15 de junho de 2022

Não tenhamos esperanças


É muito difícil entender como foi possível à embaixada do Brasil no Reino Unido manter contato com os familiares do jornalista Dom Phillips, anunciar o encontro de seu cadáver mais o do indigenista Bruno Pereira para depois tudo ser desmentido porque a viúva de Dom comunicou isso a um jornalista competente, digno e que colocou a notícia no ar em sua emissora. E levou outros a noticiarem o fato, como foi meu caso na crônica anterior. Duas certezas moram comigo no que diz respeito a esse episódio: ordens superiores determinaram o desmentido da embaixada (cabeças vão rolar..) e não existe a menor possibilidade de que os dois desaparecidos em Atalaia do Norte estejam vivos.

Não tenhamos esperanças.

Esse caso nos remete a um passado não muito distante para todos os que acompanharam a história do Brasil recente, pós 1964. Se a gente se recordar da Guerrilha do Araguaia (foto) vai entender como funcionavam as coisas naquela época: prender, julgar, condenar, dava muito trabalho. Sumir com as evidências era mais fácil. Isso foi feito também fora do Brasil porque os métodos são todos oriundos dos Estados Unidos. Por isso Ernesto Che Guevara foi assassinado depois de ter sido capturado vivo na Bolívia. Dar a ele o marketing de um julgamento público, do qual sairia endeusado para muitos, estava fora de cogitação. Era melhor "morrer em combate". Como as PMs fazem no Brasil até hoje quando matam e dizem que o inimigo ou inimigos resistiram à prisão armados. Claro, sem testemunhas.

Na Amazônia é fácil abrir o ventre de um cadáver, colocar um peso dentro dele e afundá-lo no rio mais próximo. Fica praticamente impossível encontrar alguma coisa, até porque a imensa maioria dos peixes são carnívoros. Eles fazem a pior parte do trabalho. Quantos presos políticos até hoje estão desaparecidos no Brasil? Por isso as autoridades insistem em parar com as buscas.

Dom Phillips e  Bruno Pereira, dentre outras coisas, estavam ensinando índios e ribeirinhos a operarem drones para monitoramento e denúncia de garimpo e pesca ilegal, mineração criminosa, grilagem e outros crimes comuns na região. Tinham que morrer pela lógica do crime organizado. Talvez, e isso é uma aposta minha, nunca venham a ser encontrados. Quem sabe tudo são aqueles que deram as ordens superiores.

Mas eles não vão falar...           

13 de junho de 2022

O crime organizado é ele!


Aconteceu o que todos temiam, mas ninguém queria afirmar: a embaixada britânica comunicou hoje à viúva do jornalista Dom Phillips que os corpos dele e do sertanista Bruno Pereira foram encontrados pelas equipes de buscas. Isso ocorreu em seguida ao encontro de uma mochila dos dois desaparecidos e assassinados pelo crime organizado que ocupa praticamente toda a Amazônia. Em seguida a Policia Federal e outros órgãos desmentiram o fato, mas uma informação da embaixada a familiares nunca pode ser descartada como noticia oficial

Jair Messias Bolsonaro é o crime organizado!

Desde que ele assumiu a presidência tem feito tudo para, dentre outras inúmeras coisas, permitir a devastação da Amazônica e o massacre dos indígenas brasileiros. Acabou com os órgãos fiscalizatórios, sobretudo a Funai, demitiu ou exonerou servidores encarregados da fiscalização e controle do meio ambiente e das terras indígenas e muito mais. Bruno Pereira, por exemplo, cumpria seu papel protegendo as áreas onde vivem grupos isolados de índios, esses com pouco ou nenhum contato com os "civilizados", e por isso foi exonerado. E não só ele. Inúmeros servidores dos mais diversos órgãos já foram afastados de seus cargos depois que esse sujeito assumiu a presidência. Até a Polícia Federal terminou atingida porque o presidente pura e simplesmente quer controlar a tudo e a todos, colocando marionetes sob seu comando em postos chaves.

Bruno Pereira e Dom Phillips foram mortos por Jair Bolsonaro. Não por ele pessoalmente - já que diz aos quatro ventos ser capitão de artilharia e o que sabe fazer é matar -, mas pelos esquemas montados para permitir a devastação do Brasil. Esses esquemas incluem fazer vista grossa a crimes que são praticados por garimpeiros, grileiros, madeireiros e outros, o que permite o crescimento das redes de criminosos que atuam na Amazônia à revelia das leis. Como o presidente só sabe agir atropelando nosso arcabouço legal, quem age como ele é seu amigo de fé, irmão, camarada.

Que as mortes de Dom e Bruno nos acordem de uma vez por todas.                          

7 de junho de 2022

A reforma de um só lado


A proximidade da eleição presidencial de outubro está trazendo à baila uma discussão que sempre volta à mesa de negociações de quatro em quatro anos: as relações trabalhistas do Brasil. E agora ela está sendo focada num tema espinhoso: o presidente a ser eleito - quem já tocou no assunto foi Luiz Inácio Lula da Silva, do PT - deve ou não deve revogar a reforma feita pelo atual governo?

Sempre que se discute o assunto toma-se por base a lógica do capital: o custo do trabalhador é muito elevado no nosso país porque os encargos trabalhistas mais do que dobram para o empregador o custo final da mão de obra. Mas a discussão passa por cima de um fator fundamental e que reside no fato de termos dois brasis num mesmo país: o do INSS e o do serviço público. Um é pobre e vive de pires na mão. O outro tem pouco ou quase nada a reclamar e se aposenta com vencimentos integrais depois de, ao longo da vida, ganhar bem mais do que os trabalhadores da iniciativa privada. Sem demissão.

O que foi a reforma trabalhista do atual governo? Apenas e tão somente a vontade do capital. Em nenhum momento o trabalho foi ouvido. Ou muito me engano ou o atual presidente jamais recebeu um líder trabalhista. Nunca ouviu as suas reivindicações. Em momento algum esteve em um sindicato ou outro órgão representativo dos trabalhadores. Mas na "República da Faria Lima" já foi várias vezes.

Só existe justiça social quando se consegue conciliar os interesses do capital e do trabalho. E isso é possível! Uma reforma trabalhista feita de um lado só, além de não conciliar interesses engorda quem já é gordo e torna mais frágil quem já passa necessidades. E basta andar pelas ruas, ver as legiões de moradores em situação de miséria para constatar o que estou afirmando aqui.

Não podemos viver num Brasil onde se desconhece a existência do trabalhador privado. E também onde o servidor público forma uma casta privilegiada. Essa questão tem que ser enfrentada, discutida, vencida. E é claro, isso não vai acontecer com o atual presidente renovando seu mandato. Precisamos ter em Simone Tebet, Lula ou Ciro Gomes uma opção de construção de sociedade mais justa.

Afora a expectativa de um dos três não temos nada na linha do horizonte.              

30 de maio de 2022

Matam Genivaldo todos os dias


Não é surpresa para ninguém que o Inominável tenha chamado Genivaldo de Jesus Santos de marginal. Surpreendente seria o inverso. Mas deixa o Brasil estupefato nós sabemos que muitos "genivaldos" são mortos todo os dias em todos os locais desse País, contanto cumpram com alguns requisitos, digamos básicos: sejam pobres, negros, morem em regiões muito carentes (favelas), não se vistam bem e se recusem a cumprir cegamente as ordens dos agentes públicos.

O homem assassinado era doente mental, tomava remédio controlado, foi parado pela Polícia Rodoviária Federal porque estava pilotando motocicleta sem capacete e com toda a certeza, depois de cumprir as primeiras ordens da PRF, se insurgiu por puro medo. Infelizmente, e é preciso admitir isso, os órgãos policiais brasileiros são reconhecidos por grande parte da população como inimigos.

Pilotar sem capacete o Inominável faz quase todos os dias e não apenas jamais foi parado pela PRF, mas em inúmeras ocasiões acabou sendo escoltado por ela. Os pobres não têm essa sorte. São assassinados como aconteceu com Genivaldo e depois desse último episódio, alguns casos estão vindo a público, pois denúncias são feitas agora que a coragem supera o medo de morrer sem que os assassinos sejam identificados para pagar, mesmo com a mais alta autoridade do Brasil os chamando de marginais.

Recentemente houve mais uma chacina no Rio de Janeiro. Eram criminosos os mortos? Que fossem, mas tudo indica que alguns foram executados. No penúltimo episódio dessa natureza isso ficou provado com as investigações e filmagens feitas. Pouco importa aqui se alguém acha que bandido bom é bandido morto porque a diferença entre o bandido e o mocinho é que o segundo segue religiosamente as leis até mesmo por dever de ofício. É isso o que difere um do outro.

Nós  moramos num país onde os agente públicos armados acham que podem matar impunemente atropelando todos os textos legais. Que tragédia! Mais "genivaldos" vão ser mortos por tortura, pura crueldade, na frente de todo mundo, em plena luz do dia e em via pública.          

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23 de maio de 2022

Sua excelência o factoide


Hoje mesmo o presidente da República promoveu novo ataque aos governadores, tentando mais uma vez transferir a eles a responsabilidade pelos aumentos do preço dos combustíveis. Ele mente, sabe disso e insiste porque, como diziam os próceres do nazismo, uma mentira repetida inúmeras vezes se torna verdade. E levar a discussão a esse terreno, também ele sabe, muda a discussão de esfera: ela sai do desemprego, da crise econômica, do desencanto do país para outro terreno menos pantanoso.

O presidente se recusa terminantemente a aceitar os princípios do pacto federativo que regem o Brasil nos campo político e econômico. O que é isso? Trata-se de um conjunto de dispositivos constitucionais que desenham a moldura jurídica, as obrigações financeiras, a arrecadação de recursos e o campo de atuação dos entes federados: União, estados e municípios. O poder é compartilhado porque assim se
determinam os limites entre uma atuação e outra. Nada é e nem pode ser absoluto.

Mas como enfiar isso na cabeça tosca de um sujeito que já fez diversos pronunciamentos dizendo-se amante da ditadura militar de 1964, da tortura e do assassinato de inimigos? Mas que hoje veste a fantasia de democrata de véspera de eleições, pregando uma liberdade na qual jamais acreditou?  Ele apenas e tão somente quer o poder pelo poder e sua continuação no cargo de presidente da República depois das eleições de outubro. Por isso constrói factoides a cada dia que passa, buscando fazer virarem verdade as mentiras que diz todo dia. Como, por exemplo, a de que a Amazônia está sendo preservada!

Esticar a corda é sua preocupação diária, sua maior fixação. Não aceitar as regras democráticas tornou-se um mantra para esse indivíduo que só ainda não deu um golpe de Estado no Brasil porque a parte mais responsável das Forças Armadas nega-se a embarcar com ele nessa aventura.

Factoide é uma informação falsa ou não comprovada e que é aceita como verdadeira em função de sua repetição sistemática. Isso dá certo em situações nas quais o esquema montado pode contar com o apoio dos meios de comunicação comprometidos com ele. Não é o caso de hoje. Que ódio isso provoca no projeto de ditador de aldeia travestido de democrata! Então a única solução para ele é continuar esticando a corda e gerando atritos diários e repetidos. Afinal, governar ele não sabe.                   

11 de maio de 2022

Compromisso com o golpe


Parece totalmente  fora de dúvida que Jair Bolsonaro quer o golpe de Estado. E aos poucos vai se cercando de militares de alta patente, todos ávidos por dinheiro e poder, para concretizar seu intento. Já não é mais possível disfarçar, fingir que ninguém está vendo: o sujeito não aceitará deixar a presidência da República por via pacífica após as eleições de outubro e talvez tente estuprar a democracia antes disso. Basta ele sentir que suas chances de vencer as eleições são muito pequenas ou nulas.

São falsos, sempre foram, seus discursos em nome da liberdade. No passado não remoto ele deu várias entrevistas se dizendo a favor da ditadura, da tortura e da morte de adversários políticos. A imagem acima, que reproduz uma declaração dele, é mostra clara disso. Pior: todos os mais chegados ao poder sabem com quem estamos tratando hoje, inclusive alguns jornalistas canalhas que se aproximaram dessa fera para obter favores e os estão conseguindo em diversas bolhas de noticiário fraudulento. Um deles, patife até a medula, foi a um restaurante e Brasília vestido com uniforme militar camuflado.

Os questionamentos acerca das urnas eletrônicas, recorrentes, irritantes e inócuos, são uma forma de esticar a corda, tensionar, não permitir que o País saia da crise fabricada pelo presidente com o único intuito de criar um clima pró golpe e tirar a atenção dos brasileiros de seus verdadeiros problemas que passam pela debacle econômica vivida hoje e os constantes escândalos de corrupção registrados todos os dias. Hoje mesmo a Folha de S. Paulo noticia que os generais e serviço do governo ganham cerca de R$ 300 mil a mais por ano que os demais oficiais militares, estejam eles na ativa ou na reserva.

Isso tudo é um escândalo.

Precisamos ficar atentos. Temos que reagir. Denunciar todos os dias os planos maquiavélicos do Capetão para tornar muito difícil que ele destrua nossa democracia. O fato de hoje não contar com a ajuda expressa dos Estados Unidos já é alguma coisa. Mas não tudo. Cada um de nós, brasileiros, temos que lutar contra isso e a favor de eleições livres como estão sendo projetadas pelos TSE com todos os requisitos de segurança possíveis e imagináveis e resistindo a pressões espúrias.

Os patriotas somos nós e não os que sonham com o golpe.        

5 de maio de 2022

Lula pode perder para Lula

O ex-presidente Lula tinha grande vantagem sobre o presidente Capetão na corrida pelo Palácio do Planalto. De bobagem dita em bobagem dita quase todos os dias essa dianteira está indo para o ralo. Para o buraco. Ou os assessores do PT convencem seu candidato a parar de falar besteiras e o preparam melhor para entrevistas importantes como a dada à revista "Time" ou seu mais forte opositor não vai precisar mais chorar o leite derramado como nessa charge acima.

É coisa parecida com o que faz Ciro Gomes. Estava na cara que a ida dele a uma feira do agronegócio no interior de São Paulo provocaria protestos com falta de educação e civilidade por parte do gado bolsomínion. Aconteceu e ele reagiu com um soco no agressor. Também não pode. Só se reage no tapa quando se sofre agressão física. Nas demais situações ou a reação é verbal ou nem deve existir.

O comando da campanha petista passa hoje pelos mesmos problemas de sempre: todo mundo quer aparecer, mandar, dar "pitaco", exercer postos de comando. Não pode porque tribo com mais cacique que índio comum nunca deu certo. O primeiro erro do PT talvez tenha sido o afastamento de Franklin Martins, pois ele é muito capaz. A indefinição que se seguiu a isso acaba sendo pior.

O presidente Capetão conseguiu se cercar de gente competente na área do comando de sua campanha, sobretudo não dando mais o protagonismo de decisões estratégicas ao seu filho do meio. Até quando isso vai durar é impossível prever porque nas familícias como a atual o protagonismo também é disputado com ferocidade. E de ferocidade o gado bolsomínion entende, e muito bem.

Lula corre o risco de perder para Lula. E pelo menos no que toca a mim esse era um risco que eu sabia ser quase certo. Dizer que Zelenski é tão culpado quanto Putin pela guerra e se recusar a fazer análise econômica do momento atual do Brasil não pode acontecer. Não é difícil discorrer sobre a economia brasileira de hoje e qualquer assessor competente da área ajudaria.

Enfim, ainda falta muito para as eleições, a economia brasileira está nas cordas, o desacato à Justiça parece norma de conduta para a chefia de governo, os escândalos se sucedem, a inflação dispara e os erros parecem não mais ter fim. Talvez a sorte de Lula resida no fato de que o Brasil está mal, muito mal, não há competência mínima no governo e Bozo é capaz de produzir mais idiotices que seu opositor.

Se isso não acontecer e a terceira via se recusar a surgir sobretudo com Ciro Gomes à frente, aí sim Lula vai perder para Lula nas eleições presidenciais de outubro.                

30 de abril de 2022

Genocídio indígena no Brasil


As imagens agridem, chocam, levam qualquer pessoa honesta ao pranto. São índios brasileiros em suas reservas, sendo massacrados. Na terra dos ianomâmi mais de 20 mil garimpeiros ilegais invadiram aquele espaço para retirar ouro e outros minerais ilegalmente com o beneplácito do governo federal. Além de fazer vista grossa, esse governo comandado pelo presidente Capetão ainda incentiva os crimes. Até crianças são prostituídas, violentadas e assassinadas à vista de todos.

Diariamente as imagens da agressão são mostradas. Fotos aéreas, filmagens também feitas por aviões e tomadas de satélites. O governo sabe onde estão os garimpeiros, como chegar lá, de que maneira intervir a fim de prender quem comete crimes e deter a escalada do genocídio indígena. Mas não faz nada. Cruza os braços criminosamente, dá campo a que o garimpo ilegal continue a devastar o meio ambiente e acena com falsa impotência dizendo que esse problema é endêmico no Brasil.

A foto que ilustra meu texto é a síntese de tudo. Dois índios em primeiro plano e a floresta devastada, queimada, em segundo plano. O índio depende da mata, do meio ambiente. De lá ele só tira o que precisa para seu sustento, para abastecer sua comunidade. Do meio ambiente vem o alimento que o mantém, a casa que o abriga, a roupa que o protege da chuva e do frio. E também as poucas armas que usa exclusivamente para caçar. Ele não sente prazer em matar, mas apenas precisa se alimentar.

E enquanto os índios são mortos todos os dias e a todas as horas, a campanha política do governo passa por cima disso. Ignora o absurdo. E enquanto a região amazônica é devastada nada se cometa, nada se analisa, não há planos para deter a tragédia. A Funai praticamente não existe mais, o ICMbio foi reduzido a pó, o Ministério do Meio Ambiente é só uma fachada. Tudo está tomado por militares com tendências golpistas, representantes de ruralistas, garimpeiros ilegais e outros criminosos. A tragédia do Brasil não tem mais tamanho.

O que resta fazer?  O que está sendo feito, sobretudo por aqueles que buscam na Justiça uma forma de parar com isso. No Supremo Tribunal Federal está a esperança dos que procuram todos os modos de interromper os crimes contra o meio ambiente e o morticínio das populações indígenas. Infelizmente no Brasil de hoje, principalmente em época de eleição e quando o Centrão foi comprado com nosso dinheiro para representar o crime e os criminosos, afora o STF só há oportunismo na linha do horizonte.

E o STF nos representa. Pelo menos a mim!         

22 de abril de 2022

O decreto tem que cair


Não há a menor sombra de dúvida sobre uma afirmação que faço aqui e agora: o atual presidente da República não sabe governar sem crises. Se elas não existem ele as fabrica. Até porque, e isso é a convicção de muita gente no Brasil de hoje, ele simplesmente não sabe governar coisa alguma.

O último ato do presidente para agredir as instituições democráticas do Brasil foi editar um decreto para dar graça e um bandido que havia sido condenado a pouco menos de nove anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em julgamento que sequer ainda transitou em julgado (foto). E fez isso porque o beneficiado (sic!) é seu amigo pessoal e divide consigo e com o restante da familícia e bolsomínions de raiz o profundo desrespeito por tudo o que os conteste. Principalmente o Judiciário.

Em nome da democracia, em nome das instituições sobretudo civis desse país, em nome da dignidade do Brasil como nação o decreto presidencial tem que cair. Ele precisa ser tornado nulo pelo mesmo STF por ele desrespeitado. E movimentos nesse sentido já estão crescendo a cada dia que passa.

A Marquesa de Santos, amante do imperador D. Pedro I, gostava de chamar seu amado de Capetão. Era um apelido carinhoso embora não parecesse. O Capetão que inferniza a vida dos brasileiros de hoje é diferente. Ele não ama, não sabe fazer isso. Sob seu governo o Ministério da Educação está sendo violentado. O Ministério da Saúde tornou-se mero apêndice da vontade presidencial e de pseudo pastores evangélicos. O meio ambiente é destroçado diariamente enquanto o ministério que teria de lutar por sua preservação é cúmplice no processo destrutivo. A economia patina, há clima de confronto retroalimentado em todas as suas instâncias e o enfrentamento entre o governo federal e os estados e municípios tornou-se política de Estado. Para não tornar o artigo enfadonho, basta dizer mais uma coisa: a Lei Rouanet, tão atacada pelo governo, agora despeja quase meio milhão de reais num projeto de edição de livro sobre armas. Sei quanto custa a edição de livros porque sou escritor. E porque sou escritor sei também que essa aprovação é pura e simplesmente roubo de dinheiro publico a céu aberto.

O Capetão não suporta a vida democrática. Existem imagens de entrevistas dele elogiando a ditadura militar para sustentar minha afirmação. Ele ataca o Judiciário apenas e tão somente para preparar sua militância no projeto de não respeitar o resultado das urnas em outubro se este lhe for desfavorável. Por isso tem que ser enfrentado. Sua graça a um bandido agride. A comoção que vivemos é a de ver o país agredido por quem quer ser seu dono sem contestação alguma, e não pelo veredito do STF.

Repito: é hora de reação. O decreto tem que cair.                          

19 de abril de 2022

Lugar de Toda Canalhice


Um dia ele estava na pensão onde morava e a polícia entrou. Foi levado para um destacamento militar onde chegou com um dedo machucado. "Está doendo?", perguntou o soldado com fuzil nas mãos. Ato contínuo disse que iria tratar do ferimento e, com a coronha fuzil bateu contra o dedo ferido até praticamente o esmagar. O preso, Gildo Loyola Rodrigues (foto), fotógrafo profissional, um dos criadores do Departamento Fotográfico do jornal A Gazeta sofreu tantas torturas que, depois de solto passou algum tempo em um hospício antes de se recuperar e poder voltar a trabalhar normalmente.

A polícia queria saber qual era a "senha". Que senha? É que na entrada da pensão todo dia ia sendo colocado o cardápio de almoço. Por exemplo: "arroz, feijão, bife acebolado, batata frita, salada". E essa relação mudava diariamente. Como Gildo, que tinha militância em partido político clandestino, mas nunca havia atirado em ninguém, se recusasse a dar uma senha inexistente, a polícia e o Exército fizeram o que sabiam fazer quando achavam que alguém era culpado de alguma coisa: torturaram.

Gildo se aposentou em 2011. Fotógrafo brilhante, foi um dos autores do livro "Lugar de Toda Pobreza", produzido juntamente com os também jornalistas Amylton de Almeida e Carlos Henrique Gobbi e parceria de fotos com Helô Sant'Anna sobre o documentário do mesmo nome com dados levantados por Amylton e Gobbi na região do contorno de Vitória onde uma grande invasão se dava em fins da década de 1970. Ele nada tinha a ver com guerrilha, com resistência armada e outros atos de violência. Mais morava, como moramos, no Lugar de Toda Canalhice.

A divulgação dos áudios de julgamentos do Superior Tribunal Militar (STM) com a admissão de torturas durante a ditadura militar brasileira, feito pela jornalista Miriam Leitão que começou sua carreira trabalhando em Vitória no jornal A Gazeta, só surpreende a dois tipos de gente: desavisados e desonestos. E só faz rir os canalhas que consideram lícito terem organizações policiais e as Forças Armadas Brasileiras participado de atos de ignomínia contra parcela de nossa população. Sim, é preciso denunciar. É preciso trazer à baila esse assunto escabroso e deixar tudo registrado nos jornais, rádios, TVs, livros e outros meios, inclusive eletrônicos. Senão acontece de novo.       

14 de abril de 2022

Do que ele tem mais medo?


O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República proibiu a divulgação dos dias em que pastores pilantras foram recebidos no Palácio do Planalto em 2020 e 2021 (foto), o que agride a Lei de Acesso à Informação. A justificativa de garantir a segurança presidencial contra o pedido de um meio de Comunicação é apenas uma desculpa míope para encobrir o verdadeiro motivo: coalhado de caso de corrupção em seu final de mandato, o presidente Bolsonaro quer encobrir todos os seus passos e os de sua familícia nesse ano de eleição negando à sociedade o sagrado direito de saber o que acontece nas entranhas, melhor dizendo, nos intestinos do poder. Denúncias são nitroglicerina pura!

Desde que o Congresso Nacional revogou a Lei de Segurança Nacional, um anacronismo dos tempos da ditadura militar que perdurava na Constituição, o presidente tentou de todas as formas contornar essa "dificuldade". Sem outra alternativa, usa o GSI, um órgão a seu serviço pessoal e comandado por militares subservientes, para se blindar ilegalmente. O último ato foi tornar secretas as idas de pastores ao palácio. Daqui para a frente tudo o que o incomodar terá o mesmo destino. A menos, é claro, que alguém ou alguma instituição recorra ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra essas violências.

O final do mandato de Bolsonaro está sendo um rosário de casos de corrupção. Nunca antes se viu tanta ilegalidade quanto agora. Atos espúrios que vão desde o favorecimento explícito à Engefort, empresa laranja dona da maioria dos grandes contratos do governo federal, à influência de representantes de seitas neopentecostais que se aboletaram nos cumes do poder para garantir todo o tipo de vantagens. E não são só elas: a corrupção cresce até mesmo entre os descendentes diretos do ex-capitão de artilharia e agora envolvem seu filho mais novo, Renan, que não aceita ficar fora da divisão do butim.

Do que Jair Messias Bolsonaro tem mais medo? De perder a reeleição, não importa para quem. Ele sabe que se isso acontecer, seu futuro será responder a uma grande gama de processos e possivelmente dar adeus não apenas ao poder, mas quem sabe à liberdade. Ele conhece todos os atos ilegais que praticou usando a caneta ou ministros, sobretudo em ministérios como os da Saúde e da Educação. Jair, ele tem consciência disso, não pode perder de forma alguma. E para garantir sua intocabilidade, de agora em diante até diarreia vai merecer sigilo de cem anos. Isso sem falar nas ilegalidades que estão por chegar, e no aumento do desmonte das instituições públicas e ataques diretos à democracia. 

O Bolsonaro ditador está apenas tirando a máscara.                

9 de abril de 2022

O vírus militar


Não é o maior filme de todos os tempos, está longe disso, mas vale a pena ver "A mulher de um espião", uma produção japonesa. Na foto acima, os dois principais protagonistas: o "espião" e sua mulher. O fato é real e muito bem documentado numa obra cinematográfica onde é possível ver as limitações de verba nos pequenos detalhes, como os bondes cujas janelas não mostram o que se passa do lado de fora.

Mas esse não é o mote do meu artigo. Sua razão de ser está num fato que mostra até onde vai a capacidade de destruição do totalitarismo, sobretudo militar e independente de ideologia. O "espião" descobre atos de selvageria em investigação "científica" que o Japão promovia na Manchúria ocupada em 1940. E foram os militares japoneses que arrastaram o país para a guerra e o holocausto subsequente.

Ao final do conflito mundial terminado em 1945, o Julgamento de Tóquio mostra o destino que tiveram os maiores comandantes japoneses. Sim, porque na guerra o vencedor julga o vencido e impõe a ele suas leis e penas. Não a toa os norte americanos jamais foram julgados pelos crimes de guerra cometidos no Vietnam e em outros conflitos armados dos quais participaram e participam.

Note o leitor: ao final da guerra o imperador Hiroito, homem probo e que em vida foi reconhecido como a maior autoridade mundial em biologia marítima da época, não perdeu o trono. Deixou de ter status de divindade, sua autoridade passou a ser meramente cerimonial, mas o império sobrevive intocado no Japão. Digno, austero e agora incapaz de ser corrompido pelo poder militar. Sim, porque o Julgamento de Tóquio visava destruir o militarismo japonês, o câncer daquele país, e isso foi conseguido. O império, a forma de governo, jamais foi alvo.

Nas sociedades modernas é necessário que o poder seja equânime. Não pode um estrato social ter prevalência sobre os demais, sobretudo um setor armado. Ele pode ser levado a se considerar dono do Estado, artífice da Justiça, acima das leis e dos costumes quando não concordar com eles. Se isso se tornar agudo os danos que o país sofrerá são inimagináveis. Um dia o Brasil vai ter que liquidar, preferencialmente por via pacífica, com o vírus de seu militarismo. E é chegada a hora. 

29 de março de 2022

Não há mais governo nessa corrupção


Um mantra do atual presidente da República é dizer que não há corrupção em seu governo. Mas toda semana explode um escândalo de grande porte. O último fez com que o ministro da Educação, Milton Ribeiro, fosse defenestrado. Ele já era o quarto ocupante da pasta somente durante os últimos três anos e pouco. Por mais que lute contra isso, por mais que tente fazer a opinião pública negar o óbvio, a cada dia Bolsonaro se envolve em outros atos espúrios que ele mesmo patrocina e tenta repassar a terceiros.

Dois ministérios de importância vital para o Brasil vivem de escândalo em escândalo desde a posse do capitão quase expulso do Exército: Saúde e Educação se tornaram feudos da pequenez intelectual de Bolsonaro em sua ascensão ao poder. E isso porque ele quer de todas as formas dar às duas pastas a "sua cara", como costuma dizer. E essa cara é fascista, revisionista, limitada e presa a preconceitos que vão do ódio que sente contra todos os pensamentos de esquerda ao alinhamento incondicional a seitas neopentecostais picaretas. E elas não são poucas. Proliferam porque não têm predadores...

Milton Ribeiro é o mais recente exemplar dessa fauna estranha. Todos sabemos que as ordens sempre vieram da presidência da República. Ou os ministros obedecem cegamente ao presidente ou são demitidos. Até mesmo Sérgio Moro, o ex-juiz que se aliou a esse governo depois de ter sido artífice da Operação Lava Jato, esquema de perseguição política implacável (não estou dizendo que os acusados e condenados eram inocentes) e que influiu decisivamente nas eleições de 2018, acabou sendo vítima do grupo que ajudou a colocar no poder de Brasília. Teve os olhos arrancados pelos corvos que criou...

Jair Messias Bolsonaro sacrificou seu último ministro para tentar sair do foco das investigações. Demitiu o presidente da Petrobrás para criar uma cortina de fumaça. Mas até as paredes do Palácio do Planalto sabem que a família presidencial comanda a corrupção do governo desde a época das rachadinhas e outros crimes e que o gado, os fascistas emergidos com o atual grupo político, ditam as regras desde o primeiro dia de mandato de seu ídolo. Agora, com ajuda decisiva do Centrão.

Como virou piada depois do desgaste do "Não há corrupção no meu governo", o brasileiro agora diz que "Não há mais governo nessa corrupção". E isso é certo!      

26 de março de 2022

As vítimas de sempre


É inquestionável que a invasão da Rússia à Ucrânia representa um crime, sobretudo e principalmente contra as vítimas de sempre em todas a guerras: os civis, as crianças, aqueles que nada têm a ver com a decisão de um país atacar o outro e que, mesmo assim, pagam a maior parte do preço das agressões. São dantescas as imagens de crianças chorando desesperadas. São horrorosas as de civis adultos ou idosos tendo que largar suas casas para correrem a estados estrangeiros sem saber sequer se um dia poderão voltar a seu país, seus lares, suas cidades, seus trabalhos, seu sossego.

Mas é preciso pensar mais adiante: não existem vestais na ONU e não é possível encontrar virgens políticas na OTAN. Mais: desde a dissolução da União Soviética e o fim da guerra fria não há mais razão para que a Organização do Tratado do Atlântico Norte exista, a não ser se agora ela serve para expandir suas fronteiras em direção ao Leste, comprimindo a Rússia e a cada dia mais chegando próxima da China. Essa, por sinal, é o alvo maior: os Estados Unidos não querem permitir que os chineses tenham a maior economia do mundo, em condições de tirar-lhe o posto de donos do planeta.

Discutir aqui se a Rússia pode justificar seu ataque à Ucrânia não é o mais importante. Ela é o agressor. O governo daquele país não aceitou o avanço da OTAN em direção a ele e o fato de aos poucos os agora 30 estados da organização ocidental estarem colocando mísseis apontados para Moscou. Pior porque os Estado Unidos vestem sempre seus presidentes de estrelas de xerife para curvar o mundo à sua vontade, como acontece hoje com esse Joe Byden da foto acima.

Por trás da decisão norte-americana de usar os aliados europeus para abrir uma guerra comercial contra os russos e ameaçar outra contra os chineses se eles não ficarem "do lado certo" existe um imenso interesse comercial militar que representa bilhões de dólares em armas e munições que a indústria bélica dos EUA precisa negociar para tocar sua economia em muitos pontos baseada nisso. As vítimas de sempre, pelo fato de serem de sempre, pagam a conta por não saírem da frente.                

16 de março de 2022

Ensaio para o Armagedom


Durante a Guerra dos Cem Anos, mais precisamente na Batalha de Azincourt, em 1415, o arco longo inglês (foto) foi decisivo. Confeccionado em madeira de teixo, tendo quase dois metros de comprimento, era capaz de enviar flechas com uma velocidade imensa. Elas penetravam a armadura dos inimigos ou então seu escudo, matando-os. Que arma terrivel! Os franceses provaram dessa cicuta!

Na idade média ou antes dela os guerreiros tinham que ser muito fortes e bem treinados. Só isso. Podiam ser analfabetos - e geralmente eram -, o que  não fazia a menor diferença no campo de batalha. Eles aprendiam a usar o arco e flecha, a espada, a maça e outros instrumentos de combate a pé, a cavalo ou usando demais meios de locomoção. Milhares morriam, pois as guerras jamais pouparam ninguém. Principalmente aqueles que nada tinham a ver com os motivos desses morticínios.

Hoje o combatente do século XXI é um homem muito bem preparado, culto, inteligente. Pilotar um avião moderno de combate exige preparação que quase equivale a curso superior. As máquinas são a última palavra em tecnologia. Então, quando a gente vê exércitos indo para as batalhas, sobretudo em aviões modernos de combate, navios e outros equipamentos de ponta, isso equivale e dizer que estamos enviando para morrer parte do melhor de nossas juventudes.

E eles vão para guerras estranhas à sua vontade, ao seu desejo, para matar outras pessoas e morrer em combate sem glória alguma. Sim, não há glória. As imagens da guerra da Rússia contra a Ucrânia mostram essa verdade. Milhares de civis estão sendo imolados; outros, fugindo. As fotos e filmagens são dantescas. Uma delas mostrou cadáveres de soldados russos insepultos, deixados para trás enquanto tropas avançavam para um lado e civis tentavam sobreviver correndo para o outro.

Mas o pior dessa guerra é que os dois lados admitem estarmos às vésperas da III Guerra Mundial. Se isso for verdade ninguém vai comemorar a vitória porque somente russos e norte-americanos têm poder de fogo atômico suficiente para destruir o mundo diversas vezes. Seria a vitória da iniquidade, da insensatez, da negação dos valores da vida e dos motivos pelos quais nascemos, crescemos e morremos. É o Armagedom bíblico, não importa aqui se eu acredito ou não nele. Aliás, não vai fazer diferença alguma.

O arco inglês dá uma saudade!!!!!                   

4 de março de 2022

Os demagogos e a indústria da morte


Vimos todos ontem pela TV a informação de que o presidente da República, Jair Bolsonaro, manteve contato telefônico com o atual primeiro ministro inglês para os dois lutarem pela deposição das armas na Ucrânia. Daria vontade de rir se o normal não fosse sentir raiva. Ainda estão vivas na memória de todos uma entrevista desse Bozo e na qual ele diz textualmente ao entrevistador: "Sou a favor da ditadura, xará". E: "sou a favor da tortura", dentre outros absurdos mais. Esse é o "artista" verdadeiro. O de agora é um produto mal feito e mal acabado para as eleições de outubro.

Por sinal, do presidente real temos várias imagens. Como essa foto, de ele "se exercitando" com um fuzil diante de uma plateia de seguidores. Ou então um filmete no qual não consegue atirar e o filho corre em seu socorro para dizer que a trava não havia sido inativada. Coisa de quem não sabe usar a pistola...

Demagogias à parte, tanto de ocasião quanto ideológicas, as guerras existem por diversos fatores, dentre os quais um determinante: a indústria da morte de alimenta delas. Os fabricantes de armas precisam demandar seus produtos, pesquisar, lançar a cada dia mais novidades e o melhor local para testes é o conflito armado. Como a finalidade é matar, carne humana serve muito bem de alvo. Ainda que seja e dos inocentes como crianças, por exemplo. Mero efeito colateral...

A Rússia é grande produtora de armas e precisa usá-las em seus locais apropriados. Os Estados Unidos, que no atual contexto se faz de mocinho contra bandidos, a mesma coisa. Não fosse assim e armamento norte-americano não seria usado todos os dias na África para matar, em países como a Somália. Fosse diferente e Israel não estaria massacrando os palestinos há décadas usando como argumento falso que precisa se defender. Todos estão alimentando a indústria das armas, da morte em larga escala.

O Brasil se ressente de não participar mais ativamente desse grande negócio. Principalmente agora, quando um projeto de ditador de aldeia defende abertamente a venda indiscriminada de armas e, com isso, coloca milhares delas nas mãos de criminosos que agem livremente no Brasil, como é o caso dos milicianos espalhados por todo o país, matando a torto e a direito.

A indústria da morte  não pode parar.

Não há inocentes nesse palco. Vladimit Putin, o bandido de hoje, cumpre seu papel. Joe Biden, o mocinho de ocasião, o dele. E a indústria bélica, grande interessada em todas as guerras, vibra com o atual momento que o mundo vive. Nunca, num passado recente, lucrou tanto quanto agora.         

28 de fevereiro de 2022

O inferno de Dante

"Os lugares mais sombrios do inferno são reservados àqueles que se mantiveram neutros em tempos de crise moral" Esse pensamento é de Dante Aligheri e descrito no seu "Inferno de Dante" para mostrar onde, segundo ele, vão parar os que se omitem em momentos de grande crise. Ao menos alegoricamente. Como não alegoricamente a maioria dos países faz hoje na ONU (foto).

Sempre é bom ver os dois lados de uma questão, sobretudo essa tão candente como a invasão da Ucrânia por parte da Rússia. Se o diálogo não houvesse cessado quase antes de começar e se o calor das discussões também não tivesse tido a participação agressiva e ao mesmo tempo distante dos Estados Unidos, é possível que o povo ucraniano não estivesse passando pelo que passa esses dias.

Lado um da questão: a Ucrânia tem o direito de se associar à União Europeia em busca de um guarda chuvas de desenvolvimento econômico nesses tempos de instabilidade sobretudo política. Lado dois da questão: a Rússia tem o direito de não se ver cercada por tropas hostis e mísseis de uma União de estados europeia que depois do término da guerra fria tem pouca ou nenhuma razão de existir. Razões havia antes da dissolução da União Soviética. Agora, não. Agora basta que o relacionamento entre nações seja feito sem a necessidade de uma sobrepujar a outra  militarmente por intenções externas à Europa.

O atual presidente dos Estados Unidos, Joel Biden, vive momentos de baixa popularidade num ano em que o congresso dos Estados Unidos vai ser renovado em parte, o que pode dar ao Partido Republicano de seu inimigo Donald Trump supremacia nas duas casas legislativas. Para se recuperar diante da opinião pública ele mostra com toda a força seu lado belicista para uma disputa das mais perigosas contra Vladimir Putin, um direitista de ocasião, demagogo e com pendores czaristas.

É um caldo de cultura de tragédia.

E onde fica o Brasil nesse sopa de letrinhas? Fica sobre o muro. O presidente carnavalesco Jair Bolsonaro pediu licença aos milionários que o recepcionavam num iate de luxo no Guarujá, colocou uma camisa azul e, com seu estilo pouco ou nada letrado procurou explicar que precisamos de fertilizantes, petróleo e outros produtos que a Rússia produz e não produzimos por incompetência, como é o caso do trigo. E não podemos tomar partido, como se alguém não soubesse qual ele já tomou. Depois voltou à bermuda e ao carnaval porque ninguém é de ferro...

Mais do que aos neutros, o inferno está reservado aos covardes.

9 de fevereiro de 2022

Projeto Terra Arrasada


Praticamente todos os economistas ouvidos sobre o assunto - inclusive o ministro da Fazenda do atual governo - dizem com todas as letras que a "PEC Kamikase", assim denominada depois de chegar ao Senado, pode levar o Brasil a quebrar. Pode gerar um déficit superior a R$ 100 bilhões, o que hoje provocaria inflação, subida desenfreada da taxa básica de juros e mais uma série de outros problemas. Mas dane-se. O presidente da República apega-se a essa coisa como uma boia de salvação. Ele está com a reeleição perdida e acha que enganando os mais pobres, policiais e caminhoneiros pode se salvar.

Hoje foi divulgada a pesquisa quantitativa da Genial+Quaest com os mais recentes números da corrida à presidência da República. Os resultados apresentados mostram o candidato Lula com 45 por cento da preferência do eleitorado contra 23 por cento de Bolsonaro, 7 por cento de Sérgio Moro e Ciro Gomes (empatados), e os demais com 2 por cento ou menos. A pesquisa é longa, detalhada e mostra que o atual governo está clinicamente morto. No tocante ao segundo turno, caso haja, Lula sairia com 54 por cento da preferência contra 30 por cento de Bolsonaro. Nesse caso, Sérgio Moro teria 28 e Ciro Gomes 24 por cento. Registre-se que ao segundo turno chegam apenas dois candidatos.

Por conta disso o atual presidente faz política de terra arrasada. Ele quer, se vier mesmo a perder, deixar para seu sucessor um país quebrado, ingovernável, com miséria absoluta, instituições destruídas e um campo fértil a uma oposição feroz, capaz de não deixar pedra sobre pedra. A PEC no Senado e já com assinaturas que garantem sua tramitação, zera impostos sobre os combustíveis. Sem contrapartida de geração de receita ela é simplesmente suicida. Não há como defendê-la, a não ser com a compra do apoio de parlamentares federais que estão sempre à venda nos lupanares de Brasília.

Há uns dois dias o vice-presidente Mourão foi questionado sobre a destruição do meio ambiente no Brasil e veio com essa joia: não há pessoal suficiente para fiscalizar. Claro que não, porque os órgãos ambientais foram dilapidados desde o primeiro dia do governo e uma legislação canalha torna praticamente impossível multar crimes nessa área. Estamos entregues à sanha dos grileiros, desmatadores, garimpeiros ilegais, destruidores de reservas indígenas e mais todos os criminosos que cercam o atual presidente, como os milicianos. Bolsonaro precisa perder essa eleição de outubro para que um novo governo assuma, mesmo com a política de terra arrasada vigorando até o final do ano.

Se até lá ainda houver país para governar.

6 de fevereiro de 2022

Vamos fazer acontecer


Tenho uma convicção íntima: ou essas eleições do final do ano tiram Jair Bolsonaro e seu entorno do poder ou o Brasil estará destruído, talvez irremediavelmente. As pessoas que continuam a apoia-lo de forma incondicional, são totalmente comprometidas com esse esquema destrutivo, apostam no nazi fascismo e não conseguem ver um metro diante dos olhos. São cegas. Vamos aos fatos.

Para o orçamento desse ano há nada menos do que R$ 38,1 bilhões comprometidos com os políticos que querem usar dinheiro público para renovar seus mandatos. Essa imensa massa de recursos está sendo carreada para a parte podre, corrupta do Poder Legislativo via emendas do relator (conhecidas como  orçamento secreto) (R$ 16,2 bilhões), emendas individuais (R$ 10,5 bilhões), de bancada (R$ 5,7 bilhões) e fundo eleitoral (R$ 5,7 bilhões). Tudo isso foi feito com o beneplácito do presidente da República que quer renovar seu mandato e evitar um processo de impeachment em ano de eleição.

Além disso a destruição da Amazônia está atingindo esse ano níveis nunca antes registrados, segundo levantamentos de satélite do IPAM. Evidentemente que esse movimento de destruição atinge também o cerrado, a mata atlântica, pampa e todos os demais biomas brasileiros. Paralelamente a essa tragédia, o crescimento da miséria atinge níveis insuportáveis. O desemprego é absurdo. O custo de vida, insuportável. Em Vitória, onde moro, as ruas estão lotadas de mendigos e o número aumenta todos os dias. Nas outras cidades brasileiras também. Milhares estão comendo ossos que antes eram jogados fora e agora os açougues vendem "baratinho". Famílias inteiras que perderam as casas foram morar em barracas montadas nas ruas, como acontece em São Paulo (foto Folha de S. Paulo) e outras cidades. Pior de tudo: não há luz no fim do túnel, muito pelo contrário.

Questionei hoje um bolsonarista que se diz "de raiz" num supermercado. O que ele me disse: "Não quero ver nada, Álvaro. Voto em Bolsonaro porque não aceito o PT de volta ao poder". Perguntei então porque ele não considerava os outros candidatos, já que há tantos. Não quer. Encerrou a conversa e foi embora "antes que eu me aborreça com você". Uma parte do Brasil está cega!

Mas a solução existe: tirar Bolsonaro por meio do voto. Sacar esse sujeito e torcer para que o presidente sucessor tenha a capacidade de impedir a continuação da rapina que o meio político pratica hoje sobre os recursos públicos nacionais. Tenha como parar a destruição do meio ambiente brasileiro. Queira combater a miséria em todas as frentes e respeite e Constituição como uma bíblia que a todos protege. Isso não é impossível, podem acreditar. E nós vamos fazer acontecer em outubro.            

1 de fevereiro de 2022

As lições de Portugal


Eleições são lições e aprende com elas quem tem um mínimo de inteligência. Hoje, passados dois dias do pleito que deu o poder de governar ao Partido Socialista em Portugal, o Partido Comunista Português (PCP) e o Bloco de Esquerda (BE) amargam uma derrota impensável e que abriu caminho para dois nanicos fascistas terem mais cadeiras no Legislativo: Chega e Iniciativa Liberal.

É fácil explicar o que houve. Havia em Portugal, no comando político do país, uma união de siglas à qual se deu o nome de geringonça e que era capitaneada pelo Partido Socialista de António Costa. Coisa dos portugueses. Os demais partidos de esquerda formavam essa coalisão e não aceitaram o projeto de orçamento que o PS levou à votação. Como não houve acordo, o governo caiu porque é assim que as coisas funcionam no Parlamentarismo. Ou seja: PCP e BE derrubaram seu próprio governo.

Como foi necessário antecipar as eleições legislativas em dois anos, o eleitor de Portugal deixou seu recado: ele apoia o projeto socialista e ficou revoltado com o fato de as duas siglas de inspiração comunista não o terem aceito e, em função disso, provocado a queda de todo o projeto. António Costa (no cartaz da foto) volta a comandar o país e agora não precisa de geringonça nenhuma como muleta. Além do mais a pouca inteligência e o nenhum jogo de cintura das agremiações comunistas colocou a extrema direita no governo. Eles ainda não representam quase nada, mas já terão capacidade de gritar a plenos pulmões, o que sabem fazer muito bem.

Aqui no Brasil teremos eleições em outubro. Ou a esquerda se une e enfrenta o bolsonarismo sem radicalismos, com acordos claros, ou correrá o risco de ressuscitar um morto político. Foi a carrada de erros e roubos cometidos pelo PT e seus aliados ao longo dos governos de Lula e Dilma Roussef o que propiciou a chegada ao poder de Jair Bolsonaro, as rachadinhas, as milicias et caterva. Estamos vendo no que nos metemos dia após dia, mês após mês nos últimos três anos. Agora até mesmo cenas de chiqueiro os brasileiros têm que assistir enquanto um presidente que já gastou R$ 30 milhões em cartões corporativos tenta se mostrar "um homem do povo" com galinha frita e farofa sendo comidas com as mãos.

Mirem-se no exemplo de Portugal. Tenham inteligência. Chega de fascismo tupiniquim.    

28 de janeiro de 2022

A tática do confronto


Uma pergunta toma conta hoje de todos os noticiários jornalísticos políticos brasileiros, sobretudo nas TVs fechadas: qual foi a tática de Jair Bolsonaro ao não comparecer para depor na PF, em Brasília, mesmo depois da intimação por parte do ministro Alexandre de Morais, do Supremo Tribunal Federal? Resposta simples: é a tática do confronto e da tentativa de destruição das principais instituições civis brasileiras, de fora para dentro ou de dentro para fora. Não há outro motivo.

Só os tolos e os que agem de má fé acreditam nos discursos de defesa da democracia, das liberdades individuais e da preservação do Estado Democrático e de Direito que o presidente apregoa nos seus pronunciamentos geralmente cheios de falácias de factoides. O Bolsonaro real é um amante da ditadura militar 1964/85, gostaria de intervir no Supremo e no Congresso, é a favor da tortura e nunca, jamais em tempo algum teve por objetivo ser o presidente de todos os brasileiros. Governa apenas para seus correligionários. Por isso só fala no cercadinho do Palácio da Alvorada e dá entrevistas combinadas para poucos meios de comunicação. O principal deles é a TV Jovem Pan, apoiadora de seu governo.

Desrespeitar o Supremo é perigoso? É, mas Bolsonaro faz isso como um risco calculado. Ele já armou parte da população que o apoia, cooptou parcela das instituições policiais municipais, estaduais e federais e conta com a apoio incondicional dos "bolsonaristas de raiz", os apoiadores incondicionais, cegos e que foram apelidados de "gado" por seu próprio filho Eduardo. Com isso, pode protagonizar uma crise institucional de grandes proporções se julgar necessário. Uma convulsão social não seria má ideia, sobretudo diante de um quadro de derrota eleitoral iminente como parece muito provável.

Ele sabe que uma derrocada em outubro vai colocar a ele e a todo seu clã ao alcance da Justiça. Quer evitar porque isso é uma questão de sobrevivência política e física. Vale tudo para fugir a esse risco. Desrespeitar o Supremo não comparecendo à sede da Polícia Federal em Brasília, a esse prédio solene da foto, faz parte do projeto. Seus apoiadores incondicionais vibram só de acompanhar o noticiário. E a democracia que é desrespeitada de forma pungente com esses atos? Dane-se ela. Como já foi dito, o miliciano das "rachadinhas" e das fake news só é democrata da boca para fora.     

26 de janeiro de 2022

Luto por nós


É muito estranho esse país chamado Brasil! Mais de 600 mil pessoas morreram por omissão criminosa do governo federal capitaneado pelo presidente Jair Bolsonaro e ontem pela manhã a bandeira nacional foi baixada a meio pau para que os imbecis da República chorem a morte de um mendigo intelectual de nome Olavo de Carvalho (foto), falecido de Covid-19 nos Estados Unidos. E isso acontece em meio a uma crise política sem precedentes na historia recente, quando o Poder Legislativo nos governa via Centrão depois de emparedar um presidente que quer tentar a reeleição a qualquer custo.

Em meio a todo esse caos o governo federal comemora o fato de o Brasil estar cotado para ingressar na OCDE dentro de alguns anos (sic!). Poucos pararam até agora para pensar no fato de que para isso acontecer o país vai ter que se comprometer com a luta contra a corrupção, pela preservação da democracia e defesa do meio ambiente, além de outras exigências. E qualquer criança ingressando no ensino fundamental sabe que Bolsonaro não tem compromisso com combate à corrupção, está pouco se lixando para a democracia e quer mesmo é destruir o meio ambiente do Brasil, o que já está sendo feito.

É incrível como em meio a tudo isso os apoiadores incondicionais do presidente o sustentam contra todos os fatos. Focados na tentativa de destruição do ex-presidente Lula, centram fogo nele praticamente se esquecendo de todos os demais candidatos hoje colocados à consideração dos eleitores. Como Ciro Gomes (PDT) até agora o único a apresentar um plano de governo consistente. Somos levados a crer que planos de governo não existem para o poder federal atual e seu gado. Só Lula os incomoda. E se Ciro crescer nas pesquisas haverá tempo de centrarem fogo nele, encontrando na lata do lixo intelectual onde vivem argumentos suficientes.

Olavo de Carvalho notabilizou-se por ser um autodenominado filósofo. Num governo que odeia filosofia, antropologia, sociologia e tudo o mais que represente ciências sociais, era cultuado por ser um extremista de direita que intercalava momentos de amor com outros de ódio ao presidente brasileiro. Virou motivo dos mais variados tipos de piadas desde o momento do anúncio de sua ida para o inferno. A bandeira brasileira hasteada a meio pau, sobretudo em frente ao Palácio do Planalto, é um retrato pronto e acabado do governo que temos: com a imagem e o nível de sua filosofia.

Talvez até pior do que isso. Precisamos mesmo é de um luto por nós.   

16 de janeiro de 2022

Jogada de alto risco


Hoje discordei de afirmação da coluna de um meu querido amigo, quando ele disse que Jair Bolsonaro - louquinho para visitar Vladimir Putin em Moscou - apoia politicamente o governo da Ucrânia. Digo e repito porque tenho convicção: o presidente do Brasil apoia quem ou o que é de sua conveniência. Torna-se inimigo de quem ou do que é de sua inconveniência. E como muda todos os dias dependendo da evolução dos acontecimentos ou da avaliação sempre tosca que faz deles, isso também nunca pode ser escrito. Aliás, nada do que esse governante submisso ao Centrão diz pode ser escrito.

Em junho de 2019 o presidente brasileiro teve um encontro pessoal com Putin (foto). Isolado pela totalidade dos líderes sérios do mundo, é capaz de fazer qualquer coisa para "provar" não ser um pária. Encontrar o presidente russo em Moscou faz parte de suas apostas, mas, nesse caso, trata-se de uma jogada do mais alto risco por causa da situação explosiva em que se encontram as relações políticas internacionais atuais, sobretudo envolvendo Estados Unidos e Rússia. Então, para que ir ao país do czar num momento como esse? Para que tocar num barril de pólvora? Eu sei: para falar ao gado!

Desabando nas pesquisas de opinião pública, a cada dia mais isolado, Bolsonaro se apoia nos seus apoiadores fieis. De raiz. São eles e apenas eles que podem garantir suas hoje parcas expectativas de chegar ao segundo turno nas eleições presidenciais de outubro. Por eles é capaz de fazer qualquer coisa como, por exemplo, tentar aprovar no Congresso aumento salarial apenas para a PF e a PRF. Essas são as impressões digitais de um governo miliciano. E que também compra o apoio quase incondicional de grande parte das polícias militares com o compromisso não escrito mas claro de elas o defenderem "fora das quatro linhas da Constituição" caso sejam por ele convocadas.

A tudo isso se soma sua atuação fora da lei nas redes sociais. E verdadeiros absurdos como não fazer o menor esforço - muito pelo contrário - para que procurados pela Justiça do Brasil homiziados nos Estados Unidos e no México sejam presos pela Interpol para responder por seus atos. Bolsonaro joga no caos, pelo caos e para o caos. Só assim vai poder posar de vítima caso seja mesmo derrotado nas eleições de outubro próximo, resultado que não deve aceitar em hipótese alguma.

Bom, existe a possibilidade de daqui até a viagem a Moscou as relações internacionais se deteriorarem  mais, os russos invadirem a Ucrânia e a situação criada tornar impossível um deslocamento como esse. A agora, Jair? Problema nenhum; basta dizer que tudo isso é invenção da imprensa fabricante de fake news e que quer vê-lo fora do poder que ocupa desde 2018 por vontade divina.        

    

10 de janeiro de 2022

7 de setembro vem aí!

Vamos começar pelo título: 7 de setembro vem aí e vai marcar os 200 anos da Independência. Donde o perigo. Concordo com todos os que dizem não ter Bolsonaro esgotado seu projeto de golpe de estado na comemoração passada. Ataques como esse mostrado na foto continuam no script desse ano. Talvez seja a última chance e ele não a vai perder. Talvez perca a aposta, mas não a oportunidade.

Hoje mesmo vi na TV Jovem Pan uma "entrevista exclusiva" dada pelo presidente a uma falsa repórter de roteiro nas mãos. Explico como funciona essa farsa: a edição combina tudo com o entrevistado e passa ao entrevistador a relação de perguntas a serem feitas. Tudo devidamente combinado, treinado. E sob cenário solene, bem verde/amarelo e luxuoso, é gravado o mise-en-scène. Proibido fugir ao script. Durante sua fala, dentre  inúmeros factoides, Bolsonaro tentou demonstrar experiência lembrando os 28 anos passados no Parlamento. A repórter perguntou a ele o que fez durante todos esses anos? Não. Não estava no roteiro. Não se deixa o dono da festa de calça curta.

O bicentenário da Independência, aposto, está no esquema da campanha à reeleição. Como ele não pretende aceitar a derrota hoje certa em hipótese alguma, vai tentar repetir Trump, o primeiro cavaleiro da triste figura do fascismo século XXI que assola o mundo. Já está em campanha. Aliás, sempre esteve. Por sinal, nunca deixou de estar. O segundo mandato é a fixação desse projeto de ditador de aldeia apoiado por milhares de extremistas de direita que formam seu gado e que hoje, por orientação sua, se tornaram milícia violenta, armada, disposta a cometer crimes para defender o chefe. O mito. O par(mito).

Difícil antecipar os passos desse presidente. As coisas mudam todo dia, a cada episódio, a cada crise que ele próprio constrói para tirar das pessoas o foco dos verdadeiros problemas do Brasil e dos quais hoje é o único senhor. O único construtor. O único artífice. E se as vacinas e as urnas eletrônicas não forem suficientes para criar mais estresse até a eleição, ele vai encontrar outros assuntos. Para isso está competentemente assessorado pelo filho 02 e as redes sociais.

Mas nós vamos ganhar. O bicentenário da Independência está chegando e será mais uma festa da democracia, mais uma vitória das instituições civis que nos orgulham. Do verdadeiro verde/amarelo. Vamos que vamos!            

31 de dezembro de 2021

Feliz ano novo para nós!


Os dois homens que você vê na foto não estão andando de moto aquática. Nem se divertindo em Santa Catarina. Eles são moradores da Bahia onde uma grande quantidade de casas, estabelecimentos comerciais, industriais, rurais e outros foram destruídos nos últimos dias pelas chuvas que castigaram aquele Estado brasileiro. Não vão ter um feliz ano novo! Conseguiram salvar suas vidas, o que já é muito. E os dramas deles, de milhares de brasileiros, foram vividos também em outros estados.

Houve, sim, alertas de chuvas fortes. Mas o presidente dessa pobre república estava preocupado em programar suas férias com a família, tudo às custas do povo brasileiro, e não tinha tempo a perder com essa gente pobre que só sabe torrar a paciência dos outros. Por isso ele nem sequer interrompeu a farra familiar. Deu ordens diretas aos seus ministros para não somente irem lá em lugar dele, mas também para voltarem a promover contenciosos contra as vacinas de Covid 19, seja porque agora são para crianças e adolescentes, seja porque destinam-se a estudantes universitários. Que morram todos!

As imagens desse presidente se divertindo no Parque Beto Carreiro com mulher e filha a tiracolo enquanto a população nordestina - principalmente - morre ou fica na miséria mais completa são de cortar o coração. Sobretudo quanto a gente tem que ler declarações dele dadas em rede social e nas quais diz que o Brasil não precisa de ajuda argentina para a Bahia mas, sim, aceita auxílio japonês. E ainda usa de ironia, de deboche, contra o povo de seu País.

Bolsonaro não sente empatia. Também não tem adversários políticos. Ou tem moleques de recados capazes de fazer qualquer coisa ou então vê os semelhantes como inimigos. Assim olha para o presidente da Argentina, Alberto Fernandez. Assim vê quem quer se vacinar e tem receio de morrer infectado por quem não se vacina. Que se danem todos. Ele precisa de seu gado e de sua estupidez.

O presidente do Brasil não apenas jamais sente empatia por seu semelhante como é mau. É cruel. Ele tem prazer em fazer sofrerem as pessoas das quais não gosta. E de subjugar os dejetos sob seu comando. Não vai melhorar, não vai mudar e, tenho certeza, ainda não desistiu do projeto de um golpe de estado. Ainda não o perpetrou porque faltam-lhe força e apoio militar.

Feliz ano novo para você e para todos nós que não somos como ele.            

20 de dezembro de 2021

Viva Chile! Viva a Democracia!


Ontem à noite, enquanto era saudado por milhares de pessoas após ser eleito presidente do Chile aos 35 anos de idade, o ex-deputado descendente de croatas Gabriel Boric discursou agradecendo o esforço de seus correligionários e dizendo também ser grato àqueles que votaram em seu "contendor" pois todos haviam dito "sim" à democracia chilena. Antes disso o extremista de direita e admirador pinochesista José Antonio Kast, o derrotado, havia admitido ter perdido e cumprimentado o vencedor. Isso partido de um político com raízes paternais no nazismo é muito bom.

Vamos demorar um pouco para saber do que Boric é capaz, ainda jovem e à frente de um país em crise e que terá de ser governado sem maioria parlamentar. Mas o jovem de fala clara parece focado, parece disposto a negociar e a apostar no regime democrático que para os chilenos custou tanto sangue, suor e lágrimas num passado ainda não muito distante. O novo presidente não é membro do Partido Comunista Chileno, mas foi eleito com o apoio deste (foto de O Globo). Talvez por isso acredite tanto na democracia e queira apostar num "estado de bem estar social".

Explico: no Chile - como no Brasil - foram os comunistas os maiores construtores da democracia. Estudem um pouco a história mais recente! Depois dos golpes de estado que estupraram as constituições daqui e de lá - de outros países latino-americanos também! -, foi com o suor e o sangue das oposições onde pontificavam os comunistas que a normalidade democrática acabou sendo restabelecida. A democracia que temos hoje é fruto dos esforços desses que são os maiores, os verdadeiros patriotas. E não daqueles que pregaram e pregam as ditaduras, a intervenção sobre o Poder Judiciário e a dissolução pura e simples do Legislativo.

O tempo passa, as coisas mudam. Hoje conceitos como "ditadura do proletariado" estão relegados aos livros de história. Foram uteis às lutas iniciais, mas agora não são mais. Hoje o estado moderno é construído por todas as mãos disponíveis num país como o Chile de Boric. Porque nos tempos de Pinochet isso não seria possível. Naquela época o que contava era a capacidade de o detentor do poder esmagar seus opositores, tivessem eles quaisquer das cores ideológicas existentes.

Foi e é assim, por exemplo, com o indivíduo Bolsonaro. Ele faz de sua vida política uma luta sem quartel contra qualquer pessoa ou grupo que discorde dele. Não admite isso. Ao contrário de Kast, não cumprimentaria seu opositor e vencedor em uma eleição, como não pretende fazê-lo. Ao inverso de Boric, jamais teve a intenção de promover o "estado de bem estar social", pois nele não cabem o golpismo, o autoritarismo, o "milicianismo" e os acordos de grupos, familiares ou não. A ele e aos iguais a ele no mundo moderno, à esquerda ou à direita, está reservado o lixo de história.

Boric não haverá de nos decepcionar e servirá de modelo para nós do ano quem vem em diante. Torço por isso desde ontem à noite, quando fui dormir feliz da vida, leve, livre e solto.

Viva o Chile! Viva a Democracia!             

8 de dezembro de 2021

Quantas desgraças ele ainda vai fazer?


"Essa coleira que querem colocar no povo brasileiro. Cadê a nossa liberdade? Prefiro morrer do que perder a minha liberdade. Tem que ter coragem para falar. Parece que sou o único chefe de Estado no mundo que teve posição diferente. Dizem que toda a unanimidade não é bem-vinda. E o que eu fiz? Estudei, corri atrás..."

O autor dos pensamentos acima é a mesma pessoa que, não muitos anos passados, em uma entrevista dada a um apresentador de TV, ainda deputado federal, disse mais ou menos textualmente: "Eu sou  favor da ditadura, xará! Sou a favor da tortura. Se eu fosse, presidente? Fechava o Congresso na mesma hora. Fechava o Supremo Tribunal Federal" (as imagens existem e qualquer um pode ver).

Pois o autor das frases de ontem diante de uma plateia de puxa-sacos é o mesmo que deu as declarações à TV faz alguns anos. Chama-se Jair Messias Bolsonaro, indivíduo brindado pelo povo brasileiro com o cargo de presidente da República porque o ódio ao PT, sobretudo aos desmandos cometidos durante os governos de Lula e Dilma desaguou na escolha de um psicopata para assumir a presidência.

Eis o resultado!

Bolsonaro sente uma necessidade doentia de ter ou fazer inimigos. Como ao longo da vida ninguém o ensinou a construir pontes, ele só sabe destruí-las. A única que fez não em sentido figurado foi uma pinguela na região amazônica, de madeira, ligando nada a lugar nenhum e cuja cerimônia de inauguração custou aos cofres públicos muito mais dinheiro que a "obra" em si. Dizer que estudou é um absurdo tão grande que seria risível caso não fosse triste.   

Ele também sente necessidade de mentir patologicamente. De deturpar fatos. Um dos últimos destes é dizer que estão tentando fechar o espaço aéreo brasileiro com o passaporte de vacina que teima em não permitir seja dado. Talvez o documento seja exigido com mais mortes de cidadãos, o crescimento da pandemia em território nacional ou uma ordem expressa do Supremo Tribunal Federal que felizmente ele  não teve como fechar.

É um "cavaleiro da triste figura", sem que queiramos comparar sua estatura moral à do personagem de Miguel de Cervantes, Dom Quixote de La Mancha. Bolsonaro vai passar. Como tudo o que não presta, é inútil, só serve para infernizar os outros, irá embora talvez de forma muito mais triste do que chegou na esteira de cometa de uma raiva doentia a um partido politico.

Resta saber quantas desgraças fará até lá.              

2 de dezembro de 2021

O Estado Laico corre risco?


Muito mais do que os discursos extremistas de direita, muito mais do que a homofobia, muito mais do que o ódio e a perseguição aos adversários, temo no governo do atual presidente do Brasil a tentativa de destruição do Estado Laico, uma de nossas maiores virtudes enquanto nação. E causa preocupação ainda maior a suspeita justificável de que o sorriso da foto desse artigo, mostrado ontem durante a sabatina de araque no Senado Federal, seja  mera encenação. Seja cinismo.

Durante a tal sabatina vimos no Senado um André Mendonça distante do pregador evangélico de sempre. Quase um conciliador. Mas depois, no discurso do recém entronizado já surgia no horizonte o sujeito terrivelmente religioso: "É um passo para um homem, um salto para os evangélicos!"

Vou me explicar. O melhor do Estado Laico reside no fato de que todos podem exercer seu credo religioso sem sofrer nenhum tipo de perseguição. Ou não exercer credo algum, como é o meu caso. Só não se pode pregar a dissolução ou a divisão do Estado. Mas sabemos todos, e ninguém é inocente para desconhecer esse fato, que algumas "confissões" ditas evangélicas ambicionam o poder. E o querem para moldar o país às suas crenças, aos seus dogmas e, sobretudo e principalmente, a seu projeto de grupo. Basta ver como são bilionários os donos delas e como as fortunas deles crescem ilegalmente diante de todo mundo e sem que o governo faça nada para coibir tais crimes. Muito pelo contrario...

O que se espera de um ministro do Supremo Tribunal Federal é que ele seja um especialista em direito constitucional e que esteja apto a defender a Constituição em todas as circunstâncias e momentos. Não importa o que para ele é pecado. Isso não vem ao caso. Dane-se! Pede-se apenas que lide com o que é legal.

Vamos descobrir em breve, muito breve, se está hoje no STF um ministro ou um pastor evangélico, terrivelmente evangélico e, pior, a serviço de um governo que odeia quem é adversário, persegue e tenta impor ao Brasil uma camisa de força que o aprisione dentro de suas convicções negacionistas. O Senado resolveu correr o risco, inclusive com o apoio descarado de alguns parlamentares de "esquerda".

Vamos ver a conta a pagar.

21 de novembro de 2021

O voo pirata


A foto acima mostra um Legacy da Força Aérea Brasileira que faz parte do grupamento de transporte aéreo a serviço dos poderes da República, sobretudo autoridades. Tem prefixo VC99B, identificação de cauda FAB2582 e nada teria como notícia caso não fosse agora alvo de investigação pela acusação ter feito um voo pirata para retirar do Brasil, às pressas, o senhor Olavo de Carvalho, astrólogo, "filósofo" ou simplesmente picareta intimado a depor na Polícia Federal. Voou de São Paulo a Nova Iorque onde pousou em um aeroporto pequeno, longe dos olhares indiscretos. Lá o passageiro teria ficado.

Isso é fato de extrema gravidade. Há suspeitas de que o avião foi usado por intervenção do ministro de Estado Fábio Farias. O voo era o BR46. Era época de reuniões internacionais na Europa e muita gente voava ao exterior à custa dos impostos que pagamos. O passageiro Olavo saiu às pressas de um hospital público onde estava internado recebendo tratamento médico VIP ao qual eu e você não temos acesso, fez isso sem sequer se despedir dos médicos que o atendiam e assim fugiu de responder a inquérito ao qual havia sido intimado para explicar a existência de milícias digitais no Brasil a serviço da construção de notícias falsas (fake news) que sustentam o Governo Federal.

Esse fato se deu no dia 16 desse mês e o indivíduo Olavo estava internado no hospital público desde o dia 09 porque não tem plano de saúde nos EUA. Já nos Estados Unidos disse ter retornado às pressas porque disseram a ele ter exatos 15 minutos para sair e ir ao aeroporto embarcar. Isso jamais poderia ter acontecido sem o conhecimento e aprovação de altas autoridades da República. Isso jamais aconteceria num país democrático sólido sem que muita gente pagasse caro pelo crime cometido.

São públicas e notórias as atitudes criminosas cometidas hoje em dia para proteger membros da República, sobretudo os da família Bolsonaro. Nos últimos tempos ao menos 15 delegados da Policia Federal perderam seus cargos por agir para fazer cumprir leis em vigor e investigar. Nos altos escalões todo mundo sabe da pressão sofrida por funcionários investidos em cargos que podem interferir em desmandos cometidos pelo Planalto. E o Supremo Tribunal Federal (STF), tão atacado e achincalhado pelo "gado" parece ser a última trincheira de hoje na defesa da democracia.

O voo BR46 tem que ser investigado. Rápido! Os responsáveis por retirar do País subterraneamente um indivíduo intimado a depor na PF precisam responder por isso. Não é a primeira vez; o apoiador bolsonarista Allan dos Santos deixou o Brasil da mesma forma. Provoca urticária saber, como todos estamos sabendo, que o governo brasileiro não apenas apoia mas também patrocina pirataria aérea, além de muitos outros crimes que estão se tornando banais do final de 2018 para cá.

Até quando? Onde mora hoje o jornalismo investigativo do Brasil?       

19 de novembro de 2021

É notícia? Tenho que dar!


Trabalhei durante 27 anos num jornal diário de Vitória. Ao longo desses anos conheci muita gente digna, aprendi demais com elas, mas também convivi com muitos canalhas. Fazer o quê? O fato é que depois de tanto tempo passei a ter uma definição minha desse mágico termo chamado notícia. Vamos a ela: "Notícia é fato de interesse público". Simples assim. Não importa se gosto, se não gosto, se amo ou detesto a pessoa ou a situação que gerou essa informação. Tenho que dar e ponto final. Em último caso posso exercer o direito à opinião e meter o sarrafo. Mas só depois de noticiar.

Hoje o Jornal Nacional noticiou que o ex-presidente Lula está na Europa sendo recebido pelos  maiores chefes de Estado daquele continente. Gente que jamais recebeu Jair Bolsonaro presta homenagens ao ex-presidente brasileiro até mesmo em parlamentos europeus como pode ser visto na foto que ilustra esse texto. Claro que isso deve incomodar muito ao "bolsonarismo de raiz", já que o atual presidente brasileiro, exceto quando foi a Israel, até hoje só dialogou com ditadores. E adora essa gente!

Bolsonaro não pode reclamar de não ser notícia. Fala-se dele toda hora. Que censurou a Mafalda, que visitou a "Torre de Pizza", que proibiu o termo "golpe de 64" numa questão do Enem preferindo "revolução", que conversou com Jim Carrey durante a Cop 26 e muita coisa mais. Principalmente que "a floresta amazônica, por ser úmida, não pega fogo". Mas que está sendo devastada dia após dia como nunca antes foi visto, isso está. Só que presidente não fala isso. Tadinho, não pode se lembrar de tudo!

Nós vamos enfrentar muito mais até outubro próximo, quando deverão ser realizadas as eleições mais tensas e violentas de todos os tempos no Brasil. Eleições que Bolsonaro não queria ver de forma alguma. Se dependesse dele haveria golpe de Estado. Ou "intervenção militar" como pede aos gritos o gado que o segue para onde quer que ele vá, ainda que seja ao matadouro. Mas, enfim, como os tempos atuais não são mais como 1964, o ano da "revolução", talvez o "chefe de Estado" tenha mesmo que participar de uma festa da democracia contra a vontade. A maior de todas as festas!

E quem concorda comigo em que ele não vai passar a faixa?                          

8 de novembro de 2021

O exterminador do passado


A última viagem internacional do presidente da República foi mais um show de ignorância e isolacionismo. Nessa foto que ilustra o texto, aquele que talvez seja o maior exemplo de tacanhice do chefe de Estado do Brasil: depois de passar por Pisa, na Itália, citou a torre inclinada que é ícone mundial de turismo como sendo a "torre de pizza". Como estava na Toscana, deve ser receita regional... Antes disso já havia estado rapidamente com o enviado especial dos EUA para o clima, John Kerry a quem chamou de Jim Carrey. Aliás, isso não causa surpresa alguma porque o ator canadense citado fez, dentre outros filmes, "Debi & Loide". Bolsonaro pode ser qualquer um dos dois. Ou ambos. 

Triste foi ver o presidente sem interlocutor na reunião do G20 que reunia os maiores chefes de Estado do mundo. Triste e vergonhoso. Ainda mais porque ele foi até garçons que serviam autoridades, pediu água, fez piadas das quais ninguém riu e depois ficou apontando os governantes com o dedo como perguntando quem era quem naquele grupo de pessoas. Na única hora em que falou em público para o presidente da Turquia, que estava junto a outras autoridades, não fez perguntas, recitou temas nacionais brasileiros, citou a Petrobrás, os militares enfiados no governo e causou apenas constrangimentos.

Fez com que jornalistas fossem agredidos, deu mais um de seus espetáculos de falta de respeito para com os semelhantes, entrou em igreja sem ser recebido por religiosos e terminou o périplo de cavaleiro da triste figura no cemitério de Pistoia onde foram sepultados os soldados brasileiros mortos na II Guerra Mundial. Entendeu que ele, um fascista notório e que estava acompanhado por Matteo Salvini, líder fascista italiano, homenageava assim soldados que morreram lutando contra o fascismo.

Agora, novamente acuado no Brasil, vendo suas mais recentes ações sendo contestadas, assistindo ao calvário do presidente da Câmara, seu fiel ajudante de ordens, continua a destilar ódio, a atacar instituições e elegeu a Petrobrás como sua mais nova vítima, como sempre para desviar a atenção das pessoas do que realmente importa no nosso País: a crie institucional. Esse sujeito vive no militarismo de 1964. Os tempos para ele ainda são os de guerra fria e seu sonho dourado continua sendo o golpe de estado que não consegue dar. Vive em tempos outros esse nosso Exterminador do Passado.