17 de janeiro de 2008

Aprendemos todos


40 anos depois, a maioria dos que conviveram com os conflitos políticos de 1968, desembocando no AI-5, ainda convivem com uma contradição que a alguns atormenta e a outros leva ao riso: combatíamos a ditadura militar do Brasil, gritávamos para que ela caísse, mas apoiávamos outra.
Naqueles tempos, a esmagadora maioria dos que iam às ruas gritar contra o governo era formada por estudantes militantes políticos ou então não estudantes também com militância política. Em comum eles tinham o fato de serem filiados ao Partido Comunista Brasileiro, o PCB ou Partidão, e ao Partido Comunista do Brasil, o PC do B. Mais adiante, muitos se filiariam também às várias correntes que surgiram, sobretudo em decorrência dessas duas e que pregavam a luta armada contra a ditadura: MR-8, Colina, Var-Palmares, Libelu, etc.
Havia uma clara ligação entre os partidos ou movimentos então clandestinos e países como a União Soviética, China e Cuba, principalmente. Como todas eram, como ainda hoje o são China e Cuba, defensoras de princípios marxistas como a “ditadura do proletariado”, queríamos substituir a nossa por outra.
Interessante notar que muita gente se associou à luta e lutou honestamente contra o regime militar não tendo consciência disso. Ou então achando que, uma vez afastados os militares brasileiros, seria possível também afastar, junto com eles, o cerne dos movimentos que lutaram nas ruas brasileiras.
Foram tempos contraditórios.
Em comum, tínhamos todos uma coisa: detestávamos o regime militar brasileiro. Que prendia ilegalmente, torturava e matava. Que estuprou a nossa brasileira, depondo à força um presidente que, se era dúbio na maioria dos seus atos de poder, havia chegado a ele pela via legal. Detestavam também a ditadura quem nada tinha a ver com os partidos de esquerda. (como as mulheres da foto acima, pinçada ao site do Zirando para ilustrar esse texto: Eva Tudor, Tônia Carrero, Eva Wilma, Lila Diniz, Odete Lara e Norma Belguel).
Foi esse caminho que desembocou, 21 anos depois do golpe militar de 1964, em 1985 e no fim da ditadura. Ela, que saiu de cena desacreditada, quase enxotada, legou aos brasileiros o ensinamento de que as piores democracias são melhores do que as melhores ditaduras. Ou então que o voto é o único caminho inquestionável, dentre os conhecidos hoje, de conquista do poder.
Aprenderam isso também aqueles que lutaram, pelas sabotagens ou pelas armas, contra os ditadores de plantão. Hoje sabemos que, se não existe espaço para a “ditadura do proletariado”, o capitalismo também não é a solução dos problemas. O que se busca é algo que una o que de melhor têm ambos.
Aprendemos todos.

11 de janeiro de 2008

Como se fosse hoje...






1968 é o ano que não cala.
A raiz de tudo foi o dia 28 de março quando um estudante, Edson Luís de Lima Souto, foi morto por forças de segurança no Restaurante Calabouço, no Rio de Janeiro. Os fatos se deram da seguinte forma: Edson era um estudante que participava dos preparativos de uma passeata de protesto contra o aumento de preços das refeições e a demora no término das obras do estabelecimento.
Três choques da Polícia Militar e a guarnição de dois veículos de patrulha chegaram ao Calabouço naquele momento. Auxiliados por uma tropa da Aeronáutica, entraram no restaurante disparando suas armas e dois estudantes caíram feridos: Benedito Frazão Dutra e Edson Luis. O segundo, de 17 anos morreu, com um tiro no peito antes de ser levado a tempo para o hospital. Os amigos tentaram socorrê-lo, mas já era tarde. Revoltados, levaram o corpo para o saguão da Assembléia Legislativa, de onde se recusaram a sair até que alguma providência fosse tomada. O caso teve grande repercussão nacional e internacional. Diversas passeatas e protestos foram organizados, mas sem nenhuma resposta concreta por parte do governo e autoridades para a sociedade, a não ser o afastamento de alguns policiais envolvidos no episódio.
Edson não era subversivo, marginal ou coisa parecida. Era um garoto de 17 anos que, como nós, amava os Beatles e os Rolling Stones. Sua morte provocou um juramente dos estudantes: “Neste luto, a luta começou”. No dia 26 de junho, cem de 100 mil estudantes foram às ruas do Rio de Janeiro, em protesto. Foi a célebre Passeata dos Cem Mil (foto acima, ilustrando o artigo). Em seguida, outras cidades seguiram o exemplo. Daí em diante, 1968, o ano da contestação estudantil, explodiu. E essa explosão tomou todo o Brasil, unindo estudantes secundaristas e universitários numa mesma onda de protestos. Um vagalhão que crescia a cada passo dado.
Em São Paulo, um dos palcos mais importantes foi a Avenida São João. E os desfiles de estudantes eram saudados pela população, que chegava a jogar papel picado do alto dos prédios, à passagem das passeatas. Isso inflamava mais ainda a garotada, que avançava aos gritos de “Abaixo a ditadura” e outras palavras de ordem contrárias ao regime instalado à força, quatro anos antes. E então chegava o Brucutu. Era, nada mais nada menos que um carro blindado usado pelas forças policiais de segurança, tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro. Lembrava de longe o Caveirão dos dias atuais, mas com a diferença de que possuía, na parte de cima, um canhão de lançar água ou areia. Era capaz de, pela força do jato, jogar um homem adulto a cinco ou seis metros de distância.
O Brucutu vinha junto com a cavalaria da PM. Esta levava desvantagem quando atacava de baixo para cima, vinda do Anhangabaú, na subida da São João, em direção do Largo do Paissandu. Os estudantes a esperavam com os bolsos cheios de bolas de gude, além de pedras. As “inocentes” bolinhas de gude que eram arremessadas ao asfalto da avenida. Os cavalos patinavam sobre elas, as ferraduras em contato com o vidro e não contra o piso da rua. Montarias e cavaleiros às vezes vinham ao chão.
Um dia, penalizado mas também paralisado, vi o soldado que se levantava possesso, sacando a arma do coldre e olhando para o joelho ensangüentado da pata dianteira direita de seu animal. Virou-se feito um louco em direção a nós, tentando identificar no meio da multidão de estudantes, aquele que havia jogado a bola responsável pela queda de seu cavalo. Estava ensandecido. Era um mulato, alto, forte como um touro.
Não encontrou em quem atirar e fez fogo para cima. Para o ar. No momento em que mais policiais chegavam, cercando a turba de estudantes que, aos gritos de “Abaixo a ditadura”, começava a se dispersar. Faz 40 anos que isso aconteceu. Parece que foi ontem. Ainda consigo sentir nas narinas o cheiro de pólvora. Ainda vejo o asfalto molhado e as bolinhas de gude descendo a avenida enquanto a cavalaria subia e o Brucutu cuspia água fria em todos nós.
Como se fosse hoje...

7 de janeiro de 2008

Lembrando 68 e "Roda Viva"




Estamos em 2008, ano das comemorações dos 40 anos de 1968. Muita coisa foi dita, muita coisa está sendo dita e muita coisa será dita sobre esse ano que mudou tanto o mundo e o Brasil, graças aos fatos nele vividos. Quero me ater somente a um.

Nós ainda não vivíamos o AI-5 - ele seria promulgado em dezembro -, nem muitos brasileiros tinham sido torturados e mortos pelo golpe militar de 1º de abril de 1964 (sempre o chamo de Golpe de 1º de abril porque, na época, era obrigatório dizer Revolução de 31 de março de 1964. Recuaram em um dia a aquartelada para que ela não parecesse de mentirinha. E não foi mesmo). Mas muitos fatos agudos já haviam se passado. Um inconformismo tomava conta das pessoas, havia protestos em todos os cantos e, em meados de julho, 110 homens ligados ao Comando de Caça aos Comunistas (CCC) invadiram o Teatro Galpão, em São Paulo, e agrediram os atores que encenavam a peça Roda Viva, de Chico Buarque de Holanda (a foto que ilustra esse texto, da peça, é de uma apresentação no Rio de Janeiro. Não encontrei outra). A obra era considerada subversiva. Marília Pêra, uma das atrizes, chegou a ser agredida, teve que passar nua por um corredor polonês e se afastou de algumas das apresentações seguintes, traumatizada que havia ficado com as agressões. Não resisti e fui ao teatro logo em seguida.

A encenação contava a história de Benedito Silva que não cantava nada mas virou o cantor Ben Silver, da Jovem Guarda. Tornou-se depois o intérprete de música nordestina Benedito Lampião, foi para os Estados Unidos, voltou como traidor e, a partir daí, Chico Buarque de Holanda traçou um painel inteligente do Brasil de então, com todas as suas mazelas e as críticas mais inteligentes possíveis. Com linguagem dura, palavrões em profusão e mensagens políticas e personagens canhestros como a figura do empresário. Não pretendo fazer um texto acadêmico sobre a peça. Mas havia nela um momento fantástico. Durante uma enceração de protesto, atores entravam correndo em cena, atravessavam o palco e lançavam centenas de panfletos ao público. Peguei um deles e li:

"Abaixo a hipocrisia e a burrice, pequenos burgueses. Levantem a bunda da cadeira e façam uma guerrilha teatral, já que vocês não têm peito para fazer uma real, porra!"

Hoje, 40 anos depois, isso parece longe, irreal, banal até. Mas, naqueles tempos, naqueles dias, era um enfrentamento sério. De todos os que vi e vivi posteriormente nas contestações à ditadura militar, talvez tivesse sido o mais belicoso. O mais perigoso. O mais inteligente também, porque inteligência é correr riscos. Nunca mais me esqueci naquela noite em São Paulo. Afinal, pouco tempo depois baixaram o AI-5. E uma longa outra noite de 17 anos se abateu sobre o Brasil. Quem não a viveu deu sorte. Eu, que então morava em São Paulo, pude testemunhar isso e mais muitos outros prelúdios desse longo período de trevas.
Mas já passou. Findou-se (ou finou-se, tanto faz) há quase 23 anos.

4 de janeiro de 2008

As eleições nos EUA


Para que uma longa e tenebrosa noite não desça sobre os Estados Unidos, o bom mesmo é que um democrata vença as eleições que, na prática, começaram nesse 03 de janeiro por lá. Em Iowa, o pequeno estado dos EUA, deu Barack Obama em primeiro, John Edwards em segundo e Hillary Clinton em terceiro. Isso entre os democratas. Entre os republicados, Mike Huckabee (esse aí da foto, ao lado da digníssima esposa (dele), Ann) ficou em primeiro, Mitt Romney em segundo e Fred Thompson em terceiro.

Huckabee é um líder conservador religioso, ligado à corrente evangélica Batista e, dentre outras coisas, defensor do Criacionismo, uma corrente que contesta a Teoria da Evolução das Espécimes e qualquer outra coisa com sabor ou odor de ciência. Romney é Mórmon. Essa corrente religiosa, uma das mais retrógradas de todas as que já surgiram nos EUA desde sua criação como Estado, tem até Bíblia própria pois, claro, Deus não poderia existir sem ter passado por Salt Lake City. Os demais candidatos republicanos são daqueles que pregam todas as guerras, contra todos os inimigos, até a morte, mesmo que isso signifique a morte da humanidade.

Não temos nada a ver com os Estados Unidos, mas Obama, Edwards e Hillary cheiram melhor.

28 de dezembro de 2007

Festa nos presídios: vem aí o 3G


Deve estar havendo muita festa de final de ano nas penitenciárias do Brasil. Explico melhor: vem aí o celular 3G. E como as autoridades brasileiras admitem que não têm como coibir a entrada e o uso desse tipo de telefone nos presídios, o chamado "crime organizado" poderá organizar seus atos criminosos com maior liberdade e raio de ação.

Por exemplo: dentro em breve os presos vão poder ver TV nos presídios. TV em tela pequena, porque em tela maior já estão vendo. Poderão também ter acesso ilimitado à internet para se inteirar dos últimos fatos de interesse mundial. Como estão indo as açõs da Al Qaeda? É muito ilustrativo saber disso. Pode dar idéias maravilhosas...

Mas o melhor é que eles terão todas as condições possíveis e imagináveis para fazer vídeo-conferências. Já pensaram que progresso? Durante horas e horas planejarão mortes. E quando tudo der certo um deles dirá que "já é, já é". Isso sem falarmos em que as rebeliões vão passar a ser acompanhadas em "tempo real". Sequestros relâmpagos também.

É o Brasil das aberrações sem solução!

13 de dezembro de 2007

Voto por voto, eis como caiu a CPMF



A CPMF, um dos impostos mais injustos jamais criados no Brasil, caiu na madrugada de 13 de dezembro de 2007, depois de votação no Senado Federal, com comemoração (foto). Mas, se dependesse dos três senadores capixabas, teria sido mantido e dado mais dinheiro a um governo perdulário, capaz de sustentar um total de 38 ministérios, alguns deles verdadeiras excrescências, além de inchar o Estado com contratações partidárias.
Veja aí abaixo a relação dos votos da CPMF. O "SIM" quer dizer que o parlamentar votou a favor de que o imposto fosse mantido. É bom lembrar; afinal, próximas eleições estão por vir:
DEM
Adelmir Santana (DEM-DF) - NÃO; Antonio Carlos Júnior (DEM-BA) - NÃO; Demóstenes Torres (DEM-GO) - NÃO; Efraim Morais (DEM-PB) - NÃO; Eliseu Resende (DEM-MG) - NÃO; Heráclito Fortes (DEM-PI) - NÃO; Jayme Campos (DEM-MT) - NÃO; Jonas Pinheiro (DEM- MT) - NÃO; José Agripino (DEM-RN) - NÃO; Kátia Abreu (DEM- TO) - NÃO; Marco Maciel (DEM-PE) - NÃO; Maria do Carmo Alves (DEM-SE) - NÃO; Raimundo Colombo (DEM-SC) - NÃO; Rosalba Ciarlini (DEM-RN) - NÃO.
PC do B
Inácio Arruda (PC do B-CE) - SIM.
PDT
Cristovam Buarque (PDT-DF) - SIM; Jefferson Peres (PDT-AM) - SIM; João Durval (PDT-BA) - SIM; Osmar Dias (PDT-PR) - SIM; Patrícia Saboya (PDT-CE) - SIM.
PMDB
Almeida Lima (PMDB-SE) - SIM; Edison Lobão (PMDB-MA) - SIM; Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) - como presidente do Senado, não votou; Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC) - NÃO; Gerson Camata (PMDB-ES) - SIM; Gilvam Borges (PMDB-AP) - SIM; Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) - NÃO; José Maranhão (PMDB-PB) - SIM; José Sarney (PMDB-AP) - SIM; Leomar Quintanilha (PMDB-TO) - SIM; Mão Santa (PMDB-PI) - NÃO; Neuto De Conto (PMDB-SC) - SIM; Paulo Duque (PMDB-RJ) - SIM; Pedro Simon (PMDB-RS) - SIM; Romero Jucá (PMDB-RR) - SIM; Renan Calheiros (PMDB-AL) - SIM; Roseana Sarney (PMDB-MA) - SIM; Valdir Raupp (PMDB-RO) - SIM; Valter Pereira (PMDB-MS) - SIM; Wellington Salgado de Oliveira (PMDB-MG) - SIM.
PP
Francisco Dornelles (PP-RJ) - SIM.
PR
César Borges (PR-BA) - NÃO; Expedito Júnior (PR-RO) - NÃO; João Ribeiro (PR-TO) - SIM;
Magno Malta (PR-ES) - SIM.
PRB
Euclydes Mello (PRB-AL) - SIM; Marcelo Crivella (PRB-RJ) - SIM.
PSB
Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) - SIM; Renato Casagrande (PSB-ES) - SIM.
PSDB
Alvaro Dias (PSDB-PR) - NÃO; Arthur Virgílio (PSDB-AM) - NÃO; Cícero Lucena (PSDB-PB) - NÃO; Eduardo Azeredo (PSDB-MG) - NÃO; Flexa Ribeiro (PSDB-PA) - NÃO; João Tenório (PSDB-AL) - NÃO; Lúcia Vânia (PSDB-GO) - NÃO; Marconi Perillo (PSDB-GO) - NÃO; Mário Couto (PSDB-PA) - NÃO; Marisa Serrano (PSDB-MS) - NÃO; Papaléo Paes (PSDB-AP) - NÃO; Sérgio Guerra (PSDB-PE) - NÃO; Tasso Jereissati (PSDB-CE) - NÃO.
PSOL
José Nery (PSOL-PA) - NÃO.
PT
Aloizio Mercadante (PT-SP) - SIM; Augusto Botelho (PT-RR) - SIM; Delcídio Amaral (PT-MS) - SIM; Eduardo Suplicy (PT-SP) - SIM; Fátima Cleide (PT-RO) - SIM; Flávio Arns (PT-PR) - SIM; Ideli Salvatti (PT-SC) - SIM; João Pedro (PT-AM) - SIM; Paulo Paim (PT-RS) - SIM;
Serys Slhessarenko (PT-MT) - SIM; Sibá Machado (PT-AC) - SIM; Tião Viana (PT-AC) - SIM.
PTB
Epitácio Cafeteira (PTB-MA) - SIM; Gim Argello (PTB-DF) - SIM; João Vicente Claudino (PTB-PI) - SIM; Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) - não estava presente à sessão; Romeu Tuma (PTB-SP) - NÃO; Sérgio Zambiasi (PTB-RS) - SIM.

7 de dezembro de 2007

Ajudem o Instituto do Câncer


O Instituto do Câncer (foto ao lado), como todos nós sabemos, é uma instituição muito séria. Cabe a nós atender sua solicitação e ampará-lo, pois se depender do Governo (federal, estaduais e/ou municipais) será seu fim! Vamos salvar o site do câncer de mama? Não custa nada.

Digam, cada um de vocês, a 10 amigos - sobretudo amigas - para dizerem a 10 amigos/amigas hoje: o site do câncer de mama está com problemas, pois não tem o número de acessos e cliques necessários para alcançar a cota que lhe permite oferecer UMA mamografia gratuita diariamente a mulheres de baixa renda.

Demora menos de um segundo ir ao site e clicar na tecla cor-de-rosa que diz "Campanha da Mamografia Digital Gratuita". Não custa nada e é por meio do número diário de pessoas que clicam, que os patrocinadores oferecem a mamografia em troca de publicidade. Passem essa mensagem a mais 10, para que passem a mais 10, e assim por diante: http://www.cancerdemama.com.br/

Vocês vão se sentir muito bem depois disso. Eu garanto!

21 de novembro de 2007

Tautologia. Essa nos pega...


Você sabe o que é tautologia? É o mesmo que pleonasmo, termo usado para definir um dos vícios de linguagem. Consiste na repetição de uma idéia, de maneira viciada, com palavras diferentes, mas com o mesmo sentido. O exemplo clássico é o famoso 'subir para cima' ou o 'descer para baixo'. Mas há outros, como você pode ver na lista a seguir:
- elo de ligação - acabamento final - certeza absoluta - quantia exata - nos dias 8, 9 e 10, inclusive - juntamente com - expressamente proibido - em duas metades iguais - sintomas indicativos - há anos atrás - vereador da cidade - outra alternativa - detalhes minuciosos - a razão é porque - anexo junto à carta - de sua livre escolha - superávit positivo - todos foram unânimes - conviver junto - fato real - encarar de frente - multidão de pessoas - amanhecer o dia - criação nova - retornar de novo - empréstimo temporário - surpresa inesperada - escolha opcional - planejar antecipadamente - abertura inaugural - continua a permanecer - a última versão definitiva - possivelmente poderá ocorrer - comparecer em pessoa - gritar bem alto - propriedade característica - demasiadamente excessivo - a seu critério pessoal - exceder em muito.
Note que todas essas repetições são dispensáveis. Por exemplo, 'surpresa inesperada'. Existe alguma surpresa esperada? É óbvio que não. Devemos evitar o uso das repetições desnecessárias. Fique atento às expressões que utiliza no seu dia-a-dia. Verifique se não está caindo nesta armadilha.

Mantenhamos os impostos...


Nos últimos quatro dias, (21/11/2007 hoje) num trabalho brilhante, o jornal O Globo nos colocou diante do fausto e do desperdício. Só que com dinheiro público. Só manter o Gabinete da Presidência da República composto por um presidente e seus 149 assessores diretos nos custa R$ 1 milhão por dia. Talvez por isso, em sua foto oficial, ele sorria esse sorriso de fecilidade incontida que vemos ao lado. E cogite um terceiro mandato...

A Justiça constrói palácios. Os legislativo coloca televisões caras onde praticamente não passa ninguém. Não há controle sobre os telefones. Os carros são fabricados na Austrália e servem para levar à creche filhos e netos das ilustres autoridades brasilienses.

Na história da "Belíndia", talvez esse seja o exemplo mais punjente. Enquanto nossa suposta Bélgica chega a dar inveja à verdadeira, nossa Índia de verdade precisa a cada dia de mais dinheiro. Afinal, para que políticas inócuas como o Fome Zero e outros possam existir, é preciso manter a CPMF e outros impostos estúpidos. Caso contrário, seria preciso abrir mão de muitos confortos pagos com dinheiro de terceiros.

Isso, ora bolas, nem pensar.

14 de novembro de 2007

PQC chega a cafés capixabas


Três blends do Café Meridiano, empresa de Colatina, interior do Espírito Santo e que aposta em alta qualidade de café, já têm selo do Programa de Qualidade do Café (PQC) da Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC) (imagem ao lado). Um diferencial que distingue a qualidade do produto e assegura, além da pureza, agora também as características que tornam os cafés capixabas como escolhas de excelência.
Depois do processo de certificação, constante do cumprimento de uma série de exigências industriais, auditorias técnicas e análise laboratorial dos blends, saiu a classificação da ABIC para três cafés (veja abaixo) da marca, fato inédito no Espírito Santo. Em breve as embalagens já terão selos de qualidade e especificações técnicas, o que permitirá ao consumidor saber o que está levando para casa, bem como ter meios de comparação com outras marcas.

Segundo a Abic, “uma das finalidades do PQC é informar a qualidade do café que está sendo vendido, além de permitir que o consumidor identifique o tipo de grão utilizado por cada marca e com isso escolher o sabor que mais agrada. O PQC é elo de confiança indústria/consumidores e avança sobre questões básicas para a oferta de produtos melhores. Segue a premissa de que qualidade é a forma principal do consumo de café e o programa significa o comprometimento da empresa com a adoção de padrões de qualidade de matéria-prima, manutenção de sabor e boas práticas de fabricação. O grande diferencial é a melhoria contínua e a briga constante pelo melhor produto com um preço mais justo”.
O PQC ajuda a orientar o setor e a eliminar de a crença de grande parte dos consumidores de que café é tudo igual. Por isso, complementa a ABIC: “a intenção do Programa é aumentar a sensação de sabor que se tem ao tomar café. A estratégia é: consumidor satisfeito consome mais. Como a cultura do cafezinho é muito forte entre os brasileiros, isso faz com que as pessoas se tornem mais suscetíveis às variações do sabor. Mas a queda de qualidade se reflete no consumo interno e o prejuízo é de toda a cadeia de produção”.
Blends certificados, com classificação segundo a ABIC
Café Meridiano Tradicional: Selo Tradicional: é o café do dia-a-dia. Qualidade recomendável com custo acessível.
Café Meridiano Classic: Selo Superior: é o café com qualidade boa e maior valor agregado.
Café Meridiano Espresso em Grãos: Selo Gourmet: é o café de alta qualidade, excelente e exclusivo. Mais valor e prazer em cada xícara.

7 de novembro de 2007

Simbiose perfeita


José Marçal de Ataíde Assi, advogado, professor universitário, procurador do Estado, resolveu fazer sua primeira incursão na área da literatura. Lançou no dia 06 deste mês, em Jardim da Penha, Vitória, o romance "Simbiose Urbana". Surpreendentemente, uma história de intriga política, corrupção, crimes e vinganças, tudo isso acontecido numa pequena cidade do interior à qual ele deu o nome de Monte Verde.
Em 132 páginas ele conta as peripécias do Dr. Théo. E avisa: "Esse livro é fruto da imaginação criativa do autor. Qualquer semelhança com nomes, lugares, pessoas e fatos será mera coincidência." Para todos os que conhecem a política brasileira e a vida de modo geral, encontrar coincidências não será lá tão difícil.

19 de outubro de 2007

Um Rolex roubado


Faz mais de 40 anos que isso aconteceu. Meu pai era dono de uma pequena fundição de alumínio em São Paulo, onde produzia peças para o motor do automóvel Simca. Houve um problema qualquer que ele precisava solucionar colocando a mão na massa e, para não sujar o relógio Rolex de que tanto gostava, tirou-o do pulso e o colocou sobre uma bancada. Nunca mais viu a peça.
Os policiais chegaram a sugerir a ele deixar que os deixasse dar "uma apertada" nos empregados da Termo Flux, a empresa de então, mas papai disse não. Quem iria depois garantir a segurança dele nas idas e vindas ao trabalho? E tortura, mesmo naquela época, início dos anos 60, não era coisa com a qual se convivesse dormindo em paz todas as noites.
Até hoje, passados tantos anos, às vezes a lembrança do relógio vem à mente dele. E ele fala com tristeza do que aconteceu num dia de trabalho. Foi roubado por um de seus empregados, dentro da fundição onde ganhava dinheiro para sustentar a família e pagar salários.
Luciano Huck também tem o direito de ficar revoltado. Eu teria, você teria.
Ninguém tem o direito de tomar de mim o que conquistei trabalhando, com dinheiro ganho e não roubado. Ladrão não é Robim Hood e não se faz justiçaz social às avessas, protegendo quem rouba e condenando "as elites", como diz nosso presidente, sem explicar direito o conceito.
Se um dia construirmos uma sociedade digna, vamos nos indignar todos quando formos roubados. Mesmo os excluídos e "excluídos" de hoje.

9 de outubro de 2007

O guerrilheiro visionário


Praticamente tudo o que poderia ser dito como elogio à respeito de Ernesto Che Guevara, que aí aparece na célebre foto de Alberto Korda, já foi falado. Do revolucionário, ficam as razões de sua morte.

Che acreditava num equívoco chamado "Teoria do Foquismo". Isso queria dizer o seguinte: se um grupo pretendesse vencer uma revolução e tomar o poder num determinado país, bastava a ele criar um foco guerrilheiro. Esse foco cresceria, se tornaria uma onda, em seguida um vagalhão e ocuparia tudo. O exemplo era a revolução cubana.

Mas a teoria era errada. Em Cuba o foco guerrilheiro tomou o poder porque ele estava nas mãos de uma ditadura tão corrupta que bastaria um sopro. Mas não era nisso que Che acreditava. Pelo foquismo ele lutou na África e na América. Estava na Bolívia tentando criar um foco guerrilheiro que se transformasse em vagalhão quando foi morto, sumariamente executado, em 08 de outubro de 1967. Com ele foi sepultada a "Teoria do Foquismo".

Por ela morreram muitos outros. Inclusive brasileiros, levados a lutar em focos como a Guerrilha do Araguaia, seduzidos pelo mesmo canto. Muito sangue correu. E as lutas terminaram todas em derrotas e em repressões sangrentas também no Uruguai, Argentina, Chile e outros países.

Os visionários às vezes cometem erros graves. No caso do Che, honestamente falando.

3 de outubro de 2007

Saudades de Matheus


Quantas vezes fez-se piada do velho Vicente Matheus. Em algumas ocasiões ele havia falado mesmo as impropriedades - e falou muitas - mas na maioria, não. Dirigia o Corinthians como se aquilo fosse a coisa mais importante da vida. E para ele era.

Hoje, dez anos depois de sua morte, acompanhando à distância a promiscuidade em que se transformou o clube de maior torcida de São Paulo, só é possível sentir saudades de Matheus. Nesta foto acima, por exemplo, ele se realiza: segura um troféu de campeão de seu clube.

De onde saiu aquele Roberto Dualib? Como pode um presidente de clube, que se diz apaixonado por ele, falar em lavagem de dinheiro, em roubo de títulos esportivos, nas coisas mais promíscuas dos subterrâneos do futebol? De onde saiu essa gente, de que porão brasiliense, e como foi possível chegar ao futebol e tomar alguns dos maiores clubes do Brasil. Sim, porque o Corinthians não é a única vítima. E uma investigação séria mostrará isso.

Precisamos descer a esse porão. Limpar tudo, varrer aqueles que se aproveitam do futebol - das federações e da CBF também - para enriquecer ilicitamente.

Lembro-me de uma história hilariante. Candidato à presidência do Corinthians, o velho Matheus fez um improviso na sede corintiana, nos dias de vésperas de eleição: "Espero que os corinthianos compareçam para naufragar nas urnas o meu nome."

Dez anos após sua morte quem naufraga é o Corinthians.

25 de setembro de 2007

Nova (péssima) História Crítica


Esse livro cuja capa está aí ao lado, Nova História Crítica, do historiador (sic!) Mário Schimidt, tem sofrido intenso torpedeamento nas últimas semanas. Sobretudo e principalmente porque, segundo praticamente todos os comentários, ele tem um "viés ideológico de esquerda". Há um erro crasso nessas considerações: quem critica uma obra, seja ela qual for, por seu viés político, utiliza para tanto um outro viés, este antagônico. Trata-se de um vício de origem que tira a credibilidade da crítica.

Certo seria dizer o óbvio: o livro do sr. Schimidt não deveria estar sendo utilizado nas salas de aulas, não porque é de esquerda, mas sim porque é bisonho. Contém erros de língua portuguesa, imprecisões histórias e comentários que chegam quase às raias do absurdo, além de outros desatinos mais. Trata-se de alguma coisa que jamais deveria cair nas mãos - e nos olhos - dos estudantes. Por sua baixa qualidade e não por seu "viés". Afinal, livros de história, todos eles, têm alguma dimensão ideológica.

O Brasil possui, tanto à direita quanto à esquerda de seu espectro intelectual, inúmeros pensadores capazes de produzir obras de qualidade. O MEC deveria tomar cuidado com o que envia aos nossos estudantes.

13 de setembro de 2007

A arma que serve para torturar


O taser (veja a imagem acima, do modelo a que me refiro e que é usado pela segurança do Senado) é uma arma considerada "não letal" e que imobiliza uma pessoa mediante grande choque elétrico. Mas mata, sim. E está sendo usada por membros do serviço de segurança do Parlamento Federal Brasileiro de forma perigosa e ilegal, como ficou claro no último dia 12 de setembro, quando o senador Renan Calheiros teve seu mandato salvo por seus pares. O dia do suicídio do Senado Federal.

Muitas pessoas já morreram por causa desse modelo do taser. Sobretudo gente de saúde frágil, portadores de problemas cardíacos, de marca-passo ou detidos que se encontravam ébrios, mas mesmo assim foram imobilizados com o uso do artefato. Comenta-se que o número de mortos pelo uso desse taser no mundo todo já ultrapasse as 300 pessoas. O representante do fabricante, inclusive, tem um site no Brasil. Recentemente, houve uma reação do Parlamento Francês à adoção do recurso. Leia esse texto relativo ao fato, parte da argumentação dos parlamentares:

Uma pistola de electrochoques paralisantes deixa menos vestígios do que um cassetete, provoca sofrimentos agudos e será susceptível de ser utilizado para intimidar, humilhar ou fazer falar suspeitos, detidos, prisioneiros ou simples cidadãos. Nestas condições, esta pistola parece uma arma de tortura no sentido da Convenção das Nações Unidas contra a tortura, de 1984. A França, tendo ratificado este instrumento em 1986, está na obrigação de prevenir todo acto de tortura que poderia ser cometido sobre o seu solo. Ao dotar forças policiais, em constante contacto com a população, de pistolas de electrochoques paralisantes, nossas autoridades tornam-se culpáveis de falta de vigilância e expõem a população francesa a sofrimentos extremos e injustificados.

É preciso refletir. O Senado da República não pode permitir que seus homens de segurança tenham consigo algo tão perigoso. Uma arma de tortura.

Quem sangra, afinal?


Quem sangra?

O presidente do Senado, Renan Calheiros, absolvido por seus pares depois de quase quatro meses de mais um escândalo de grandes proporções registrado em âmbito federal? O Senado, instituição perto de se tornar bicentenária e que deveria zelar pela ética político-partidária brasileira? O Governo Lula, sempre envolto nesses fatos escabrosos e cujo membro maior, o Presidente da República, insiste em dizer que nunca sabe de nada (alguém acredita nisso, em sã consciência)? Ou sangramos nós, o pobre povo brasileiro, que no dia 12 de setembro assistiu a mais um triste capítulo da decaída vida nacional?

De que valem os sucessos econômicos se o custo que pagamos é esse?

Até mesmo um taser, arma chamada "não letal" foi deixada cair ao chão por um segurança do Senado num entrevero com deputados federais. Essa arma "não letal" é de uso exclusivo de forças policiais e pode matar, sim, por exemplo, um portador de marca-passo cardíaco. Mas estava nas mãos de um segurança particular do Senado.

Todos nós sangramos, gente. Menos esse sorridente indivíduo aí de cima, na foto de Uéslei Marcelino/Folha Imagem, que se preparava para ir para casa comemorar a impunidade. A impunidade é a nossa mais bem cultivada marca nacional. Guardemos essa data: 12 de setembro de 2007. O dia em que o Senado cometeu suicídio.

4 de setembro de 2007

Prioridades de Estado


No Brasil todo, e não apenas no Espírito Santo, Saúde e Educação não são prioridades de Estado. Basta acompanhar a vida do país, os discursos dos que decidem, as ações governamentais e tem-se a exata noção disso. O que não é novidade alguma.

Foi por isso que a moça de 27 anos, Janaína Corona Guimarães, morreu em Vila Velha, na região da Grande Vitória, ao não ser atendida a tempo por unidades capixabas de saúde, no quinto mês de gravidez, neste último final de semana. Ela foi vítima de uma visão de ação governamental que, ao longo dos anos, no Brasil, vem priorizando inúmeras áreas como mais importantes que Saúde e Educação. Como consequência e segundo levantamento publicado no Espírito Santo, morreram sete pessoas em dois meses, vítimas todas elas de desencontros e carências da rede estadual de Saúde.

É por isso, e apenas por isso, que a gente precisa olhar para a face sofrida dessa mãe que aparece acima (imagem de Carlos Alberto da Silva, de A Gazeta), mostrando a foto da filha morta. Ela não consegue entender porque acontece isso num país tão rico e onde se paga tantos e tão injustos impostos.

Problema de cultura política, minha senhora. Somente isso. Meus pêsames, em meu nome e de mais uma infinidade de pessoas, tenho certeza.

22 de agosto de 2007

Atenção: fraudes na Internet.


Circula pela Internet e-mail falso da Receita Federal, solicitando ao incauto que abra links para corrigir supostos erros em sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física. É coisa parecida com o exemplo aí ao lado, retirado de site que alerta sobre essas práticas criminosas. Delete isso. Nunca abra esses e-mails.

Recebi um deles hoje pela manhã e enviei e-mail para a Ouvidoria da Receita Federal denunciando o fato. Dela recebi essa resposta:

A Receita Federal está alertando as pessoas para que não abram, nem respondam mensagens que chegam em suas caixas eletrônicas em nome do órgão. A Receita informa que não envia e-mails sem autorização do contribuinte. Mensagens falsas, enviadas em nome da Receita Federal, continuam a circular na Internet. Quadrilhas especializadas em crimes pela internet estão tentando obter ilegalmente informações fiscais, bancárias e cadastrais dos contribuintes. As mensagens iludem o cidadão-contribuinte com a apresentação de telas que misturam instruções verdadeiras e FALSAS, que usam o nome e timbre da Receita Federal, informando, por exemplo, que "o CPF deste está cancelado ou pendente de regularização", solicitando o "recadastramento do IRPF", "afirmando que a declaração de Imposto de Renda possui erros e deve ser enviada uma declaração retificadora" etc. Em seguida estimulam o contribuinte a responder questionamentos ou instalam programas nos computadores utilizados, que assim, acabam por repassar, a estes fraudadores, dados pessoais e fiscais. Lembre-se que a regularização cadastral do CPF pode ser feita de duas maneiras: para aqueles que são isentos, de dezembro a julho nas agências do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal ou dos Correios; ou ainda, no período de entrega da Declaração Anual de Isento-DAI de setembro até novembro. Para aqueles obrigados a entregar a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda (DIRPF), a regularização cadastral do CPF ocorre com a entrega da declaração do último exercício. Veja como proceder perante estas mensagens: 1. não abrir arquivos anexados, pois normalmente são programas executáveis que podem causar danos ao computador ou capturar informações confidenciais do usuário; 2. não acionar os links para endereços da Internet, mesmo que lá esteja escrito o nome da SRF, ou mensagens como "clique aqui", pois não se referem à Receita Federal; e 3. excluir imediatamente a mensagem. Para esclarecimento de dúvidas ou informações adicionais, os contribuintes podem procurar as unidades da Receita ou acessar a página na internet (www.receita.fazenda.gov.br). Também sugerimos o encaminhamento desse tipo de mensagens, consideradas fraudulentas, para os endereços mail-abuse@cert.br, do CERT (Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil), ligado ao CGI.br, e crime.internet@dpf.gov.br, da Polícia Federal.

14 de agosto de 2007

A prostituição das idéias


A prostituição das boas idéias é um dos crimes mais duros que se pode cometer, sobretudo contra os mais pobres. Principalmente quando através do exercício do Poder Público.

No início do governo do sr. José Ignácio Ferreira, no Espírito Santo (1999/2002), alguém teve uma idéia simples mas genial: recolher todas as frutas, legumes e demais gêneros alimentícios que seriam jogadas fora no Centro de Abastecimento (Ceasa) da Grande Vitória, montar uma fábrica de sopas e, desta forma, alimentar uma imensa quantidade de pessoas pobres, sobretudo crianças em escolas, creches, etc.

Nos Ceasa, alimentos são jogados fora todos os dias apenas porque estão amassados, arranhados, parcialmente descascados ou contêm outros defeitos. Mas todos estão perfeitamente em estado de uso, são saudáveis. Podem alimentar, e muito bem, as pessoas necessitadas. E é imensa a quantidade desse descarte diário de comida.

A fábrica foi montada e as sopas produzidas, como pode ser constatado pela foto acima. Mas, pouco tempo depois, no rastro do mar de acusações de corrupção que cercou aquele governo, a tal fábrica das sopinhas terminou fechada. Hoje, em meados de agosto de 2007, passados mais de oito anos, a mulher do então governador, sra. Maria Helena Ruy Ferreira, comparece à Justiça para se defender de supostos crimes de desvio ou lavagem de dinheiro cometidos a partir da iniciativa que visava evitar o desperdício de alimentos.

Quantos anos mais esses processos vão correr, não se sabe. Se houve falcatruas, poucas ou muitas, também é coisa a ser discutida na Justiça. Só não se discute um fato: a idéia era muito boa, oportuna em quase todo o Brasil, mas os alimentos continuam a ser jogados no lixo no Ceasa-ES. Em tantos outros por aí afora. E os pobres, daqui, dali e de acolá, passam fome regularmente porque idéia prostituída, no Brasil, é idéia maldita. Nunca mais ninguém a aproveita.

9 de agosto de 2007

O Aeroporto Internacional de Gibraltar


Para quem pensa que o aeroporto de Congonhas é perigoso por estar dentro da zona urbana, basta uma rápida visão do Aeroporto Internacional de Gibraltar (pequena península rochosa que faz fronteira com a Espanha, perto de Marrocos). Uma avenida cruza a pista de pousos e decolagens e, quando o semáforo fica vermelho, os automóveis param e um avião passa a grande velocidade diante deles. Parece que para tudo tem jeitinho nesse mundo...
Mas, pensando bem, com tanto barbeiro, bêbado e doido dirigindo por aqui, um aeroporto como aquele europeu, em qualquer cidade, seria muito mais perigoso do que Congonhas. Ou então do que o aeroporto de Vitória (ES), que tem 1.750 metros de pista. Exatos 190 a menos que o de São Paulo, e onde todos os Airbus A-320 decolam e pousam todos os dias sem nunca sair da pista, embora ela também seja carente de uma área de escape decente.

8 de agosto de 2007

Baianinho se foi...

Algumas pessoas passam pela vida silenciosamente. Cerimoniosamente. E isso, embora façam muito pelos outros. Na última quarta-feira, Carlos Orlando Silva Viana, o Baianinho, foi embora. E combinou que só os amigos mais chegados iriam ao velório. Fiquei sem saber do ocorrido até ontem, quando recebi um e-mail de um amigo comum.
Quem não é de Vitória e tem menos de 40 anos certamente não o conheceu. Fundou um clube que era só amor à camisa, o Fluminensinho. Depois disso, dedicou boa parte de sua vida a comandar uma escolinha de futebol-de-salão, que hoje se teima em chamar de futsal, no Clube de Natação e Regatas Álvares Cabral, outra paixão sua.
Honesto à medula, abandonou o clube e sua história de vida para não conviver com gente que não respeitava. Recolheu-se ao Centro de Vitória, à sua vidinha de solteiro, às suas visitas diárias à Praça Costa Pereira até que uma doença chegou, o prostrou e matou.
Baianinho era uma figura incomum. Dificilmente haverá outro parecido. O amor às coisas tem hoje uma dimensão muito diferente da dele. Infelizmente.

26 de julho de 2007

As torres abandonadas


Para quem pensa que a crise da aviação brasileira começou ontem, aí vão alguns argumentos contrários.

O caos nosso de cada dia ficou agudo, para lá de assustador, com a quase falência da Varig. A empresa aérea gaúcha, quando voava em céu de brigadeiro e com número recorde de aviões, como mostra a imagem acima, possuia várias torres de controle próprias e espalhadas por diversos estados brasileiros. Esse equipamento da Varig auxiliava os controladores de vôo no controle não só dos aviões da empresa, mas também das muitas aeronaves de outras companhias.

Mas desde a crise da Varig, todas essas torres foram desativadas e estão aparentemente abandonadas. O governo federal sabe disso, mas não faz nada. Além do mais, quando questionado a respeito, diz que não sabe de coisa alguma.

É uma lástima, uma tragédia. A aviação comercial brasileira, ontem referência em diversas partes do mundo, hoje mete medo a todos.

25 de julho de 2007

Leitura apropriada


Seria montagem? Parece pouco provável.

Nessa foto aí acima, tirada provavelmente no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com os óculos nas mãos, e elas acima do livro cujo título que aparece na lombada é "Manual do Mentiroso - técnicas".

Seja lá o que for, convenhamos, é uma leitura apropriada. Ou oportuna, dependendo do ponto-de-vista de quem vê.

Pelo menos nos tristes dias em curso, de apagões aeroportuários, catástrofes aéreas evitáveis e muita coisa que deixou de ser dita - ou dita honestamente - neste final de julho de 2007.

24 de julho de 2007

Vôo 3054: um depoimento sobre


Caros leitores; recebi esse relato como sendo do comandante Paulo Marcelo Souza Soares, aeronauta da TAM e piloto de Airbus A-320. Ele é brevetado (habilitado como piloto) em 1991 e desde 1998 está na empresa aérea vítima do acidente do último dia 17. Estou mantendo a grafia de quem escreveu o depoimento, bem como suas abreviações. Tudo conforme foi recebido.
Posto-o porque ele tem referências técnicas que, segundo pilotos que conheço, são perfeitamente lógicas. Pode ser cansativo, é o maior texto que coloco em meu blog, mas mesmo assim a leitura será didática:

Olá, Amigos: Em primeiro lugar gostaria de agradecer a todas as manifestações de preocupação comigo, tanto no momento daquela noite trágica, quanto nos dias seguintes. Agradeço de coração a todos. Informo também que estou bem, porém, bastante abalado, triste, indignado com o sacrifício inútil de 200 vidas.No momento do acidente eu estava em Buenos Aires. Havia voado o PR-MBK na noite do dia 15 para o dia 16. Sim, o reversor do motor numero 2 estava inoperante, mas como eu já disse dezenas de vezes aqui na lista, quem para avião é FREIO, é o atrito do pneu na pista, e não reversor. Falarei mais sobre isso daqui a pouco. Na noite do dia 16, eu pousei em CGH. Não havia chuva, mas a pista estava bastante molhada. Estava com 90 pax no meu avião. Toquei na marca de 500, o avião aquaplanou e eu tomei susto. Um dos maiores sustos em meus 17 anos de aviação profissional.
Eu gostaria muito, na verdade eu daria tudo para ter no meu jump seat os (ir)responsáveis por esta crise que se arrasta há meses. Queria que eles vissem o anti-skid trabalhando, a aeronave escorregando para a lateral da pista. Queria que eles vissem as luzes da cabeceira oposta chegando rapidamente, e nós lá, sem poder fazer nada. Queria que eles sentissem a tremedeira que eu e meu copiloto sentimos quando livramos a pista lá na taxiway "E" (a última). E, acima de tudo, QUERIA QUE ELES TIVESSEM A CARA DE PAU DE DIZER QUE A PISTA DE CONGONHAS NÃO TEM PROBLEMAS!!! !!! Não varei a pista naquela noite por sorte. Não foi por habilidade, foi pura e simples SORTE. Sorte que meus colegas no MBK não tiveram. Eu não sou pai de santo, mas esta tragédia já era prevista há MUITO tempo, e eu escrevi aqui na lista por mais de uma vez. Agora que mais 200 pessoas morreram, será que vai acontecer alguma mudança? Claro que não!Mas vamos aos fatos e aos comentários sobre a montanha de especulações que naturalmente apareceram nos últimos dias. Agora até arremetida é motivo de 1ª página nos sites. Aliás, belíssima arremetida daquele F-100...Não vou especular sobre as causas do acidente. Estas especulações todas não levam a nada, só aumentam a desinformação e prejudicam a todos que trabalham na aviação. Tudo o que eu pude saber do acidente foi através da internet e de noticiários da TV. Ou seja, a credibilidade destas informações é próxima de zero. Só saberemos as prováveis (na verdade o conjunto de) causas após a análise do CVR/FDR.

O que eu posso dizer aqui é:
1- Distância de parada: Vamos considerar as condições abaixo: Elevação da Pista = 2600 ftPeso de pouso = 66 toneladas (4 toneladas superior ao do avião acidentado e 1.5 ton acima do Max Landing Weight) Pista contaminada com 6.3 mm de água (muito mais do que declarado pela twr)Zero componente de vento de proa (havia uma pequena componente de proa, mas vamos desconsiderar) Ambos os reversos INOPERANTESA distância de pouso de um A-320 nestas condições seria de 1841 metros , sendo que a pista 35L de CGH tem 1940 metros , embora a LDA para a pista 35 seja de 1880m. Notem que esta distância de pouso assume o cruzamento da cabeceira a 50 ft, toque na marca de 1000 ft e parada total da aeronave. Como "bônus" o toque ocorreu um poucoantes da marca de 1000 ft segundo as filmagens e 1 reversor foi utilizado. Além disso a aeronave estava com 62.7 toneladas. Neste peso a aeronave precisaria de 1729 metros até sua parada total, sem usar reversores. A operação com 1 reversor inoperante em pistas molhadas/contaminad as é normal e prevista, mesmo porque nas análises de pouso o reverso nunca é considerado. Não existe uma grande assimetria direcional, desde é claro, que vc tenha uma boa aderência da aeronave na pista. E de fato, pela filmagem pode-se ver que a aeronave manteve o eixo até o terço final da pista, que é uma área bastante emborrachada e ainda mais escorregadia que a parte central. A velocidade de aquaplanagem é função da pressão dos pneus, e para o A-320 é considerado que abaixo de 115 Kt não deveria haver aquaplanagem. Mas em uma pista coberta por uma lâmina de água e sem drenagem eficiente, a aquaplanagem pode acontecer a velocidades baixíssimas. Já tivemos casos de aeronaves que não tiveram o que chamamos de "cornering effect" ou seja, a capacidade do trem de nariz de mudar a direção da aeronave, a velocidades tão baixas quanto 20 kt. Tanto que o manual recomenda não tentar qualquer curva abaixo de 10 Kt em pistas escorregadias. Pelo que vimos aqui, a aeronave tinha performance para parar com segurança na pista naquele dia. Mas todos nós vimos os trágicos resultados. Tá mais do que óbvio que a pista de CGH apresenta problemas. Foram 4 derrapagens e um acidente fatal, sem contar os inúmeros sustos que por sorte não viraram tragédia. O problema é que a torre não informa nem o tipo de contaminação, nem o braking action, que poderia dar uma informação mais precisa. Pior, a pista apresenta contaminação irregular, ou seja, alguns pontos tem frenagem melhor do que outros.
2- Vídeos do acidente: A comparação que fizeram das velocidades da aeronave que precedeu o pouso do PT-MBK e dele próprio é no mínimo ridícula! Quando pousamos nestas condições, procuramos parar a aeronave o mais rápido possível. Não se sabe o peso que estava o A-320 que o precedeu, e se ele aquaplanou ou não (certamente não). Se vc não aquaplanar, dá para se parar o A-320 em pouco mais da metade da pista, ou seja, vc vai estar em velocidade de táxi um pouco depois da interseção central (onde mostra a outra câmera). E vai taxiar até a interseção "F" a no máaaaximo 20 kt para não correr o risco de derrapar ao tentar livrar a pista. Note que o piloto da aeronave precedente já estava com os reversos fechados, ou seja, já estava em vel de táxi. O MBK passou bem mais rápido? Claro, mas simplesmente porque não tinha frenagem. Pelo que eu vi dos vídeos o reverso do motor 1 estava funcionando sim.
3- Automatismo da aeronave: Outra afirmação ridícula de gente que nunca nem entrou em um jato comercial, quanto mais em um Airbus ! Já disse e repito. A única coisa que não dá para se fazer em um Airbus é estolar a aeronave e/ou coloca-la em atitude anormal. O resto é igual a um avião convencional. No solo então, ele é um avião como qualquer outro... Os entendidos de plantão já se animaram a procurar no sistema de controles FBW a causa para o acidente. Estranho. Todas as outras aeronaves que derraparam em CGH NÃO eram FBW... O 737-300 que varou a pista em POA não era FBW, o MD-11 que varou a pista em NAT NÃO era FBW. O Boeing 737-700 que varou a pista em Navegantes NÃO era FBW... Estes 3 exemplos só não resultaram em tragédias porque a pista não era CGH... Então este papo de que se fosse outra aeronave não teria acontecido, não cola.
Amigos, esta tragédia pode vir a ter várias causas e fatores contribuintes, só saberemos a verdade daqui a alguns meses. Eu espero que o (des)governo finalmente acorde e tenha um pingo de seriedade para com o setor aéreo. Espero que estas mortes, bem como as do vôo 1907 não tenham sido em vão. O momento agora é de profundo luto. Queria ter mandado uma msg antes, mas estou no meio de uma programação bem puxada. Devo tentar postar algo mais detalhado nos próximos dias. Um grande abraço a todos!

20 de julho de 2007

A avião da tragédia paulista




O avião da TAM, o que se acidentou ao lado do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, no dia 17 de julho, no maior e mais traumatizante acidente da história da aviação brasileira, é exatamente esse que está aí acima, em duas fotos supostamente tiradas no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, ao que parece poucos dias antes de ele decolar de lá mesmo para o acidente.


Foi fabricado em fevereiro de 1998 e, na companhia aérea brasileira, recebeu o prefixo PR-MBK. Chegou à TAM em 22 de dezembro do ano passado. Quando foi fabricado pela francesa Airbus, voou incialmente pela TACA (empresa com sede na Nicarágua) com o prefixo N454TA e em seguida pela Pacific Airlines (rotas domésticas) com o prefixo VN-A168. Quando veio para o Brasil, teria passado por revisão completa, exigências que tanto são feitas pelo fabricante quanto pelas autoridades de aviação.

18 de julho de 2007

As raízes do caos aéreo


Não é justo procurar as raízes dos recentes acidentes aéreos ocorridos no Brasil, como os da Gol e da TAM, em problemas recentes. Eles remontam há mais de 20 anos, quando a Varig ainda voava em céu de brigadeiro, ao lado da Vasp, da Cruzeiro do Sul e da Transbrasil e chegou-se à conclusão de que Congonhas não comportava mais todo o tráfego de São Paulo. Era preciso fazer um novo aeroporto para centralizar sobretudo os vôos internacionais.

Todo mundo que entendia de aviação queria esse aeroporto em Campinas, mais precisamente em Viracopos (foto), já então considerado a estrutura aeroportuária mais segura do Brasil e uma das mais seguras do mundo. Mas era época de ditadura militar e os militares decidiram que o governo faria a obra em Guarulhos, em Cumbica, que quer dizer novem baixa em linguagem indígena, porque lá havia uma base aérea.

Era um dos coroamentos da filosofia da Segurança Nacional, que considerava assim a aviação comercial: caso de Segurança Nacional. Por isso no Brasil há instalações militares em vários aeroportos, sobretudo nos principais deles. Até mesmo uma linha de trem bala ligaria Campinas a São Paulo em 20 minutos. Mas nada disso aconteceu. O novo aeroporto ficou mesmo em nuvem baixa, pois ninguém discutia ordens naquela época.

Em seguida vieram as incompetências governamentais, o não investimento em segurança de vôo, o desleixo para com o cidadão e a sequência de erros que culminaram nos acidentes, sobretudo no de 17 de agosto, com mais de 200 mortos. Tomara não haja outro, porque acontecer, pode. O caldo de cultura está pronto há muito tempo.

O avião da TAM não caiu por acaso. Começou a cair na Ditadura Militar.

12 de julho de 2007

Gorduras "trans"


Depois que alguns cientistas equivocados ligados à Fundação Getúlio Vargas disseram que café é vício e faz mal - o que eles achariam do sexo, por exemplo, já que a maioria das pessoas adultas tem esse "vício"? -, muita gente ficou em dúvida. Será que esse estimulante natural é mesmo tão ruim quanto o Congresso Nacional?
Não é por aí. Ocupe-se de algum tempo, leitor, e entre no site http://www.transfreeamerica.org/ e você vai ficar horrorizado. Vai conhecer o mundo das gorduras "trans", presentes numa série imensa de alimentos industrializados e que mata muito mais do que escrever bobagem. Gorduras presentes, por exemplo, no "inocente" saquinho de batatas fritas da imagem acima.
Vai saber o que é gordura hidrogenada, feita em laboratório para ficar sólida. Ela é industrializada a hidrogênio e, depois de dura, tem que ser clareada e aromatizada, pois ficou escura feito breu e fedeu feito...deixa prá lá. E vai ver porque ela mata, provocando tantas doenças. Plastificando seus vasos sanguíneos, dentre outras agressões mais.
Leia. Mas leia tomando um café. Café não tem essa porcaria.

6 de julho de 2007

A panela de pressão


Um homem, que por acaso sou eu, a cada 90 dias precisa levar o pai para revalidar uma receita que dá a ele o direito a um medicamento controlado e de alto custo, importanto, capaz de manter sob controle um câncer de próstata. O lugar, situado em Maruípe, bairro de Vitória (ES), é, como todo ambiente credenciado pelo SUS, um depósito de gente. E de gente velha. Chega-se lá por volta das 05 horas. Os velhos ficam sentados às cadeiras e outras pessoas entram na fila para dizer que seu fulano, seu sicrano e seu beltrano chegaram e querem ser atendidos.
Por volta das 07 horas, com o lugar superlotado, começa o atendimento. Coisa de três a quatro minutos por, digamos, cabeça. Ou por próstata, como queiram. As receitas são revalidadas para mais três meses, que significam três injeções do dito remédio, aplicado sob a pele da barriga.
Por que fazer isso, se o doente não vai se curar e precisará do medicamento enquanto viver? Explicação didaticamente dada por funcionário do SUS: algumas pessoas pobres pegavam as injeções e as vendiam a terceiros. Vendiam, no caso, a própria vida, já que dependiam do medicamento para viver. Descoberto isso, e para que o dinheiro público não fosse desviados para fins escusos, criou-se esse sistema. E mais: para a completa segurança do dito sistema, o doente não pega mais o remédio para pedir aplicação na farmácia ou em casa. Ele vai todos os meses a um hospital credenciado pelo SUS e toma a injeção lá.
Está salva lavoura. E provado que, aqui no Brasil, dinheiro público só é roubado por membro do Poder Público. Dos três poderes, pois os direitos são iguais pelo menos no que diz respeito à falta de vergonha, de caráter e de comprometimento para com a população.
À saída, na porta do depósito de cancerosos, um homem me aborda. Paupérrimo. Poucos dentes na boca. Abre uma bolsinha e diz que vende peças de artesanato por R$ 1,00. Mostra-me várias panelas de pressão feitas a partir de latas de cerveja ou refrigerante. Por incrível que pareça, perfeitas. Compro uma de feita de lata de Coca-Cola e estou olhando para ela agora.
São 10h30m de sexta-feira, 06 de julho de 2007, e havia um homem honesto na porta daquele lugar. O coitado nem sabe que lá dentro são atendidos outros homens como ele, que precisam ficar na fila para que o dinheiro público, meu, seu, de todos nós, possa ser roubado apenas por "quem de direito". Afinal, convenhamos, não há recursos escusos para todos. Alguém precisa ficar sem uma fatia do bolo, ou para morrer ou para fazer panelas de pressão.

29 de junho de 2007

Os favores e os rigores da lei

"Aos amigos, os favores da lei. Aos inimigos, os rigores da lei".
Esse pensamento é atribuído ao ex-senador e ex-governador do Espírito Santo, Carlos Fernando Monteiro Lindenberg. Ele falava isso sempre. Mas algumas pessoas dizem que tomou o "pensamento" emprestado de um tio seu, Jerônimo Monteiro, político e ex-presidente do Estado. Como os dois já morreram há muito tempo, fica a dúvida.
Mas é bom ler novamente o pensamento, pois traçaremos paralelos:
"Aos amigos, os favores da lei. Aos inimigos, os rigores da lei".
Um belo dia, garotões de classe média alta de Brasília tocaram fogo no índio Galdino e o mataram num banco de praça onde este dormia. Pensavam que se tratasse de um mendigo. Outro dia, garotões de classe média alta do Rio de Janeiro, espancaram cruelmente a doméstica Sirley numa parada de ônibus onde ela aguardava condução. Pensavam que era uma prostituta.
Nós estamos no Brasil, senhores. Os garotões de Brasília e os do Rio de Janeiro são os amigos. Os da nossa classe, os que vivem perto de nós. Estudam, frequentam bailes e boates.
O índio Galdino e a doméstica Sirley são indivíduos menores e que podem ser ofendidos sem problemas. Vivem longe de nós. Apenas nos servem. Eventualmente.
Já os mendigos e as prostitutas, bem, esses não contam. Não existem. Tanto que algumas pessoas se ferem ou morrem porque nossos garotos pensam que são eles.
Todos os garotões de Brasília desfrutaram dos favores da lei e hoje estão soltos. Os do Rio de Janeiro não devem se desesperar. Carlos Lindenberg sabia o que falava.
Os rigores da lei estão reservados aos filhos de Galdino e de Sirley. Eles que se cuidem!

14 de junho de 2007

O espírito da coisa

As pessoas se perguntam porque, em meados de 2007, depois de perderem a Copa do Mundo da Alemanha ano passado, alguns jogadores da Seleção Brasileira estão pedindo dispensa, recusando-se a vestir a "amarelinha", como dizia Zagallo, e se dedicando apenas aos seus clubes. Seria isso um caso de perda de patriotismo?
Vamos com calma. O espírito da coisa é o seguinte: os jogadores famosos de hoje apenas vestem as camisas dos grandes clubes. São, na verdade, contratados de grandes empresas multinacionais de diversas áreas, todas elas investidoras dos grandes clubes e que sustentam o futebol gastando horrores mas exigindo retorno. A elas interessa o jogador o tempo todo com uma camisa que ostente sua logomarca e não com a da CBF, que não a tem. Daí os problemas. E eles vão continuar por muito tempo mais.
Por que a Fifa apóia os clubes e não a CBF nessa queda de braço? Porque os patrocinadores dela são os mesmos dos clubes, claro. E por que a CBF não denuncia isso? Pelo mesmo motivo.
Já o jogador pede dispensa porque a carreira dele é curta e o dinheiro, o hoje. E Seleção Brasileira, atualmente, só é atrativo para quem está se iniciando e precisa chamar a atenção.
Duro isso, não? Mas é o espírito da coisa.

1 de junho de 2007

Simples, meu amigo!

Um homem perguntava perplexo, diante do quadro de uma escola pública destroçada em plena cidade grande, porque se gasta tão pouco, se investe tão pouco em educação no Brasil.
Simples, meu amigo!
A ignorância perpetua o poder. É muito difícil convencer um homem culto a votar, dadas as exigências que ele faz. Mas é simples conquistar (ou seria "comprar" ?) o voto do inculto, sobretudo se ele estiver com fome. Basta matar a fome dele, ainda que incidentalmente. Mesmo só durante um certo período da vida dele. O período que interessa...
Olhe para a história do Brasil: a miséria sempre foi a perpetuação do poder neste país. O coronéis, ao contrário do que se imagina, não acabaram. Não foram extintos. Eles apenas se transferiram. Saíram do agreste, da área rural, para as grandes cidades.
A miséria acaba quando o Brasil mudar. E ele não vai mudar pela ação dos atuais detentores do poder. Ele muda quando a próxima geração chegar, ainda assim caso ela tenha meios e vontade cívica de aprender com o que está vendo. Só assim.

29 de maio de 2007

Não haveria vagas

Pouco antes de depor numa CPI que investiga corrupção no governo japonês, em 28 de maio, o Ministro da Agricultura, Toshikatsu Matsuoka, cometeu suicídio. Acusado de desviar dinheiro público, o que é profundamente desonroso na cultura de seu país, ele praticou um ato que não era praticado no Japão desde o término da II Guerra Mundial.
Chego a pensar em sugerir isso no Brasil. Mas não. Não haveria vagas nos cemitérios.

17 de maio de 2007

Até quando?

Noite de 16 de maio de 2007. O Jornal Nacional leva ao ar um telefonema gravado de um Juiz de Direito de nome Dória, envolvido com praticamente tudo o que pode ser considerado condenável na vida pública. Ele diz a um interlocutor, a propósito de receber do Estado indenização em nome de sua mulher, sem recorrer a carta precatória, que a quantia de R$ 300 mil é "uma merreca". Em seguida, que dará 25 por cento a seu interlocutor. E esse interlocutor é um coronel da PM, assessor direto do governador do Estado do Rio de Janeiro.
Logo em seguida aparece o advogado do Juiz, dizendo que não havia encontrado nada de condenável nas declarações do "magistrado". E este, em seguida, em off, dispara: "Vou provar a minha inocência". Isso tudo acontece na véspera do dia em que a Polícia Federal prende mais uma gang completa de figurões envolvidos em falcatruas.
Em tempo: no mesmo noticiário do dia 16 foi noticiado que no Brasil funcionários públicos do Poder Executivo envolvidos em roubalheira são processados e demitidos, sem direito a nada. No caso do Poder Judiciário, eles só podem ser aposentados sem perda de vencimentos . Nada além disso. As leis não permitem.
Pergunta-se: até quando vamos viver num país assim?

10 de maio de 2007

Defensor da globalização

Os franceses ficaram horrorizados com o que chamam de viagem "indecente e luxuosa" de seu presidente eleito, Nicolas Sarkozy, convidado a um cruzeiro de luxo de três dias a Malta, pouco antes de tomar posse na presidência da República da França.
Bobagem, gente!
O iate pertence ao bilionário francês Vicent Bolloré, que deve gostar sinceramente de Sarkozy. Caso contrário, convidaria a mim para o passeio. Além do mais, a embarcação tem nome espanhol (Paloma, que quer dizer pomba) e bandeira inglesa, sendo registrada em Southampton.
Compreendam: o novo presidente francês defende a globalização! Pelo menos a dele.

2 de maio de 2007

Charada solucionada

Um sábado desses, estava eu comendo pastéis numa feira livre de Jardim da Penha, bairro de Vitória-ES, onde moro. Surgiu então um amigo, velho torrefador de Cariacica, Grande Vitória, e começamos a conversar. Lá pelas tantas, como era inevitável, a conversa derivou para os incontáveis escândalos que cercam o atual governo brasileiro. E eu perguntei:
- O que houve com o PT?
E resposta veio prontamente:
- Álvaro, se um dia você resolver convidar alguém para almoçar na sua casa, convide quem tenha o hábito de comer todo dia. Senão não vai haver comida que baste.
Está solucionada a charada. Não há comida que mate essa fome!

24 de abril de 2007

O fim da picada!

Domingo, 22 de abril, à noite, um cidadão de Vitória dirigia seu carro, um Fiat Palio avaliado em R$ 30 mil e sem seguro total. O nome da pessoa não será informado por motivo de segurança. A uma parada do veículo ele foi cercado por dois marginais. Retirado do automóvel, o motorista terminou agredido e largado na rua. Correndo, conseguiu chegar a um distrito policial onde quem o atendeu se recusou a enviar pedido de busca do veículo por rádio antes de fazer o registro de ocorrência, como mandavam os manuais. E era demorado...
Dia seguinte, dolorido, o motorista assaltado e em cujo veículo havia ficado sua pasta com diversos dados, inclusive o cartão profissional, recebeu um telefonema. Era o ladrão, gente. E ele propunha devolver o carro mediante o módico pagamento de R$ 5 mil. O cidadão foi à Polícia e lá disseram a ele que talvez fosse melhor pagar mesmo. Mais garantido!
É o fim da picada!

19 de abril de 2007

Novo golpe na internet

Um novo golpe, dos tantos que já existem, corre pela internet. Repare no e-mail abaixo:

De: account.noreplay [mailto:account.noreplay@gmail.com.] Enviada em: quarta-feira, 18 de abril de 2007 23:27Para: alvaroAssunto: Cancelamento de seu E-mail.


Prezado cliente, seu email está expirando, dentro de (48 horas) se não houver o recadastramento seu E-mail será automaticamente cancelado.Para sua maior comodidade lhe damos o direito de escolher se irá reativar ou cancelar o seu endereço virtual.Siga as instruções abaixo.Recadastrar E-MailO recadastramento será efetuado na ativação do seu SMTP. Para fazer a reativação do seu E-mail basta click no link abaixo. Recastramento do E-mail (Ativar Smtp) Cancelamento E-MailCaso queria cancelar essa conta será necessário desativar o SMTP ou esperar 48horas para o cancelamento automatico.Para fazer o cancelamento do seu E-mail basta click no link abaixo.Cancelamento do E-mail (Cancelar Conta) IP: 243.211.192.004E-mail: accounts-noreply@email.comAccounts-Noreply Agradece!
OBS: Accounts-Noreply não envia e-mail Execultaveis.

Se você receber um e-mail desses, não abra nenhum dos links. Eles contêm programas espiões que vão ser instalados no seu computador. Isso é golpe de desonestos.

13 de abril de 2007

E foram soltos...

Conversa de botequim produz cada coisa...
Lembrávamos de 1964. Logo depois do 31 de março, o jornalista Darly Santos e o músico Maurício de Oliveira, ambos militantes do PCB, o antigo Partidão, foram presos e levados para o 38º Batalhão de Infantaria em Vila Velha, região metropolitana da Grande Vitória.
Diante deles, um coronel mal encarado. Virou-se para o primeiro, Darly, conferiu o nome e disparou queima-roupa:
- O senhor é comunista.
- Não, sou jornalista - respondeu ele.
O coronel virou-se para o segundo, perguntou o nome e, antes que pudesse continuar, veio a afirmação angustiada do outro lado:
- E sou violonista!
Os dois foram soltos. Eram enfáticos demais para a lógica da tal "revolução".

29 de março de 2007

História da carochinha

O presidente da GOL, Constantino Júnior, ao estar ontem (28/03/2007) com o presidente Lula e seu grupo mais próximo da área de aviação, em Brasília, disse candidamente que se a compra da Varig for concretizada, as duas empresas vão atuar de forma independente e essa concentração de setor "compartilhada" com a TAM jamais será usada para combinar preços, elevar tarifas, servir titica a bordo ou outras práticas comuns onde não há concorrência ou onde esta se limita a reduzido número de empresas que podem fazer acordos pouco claros.
Não sei se acontece o mesmo com o leitor, mas eu não acredito em Branca de Neve.

23 de março de 2007

Os heróis dele

Estão escondidos pelos canaviais do Brasil os maiores batalhões de bóias frias do país. Reside nesses mesmos canaviais a quase totalidade dos trabalhadores em regime de semi-escravidão existentes ainda hoje, mais de um século após a Lei Áurea.
Você conhece Campos dos Goitacazes, Estado do Rio de Janeiro? Eu conheço. Metade de minha família é de lá. E vêm de lá relatos inacreditáveis sobre as condições de trabalho impostas àqueles que, das primeiras horas da manhã até o início da noite, suam sangue cortando toneladas de cana diariamente para abastecer os engenhos.
Lá em Campos há viúvas de homens que morreram de exaustão. Era preciso cortar sem parar, pois o ganho é por tonelada cortada. Em casa havia crianças que choravam de fome. Os pais não suportavam aquilo e cortavam, cortavam, cortavam, cortavam até morrer. Vários morreram.
São esses senhores de engenho os heróis do presidente Lula, segundo ele disse, publicamente, esta semana.
Cada povo tem o presidente que escolhe. E cada presidente tem heróis de sua estatura.

21 de março de 2007

Golpe usando a Polícia Federal

Atenção para uma tentativa de golpe que está correndo esses dias pela Internet.
Pessoas sem escrúpulos estão enviado para a gente, por intermédio de um endereço dpf@dpf.com, como se fosse do Departamento de Polícia Federal, comunicados dizendo que fomos investigados por crime de pedofilia. Eles colocam dois links logo abaixo para serem abertos como se estes contivessem as provas dos crimes - fotos de crianças circulando em sites pornográficos - e, ainda, um último onde a vítima poderia instalar em seu computador programa capaz de impedir que sites pornográficos tirassem dados de seu computador como as fotos que supostamente estão circulando e são objeto de inquérito ou processo.
Tudo falso. Quem abrir qualquer desses links vai colocar um trojan no seu computador. Um endereço .com é do exterior e não do Brasil.

8 de março de 2007

Classe Média Brasileira

Música de periferia nos reserva às vezes algumas surpresas.
Recebi uma sugestão para acessar este endereço e dar uma ouvidinha na música "Classe Média Brasileira".
Ouça também. São apenas 3 minutos e 44 segundos. Não se trata de nenhuma preciosidade, mas é bom saber o que "eles" pensam de nós. Afinal, nós sabemos o que pensamos "deles".

28 de fevereiro de 2007

Menor que a nossa...

"E por 30 mil euros... matam três pessoas?".
Foi a pergunta feita por Joseph Doupes à repórter Deborah Berlink, de O Globo, ao saber de detalhes da morte do filho Christian, da nora Delphine e mais um outro francês, todos membros de uma ONG de ajuda humanitária, na manhã de 27 de fevereiro no Rio de Janeiro.
Pobre homem o senhor Doupes, agora obrigado a levar para a França os cadáveres do filho, da nora e ainda o neto de dois anos, que vai crescer órfão.
Mal sabe ele que aqui no Brasil mata-se até por dez euros. Ou por menos do que isso.
Ironia do destino: a tragédia dele só não é maior do que a nossa.

23 de fevereiro de 2007

Vai um diploma aí?

Tem de tudo nos dias atuais na internet. Hoje, proveniente do endereço (270) 818-7244 Grace [915horace@kdsi.net], recebi um singelo e-mail de gente me oferecendo diploma. Segundo o texto, é possível conseguir em um prazo que varia de quatro a seis semanas. O freguês escolhe o tipo de "canudo". Até mesmo PhD.
O e-mail é encerrado com o telefone da espelunca para onde a pessoa pode ligar se quiser comprar o tal diploma. Telefone do exterior, claro. Ou seja, é possível cometer o crime longe do Brasil. Eis o e-mail completo enviado:
"Yo Alvaro.
A Genuine Univers1ty Degree 1n 4-6 weeks!
Have you ever thought that the only thing stopping you from a great job and better pay was a few letters behin dyou name? Well now you can get them!
BA BSc MA MSc MBA PhD
Within 4-6 weeks!
No Study Required!
100% Verifibale!
These are real, genuine degrees that include Bachelors, Masters, MBA and Doctorate Degrees. They are fully evrifiable and certified transcripts are also available.
Just call the number below.
You?ll thank me latre?
Ring Right Away +1 (270) 818-7244
Anytime
--------+++++++---------++++++++
Rufus's voice was slurred with exhaustion. Obedient, Quintus droppednothing, he thought, nothing could have been worse than what hadpushed into the sorry tent, drew himself into the salute... ...and."
Durma-se com um barulho desses...

13 de fevereiro de 2007

Questões "pontuais"

A morte estúpida, violenta, sem sentido do menino João Hélio, o Joãozinho, semana passada no Rio de Janeiro, reacendeu no Brasil a discussão sobre a pena de morte. Uma discussão que tende a desembocar ou em um plebiscito emocional ou no vazio.
O problema é que o Congresso, onde a questão da violência deveria ser discutida com força, coragem e com as opiniões das melhores mentes, está hoje envolvido com assuntos mais, digamos, "pontuais": negociações sobre divisão de ministérios, cargos de primeiro, segundo e terceiro escalões, acordos, conchavos, cálculos de comissões a receber ou outras "urgências". Eu seria leviano em dizer que todos os congressistas são assim, mas não o seria se afirmasse, como afirmo, que parte deles o são. E só isso já representa um dano considerável.
Terrível, mas talvez Joãozinho tenha morrido violenta, cruel e estupidamente em vão.
O futuro vai dizer.

1 de fevereiro de 2007

A zoeira do Kassab

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, finalmente está no Your Tube. Fez uma brincadeira com o acidente da estação do metrô de Pinheiros e sua fala foi para a Internet no endereço www.youtube.com/watch?v=pkxZ_DkLqis.
Bem que ele tenta explicar como um prefeito brinca em público com uma ocorrência de sete mortos e tantos desabrigados, mas dificilmente vai conseguir. "Zoeira" mesmo é fazer graça com motel numa hora como essa.
No filmete de pouco mais de um minuto é possível ver o que ele diz, sendo entrevistado pela TV Cultura, sobre o que se teria passado no interior de um motel das proximidades do acidente, quando o buraco do metrô veio abaixo.

29 de dezembro de 2006

Bandidos e outros

A mídia criou um termo próprio, quase somente dela, para identificar quem comete crimes: bandido. Então, assaltante é bandido. Sequestrador, também. Incendiário, idem. Estuprador, igualmente. E vai por aí. Como na época do bang-bang.
A nova prática simplifica o trabalho redacional mas tem um lado negativo e que é o de não tipificar os crimes cometidos. Para saber o que houve, o leitor/ouvinte/espectador precisa conhecer um pouco da matéria ou se assenhorar o mais possível do que está acontecendo. Com o risco de nem tudo ser dito.
Mas o Edemar Cid Ferreira não é bandido, embora tenha roubado milhares de pessoas. O Antônio Pimenta Neves também não, mesmo tendo assassinado uma ex-namorada com dois tiros pelas costas. E o juiz Lalau é sempre chamado por esse "simpático" apelido, mas também nunca foi alcunhado de bandido.
Então, entendamos: bandido é o criminoso pobre. Os demais são o que são: ladrões do dinheiro alheio, assassinos confessos, magistrados corruptos e vai por aí.
As democracias são totalmente democráticas apenas nos discursos.

14 de dezembro de 2006

Haikais do Marien

Foi lançado em Vitória, ES, na noite de 13 de dezembro de 2006, o livro "Herança do Vento", do jornalista e escritor Marien Calixte. O livro reúne haikais do autor, de outros autores, além de textos vários sobre essa maravilhosa técnica japonesa de fazer poesia, pela qual Calixte se apaixonou depois de ter navegado por outras modalidades de literatura.
E edição bonita, com 278 páginas e da Editora Cidade Alta, o livro começou a ser vendido pela Livraria Nobel (R$ 30,00 no lançamento), mas será encontrado em outros endereços literários. Um exemplo:
Amar não exclui
a solidão, esse indivi-
sível fardo.

12 de dezembro de 2006

Confisco da poupança

Parece mentira, mas é verdade. A exemplo do que fez o ex-presidente Fernando Collor de Melo, o atual governo Lula está pretendendo confiscar a Poupança dos brasileiros. E desta vez com o discurso de que é para combater a miséria.
Um projeto de lei já tramita no Congresso Nacional e, se for aprovado, vai fazer com que os brasileiros tenham limites impostos pelo Governo para gastar o que é seu. Para conferir, basta acessar os seguintes links:
Confira na Íntegra o Projeto:
http://www.camara.gov.br/sileg/MostrarIntegra.asp?CodTeor=327088
A situação do projeto na camada dos deputados:
http://www.camara.gov.br/sileg/Prop_Detalhe.asp?id=156281
Artigo de um economista sobre a medida:
http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=1784Leia o projeto e divulgue para não deixarmos isto acontecer!

6 de dezembro de 2006

Santo de casa

O Globo de 06/12/2006 publica matéria na capa do Segundo Caderno na qual focaliza um fenômeno tipicamente brasileiro: o dramaturgo Augusto Boal, pai do Teatro do Oprimido, já tem escritos sobre ele nada menos que 28 livros que enfocam sua pessoa ou sua obra. Nenhum deles em língua portuguesa.
Não seja por isso. Mário Petrochi de Oliveira, engenheiro, ex-diretor da Escelsa, já há alguns anos tornou-se o maior estudioso do Espírito Santo em turismo. Lecionou, escreveu vários livros adotados por faculdades e universidades e faz palestras sempre que sobra tempo. Jamais fez uma palestra em seu Estado. Seus livros não são adotados por nenhuma escola de nível superior capixaba.
Até mesmo um projeto que fez para o uso de casas de pequenas cidades do interior no serviço de oferta de quartos e café da manhã para turistas foi apropriado por outros depois de uma curta passagem sua pela Secretaria Estadual de Turismo de seu Estado. Santo de casa não faz milagre em lugar nenhum.