danos a serem provocados pelo projeto de lei porque nós, capixabas, estamos dentro do problema. Em nosso Estado houve uma orgia de derrubada de florestas e as motosserras fizeram a festa da morte. Tivemos por aqui até mesmo campeões de desmatamento e que se tornaram tristemente famosos por isso. Mas agora a extrema direita política do Brasil, com a ajuda de senadores do Espírito Santo, está comemorando o fim das florestas em nosso pobre país. E é preciso notar e registrar que com o fim da vegetação, vai embora também quase toda a vida animal.

É  triste dizer isso, mas no Brasil atual o PL da devastação está ligado à direita e ao "desenvolvimentismo". O combate a ele é pauta da esquerda, ou seja, dos "comunistas". Nada mais bisonho e falso como pensamento humano. Na verdade todos os que lutam pela lei aprovada no Senado têm algum compromisso pecuniário com os setores econômicos diretamente ligados a essa questão e estão engordando suas contas bancárias via lobistas. Talvez eles até desconfiem dos danos que isso vai trazer ao País, mas dane-se. Se seus interesses estão satisfeitos é tudo o que importa. E o projeto modificado pela oposição, como está agora, tem a capacidade de destruir o que ainda temos de meio ambiente sadio no Brasil.

Esse projeto de lei flexibilizará o licenciamento ambiental através de projetos por adesão e compromisso (LAC) que vão virar regra, dispensarão análises técnicas e facilitarão o desmatamento como na Mata Atlântica que citei, sem a necessidade de autorização de órgãos ambientais, sejam estaduais ou federais. Haverá licenciamento automático, dispensa de licenciamento, desmatamento de áreas em estágio avançado de regeneração, desconsideração de áreas protegidas, restrições à atuação de órgãos ambientais e isenção de cumprimento de condicionantes ambientais por parte de empreendimentos privados com o custo e a responsabilidade pelos impactos sendo jogados à população e o poder público.

Há várias vertentes danosas nessa lei e não apenas o fato de que, com ela em vigor, intervenções em reservas indígenas poderão voltar a serem feitas mesmo sem o consentimento destes. E também mesmo com as emissoras de TV mostrando os presidentes da Câmara e do Senado se confraternizando na mesa da sessão conjunta, como se estivessem comemorando uma Copa do Mundo de Futebol. Mas não; isso é apenas mais uma "vitória" contra a natureza, contra o que o Brasil tem de mais valioso e a avant premiere da orgia das motosseras que jamais pararam de ser usadas contra os biomas brasileiros.

Adeus, florestas!