27 de abril de 2009

O cumprimento da liturgia


Sábado, conversava eu com um juiz federal, num papo entre amigos. E, como não poderia deixar de ser, surgiu no horizonte da conversa o assunto do bate-boca ocorrido entre os ministros Gilmar Mandes e Joaquim Barbosa, no Supremo Tribunal Federal (STF).
O juiz disse então que, nas cortes superiores, não se concebe que o voto de um desembargador ou ministro seja contestado por outro. Criticado. Quem dá o voto, o justifica e passa a palavra ao próximo. Este, por sua vez, dá seu voto e o justifica, seguindo-se os demais votos. Eles podem ser diferentes, conflitantes, mas ninguém interrrompe ninguém para questionar, contestar ou censurar o voto já emitido. Deve haver respeito pelas opiniões dadas e pelas interpretações legais que nascem do saber e do entender de cada um. Essa é a liturgia do Direito nas cortes superiores, sejam elas estaduais ou federais.
O que, então, está acontecendo na maior corte do Justiça do Brasil?
Ouso dizer que a presença da TV está transformando - ou seria transtornando - algumas pessoas. Magistrados estariam julgando preocupados com o holofotes, com a repercussão de seus votos. Interessados em conquistar prestígio pessoal. Isso geraria a maior parte das interrupções e das desavenças nas cortes de Justiça. Sobretudo no STF.
Costuma-se dizer que magistrados falam nos processos. E o que eles têm a dizer se esgota aí. Não sabe a eles ficar dando entrevistas e explicando o que já foi dito.
Mas a culpa é da TV? O correto é impedir que a TV transmita ao vivo assuntos de interesse público, que tocam ou modificam a vida de todos nós? Claro que não.
Cumpre aos senhores ministros refletir. Não importa a presença das câmeras nas sessões do STF ou outra corte. Não importa saber se todo o país acompanha o voto de cada um. Cabe à Justiça fazer apenas o que se espera dela. Cumprir sua liturgia.

9 de abril de 2009

Censura e direito de resposta


De ordem do Sr. Ministro da Justiça está proibida a publicação do decreto de D. Pedro I, datado do século passado, abolindo a Censura no Brasil. Também está proibido qualquer comentário a respeito
Pode parecer piada, mas é verdade. Durante os Anos de Chumbo, o período da censura oficial no Brasil, esse foi um dos textos recebidos pelos jornalistas nas redações dos jornais: D. Pedro I foi censurado porque alguém havia invocado seu decreto para protestar contra o regime militar.
Por essa e por mais uma carrada de razões, salta aos olhos a necessidade de ser abolida a Lei de Imprensa no Brasil, como está sendo feito hoje pelo STF. Não existe lei para engenheiro, advogado, médico e nem para ninguém em particular. Só para jornalista. Mas para jornalista, da mesma forma que para todo mundo, existe o Código Penal. E outras leis.
Só que a discussão em curso hoje deixa uma preocupação: há setores que pedem, no esforço de se abolir a Lei de Imprensa, para ser retirado também da legislação o direito de resposta. Aí mora o risco. Embora seja eu capaz de afirmar que a maioria dos órgãos de divulgação e jornalistas, radialistas e outros são honestos, há os que não são. A inexistência de texto legal garantindo o direito de resposta poderá levar a vinditas, perseguições e outros tipos de atos espúrios. E não serão poucos, certamente.
É correto que esse direito muitas vezes acaba sendo exercido por quem quer dele se vale para encobrir crimes. Mas um criminoso na rua é mal menor do que um inocente condenado.
O direito de resposta deve ser considerado coisa sagrada.

3 de abril de 2009

De fazer chorar...


O Governo do Estado do Espírito Santo vai fazer, à custa do erário, obras necessárias, de complementação de acessos da Terceira Ponte, que liga Vitoria a Vila Velha. A concessionária Rodosol se recusa a fazer ela as obras, a menos que possa aumentar as tarifas de pedágio e o prazo de concessão. Leia-se: a menos que passe ao contribuinte toda a conta.
Quem redigiu o contrato que deu à Rodosol a concessão de exploração da Terceira Ponte? Pergunto, porque esse contrato é, em essência, idêntico a todos os demais de obras públicas entre os entes federativos ou a União e empreiteiras que sobrevivem à custa de construir, seja lá o que for, para o Estado. Um garrote que garante tudo aos consórcios que são formados e nada a municípios, estados ou Federação. Ou seja, ao cidadão comum. Aquele que todos os dias paga impostos, direta ou indiretamente.
A revista Época dessa semana publica anedota que corre entre pessoas que fazem negócios com o Governo. Diz assim: Deus criou o mundo em sete dias, sem estourar o cronograma nem o orçamento da obra, porque não teve de fazer licitação, contratar empreiteira e pagar propina a políticos.
Essa é uma piada lá de Brasília. Mas pode ser contada aqui também. Se alguém contá-la a algum membro da Rodosol, garanto que ele vai rir muito. Afinal, é gozada.
Só não é engraçado saber, nós que passamos pela Terceira Ponte e pagamos o pedágio caro de vez em quando - milhares fazem isso todos os dias -, que ainda teremos de arcar, indiretamente, com a conta dos novos acessos.
Saber que isso decorre da corrupção entranhada nos hábitos e costumes do relacionamento entre poder público e empreiteiras, um dos mais promíscuos dentre tantos os que existem nesse país, é simplesmente ridículo. De fazer chorar...

27 de março de 2009

O Symbol e sua opção de seguro


Se você pretende adquirir um Renault Symbol (esse aí ao lado) por esses dias - o novo lançamento em sedan - tome cuidado: você pode preferir não levar seu carro para casa.
É que a montadora lançou o carro sem que ele tivesse registro na FIPE. Esse registro, esse Código, é necessário para que as seguradoras façam o seguro do carro. Sem ele elas não têm referencial e não podem chegar a um valor. Apesar de eu saber que a Renault está quebrando a cabeça para resolver o problema, não se sabe quando vai conseguir.
Somente uma seguradora, a Indiana, ligada à montadora, conseguiu orçar o seguro para o carro que comprei e estava na concessionária, parado. Precisei retirá-lo aceitando a oferta daquela seguradora. Mas fez isso lançando um número falso de Código FIPE, o que não pode ser considerado certo. E tenho provas disso. Por falta de referencial para fazer um comparativo de preço de seguro, talvez você prefira não comprar agora. Melhor esperar.
A gente não acredita que a marca Renault, de tanta tradição, consiga protagonizar uma comédia pastelão como essa, despespeitando o consumidor. Mas ela fez assim!

19 de março de 2009

A diretoria sem espaço!


Uma vez, comentando os descalabros do atual governo, Chico Buarque de Holanda, que vez ou outra pede substituição no seu time de futebol de amigos, disse em tom de vaticínio: "É preciso criar o Ministério do Vai dar Merda". Ninguém achou coisa séria. Mas era.
Agora, o presidente do Senado, José Sarney, "descobriu" que há 181 diretores na instituição. Isso mesmo: 181 indivíduos ocupando a maior diretoria que o mundo já possuiu. Tem diretoria funcionando no estacionamento, por falta de outro espaço. Lá fica o Diretor de Estacionamento, embora ele, na verdade, seja aspone de outra coisa. Tem diretor no Aeroporto Internacional de Brasília. O Diretor de Check-In, embora ele seja aspone de outra coisa.
Há diretor para tudo. Deve haver o de Corredores, de Elevadores, de Ante-Salas, de Abajures e Assemelhados, de Lixeiras, de Secretarias, de Reformas (esse ganha dinheiro...), de Horas Extras (esse também!), de Concertos de Eletrodomésticos e Eletroeletrônicos, de Celulares, de Recepção, de Cerimonial (quanta grana...), de Licitações (riquíssimo!), etc e tal. Isso, além dos que já foram demitidos pelo "surpreso" José Sarney. Conhecido como "O Último a Saber".
Mas deve haver também, pois todo mundo ouve Chico Buarque, o Diretor de Sanitários. Também conhecido como Mestre das Privadas ou então como Diretor do Vai dar Merda. E pelo jeito já anda dando. E os sanitários do Senado - por consequência, de todo o Congresso - devem estar como anda esse aí ao lado, que tristemente ilustra o texto. Uma boa m...
Pois é, vai dar mesmo. Porque não existe país nenhum sobre a face da terra onde o descalabro, a falta de vergonha na cara e de pudor sejam tão abertamente gritantes como o Brasil.
Por isso, tenho certeza, não existe no Senado, dentre as 181 diretorias "encontradas", a da Ética. Se houvesse, eles a extinguiriam imediatamente. Lá, não há espaço para ela.

11 de março de 2009

Cuidado com telefonemas falsos!


Amigos;
venho falando disso já há algum tempo. E com retorno de leitores. Fiz um artigo, "Telefonema falso e falso sequestro" e outro, "Reféns do terror", nos quais falo sobre um drama passado por mim com um telefonema de falso sequestro e também a loucura de receber ligações de vários lugares, no meu celular ou em casa, com o telefone ficando rigorosamente mudo. Você pode ler os dois posts na relação de "janeiro 2009", que está aí ao lado.
A Vivo não dá informações. Diz que está juridicamente impedida. A Polícia não registra boletim de ocorrência porque alega não ter a quem intimar. E a gente fica tendo que atender ligações de bandidos, em certos casos com mulheres gritando, dizendo ser a filha da gente e pedindo socorro por ter sido sequestrada. Logo em seguida entra um vagabundo na linha para perguntar se a gente é o pai e completando: "Nóis é matador!"
Segundo a Polícia os telefonemas são procedentes de delegacias. Isso é um Samba do Crioulo Doido. Os sujeitos ligam de delegacias, são presos da Justiça e ninguém faz nada!
Anote esse números. São todos de vagabundos ou bandidos, que ligam para o celular ou para a casa da gente, quase todos os dias, torrando a paciência. Algum tipo de golpe eles certamente querem dar:
O (021) 9249-3178, do Rio de Janeiro, foi o dos bandidos que simularam o sequestro de minha filha. Meu pavor maior foi que ela estava mesmo viajando. Surgiu outro carioca: 3521-9404. E mais um segundo uma leitora: 2122-0649. Agora, mais três passados por um leitor deste blog: 9200-5742, 9979-6837 e 9147-9674, todos também com o DDD 021. E de criminosos que simulam sequestros.
Fiquem atentos a ele também.
Esses que se seguem são dos números que ligam e ficam mudos. Alguns foram passados a mim por leitores do blog e vão sendo atualizados à medida em que escrevo. Já coloquei mais alguns de São Paulo na relação.
Há seis Ceará (85): 3216-0510, 3255- 9900, 3466-0707, 3216.0512, 3216-0222 e 3255 0202. Segundo denúncia de leitor, o 9900 e o 0707 seriam da Oi, usados para infernizar quem cancela contas. Há outro que surgiu agora: (081) 21010021. E esse está "atacando" muito. Os de São Paulo - inicialmente era só um - (11) mas agora são 3201-4500, 2886-2600, (este, segundo informado, pertence a uma grande empresa de telemarketing, com milhares de empregados, portanto não sendo telefone malicioso. Não recebe ligações. Fica em aberto saber porque toca para os outros e fica totalmente mudo. Mas enche o saco de qualquer um. É rei das reclamações), 2113-9400, 2886-2400, 3304-4392, 3323-2672, 3369-6470, 3369-6700, 3304-9397, 3304-4392, 3305-6370, 2813-0450, 3515-4660, 2391-0150, 2391-0155, 3304-9397 e 2391-0160. Além deles, temos agora o (012) 2139-2450. Os do Espírito Santo, que não recebem ligação (27), são 3301-1571, 3301-1572, 3301-1573, 3301-1574 e 3301-1575. Mas você também pode ligar para os de baixo (1570 e inferiores) e os de cima (1576 e superiores). O recado é idêntico.
Com relação ao (11) 2113-9400, segundo leitor do blog (Chelo Trentini Pintora), pertenceria ao setor de cobranças do Citibank e vem sendo usado para fazer terrorismo contra pessoas e/ou empresas que têm contas ou pendências pecuniárias com a instituição. O que é ilegal. Vocês podem ver a correspondência do leitor, junto com diversas outras, ao final do texto.
Tem um cujo DDD ainda não sei: 7872-4030.
Mas esse outro eu sei o DDD: (48) 3203-1150. Cuidado com ele. E há outro com mesmo DDD: 2106-0049. É coisa de criminoso! As pessoas que o atenderam ouviram informações de que os "felizardos" haviam ganho prêmios. Há posts sobre isso nesse artigo.
Divulgue. Reaja. Talvez alguém faça alguma coisa!
Agora, segundo outro leitor do blog, surgiram mais dois números, ambos do Paraná: : (44) 99523019 e (44) 98078515. Estes ligam a cobrar. Não atenda de forma nenhuma. Há a suspeita de que sejam telefonemas dados por criminosos.
Um leitor mandou mais esses números: 2106-7550, 28860-2600, 3201-4500 (todos do DDD (011) e 2125-7150, DDD( 021). Outro enviou o número (011) 2886-2600. Do outro lado da linha há uma voz de homem. E só fala pornografia.
Hoje surgiu mais um número: (012) 3909-1900. Esse não fala nada e dá sinal de ocupado quando a pessoa tenta falar com ele. Já esse próximo que mostrarei, segundo outro leitor, liga para fazer ameaças. É do criminoso que usa 0 (022) 9885-2329.
Hoje surgiram mais dois números com DDD diferente, agora (o79). São eles o 9972-9407 e o 9910-7824. Cuidado com estes últimos também.
Agora, surgiu um número do Rio Grande do Sul. Vamos anotá-lo para evitar problemas futuros. De preferência, não atendendo: (051) 8214-9100. Nesse número, os pilantras dizem que são do HSBC e pedem dados pessoais. Jamais forneça!
Vejam dois telefones de São Paulo (011) e que começaram a aparecer no meu celular. Tomem cuidado com o 9211-6403 e com o 9230-7725. Os dois, depois que você atende, permanecem mudos. Ou são imediatamente desligados.
Há um outro que também perturba os leitores: (019) 3447-9300. Esse DDD, notem bem, é usado por vários municípios do interior de São Paulo, todos eles com população baixa. Recurso encontrado pelos vigaristas para tornar o rastreamento mais difícil. Cuidado com ele.
E, para terminar pelo menos por agora, mais um número que me foi enviado por leitor do blog: (071) 3266-8070. Fica mudo. Muito cuidado com ele.
Segundo uma leitora, grande parte dos telefones listados neste texto pode ser encontrado por intermédio de um site chamado "achecerto". Ela procurou no Google. Eles constam como sendo de uma empresa de nome Meta Soluções Comerciais, Atendimento e Relacionamento, com sede na Rua 7 de Abril, 230, 10º andar, conjunto 101, no Centro de São Paulo. É preciso ter olho vivo com esse pessoal.
E AGORA UM AVISO MUITO IMPORTANTE: NÃO ATENDAM TELEFONEMAS DO NÚMERO (11) 9965-0000. TODOS OS TELEFONES QUE ATENDEM ESTÃO SENDO CLONADOS. Eu já havia dado esse aviso, mas recebi hoje um reforço da informação por parte de um jornalistas aqui no Espírito Santo. TODO CUIDADO É POUCO!!!!!!!!!!
Estamos acrescentando novos números sempre. Atualizado pela última vez em 10/02/2011.

10 de março de 2009

Dom Dedé e a Inquisição


Dom Dedé, ou Dom José Cardoso Sobrinho (vejam-no no seu ofício), como preferirem, queria ver morta uma criança de nove anos que estava grávida de gêmeos, estuprada que fora várias vezes pelo padrasto. Não adiantou os médicos explicarem que uma criança que nem sequer pelos pubianos tem ainda, não pode parir dois seres humanos. Isso representa risco até para mulheres adultas.
E como não conseguiu convencer a Justiça e a família da criança a matá-la, ele excomungou mãe, médicos, etc. Todos os que estiveram direta ou indiretamente ligados à interrupção daquela gravidez absurda e indesejada. Se não morresse a criança grávida, era grande o risco de morrerem os fetos. De uma forma ou de outra, algo grave iria acontecer.
Mas Dom Dedé não entende isso. Seus dogmas estão acima do bem e do mal, da vida e da morte, da mais tênue capacidade de entendimento. Imagino que se tivesse vivido há cinco séculos, o bispo de Olinda e Recife mandaria para a fogueira todos os envolvidos na interrupção da gravidez da menina. É triste. E ainda por cima porque ele é o titular de uma diocese que durante muitos anos teve como arcebispo ninguém menos que Dom Helder Câmara.
Não adianta discutir com Dom José. Ele vive nos tempos da Inquisição. Tem sua Inquisição pessoal, privada, e para que a autoridade episcopal não seja contestada toda a Igreja aprovou suas bulas de excomunhão. Em breve, Dom Dedé deverá pegar uma caravela para Roma onde uma carruagem de ouro o levará ao Papa para outras homenagens.
Mas felizmente a menina estuprada está viva. E deverá ser curada mentalmente também.

5 de março de 2009

A posse e a dúvida


Um fato incomum: houve engarrafamento de trânsito ontem (04/03), no final da tarde, para a posse do médico Luciano Rezende (PPS) como Secretário de Esportes do Estado do Espírito Santo. Ex-remador, especialisa em Medicina Esportiva, com experiência em controle anti-doping de competições internacionais (como membro do COI), ele recebeu do governador Paulo Hartung (PMDB) carta branca para agir.
Mas sobretudo para fazer duas coisas: criar uma lei de incentivo ao esporte no Espírito Santo - sumamente necessária - e terminar as obras do Estádio Kleber Andrade, hoje do Governo do Estado, para que o Espírito Santo tenha um endereço onde o futebol e outras modalidades esportivas possem se desenvolver.
Luciano ainda quer dar ênfase ao esporte estudantil. Ele admitiu que as escolas brasileiras têm poucas instalações esportivas e, talvez por cortesia para com alguns presentes, não disse que parte dessa "herança" deve-se à ditadura militar. Ela queria acabar com a atividade política estudantil pós-64 e, para isso, atacou os grêmios estudantis, bem como todas as formas de associação entre jovens estudantes. As instalações de esportes, locais de grandes concentrações, foram algumas das vítimas dessa "repressão". Com reflexos negativos até hoje.
Talvez Luciano consiga alcançar seu intento. Será bom muito menos para ele e muito mais para a população capixaba, sobretudo os jovens. De boa sorte é o que precisa Luciano Rezende.


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Eu fiquei me atendo a um outro fato, este "subalterno", da posse. Em seu discurso, diante do ex-senador Roberto Freire, figura ímpar na dignidade da política brasileira, o governador Hartung lembrou sua militância política no velho PCB - onde eu também estava - e disse que, ao final de seus oito anos de mandato, quer ser lembrado, não com saudade, mas com respeito. E completou afirmando que, para isso, precisa completar o trabalho de formação de quadros que iniciou desde o primeiro dia de seu primeiro governo, quando se dispôs a fazer uma administração "de mãos limpas". Era um contraponto com a administração passada.
Ouvi aquilo com atenção. À minha frente estava Roberto Freire. Corri os olhos pela multidão de pessoas presentes, todas aplaudindo freneticamente as palavras proferidas pelo governador - aplaudiriam até os pigarros - e pensei com os meus botões:

- Quantos Cabo Anselmo ainda poderá haver por aqui?

2 de março de 2009

Vamos denunciar telefonemas falsos!


A reação dos leitores desse blog à matéria que escrevi denunciando os trotes telefônicos e crimes com telefones é pano de fundo para uma outra denúncia: não se faz nada, rigorosamente nada para coibir esse tipo de ato criminoso. Em Reféns do terror, contei a história de pânico passada por mnha família numa determinada madrugada, quando marginais ligaram para minha casa fingindo ter sequestrado uma filha minha que havia viajado. Em Telefonemas falsos e falsos sequestros, enumerei alguns dos telefones dos quais vagabundos e vagabundas ligavam para mim, no celular e na minha casa, com o mais absoluto silêncio quando o telefone era atendido. Eram interurbanos, na maioiria das vezes, e nem sequer a cobrar.
O que se argumentou para explicar isso: "Senhor, são telefonemas de dentro de delegacias!". Inclusive o do falso sequestro de minha filha? "Sim, senhor".
Que maravilha! Que país fantástico! Bandidos ligam de dentro de delegacias, fingem estar matando pessoas - as mulheres gritam fingindo ser a filha da gente - e nenhuma autoridade pode fazer nada. Pior do que isso: ninguém ouve nada. Porra nenhuma!
Tentei de todas as formas saber de onde vinham os telefonemas mas não consegui. O tal "sigilo telefônico", pretensamente protetor da minha e da sua privacidade, protege o criminoso nas delegacias de onde ele pode telefonar a todo momento, para todo mndo, sem que ninguém possa - ou queira - fazer nada. Isso é o Samba do Crioulo Doido!
Só para lembrar, eis alguns dos telefones usados por bandidos: três do Ceará (85) são 3216-0510, 3216.0512 (passado por Leandro, leitor do blog) e 3216-0222. O de São Paulo (11) é 3201-4500. Os do Espírito Santo, que não recebem ligação (27), são 3301-1571, 3301-1572, 3301-1573, 3301-1574 e 3301-1575. Mas você também pode ligar para os de baixo (1570 e inferiores) e os de cima (1576 e superiores).
Existem outros, claro. Muitos outros. Vamos fazer o seguinte: denunciar o maior número possível. Tentar de todas as formas chamar a atenção das autoridades. Antes que um bandido desses sequestre efetivamente uma filha nossa ou de um deles, as mate e providências sejam tomadas depois disso. Seria muito melhor agora, sem o sangue correr.

12 de fevereiro de 2009

Aposentado tem que morrer!


Veja bem a foto aí ao lado. Aquele idoso senhor, mais ou menos desgastado pelo tempo, um aposentado, encontra-se num asilo. O lugar para o qual o presidente Lula e seu entourage mandariam todos os demais, caso isso fosse possível. Assim essa gente imprestável - no ver deles - e inútil - no ver deles - pararia de reclamar contra os aumentos da aposentadoria.
Afinal, para dar aumentos é preciso fazer algumas contas. Como negar os reajustes dos parlamentares se o governo depende deles para seus negócios, confessos ou não? Como negar os aumentos dos membros do Judiciário se há tantos processos correndo nos mais diversos escalões? Além do mais, desculpas, há: são poderes independentes. Têm o direito de viver vida de nababos. São a Bélgica nessa Belíndia em que vivemos. O senhor da foto no alto do texto é a Índia. Como a esmagadora maioria dos nossos aposentados e pensionistas.
Aliás, estou sendo injusto. Há "pensionistas" e pensionistas. Há aqueles dos poderes Legislativo, Judiciário e alguns do Executivo. Onde, por exemplo, um motorista - nada contra os motoristas - pode ganhar bem mais do que um engenheiro em início de carreira. Dane-se, caramba! Afinal de contas, nosso douto presidente não é engenheiro. O diploma que ele queria, já tem.
Não vamos reclamar. 5,92 por cento está de bom tamanho. Do tamanho da inflação oficial e do projeto do governo federal, que é nivelar todos por baixo, ganhando salário mínimo da Previdência Social. Se Dilma foi eleita, esse projeto de concretiza.
Você reclama porque o reajuste dos remédios ao longo dos últimos 12 meses foi superior a isso? E daí? Quem manda aposentado, essa gente velha, ter que tomar remédio, às vezes controlado, às vezes todos os dias? Aposentado não tem que tomar remédio. Aposentado tem que morrer no asilo, onde poucos vão ver, poucos vão saber. E Lula vai continuar curtindo os mais de 80 por cento de aprovação. Viva ele? Sim, como diria Fernando Collor, que acreditava na incomensurável capacidade de o brasileiro ser roubado sem reclamar, assim vive o líder, et caterva.
Viva ele!


6 de fevereiro de 2009

Um país, dois poderes


Vira e volta e os meios de Comunicação divulgam pesquisas nas quais o Poder Legislativo surge como o menos respeitado de todos os três do Brasil. Vira e volta e partidos políticos, com seus membros, são lançados ao balde lixo da história. Ou à latrina desta mesma história. O que acontece para que esse conceito tão desprezível perdure?
Talvez o atual corregedor da Câmara dos Deputados possa descobrir isso, caso pare para pensar um pouco, recolhido a uma das suítes de seu castelo mineiro. O castelo que ele não declarou ao Imposto de Renda ou ao Legislativo, porque está em nome dos filhos.
Talvez os presidentes da Câmara e do Senado queiram perguntar isso à população no intervalo entre uma votação e outra de vantagens pecuniárias para eles próprios e seu apaniguados.
Talvez os deputados estaduais consigam alguma luz no fim do túnel, no intervalo entre uma ida e outra aos palácios dos governadores para negociar a entrega da independência de sua instituição em troca de vantagens políticas, sobretudo para as próximas eleições.
Talvez os vereadores de milhares de câmaras municipais possam ter alguma ideia se tiverem tempo para fazer o mesmo, no caso nas prefeituras em vez de nos palácios estaduais. Aqui no Espírito Santo, por exemplo, e na Capital, Vitória, a compra do legislativo municipal, trocado por cargos comissionados na Prefeitura, é chamada de "parceria".
Portanto, talvez.
Talvez um dia eles descubram que vivemos no país de dois poderes. O terceiro está à venda.

5 de fevereiro de 2009

Shoplambança


Quando a gente olha para as imagens parece uma festa. Todo mundo rindo, todo mundo mostrando mercadorias lindas. Mas tome cuidado porque o Shoptime erra. E quando erra não quer corrigir o erro de forma alguma.
Eu adquiri produto dia 28 sob número 01-16031141. Compra feita de Vitória-ES para entrega em São Paulo. Trata-se de presente de casamento de daqui a dois dias. Nos documentos disponibilizados via internet estava tudo certo, inclusive endereço de entrega. Mas a minha surpresa chegou ao receber a mercadoria em Vitória. Tentei falar para o Shoptime para relatar a lambança feita. Ele não respeita a regulamentação atendimento em centrais telefônicas. De tempo de espera. Passa-se horas tentando falar. Fica-se ouvindo música o tempo todo. Nos contatos por e-mail, não veio resposta. E a data do casamento estava chegando... Na única vez em que uma atendente ofereceu “solução”, queria que a transportadora voltasse a Vitória, recolhesse a mercadoria para a central para ela ser conferida e, então, mandada para o endereço correto. Chegaria, quem sabe, no primeiro aniversário de casamento do casal...
O consumidor não é respeitado no Brasil. O Shoptime é empresa de âmbito nacional, 24 horas por dia na TV. E isso deve estar acontecendo a mais pessoas.
Tomem cuidado!

3 de fevereiro de 2009

Golpe de assaltantes. Cuidado

Atenção, há mais desonestos na internet querendo dar golpes. E agora este é de assalto. Leia e preste muita atenção quanto a isso:
Nos últimos dias, principalmente em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná (Curitiba) estão enviando pelos Correios uma carta com papel timbrado da NET, TVA, SKY, Directv ou outro qualquer canal de TV por assinatura. Na carta, que por sinal é muito bem elaborada , os vigaristas dizem que estão modernizando tecnologia e que será necessária a substituição de equipamento dentro da casa do assinante. Eles colocam um número de telefone (de um comparsa) para o agendamento. Se a pessoa (assinante) não conhece o golpe e não telefona para o verdadeiro número da Operadora de TV, para confirmar se isto procede mesmo, os marginais praticam o assalto em sua residência com hora marcada e com você abrindo a porta e servindo um cafezinho.
As próprias vítimas marcam o dia em que sua residência vai ser assaltada! Qualquer pessoa que receba carta deve confirmar o número com o telefone que consta na fatura mensal. Nunca com o número de telefone da carta recebida. E se receber e-mail pedindo pra atualizar o MSN para a versão 8.0, não clique pois é um vírus. E também se alguém chamado felipegadeia@hotmail.com quiser adicionar seu computador ao MSN, não aceite. É um vírus que apaga em 3 minutos todo o HD. Se alguém na tua lista adiciona, você também pega o vírus.
Atenção, portanto.

28 de janeiro de 2009

"Solução final"

O tema dos trotes de marginais é sério. Mas ontem contaram-me um fato hilário sobre o tema. É real, aconteceu no Espírito Santo e o nome da pessoa envolvida não será fornecido por razões mais do que óbvias, até porque eu estou romanceando um pouco. Ela é mulher, solteira, sem filhos, advogada com família morando em Vitória, mas residindo e trabalhando numa das mais importantes cidades do interior do Estado.
Uma bela noite ela está em casa e o telefone toca. Do outro lado da linha vem a voz ameaçadora:
- Seguinte: sua filha está com nóis. E vamos matá ela!
Imediatamente, ela finge desespero:
- Não faça isso, por favor. O que eu tenho que fazer. Quero minha filha de volta!
Para o marginal é sopa no mel.
- Anote aí: pegue o dinheiro no caixa e depois saia de casa para depositar. Vá até a rua tal, vire à direita...
- Devagar, não estou entendendo...
- Vou falar de novo. Faça o que eu mando. Vá por alí, pegue a rua tal, passe pela praça logo adiante...
- Não estou entendendo nada, moço. Por favor, fala de novo que estou muito nervosa...
- Olha, dona, presta atenção. - o sujeito já está nervoso - Saia de casa, pegue o dinheiro, vá pela rua tal, contorne a praça fulano, pegue a avenida sicrano...
- Ai, não sei ir...
- Moça, não torra a paciência. É na rua fulano, depois na avenida sicrano, em seguida na praça beltrano. Entendeu, porra?
- Olha, moço, está dando muito trabalho. Pode matar!
E desligou o telefone.

27 de janeiro de 2009

Talefonema falso e falso sequestro

- Esse telefonema do falso sequestro de sua filha pode ter relação com os outros telefonemas que você recebia!
O policial disse isso com convicção. E o fato a que ele se referia surgiu há cerca de três meses e foi relatado por mim a ele. O meu celular tocou e ficou mudou ao ser atendido. Olhei no bina e lá estava um número do Ceará. De telefone convencional. Não há ninguém lá para ligar para mim. Além do mais, quem ligaria do Ceará para um celular de Vitória sem falar. Ligações interurbanas em horário comercial custam caro.
As ligações prosseguiram. Muitas vezes por dia. Conhecedor dos números - passaram a ser dois - não atendi mais. Elas cessaram. Mas achei estranho, relatei o caso à Vivo, que é muito esperta, por e-mail, pedindo para saber que telefonemas eram esses. Veio a resposta:
"Em atenção a sua solicitação, informamos que a Vivo somente fornece as informações consideradas sigilosas (rastreamento de celular, origem das chamadas entre outros) mediante autorização judicial." E seguiam-se outras considerações, encerradas com o conselho para que eu registrasse um boletim de ocorrência, o popular BO, numa delegacia de polícia ou no Ministério Público.
Como não havia continuação das ligações, desisti. Mas elas voltaram. E para meu telefone particular, de casa. Como eles sabem esses endereços? Aos mesmos dois números do Ceará foram acrescentados um de São Paulo e vários do Espírito Santo.
Esses últimos continham uma curiosidade: eram sequenciais. Resolvi ligar para eles e ouvi, em todos os casos, a mesma gravação: "Chamada gratuita: este número está temporariamente programado para não receber chamadas".
Resolvi fazer um teste, já que se tratava de números sequenciais, e liguei para os logo acima e os logo abaixo. Deu a mesma coisa. Todos, rigorosamente todos, não recebem chamadas. Mas enchem o saco do cidadão ligando para a casa dele, para o celular dele, sem que o filho da mãe que liga diga nada.
Liguei para os números do Ceará: estão eternamente ocupados. Então, como encontram tempo para torrar a paciência? O de São Paulo é diferente: manda mensagem em inglês. Chique, não?
Creio que estou diante de uma constatação. No seu comunicado para mim a Vivo diz: "Ligações recebidas somente entrarão nos relatórios caso tenham sido realizadas a cobrar." Ora, acho que o pessoal das ligações sabe disso. Nunca liga a cobrar!
Mas, depois da ligação comunicando o falso sequestro, o policial que me recebeu na DPJ de Vitória acha que esses fatos têm relação um com o outro. Só que ele não pode fazer o BO pois não tem uma pessoa a que citar. Um endereço para constar. Um fato delituoso para ser determinado com autor. Falso sequestro é crime, certo. Mas quem o cometeu?
Você quer conhecer os números para fazer um teste ou se precaver contra eles? Então lá vão: os dois do Ceará (085) são 3216-0510, 3216.0512 (passado por Leandro, leitor do blog) e 3216-0222. O de São Paulo (011) é 3201-4500. Os do Espírito Santo, que não recebem ligação (027), são 3301-1571, 3301-1572, 3301-1573, 3301-1574 e 3301-1575. Mas você também pode ligar para os de baixo (1570 e inferiores) e os de cima (1576 e superiores). Dá no mesmo. E surgiram mais três: 9900-5742, 9979-6837 e 9147-9674, todos com DDD 021. Estão aterrorizando a vida de várias pessoas.
O número inicial, que aterrorizou a mim, minha mulher e uma das minhas filhas com a simulação de um sequestro para tentativa de extorsão era também do Rio de Janeiro (021): 9249-3178. Segundo a Polícia, com toda a certeza telefone usado de dentro de cadeia ou penitenciária.
Quando Alexander Graham Bell inventou o telefone, não poderia imaginar que no segundo país do mundo onde seria adotado, o Brasil, um dia ele se tornaria inimigo potencial do cidadão. E que as leis em vigor nesse país seriam as aliadas dos marginais.
Segundo uma leitora, grande parte dos telefones acima listados podem ser encontrados pelo site "achecerto", bastando digitar no Google. Ele indica os telefones como sendo de uma empresa situada na Rua 7 de Abril, 230, 10º andar, conjunto 101, no Centro de São Paulo. Olho vivo nesse pessoal, vale a pena!
Atenção: no texto "Cuidado com telefonemas falsos!", o leitor terá uma lista mais completa dos telefones suspeitos. Vou aos poucos identificando mais alguns.

26 de janeiro de 2009

Reféns do Terror

2h35m da manhã de domingo para segunda-feira, 26 de janeiro de 2009 . O telefone toca e nos acorda. Vou viver um drama que milhares de brasileiros já viveram ou vão viver. Do outro lado da linha, a voz de mulher com timbre jovem se esgoela:
- Fui assaltada, pai! É (e diz o nome da minha filha, que está viajando), pai!
- O que houve com você, filha?
A essa altura todo mundo acordou em casa. Há terror no rosto da mãe e a irmã está sentada na cama, pernas cruzadas, imóvel, como quem reza.
- Fui assaltada!, repete. E vem ao telefone a voz de um homem: "É o pai da (e diz o nome de novo)? Sua filha está comigo. Agora ouve: nós mata ela se você...
Desligo o telefone. Chamo minha filha pelo celular mas ele está fora de área. O terror aumenta. Quem sabe no telefone da casa da minha sobrinha, onde ela está? Com o medo estampado no rosto, a mãe não consegue encontrar na agenda. Não se lembra. Descontrolado, xingo todo mundo bem alto. Minha filha pega o celular da mãe, encontra o telefone da prima e liga para lá. Pergunta se é a minha sobrinha. Não é. Então, quem é? Era minha filha mesmo, a irmã dela, que acabava de acordar com o barulho do telefone. Todo mundo desaba de alívio. Corro ao banheiro para urinar.
Como esses canalhas conseguiram meu nome? Meu telefone? O nome da minha filha mais nova? E como sabiam que ela estava viajando?
Só depois de voltar, atento para um detalhe: no bina do telefone convencional onde atendi a ligação dos criminosos está o número 9249-3178. Mas ele é do Rio de Janero (021) e não da cidade onde minha filha se encontra. Como atentar para esse "detalhe" na hora do desespero?
Pela manhã, na Polícia, o policial anota o número. Vai passar para os policiais do Rio de Janeiro. O celular será bloqueado (presumo...) mas, em menos de 24 horas, os criminosos encontrarão mais cinco, dez, vinte - quantos forem necessários - celulares roubados. Esse também é roubado. E não há nada, absolutamente nada que se possa fazer para proteger a mim, cidadão, ou a qualquer outra pessoa nesse Brasil onde pagamos impostos injustos, tentando sobreviver à sanha do Estado perdulário, composto por demagogos e corruptos, afora algumas exceções.
Bagda é aqui.
E somos reféns do Terror.

23 de janeiro de 2009

"Cumprindo ordens"

Agora que o presidente Barack Obama assinou uma determinação legal proibindo torturas nas instalações militares dos Estados Unidos e marcando o fechamento da prisão de Guantánamo para dentro de no máximo um ano ou qualquer coisa além disso, podem escrever que as torturas vão parar. Afinal, os torturadores estavam até agora apenas "cumprindo ordens superiores".

Um psicólogo norte-americano, Jerry Burger (primeira foto acima) escreveu um que praticamente é a confirmação de outro, de Stanley Milgram (foto do meio) e no qual ambos dizendo que a obediência cega a ordens é uma realidade hoje como foi ontem. Principalmente a obediência a ordens superiores.
Burger fez um experimento com alunos seus. Com um ator em uma sala e uma espécie de máquina de choques que na verdade não funcionava, pediu a alunos seus para darem choques de intensidade progressiva no cobaia. Raros se negaram. E os choques começavam nos 15 e terminavam apenas nos 450 volts. O psicólogo procurou traços nas pessoas que davam os choques para tentar descobrir um padrão ou gestos de compaixão. Não os descobriu. Os estudantes apenas demonstravam estar fazendo o que era correto para os estudos. Esse material todo está no livro Personality (Personalidade, 2008).

Os soldados norte-americanos do Afeganistão, Iraque e da base de Guantánamo, onde funciona a prisão de segurança máxima Camp D acreditavam estar fazendo a coisa certa ao torturar porque isso lhes havia sido dito por seus superiores. E os "inimigos" eram pessoas más.

Da mesma forma, em 1961, quando os juízes que julgavam o carrasco nazista Afolf Eichmann (última foto abaixo) em Israel perguntaram a ele porque havia mandado milhares de judeus para morrerem nos campos de concentração, ele respondeu apenas: "Cumpri ordens".

A obediência cega ainda precisa ser mais pesquisada, estudada. Aqui no Brasil, entre 1964 e 1985, época em que durou o regime militar (que eu, prosaicamente, chamo de Ditadura Sanguinária), milhares de pessoas foram torturadas nos porões do Estado. Centenas morreram. Afinal, eram subversivas e queriam o fim do Brasil (sic!).

Os prisioneiros de Guantánamo, os que ainda estão no Iraque e no Afeganistão, não mais serão torturados. Daqui para a frente,os militares continuarão a cumprir ordens vindas de cima, cegamente. Só que as ordens agora são ao contrário.

8 de janeiro de 2009

A Terceira Ponte


O episódio que vive o Espírito Santo hoje, com uma quebra de braço entre o Governo do Estado e a Rodosol, concessionária da exploração da Terceira Ponte (foto) e Rodovia do Sol, mostra os cuidados que devem nortear os contratos de concessão de serviços públicos. Hoje, a população da Grande Vitória é pessimamente servida pela concessionária da ponte e rodovia, e o Governo terá de recorrer à força para melhorar os serviços, além de ter de arcar, ele, com o custo de obras capazes de desafogar o trânsito na Região Metropolitana.


Atualmente o Brasil vive uma fase de concessões de serviços públicos. Em grande parte dos casos, para exploração de rodovias federais. Além dos pedágios que a população terá de pagar - o que significa bitributação, posto que já existem impostos para essa finalidade -, será necessário ter muito cuidado para com o interesse público. Os exemplos mostram que, no Brasil, diversas empreiteiras e concessionária vivem do dinheiro dos impostos do cidadão, sem nenhuma preocupação para com a qualidade dos serviços prestados.


O Governo do Espírito Santo tem não apenas o direito, mas o dever, ético e moral, de forçar a Rodosol a pensar no cidadão. E todos, municípios, estados e Federação, devem agir de modo a preservar o interesse coletivo acima dos interesses de grupos ou empresas.

5 de dezembro de 2008

Pauperismo metafórico


O dia 04 de dezembro de 2008 foi triste para a história brasileira. Falando no Rio de Janeiro, em público, com imagens de TV sendo gravadas, o presidente Lula comparou a crise econômica mundial a "uma diarréia" (que classe!). Imaginou-se um "Dom Quixote pregando sozinho o otimismo." (nunca deve ter lido Dom Quixote!). E completou justificando esse otimismo usando de mais um artifício de metáfora insana: perguntou ao público se eles preferem que o médico, ao receber o paciente grave, diga a ele que vai tratá-lo com remédios ou, então, que afirme: "Meu...sifu!". Foi o fim da picada.


São de Lula, sobre a crise econômica atual, as seguintes afirmações:


30 de março de 2008: ”Bush, meu filho, resolve a sua crise”;
17 setembro 2008: “Que crise? Pergunta pro Bush”;
29 de setembro de 2008: “O Brasil, se tiver que passar por aperto, será muito pequeno”;
30 de setembro de 2008: ”A crise é muito séria e tão profunda que nós ainda não sabemos o tamanho”;
22 de setembro de 2008: ”Até agora, graças a Deus, a crise não atravessou o Atlântico”;
4 de outubro de 2008: ”Lá, a crise é um tsunami. Aqui, se chegar, vai ser uma marolinha, que não dá nem para esquiar”;
5 de outubro de 2008: “Queremos que esse tema da crise seja levado ao Congresso”;
8 de novembro de 2008: “Ninguém está a salvo e todos os países serão atingidos pela crise”;


Recordo-me de um jornalista, Walmor Miranda, que tinha algumas tiradas interessantes. Gostava muito do jornal A Gazeta, onde trabalhava, e quando via alguém fazendo alguma coisa que pudesse prejudicar ou comprometer sua empresa, dizia: "Coitada d'A Gazeta!"


Faz muitos anos que o velho Walmor morreu. Mas hoje sinto vontade de dizer, diante desse pauperismo metafórico que não impede o presidente de bater recordes de popularidade ao mesmo tempo em que coleciona uma incrível quantidade de besteiras e insanidades ditas em público, o inevitável:


- Coitado do Brasil!

27 de novembro de 2008

O CFJ, a má fé e os sofismas


Vira e volta, anda e pára, e o assunto "liberdade de informação" ou de "expressão" volta à baila. Na maioria das vezes, trazido ao público pelos chamados "órgãos de comunicação". Foram eles que torpedearam recentemente as tentativas de se criar um Conselho Federal de Jornalismo (CFJ), assunto enviado e que chegou a ser aprovado pelo Congresso Nacional.


O que estaria por trás disso?


Duas coisas e dois vícios de origem: o primeiro, partido dos proponentes do Conselho, todos eles comprometidos com o PT - melhor dizendo, com o atual Governo - e que pretendiam fazer desse Conselho um veículo de controle da informação. O segundo, partido dos combatentes do Conselho, todos eles poderosos meios de comunicação - melhor dizendo, antigos beneficiários da ditadura militar - e que querem acabar com a regulamentação da profissão de jornalista.


São esses dois vícios de origem, e não a idéia do Conselho, o que deturpa a discussão.


Existe Conselho Federal de Medicina para fiscalizar o exercício daquela profissão. O mesmo se diga com relação ao de Engenharia, de Odontologia, de Arquitetura. E a Ordem dos Advogados do Brasil, que é o conselho federal dos juristas. Todos têm como incumbência impedir que gente estranha, não habilitada, invada uma profissão regulamentada.


Claro que quem quer controlar a informação invade um dos pressupostos básicos da democracia. Mas quem quer torpedear a regulamentação de uma profissão e se esconde por detrás de sofismas para alcançar esse objetivo, faz o mesmo.


Melhor agiriam os autores das propostas do Conselho Federal de Jornalismo se mostrassem sua cara e suas intenções. Melhor fariam os que o combatem com proposições escusas se agissem da mesma forma.


Nem os primeiros continuariam a se comportar como tem quer a volta de um estado policialesco, nem os segundos prosseguiriam agindo como se estivessem defendendo a democracia hoje, depois de viver duas décadas à margem dela, apoiando quem a estuprava.


Mas que um Conselho Federal de Comunicação, ou um Conselho Federal de Jornalismo, como instrumento de defesa de uma profissão regulamentada é uma necessidade, isso ninguém tem dúvida. Ninguém agindo de boa fé.