29 de julho de 2009

Talentos em risco


Hoje, e essa afirmação não carece sequer de comprovação, é mais fácil passar nos mais concorridos vestibulares brasileiros do que ingressar no serviço público. As melhores colocações desta área são objeto de desejo de milhares de candidatos, muitos dos quais passam anos estudando e frequentando cursinhos específicos.
Então, podemos afirmar sem medo de errar: está ingressando atualmente no serviço publico brasileiro a nata de nossa intelectualidade. Os melhores técnicos de nível médio e os mais brilhantes formando de cursos superiores.
O que significa isso? Significa que corremos o risco de ver todos esses talentos serem desperdiçados, serem destruídos pelos vícios desse setor no Brasil.
Dentro em breve, a esmagadora maioria estará chegando ao trabalho às nove horas ou mais. Saindo dele no máximo às 17 horas. Estarão quase todos lutando por mais feriados, por "enforcamentos" dos já existentes e fazendo "cera" nas repartições. Feriados de terças-feiras "enforcam" as segundas. O das quintas-feiras, "enforcam" as sextas. E assim por diante. Aperfeiçoamentos profissionais serão raros. E dentro de pouco tempo, esses jovens servidores não serão mais os melhores. Estarão todos contando os meses, os dias, para a aposentadoria.
Muitos economistas e outros profissionais preocupados, como juristas, pedem uma reforma na legislação do serviço público. Com a instituição da meritocracia e a diminuição dos privilégios hoje existentes. Eles não levam ao crescimento. Ao contrário, encaminham o indivíduo à destruição de suas qualificações profissionais.
E os servidores se acomodam ganhando dinheiro público. Não trabalham graças aos nossos impostos. Deixam de crescer acreditando em despreocupados finais de vida.
Notem: todos os que se inscrevem nos concursos fazem isso porque terão "garantias" se aprovados. E essas garantias durarão o tempo que houver entre a contratação após o concurso e a aposentadoria. Um "sonho" de situação trabalhista!
O servidor público brasileiro tem que ser um agente de mudança. Da mudança dessa situação. Ele é o mais interessado, embora muitos não se apercebam disso!

14 de julho de 2009

O "dono do pedaço"


No bairro da Praia do Canto, em Vitória, região de classes média alta e alta, há um condomínio chamado Residencial Parque Palos Verdes. Fica numa região nobre e consta de dois prédios. Um dias desses, poucos dias atrás, a síndica viu-se diante de um homem negro, obeso, calçando chinelos de dedo, bermuda e camisa molhadas, flanela nas mãos. E ele disse:
- Dona "fulana". Quero reclamar de dona "sicrana", moradora desse condomínio. Ela tem quatro carros, só uma vaga de garagem. Deixa todo dia três carros na rua, atrapalhando meu espaço de ganhar dinheiro!
E exigiu providências. Era o "dono do pedaço".
O homem descrito acima é um flanelinha. E o fato narrado, real e me foi narrado pelo marido da síndica em questão. Mostra que ponto estamos chegando nas grandes cidades com a permissividade atual. Demagogicamente, deixamos de enfrentar o problema dos flanelinhas com o argumento de "problema social". Não é. Trata-se de extorsão e caldo de cultura de coito de bandidos. Se a Polícia fizer uma triagem naqueles indivíduos, vai descobrir que a maioria é velha conhecida. "Tem passagem", como se diz. Basta enviar "viaturas", também como se diz, para conferir o que digo.
Os flanelinhas mandam nas ruas. E nos cidadãos que pagam impostos. Pintam até faixas delimitadoras. Um deles, certa feita, empurrou um carro para bloquear o meu, ao lado do Palácio Anchieta, onde trabalha o governador. E explicou: "O senhor poderia ir embora sem pagar. São R$ 2,00." E esse era um bom sujeito. Outro disse a uma amiga minha que a "tarifa" era de R$ 7,00. Lavando ou não lavando o carro.
Um terceiro abordou um cidadão que parava seu veículo em Jardim da Penha, bairro classe média da zona norte de Vitória. O motorista, para não arranjar problema, disse a ele para "vigiar" o carro. Então, ouviu:
- Mas paga logo porque daqui a 10 minutos eu paro de trabalhar e vou embora.
Era fim de expediente!
A coisa não é engraçada. É séria. Não tanto quanto o Senado, mas merece atenção. Quando a cobra cresce muito, fica mais difícil controlar o dano que ela provoca. Nós já não temos, ao nosso lado, só o ovo da serpente. Ela nasceu, está crescendo e muita gente não a vê. Ou não quer ver.

3 de julho de 2009

O negócio da saúde


Vou falar sobre um assunto que não quer calar: a saúde virou um grande negócio no Brasil. E onde algo vira negócio um grande negócio, passa a visar lucro. E se passa a visar lucro, quem não tem como pagar a conta acaba morrendo de inanição.
O presidente Lula - estaria ele viajando hoje e agora? - costuma falar de improviso. São milhares e milhares de metáforas, a maior sobre futebol, a quase totalidade de baixo nível (mas é o nível dele, fazer o que?). Nunca o ouvi falando sobre projetos de governo, decisões políticas de grande escopo, visando a dar aos brasileiros um atendimento de saúde minimamente aceitável. Vez ou outra, determina algum vintém para o setor. Seu ministro da pasta está preocupado com a dengue e a gripe suína. E pensa, quem sabe, que o assunto saúde nasce e morre nesses dois pontos. O primeiro dos quais seria fácil de ser resolvido caso o Brasil tivesse, também, uma política nacional de saneamento básico sério.
Tenho um caso de doença na família. Foi preciso uma ordem judicial para que o plano que essa pessoa paga fosse obrigado a liberar um medicamento de alto custo. Dá prejuízo fazer isso sem ser à força. E saúde, repito, é um grande negócio.
Os hospitais públicos são pardieiros. Os médicos trabalham pouco porque ganham pouco nessa atividade, o que é economicamente compreensível, mas eticamente inadmissível. Não há equipamentos de ponta e pessoas morrem diariamente nas filas dos ambulatórios e setores de emergência. Por onde Lula nunca passa. Até porque está sempre viajando.
Aliás, ele quer ser substituído pela ministra Dilma Roussef. Que bom. A ministra tem a mesma doença do meu parente, mas se trata no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Lá só têm atendimento os que podem pagar ou detêm poder, como é o caso do vice-presidente José de Alencar, um doente terminal. E esse tipo de tratamento geralmente correm à custa de dinheiro público. Da velha e conhecida "viúva", mesmo quando a autoridade alega que seu plano de saúde é coberto com recursos próprios. Afinal, trata-se de dinheiro público.
Vamos lembrar a ela, à ministra, que a saúde está em estado terminal. E perguntar também que projetos ela tem para o setor. Se coloca as promessas no papel, assina e reconhece firma. Afinal, ela e os demais candidatos vão precisar do aval daqueles que morrem nas filas.
Dos que não morrerem as eleições, claro!

22 de junho de 2009

A culpa é do mordomo


Roseana Sarney, descobriu-se no final da semana passada, tem um mordomo particular que ganha mais de R$ 12 mil mensais. Mas o dinheiro não sai da conta bancária da "proba" governadora do Maranhão. Sai da minha e da sua conta bancária, leitor. É verba pública. Dinheiro dos impostos pagos pelos cidadãos.
A crise de honestidade e de ética é do Senado, sim. Também da Câmara Federal. Também dos legislativos estaduais e municipais. Não é só do presidente do Senador, José Sarney, como ele disse em um discursos semana passada. Mas é preciso assumir, presidente Sarney, que o senhor é o "cappo di tutti cappi". O grande chefe!
É imensa a lista de imoralidades do Senado da República. E ela tende a crescer, e muito, porque há milhares de coisas por surgir. Milhares da acusações por serem feitas. Milhares de danos causados ao erário por serem reparados. E isso precisa ser feito em nome da decência e dos valores republicanos que o Legislativo brasileiro desrespeita.
A crise não é de Sarney somente; é do Senado.
Mas o neto que ganhava dinheiro público é de Sarney. E o mordomo que recebe uma fábula para trabalhar na casa de Roseana, serve à filha de Sarney.
Ora, bolas. Como bem disse o presidente Lula, o presidente do Senado não é um homem comum. Seu neto, obviamente, também não. Sua filha, menos ainda. O único homem comum nesse pequeno imbroglio que cito aqui é o mordomo.
Obviamente, a culpa é dele!

19 de junho de 2009

O vilipêndio


Há quase 40 anos, quando comecei a trabalhar como jornalista, a regulamentação da profissão era coisa recente. E as redações de jornais estavam pontilhadas de pessoas com baixa escolaridade e de outras que faziam da atividade jornalística um "bico". Meio de ganhar dinheiro até se formarem ou se firmarem em outras atividades.
Os salários eram miseráveis. Não havia união da categoria. E uma luta intensa teve de ser travada até que a profissão mostrasse sua cara, começasse a revindicar, crescesse intelectualmente e ocupasse seu lugar na sociedade. Foram os jornalistas a linha de frente da luta contra a ditadura militar, a violência do Estado, a falta de democracia.
O Supremo Tribunal Federal tornou nula a regulamentação da profissão de jornalista atendendo a anseios do baronato que dirige os principais órgãos de Comunicação do País. Os mesmos que estavam ao lado da ditadura quando contra ela lutavam os jornalistas. Inclusive em defesa da dignidade da Justiça, então diariamente vilipendiada.
A decisão do Supremo não assegura a liberdade de expressão. Por ela, repito, lutaram os profissionais dos meios de Comunicação. Liberdade de expressão existe de fato e de Direito desde 1985. E nem o jornalismo é uma atividade pequena, que pode ser exercida por pessoas de baixa escolaridade. Com conhecimento geral quase igual a zero.
A decisão do STF é um vilipêndio. Um atentado à sociedade. Uma agressão a uma categoria profissional que lutou pela democracia e pela dignidade das demais profissões.
O presidente do STF só está certo quando diz que os cursos superiores de Comunicação não garantem a dignidade de ninguém. Isso é correto. Da mesma forma que o estudo de Direito também não consegue isso. Os últimos escândalos envolvendo magistrados dos mais diversos lugares, inclusive das altas Cortes, falam por mim.


29 de maio de 2009

O "direito" de destruir


"Os órgãos de imprensa não são obrigados a ter certeza plena dos fatos, como ocorre em Juízo".
Esse teria sido o entendimento da ministra Nancy Andrighi, da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), para dar ganho de causa à Globo Participações S/A, processada por um jornalista capixaba que foi injustamente citado como sendo membro de uma tal "máfia das prefeituras", em reportagem do Fantástico. Cabe recurso contra a decisão e o jornalista está recorrendo.
O que assusta, nesse caso, é o fato de que, suspensa a Lei de Imprensa, um entulho da ditadura militar, o Código Civil esteja sendo usado agora para julgar casos anteriormente cabíveis no texto legal ditatorial, mas dando às empresas de Comunicação um poder inusitado.
Se a "imprensa" (sic!) não é obrigada a ter certeza plena dos fatos, então qualquer empresa jornalística menos séria pode usar seu poder de fogo para destruir reputações. Isso é um risco inimaginável, mesmo no Estado de Direito. Principalmente porque o termo "imprensa", que se vincula unicamente a quem imprime, no caso serve também a rádio, televisão, web e outros.
Fui um dos que muito combateram a Lei de Imprensa. Jornalista profissional que sou, atuando em jornal diário durante quase 28 anos, combati o bom combate. Era membro do Partido Comunista Brasileiro, o antigo Partidão, e corri risco, inclusive de vida, lutando contra a ditadura e as chamadas "leis de exceção" daqueles 21 anos.
Mas nem eu nem a maioria dos jornalistas mais veteranos fizemos isso para ver empresas de comunicação donas de tamanho poder. Ainda mais porque sabemos que muitas delas usam sua força para agredir aqueles de quem não gostam. Para humilhar e destruir os eleitos como adversários e inimigos.
Sem nos referir especificamente ao jornalista que teve sentença desfavorável e nem também à Globo, pois esse processo é um problema entre as duas partes, ainda assim o novo entendimento legal preocupa. Liberdade tem limite. Direitos, também.
E um dos limites se situa na honra, na honorabilidade das pessoas. Algumas não têm outro bem que não este. E ninguém tem o direito de furtá-lo delas.

22 de maio de 2009

O "problema social"


- É um problema social!
Assim grande parte das autoridades brasileiras reagem, e não acontece diferente aqui no Espírito Santo, quando o flagelo dos "flanelinhas" é tocado. Sim, porque os brasileiros são obrigados a pagar uma infinidade de impostos e, como se não bastasse isso, ainda são extorquidos todas as vezes que estacionam veículos em milhões de pontos das grandes cidades brasileiras.
Um belo dia tive que ir ao Centro de Vitória, Capital do Espírito Santo. Ao encontrar uma vaga, parei o carro e um flanelinha foi logo dizendo:
- Vou vigiar seu carro, tio. São R$ 2,00. Baratinho!
Nem respondi. Ao voltar, um outro veículo havia sido colocado atrás do meu. O flanelinha veio logo correndo e estendeu a mão para receber. Colocou a nota de R$ 2,00 no bolso, empurrou para a frente o carro que bloqueava o meu e disse:
- Faço isso porque muita gente safada vai embora sem pagar.
Eu estava ao lado do Palácio Anchieta, sede do Governo do Estado do Espírito Santo.
Estamos permitindo, em nome da demagogia da defesa do "problema social", que um novo tipo de banditismo se instale no Brasil. Um sistema de extorsão que tira dinheiro dos cidadão porque, se eles não pagarem, terão seus carros danificados. Estamos permitindo, em nome da demagogia da defesa do "problema social", que incontáveis marginais se escondam sob a alcunha de "guardadores de carros" para orientar ladrões, auxiliar essas pessoas, ou então apenas e tão somente amedrontar aqueles que precisam estacionar.
O maior problema social do Brasil está em Brasília, onde se rouba à larga. Outro problema social é a inexistência de fronteiras claras para o exercício das funções constitucionais dos três Poderes que nos representam. Isso faz com que prolifere o clientelismo, a contratação de parentes, os desvios de funções e outras aberrações mais graves. E que se eternize, sem um final, a decisão sobre as soluções dos principais problemas nacionais.
Criar um novo tipo de gangsterismo de favela não é resolver problema social. Alimentar a extorsão ao cidadão não é representá-lo.
Se alguém não acredita nisso, tente estacionar um carro na Praça João Clímaco, ao lado do Palácio do Governo do Estado do Espírito Santo. Ao lado de policiais escalados para fazer a segurança do governador e todos os seus secretários e demais auxiliares.
E não apenas aqui. Tentem isso ao lado de outros palácios, sejam eles estaduais ou federais. Sem se esquecer, é claro, das prefeituras. Senão seria injustiça!
Tem que haver um fim para isso. Isso não é problema social!

8 de maio de 2009

Mortos de segunda classe


Vira e volta, e pelos mais variados motivos, entra em pauta a questão dos massacres nazistas cometidos contra civis na II Guerra Mundial e que a comunidade judaica internacional cunhou como sendo o "Holocausto". E também, vira e volta, surge alguém como o presidente do Irã, Mahmud Amadinejah, para dizer que o fato jamais existiu.
Há louco para tudo. Até mesmo para tentar negar evidências históricas do tamanho desta.
Mas quero falar de outra coisa. Note o leitor uma particularidade: o "Holocausto" fala apenas e tão somente nos 6 milhões de judeus que morreram na II Guerra Mundial assassinados pelos nazistas. Judeus e mais ninguém. Seria esse o número oficial, final, envolvendo esse povo.
Não é bem assim. O massacre nazista foi "democrático". Embora os judeus tenham sido a grande maioria das vítimas, o maior e mais cruel genocídio conhecido ceifou também vidas de comunistas, negros, homossexuais, ciganos, opositores políticos, deficientes físicos e mentais e outros seres humanos. Todos aqueles que ousavam se opor ao nazifascismo ou então eram considerados seres inferiores pelos ideólogos daquela ideologia (se é que a gente pode usar o termo para classificá-los).
Da forma como o fato hoje é apresentado ao público, parece que os outros mortos são cidadãos de segunda classe. Ou então minoria tão desprezível que não merece ser citada. E não há nada, rigorosamente nada mais cruel do que fazer isso.
Que Israel lembre sempre o horror nazista falando apenas de seus mortos, de seu povo, é compreensível. Mas que o Ocidente, com eco tão forte no Brasil, faça coro a isso, não se concebe. Vamos continuar a lembrar o que aconteceu de 1939 a 1945 para que não se repita nunca mais. Vamos continuar combatendo os neonazistas. Mas, em nome dos mais comezinhos critérios de Justiça, sem jamais nos esquecer de TODOS os que morreram naqueles tristes anos de ódio.

5 de maio de 2009

Isso é que é vida...


Não é só o Congresso Nacional, ao que parece, quem promove a farra de gastos com as passagens aéreas para parentes, amigos, assessores ou lobistas. A Presidência da República gasta a média de R$ 270 mil reais por mês com despesas de viagem em vôos comerciais para filhos, parentes ou agregados do presidente Lula. Não se usa o avião da presidência ou os "sucatinhas" para não chamar muito a atenção.
Corre nos corredores do Congresso que a Presidência manda emitir de 40 a 65 passagens por mês para o deslocamento dos filhos de Lula pelo Brasil. Senadores ironizam que o Planalto parece ter instituído uma ponte aérea subsidiada com Santa Catarina – onde moram a filha de Lula e o genro dele. Há registros de viagens emitidas para a Inglaterra, França, Grécia e Itália (país onde a primeira-dama Marisa Letícia e os filhos de Lula também têm nacionalidade reconhecida).
A denúncia sobre os gastos com passagens promovida pela presidência pode vazar (ou não) a qualquer momento no Congresso. Os senadores e deputados ficaram fulos da vida por se transformarem nos únicos alvos da campanha da imprensa contra a chamada "farra das passagens". E houve ameaças de divulgar, oficialmente, que o Presidente da República também comete seus pequenos abusos com as passagens subsidiadas pelo dinheiro público.
Esse novo episódio pode fazer com que as pessoas se lembrem de outros, ocorridos no início da primeira presidência de Lula, quando seus filhos e amigos destes foram flagrados fazendo farra na piscina do Palácio do Planalto (foto ao alto) e num dos jatos que servem a presidência (foto logo acima). Numa das filmagens um deles dizia: "Isso é que é vida!"
Então, se essa nova "pequena farra" vazar, Lula tem dois comportamentos previsíveis. Primeiro, negará que saiba de alguma coisa. Mas, caso seus assessores considerarem tal procedimento normal, certamente vão utilizar argumentos de segurança nacional para justificar o financiamento de passagens aéreas para parentes do presidente. O General Jorge Armando Félix, do Gabinete de Segurança Institucional, talvez venha a ter mais dor de cabeça. E o Secretário de Comunicação Franklin Martins, idem.
Em tempo: as fotos que ilustram esse texto foram colocadas pelos próprios filhos do presidente em seus blogs. Depois que o jornal Folha de S. Paulo as descobriu e publicou, elas foram imediatamente retiradas. Com toda certeza, depois de um pito do papai e da mamãe.

27 de abril de 2009

O cumprimento da liturgia


Sábado, conversava eu com um juiz federal, num papo entre amigos. E, como não poderia deixar de ser, surgiu no horizonte da conversa o assunto do bate-boca ocorrido entre os ministros Gilmar Mandes e Joaquim Barbosa, no Supremo Tribunal Federal (STF).
O juiz disse então que, nas cortes superiores, não se concebe que o voto de um desembargador ou ministro seja contestado por outro. Criticado. Quem dá o voto, o justifica e passa a palavra ao próximo. Este, por sua vez, dá seu voto e o justifica, seguindo-se os demais votos. Eles podem ser diferentes, conflitantes, mas ninguém interrrompe ninguém para questionar, contestar ou censurar o voto já emitido. Deve haver respeito pelas opiniões dadas e pelas interpretações legais que nascem do saber e do entender de cada um. Essa é a liturgia do Direito nas cortes superiores, sejam elas estaduais ou federais.
O que, então, está acontecendo na maior corte do Justiça do Brasil?
Ouso dizer que a presença da TV está transformando - ou seria transtornando - algumas pessoas. Magistrados estariam julgando preocupados com o holofotes, com a repercussão de seus votos. Interessados em conquistar prestígio pessoal. Isso geraria a maior parte das interrupções e das desavenças nas cortes de Justiça. Sobretudo no STF.
Costuma-se dizer que magistrados falam nos processos. E o que eles têm a dizer se esgota aí. Não sabe a eles ficar dando entrevistas e explicando o que já foi dito.
Mas a culpa é da TV? O correto é impedir que a TV transmita ao vivo assuntos de interesse público, que tocam ou modificam a vida de todos nós? Claro que não.
Cumpre aos senhores ministros refletir. Não importa a presença das câmeras nas sessões do STF ou outra corte. Não importa saber se todo o país acompanha o voto de cada um. Cabe à Justiça fazer apenas o que se espera dela. Cumprir sua liturgia.

9 de abril de 2009

Censura e direito de resposta


De ordem do Sr. Ministro da Justiça está proibida a publicação do decreto de D. Pedro I, datado do século passado, abolindo a Censura no Brasil. Também está proibido qualquer comentário a respeito
Pode parecer piada, mas é verdade. Durante os Anos de Chumbo, o período da censura oficial no Brasil, esse foi um dos textos recebidos pelos jornalistas nas redações dos jornais: D. Pedro I foi censurado porque alguém havia invocado seu decreto para protestar contra o regime militar.
Por essa e por mais uma carrada de razões, salta aos olhos a necessidade de ser abolida a Lei de Imprensa no Brasil, como está sendo feito hoje pelo STF. Não existe lei para engenheiro, advogado, médico e nem para ninguém em particular. Só para jornalista. Mas para jornalista, da mesma forma que para todo mundo, existe o Código Penal. E outras leis.
Só que a discussão em curso hoje deixa uma preocupação: há setores que pedem, no esforço de se abolir a Lei de Imprensa, para ser retirado também da legislação o direito de resposta. Aí mora o risco. Embora seja eu capaz de afirmar que a maioria dos órgãos de divulgação e jornalistas, radialistas e outros são honestos, há os que não são. A inexistência de texto legal garantindo o direito de resposta poderá levar a vinditas, perseguições e outros tipos de atos espúrios. E não serão poucos, certamente.
É correto que esse direito muitas vezes acaba sendo exercido por quem quer dele se vale para encobrir crimes. Mas um criminoso na rua é mal menor do que um inocente condenado.
O direito de resposta deve ser considerado coisa sagrada.

3 de abril de 2009

De fazer chorar...


O Governo do Estado do Espírito Santo vai fazer, à custa do erário, obras necessárias, de complementação de acessos da Terceira Ponte, que liga Vitoria a Vila Velha. A concessionária Rodosol se recusa a fazer ela as obras, a menos que possa aumentar as tarifas de pedágio e o prazo de concessão. Leia-se: a menos que passe ao contribuinte toda a conta.
Quem redigiu o contrato que deu à Rodosol a concessão de exploração da Terceira Ponte? Pergunto, porque esse contrato é, em essência, idêntico a todos os demais de obras públicas entre os entes federativos ou a União e empreiteiras que sobrevivem à custa de construir, seja lá o que for, para o Estado. Um garrote que garante tudo aos consórcios que são formados e nada a municípios, estados ou Federação. Ou seja, ao cidadão comum. Aquele que todos os dias paga impostos, direta ou indiretamente.
A revista Época dessa semana publica anedota que corre entre pessoas que fazem negócios com o Governo. Diz assim: Deus criou o mundo em sete dias, sem estourar o cronograma nem o orçamento da obra, porque não teve de fazer licitação, contratar empreiteira e pagar propina a políticos.
Essa é uma piada lá de Brasília. Mas pode ser contada aqui também. Se alguém contá-la a algum membro da Rodosol, garanto que ele vai rir muito. Afinal, é gozada.
Só não é engraçado saber, nós que passamos pela Terceira Ponte e pagamos o pedágio caro de vez em quando - milhares fazem isso todos os dias -, que ainda teremos de arcar, indiretamente, com a conta dos novos acessos.
Saber que isso decorre da corrupção entranhada nos hábitos e costumes do relacionamento entre poder público e empreiteiras, um dos mais promíscuos dentre tantos os que existem nesse país, é simplesmente ridículo. De fazer chorar...

27 de março de 2009

O Symbol e sua opção de seguro


Se você pretende adquirir um Renault Symbol (esse aí ao lado) por esses dias - o novo lançamento em sedan - tome cuidado: você pode preferir não levar seu carro para casa.
É que a montadora lançou o carro sem que ele tivesse registro na FIPE. Esse registro, esse Código, é necessário para que as seguradoras façam o seguro do carro. Sem ele elas não têm referencial e não podem chegar a um valor. Apesar de eu saber que a Renault está quebrando a cabeça para resolver o problema, não se sabe quando vai conseguir.
Somente uma seguradora, a Indiana, ligada à montadora, conseguiu orçar o seguro para o carro que comprei e estava na concessionária, parado. Precisei retirá-lo aceitando a oferta daquela seguradora. Mas fez isso lançando um número falso de Código FIPE, o que não pode ser considerado certo. E tenho provas disso. Por falta de referencial para fazer um comparativo de preço de seguro, talvez você prefira não comprar agora. Melhor esperar.
A gente não acredita que a marca Renault, de tanta tradição, consiga protagonizar uma comédia pastelão como essa, despespeitando o consumidor. Mas ela fez assim!

19 de março de 2009

A diretoria sem espaço!


Uma vez, comentando os descalabros do atual governo, Chico Buarque de Holanda, que vez ou outra pede substituição no seu time de futebol de amigos, disse em tom de vaticínio: "É preciso criar o Ministério do Vai dar Merda". Ninguém achou coisa séria. Mas era.
Agora, o presidente do Senado, José Sarney, "descobriu" que há 181 diretores na instituição. Isso mesmo: 181 indivíduos ocupando a maior diretoria que o mundo já possuiu. Tem diretoria funcionando no estacionamento, por falta de outro espaço. Lá fica o Diretor de Estacionamento, embora ele, na verdade, seja aspone de outra coisa. Tem diretor no Aeroporto Internacional de Brasília. O Diretor de Check-In, embora ele seja aspone de outra coisa.
Há diretor para tudo. Deve haver o de Corredores, de Elevadores, de Ante-Salas, de Abajures e Assemelhados, de Lixeiras, de Secretarias, de Reformas (esse ganha dinheiro...), de Horas Extras (esse também!), de Concertos de Eletrodomésticos e Eletroeletrônicos, de Celulares, de Recepção, de Cerimonial (quanta grana...), de Licitações (riquíssimo!), etc e tal. Isso, além dos que já foram demitidos pelo "surpreso" José Sarney. Conhecido como "O Último a Saber".
Mas deve haver também, pois todo mundo ouve Chico Buarque, o Diretor de Sanitários. Também conhecido como Mestre das Privadas ou então como Diretor do Vai dar Merda. E pelo jeito já anda dando. E os sanitários do Senado - por consequência, de todo o Congresso - devem estar como anda esse aí ao lado, que tristemente ilustra o texto. Uma boa m...
Pois é, vai dar mesmo. Porque não existe país nenhum sobre a face da terra onde o descalabro, a falta de vergonha na cara e de pudor sejam tão abertamente gritantes como o Brasil.
Por isso, tenho certeza, não existe no Senado, dentre as 181 diretorias "encontradas", a da Ética. Se houvesse, eles a extinguiriam imediatamente. Lá, não há espaço para ela.

11 de março de 2009

Cuidado com telefonemas falsos!


Amigos;
venho falando disso já há algum tempo. E com retorno de leitores. Fiz um artigo, "Telefonema falso e falso sequestro" e outro, "Reféns do terror", nos quais falo sobre um drama passado por mim com um telefonema de falso sequestro e também a loucura de receber ligações de vários lugares, no meu celular ou em casa, com o telefone ficando rigorosamente mudo. Você pode ler os dois posts na relação de "janeiro 2009", que está aí ao lado.
A Vivo não dá informações. Diz que está juridicamente impedida. A Polícia não registra boletim de ocorrência porque alega não ter a quem intimar. E a gente fica tendo que atender ligações de bandidos, em certos casos com mulheres gritando, dizendo ser a filha da gente e pedindo socorro por ter sido sequestrada. Logo em seguida entra um vagabundo na linha para perguntar se a gente é o pai e completando: "Nóis é matador!"
Segundo a Polícia os telefonemas são procedentes de delegacias. Isso é um Samba do Crioulo Doido. Os sujeitos ligam de delegacias, são presos da Justiça e ninguém faz nada!
Anote esse números. São todos de vagabundos ou bandidos, que ligam para o celular ou para a casa da gente, quase todos os dias, torrando a paciência. Algum tipo de golpe eles certamente querem dar:
O (021) 9249-3178, do Rio de Janeiro, foi o dos bandidos que simularam o sequestro de minha filha. Meu pavor maior foi que ela estava mesmo viajando. Surgiu outro carioca: 3521-9404. E mais um segundo uma leitora: 2122-0649. Agora, mais três passados por um leitor deste blog: 9200-5742, 9979-6837 e 9147-9674, todos também com o DDD 021. E de criminosos que simulam sequestros.
Fiquem atentos a ele também.
Esses que se seguem são dos números que ligam e ficam mudos. Alguns foram passados a mim por leitores do blog e vão sendo atualizados à medida em que escrevo. Já coloquei mais alguns de São Paulo na relação.
Há seis Ceará (85): 3216-0510, 3255- 9900, 3466-0707, 3216.0512, 3216-0222 e 3255 0202. Segundo denúncia de leitor, o 9900 e o 0707 seriam da Oi, usados para infernizar quem cancela contas. Há outro que surgiu agora: (081) 21010021. E esse está "atacando" muito. Os de São Paulo - inicialmente era só um - (11) mas agora são 3201-4500, 2886-2600, (este, segundo informado, pertence a uma grande empresa de telemarketing, com milhares de empregados, portanto não sendo telefone malicioso. Não recebe ligações. Fica em aberto saber porque toca para os outros e fica totalmente mudo. Mas enche o saco de qualquer um. É rei das reclamações), 2113-9400, 2886-2400, 3304-4392, 3323-2672, 3369-6470, 3369-6700, 3304-9397, 3304-4392, 3305-6370, 2813-0450, 3515-4660, 2391-0150, 2391-0155, 3304-9397 e 2391-0160. Além deles, temos agora o (012) 2139-2450. Os do Espírito Santo, que não recebem ligação (27), são 3301-1571, 3301-1572, 3301-1573, 3301-1574 e 3301-1575. Mas você também pode ligar para os de baixo (1570 e inferiores) e os de cima (1576 e superiores). O recado é idêntico.
Com relação ao (11) 2113-9400, segundo leitor do blog (Chelo Trentini Pintora), pertenceria ao setor de cobranças do Citibank e vem sendo usado para fazer terrorismo contra pessoas e/ou empresas que têm contas ou pendências pecuniárias com a instituição. O que é ilegal. Vocês podem ver a correspondência do leitor, junto com diversas outras, ao final do texto.
Tem um cujo DDD ainda não sei: 7872-4030.
Mas esse outro eu sei o DDD: (48) 3203-1150. Cuidado com ele. E há outro com mesmo DDD: 2106-0049. É coisa de criminoso! As pessoas que o atenderam ouviram informações de que os "felizardos" haviam ganho prêmios. Há posts sobre isso nesse artigo.
Divulgue. Reaja. Talvez alguém faça alguma coisa!
Agora, segundo outro leitor do blog, surgiram mais dois números, ambos do Paraná: : (44) 99523019 e (44) 98078515. Estes ligam a cobrar. Não atenda de forma nenhuma. Há a suspeita de que sejam telefonemas dados por criminosos.
Um leitor mandou mais esses números: 2106-7550, 28860-2600, 3201-4500 (todos do DDD (011) e 2125-7150, DDD( 021). Outro enviou o número (011) 2886-2600. Do outro lado da linha há uma voz de homem. E só fala pornografia.
Hoje surgiu mais um número: (012) 3909-1900. Esse não fala nada e dá sinal de ocupado quando a pessoa tenta falar com ele. Já esse próximo que mostrarei, segundo outro leitor, liga para fazer ameaças. É do criminoso que usa 0 (022) 9885-2329.
Hoje surgiram mais dois números com DDD diferente, agora (o79). São eles o 9972-9407 e o 9910-7824. Cuidado com estes últimos também.
Agora, surgiu um número do Rio Grande do Sul. Vamos anotá-lo para evitar problemas futuros. De preferência, não atendendo: (051) 8214-9100. Nesse número, os pilantras dizem que são do HSBC e pedem dados pessoais. Jamais forneça!
Vejam dois telefones de São Paulo (011) e que começaram a aparecer no meu celular. Tomem cuidado com o 9211-6403 e com o 9230-7725. Os dois, depois que você atende, permanecem mudos. Ou são imediatamente desligados.
Há um outro que também perturba os leitores: (019) 3447-9300. Esse DDD, notem bem, é usado por vários municípios do interior de São Paulo, todos eles com população baixa. Recurso encontrado pelos vigaristas para tornar o rastreamento mais difícil. Cuidado com ele.
E, para terminar pelo menos por agora, mais um número que me foi enviado por leitor do blog: (071) 3266-8070. Fica mudo. Muito cuidado com ele.
Segundo uma leitora, grande parte dos telefones listados neste texto pode ser encontrado por intermédio de um site chamado "achecerto". Ela procurou no Google. Eles constam como sendo de uma empresa de nome Meta Soluções Comerciais, Atendimento e Relacionamento, com sede na Rua 7 de Abril, 230, 10º andar, conjunto 101, no Centro de São Paulo. É preciso ter olho vivo com esse pessoal.
E AGORA UM AVISO MUITO IMPORTANTE: NÃO ATENDAM TELEFONEMAS DO NÚMERO (11) 9965-0000. TODOS OS TELEFONES QUE ATENDEM ESTÃO SENDO CLONADOS. Eu já havia dado esse aviso, mas recebi hoje um reforço da informação por parte de um jornalistas aqui no Espírito Santo. TODO CUIDADO É POUCO!!!!!!!!!!
Estamos acrescentando novos números sempre. Atualizado pela última vez em 10/02/2011.

10 de março de 2009

Dom Dedé e a Inquisição


Dom Dedé, ou Dom José Cardoso Sobrinho (vejam-no no seu ofício), como preferirem, queria ver morta uma criança de nove anos que estava grávida de gêmeos, estuprada que fora várias vezes pelo padrasto. Não adiantou os médicos explicarem que uma criança que nem sequer pelos pubianos tem ainda, não pode parir dois seres humanos. Isso representa risco até para mulheres adultas.
E como não conseguiu convencer a Justiça e a família da criança a matá-la, ele excomungou mãe, médicos, etc. Todos os que estiveram direta ou indiretamente ligados à interrupção daquela gravidez absurda e indesejada. Se não morresse a criança grávida, era grande o risco de morrerem os fetos. De uma forma ou de outra, algo grave iria acontecer.
Mas Dom Dedé não entende isso. Seus dogmas estão acima do bem e do mal, da vida e da morte, da mais tênue capacidade de entendimento. Imagino que se tivesse vivido há cinco séculos, o bispo de Olinda e Recife mandaria para a fogueira todos os envolvidos na interrupção da gravidez da menina. É triste. E ainda por cima porque ele é o titular de uma diocese que durante muitos anos teve como arcebispo ninguém menos que Dom Helder Câmara.
Não adianta discutir com Dom José. Ele vive nos tempos da Inquisição. Tem sua Inquisição pessoal, privada, e para que a autoridade episcopal não seja contestada toda a Igreja aprovou suas bulas de excomunhão. Em breve, Dom Dedé deverá pegar uma caravela para Roma onde uma carruagem de ouro o levará ao Papa para outras homenagens.
Mas felizmente a menina estuprada está viva. E deverá ser curada mentalmente também.

5 de março de 2009

A posse e a dúvida


Um fato incomum: houve engarrafamento de trânsito ontem (04/03), no final da tarde, para a posse do médico Luciano Rezende (PPS) como Secretário de Esportes do Estado do Espírito Santo. Ex-remador, especialisa em Medicina Esportiva, com experiência em controle anti-doping de competições internacionais (como membro do COI), ele recebeu do governador Paulo Hartung (PMDB) carta branca para agir.
Mas sobretudo para fazer duas coisas: criar uma lei de incentivo ao esporte no Espírito Santo - sumamente necessária - e terminar as obras do Estádio Kleber Andrade, hoje do Governo do Estado, para que o Espírito Santo tenha um endereço onde o futebol e outras modalidades esportivas possem se desenvolver.
Luciano ainda quer dar ênfase ao esporte estudantil. Ele admitiu que as escolas brasileiras têm poucas instalações esportivas e, talvez por cortesia para com alguns presentes, não disse que parte dessa "herança" deve-se à ditadura militar. Ela queria acabar com a atividade política estudantil pós-64 e, para isso, atacou os grêmios estudantis, bem como todas as formas de associação entre jovens estudantes. As instalações de esportes, locais de grandes concentrações, foram algumas das vítimas dessa "repressão". Com reflexos negativos até hoje.
Talvez Luciano consiga alcançar seu intento. Será bom muito menos para ele e muito mais para a população capixaba, sobretudo os jovens. De boa sorte é o que precisa Luciano Rezende.


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Eu fiquei me atendo a um outro fato, este "subalterno", da posse. Em seu discurso, diante do ex-senador Roberto Freire, figura ímpar na dignidade da política brasileira, o governador Hartung lembrou sua militância política no velho PCB - onde eu também estava - e disse que, ao final de seus oito anos de mandato, quer ser lembrado, não com saudade, mas com respeito. E completou afirmando que, para isso, precisa completar o trabalho de formação de quadros que iniciou desde o primeiro dia de seu primeiro governo, quando se dispôs a fazer uma administração "de mãos limpas". Era um contraponto com a administração passada.
Ouvi aquilo com atenção. À minha frente estava Roberto Freire. Corri os olhos pela multidão de pessoas presentes, todas aplaudindo freneticamente as palavras proferidas pelo governador - aplaudiriam até os pigarros - e pensei com os meus botões:

- Quantos Cabo Anselmo ainda poderá haver por aqui?

2 de março de 2009

Vamos denunciar telefonemas falsos!


A reação dos leitores desse blog à matéria que escrevi denunciando os trotes telefônicos e crimes com telefones é pano de fundo para uma outra denúncia: não se faz nada, rigorosamente nada para coibir esse tipo de ato criminoso. Em Reféns do terror, contei a história de pânico passada por mnha família numa determinada madrugada, quando marginais ligaram para minha casa fingindo ter sequestrado uma filha minha que havia viajado. Em Telefonemas falsos e falsos sequestros, enumerei alguns dos telefones dos quais vagabundos e vagabundas ligavam para mim, no celular e na minha casa, com o mais absoluto silêncio quando o telefone era atendido. Eram interurbanos, na maioiria das vezes, e nem sequer a cobrar.
O que se argumentou para explicar isso: "Senhor, são telefonemas de dentro de delegacias!". Inclusive o do falso sequestro de minha filha? "Sim, senhor".
Que maravilha! Que país fantástico! Bandidos ligam de dentro de delegacias, fingem estar matando pessoas - as mulheres gritam fingindo ser a filha da gente - e nenhuma autoridade pode fazer nada. Pior do que isso: ninguém ouve nada. Porra nenhuma!
Tentei de todas as formas saber de onde vinham os telefonemas mas não consegui. O tal "sigilo telefônico", pretensamente protetor da minha e da sua privacidade, protege o criminoso nas delegacias de onde ele pode telefonar a todo momento, para todo mndo, sem que ninguém possa - ou queira - fazer nada. Isso é o Samba do Crioulo Doido!
Só para lembrar, eis alguns dos telefones usados por bandidos: três do Ceará (85) são 3216-0510, 3216.0512 (passado por Leandro, leitor do blog) e 3216-0222. O de São Paulo (11) é 3201-4500. Os do Espírito Santo, que não recebem ligação (27), são 3301-1571, 3301-1572, 3301-1573, 3301-1574 e 3301-1575. Mas você também pode ligar para os de baixo (1570 e inferiores) e os de cima (1576 e superiores).
Existem outros, claro. Muitos outros. Vamos fazer o seguinte: denunciar o maior número possível. Tentar de todas as formas chamar a atenção das autoridades. Antes que um bandido desses sequestre efetivamente uma filha nossa ou de um deles, as mate e providências sejam tomadas depois disso. Seria muito melhor agora, sem o sangue correr.

12 de fevereiro de 2009

Aposentado tem que morrer!


Veja bem a foto aí ao lado. Aquele idoso senhor, mais ou menos desgastado pelo tempo, um aposentado, encontra-se num asilo. O lugar para o qual o presidente Lula e seu entourage mandariam todos os demais, caso isso fosse possível. Assim essa gente imprestável - no ver deles - e inútil - no ver deles - pararia de reclamar contra os aumentos da aposentadoria.
Afinal, para dar aumentos é preciso fazer algumas contas. Como negar os reajustes dos parlamentares se o governo depende deles para seus negócios, confessos ou não? Como negar os aumentos dos membros do Judiciário se há tantos processos correndo nos mais diversos escalões? Além do mais, desculpas, há: são poderes independentes. Têm o direito de viver vida de nababos. São a Bélgica nessa Belíndia em que vivemos. O senhor da foto no alto do texto é a Índia. Como a esmagadora maioria dos nossos aposentados e pensionistas.
Aliás, estou sendo injusto. Há "pensionistas" e pensionistas. Há aqueles dos poderes Legislativo, Judiciário e alguns do Executivo. Onde, por exemplo, um motorista - nada contra os motoristas - pode ganhar bem mais do que um engenheiro em início de carreira. Dane-se, caramba! Afinal de contas, nosso douto presidente não é engenheiro. O diploma que ele queria, já tem.
Não vamos reclamar. 5,92 por cento está de bom tamanho. Do tamanho da inflação oficial e do projeto do governo federal, que é nivelar todos por baixo, ganhando salário mínimo da Previdência Social. Se Dilma foi eleita, esse projeto de concretiza.
Você reclama porque o reajuste dos remédios ao longo dos últimos 12 meses foi superior a isso? E daí? Quem manda aposentado, essa gente velha, ter que tomar remédio, às vezes controlado, às vezes todos os dias? Aposentado não tem que tomar remédio. Aposentado tem que morrer no asilo, onde poucos vão ver, poucos vão saber. E Lula vai continuar curtindo os mais de 80 por cento de aprovação. Viva ele? Sim, como diria Fernando Collor, que acreditava na incomensurável capacidade de o brasileiro ser roubado sem reclamar, assim vive o líder, et caterva.
Viva ele!


6 de fevereiro de 2009

Um país, dois poderes


Vira e volta e os meios de Comunicação divulgam pesquisas nas quais o Poder Legislativo surge como o menos respeitado de todos os três do Brasil. Vira e volta e partidos políticos, com seus membros, são lançados ao balde lixo da história. Ou à latrina desta mesma história. O que acontece para que esse conceito tão desprezível perdure?
Talvez o atual corregedor da Câmara dos Deputados possa descobrir isso, caso pare para pensar um pouco, recolhido a uma das suítes de seu castelo mineiro. O castelo que ele não declarou ao Imposto de Renda ou ao Legislativo, porque está em nome dos filhos.
Talvez os presidentes da Câmara e do Senado queiram perguntar isso à população no intervalo entre uma votação e outra de vantagens pecuniárias para eles próprios e seu apaniguados.
Talvez os deputados estaduais consigam alguma luz no fim do túnel, no intervalo entre uma ida e outra aos palácios dos governadores para negociar a entrega da independência de sua instituição em troca de vantagens políticas, sobretudo para as próximas eleições.
Talvez os vereadores de milhares de câmaras municipais possam ter alguma ideia se tiverem tempo para fazer o mesmo, no caso nas prefeituras em vez de nos palácios estaduais. Aqui no Espírito Santo, por exemplo, e na Capital, Vitória, a compra do legislativo municipal, trocado por cargos comissionados na Prefeitura, é chamada de "parceria".
Portanto, talvez.
Talvez um dia eles descubram que vivemos no país de dois poderes. O terceiro está à venda.

5 de fevereiro de 2009

Shoplambança


Quando a gente olha para as imagens parece uma festa. Todo mundo rindo, todo mundo mostrando mercadorias lindas. Mas tome cuidado porque o Shoptime erra. E quando erra não quer corrigir o erro de forma alguma.
Eu adquiri produto dia 28 sob número 01-16031141. Compra feita de Vitória-ES para entrega em São Paulo. Trata-se de presente de casamento de daqui a dois dias. Nos documentos disponibilizados via internet estava tudo certo, inclusive endereço de entrega. Mas a minha surpresa chegou ao receber a mercadoria em Vitória. Tentei falar para o Shoptime para relatar a lambança feita. Ele não respeita a regulamentação atendimento em centrais telefônicas. De tempo de espera. Passa-se horas tentando falar. Fica-se ouvindo música o tempo todo. Nos contatos por e-mail, não veio resposta. E a data do casamento estava chegando... Na única vez em que uma atendente ofereceu “solução”, queria que a transportadora voltasse a Vitória, recolhesse a mercadoria para a central para ela ser conferida e, então, mandada para o endereço correto. Chegaria, quem sabe, no primeiro aniversário de casamento do casal...
O consumidor não é respeitado no Brasil. O Shoptime é empresa de âmbito nacional, 24 horas por dia na TV. E isso deve estar acontecendo a mais pessoas.
Tomem cuidado!

3 de fevereiro de 2009

Golpe de assaltantes. Cuidado

Atenção, há mais desonestos na internet querendo dar golpes. E agora este é de assalto. Leia e preste muita atenção quanto a isso:
Nos últimos dias, principalmente em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná (Curitiba) estão enviando pelos Correios uma carta com papel timbrado da NET, TVA, SKY, Directv ou outro qualquer canal de TV por assinatura. Na carta, que por sinal é muito bem elaborada , os vigaristas dizem que estão modernizando tecnologia e que será necessária a substituição de equipamento dentro da casa do assinante. Eles colocam um número de telefone (de um comparsa) para o agendamento. Se a pessoa (assinante) não conhece o golpe e não telefona para o verdadeiro número da Operadora de TV, para confirmar se isto procede mesmo, os marginais praticam o assalto em sua residência com hora marcada e com você abrindo a porta e servindo um cafezinho.
As próprias vítimas marcam o dia em que sua residência vai ser assaltada! Qualquer pessoa que receba carta deve confirmar o número com o telefone que consta na fatura mensal. Nunca com o número de telefone da carta recebida. E se receber e-mail pedindo pra atualizar o MSN para a versão 8.0, não clique pois é um vírus. E também se alguém chamado felipegadeia@hotmail.com quiser adicionar seu computador ao MSN, não aceite. É um vírus que apaga em 3 minutos todo o HD. Se alguém na tua lista adiciona, você também pega o vírus.
Atenção, portanto.

28 de janeiro de 2009

"Solução final"

O tema dos trotes de marginais é sério. Mas ontem contaram-me um fato hilário sobre o tema. É real, aconteceu no Espírito Santo e o nome da pessoa envolvida não será fornecido por razões mais do que óbvias, até porque eu estou romanceando um pouco. Ela é mulher, solteira, sem filhos, advogada com família morando em Vitória, mas residindo e trabalhando numa das mais importantes cidades do interior do Estado.
Uma bela noite ela está em casa e o telefone toca. Do outro lado da linha vem a voz ameaçadora:
- Seguinte: sua filha está com nóis. E vamos matá ela!
Imediatamente, ela finge desespero:
- Não faça isso, por favor. O que eu tenho que fazer. Quero minha filha de volta!
Para o marginal é sopa no mel.
- Anote aí: pegue o dinheiro no caixa e depois saia de casa para depositar. Vá até a rua tal, vire à direita...
- Devagar, não estou entendendo...
- Vou falar de novo. Faça o que eu mando. Vá por alí, pegue a rua tal, passe pela praça logo adiante...
- Não estou entendendo nada, moço. Por favor, fala de novo que estou muito nervosa...
- Olha, dona, presta atenção. - o sujeito já está nervoso - Saia de casa, pegue o dinheiro, vá pela rua tal, contorne a praça fulano, pegue a avenida sicrano...
- Ai, não sei ir...
- Moça, não torra a paciência. É na rua fulano, depois na avenida sicrano, em seguida na praça beltrano. Entendeu, porra?
- Olha, moço, está dando muito trabalho. Pode matar!
E desligou o telefone.

27 de janeiro de 2009

Talefonema falso e falso sequestro

- Esse telefonema do falso sequestro de sua filha pode ter relação com os outros telefonemas que você recebia!
O policial disse isso com convicção. E o fato a que ele se referia surgiu há cerca de três meses e foi relatado por mim a ele. O meu celular tocou e ficou mudou ao ser atendido. Olhei no bina e lá estava um número do Ceará. De telefone convencional. Não há ninguém lá para ligar para mim. Além do mais, quem ligaria do Ceará para um celular de Vitória sem falar. Ligações interurbanas em horário comercial custam caro.
As ligações prosseguiram. Muitas vezes por dia. Conhecedor dos números - passaram a ser dois - não atendi mais. Elas cessaram. Mas achei estranho, relatei o caso à Vivo, que é muito esperta, por e-mail, pedindo para saber que telefonemas eram esses. Veio a resposta:
"Em atenção a sua solicitação, informamos que a Vivo somente fornece as informações consideradas sigilosas (rastreamento de celular, origem das chamadas entre outros) mediante autorização judicial." E seguiam-se outras considerações, encerradas com o conselho para que eu registrasse um boletim de ocorrência, o popular BO, numa delegacia de polícia ou no Ministério Público.
Como não havia continuação das ligações, desisti. Mas elas voltaram. E para meu telefone particular, de casa. Como eles sabem esses endereços? Aos mesmos dois números do Ceará foram acrescentados um de São Paulo e vários do Espírito Santo.
Esses últimos continham uma curiosidade: eram sequenciais. Resolvi ligar para eles e ouvi, em todos os casos, a mesma gravação: "Chamada gratuita: este número está temporariamente programado para não receber chamadas".
Resolvi fazer um teste, já que se tratava de números sequenciais, e liguei para os logo acima e os logo abaixo. Deu a mesma coisa. Todos, rigorosamente todos, não recebem chamadas. Mas enchem o saco do cidadão ligando para a casa dele, para o celular dele, sem que o filho da mãe que liga diga nada.
Liguei para os números do Ceará: estão eternamente ocupados. Então, como encontram tempo para torrar a paciência? O de São Paulo é diferente: manda mensagem em inglês. Chique, não?
Creio que estou diante de uma constatação. No seu comunicado para mim a Vivo diz: "Ligações recebidas somente entrarão nos relatórios caso tenham sido realizadas a cobrar." Ora, acho que o pessoal das ligações sabe disso. Nunca liga a cobrar!
Mas, depois da ligação comunicando o falso sequestro, o policial que me recebeu na DPJ de Vitória acha que esses fatos têm relação um com o outro. Só que ele não pode fazer o BO pois não tem uma pessoa a que citar. Um endereço para constar. Um fato delituoso para ser determinado com autor. Falso sequestro é crime, certo. Mas quem o cometeu?
Você quer conhecer os números para fazer um teste ou se precaver contra eles? Então lá vão: os dois do Ceará (085) são 3216-0510, 3216.0512 (passado por Leandro, leitor do blog) e 3216-0222. O de São Paulo (011) é 3201-4500. Os do Espírito Santo, que não recebem ligação (027), são 3301-1571, 3301-1572, 3301-1573, 3301-1574 e 3301-1575. Mas você também pode ligar para os de baixo (1570 e inferiores) e os de cima (1576 e superiores). Dá no mesmo. E surgiram mais três: 9900-5742, 9979-6837 e 9147-9674, todos com DDD 021. Estão aterrorizando a vida de várias pessoas.
O número inicial, que aterrorizou a mim, minha mulher e uma das minhas filhas com a simulação de um sequestro para tentativa de extorsão era também do Rio de Janeiro (021): 9249-3178. Segundo a Polícia, com toda a certeza telefone usado de dentro de cadeia ou penitenciária.
Quando Alexander Graham Bell inventou o telefone, não poderia imaginar que no segundo país do mundo onde seria adotado, o Brasil, um dia ele se tornaria inimigo potencial do cidadão. E que as leis em vigor nesse país seriam as aliadas dos marginais.
Segundo uma leitora, grande parte dos telefones acima listados podem ser encontrados pelo site "achecerto", bastando digitar no Google. Ele indica os telefones como sendo de uma empresa situada na Rua 7 de Abril, 230, 10º andar, conjunto 101, no Centro de São Paulo. Olho vivo nesse pessoal, vale a pena!
Atenção: no texto "Cuidado com telefonemas falsos!", o leitor terá uma lista mais completa dos telefones suspeitos. Vou aos poucos identificando mais alguns.

26 de janeiro de 2009

Reféns do Terror

2h35m da manhã de domingo para segunda-feira, 26 de janeiro de 2009 . O telefone toca e nos acorda. Vou viver um drama que milhares de brasileiros já viveram ou vão viver. Do outro lado da linha, a voz de mulher com timbre jovem se esgoela:
- Fui assaltada, pai! É (e diz o nome da minha filha, que está viajando), pai!
- O que houve com você, filha?
A essa altura todo mundo acordou em casa. Há terror no rosto da mãe e a irmã está sentada na cama, pernas cruzadas, imóvel, como quem reza.
- Fui assaltada!, repete. E vem ao telefone a voz de um homem: "É o pai da (e diz o nome de novo)? Sua filha está comigo. Agora ouve: nós mata ela se você...
Desligo o telefone. Chamo minha filha pelo celular mas ele está fora de área. O terror aumenta. Quem sabe no telefone da casa da minha sobrinha, onde ela está? Com o medo estampado no rosto, a mãe não consegue encontrar na agenda. Não se lembra. Descontrolado, xingo todo mundo bem alto. Minha filha pega o celular da mãe, encontra o telefone da prima e liga para lá. Pergunta se é a minha sobrinha. Não é. Então, quem é? Era minha filha mesmo, a irmã dela, que acabava de acordar com o barulho do telefone. Todo mundo desaba de alívio. Corro ao banheiro para urinar.
Como esses canalhas conseguiram meu nome? Meu telefone? O nome da minha filha mais nova? E como sabiam que ela estava viajando?
Só depois de voltar, atento para um detalhe: no bina do telefone convencional onde atendi a ligação dos criminosos está o número 9249-3178. Mas ele é do Rio de Janero (021) e não da cidade onde minha filha se encontra. Como atentar para esse "detalhe" na hora do desespero?
Pela manhã, na Polícia, o policial anota o número. Vai passar para os policiais do Rio de Janeiro. O celular será bloqueado (presumo...) mas, em menos de 24 horas, os criminosos encontrarão mais cinco, dez, vinte - quantos forem necessários - celulares roubados. Esse também é roubado. E não há nada, absolutamente nada que se possa fazer para proteger a mim, cidadão, ou a qualquer outra pessoa nesse Brasil onde pagamos impostos injustos, tentando sobreviver à sanha do Estado perdulário, composto por demagogos e corruptos, afora algumas exceções.
Bagda é aqui.
E somos reféns do Terror.

23 de janeiro de 2009

"Cumprindo ordens"

Agora que o presidente Barack Obama assinou uma determinação legal proibindo torturas nas instalações militares dos Estados Unidos e marcando o fechamento da prisão de Guantánamo para dentro de no máximo um ano ou qualquer coisa além disso, podem escrever que as torturas vão parar. Afinal, os torturadores estavam até agora apenas "cumprindo ordens superiores".

Um psicólogo norte-americano, Jerry Burger (primeira foto acima) escreveu um que praticamente é a confirmação de outro, de Stanley Milgram (foto do meio) e no qual ambos dizendo que a obediência cega a ordens é uma realidade hoje como foi ontem. Principalmente a obediência a ordens superiores.
Burger fez um experimento com alunos seus. Com um ator em uma sala e uma espécie de máquina de choques que na verdade não funcionava, pediu a alunos seus para darem choques de intensidade progressiva no cobaia. Raros se negaram. E os choques começavam nos 15 e terminavam apenas nos 450 volts. O psicólogo procurou traços nas pessoas que davam os choques para tentar descobrir um padrão ou gestos de compaixão. Não os descobriu. Os estudantes apenas demonstravam estar fazendo o que era correto para os estudos. Esse material todo está no livro Personality (Personalidade, 2008).

Os soldados norte-americanos do Afeganistão, Iraque e da base de Guantánamo, onde funciona a prisão de segurança máxima Camp D acreditavam estar fazendo a coisa certa ao torturar porque isso lhes havia sido dito por seus superiores. E os "inimigos" eram pessoas más.

Da mesma forma, em 1961, quando os juízes que julgavam o carrasco nazista Afolf Eichmann (última foto abaixo) em Israel perguntaram a ele porque havia mandado milhares de judeus para morrerem nos campos de concentração, ele respondeu apenas: "Cumpri ordens".

A obediência cega ainda precisa ser mais pesquisada, estudada. Aqui no Brasil, entre 1964 e 1985, época em que durou o regime militar (que eu, prosaicamente, chamo de Ditadura Sanguinária), milhares de pessoas foram torturadas nos porões do Estado. Centenas morreram. Afinal, eram subversivas e queriam o fim do Brasil (sic!).

Os prisioneiros de Guantánamo, os que ainda estão no Iraque e no Afeganistão, não mais serão torturados. Daqui para a frente,os militares continuarão a cumprir ordens vindas de cima, cegamente. Só que as ordens agora são ao contrário.

8 de janeiro de 2009

A Terceira Ponte


O episódio que vive o Espírito Santo hoje, com uma quebra de braço entre o Governo do Estado e a Rodosol, concessionária da exploração da Terceira Ponte (foto) e Rodovia do Sol, mostra os cuidados que devem nortear os contratos de concessão de serviços públicos. Hoje, a população da Grande Vitória é pessimamente servida pela concessionária da ponte e rodovia, e o Governo terá de recorrer à força para melhorar os serviços, além de ter de arcar, ele, com o custo de obras capazes de desafogar o trânsito na Região Metropolitana.


Atualmente o Brasil vive uma fase de concessões de serviços públicos. Em grande parte dos casos, para exploração de rodovias federais. Além dos pedágios que a população terá de pagar - o que significa bitributação, posto que já existem impostos para essa finalidade -, será necessário ter muito cuidado para com o interesse público. Os exemplos mostram que, no Brasil, diversas empreiteiras e concessionária vivem do dinheiro dos impostos do cidadão, sem nenhuma preocupação para com a qualidade dos serviços prestados.


O Governo do Espírito Santo tem não apenas o direito, mas o dever, ético e moral, de forçar a Rodosol a pensar no cidadão. E todos, municípios, estados e Federação, devem agir de modo a preservar o interesse coletivo acima dos interesses de grupos ou empresas.