7 de novembro de 2017

Completa e permanentemente

Faz cem anos hoje que uma revolução mudou o mundo. Completa e permanentemente.
Quando os bolcheviques chegaram ao poder em outubro pelo calendário usado na época pelos russos, o mundo precisou mudar seus conceitos políticos e sociais. E na maior parte dos casos, das regiões, isso aconteceu em benefício dos cidadãos, como resposta à tal "maré vermelha".
Ouvi de uma pessoa hoje: "os soviéticos mataram muita gente. Até mesmo seus aliados e dirigentes".
Isso. As revoluções derramam sangue, inclusive dos que as gestam. Aconteceu na Revolução Francesa, estão lembrados? E aquela foi uma revolução burguesa!
Mas aconteceu mais coisa. Na Segunda Guerra Mundial, o sangue de 20 milhões de soviéticos jorrou. E isso ajudou os aliados a vencerem o conflito muito mais rapidamente, inclusive não dando chance aos nazistas de desenvolverem suas armas mais mortíferas. Quando as bombas V-2 começaram a ser lançadas, a Alemanha já estava derrotada. E assim o primeiro míssil balístico do mundo não interferiu no resultado daquela guerra. Mas seus conceitos, sua criação e as armas que foram desenvolvidas posteriormente permitiram a concretização da "Guerra Fria". Uma guerra sem armas disparadas, sem movimentação de soldados em campos de batalha e que manteve todos os mísseis em seus silos porque sabia-se, como se sabe hoje, que os disparos destruiriam a humanidade.
Virou moda depois da dissolução da União Soviética culpar os comunistas e o comunismo por todas as mazelas do mundo. Aqui no Brasil, por exemplo, os grandes órgãos de imprensa, salvo um ou outro caso, são cidadelas de pensamento único. A "livre iniciativa" é a solução para todos os problemas. Os corruptos do Brasil sabem disso muito bem. O sabem também aqueles que evitam o termo "capitalismo", sempre substituindo-o por "democracia". E cobrindo com uma cortina de fumaça o fato de que foi a reação anticomunista que fechou os regimes socialistas depois de 1917 e, principalmente, após o fim da guerra, em 1945. Lênin, que aparece na foto incitando os russos a lutarem contra o czarismo, não poderia prever isso.
E nem que seus seguidores soviéticos seriam incapazes de mudar as consciências dos cidadãos das 16 repúblicas unidas em torno do ideal socialista para a formação de um Estado único. Quando houve a dissolução, todos voltaram às nacionalidades que tinham anteriormente. Sobrou, grande, a Rússia.
Mas nada muda o fato de que há exatos cem anos que uma revolução mudou o mundo completa e permanentemente. E ninguém altera essa verdade.

28 de outubro de 2017

O rito de passagem

Um dia desses, pessoa que conheço faz muito tempo publicou texto elogioso a Dilma Rousseff, que ela chama de "Dilmão". Contestei e, claro, não fui compreendido.
Hoje no Brasil há claramente duas correntes de pensamento que pretendem ter o monopólio da verdade nas questões envolvendo política e os inúmeros escândalos que surgiram pelo Brasil afora desde o primeiro mandato de Lula, que se iniciou em 2003. Quem é totalmente contrário a Lula/Dilma concentra fogo neles. Quem é contra Temer, bate no atual presidente. Na verdade, como se pode ver pela alegria da foto, todos faziam parte do mesmo esquema.
No Brasil sempre houve corrupção. Mas de 2003 para cá, por força do projeto do PT de ficar um quarto de século no poder, ela saiu de controle. Como é fácil comprar grande parte dos políticos brasileiros da atualidade, o foco se concentrou neles. Dava-se cargos em troca de votos que aprovassem projetos legislativos. Dava-se e a prática continua.
Os defensores do "lulopetismo", como se costuma chamar, defendem cegamente Dilma Rousseff por um único motivo: por ela ser mulher e a primeira e única mulher presidente da República. Mas as acusações que sofre não são de gênero. Ela é acusada de fazer parte do mesmo esquema que permitiu a Lula corromper o Congresso às última consequências. E que hoje permitem a Michel Temer fazer a mesma coisa para impedir sua queda da presidência antes do final do ano que vem.
Simples assim.
Então porque era necessário que Dilma caísse, tivesse o mandato interrompido no curso deste? Porque havia a necessidade de que o processo de corrupção fosse detido e isso teria de ser feito por algum começo. E ele era Dilma, a presidente que caiu em desgraça, não sabia fazer a boa política e transpirava arrogância da mesma forma que Lula, antes dela, transpirava literalmente.
Temer é apenas um rito de passagem. Um mal necessário para o Brasil não ter que enfrentar dois impeachments seguidos num momento de profunda crise econômica. Esse político que eu chamo de "presidente margem de erro", vai passar rapidamente, sem deixar saudades. Afinal, não tem forças nem para fazer xixi hoje em dia. O problema é o que virá. E existe a possibilidade de não escolhermos o próximo chefe do Executivo de forma correta.       

23 de outubro de 2017

Quem tem medo das redes sociais?

Sou, antes de tudo e antes de mais nada, jornalista profissional.
Ao mesmo tempo em que acompanho o meu País, leio, vejo e escuto os meios de Comunicação. E a mim causa alguma estranheza o medo que eles sentem das redes sociais. E o esforço que fazem diuturnamente para desacreditas as pessoas e instituições que as utilizam. O existe por trás disso? Simples: essas redes tiraram da mídia tradicional a exclusividade da informação. Mais do que isso: hoje não é mais possível, sobretudo aos grandes conglomerados, decidir o que o cidadão deve ou não deve saber.
Ora, se os gigantes da Comunicação já não podem mais censurar usando outra palavra para esconder essa prática, o que resta a eles? Desacreditar as redes, já que de tanto glorificarem o mantra "liberdade de imprensa", agora não podem pura e simplesmente pregar a censura.
Claro, existem muitos irresponsáveis usando as redes sociais até mesmo para ações criminosas. Mas isso é feito também na mídia tradicional. Não tanto para crimes, mas para a divulgação de fatos e versões que interessem aos detentores do poder. Inclusive do poder de dizer ou não dizer.
Durante a ditadura militar, praticamente todos os meios de Comunicação que hoje defendem as liberdades civis eram os escudos dos governos ilegítimos. E não fizeram isso obrigados, não. Nem por convicção política. Fizeram para enriquecer à sombra do poder.
O que era a Rede Globo antes de 1964? Quase nada. E aqui no Espírito Santo, a Rede Gazeta? Quase nada. O que eles fizeram para crescer? A ditadura tinha que se legitimar, se tornar aceita pela população como representante de um Estado de Direito, mesmo sem que ele o fosse. As grandes redes de Comunicação fizeram isso. Em troca de poder e dinheiro. Muito de cada uma dessas coisas.
Recordo-me como se fosse hoje de meus tempos nas redações de jornais. Havia a censura oficial do Estado, que se corporificava nos comunicados de proibição de notícias que eram contrárias aos interesses da ditadura. E havia também a censura empresarial, através da qual os empresários das grandes redes, nacionais ou regionais, defendiam seus interesses, às vezes escusos, proibindo informações ou então distorcendo-as. Quem era contra eles estava perdido.
Então, vamos agora ao título desse texto: quem tem medo das redes sociais? Resposta: a mídia tradicional. As grandes empresas de Comunicação. E para enfrentar esse "inimigo", elas pregam ao público que só interessa à mídia oficiosa divulgar "fake news". Fazer notícias falsas. E isso esconde o fato de que é nesse meio de divulgação de informações que hoje atua grande parte dos jornalistas que, ao longo dos últimos anos, foram defenestrados da mídia tradicional. Como eu.
Mas importa a eles dizerem que gente como eu atua no Facebook, WhatsApp e outros levando para os computadores os mesmos princípios que defendíamos nas redações? Claro que não.
Eles têm medo de nós.         

10 de agosto de 2017

A festa da pelegada

O Brasil tem hoje cerca de 15 mil sindicatos e ainda cria mais ou menos 250 por ano. Todo ano. Justamente por isso, para as centrais sindicais é preciso criar uma contribuição obrigatória que substitua o imposto sindical a ser extinto com a reforma trabalhista. Senão, como manter a festa da pelegada que vive nababescamente à custa dessas entidades?
Os sindicatos são estruturas necessárias nas relações de trabalho. Sobretudo os dos trabalhadores, que os defendem contra a força maior do patronato. Ao longo das décadas e nos mais diversos países, foram as estruturas sindicais as responsáveis pela imensa maioria das conquistas trabalhistas, fossem elas alcançadas por negociação ou por greves e outros instrumentos de pressão.
Isso se deu no Brasil, mesmo durante a vigência da ditadura militar que durou de 1964 a 1985. E depois dela também. Nas diversas categorias profissionais, com os mais variados matizes inclusive ideológicos, os sindicatos representaram ideais, projetos e necessidades.
Mas por aqui as coisas degringolaram. O imposto sindical começou muito cedo a ser usado como meio de vida por uma grande quantidade de dirigentes sindicais, na maioria dos casos pelegos que passaram a viver à custa das entidades. E como ter sindicato era um ótimo negócio que só perdia em "rentabilidade" para as igrejas neo-pentecostais e para a atividade política corrupta, o número de siglas foi crescendo assustadoramente. Junto com elas, as "necessidades" do dinheiro do imposto sindical. Vieram as centrais, elas invadiram os partidos - sobretudo o PT - e, por meio deles, também os sindicatos. Muitos passaram a ser sucursais da agremiação política. Até hoje dizer que um sindicato é "filiado à CUT" significa o mesmo que afirmar ser ele ligado ao PT.
Muitos dos dirigentes, sobretudo nacionais, enriqueceram. Ficaram famosos. Investiram em carreiras políticas vitoriosas. Ganharam musculatura de poder e, graças a isso, agora podem pressionar Miguel Temer, um presidente sem autoridade, a substituir o imposto sindical por um arremedo dele mesmo.
O sindicalizado é quem tem de sustentar o sindicato. Com sua mensalidade, com sua contribuição espontânea, com sua luta visando a alcançar ideais profissionais. Não é isso o que acontece.
No Brasil, os sindicalizados ligados à CUT e às demais centrais vão invadir as assembleias gerais tão logo a nova lei seja sancionada e impor à maioria que se omite um encargo financeiro ainda maior do que o imposto sindical. O governo sabe disso, as centrais sabem, até os inocentes uteis conhecem a regra do jogo sindical no Brasil.
Mas ele vai continuar sendo jogado.      

8 de agosto de 2017

As quadrilhas políticas

 A vida política brasileira é um jogo de cartas marcadas onde os jogadores, eleitos pela população, agem em benefício próprio ou de corporações. O episódio do projeto do REFIZ e que hoje é assunto no Congresso mostra isso de maneira clara.
O governo federal tem bilhões de dólares a receber de empresas que não pagaram impostos. O REFIZ serve justamente como um instrumento negociador de dívidas e que visa fazer com que esses devedores parcelem e quitem seus débitos. O projeto foi mandado ao Congresso e quem surgiu para ser o relator da matéria? Um dono de empresa devedor de impostos e que, juntamente com outros na mesma situação, descaracterizou totalmente o projeto para que, ao final, quem não pagou impostos fique praticamente responsável somente pelo principal da dívida, sem pagar nem os juros e nem as correções monetárias que o cidadão comum é obrigado a quitar junto ao fisco quando falha com suas obrigações fiscais.
Não existe na nossa legislação texto algum que impeça interessados de lidar com assuntos legislativos nos quais eles são parte e, claro, vão legislar em causa própria e de seus parceiros. Isso não acontece somente no REFIZ, mas em quase tudo o que bate no Congresso Nacional para virar lei que pretensamente protegeria a população.
Assim, a bancada ruralista quer perdão de dívidas e empréstimos a juros de papai para mamãe. A bancada evangélica quer impedir o progresso da ciência e, ao mesmo tempo, continuar arrecadando dinheiro de seus fieis para enriquecer cada vez mais.
Aliás, nesse caso, o principal projeto evangélico é o de poder. Eles querem esse poder para impor sua maneira de pensar ao restante do País, obter mais vantagens ainda e acabar com os princípios que regem o Estado Laico. E são esses princípios, de absoluta liberdade religiosa, que garantiram e garantem ao Brasil a condição de Estado sem problemas de conflitos nessa área. Aqui as pessoas são livre para exercer suas crenças ou crença nenhuma, sem que por isso possam ser perseguidas.
Portanto, não são apenas as propinas e demais formas de roubos de dinheiro público as nossas principais chagas políticas. Também sofremos com as quadrilhas corporativas e que usam a atividade legislativa em benefício de seus grupos de interesse.

27 de julho de 2017

Nosso câncer político

A impressão que o "leigo" tem é a de que o político brasileiro faz um curso superior de desonestidade ao assumir seu mandato. Ele estuda muito ao decidir ser candidato, intensifica o "curso" durante a campanha, escolhe a quadrilha - ou partido, se preferirem - ao longo desse tempo e, quando assume o cargo, finalmente está apto para "seguir carreira". Melhor de tudo, já sabe como usar meios e modos de enriquecer, sobretudo com as emendas parlamentares.
Elas são se tal forma essenciais à atividade do indivíduo que, recentemente, quando houve um movimento pela extinção dessa figura jurídica, o Poder Legislativo rapidamente fez lei tornando impositivo o pagamento das ditas emendas. Ou seja, o Poder Executivo, que tem participação em praticamente todas as falcatruas contra o dinheiro público, é obrigado a destinar verba a vereadores, deputados e senadores mesmo que o chefe do Executivo não queira.
O valor varia. Mas é sempre grande, sobretudo no âmbito federal. Por princípio, o dinheiro dessas emendas deveria ser usado para que o parlamentar fizesse obras de real interesse público em seus redutos - currais - eleitorais. Mas o real interesse público é o que menos se olha. Geralmente uma parte desse dinheiro vai para o bolso do parlamentar das mais diversas formas. Todas desonestas.
Foi com dinheiro das emendas parlamentares que o presidente Michel Temer comprou os votos de que necessitava para evitar que a denúncia de corrupção contra sua pessoa fosse enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF). E ele vai continuar distribuindo o meu, o seu, o nosso dinheiro aos deputados federais e senadores até conquistar seu intento.
Não o levam à cruz! Ao menos não o levem sozinho. Lula fez isso de maneira rasgada durante todos os seus dois mandatos, a começar pelo episódio do Mensalão, e Dilma Roussef também. Antes deles, outros presidentes fizeram o mesmo. Os menos honestos, à socapa e os mais honestos, de forma discreta. Mas não fazer de forma alguma, não. Todos fizeram.
Esse talvez seja um dos problemas que estão na raiz da corrupção política do Brasil e explica em parte por que é tão difícil combater essa chaga. A distribuição de cargos "de porteira fechada" é outro motivo e talvez quase tão forte quanto o primeiro. Também mostra que a principal quadrilha de crime organizado do Brasil tem mandato, costas largas e ainda nem um pouquinho de medo da Lava Jato.
Vai demorar até que curemos esse nosso câncer.        

19 de julho de 2017

A tecla de "FIM"

Vamos "perder" um pouco do nosso tempo: as televisões nos mostram todos os dias senadores e deputados federais se expressando sobre o atual momento político brasileiro. Reparem bem como é grande a quantidade de desqualificados de todos os tipos ocupando cadeiras no Legislativo Federal. Eles não têm compromisso algum com o País, com os problemas nacionais (muitos nem os entendem), nem querem resolver coisa alguma. Só um pé de meia.
Eles fazem movimentos de troca e, na base desse sistema está um instrumento que talvez seja o mais perverso da política nacional: a emenda parlamentar. Conseguiu-se criar no Brasil um sistema esdrúxulo de injeção de dinheiro no vereador, deputado (estadual ou federal) e senador que, por via impositiva, obriga o Estado e dar dinheiro a eles. Para "suas bases". Na prática, esse dinheiro que é meu, seu, nosso, no mais das vezes é desviado por fraudes que podem e envolver superfaturamento ou outro tipo de desvio. Também pode ser jogado fora por gastos absurdos que engordam a votação de determinados parlamentares. Exemplos: um campo de futebol onde os amigos de infância dessas pessoas querem se divertir. Uma seita política de espertalhões que engordam os bolsos de "bispos" e outros donos de denominações que existem apenas para explorar a boa fé alheia.
Agora vamos sair um pouco desse meio mais "sofisticado" e ampliar nossos ouvidos para coisas ao nosso lado: reparem como todos os dias, praticamente a todas as horas, um festival de fogos de artifício espouca nos morros. Existem códigos, não se iludam. E cada disparo é um recado de um grupo para o outro. Ou para membros de um mesmo grupamento. Pode ser um grito de guerra, uma ordem de execução, um aleta tipo "a Polícia está chegando". Qualquer coisa.
Nós, brasileiros, convivemos diariamente com isso. Primeiro, com a ópera bufa que vem de Brasília e continua a engordar contas bancárias de pessoas eleitas por nós. Afinal, as emendas são impositivas. Essa parte de nossa tragédia a TV coloca no ar todos os dias, todas as horas. Segundo, com o foguetório tipo final de Copa do Mundo cujo significado real e forma de combate ainda não conseguimos decifrar para combater com mais rigor, com mais eficiência o crime comum.
São os dois lados de um drama todo nosso, todo brasileiro. Enquanto perdemos tempo ouvindo Lula, Temer e outros para sabermos se são inocentes ou culpados - e todos sabemos que eles são culpados, sim -, a tragédia nacional cresce aos nossos olhos sem um c
ombate efetivo.
É preciso apertar a tecla de "FIM".